sábado, 31 de agosto de 2013

Sobre opções


Tudo nesta vida é uma questão de escolha, exceto doenças e a morte.

Ao longo da nossa jornada, temos de arcar com os ônus e bônus daquilo que escolhemos.

Tenho uma infinidade de amigas solteiras. Por opção. Delas, e não piadinha de que "são solteiras por opção de homens não as escolherem".

Depois de certa idade, a mulher tende a ficar mais exigente. E a cada exigência, uma chance a menos de encontrar o seu par. 

Viver sozinho, ou de bar em bar, não é uma vida legal. Ela cansa. Falo de cátedra.

Certo dia resolvi entrar na internet para encontrar amigos e, quiçá, um namorado. Encontrei amigos, namorados e um marido.

Quem fica solteiro nunca saberá como é a vida de casado. E vice e versa. Mas não é só no quesito "par" que fazemos opções.

Ter ou não ter filho é a maior opção de vida que fazemos. Pois quando optamos por tê-los ou não, estamos mudando todo o curso de nossas vidas.

Tive minha filha aos 25 anos. Por opção. Fui mãe solteira. Por opção. Poderia ter aceitado um marido com a amante, como a tia do próprio sugeriu. Logo, tive de trabalhar para criá-la bem. Também uma opção. Poderia ter optado por uma vida simples, sem luxo, sem ..... Mas optei por trabalhar e deixá-la com babás, mesmo com o coração sangrando.

Quando optei por me casar pela segunda vez, também optei por ter um segundo filho. Por uma opção de deixar de trabalhar e acompanhar o marido em uma expatriação, optei por deixar de trabalhar por um tempo.

Voltamos, e ainda sem o segundo filho, optei por voltar ao mercado de trabalho, começando por um curso superior de Administração em Recursos Humanos, para ter uma visão de como estava o mercado no qual atuei por catorze anos. Engravidei no caminho. Optei por mudar de bairro, por ter o filho e voltar depois.

Ele nasceu. Decidi estudar e mudar de carreira. Voltei a trabalhar e ter sucesso no que fazia. Porque não sei fazer nada mais ou menos. Mas o magistério não me fez feliz. Mesmo com vontade de continuar, tive de parar, pelas crianças. Logo, uma opção.

Vejo tantas mães trabalhando e ficando longe dos seus filhos. E sofrendo. Em casa, fizemos a opção de termos uma renda menor, mas comigo em casa criando os filhos.

Hoje, vejo que estou mais ou menos na metade do caminho, segundo as estimativas de vida. Nesta metade, aconteceu tudo isto. Quer dizer, aqui só conto os últimos carorze anos. Nos primeiros vinte e cinco, foram onze de profissão. Porque optei começar cedo, passar por dificuldades e estudar para chegar a algum lugar.

São incontáveis as vezes que ouço: "você estudou tanto pra ficar em casa?". Uma opção. Mas e a outra metade da vida, ainda não posso optar por voltar?

Sim, é a resposta. 

Não sei como seria se nunca tivesse parado. Não posso saber se a carreira continuaria sendo um sucesso, ou se eu me transformaria em uma mulher frustrada por deixar os filhos em casa.

Frustra-me ver o mercado de trabalho que atuei com tanto amor mudando bruscamente, tantas coisas acontecendo. Mas arrependimento, não. Foi minha opção.

O que digo é que em qualquer escolha que façamos, haverá perdas. Sempre. Entretanto, se não somos capazes de saber o que perdemos, não há como mensurar nada. Logo, não há do que se arrepender, seja qual seja a opção.

Uma coisa é fato: amo meus filhos. Mas hoje, em 2013, não faria a opção de tê-los. Não pela profissão, pelas abdicações ou pelo custo que gera. Não os teria porque este mundo não merece crianças. Porque todos os dias sofro. E aí, sem opção, por ficar sem saber se quando eles saem de casa, voltarão logo mais. Neste pedacinho do mundo em que vivemos, no qual não existe lei, valor a vida ou respeito a si mesmo e ao próximo, optaria por não viver este sofrimento.

Dedico esta reflexão às amigas J.A. e R.L.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Sobre Enxaqueca

Quero, antes de mais nada, deixar claro que não receito ou indico nada neste texto. São narradas apenas as minhas experiências.

Não sei precisar quando a dor de cabeça surgiu na minha vida em forma de enxaqueca. Desde criança, minha cabeça doía muito, por conta da sinusite.

Um dia, minha mãe me levou ao "seu" Procópio, curandeiro conhecido por estas áreas em que vivo. Devia ter por volta dos meus doze anos, e ele me disse que a dor de cabeça passaria quando eu tivesse a menarca e,  aquele período, não deveria lavar a cabeça.

Passei a contar os dias para ter a primeira menstruação, mas ela chegou perto dos catorze anos. E, para desafiar o velho sábio, lavei a cabeça todos os dias, pela manhã e pela noite. Nada me tira a certeza de que minha dor é fruto da maldição do finado mago!

Com o passar dos anos e com a cabeça sempre doendo, associei que ela doía quando eu menstruava. Usei fitoterápicos que de nada adiantaram. Quando ficava grávida, a cabeça não doía, logo, associei a dor àqueles dias.

Dizem que as piores dores que existem são: de cólica de rins, de dente e de parto. Tive todas. E por conta das lendas urbanas, tinha tanto medo de parto que fiz uma cesárea tendo quase nove dedos e dilatação. Contudo, a pressão arterial subiu tanto que não podia correr riscos. Eu não morri de dor daquelas contrações. Aliás, se fossem assim tão terríveis, mulheres de origem mais humilde não teriam um filho por ano. A cólica de rins coloca a gente de quatro e nos faz uivar como lobo. Mas ela tem data pra acabar: até que as pedras sejam expelidas ou o rim arrancado. Dente? Se o analgésico não resolver, o período máximo de dor é de dois dias, se a dor começar na sexta a noite e ninguém achar um dentista de plantão. Na segunda, alguém arranca o nervo do dente e fim da dor.

E a dor de cabeça? Não dá para arrancá-la e ela não tem prazo para acabar, ai da mais quando se trata de enxaqueca, que é doença crônica.

Tive tempos na vida em que ela era muito constante e eu não sabia nunca como seria o dia seguinte. Já fui levada de ambulância por três vezes para a Beneficência Portuguesa, entre 1995 e 1997. Devem ser muito poucas as pessoas que me conhecem e nunca me socorreram em estado de cegueira total para um pronto socorro. Já fui frequentadora do Nove de Julho, que começou a lotar. Passei para o Oswaldo Cruz, que colocava a coisinha mágica na minha veia e em uma hora eu estava bêbada, mas sem dor. Minha última vez neste hospital foi sob ameaça da minha comadre de chamar a polícia caso não me atendessem imediatamente. Hoje, só saio de casa para ir ao hospital se o corredor Norte-Sul estiver livre. Entro no Sírio e depois da coisinha mágica, vejo a vida ficar colorida de novo.

