sábado, 28 de setembro de 2013

Sobre a exclusão ou sobre ser excluído (a)

Se há uma coisa boa que chega em nossas vidas juntamente com a idade, é a maturidade. Ela é algo pelo qual agradeço diariamente.
 
Porque a maturidade nos traz malicia e jogo de cintura para viver determinadas situações. Porque a maturidade nos ensina a passar por elas com menos dor. Infelizmente, a maturidade não anula a dor em nossas vidas.
 
Tenho um histórico que, na maturidade dos quase quarenta, comecei a refletir e a achar que é algo cármico. Não vejo outra explicação.
 
Sei que a vida é cíclica e não podemos perpetuar o ontem e o hoje. Entretanto, na minha visão de vida, as amizades podem, sim, ser eterna, basta regar como uma planta, matar as ervas-daninhas que permeiam as relações, e leva-las para a vida eterna.
 
Minha casa sempre foi uma espécie de quartel general. Na minha casa que a turma de amigos sempre se reunia. Descobri isto catorze anos atrás, quando me separei e estava grávida. Passei a não servir mais para muitos amigos, afinal, mulher grávida é mulher inútil. Vi por diversas vezes a turma de amigos se reunir agora em bares, restaurantes, e eu fui me descobrindo na solidão.
 
Na vida, acredito que todo mundo, no início da vida adulta, tenha admiração por alguém e passe a querer segui os passos desta pessoa. Comigo não foi diferente. Tive uma chefe, a qual também era minha amiga, com quem fiz minha primeira viagem internacional, com quem fui a primeira vez ao famoso restaurante "Leopolldo", também ao Gallery e ao Bourbon Street. Foi ela quem me ensinou a falar e a escrever várias coisas, e talvez por causa dela, anos depois de não termos mais notícias uma da outa, me formei na mesma profissão que ela. Eu estava participando de um processo seletivo para a extinta Arthur Andersen, minha filha com alguns meses de vida, e eu ligava para ela a cada vez que o processo seletivo avançava. Até que fiquei finalista com mais uma pessoa, e perdi pelo fato de a pessoa ser formada em uma instituição educacional de primeira linha. Mesmo com todo este contato, ela, minha amiga, não conhecia minha filha.
 
Algumas amizades se foram entre este fato e o nascimento do meu filho, quando perdi outra grande amiga. Todos os encontros familiares, almoços, jantares, aconteciam em minha casa. Nunca na dela. Certo dia, marido Toruboi me cantou esta bola e resolvi tirar a prova dos dez. Ela disse que estava com saudades de nós, e ofereci-me para ir com a família até sua casa. Nunca mais recebi notícias dela, e isto faz quase oito anos.
 
Dentre as piores "traições", vejo a da pessoa a qual entreguei minha filha para o batismo, por quem passei um ano ligando diariamente de outro país e gastando cartão telefônico de uma hora, para consolá-la pelo abandono em uma relação de mais de década. Inclusive, cortei relações com o padrinho da minha filha em defesa dela. Um dia, meu pai se foi. E ela, minha amiga e comadre, mandou um email algumas semanas depois perguntando se eu precisava de algo. Não respondi. Minha filha já procurou por ela por diversas vezes, e ela nunca retornou. Até o dia em que minha filha se deitou no meu colo e chorou por horas, perguntando o que ela havia feito de errado. E eu, como sempre, sem respostas.
 
Tenho "amigos" de infância, pessoas com as quais convivi uma vida. Já acolhi "amiga" fugindo de marido, já entrei em motel para levar amiga com homem casado, dentro do meu carro, para que eles não fossem descobertos. Serviço de táxi mesmo. E o que ganhei deles? Uma grande traição, a segunda maior da minha vida.
 
Dos casos mais recentes que me ocorrem, tenho uma amiga a qual era minha fiel escudeira. Mesmo com toda a minha fobia em falar ao telefone, falava com ela diariamente. Dávamos boas risadas nos encontros na minha casa. Mais uma vez, marido Toruboi perguntou-me: "por que sempre na nossa casa?". Convidei-me, então, para um encontro na casa dela. Ela disse que jamais, pois trabalhava muito e vivia cansada. Fim.
 
