segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Sobre o surgimento da vida

A vida se renova a cada segundo. Respiramos e...renovamos. A cada respiração, há que existir a consciência de que aquele já é um momento passado, não volta. Quantos momentos deixamos passar, sem perceber ao longo da vida?

Infelizmente, na correria cotidiana, não somos mais capazes sequer de prestar atenção nesta respiração, quem dirá outras coisas que existem ao nosso redor.

Apesar desta grandeza da renovação de segundo em segundo, existe uma forma de renovação que é uma dádiva, o maior presente que pode existir na vida é a chegada de uma criança.

Não sei quantas pessoas já pararam para pensar na chegada de um bebê. Sempre que converso com amigas grávidas, que reclamam da fome, do cansaço, do mal humor, explico-lhes que seus organismos estão trabalhando incessantemente para formar um novo ser, que virá ao mundo com perfeição, com órgãos que funcionam, com todas as partes necessárias para se viver, e que somos nós, as mulheres grávidas, quem estamos fazendo todo este trabalho. Isto é mais que grande. É o milagre da vida.

Há onze anos, minha amiga ficou grávida. Chorei quando soube. Chorei não de emoção, mas pela forma com a qual fiquei sabendo: através de uma colega dela de faculdade que morava no mesmo condomínio que eu. Chorei de tristeza por ela ter sido a primeira pessoa a participar da minha gestação, e eu saber da dela assim, no elevador. Logo depois, fiquei grávida também, nos encontramos, ela já estava bem barriguda, eu em começo de gestação. A minha não vingou e o bebê dela nasceu. Soube através de outra amiga em comum que estava tudo bem. Em seguida, fui morar fora do Brasil e nos reencontramos quando voltei. 

O bebê dela já era um pequeno homenzinho lindo, e mais lindo ainda era o nome dele, Leonardo, o mesmo nome que sempre quis para meu filho. Pouco tempo depois, estava eu grávida esperando meu Leonardo.

Esta amizade dura um quarto de século. Ninguém nos entende. Quantas vezes ficamos sem nos falar e quantas vezes vivemos dependentes uma da outra. E de bem ou de mal, sempre estivemos presentes na vida uma da outra, não na alegria, mas nas mais profundas tristezas que um indivíduo pode viver, aquela tristeza que nos mata e nos leva ao mais fundo que um poço possa existir.

Não precisamos de palavras para conversar. Sabemos o que estamos pensando, porque pensamos juntas. Somos Pink e Cérebro. Nossas inteligências nos completam e nossas diferenças somam na relação. Eu sou a parte certinha da história e quero matá-la por sua falta de responsabilidade. Ela é a parte que vive a vida naquele momento e com certeza deseja me matar por meu excesso de comprometimento e por levar tudo tão a sério. E o que são relações, senão algo que um ser completa o outro?

Sei que nossa amizade vai durar para sempre. Estando de bem ou de mal, com infantilidades ou maturidades, estaremos juntas. Espero que mais nos momentos de alegria e menos nos de tristeza.

A alegria de hoje veio quando soube que ela será mãe de novo. Vem uma nova criancinha por aí. Saber que agora estamos tão perto fisicamente, e que poderei viver ao lado dela tudo que não vivi quando o Léo foi gerado. Saber que seus dois filhos, apesar de pais diferentes, são filhos de grandes homens, que seguem a risca o significado de “ser homem, ser pai”.

Estou feliz, emocionada, e aguardando com muito amor e ansiedade a chegada deste nosso bebê que está chegando!

Parabéns, Fê e Fá! 


domingo, 10 de novembro de 2013

Sobre o Aniversário do Peteleco

Desejamos o segundo filho da mesma maneira que todo bom glutão sonha em comer tudo que gosta sem engordar. E ele demorou para vir.

Então fui ao médico que me disse que eu não engravidaria e me recomendou um tratamento de um ano. E eu engravidei.

Então sonhava muito com uma menina que fosse companheira da minha menina, que eu pudesse usar lindos vestidos, muitos laços na cabeça, todos os sapatos de verniz de todos os modelos e cores. E ela não veio. Ali começava, para mim, um grande drama.

Nunca pensei em ser mãe de um menino. Nunca entendi como as mães de meninos gostavam de seus filhos. Era como se meninos fossem algo anexo aos seres humanos. Como eu conseguiria amar aquela criança? Passei meses me perguntando.

Deitava ao chão da cama da minha filha e chorava. O amor por ela era tão forte e inexplicável, que não imaginaria dividi-lo com ninguém. Muito menos....com um menino.

Então chegou o dia em que o menino viria ao mundo. E foi uma gravidez tão complicada, que a minha única certeza na vida era a de que eu jamais pararia de vomitar e passar mal.