Ontem, quando pedi socorro pelo Facebook, percebi como as pessoas são solícitas e imediatas para ajudar alguém em desespero. Era este meu estado. No dia anterior, havia ingerido doses consideradas perigosas de remédio e a coisa saiu do controle.

Agradeço imensamente tudo que me foi sugerido e vou contar agora o que eu já fiz pela enxaqueca.

Durante anos, procurei a causa. Quando ressonância magnética era novidade em terras canarinhas, consegui direito a fazer pelo convênio, que cobriu uma parte do exame e o restante foi particular. A tomografia já não adiantava. Minha dor era tanta, que torcia para encontrar um tumor na cabeça. Para mim, encontrando o tumor, era só retirá-lo e a dor iria embora junto. Nada. Cabeça dentro dos níveis considerados normais (se é que alguém é normal)!

Fiz uma peregrinação em médicos de várias especialidades e mesmo tendo preguiça como segundo nome, jamais desisti ou hesitei em qualquer indicação. Fui para onde me mandaram, paguei o quanto me cobraram, fiz e usei tudo que me receitaram.
Uma das minhas primeiras buscas foi com um clínico geral, naquela época, do Sírio Libanês. Dr. Henrique Parsons. Tentou curar minha enxaqueca com antidepressivos. A dor continuou. Quando Peteleco nasceu, quase oito anos atrás, passei a usar o DIU Mirena, não como contraceptivo, mas como um paliativo para crises. Com ele, parei de menstruar. E as dores continuaram. Um dia, passando tão mal na faculdade, minha professora me deu o caminho da salvação: Naramig. Serviu por uns dois meses e deixou de fazer efeito. Mais uma vez, passei mal na faculdade e outra professora me indicou um novo caminho: Ormigrin. Milagroso. Por três meses. Próxima tentativa foi uma ginecologista e endocrinologista, Dra. Luciana Tock. O pai dela, renomado endocrinologista, com a chegada da idade foi passando sua clientela para a filha. Apesar da fidelidade ao meu ginecologista, lá fui eu para Osasco, depois de meses de espera. Amei a médica, que tentou tudo que pode e eu segui tudo ao pé da letra. Usamos fitoterápicos, medicamentos homeopáticos, alopáticos, antroposóficos e a dor continuou. Desisti de ir tão longe. Chegou ao meu conhecimento o nome do dr. Ibsen Damiani, neurologista da Santa Casa. Agendei a consulta e aguardei por uns três meses. No dia, esperei por cinco horas para ser atendida.
A consulta com o dr. Ibsen merece um parágrafo a parte. Após a anamnese, ele me disse que noventa e nove por cento do que eu narrava descrevia enxaqueca, mas ele não poderia me tratar sem ter 100%. Passou-me antidepressivos e anti-inflamatórios e pediu que eu fizesse um diário por quarenta e cinco dias, anotando tudo que eu sentia, fazia, comia. Assim, conseguiríamos detectar um padrão. Durante este período, não tive dores e a conclusão do doutor foi a de que eu não tinha enxaqueca, e sim, estresse. Continuei o tratamento com ele, mas as crises voltaram e os remédios já não faziam efeito.
Certo dia, em uma consulta com a dermatologista, fui encaminhada para a Dra. Ana Betim, cardiologista do Sírio Libanês. Com a interferência da dermato, consegui a consulta para o dia seguinte. Dra. Ana foi muito humana e acolhedora. Pediu-me uma série de exames e diagnosticou-me hipertensa. Cortei o sal da alimentação, embutidos, caldos de carnes e afins (os quais usava muito) e a pressão baixou. Mas a cabeça continuou a doer. Após uma polissonografia, ela achou que eu tinha dores de cabeça devido a minha má qualidade de sono. Fui então encaminhada ao dr. Geraldo Lorenzi, especialista do sono, do INCOR. Nesta mesma época, indicaram-me o dr. Wilson Sanvitto, renomado neurologista daqueles que a gente entra com a esperança e sai sem as calças. Assim como a maioria dos médicos os quais passei.
Não existe remédio para enxaqueca que eu não tenha usado. Não existe um bom médico especialista que eu não tenha consultado. Não existe método contra a enxaqueca que eu não tenha usado. Durante o tempo em que fiz acupuntura, não tive enxaqueca constante. Contudo, não tenho tempo e nem dinheiro para fazer acupuntura duas vezes por semana, para, ainda assim, ter dor de vez em quando.
Há dois anos, trato-me com uma médica de família. Uma especialidade nova, ainda pouco usada, mas que trata, assim como na homeopatia, o paciente como um todo, e não uma doença. Esta médica, acabei descobrindo, é ginecologista de um grande número de mulheres que conheço. E também médica ortomolecular. Dra. Luciana Sussenbach  é além de minha médica, minha aliada e minha amiga. Torce por mim, cuida de mim com amor e carinho como que uma mãe cuida de um filho. Disse-me por várias vezes que está junto comigo e jamais desistirá da minha causa.
Juntando vários fatores, temos as causas da minha enxaqueca: se fico estressada, tenho enxaqueca. Se não durmo bem a noite, tenho enxaqueca. Se como qualquer lácteo, tenho enxaqueca (a intolerância à lactose foi descoberta em uma dieta detox). Se como pão, tenho enxaqueca (não tenho doença celíaca, mas a intolerância ao glúten também foi constatada em outra dieta detox). Se eu tomar sol, tenho enxaqueca. Se eu chorar, tenho enxaqueca. Logo, se eu vivo, tenho enxaqueca.
Recentemente, passei no dr. Franklin Ribeiro, renomado psiquiatra que me fez uma série de testes e exames, dando em definitivo um diagnóstico de Transtorno de Ansiedade. Logo, o estresse é uma constante na minha vida. O excesso de futuro e a falta de presente. E como não se estresssar?
Tomo medicamentos controlados. Não por coincidência, o dr. Franklin receitou-me exatamente os mesmos medicamentos que a Dra. Luciana Sussenbach. São cinco medicações diárias diferentes. Custam caro. Fora os suplementos que tomo, como melatonina e outros minerais ortomoleculares, que custam caro.
Nas crises, já usei choque térmico, esquentando ao extremo os pés e colocando gelo na cabeça. Evito comer aquilo que me faz mal, mas, como disse, preciso viver, e é difícil controlar tudo na vida o tempo todo. Muitas vezes, as crises duram dias e dias, e esta última durou cinco semanas, alternando em dias piores e dias muito piores.
Também faço há oito meses tratamento espiritual semanalmente. O que me ajuda muito e é um dos meus grandes alicerces para a dor.
Ontem, após receber tanto carinho, indicação de tantos medicamentos e pensando que já tinha tentado todos eles, liguei para a Dra. Luciana chorando. Ela me mandou tomar Flanax. Vejam bem, minha médica, com quem eu me trato há dois anos, que me conhece, sabe como são minhas dores, mandou eu tomar Flanax. Outra grande amiga lembrou-me que era terça-feira, dia de tratamento espiritual, e pediu que eu não deixasse de ir.
Curiosamente, a dor começou a amenizar antes que eu saísse de casa para comprar remédio. E quando cheguei à consulta espiritual, já conseguia rir. Fiquei sem entender como a dor passou. Ajuda divina?
As pessoas que não sabem o que é esta dor, podem achar bobagem, mas quem sofre, acredita em tudo. Acredito, sim, na ajuda divina. Mas ontem ela veio de outra forma, que só soube bem no final da noite, quando uma amiga mandou-me uma mensagem dizendo que sua mãe havia feito para mim um tratamento de radiestesia. Se eu sei do que se trata? Não. Vou ler tudo agora sobre isto. O que sei é que um conjunto de ações ontem fez com que eu saísse daquele estado de dor que já durava quarenta dias.
Enxaqueca não é uma patologia feminina, assim como não é exclusiva de pessoas obesas. Todos podem ter enxaqueca, entretanto, a alimentação saudável e equilibrada é sem dúvida a melhor aliada para evitar crises, e digo isto porque durante um ano, tratei-me quinzenalmente com uma nutricionista funcional, e toda a alimentação e suplementação que usei naquele período me fizeram muito bem.
Agora preciso repensar o modo de vida que tenho levado, os níveis de estresse fora de controle, centrar os olhares apenas em mim e viver de forma leve e sem dor.
Tenho que encerrar este pequeno capítulo da minha vida com um agradecimento sem tamanho para todos aqueles que ontem tentaram interceder e me ajudar de alguma maneira. Todo o carinho foi essencial para que hoje eu acordasse sem dor, embora ainda um pouco mareada pelos consecutivos dias ruins.
Se você é vítima de enxaqueca também, busque seu caminho. Pode ser menos árduo que o meu, pode dar certo com coisas que comigo não deram. Mas não desista, pois só quem sofre deste mal, sabe o que é não conseguir sentir cheiro de nada, ouvir nenhum barulho, desejar que o mundo seja eternamente escuro e rogar por um milagre para que aquele latejar constante seja interrompido a qualquer instante de forma milagrosa.
E se você chegou até aqui, parabéns! Além de meu amigo, se interessou pela minha história. Desejo-lhe boa sorte!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sobre rótulos

