segunda-feira, 13 de junho de 2016

Sobre a enxaqueca - último capítulo

Já escrevi uma vez sobre a enxaqueca. Também sobre dor de cabeça. E sobre mais enxaqueca... contudo, jamais imaginei que tal assunto traria tantos leitores para meu blog.

Exatamente por ter percebido a estatística com números tão altos, que decidi escrever meu último capítulo.

Em dezembro do ano passado, vivi os piores pesadelos. Foram vinte dias seguidos de dor. No penúltimo, já sem domínio sobre meu corpo ou meus pensamentos, Bibizoca chegou em casa e me pegou desfalecida na cama. Sem pensar muito, pegou o telefone e ligou para minha médica, que em pouco tempo estava na minha casa para me medicar. Tramal. Medicação forte para dor, tão forte que fiquei por muitas horas sem sequer conseguir ficar em pé. Depois da medicação, tomada de tempo em tempo (que não me lembro quanto), do forte analgésico e mais uma dose grande de antiinflamatório, sobrevivi.

Em pé novamente, fui até a médica e ela me explicou que ninguém pode ter cefaleia por mais de trinta horas. Ninguém pode ficar sem pedir socorro por vinte dias, ingerindo analgésicos como se come brigadeiro em festa de criança.

Passei alguns dias levantando da cama com cuidado. Procurava não andar. Tive medo de comer tudo que levei a boca. A dor não voltou. Foi a pior crise da minha vida. Foi a última crise.

Minha dor de cabeça foi embora. Foi embora porque quis que ela fosse embora para sempre. Não que em outras vezes eu não tenha querido. Só que foi definitivo. Procurei ajuda psicológica e espiritual, pois já não havia médico na Terra capaz de acabar com ela. A mudança veio de mim. Afastei da minha vida pessoas nocivas. E quem não acredita neste meu depoimento, precisa pagar para ver.

Comecei a analisar coisas da minha vida que me faziam mal. Comportamentos meus e coisas que eu me permitia receber vindo de pessoas próximas de mim. Decidi mudar minha forma de pensar e de agir: primeiro, o afastamento. Depois, meditação. Sozinha. Em casa. Um vídeo qualquer no Youtube e eu me comprometia com meia hora apenas para mim. Fui dia após dia mudando a rotação da minha vida. Passei a pensar sempre positivo. Perdi o medo de acordar e a cabeça doer. Perdi o medo de andar e a cabeça doer. Ao sair de carro, deixava os motoristas apressados passarem na minha frente. Em casa, deixei de me estressar com coisas que não me agregavam nada.

Hoje completo cinco meses sem dor! Amanhã comemorarei cinco meses e um dia. Muito breve, estarei aqui contando que a dor nunca mais voltou, pois sei que será assim. Minha mente quer assim.

Meu conselho para quem já tentou de tudo: aperte a tecla "dane-se". Viva a vida segundo a segundo, tendo a certeza de que o próximo não existirá. Logo, o segundo que se está vivendo será precioso e não poderá ser desperdiçado com a dor.

Quando der certo, volta aqui para me contar! Estou torcendo por você!


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Sobre ocupação nas escolas públicas

Ano passado, houve grandes manifestações nas escolas públicas estaduais na cidade de São Paulo. Confesso que senti dor física ao ver a E.E.P.S.G. "Fernão Dias Paes" (nome que levava nos anos os quais estudei lá, 1981, 1982 e 1983) tomada e sendo destruída por estudantes. Para mim, tudo não passava de movimento político. Nem precisava ser muito inteligente para perceber isto, bastava observar a liderança e as palavras de ordem. Até que....

....o tempo passou. Alguns meses se passaram. Veio o escândalo da merenda, como tantos e tantos escândalos que assolam nosso país. E o problema bateu na minha porta.

Há pouco mais de dois anos, comemorei o ingresso da Bibizoca em uma ETEC - Escola Técnica. Ela ingressou no curso de Edificações, em uma boa unidade, perto da nossa casa, com uma relação de candidato/vaga bem concorrida. Ela conseguiu. Comemoramos, vibramos, ficamos felizes, presenteamos o esforço e dedicação dela.

