terça-feira, 30 de julho de 2013

Sobre Diploma, Jornalistas, Domésticas e afins

"Que neste dia de hoje, todo individuo tenha a possibilidade de refletir duas coisas: sua vida e a vida dos que o cercam. Possa entender que para um mundo melhor, temos que nos respeitar, respeitando também o próximo. Aceitar que mesmo com nossas diferenças, o fim é igual para todos. A lição não bem de religião nenhuma. Vem do Universo: faça o bem, e terá o bem. Lembrando sempre que somos elos de correntes. Se você for um bom elo, estará na corrente do bem!"

Iniciei meu dia com a mensagem acima, escrita no Facebook. Refletindo sobre a vaidade e a soberba das pessoas.

Tenho uma amiga que tem três diplomas de pós-doutorado. E ela é uma mortal. O conhecimento está dentro dela, ela o dissemina, mas nos anos que a conheço, nunca vi esta pessoa se desfazer de ninguém. Ela vive reclamando que está sem dinheiro, leva uma vida simples e digna, sem luxos e jamais permite que a soberba tome conta de seu ser.

Tem gente que não tem estudo. Tenho um amigo assim. Ele não terminou o Ensino Médio. E ficou rico. Milionário antes dos 30 anos. Inteligente? Talvez. Mas muito esperto e sagaz. Como ele conseguiu isto? Trabalhando, e muito, ouvindo desaforos, sofrendo humilhações, mas mantendo a humildade e foco em seus objetivos.

Tenho um irmão que é jornalista. Não destes que vão quatro anos à faculdade, para ganhar um diploma no final do período. Antes de conseguir o diploma, que para nada lhe serve - afinal, qualquer pessoa com o dom para a profissão pode ser jornalista - ele já tinha seu registro profissional no Ministério do Trabalho. E ter ou não diploma, não o faz melhor ou pior que o amigo lá de cima, sem estudo, ou a amiga mais acima, com muito estudo.

Tenho muitas amigas, algumas com excelente formação acadêmica. Outras, sem nenhuma. Para mim, elas são iguais. Quando estamos juntas, rindo, gargalhando, trocando experiências de vida, ninguém apresenta diploma.

Todas estas pessoas saem de suas casas para trabalhar. E quando voltam, precisam ter suas roupas lavadas e passadas, a comida feita, o filho muito bem cuidado. E quem realizou todas estas tarefas? Alguém, com ou sem estudo, que dedica sua vida para cuidar da dos outros, e dos filhos que se colocam no mundo cujos cuidados são terceirizados para esta classe conhecida como "domésticas".

Hoje, foi divulgado o novo piso salarial dos jornalistas. Ou profissionais de comunicação. Assim como foi divulgado também o novo projeto de lei para o piso de R$1.200,00 para domésticas que dormem no serviço.

Li quatro comentários preconceituosos na minha página do Facebook. Vindo de quatro pessoas diferentes, que não se conhecem entre si (um milagre, já que neste mundo, todos se conhecem), e todas indignadas com o piso da sua área: Comunicação. Interessante foi saber que todas as quatro pessoas (três mulheres e um homem) compararam suas importantes (?) funções com a de uma doméstica. Claro que se colocando em uma classe superior.

Gostaria de saber se seria possível para estas e tantas outras pessoas trabalharem em sua tão importante função social (?) se não fosse a classe das domésticas para cuidar de suas casas e seus filhos.

Uma doméstica que dorme no trabalho, passará, talvez, a ter direito a um salário mínimo de R$ 1.200,00. Aquela que é a última a dormir e a primeira a acordar na casa. Aquela que lava, passa, cozinha, cuida dos filhos e dos afazeres da casa, afazeres estes que muitos jornalistas não têm a menor capacidade. Quantas horas por semana esta pessoa trabalha? Porque o menor piso para o profissional de comunicação gira em torno deste mesmo valor, para cinco horas diárias. Muitos destes profissionais têm assistência médica, odontológica, vale-refeição, e quando não os têm, é porque optam por trabalhar em regime de Pessoa Jurídica, para diminuir a carga tributária.