Pessoas adoram rotular pessoas. Vamos encontrar na vida as que aceitam rótulos e as que não aceitam.

Sou uma pessoa com a essência forte, personalidade marcante, muito decidida. Em dado momento do meu percurso, perdi a força. Deixei-me dominar, fui fraca e comecei a aceitar rótulos.

Só existe uma pessoa responsável por nossa felicidade: nós mesmos. Temos o livre arbítrio para viver do modo que queremos e aceitando ou não aquilo que nos incomoda.

Já ouvi tantas histórias sobre tentativas de suicídio. Vou tocar neste assunto para falar sobre mim: estou completando neste semestre dez anos que fui diagnosticada com depressão. Nestes dez anos, vivi momentos em que o fundo do poço era lugar raso para dizer onde eu me encontrava.

A depressão nos leva a um estado letárgico, de inferioridade e infelicidade pleno. Cabe nos afundarmos ou nos debatermos para subir à superfície.

De cada cem dias, me debato em noventa e nove deles. Deixo um para viver o fundo do poço e relembrar o quanto é bom estar na superfície.

Foram muitos momentos de dores. E ainda são. A dor não existe só para os depressivos. A dor existe na vida. E quem disser que é feliz 365 dias por ano, pode procurar ajuda psicológica urgente. Estado de felicidade plena e constante não existe e não é real.

Nem sempre minha proporção foi de 99/1. Passei por momentos em que meu corpo deixou de produzir muitas substâncias, o que me deixava bem mais 1/99. E mesmo assim, lutei.

Nunca houve ninguém que me pegasse pela mão para caminhar. Nunca tive ninguém que estivesse no médico comigo. Toda a minha trajetória é sozinha, caminhada com minhas próprias pernas, inclusive em dias nos quais só me arrastando, é possível mover-me.

Suicídio jamais passou pela minha cabeça. Tive dias e dias seguidos em que quis e precisei ficar deitada no quarto escuro sofrendo minha dor. Tive e tenho dias em que quero sumir. Quem não tem? Não é preciso ter diagnóstico de depressão crônica para querer sumir por um dia, por um mês. Um ano já acho grave e perigoso.

Quem quer se matar, não manda recado. Há muitas formas e maneiras de dar cabo à vida, e quem ameaça é porque está chamando a atenção, está clamando por um olhar de qualquer pessoa que seja.

Contudo, mesmo que a dor domine, que os sentimentos sejam confusos, não devemos jamais em nossas vidas aceitar rótulos. Tenho aprendido e praticado isto diariamente. Faz parte do respeito que eu devo a mim mesma.

Sou um ser humano como cada um que vive neste enorme planeta. Tenho qualidades e defeitos. Tenho altos e baixos. Mas rótulos não. Ninguém tem o direito de me rotular, pois rotular alguém é atribuir ao outro sua própria incompetência em determinado assunto.

Liberte-se daquilo que te rotulam. E mais. Não se rotule. Não se permita. Porque na vida, não somos. Apenas estamos. 

domingo, 25 de agosto de 2013

Sobre homenagem

Esta semana, a pessoinha pequenininha e bem especial que citei neste texto, fez uma homenagem especial a algumas pessoas, e para minha felicidade plena, eu estava entre elas. Se você ficou curioso, corre no blog dela para ver!

sábado, 24 de agosto de 2013

Sobre aquilo que une as pessoas - de fato

Durante muitos anos, alimentei muitas culpas na vida. Elas não se foram totalmente. Pois o ser humano tem o eterno hábito de se vitimizar e escolher alguém para atribuir a culpa da sua infelicidade.

Antes de mais nada, é preciso, contudo, definir o que é felicidade. E a definição que consta no dicionário é suficiente? Não para mim. Felicidade é um sentimento, é um estado de espírito, é uma alegria que vem do coração e nenhum Houaiss, Aurélio, Michaelis ou afins, serão capazes de definir um sentimento.

Alguns anos atrás, assisti a uma palestra. Já ouvi o mesmo tema através da ótica religiosa e através da ciência - no caso, a Psicologia: ninguém é obrigado a amar ninguém só pelo fato de estar unido por laço sanguíneo.