De repente, ouço o choro e o marido chegando com....o menino. Foi amor a primeira vista. Foi uma sensação indescritível ter aquele ser tão gordinho e perfeito ao meu lado.

Nem sei dizer se o amei mesmo naquele momento. Acredito que, na verdade, Peteleco conquistou o meu amor. Mas não levou muito tempo. No terceiro dia de nascimento, quando tive alta médica, fui avisada de que apenas eu voltaria para casa. Meu menino ficaria para mais um dia de banho de luz. Aquela foi uma das sete vidas, que economizava há trinta e um anos, embora. A segunda foi aos sete meses dele, quando, com suspeita de meningite, precisou tirar líquido da espinha. E foi uma morte cruel. A terceira, quando perdi meu pai. Posto isto, ainda tenho quatro vidas para gastar até os noventa e dois anos.

Então o menino Peteleco foi crescendo. Cativando cada professor. Cativando cada amigo. Cativando todas as pessoas. Era com gratidão que eu esperava o fim de cada reunião escolar, quando as professoras sempre pediam para falar comigo e diziam que ele era o melhor aluno da sala, que era inteligente, amigo, companheiro, obediente, enfim, tantos predicados que já ouvi, que não cabe ficar aqui elencando.

Quanto mais o menino foi crescendo, maior ele foi se tornando. Não de tamanho. Mas como ser humano. 

Ele é amigo dos fracos e oprimidos. Acolhe todos os amigos novos que chegam na escola. É um bebezão, que acredita em contos de fadas, duendes, Papai Noel, Coelho da Páscoa e ainda acha, aos oito anos, que nasceu de um pedaço de carne que comi.

Ser mãe de menino é algo que só quem é pode explicar. É você poder contar com um amor puro, sincero e infinito. Com alguém que te idolatra incondicionalmente. Que te acha perfeita o tempo todo. Além de tudo isto, ainda dei a sorte de ter um menino índigo, que me respeita, me obedece, chora quando faz coisa errada e pede perdão por ter me magoado.

Foi assim, há oito anos, que me tornei uma pessoa completa, desde que meu menino veio ao mundo para fazer da nossa família, a família do comercial de margarina.

Meu Peteleco, meu Porcaria....mamãe ama você mais que todas as fábricas de leite condensado do mundo, mais que brigadeiro quente, mais que se hospedar em um hotel com uma cama cheia de travesseiros, mais que uma semana inteira assistindo as melhores séries. Te amo além da vida e desejo que você continue seguindo o caminho de Jesus, o caminho do bem a você e ao seu próximo, que continue orando e tendo a fé que você tem e nos ensinou a ter. Você é a nossa luz há exatos oito anos.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A "quase" volta daquela que "quase" foi

Para saber de onde começar, fui verificar onde parei. E parei no dia 27 de outubro, em um domingo, quando de lá pra cá muitas coisas aconteceram.
 
Neste dia 27, fazia um mês que havia começado o tratamento. Marido Toruboi passou o mês de outubro viajando. Foi pra Chicago, Hong Kong, China, Indonésia, Tailândia e fez o caminho de volta por todos os países, retomando no último dia do mês.
 
Na segunda-feira, dia 28, tive consulta com minha médica, que vinha do Canadá, de um congresso médico. Quando entrei no consultório, ela tinha ‘toneladas’ de papéis em mãos e disse que viajou estudando meu caso e voltou com respostas. Fez uma junta médica com outros profissionais que lá estavam e me apresentou um diagnóstico que nunca ouvi falar.
 
A me ver, ela logo disse: “viajei com você, ontem fiquei lendo seu blog para entender algumas coisas e estou surpresa!”. Questione-a sobre o porquê da surpresa e ela disse que nunca imaginou que meu blog fosse um diário, com toda a minha vida aberta ao público. Logo, começou a me contar sobre tudo.
 
No início do ano, quando ela me encaminhou ao psicoterapeuta, fiz a anamnese em duas sessões e ele pediu muito sutilmente se eu aceitava passar em uma consulta psiquiátrica. Concordei, pois não tenho problema nenhum com isto. Fui ao médico, um excelente profissional que recomendo a qualquer pessoa, fiz uma série de exames na cabeça, para saber se o tempo em que tomei anfetaminas não tinha afetado nada e todos os resultados foram negativos. Fiz testes e mais testes, que, segundo ele, são internacionais e padronizados. Ele diagnosticou mais do mesmo: transtorno de ansiedade e depressão.
 