Minha casa e minha vida são livros de páginas escancaradas. Sempre gostei de receber, mas é chegado o momento em que cansamos de só dar para certas pessoas, mesmo que a vida nos traga de outras. Desisti de investir em relações unilaterais. Sempre mantive as portas da minha casa aberta aos amigos, aos filhos dos amigos nas férias. Foram incontáveis as vezes em que mães precisavam trabalhar, se divertir e inclusive parir, e eu cuidava dos filhos com amor e carinho.
 
Logo, com todo este histórico, eu deveria estar mais reservada já e cada dia falando menos. Não consegui.
 
Nos últimos tempos, contudo, há fatos ocorrendo que me deixam bastante reflexiva, e definitivamente decidi dar um basta. Decidi que eu me basto, e isto não é uma afirmativa de arrogância. É uma afirmativa de maturidade. Aqueles que não me acrescentam e que segregam relações, deixando-me sempre do lado de fora.
 
Hoje, decidi fazer um faxina na minha vida. E não por vingança, por rancor. Por evolução, por acreditar que não tenho o direito de deixar com que as pessoas me magoem. Como disse lá em cima, a vida é cíclica, e ao contrário do que se diz que "vão se os anéis, ficam-se os dedos", no meu caso vai-se embora anel e dedo. Fica-se a felicidade!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sobre o uso de produtos de soja

Quando era criança, morava em plena avenida Rebouças, em um edifício que hoje dá lugar a um posto de gasolina. Ao lado, funcionava um restaurante macrobiótico. Perguntava pra minha mãe o que era aquela comida e ela me explicava que era comida feita de soja e eu, filha de açougueiro, morria de nojo de carne de soja.

Este "bicho estranho" chamado soja entrou na minha vida há quase doze anos, quando marido resolveu fazer uma "carne" de soja refogada. Não me lembro se era bom ou não, mas começo de relação a gente come até buchada de bode com calda de morango pra agradar o parceiro. Contudo, o nojo continuou.

Há muitos anos que o mercado produz compostos de soja e fruta, o qual chamamos de suco (e quem disse que não é?). Não temos em casa o hábito de consumi-los, salvo menino Peteleco que leva para escola diariamente sucos para a escola, e algumas vezes, a opção é o composto de soja.

Minha médica ortomolecular me passou uma dieta. Estou com alguns problemas de produção de hormônios vitais (existe algum que não seja?) e vitaminas e minerais com alto grau de deficiência. A dieta precisa ser seguida à risca, uma vez que o intuito dela é repor tudo que está faltando no meu organismo. 

Da última vez que precisei fazer isto, ela me deu "leite" de arroz. Paguei 18 dinheiros no litro. Ia fazer um ano agora e o negócio venceu, fechado dentro da geladeira. Não tive coragem sequer de experimentar. Morro de nojo de vomitar e de experimentar coisas diferentes. Confesso que não sou a pessoa das mais difíceis de comer. Como (contra a minha vontade) quase todos os tipos de verdura, como jiló, quiabo, fígado de galinha, de boi, moela e até língua de boi. Entretanto, "leite" de arroz? Não tive coragem.

Desta vez, a dieta veio com "leite" de soja. Fui ao mercado munida da lista de tudo que precisava comprar. Quase todos os produtos encontrados em uma única seção do mercado, a de produtos orgânicos e saudáveis, diferente das minhas seções preferidas: as de coisas que não prestam.

Chegou a vez do "leite". A variedade era grande, mas na versão light, só achei de uma marca. Olhava a caixinha, ela me olhava. E estou sem muita escolha. É quase tomar ou morrer. Como optei pela vida, comprei a caixinha. Fui corajosa na verdade, trouxe duas.