Ouvir isto por mais de uma vez foi que eu fosse tirando algumas culpas de dentro de mim. Saber que ninguém era obrigado a me amar, tampouco eu era obrigada a amar alguém, fez de mim alguém mais leve.

Ainda há pouco, recebi uma mensagem muito especial, vinda de uma pessoinha de um tamanhinho bem pequenino, mas com uma cabeça de gente bem "maior de grande" do que ela. O conteúdo da mensagem? A desobrigação de amar alguém.

Em nossas vidas, existem e passam diversas pessoas ao longo do tempo. Umas já nascem com a gente e outras nascem com o tempo. Somos livres para amar ou não quaisquer destas pessoas, independente do sangue que corre nas veias.

Há quase doze anos, quando me casei com Toruboi, fui avisada por ele: "minha família é estranha". Achei que era impossível uma família inteira ser estranha e só ele ser o correto. Assim, decidi que aquelas pessoas seriam todas unidas, como uma família normal. Após anos e anos de busca e entendimento (e muito sofrimento), entendi que a família dele é estranha. Ele tinha razão desde o início, e se eu não tivesse me iludido lá atrás, não teria sofrido, tampouco feito meus filhos sofrerem. A família dele não é obrigada a ser como a minha: entre trancos e barrancos, todos se ajudam e estão unidos pelo sangue e pela vida. 

Muitas famílias vivem de aparências e com o tempo, fui entendendo que eu não conseguia deixar de ser eu mesma para viver das aparências que eles queriam. Não sei ser falsa, dissimulada, falar mal pelas costas. Pior que tudo isto: não sei ser mais ou menos. Sou totalmente intensa e por isto sofri tanto. Por ter mergulhado com intensidade para tentar fazer com que minha família - eu, Toruboi e criancinhas Hummel - fizéssemos parte daquela família. Não deu certo.

Foram dez anos de tentativa e hoje, após desistir (e falo de boca muito cheia que não me lembro de ter desistido de nada na vida), tenho um maior entendimento de tudo. Ninguém pode amar ninguém por obrigação.

Vejo pessoas escrevendo sobre pequenas felicidades. Para mim, que sou intensa - e não me canso de repetir isto - não existe pequena felicidade. Toda forma de felicidade é grande. No último domingo, fomos buscar a avó do marido no asilo.

No início do ano passado, ele me disse que a avó já estava muito velhinha e ele se preocupava com ela. Esta avó, juntamente com o avô que partiu meses antes de nos casarmos, é o laço sanguíneo do marido na Terra, junto com o filho Peteleco. Ela é a referência dele: de infância feliz, de momentos bons. Se eu o amo, sou capaz de amar a todos que ele ama. Mas sou mais capaz ainda de amar alguém que o ama como esta avó o ama. Alguém que sempre me tratou como da família, que aceitou minha filha como sua bisneta sem distinção com meu filho, alguém que me faz feliz. Na ocasião, ofereci desfazer-me do meu escritório no apartamento e levarmos a avó para viver conosco. Marido achou desnecessário. Pois quando nos mudamos para uma casa de três pavimentos, a avó já não podia mais viver só. E os netos que poderiam cuidar dela não o fizeram, colocando-a no asilo. Sofro com esta situação, mas de mãos atadas não há muito o que eu possa fazer. Então buscamos ela para almoçar. Ela se locomove com dificuldade, mas a felicidade de ela estar conosco e nós com ela era imensa. Ela lamentou o tempo todo a ausência da bisneta, que ficou em casa fazendo trabalho com as amigas. Pediu-me que eu fizesse bolinhos de bacalhau e lanchinho de carne louca - um especial que faço com filé mignon suíno. Cobrou-me como uma avó, das dezenas de fotos que estou lhe devendo, e isto me fez feliz.

Assim é o amor. É isto que une as pessoas: AFINIDADE. 

Dizer que sou feliz sabendo que meus filhos são indiferentes para a família do marido? Mentira. Mas já não cobro e nem culpo a ninguém. Eles não são obrigados a amar meus filhos, e quem perde são eles.

Um dia, minha mãe me disse uma coisa que muito me marcou: "a gente sempre deve ser grato com aqueles que amam nossos filhos".

Se não fosse a opção da minha filha em não manter laços com a família paterna biológica dela, tenho a certeza de que não só ela, mas meus dois filhos teriam avós maravilhosos. Há muitos anos tento mostrar-lhe o quanto ela tem avós maravilhosos, e o fato de ter sido renegada pelo pai biológico, não significa que a família dele não a ame. Nunca vou saber o que aconteceu. Sinto muito por ver a vida dela passando e ela desperdiçando tanto amor. Porém, nada nesta vida é por acaso, e se vivemos amores e desamores na vida, sou consciente de que foram escolhas nossas, mesmo que não nos lembremos delas!

E pra embalar o final de semana, "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã....". Quem é que garante o amanhã?

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Sobre o peso que atribuímos às relações

Dia destes, ocorreu comigo um fato um tanto interessante no Facebook: havia semanas que um texto corria pela rede, contando a história de vida do Silvester Stalone. Eu já havia lido tinha meses, mas por se tratar de uma história interessante, ela apareceu dezenas de vezes na minha "timeline". 

Um certo sábado, marido Toruboi estava ao meu lado e veio de novo o texto. Gostaria de compartilhar a história com ele, e naquela hora, compartilhei a mensagem, marcando o nome do marido para que ele o lesse.

No dia seguinte, a pessoa que vinha compartilhando aquele texto de vários outros amigos, mandou-me algo que achei de muita falta de educação. Uma destas telas de Power Point que continha as dez regras para ser educado em uma rede social. E chamava atenção à regra número três: "quando você compartilhar algo de algum amigo, curta antes".

Vejo que pessoas não crescem interiormente. Atitudes como esta descrita poderia ter sido praticada por alguma amiga adolescente da minha filha. E ainda assim, eu acharia infantil demais. Se ocorresse o mesmo com meu filho, instruiria-o a não compartilhar mais nada daquele amigo. Mas entre pessoas adultas, usei da minha habitual educação.

Respondi que o texto com regras a mim enviado não me dizia nada, e se eu compartilho algo, significa, claro, que já gostei. É aquela coisa que chamamos de "implícito".

Não satisfeita, ela reforçou: "observe a regra número três". 

Sou uma pessoa muito legal, mas só até a página dois. Além de ter um grande defeito: coisas que tendem a me tirar do sério acabam virando sarcasmo. Disse àquela mulher de seus mais de quarenta anos (isto mesmo, não se tratava de nenhum ex-aluno meu), pseudo-inteligente (pois se ela fosse tudo o que diz, não estaria em casa sendo mal amada em um domingo - dia de reunião familiar e felicidade - ao meu ver) que quando me associei ao Facebook, não assinei nenhum termo que me obrigasse a curtir algo antes de compartilhar. 