O que quero dizer é que diploma não faz ninguém melhor ou pior que ninguém. A humildade, sim, faz com que as pessoas sejam divididas. Porque diploma pode ser comprado na Praça da Sé. Porque existem pessoas que inventam ter uma profissão, e acreditam que possuem tal titulação. Porque nem a minha amiga com muitos diplomas ou o meu amigo sem nenhum, são diferentes para mim.

Será que os caros inteligentes jornalistas já pararam para pensar um pouco sobre microeconomia? Lei de oferta e procura? Temos um jornalista para cada esquina de Sampa. Figura de linguagem, claro, mas é fato que o mercado tem excessivamente muitos profissionais. E a dificuldade que se há para encontrar uma doméstica? Alguém já pensou nesta proporção?


E para você? O que é um diploma?

p.s.: ontem recebi algumas mensagens no texto que publiquei, e que foram de grande conteúdo. Para respondê-las, farei um texto especial de agradecimento! Por ora, meu muito obrigada!


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sobre as várias faces da vida

Antigamente, quando eu era menina lá em Barbacena, eu acreditava que tudo era perfeito e que toda as pessoas eram felizes. Até que um dia, eu cresci. Descobri que a vida não era um quadro do Chico Anísio, tampouco uma música da Legião Urbana.
Todo mundo que leva tombo na vida, vai ficando esperto. Quando a batida do tombo é sempre no mesmo lugar, é natural que façamos uma defesa. Ao percebermos que haverá queda, automaticamente protegemos aquele lugar já fragilizado. É o excesso de tombos que forma uma couraça de proteção, mas não é físico, é mental.
Assim, vou levando e aprendendo.
Sofri muitas decepções e traições ao longo da vida: com amigos, com família, com maridos. Nem por isto, deixei de viver. Só fui ficando mais desconfiada.
Na vida real, foi e é assim. Enquanto isto, no mundo virtual....
Uma pessoa que conheceu cinquenta outras pessoas através do mundo virtual, doze, treze anos atrás, quando tal prática não era comum, aprende muita coisa. No meu caso, esqueci de anotar, e com o surgimento de novas formas de vida social, a internet acabou sendo muito intensa na minha vida. E eu acreditando.
Até que fiz algumas amigas e através delas, comecei a olhar o mundo de outra forma. Primeiro o real. Depois, o virtual.
Para mim, as pessoas tinham que ser iguais nos dois mundos, e descobri que não são. A internet serve de capa secreta de super-herói para esconder aquilo que as pessoas não gostam, ou transformá-las naquilo que gostariam de ser.
Vou dar um exemplo. Conheço um indivíduo na vida real. E depois, passo a socializar-me com este através do mundo virtual. Passo a perceber que são pessoas diferentes. Pior, descubro que as duas faces deste ser são 'fakes'. Ainda existe uma terceira pessoa, que é ela de verdade.
O que o muita gente não sabe, é que máscaras caem, e quando elas caem, a vergonha deve ser infinita. E há que se lidar com as consequências.
Quando me separei, grávida de dois meses da minha filha, pedi uma única coisa para meus sogros: que se eles quisessem (veja bem, opção DELES) que eu continuasse frequentando sua casa, que esperassem ao menos meu bebê nascer, antes de deixar o filho entrar com a primeira quenga que encontrasse na rua. Depois que minha filha nasceu, fui descobrindo histórias bem tristes sobre a traição que fizeram comigo. Nem por isto, deixei de respeitá-los como família biológica da minha filha (porque em termos de família de pai, meus filhos são dois órfãos). Acontece que partiu da minha filha não querer saber deles. Acho que seriam pessoas importantes na formação afetiva dela, e deixo e sempre deixei as portas abertas PARA AS ESCOLHAS DELA. As minhas, fechadas. Ponto final numa história de várias faces.
Decepcionar-me com pessoas é curva padrão na minha vida. Sempre tive as portas da minha casa aberta. E nem sempre, encontrei outras para entrar. Com o tempo, fui fechando, fechando, e hoje, quase passo o trinco. Ano passado, mudamos de casa no dia de Halloween. Dias antes, estávamos em uma festa, e uma 'grande amiga' convidando uma criança para ir à festa do prédio dela. Ofereci-me para leva meu filho. Já tinha tantas vezes ficado com as crianças dela. Esperei o convite. Quase um ano depois, continuo esperando.
Sempre fiz questão de trazer, de convidar amigos do meus filhos para virem em casa. Minha filha é reservada, não gosta. Meu filho adora. Percebi, porém, que só eu convido. Sempre. As crianças as quais eu mais trazia em casa, as quais mas fazia questão, não tinham reciprocidade em seus lares. Há alguns anos, cortei relações com uma mãe, que sempre tinha saudades de mim, queria me encontrar. E os encontros se davam sempre na minha casa. Um dia, disse que iria na casa dela, para matarmos as saudades. Aquele não fez morrer uma amizade que nunca existiu.
Quiçá o erro esteja em mim. Acredito que todo mundo é amigo na mesma intensidade que eu sou. Acredito que amizades são pra sempre. Mas estou passando a entender que ela são efêmeras.
Foi minha própria médica quem me alertou sobre a necessidade de as pessoas viverem visceralmente o seu lado Dr. Jekyll, sem jamais adormecer o Mr. Hyde.
Será que todo mundo é assim? Dupla face? Será que creio muito em contos de fadas?
Independente da resposta, não sou mais aquela pessoa de outrora que espera. A gente dá 'unfollow' em pessoas da vida real e da virtual. No meu caso, é o mesmo ser vivendo nas duas. E o mesmo ser separando o joio do trigo. Porque viver é crescer, aprender, amadurecer, cair e levantar. Quantas vezes sejam necessárias!