No primeiro dia, driblei o "leite". No segundo também. Hoje, terceiro dia, não tinha escapatória. Muni-me de toda a coragem que alguém precisa para enfrentar a montanha russa, coloquei no mixer uma pêra picada, alguns cubos de gelo e meticulosamente 200ml do meu inimigo. Bati, bati, bati, bati....infinitamente, até fazer muita espuma e ficar com bastante cara de milkshake. 

Diante do meu inimigo, preparei minha fatia de pão 12 grãos com queijo cottage e geleia sem açúcar e adoçante, sentei-me a mesa, joguei uma partida de bingo on-line e "voilá", direcionei minha boca para o copo, mas o nariz chegou antes, para antecipar o que eu sentiria adiante. E não é que o cheiro era bom? Tinha cheiro de baunilha. Fui munindo-me de mais e mais coragem até que levei o copo a boca e? SURPRESA! Era gostoso. Tão gostoso, que não vejo a hora de chegar amanhã para eu experimentar com outra fruta. Tão gostoso, que fiquei aliviada por ter uma opção agora para tomar shakes, já que tenho intolerância aos lácteos. 

Moral da história: mesmo aos trinta e nove anos de idade, é preciso experimentar. E se não gostarmos, experimentamos de novo. Até dez vezes, como fazemos com as crianças. Para que nosso paladar aprenda a gostar daquele novo sabor.

E o medo da soja? Foi embora. Em breve, acredito que usarei proteína de soja texturizada para complementar a alimentação da família. Por hoje, fico com o salmão que está na geladeira marinando!

domingo, 22 de setembro de 2013

Sobre o 4o. Encontro de Blogueiras

Gente, ontem foi um dia pra lá de especial. Na verdade, o dia de ontem começou há alguns meses, em um grupo fechado no Facebook, denominado "Encontro das Blogueiras". Fui convidada pela menina Sheronh para entrar no grupo e, aos poucos, fui conhecendo mais meninas e ficando ansiosa para o grande dia!

Na véspera, Sheronh e Crys vieram passar o dia comigo, e foi um dia maravilhoso, cheio de alegria e amor. Trocamos presentes, palavras, conhecimento e amor!

Ontem fui a primeira a chegar no lugar do Encontro. Em seguida chegaram Sheronh (que é de Santa Catarina e veio só para o Encontro) e Elaine Biason, depois veio Ana Faniquito (direto de Santos), Chris Ferreira (do aeroporto direto para o Encontro, vinda do RJ), uma fofucha vinda de São Caetano, a Cintia Xagas, depois a Crys Leite e assim foram chegando: três gaúchas, uma carioca linda com um marido fofo, uma gaúcha moradora do RJ que chegou parecendo mãe de três e um marido pra ajudar. E neste momento eu já nem me lembro mais porque era muita gente, vindas de muitos lugares do Sul e Sudeste!

Quer saber mais a fundo o que rolou? Vai lá no blog do Encontro, criado e alimentado pela santista Vera Moraes com muito amor e carinho para todas nós! Um registro inesquecível!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Sobre o moço dos Correios

O moço dos Correios surgiu em nossas vidas há uma década, quando fomos morar fora do Brasil. Bibizoca tinha três anos e a forma de contato que ela tinha com as famílias no Brasil era através daquele moço dos Correios, que passava no flat sempre deixando cartinhas e caixinhas pra ela. 

O tempo passou, ela cresceu, voltamos para casa e o moço dos Correios passou a frequentar nossa casa de forma não gratuita: comprando-se pela internet.

Sou blogueira há uma década e nestes anos todos, tive o prazer e a oportunidade de fazer amizades pela rede, pelo mundo. Recebi mimos de amigas, enviei outros, e sempre estive presente em blogs internacionais, fazendo, assim, amizade por este mundo afora.

Por quase dois anos, deixei este meu cantinho abandonado e há alguns meses retomei. Assim, através dele e do Facebook, fui fazendo novas amizades, conhecendo pessoas especiais e eis que um dia, o homem dos Correios me surpreende com uma caixa. Dentro dela, uma cuia de chimarrão.