A próxima página todo mundo conhece: ela me excluiu e me bloqueou.

Vale aqui o parênteses: trata-se de uma pessoa que conheço há...TRINTA ANOS.

Assim se vão as relações. Assim as pessoas são tratadas hoje.

Ontem conversava com meu irmão. Desabafei com ele. Em um ano, foram três amigas com câncer de mama. Continuei a reflexão, dizendo que em outros tempos, não acumulávamos pessoas em nossas vidas. Os da escola ficavam na escola, os da faculdade, na faculdade. Conforme mudássemos de emprego, mudávamos de amigos.

A globalização, a internet e as redes sociais nos permitem hoje acumular pessoas. Por mais que minha filha me questione como consigo ter quase mil contatos no Facebook, explico para ela que pessoas não são números. São pessoas. 

Enxergo uma rede social como uma grande oportunidade que temos e damos para trocar experiências, ideias, mas principalmente necessidades.

Um amigo precisa de emprego: divulgamos o perfil dele, muitas vezes lá na caixinha exclusiva, conhecida como "inbox", porque pessoas não precisam ser expostas. Alguém precisa divulgar uma vaga de trabalho: divulgamos e compartilhamos publicamente. Um amigo precisa desabafar: vamos pro "inbox". E assim caminha. Infelizmente, não a humanidade, pois as pessoas andam muito cheia de melindres.

Não sei o que motiva certos melindres. Entretanto, acredito que às vésperas de fazer quarenta anos, já tive tempo o suficiente na vida para entender o certo e o errado. Mas acima de tudo, de aprender a respeitar o meu próximo, com nossas semelhanças e diferenças.

Hoje, qualquer "desgosto" se resolve com uma ferramenta disponível nas redes chamada "block". Na vida real, podemos sair bloqueando pessoas das nossas vidas, porque suas ideias e opiniões são diferentes? Sim, é a minha resposta. Porque a mesma pessoa que sou na rede social, sou na vida real. Já não dou conta de ser uma Úrsula, como conseguirei administrar a real e a virtual? Não dá.

Ontem descobri uma história que chega a ser triste, mas que reafirma minha tese de que pessoas são pessoas, de que o mundo é redondo, dá voltas, um dia estamos em cima e noutro, embaixo, e não devemos simplesmente bloquear pessoas em nossas vidas.

Recentemente, uma pessoa com quem convivi por alguns anos me excluiu da sua página. Soube ontem que ela está passando um sério problema de família com um familiar. E eu, que preservo e prezo muito toda e qualquer relação, sou amiga do profissional da saúde que é especialista naquilo. Eu, a excluída e bloqueada, sou a pessoa que poderia ajudá-la.

Poderia fazer papel de santa, dar uma de boazinha, passar por cima dos meus valores e abrir as portas para esta pessoa. Só que acho que pessoas precisam amadurecer pela dor. Precisam crescer. Você não pode ter cinquenta anos de idade com mentalidade de dez. Não pode agir constantemente como se estivesse no jardim da infância e seja dono da bola.

Pessoas que estão em minha vida saem por conta própria. Não excluo ninguém. Minha doutrina de vida não me permite. Pessoas somam a pessoas. Somam conhecimento, somam trocas, somam amor!

E vejo que isto falta no mundo: amor. A si mesmo e ao próximo. Pois atitudes de excluir gratuitamente pessoas de nossas vidas faz com que façamos exclusão de um futuro de alegria, de felicidade, de cura, de muitas outras coisas.

Pense como você trata as pessoas, na sua vida real e virtual. E saiba dar o devido valor a cada indivíduo. Porque no fundo, somos todos irmãos, e no final, viraremos todos pó!


sábado, 17 de agosto de 2013

Sobre homossexualismo (EDITADO)

Edição: segundo um leitor, o termo correto é HOMOSSEXUALIDADE.

Não sei precisar quando este assunto entrou em minha vida, tamanha a naturalidade com que sempre fui rodeada dele. 

Meus pais não tinham, até onde sei, amigos homossexuais, não convivia com nenhum homossexual, e talvez eu não saiba disto, porque ninguém normal sai gritando por aí suas orientações sexuais.

Lembro-me de minha mãe dizendo algumas vezes de crianças, tanto da minha idade, como com a idade dos meus irmãos, que tinham tendências homossexuais, sem jamais deixar o termo ser pejorativo.

Não sou ativista, nunca fui a uma passeata GLS, mas lembro-me muito bem da primeira homossexual declarada que apareceu em minha vida.

Éramos já bem próximas, ela me contava muito sobre o namoro, sem nunca dar nome aos bois. Um dia, marcamos com uma turma de amigos meus em um barzinho. Sempre tive o hábito de reunir pessoas que não se conhecem, e fazer uma mesa bem diversificada. Naquele dia, conheceria seu par. Pouco antes da pessoa chegar, esta amiga chamou-me de canto. Disse que precisava me contar um segredo. Suas sofridas palavras vêm até hoje em minha mente: "sabe meu namorado? Então....é namorada!". Seus olhos se encheram de lágrimas e os meus também, pela dor daquela moça. Abracei-a bem forte e disse que com quem ela dormia ou do que ela gostava, não me interessava. O que era importante pra mim era seu caráter e isto, ela já tinha provado que era bom. Ela disse se sentir aliviada e assim entrei no mundo gay!

Não consigo entender o preconceito. Pessoas são corpos com espíritos dentro. Corpos perecem e espíritos evoluem. Qual o porquê de pessoas se preocuparem com o perecível? Qual o direito que alguém tem de julgar o que alguém gosta? Com que direito dizem que homossexualismo é doença? Doente é a mente de muita gente.

Sou contra o preconceito, seja ele qual for, exatamente porque acredito na evolução das pessoas. E quem sofre de preconceito, está evoluindo....para um buraco negro e escuro dentro de si mesmo.

Os anos foram se passando, e mais homossexuais surgiram ao meu redor. Para quem antes achava que todos eram iguais, veio a mudança: os homens homossexuais são altamente divertidos, engraçados, sinceros, dizem na cara o que precisam dizer. Não consigo fazer nenhuma ligação entre a orientação sexual e este tipo de comportamento, mas ele foi se reforçando conforme fui entrando mais neste universo.

Tenho um amigo homossexual que é lindo demais! Fisicamente falando, mas mais ainda interiormente falando. Pessoa de bem, de boa família, resolvida pra caramba, batalhadora. E amiga! Adoro quando conversamos, fico com dor no rosto de tantas gargalhadas. Um dia, perguntei para ele porque todo homem homossexual era lindo e gostoso. E ele foi direto: "a concorrência neste meio é enorme, é preciso estarmos gostosas e saradas!". Ri litros!