domingo, 28 de julho de 2013

Sobre Severina

Severina se foi.
Todos choraram.
Lamentaram terrivelmente sua precoce partida.
E a família de Severina se dilacerou.

Uma semana sem Severina.
Todos os amigos estão na balada.
Ainda se comenta do fim trágico de Severina.
E a família de Severina sofre em casa.

Um mês e já não se ouve falar de Severina.
Ela partiu.
Não está mais aqui.
A vida segue igual.
Menos para a família de Severina.

João Cabral de Melo Neto já havia escrito sobre ela.
E a leitura é atemporal.
Todos os dias, partem Severinas.
Em todas as partidas, tudo é igual.

Óh! Severina! Descanse!
Vá em paz. Em rima, verso e prosa, descanse!
E a quem você realmente importou, a eterna dor da saudade!
 
p.s.: dedico este texto a todas as famílias que têm perdido suas Severinas,
e sentindo-se desamparadas pela vida, incrédulas com o descaso humano. Ou o acaso desumano!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sobre a chegada dos humanoides ao Planeta Terra

Ontem, uma amiga blogueira abordou este assunto, e me inspirou a contar o que acontece do lado de cá.
Meninos são naturalmente mais lentos que as meninas, prolongam a infância geralmente até os noventa e nove anos, e são mais ingênuos.

Quando minha filha pequena, devido ao pãozinho em forma de pé, que ela ganhou um par do Papai do Céu, sempre disse que eu fui à padaria, gostei daqueles pãezinhos e comprei. Comi e ela nasceu. Fiquei grávida do caçula quando ela tinha cinco anos, mas nunca houve pergunta da parte dela, logo, não há porque dar respostas quando não se há dúvidas.

Aos dez anos, decidi que era hora, que ela poderia menstruar a qualquer momento e comprei o livro DE ONDE VIEMOS? para ela. Fiquei ansiosa, aguardando sua volta da escola. Ela, feliz, abriu o pacote e veio toda frustrada: “mamãe, este livro eu li na escola no primeiro ano”. Faltou a música de fundo: fuén fuén fuén fuén...

Agora tenho um menino de sete. Não muito tempo atrás, narrei parte da história no Facebook.  Estávamos no Pão de Açúcar, e enquanto passo as compras do carrinho, ele grita em alto e bom som: “mamãe, o que são estes pacotinhos coloridos que dão muito prazer?”. Dei uma olhada para saber do que se trata. E eram PRESERVATIVOS. Como abordar o tema com a criança enquanto passava uma compra? Disse que em casa conversaríamos.