Sempre tive sonho em ter uma cuia de chimarrão. Trabalhei em tantos projetos em POA e não sei o porquê de nunca ter comprado uma. Mas lá estava a minha cuia, enviada pela amiga Fernanda Costa, juntamente com uma cartinha.

Não sou muito de ganhar presentes, porque sou bem chatinha. Sou chatinha porque sou simples, e as pessoas me acham sofisticadas. Assim, acabo sempre ganhando coisas que não me agradam, já que o que me agrada é a simplicidade. Deste modo, o que mais me agrada em um presente é a cartinha que vem junto. Tenho uma caixa que equivale ao tamanho de duas caixas de sapato. E nela, guardo não apenas meus cadernos de recordações da adolescência, como toda e qualquer manifestação de amizade escrita que colecionei ao longo da vida.

Semana passada, eis que o moço dos Correios deu de novo as caras por aqui. Desta vez, vindo de Niterói, através da amiga Jô. Não vou revelar o que é, pois como sou encarregada de levar dois pacotes que ela também mandou para o Encontro das Blogueiras, posso vir a estragar a surpresa. Mas a cartinha carinhosa já foi pra minha caixa da felicidade!

Hoje, estou saindo para ir à médica: tensa, nervosa, ansiosa. E ao descer as escadas, vi um envelope azul por debaixo da porta. Peguei-o e logo vi que foi a amiga Deza que enviou, de lá dos EUA. Um envelope delicado, com selos personalizados e só aquilo já me encantou. Escrito em inglês e português: "não dobrar", me fez aguçar mais ainda a curiosidade. Estava atrasada, sabia que pegaria alguns faróis paralisados no caminho, entrei no carro e em menos de dois minutos, abro o envelope e começo a chorar. Além de um lindo cartão de agradecimento*, recebi junto este tesouro, que enquadrarei e levarei para sempre! Lágrimas caíram, fui para a consulta, voltei para casa.

O interessante é que depois de umas três semanas sem conseguir, hoje, finalmente, seguiu minha lembrança para Belo Horizonte, para a amiga Lúcia. A gente dá para uns, recebe de outros, mas o importante de tudo isto é o carinho com que pensamos nas pessoas e com o qual elas pensam na gente.

E querem saber o que não podia ser dobrado no envelope de hoje? Vejam só:



Esta sou eu, aos olhos da Deza. Segundo minha médica, as pessoas me veem assim: feliz, alegre, de bem com a vida. É esta a imagem que eu passo e é esta pessoa que ela quer que eu seja. Então, dois brindes: à amizade e à felicidade!

Meus mais sinceros agradecimentos às amigas queridas e ao moço dos Correios que traz a felicidade em minhas mãos!

*para mim, não há maior prêmio por qualquer coisa que se faça na vida, que a gratidão. Obrigada, Deza! Você me emocionou.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sobre o noivado da Bruninha e doThiago



Este poderia ter sido mais um dos tanto evento que já publiquei aqui nestes anos todos. Este também poderia ter sido apenas mais um noivado, dentre tantos que devem ocorrer todos os finais de semana.
 
Mas foi um evento especial!
 
Foi especial porque, apesar de sermos quase que família do noivo (ele é sobrinho da minha madrinha, e a mãe dele e a minha são amigas há mais de quatro décadas), sabemos que uma comemoração assim é íntima, convidam-se amigos chegados, muito chegados, e a parte da família que não dá pra escapar. Um dia, recebo uma mensagem da noiva pelo Facebook, dizendo que queria vir até em casa trazer-me uma coisa. Sabia que convite de casamento não era, então, gorda que sou, achei que era bolo. E eles chegaram num sábado com o bolo. Contudo, quase na hora de irem embora, veio o convite para este dia tão significativo na vida deles.
 
Foi especial porque passei a semana de cama, com dores reflexas que já doía o corpo todo. Jamais imaginei conseguir me levantar no domingo. Me apeguei em tudo que creio e aos remédios, tudo para conseguir me levantar e estar ali. Valeu o esforço.
 