Ontem, assisti ao Globo Repórter, que como bem observou uma Facefriend minha, sofreu uma belíssima repaginada e convidou os telespectadores a assistirem novamente o tal programa. E o tema era: NOVAS FAMÍLIAS.

Emocionei-me várias vezes durante o programa, com o casal de homens que adotou duas meninas. Com a mulher que poderia ter câncer caso não engravidasse e teve um casal de gêmeas, com sua esposa amamentando um dos bebês. 

Sinto-me aliviada ao ver o tema sendo tratado com naturalidade, com a liberdade de pessoas hoje com qualquer orientação sexual poderem se casar e com a aceitação das famílias. Abomino o tema "sair do armário", mas muitos homossexuais são, sim, cativos de suas escolhas, por conta da ignorância ou do preconceito daqueles que o cercam.

Se você faz parte do grupo com preconceito, repense com carinho: qual a diferença faz na sua vida o sexo do amor que surge na vida de alguém?

Um bom final de semana!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sobre pessoas monotemáticas

Há duas formas de levarmos a vida: rindo ou chorando. Nossas escolhas dependem única e exclusivamente de nós mesmos.

Eu escolho levar a vida rindo. Estou sempre bem humorada e só há uma coisa que me tire o chão: falta de saúde. O resto, é tudo facilmente resolvido. 

Tem gente que reclama da falta de dinheiro. Só falta dinheiro para quem passa fome. Nos demais casos, é tudo fruto de nossas escolhas, sempre.

Já há outras pessoas que têm excesso de dinheiro. E dizem que dinheiro não traz felicidade. Acho um pouco mentirosa esta 'máxima'. Se eu acordar meio cabisbaixa e entrar em um shopping, fico feliz rapidinho. Contudo, é uma sensação falsa de felicidade. Nossa felicidade é construída no dia a dia!

Amigos são peças chaves para uma vida feliz. Quem os têm, precisa aprender a preservar este tesouro. Quem não os têm, precisa repensar atitudes na vida que o fizeram ficar só.

Pode-se existir felicidade com a falsa sensação de poder, alcançada com fama, dinheiro ou glamour. Também são felicidades temporárias. A felicidade verdadeira mora dentro de nós!

Conheço diversas pessoas que todos os dias reclamam. Da vida, do marido, dos filhos, da empregada, da família, dos amigos, da falta dos amigos. Este tipo de energia atrai cada vez mais coisas ruins e a vida da pessoa entra num buraco negro. Pessoas assim, acabam se tornando monotemáticas, chatas, e afastam pessoas de suas vidas. Quem é que gosta de ouvir todos os dias o mesmo mantra, que só leva a gente pra baixo? Eu, 'tô' fora.

Tenho percebido que, ao menos em São Paulo, criou-se um padrão de felicidade em duas estações: no inverno, a obrigatoriedade do glamour de Campos de Jordão. Muitas fotos, muitos assuntos. Daí, o inverno acaba. E a pessoa precisa esperar uma estação inteira acabar, até que chegue o verão para rumar à próxima felicidade: Riviera de São Lourenço.

Tudo errado. Ao meu ver, claro. O mundo é enorme, cheio de lugares lindos, campos, montanhas, praias, e as pessoas se achando as bolachas mais crocantes do mercado com estas falsas sensações de prazer?

De verdade, prefiro relembrar situações da infância, quando glamouroso era ter uma lapiseira do Paraguai e ser rico era passar um final de semana na Praia Grande. A simplicidade das coisas de outrora. O capitalismo selvagem que reina hoje, faz com que as pessoas tenham a falsa sensação de felicidade fazendo compras em Miami. Comprar para quê? Pra postar em redes sociais? Sim, porque quem não sai de casa, não tem amigos, não recebe amigos, e sua única diversão na vida é entrar em shopping e gastar mais, está com algum problema grave! Pense com carinho!

As redes sociais podem ser um muro de lamentação ou um livro de auto-ajuda. Fica a critério de cada um decidir o que fará dela. Mas a vida, a de verdade, aquela que a gente acorda, tem conta pra pagar, filho pra cuidar, trabalho pra fazer e vida social pra curtir, esta vai além de qualquer rede social, e pode ser infinitamente feliz!

Mude o rumo da sua vida. Troque o 'disco'. Pense em um assunto novo. Faça amigos. Agradeça antes de reclamar. 

Sou o tipo de pessoa que acha que só quem está sem esperança na vida, vive dela reclamando. E para quem não tem esperança, não resta muito a viver...

domingo, 11 de agosto de 2013

Carta ao meu pai

"Pai,

Hoje acordei com  o peito apertado. Confesso que saíram algumas lágrimas, mas eu as contive no meio do caminho. É mais um dia sem você. Apenas uma data comercial, mas na minha vida, mais um dia sem você.

Claro que para te enviar esta carta, não tenho como não chorar. Mas é choro de amor, sabe? Aquele que você ensinou pra gente?

Quando a tristeza bateu bem grande, e a vontade de te ligar pra desejar um feliz dia, como tantas pessoas estão fazendo, lembrei-me de que não há telefone onde você está. Foi quando fechei os olhos e te enviei uma oração especial, e um pedido para que você estivesse bem.

Vejo tanta gente dizendo que o pai é o herói, o rei. Você nunca foi nada disso pra mim. Foi meu pai. O pai que me ensinou muitas coisas, talvez menos do que você queira ter ensinado. Entretanto, a maior qualidade que tenho dentro de mim, foi você quem me deixou de herança: a qualidade de amar. De amar talvez não como Jesus amou, mas de amar a ponto de fazer coisas boas pelas pessoas, de estar sempre pronta pra ajudar o meu próximo, e nunca deixar ninguém sofrer ao meu lado.

Um dia, você me pediu uma coisa. Aliás, você me pediu tão pouco na vida. Antes de você partir, quando nem imaginava que iria da forma repentina fazer esta infinita viagem, pediu-me que eu cuidasse da minha irmã. Ah pai! Justo você, que sempre gostou de jogar na loteria, veio me pedir uma missão impossível? Porque não pediu os números da loteria? Eu teria conseguido-os para você. Mas já foi, e eu fico aqui, tentando, tentando....

Pai, queria te contar uma coisa, que você já deve saber. Quando a gente era criança, você sempre dizia que queria que nós o chamássemos de papai. E nós nunca o chamamos. Porque foi pai a palavra que aprendemos. Porém, quando seus netos começaram a falar e a entender, ensinei-os a chamar ao Milton de papai. E eles o chamam. De maneira carinhosa, como você gostaria. É minha homenagem para você.

No dia de hoje, muita gente não tem pai para festejar. Eu tenho. Mesmo que de longe, você é meu pai. 