O assunto morreu, e só na hora de dormir, ele se lembrou e me questionou. Disse que estava tarde, e no dia seguinte falaríamos do assunto. Ao se despedir para ir à escola, no dia seguinte, ele cochichou no meu ouvido: “mamãe, quando eu voltar você precisa me contar o que é aquela coisa colorida que dá muito prazer”.

PAUSA: meu filho é um menino com inteligência acima da média. Não sou eu, mãe, que estou dizendo. Todas as professoras com as quais ele passou, sempre me chamaram de canto para dizer isto, não querendo, jamais, causar problemas com outras mães, já que todas pensam que seus rebentos são geniais. Há dois anos, a escola me convida a adiantá-lo de série, pois ele está a frente dos amigos, e as professoras têm dificuldades em lidar com isto, e eu insisto que ele tenha a infância prolongada, já que num futuro não muito distante, ele será tão cobrado na vida. Contudo, ainda é MUITO CRIANÇÃO. Ele faz som de pássaros e quando o pai chega perto, ele diz que o pássaro fugiu. Esconde-se por detrás de cortinas e almofadas, e a gente finge que não o acha. Papai Noel, Coelho da Páscoa? Figuras reais na vida dele, e mesmo que os amigos mais espertos digam o contrário, ele diz que os amigos são bobos. DESPAUSA.

Naquele dia, ao chegar da escola, sentou ao meu lado e pediu explicação. Já tinha discutido o assunto com algumas pessoas e pensado na melhor abordagem, e fui orientada: ele ainda não precisa saber da complexidade que é o ato sexual, porque é muito curioso. Assim, disse que aqueles negócios coloridos eram capinhas plásticas que homens grandes colocavam no pipi. Só. Ele quis saber o motivo e expliquei: “às vezes, você não deixa escapar xixi na cueca? Então, serve para ficar o liquidinho que vaza”. E a pergunta fatídica: “e o prazer, o que é?”. Filho, o prazer é a sensação gostosa de ficar sequinho – e o assunto, por parte dele, morreu por ali.

Do mesmo jeito que a irmã foi comprada na padaria, ele foi comprado no açougue. Escolhi a carne mais linda que tinha, comi, a cegonha jogou lá do céu uma sementinha na minha barriga, que cresceu e ele nasceu.
Minha curica teve bebê há alguns meses e trouxe o rebento para conhecermos. Fiquei apaixonada, abracei-o e lamentei que já tivéssemos enviado uma carta pra dona cegonha, e na nossa casa não haveria mais bebês. Sabiamente,  ele respondeu na lata: “mamãe, eu não acredito mais em cegonha, já sei a verdade!”. Curica saiu de perto pra rir e eu fiquei com a bomba. “Filho, então como é que as crianças chegam na barriga das mamães?”.

- Da carne, ué? Vai no açougue e compra.


Conclui que, definitivamente, a infância dele ainda precisa ser prolongada. Até que a verdade precise ser revelada. E sinto que, neste dia, será o fim da vida sexual dos Hummel, pois não imagino outra cena: ele sentadinho na porta do quarto esperando para ver se papai e mamãe vão fazer bebês!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Sobre o exercício da paciência, o amor e o tempo


O mundo precisa de tempo. As pessoas precisam de tempo. Porque no momento em que as pessoas entenderem que o tempo é uma arma letal, darão tempo à vida!

Levantei cedo e fui pagar meus pecados na CEF. Quando cheguei à agência, 9h50, os portões do estacionamento ainda estavam fechados. O guarda estava dormindo e perdeu a hora.

Enquanto aguardava, parei o carro em uma farmácia, com o pisca alerta ligado. Meu filho disse: "mamãe, estaciona aqui e vamos logo!". Expliquei para ele que não era o correto, pois não íamos à farmácia comprar nada. Ele argumentou,,dizendomque tinham muitas vagas, mas fui firme. Os portões do banco se abriram e eu estacionei no lugar onde deveria.

