terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sobre a dor de cabeça. De novo.

São décadas de dor de cabeça. Nada que chegue a meio centenário. Mas...décadas.

Muita gente costuma dizer que as piores dores que existem são as dores de um parto, as cólicas de rins e dores de dentes. Discordo em gênero, número e grau. Porque dor não se mensura. Qual é o instrumento que mede a intensidade de uma dor? Eu, que já tive as três mencionadas, afirmo que nem umazinha sequer é maior que a dor de cabeça.

Desde que me lembro de alguma coisa na vida, lembro que já tinha dor de cabeça. Tive de todos os tipos: enxaqueca, sinusite, acidente de carro...toda e qualquer forma de dor de cabeça, tive a infelicidade de sentir. Trabalhei por alguns anos na Avenida Paulista, e naquele período, por algum motivo, vivi um dos momentos de grandes crises. Fui socorrida de ambulância por não ter condições de sair de onde estava. Pronto socorro? Por um bom tempo, entrava praticamente como V.I.P. em um hospital de São Paulo e ia direto para a internação. Só remédio bem forte na veia.

Com o passar dos anos e dos traumas causados pelo excesso de dor, decidi procurar especialistas. Passei a fazer tomografias e ressonâncias. Houve momentos nos quais eu pedia para que fosse encontrado um tumor na minha cabeça, pois ele seria de lá arrancado e a dor cessaria. E nunca apareceu nada. De modo que eu e minha dor permanecemos unidas.

Quando Peteleco nasceu, alguém me encaminhou para um médico neurologista especialista em CURAR, isso mesmo, C-U-R-A-R a dor de cabeça. Não aceitava convênio. Marquei particular. Esperei por cinco horas para ser atendida. Mas as mulheres (por que apenas mulheres?) do consultório, solidárias umas com as outras, me incentivavam: "espera, pois ele curou a prima da colega do vizinho da minha sogra, e por isso estou aqui", Ali permaneci até chegar a minha vez. Narrei minha saga e ele com muita sabedoria me disse que noventa e cinco por cento do que eu narrava eram sintomas de enxaqueca, mas ele não poderia me tratar desse mal pelos cinco porcento faltantes. Deu-me duas medicações para tomar diariamente, pediu que eu fizesse um diário narrando minha rotina e os momentos nos quais a dor se instalava, para ver se estabelecíamos um padrão. Durante os quarenta dias, nada de dor. Não voltei ao médico.

Um par de anos se passou e eis que a dor voltou com tudo. Claro que no interim, tive dores pontuais e que passaram apenas com analgésicos comuns. Entretanto, quando ela voltou, veio para ficar. Estava estacionando o carro sem conseguir enxergar as pilastras da garagem. Uma vizinha que de longe observava, me abordou oferecendo ajuda. Comecei a chorar. Sim, eu choro de dor. Compadecida da minha dor, ela de imediato ligou para um médico neurologista amigo da família dela. A consulta custava uma cifra gigante de dinheiro, mas ela disse que ele me atenderia de graça se eu não pudesse pagar. Pude pagar, mas teria aceitado sem qualquer orgulho se não pudesse. E lá fui eu no dia seguinte. Para minha surpresa, a conduta, as perguntas e o tratamento dele foram idênticos ao médico de anos atrás. Segui a risca. E a dor sumiu.

Há quatro anos me trato com medicina preventiva. Nada melhor que estudar nosso corpo e nosso organismo e trará-los antes de surgir doença. Faço check-up anual, consulto-me de três a cinco vezes por ano e sigo a vida. Até que...

Dia cinco passado, tive consulta. Não ia à médica desde abril. Um mês antes, havia passado com meu ginecologista. Ambos me disseram que eu estava ótima, com exames super saudáveis e comemorei nas duas consultas. No feriado, comecei a ter dores de cabeça. Tomei analgésico normal. A dor continuou. Analgésico mais forte. Mais dor. Analgésico especial para enxaqueca. Dor intensa. Analgésico com anti-inflamatório. Mais dor. E mais, e mais, e mais.

No último sábado, tive uma explosão de dor. Chorei compulsivamente, o que faz com que a dor piore. Não havia o que piorar. A dor fazia minha cabeça explodir. 