Quero que você leia esta minha carta. Que de alguma forma, ela possa ser plasmada pra você. Assim como o amor que tenho diariamente pra te dar, e que ficou represado depois da sua precoce partida.

Nunca, em nenhum momento, esqueça o quanto te amo. E sou grata pelos conselhos que você me deu, pela acolhida que você me deu no momento mais difícil da minha vida. Foi você quem me estendeu os braços, me deu colo, me consolou, como um pai faz. 

Eu não fiz por você tudo que gostaria de ter feito. Sei que você também não. Vamos combinar uma coisa? Um dia, a gente se encontra e faz tudo que gostaríamos de ter feito, combinado?

Feliz domingo, meu paizinho amado!

Da sua filhota, Ursinha."

sábado, 10 de agosto de 2013

Sobre a escolha de livros paradidáticos - um recado aos pais

Minha filha é uma menina que lê. Exaustivamente. Ela lê desde que se alfabetizou aos conco anos, e posso dizer com tranquilidade que de lá até hoje, aos treze anos, ela leu em média um livro por semana. No mínimo.

Automaticamente, ela é uma menina diferenciada de outras da mesma idade, que pertencem ao grupo das não leitoras.

Toda esta contextualização para entrar na escolha de livros paradidáticos.

Qual é o critério que envolve a escolha?

Para começar, vou fazer um parênteses: a escola não ensina o aluno a ler. A gostar de ler. Não motiva  de nenhum modo, não incentiva. Logo, o indivíduo conta só com a outra metade dos responsáveis por sua formação: os pais.

Os pais precisam insistir. Sem se cansar. Oferecer todo tipo de leitura, levar a livrarias, bibliotecas e ensinar o filho a gostar do livro. Pode ser um livro cheio de figuras, com letras grandes, colorido. Não importa. É através de um trabalho árduo dos pais que se consegue atingir o nível: filho leitor. Na minha casa foi assim, insisti mais com o pequeno que com a maior, mas os dois são leitores vorazes. Meu filho de sete anos, cursa o segundo ano, e agora nas férias leu três livros de cem páginas. Em cinco dias.

Voltemos à escolha dos paradidáticos. As escolas adotam um modelo de escolha de um livro por período: bimestre ou trimestre. Logo, as escolas mais tradicionais, que adotam regime trimestral, têm alunos que leem menos.

Ao escolher o paradidático, o primeiro elemento em voga é a editora. Dá-se preferência às editoras que já fornecem os livros didáticos à escola. E no caso de escolas "apostiladas"? Neste caso, existe um "combinado" com editoras. Elas visitam as escolas, apresentam seus produtos (sim, livro é um produto para a escola também) e a editora que oferecer algo para a escola, leva o "prêmio" de ter seus livros escolhidos.

E o que seria este prêmio? Uma verba para patrocinar festas juninas, culturais, feiras de ciências e até ônibus de excursões. Ônibus de excursões? Isto mesmo. Um representante de editora me disse que não conseguiu entrar em determinada escola, pois ela exigia seis ônibus por semestre e ele não tinha como arcar. "Mas nós, pais, não pagamos o ônibus também?". Pois é. Também.

Então a escola elege um livro ruim, que foge do contexto em que a criança vive, tem sempre poucas páginas, é chato, desmotivador, vem com um questionário "embutido" que não estimula em nada o pensar do indivíduo e? A criança toma bronca por leitura. A escola, logo, é o elemento desmotivador da leitura.

Nesta semana, chegaram os livros paradidáticos da minha filha para os dois bimestres restantes. Livros finos, feios e chatos. E ela, que está habituada a ler livros de 500, 600 páginas, pega os livros com uma antipatia que dá até pena. Tenho vontade de dizer: "filha, acha um resumo na internet e esquece esta droga!". Minha ética como mãe e como um ser formador de dois indivíduos, contudo. Não me permite tal ação.

Ler é descobrir o mundo. Não me lembro se foi Paulo Freire ou a filha Madalena quem disse isto. Mas é fato. Os indivíduos que praticam a leitura, têm maior conhecimento de mundo, desenvolvem a auto-crítica, crian subsídios para argumentar, são informados.

Então, vocês, pais, que vivem dizendo que já tentaram de tudo e que seus filhos não gostam de ler, fica aqui o recado: ler é como comer verdura. Ensina-se de pequeno, com muita insistência, persistência e sem esmorecer.

Boa leitura!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sobre o pai dos meus filhos

Tenho bem no meu íntimo, convicções de que muitas mulheres, ao conhecerem um homem e darem início à uma relação, pensam sempre em como aquele homem será como pai. Não passei por isto, já que você chegou às nossas vidas, quando uma família já estava pronta. Incompleta? Talvez. Infeliz? Jamais. Mas faltava você.
 
 
Lembro-me de você falando com tanto carinho da minha filha, sem ao menos me conhecer. E quando você me conheceu, veio um pacote, a família que faltava pra completar sua vida.
 
 
Lembro-me da primeira vez que ela te chamou de papai. E apesar de ter um genitor, você foi o primeiro homem que ela conheceu como pai. E assim, passou a chama-lo de papai Bimbo.
 
 
Lembro-me de nós três morando no Chile. O seu trabalho diário de infinitas horas e ela ali, na janela do flat, espiando você trabalhar. Comia toda a comida para ficar forte e ganhar na luta quando você chegasse do trabalho.
 
 
Lembro-me quando questionei a sexualidade dela, pelo fato de ela só brincar de carrinho, e você me repreendeu. Disse que a orientação sexual dela jamais influenciaria no nosso amor por ela.
 
 
Lembro-me que ela jamais dormia sem você chegar. Missão totalmente impossível. E você sempre a protegendo.
 
 
Lembro-me de quando você me disse que não aguentaria toda a pressão que estava sofrendo, se não tivesse a ela para sorrir quando chegava em casa ao final do dia. Tão forte esta lembrança, quanto a do dia e que ele perguntou o motivo pelo qual você não a chamava de "filha", como eu. E ela tinha só três anos. E desde aquele dia, você só pronuncia o nome dela quando está bravo. Coisa que com ela é fácil acontecer, mas é preciso muito pra tirar sua paciência como pai.
 
 
Não me lembro porquê quis ter um filho com você. Mas foi um ano de muita luta e tristeza. E até aquele positivo parecia mentira.
 
 
Então, o que eu pensei que seria um conto de fadas, foi um grande pesadelo. Sonhei que você fosse pai daquele bebê da barriga desde o primeiro dia. Mas você não foi. Mais uma vez, fui mãe solteira durante 34 semanas.
 