Foi especial porque tudo foi impecavelmente planejado e preparado pela noiva: cada detalhe dos prendedores de guardanapo, cada detalhe das flores, cada detalhe da decoração, cada detalhe da comida.
 
Foi especial porque havia pessoas especiais. A energia que emanava aquele salão de festas era contagiante e a noiva saltitava, como uma bailarina em um espetáculo, interpretando a atriz principal.
 
Foi especial porque o pedido dele para ela fez com que todos chorassem!
 
A bênção do pastor foi singela, foi rápida e disse tudo: naquele momento, iniciava-se um elo para uma vida toda!
 
Nós, claro, desejamos com todo o nosso amor que o amor da Bruna e do Thiago perdure pela vida toda, e que todos os dias possam ter o ar de felicidade que pudemos vivenciar no dia de ontem!
 
Felicidades, sempre!

sábado, 7 de setembro de 2013

Sobre os paradoxos da vida

Ficar doente nos faz deitar e pensar....deitar e pensar, nos faz ficar doente....

E assim passei esta semana....na cama, pensando, descobrindo o porquê de cada dor e, segundo a metafísica, para toda dor há uma associação com a vida, os sentimentos, o pensamento.

Nestes últimos anos, tratando a mim e às criancinhas Hummel através de medicinas naturalistas, descubro cada vez mais que cada sapo engolido é uma dor a ser sentida.

A gente vai levando...vai tocando em frente....andando com fé....

Mas parar de pensar? Não dá. Há de se haver um modo de dissociar o pensamento excessivo das causas imediatas que elas trazem ao nosso corpo. Como?

Fica a questão...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Sobre a mamografia: desmistificando a lenda urbana

Hoje fui fazer meio check up. A outra metade já havia sido realizada dois meses atrás, com ressonâncias, tomografias, eletros e cardios variados. Ficou faltando fazer toda a parte ginecológica.

Sempre ouvi dizer que aos quarenta anos era chegada a hora de se fazer a bendita mamografia. Ela é indicada com bem menos idade para pessoas que possuem casos de câncer de mama na família. Na minha família, o histórico de câncer de intestino é forte, mas de mama, ainda bem que não temos.

Por algum motivo, causa ou circunstância, a médica decidiu pedir, além dos muitos exames de laboratório (para repetição), todos os exames ginecológicos e de imagens que envolvem o universo feminino (e como ele é internamente feio né?).

Só quando estava fazendo o exame, me dei conta que, talvez, minha crise de enxaqueca tenha sido por causa da tal mamografia.

Sempre ouvi dizer que mamografia era o exame mais horrível do mundo, que era doído demais, sofrido demais, que apertavam os peitos, as mamas e doía muito. E eu, burra, acreditei.

Assim, quando minha médica me deu todas as guias, fiz os exames laboratoriais e marquei em um hospital dia para fazer todos os outros exames juntos. No dia, alguma coisa aconteceu (ou eu fiz acontecer, inconscientemente), que me fez perder o agendamento. Remarquei os exames, mas as guias todas estavam vencidas. Então, com a cara de pau que Deus me deu, enviei um e-mail para a médica relatando os dezoito exames que havia perdido. Liguei no celular dela avisando que enviei o e-mail (porque vai que ela não leia...).  Ela refez todos os pedidos.

Há cinco noites não durmo direito. Suo a noite, tenho calafrios, pesadelo, e desde sábado meu humor está típico de uma mulher em TPM, longe da data do pagamento, com os cartões estourados e descobrindo que o marido tem outra. Nem eu me suportando. Ontem, se tivesse um espelho na minha frente, eu quebraria, só por olhar pra minha cara. Nestes dias todos, tenho chorado com o marido, sobre meu medo de fazer a mamografia e realizar quatro biópsias.

Torci de todas as maneiras para que algo acontecesse hoje. O relógio despertou na hora certa, não rolei as escadas abaixo, achei a chave do carro (um milagre para quem estava em pé seis da manhã), o carro pegou, o portão da garagem abriu. O único contratempo foi que me esqueci de pegar os óculos de Sol e meu par de brincos. Achei que era um sinal muito fajuto. Voltei, peguei aquilo que me completava e sai.