Sempre aceitei os diagnósticos, porque só continuo em um médico quando acredito nele. No entanto, a medicação que o psiquiatra me passou foi a mesma que eu já tomava, e um remédio a mais. Questionei minha médica sobre quem me medicaria a partir de então, e ela tomou a linha de frente: “eu sou sua médica, eu cuido de você”. Confesso que senti-me segura e assim prosseguimos.
 
Na junta médica feita no Canadá e estudando todos os meus diagnósticos, ela constatou, com a ajuda dos colegas, um diagnóstico que ela achava desde o início, dois anos e pouco atrás, mas que é muito difícil de dar um parecer, pois é preciso muito estudo do paciente, e agora ela tinha material o suficiente. O que tenho chama-se Transtorno de "Borderline" e é um distúrbio de personalidade, não um distúrbio psiquiátrico, como vinha sendo tratada até então.
 
Depois saímos do consultório, fomos para a sala de exames e minha pressão estava ÓTIMA, eu estava ótima, minha tireoide melhorando e no próximo dia dezenove, terei nova consulta, onde refaremos todos os exames para saber como está todo o resto.
 
Sai do consultório aliviada como nunca sai de lugar nenhum. Saber que durante tantos anos estou sendo tratada por coisas que não tenho. A doutora me forneceu algum material sobre o transtorno e nunca vi algo que descreve exatamente minha pessoa e minha personalidade. De cada dez características do transtorno, eu tenho nove. Ou seja, não há erro, não há mais dúvidas e não há mais o que procurar nesta área psiquiátrica.
 
Nestes quase quarenta dias, tenho seguido a alimentação ortomolecular à risca. Meu organismo desintoxicou por completo, porque fui a uma festa, comi quatro salgados, oito docinhos e um pedaço de bolo. Depois, tive algo que pessoas operadas do estômago conhecem como “dumping”. Você sua, transpira, vomita, sente dor até no fio de cabelo que ainda não nasceu. Depois de ter colocado tudo pra fora, retomei minha alimentação.
 
Acostumei-me, nestes quarenta dias, a não ingerir lácteos, tampouco glúten. O glúten (farinha  de trigo) é uma substância que parece uma cola. Quando ingerimos, a substância gruda nos tecidos linfáticos, causando retenção de líquidos. Passei a urinar durante o dia, coisa que não fazia. Passei a sentir saciedade com as coisas que como. Passei a não ter vontade de ingerir outras coisas. E todos em casa tendo que me acompanhar, acabam ganhando em qualidade.
 
Como arroz com feijão todos os dias, posso comer todas as verduras e saladas, pão integral, frutas, leite de soja, gelatina, carnes, peixes, DEVO comer nozes e castanhas (vinte por dia) enfim, posso comer de tudo, menos lácteos e glúten.
 
Miraculosamente, em menos de quarenta dias emagreci quinze quilos. Sem fazer dieta de restrição alimentar, mas dieta de desintoxicação. As caminhadas estão mais espaçadas, mas sempre que não chove e dá, lá estou eu.
 
Depois das crises que tive (descritas no post anterior), não tive mais nada, porque agora tomo remédio certo para a coisa certa. Estou feliz, sorridente e levantando pra seguir em frente.
 
Minha vida está tomando novas formas em vários caminhos e sentidos e tudo têm me feito muito bem.
 
Conectei-me profundamente com a espiritualidade, tenho meditado diariamente, dormido doze horas por noite (o que me sobra apenas mais doze do dia para cuidar de uma casa de quase quinhentos metros, dois filhos, marido, contas, compras, lavar, passar, cozinhar, limpar, levar aos médicos, dentistas, meditar e caminhar). Parei de assistir novelas porque realmente, o dia só tem 24 horas.
 
Amanhã começa uma secretária nova, que virá diariamente, e assim terei mais tempo para responder a tudo e a todos, com as devidas atenções que as pessoas merecem e retribuindo todo o carinho que tenho recebido.
 
É isto meus amigos. Estou leve por dentro e por fora. A médica disse que eu perderia uns dois quilos por mês, mas o tratamento para a tireoide está fazendo grande efeito, pois até eu mesma me surpreendi com a perda toda. Eu estou feliz e retomando coisas da minha vida que deixei pra trás quando resolvi ser apenas mãe e esposa.
 
Agora, me reencontrei como um ser individual que tem desejos, gostos, necessidades e estou em primeiro lugar na minha vida. Sempre que sobra tempo, dedico a quem precisa, mas só se sobra. Assim vou caminhando.
 
Mais uma vez, agradeço imensamente todo o carinho recebido. Espero que meus exames tenham melhorado assim como meu estado geral melhorou. Que o coração esteja forte, que os nódulos na tireoide tenham diminuído com a medicação e que eu siga em frente cuidando de mim.
 
Um grande beijo com amor e carinho para todos!