 
Contudo, lembro-me do dia em que ele nasceu. Eu deixei de existir naquele momento. Porque seu amor por ele foi tão grande, que tudo ficou para trás. Você trocou, amamentou, limpou, brincou, passou noites acordados, levou-o para que eu amamentasse. E passou a ser um pavão.

Você cresceu cada vez mais no papel de pai. Foi pra justiça e brigou por ela só para você. Foi de uma hombridade nunca vista por mim antes. Mas acima de tudo, foi pai.

E assim tem sido nestes quase doze anos em que estamos juntos. Ela com treze,  ele com sete, e você como pai por quase vinte anos.

Você é o homem que não poderia passar por esta vida sem ser pai. Não imagina a vida sem seus filhos. Ama-os de modo incondicional, além do que já vi qualquer pai amar. Perdoa tudo, supera tudo, sabe lidar com maestria nas situações inimagináveis.

Não poderia ser diferente. Você dá aos teus filhos o amor de pai que você gostaria de ter tido. É amigo deles do modo que gostaria de ter tido um amigo. Vive e luta por eles muito além de qualquer necessidade material que filhos possam ter.

Fico olhando, admirando tudo, como uma expectadora na plateia, na estreia de uma grande peça. Todos os dias, um peça nova. A mais linda peça exibida: a peça da vida!

Sou grata ao Universo por ter nos juntado de novo. Porque em cada gesto dela, não há dúvidas de que ela é sua filha. Hoje, ontem. Amanhã, quem sabe? Ele? Te ama tanto, que sente falta de ar de emoção quando ouve o portão da garagem subindo. Conta os dias para chegar o final de semana, para estar ao seu lado.

Se o mundo fosse feito de mais homens como você, preparados e prontos para exercer a paternidade na sua mais plena forma de existência, talvez tivéssemos um mundo melhor.

Te amo como marido, homem, namorado, amante, companheiro e amigo. E admiro todos os dias o pai que meus filhos têm.

Feliz dia dos pais. Pelos trezentos e sessenta e cinco dias que o ano dura!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sobre o desapego material e afetivo

Gandhi disse que "a posse daquilo que você não precisa, é furto". Para mim, tal afirmação faz total sentido. Por que temos mais do que precisam.
 
Ao mesmo tempo, o que mensura o que é preciso para cada um viver, uma vez que nós, seres humanos, temos necessidades vitais, comum a todos, e necessidades diversas, que vão variar de pessoa para pessoa.

Uma coisa que sempre pratiquei na vida foi o desapego. Gosto de viver bem, usar coisas boas e me sentir bem.

Já tive um tempo na vida, no qual frequentava a elite social de Sampa. Os melhores restaurantes, os melhores hotéis. Aos finais de semana, sempre estava em algum hotel cinco estrelas tomando um "brunch".

Tudo isto foi bom. No passado e já bem distante. Quando eu era uma executiva, tinha meus 26 anos ou pouco mais. Era cativa desta situação.

Uma das mais famosas frases da literatura mundial de todos os tempos, vem do livro "Le Petit Prince" (título original) de S. Exupéry, quando o personagem título do livro diz que nos tornamos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Como tantas parábolas existentes na obra, o termo "cativo" se refere não a "conquistar", mas deriva de cativeiro, de se tornar cativo de uma situação.

Ao fazer esta citação, percebo que já fui cativa também da Literatura. Num dado momento de vida, precisei ler, muitas vezes sem compreender, Thomas Man, Tolstoi (ou Tolstoy - há controvérsias na grafia), Dostoievski, Cervantes, Camões, Shakespeare. Quanta leitura em vão, pois não tinha eu maturidade de vida para compreender e interpretar tudo. Quando sai da situação de cativa, me rendendo à liberdade, pude degustar, saborear inúmeros clássicos, indo ao fundo de cada obra e compreendendo seus significados.

Trago primeiramente estes dois exemplos, mas poderia citar inúmeros. Quantas vezes somos cativos de situações, sem que sequer percebamos?
 
Quero ser cada vez mais livre. Praticar emocionalmente aquilo que já pratico materialmente: o desapego.
 
Por vezes, adquirimos hábitos na vida que nos fazem refém de situações. Nunca tive nenhum tipo de transtorno obsessivo compulsivo, vulgo TOC, entretanto confesso que tenho minhas manias: gosto de tudo organizado, cada coisa no seu lugar, gosto de roupas bem cheirosas, de casa limpinha, de oferecer à minha família, comidas gostosas e saudáveis. E quem é que não gosta? Nem sempre, porém, somos capazes de ter ou de fazer tudo que gostamos e queremos. Neste momento, chega o desapego.
 
Desapegar de hábitos, testar o novo, deixar o tênis jogado no meio da sala, a pia cheia de louça de um da para o outro, acumular roupa suja de duas semanas, entender que a empregada é capaz de fazer, talvez não como nós faríamos, mas E DAÍ? Deixar de ser cativo de situações, é desapegar afetivamente. É gritar por liberdade, e viver feliz da forma mais simples que existe.
 
Você se sente cativo de algo ou de alguém? Liberte-se! A sensação de liberdade é talvez uma sensação de poder voar em um lindo dia de céu limpinho, com o Sol abrilhantando nossa vida! 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sobre indignação

Foi esta a palavra que meu terapeuta hoje usou para "disgnosticar" o meu estado: indignação. E insistiu comigo o porquê de estar tão indignada com as situações cotidinas da vida.

Feliz ou infelizmente, fui criada com valores morais, sociais e materiais, digamos que não rigorosos, mas corretos.

E quem sou eu para dizer o que é ou não correto? Então, jogo aqui algumas questões:

1. É correto que os pais repreendam os filhos de modo que estes ajudem nas tarefas coletivas que envolvem o bem estar da família?
2. É correto que uma professora de inglês, ao retornar das férias, junte um grupo de quatro crianças, em detrimento de outras vinte, para falar exclusivamente sobre a Disney, como se as crianças que ficaram em casa, ou viajaram para qualquer outro lugar, não fizessem parte daquele contexto?
3. É correto que um médico que tem valores os quais você não concorda - mas respeita - sobre como criar filhos, interfira no seu modo de educar, uma vez que você respeita o médico e sua for,a de criar filhos, mesmo discordando?
4. É correto que pessoas sejam tratadas como mercadorias descartáveis, sendo usadas por seus semelhantes quando e como bem entendem, e depois não servem para mais nada?

Poderia passar o dia aqui elencando além dos oito pontos que discutimos na terapia. O que não mudaria em nada minha indignação, pois meus valores estão arraigados em mim. E não há amigo, familiar, médico, terapeuta ou ninguém que mudará meu modo de ser, agir e sentir. E eu? Não lutarei para mudar o mundo, pois se trata de missão impossível. Minha luta será apenas comigo. Para que eu consiga continuar andando de cabeça erguida e dormir com a consciência tranquila!