Para quem não é do Brasil, tampouco de Sampa, as Escolas Técnicas existem já há muitas décadas, mas ME PARECE (e aqui cabe a quem de interesse pesquisar melhor) que o atual governador do Estado foi o responsável, em suas gestões, pelo aumento do número de unidades, que são mantidas pelo Centro Paula Souza - CPS, uma autarquia deste Estado. É a autarquia que recebe a verba e repassa para todas as unidades. De que forma? Desconheço.

Desde o primeiro momento, sempre tive muito orgulho da escola. Nunca imaginei que minha filha seria mais bem tratada dentro de uma escola pública, do que em uma particular. Corpo diretivo e corpo docente totalmente engajado em fazer naquela unidade um trabalho diferenciado. Soube no momento da matrícula que a verba recebida do CPS era muito baixa e insuficiente para manter a escola. De modo que a escola organiza anualmente uma festa junina e outro evento para arrecadar fundos para coisas básicas, como material de limpeza, material escolar, merenda, manutenção predial, dentre tantas outras necessidades. A contribuição feita pelos pais, através da Associação de Pais e Mestres é muito baixa.

Com o escândalo da merenda escolar, a escola deixou de receber merenda. Como? Se a merenda era comprada com o dinheiro recebido? Passei a ficar confusa, mas sem tempo, não fui atrás da verdade.

Já tem alguns dias que estão ocorrendo movimentos das ETECs, com manifestações na sede do CPS, que na última semana foi ocupado por alunos; junto com a ocupação, várias reivindicações.

Bibizoca não tem tido aula. Apenas reuniões, e reuniões, e reuniões....para decidir se os alunos vão "ocupar" a unidade na qual ela estuda. Ontem a noite, decidiram pela ocupação.

O movimento é totalmente ordenado: gestores e alunos combinam a ocupação. Alunos bonzinhos "não deixam" ninguém entrar. Funcionários "obedientes" ficam do lado de fora. Todos amigos. Quem está do lado de dentro faz vídeos e divulga pelas redes sociais. Basta assistir ao primeiro minuto de um vídeo, para conseguir achar mais erros do que em uma revista Coquetel inteira de "Jogo dos Sete Erros". A escola dormiu ocupada. E eu? Não dormi.

Já são duas semanas sem aulas regulares, não há uma data para o fim da "pseudo-ocupação" e corri atrás do prejuízo: dia 04 de maio de um ano letivo, no terceiro ano do Ensino Médio, véspera de vestibular, tive que conseguir uma escola de qualidade para minha filha. O problema é que boa escola não tem vaga. Então com cara de mendiga pedinte, lá fui eu bater em algumas poucas portas para solucionar o meu problema. Matrícula efetuada, materiais comprados, amanhã ela começa um novo ciclo do final de um longo ciclo, que é a conclusão do Ensino Básico.

Quanto ao movimento: ao passar por um semáforo nas redondezas da escola, mais de uma dezena de alunos faziam baderna; batiam de carro em carro com cartolinas, pedindo dinheiro para a escola. Se é para pedir dinheiro no farol, para que "ocupar" a escola e pedir dinheiro ao Estado?

Queria estar com as ideias mais em ordem, sem o cansaço físico e mental que me tomam, para poder desenvolver o assunto de modo mais claro e expor todas as falhas desse movimento desordenado, manipulado e político. Só que vou deixar para depois. Um problema por vez, e o de hoje está resolvido!

Este é o Brasil!


sábado, 30 de abril de 2016

Sobre os trinta e os quarenta

Esperei aquele dia sete de junho de modo incomum. Foi tudo diferente do que havia vivido nos outros vinte e nove anos anteriores. Naquele ano de 2004, esperava algo incomum, anormal, talvez incrível, talvez horrível. Mas esperava.

Cresci ouvindo minha tia Ana falar sobre a crise dos trinta. Depois, em idade adulta, descobri que havia um famoso escritor e sua obra-prima, sucesso mundial, abordava o assunto: “Mulheres de Trinta”.

Achei por bem aguardar os trinta para conhecer o que o um francês nascido em 1799 tinha a dizer sobre a temerosa idade.