Entrei na agência e fui logo colocando as chaves "na casinha" do portão bloqueador. Um senhor, que aguardava com a Smurfete (aquelas mocinhas de azul que "coordenam" a entrada na agência), gritou comigo: "ei, mocinha, fila!". Respirei e com toda a minha educação, expliquei ao senhor que só estava indo deixar um documento com a gerente e não precisava de fila. Ele retrucou, disse que a semana passada eu já tinha estado com a gerente e demorei muito, e me mandou pro fim da fila. Ainda educadamente, perguntei à Smurfete se era necessária a minha entrada na fila e ela disse que não.

O senhor então começou a retrucar com todos os outros senhores que engrossavam o cordão dos idosos da CEF. Sem a porta giratória liberada e ouvindo blablabla, expliquei ao senhor que respeito pessoas, filas e estava com uma criança sendo educada para ter bons modos e princípios. De repente, um dos velhinhos vira e fala: "eu não me estresso, ligo pro meu primo que é da Rota e mando vir uma viatura!". 

Respirei, meditei, contei até dez para não dizer para o senhor: "escuta aqui, eu sou sobrinha do Conte Lopes e baixo aqui a Rota inteira agora, seu velho loko!".

Mas energia ruim, atrai energia ruim. O banco abriu, subi, deixei o documento com a gerente, e quando já estava no andar térreo do banco, cruzo com o senhor número 1 adentrando a agência.

Ainda pensei em falar pra ele: VIU? Mas desisti.

Sai da CEF e como dia de pagar os pecados, a gente paga todos, fui em direção ao shopping, tentar cancelar uma linha de celular. Depois de três tentativas "sem sistema", hoje me avisam que o cancelamento não pode ser feito em franquias. 

ANATEL, como assim? Onde eu compro não posso devolver? Que mundo é este?

Sai ainda tentando manter a paciência, mesmo depois de ter entrado no shopping às 10h20 e o estacionamento estar lotado, mas o shopping vazio (HEI, LOJISTAS, ENQUANTO VOCÊS ESTACIONAM SEUS CARROS NO SHOPPING, O CLIENTE MUDA DE SHOPPING).

Voltando pra casa, paro no farol. Sou uma pessoa super atenta ao farol, e o bendito mal ficou verde, o cara de trás buzinou. PORRA, tá com pressa, sai mais cedo de casa.

Cheguei em casa refletindo o quanto o mundo está desprovido de gentileza, amor, bondade, e como até o senhor aposentado está sem tempo. Por quê?

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sobre o segredo do meu cheiro

Peteleco acordou hoje, pulou para a minha cama e começou a beijar-me. De repente, a pergunta: "mamãe, por que toda hora você está cheirosa?".

Tenho um amiga que vive dizendo que eu sou cheirosa. Mesmo que ela me encontre na saída da academia (que eu não faço), ou terminando aquela limpeza pesada da casa.
 
Marido Toruboi dizer que eu sou cheirosa é quase que um golpe sexual. Bibizoca me abraça e diz: "que delícia de cheiro".
 
Entretanto, na última sexta, quando recebi a amiga Bel em casa, depois de ter levado Peteleco à colônia de férias, depois de ter ido DUAS VEZES ao mercado, de fazer almoço, sobremesa, ganho um abraço e a frase: "hummm, como você é cheirosa!".
 
Bibizoca me perguntou por que estou sempre cheirosa. Não sabendo responder, fui buscar a resposta.
 
Sabe alguém que tem preguiça máxima de tomar banho? Eu. O que não significa que eu não o tomo. Tomo banho diariamente, e devido à problemas dermatológicos, lavo a cabeça a cada cinco ou seis dias. E não, ela não fica fedida. Meus banhos são os mais rápidos do planeta. Só perco para os gatos que se lavam com uma lambidinha.
 
Entro no chuveiro, uso um sabonete da Natura que é esfoliante também. Enquanto molho o corpo, depilo as axilas. Básico. Passo o sabonete no corpo e a água do chuveiro vai tirando o sabão de cima. Acabei. Nos dias de lavar os cabelos, duas passadas de um shampoo sem marca e condicionador do mesmo fabricante.
 