Ontem, quando Bibizoca chegou da escola, me viu jogada na cama. Imediatamente, no seu senso de urgência que tanto me orgulha, pegou o telefone e ligou para minha médica. Meu anjo da guarda a quem oro e peço proteção. Ela orientou minha filha sobre qual medicação me dar e saiu para vir a minha casa em meu socorro. No caminho, o bebê dela teve um acidente de bebês e foi tempo de ela socorrer o filho e correr para fazer um parto, já que ela também é obstetra. Hoje, quando acordei, sai de casa, mas em vão. A dor me acompanhou até que eu perdesse a razão. Enquanto me dirigia ao consultório da minha "anja", ela estava na minha casa me deixando o medicamento. Nos encontramos na clínica.

Fui medicada com drogas fortes, voltei pra casa suando frio, alimentei-me e deitei. Esperando a dor passar. Com fé. E a dor começou a passar. E passar. E melhorar.

Neste momento, posso dizer que tenho apenas a ressaca da dor. Após nove dias de dor latejante, ela foi embora. Minha médica acaba de me ligar. E minhas amigas. Minha professora também. Minha filha. Meu marido. Porque minha dor de cabeça é tão intensa, que quem me olha tem a mesma certeza que eu tenho: o fim está próximo.

Tudo na vida serve de lição. A dessa crise foi a lição de que ninguém pode ter cefaleia por mais de trinta horas seguidas. Não é normal. Passei mal por tantos dias por acreditar que no próximo momento a dor passaria. Mas jamais vou esperar tanto tempo para buscar socorro de novo.

Fica aqui a dica para tantas pessoas que sofrem desse mal: procurem ajuda o mais rápido possível. No meu caso, não tenho hipertensão ou qualquer outro problema de saúde que faça a cabeça doer. O que desencadeia uma crise, PODE ser ansiedade. O que não há comprovação. Para não esperar uma próxima crise, vou começar a meditar e buscar controlar a ansiedade, grande mal do século, em busca da salvação que não seja através de drogas!

Tchau dor chata. Vai e fica!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sobre Sonhos

Todo mundo precisa sonhar. PRE-CI-SA do verbo "precisar muito". Porque quem não sonha, deixa de viver. E eu vivo intensamente, pois minha vida é permeada de sonhos.

Sou contra a inveja. Acho que inveja não está com nada, pois geralmente a inveja existe por coisas materiais, e na minha concepção, tudo que é material, está ao alcance de todos. E se consegue de um modo bem simples: TRA-BA-LHAN-DO.

(estou meio silábica hoje).

Absolutamente tudo que sonhei, consegui. Fui dos menores sonhos até os maiores. Sonhava trabalhar em uma multinacional. Sonhava ser uma executiva. Sonhava ser mãe. Sonhava ter um bom marido. Sonhava morar em casa própria. Sonhava morar em um apartamento com churrasqueira na sacada. Sonhava morar em uma casa com piscina. Sonhava viajar de avião. Sonhava viajar para fora do Brasil. Sonhava morar fora do Brasil. Sonhava morar na Europa. Sonhava ter um computador da Apple. Sonhava passar pela Torre Eiffel. Sonhava olhar de frente com meus próprios olhos, pessoalmente, ao vivo, o Palácio da Rainha da Inglaterra. Sonhava ter um diploma de curso superior. Sonhava fazer pós-graduação. Sonhava conhecer a Disney. Sonhava ter televisão no quarto. Sonhava ter um carro com ar-condicionado e teto solar. Sonhava entrar no shopping e comprar o que eu quisesse. Sonhava, sonhava, sonhava...e realizei todos os meus sonhos. E para mim, sonho é assim: realizou, perdeu a graça, "bora" correr atrás de sonhar mais.

Foi assim, atrás de um grande sonho, que entrei em um parque de diversões. Foi assim, de mãos dadas com uma amiga muito querida, que adentrei na Disney com o coração disparado de emoção. Minhas mãos tremiam. Parecia tudo um sonho, não a realização. E foi em meio a montanha russa que minha amiga me mostrou que era possível continuar sonhando. Que os brinquedos eram infinitos e as filas ilimitadas. Só dependia de mim, da minha coragem em seguir em frente e continuar sonhando e realizando. Foi assim....que aos quarenta e um anos, quatro meses e oito dias de vida, que me emocionei com cada "looping" e tive a maior certeza do que eu sempre quis na vida: nunca parar de sonhar e realizar!

Para minha amiga H., minha eterna gratidão, pela amizade, pelo companheirismo e por todas as lições que me passa nestes anos todos. Meu mais profundo amor por me levar para a montanha-russa e saber o que é adrenalina de verdade!