Morava no litoral português naquele ano. A baía de Cascais é um dos lugares mais bonitos de Portugal. Poderia ter escolhido um belo restaurante na marina, com uma vista paradisíaca. Poderia ter comemorado com uma bela viagem. Afinal, morar na Europa nos possibilita ir e vir para vários países em curtas viagens de final de semana, gastando pouco e divertindo-se muito. Entretanto, ignorei a ideia da viagem e qualquer outra. Queria apenas esperar.

Acordei e observei meu corpo. Nenhum grama a mais. Tampouco a menos. Não tinha rugas no rosto e as pernas se moviam normalmente quando me levantei. Fui até o banheiro. Bibizoca dormia, marido Toruboi já estava em Alfragide, distrito no qual trabalhava e eu calmamente enchi a banheira e nela mergulhei. Meu dia transcorreu sem nenhuma novidade, sem quaisquer transformações.

A noite, tive um dos melhores presentes de aniversário da minha vida. Minha tia Marisa, irmã da tia Ana e também do meu pai, fez um jantar maravilhoso para mim. Que saudades eu estava de comer o quibe da minha tia. Ela preparou carinhosamente cada prato e fui recebida por ela, minha prima Tati, o marido e as pequeninas, já da geração da Bibizoca: Anouk, com apenas dois aninhos, e Ayscha, a completar dois meses de vida. Valeu ter chegado até aquele dia. No entanto, uma decepção tomou conta de mim.

O curso da vida seguiu. Um ano depois, ja morava de novo no Brasil. estava grávida do Peteleco, estudava Administração de Empresas na UNIB de Interlagos. Cheguei na faculdade e minhas amigas, Aurea e Ju, haviam levado presentes para mim! Fiquei surpresa e emocionada. Até porque a Ju foi até o campus só para este fim. No carro dela estava o filhote de Labrador que ela acabara de adotar.

Outros muitos aniversários seguiram. Em um deles, inclusive, cheguei para comemorar a data junto de amigos queridos, mas ao adentrar no buffet, escorreguei em uma poça de água, formada devido a um furo no telhado que havia naquela conceituada (e hoje falida) casa de festas. Foi aí que os dias sete de junho não tiveram mais motivo para comemorar. Descobri que celebrar a vida é uma coisa que fazemos a cada respiração e perdi aquela gana por festas que me acompanhou a vida toda.

De uma hora para a outra, passaram-se dez anos. Eu fui dormir no dia seis de junho de 2014 sem sequer lembrar que no dia seguinte, completaria quarenta anos de vida. Nesta vida. Que tanto fiz, que tanto conquistei, que tanto aprendi, que tanto construí. E quando não temos quaisquer expectativas, tudo muda.

Daquele dia em diante, tudo começou a ficar diferente. O rosto continuou sem rugas. Pessoas gordas levam mais tempo para envelhecer. O corpo continuava gordo. Pessoas obesas têm dificuldade para emagrecer. Mas a vida....ah, a vida...

A vida começou a mudar. Ou o meu modo de ver a vida foi mudando. Dia após dia. Nenhum mais foi igual ao anterior e percebi que a idade transformadora da mulher não é aos trinta. Acontece a partir dos quarenta.

Passei a me sentir mais segura para tudo. Apesar de sempre ter sido uma pessoa completamente segura por todos os meus mais insanos atos. Dentro de mim, tudo passou a ser diferente.

Parei de dar tanta importância para pessoas. Eu sou a pessoa mais importante para mim. É de mim que preciso cuidar para que eu possa ser algo para alguém. Comecei a descobrir coisas fantásticas: que não adianta ficar nervosa com as coisas, que não adianta ter pressa, já que tudo acontece quando tiver que acontecer. Aprendi a respirar. Dia após dia, fui me tornando mais calma, buscando coisas que o dinheiro não compra. Passei a usar sandálias e a não ter mais vergonha dos meus pés. Já não me importava mais com a cor preta, que gostei de usar a vida inteira. Dei cor ao meu guarda-roupas. Dei cor a minha vida. Descobri o sentido da frase: “a vida começa aos quarenta”.