Com medo de ter crise de pânico, estou há cinco dias tomando medicamentos para me preparar para o dia de hoje. Sai de casa medicada. Disse ainda para o marido: o máximo que acontecerá, será eu largar o carro lá e voltar de táxi, e amanhã voltar para buscar. O que não foi preciso. Estou em casa e meu carro na garagem.

Chegou a hora dela. O roupão que estava usando estava molhado. Não, não lavei a cabeça de manhã e sai com os cabelos pingando. Meu corpo mesmo suava. A enfermeira me direcionou para uma sala, pediu que eu tirasse o roupão e o sutiã. Obedeci. À minha frente, a máquina. Ela e eu. E a enfermeira, claro, que delicadamente, me explicou todo o funcionamento da máquina e como seriam feitas as seis imagens, três de cada seio (mamilos, mamas e axilas). Abriu a máquina, que parece uma prensa. Encaixou o primeiro seio na máquina. Pediu que eu não respirasse e disse: acabou. Assim foram as próximas cinco imagens.

Quando terminei, sentei no chão e comecei a rir. A enfermeira me achou uma louca, claro. Até eu me achei. Então ela quis rir também da piada. Contei para ela que há tantos anos, amigas que já entraram na casa dos quarenta me assustam com a mamografia, que pensei que a dor seria tanta que eu não suportaria (não tenho nenhuma tolerância à dor). E sabem o que eu senti? NADA.

Gente, porque as pessoas gostam de aterrorizar onde não há terror? Mostrar fumaça onde não há fogo algum? Imagino quantas mulheres com menos instrução que eu, ou até mesmo menos condição de realizar um exame deste, protelam sua ida ao médico pelo medo, e são surpreendidas pela doença, muitas vezes em estágio avançado? Fiquei me perguntando: por quê?

Uma das médicas me chamou para mais uma leva de exames de imagens. Desta vez, ultrassonografias, incluindo mamária. E querem saber? A ultrassonografia mamária dói, porque a médica te joga aquele gel quente e fica cutucando os peitos pra tudo que é lado. A mamografia NÃO DÓI. São imagens de raio x, cujo objeto radiografado precisa ficar posicionado, da mesma forma que apoiamos o queixo quando radiografamos os seios da face, ou deitamos para radiografar um osso da perna (esta eu sou craque, sei a posição de radiografar todos os ossos: fêmur, fíbula, tíbia).

Como os exames não se resumiam apenas às mamas, a médica e eu começamos a falar sobre parto. Perguntou-me sobre todas as minhas gestações, idade gestacional que cada filho nasceu, o porquê de eu ter feito cesárea duas vezes e entrou a discussão mais falada nas redes sociais: parto normal x cesárea.

Ela me disse ser contra a forma como a cesárea é feita no Brasil, de forma elitista e desnecessária, mas que, como médica, sempre orienta suas pacientes sobre as duas formas de parto, e disse que parto normal não dói. É um mito igual ao da dor da mamografia. Entramos no assunto do momento: partos em casa. A médica disse que é um retrocesso na humanidade. Que se as mulheres tivessem a capacidade de imaginar o tamanho do perigo que correm, mães e filhos, nesta opção de nascimento, jamais retroagiriam e optariam por ser como era antigamente. Discutimos inclusive pessoas que optam por parto natural (ou humanizado), mas se internam na suíte de luxo de um belo hospital, tudo muito simples (tirando o luxo e o glamour).

Enfim, o que era para ser um dia de enxaqueca, foi um dia de descobertas, conhecimentos e confirmações das minhas ideias sobre partos.


E você, já fez sua mamografia? Segundo a doutora, a indicação hoje é a partir dos trinta e cinco anos, devido ao modo de vida que levamos, e que quanto mais cedo se descobre, claro, mais chances de cura. Pode fazer. Não dói nada. Eu assino embaixo!