Saio do banho molhada. ODEIO toalha de banho. Neste corpo molhado, passo um desodorante marca mais em conta do mercado (aerosol). Depois vem o hidratante. Banho sem ele é como almoçar em um prato sem comida. Uso Victoria Secret, um frasco a cada SEIS MESES. Nas mãos, sempre usei hidratantes da Natura. Não vivia sem. Até que uma amiga me deu de presente de aniversário um kit da Granado e vem um creme MARAVILHOSO. Ele serve para mãos e pés. Retiro um pouco com as mãos, coloco nos pés e esfrego os pés com os próprios. Depois, uma meia por cima pra amaciar. O resto do creme que ficou nas mãos, esfrego e pronto. Ela me deu em junho o pote e ainda tenho metade.
 
No final de todo este ritual, que deve durar cinco minutos, coloco três gotinhas de perfume. Uma na nuca, uma na cabeça e outra na barriga.
 
Qual o nome do perfume? No.5 by Chanel. Estou pronta e cheirosa para muitos elogios!
 
p.s.: este texto não é um publieditorial. Mas se a Granado, a Victoria Secret, a Chanel ou a Natura quiserem me mandar produtos, serão bem vindo!

sábado, 20 de julho de 2013

Sobre a amizade

Hoje é o dia do amigo.

Com a facilidade da vida virtual que a rede nos proporciona hoje, é muito comum chamar ao outro de amigo. Mas o que é ser amigo?
Muitas vezes já a citei neste blog. Dra Maria Helena Valente é a pediatra alopata dos meus filhos. Está na família há muitos anos, e durante alguns foi meu alicerce para as horas de crise, já que sou mãe de duas crianças alérgicas, tive um bebê chiador, já operei minha filha por conta destas alergias, e assim, criamos um vínculo. Um dia, Dra Maria Helena aconselhando minha filha, disse a ela: "e quando você chegar a minha idade* e conseguir ter uma mão cheia de amigos, você será uma vitoriosa!";
Naquele momento, achei que seus *aparentemente cinquenta ou pouco mais anos, fizeram dela uma pessoa amarga. Com o passar do tempo e analisando minha vida, percebi o quão sábia foram aquelas palavras.
Ao longo da vida, chamei diversas pessoas de amigo. E sei que o foram. Sempre acreditei na amizade eterna, mas descobri que nem a vida é eterna. Achava que amigos eram pessoas grudadinhas, que se viam ao menos uma vez por semana e estavam sempre prontos para nos ouvir. Confundi tudo. Eu sou esta amiga, mas as pessoas não podem ser a amiga que sou.
Com trinta e nove anos de vida, citaria inúmeros casos de grandes amizades. Mas as decepções fariam com que tanta história bonita caisse por terra abaixo. Logo, prefiro acreditar que a amizade passa. Sem deixar de acreditar nela.
Sou amiga incondicional. Daquela que acorda na madrugada pra socorrer uma amiga que brigou com um "peguete. Daquela que larga a casa e os filhos para secar as lágrimas de uma amiga que chora. Daquela que passa por cima dos valores éticos e morais que me permeiam, para ajudar uma amiga em apuros. Daquela cujas portas de casa são abertas vinte e quatro horas por dia para acolher um amigo. Daquela que houve sem cansar, e pensa como dar a resposta certa que o amigo está precisando. Daquela sincera, que não tem medo de magoar para dizer a verdade, e que, nesta hora, perde o amigo.
Mesmo ante as incontáveis traições que sofri, perdas e abandonos de amigos, não deixei de acreditar na amizade. Claro que hoje a couraça está mais dura, é mais difícil entrar na minha vida, e mais fácil sair.
O ser humano é gregário e precisa viver em sociedade. Muitas vezes, sou o indivíduo hermitão, que precisa da solidão. Entretanto, preciso de amigos. Preciso conversar, ouvir, trocar, conhecer. É o meu ser gregário que fala mais alto.
Em tempos nos quais ninguém tem tempo pra ninguém, quando muitas pessoas só lembram da gente quando precisam, pois vivem correndo e priorizando outras coisas, eu continuo aqui, sendo amiga, estando sempre em "stand-by".
E se pudesse agradecer a alguém no dia de hoje, agradeceria o inventor da internet, que me proporciona amizades virtuais que são mais reais do que o próprio respirar. Que me permite rir, passar o tempo, interagir, conhecer, analisar, conversar e, muitas vezes, trazer para a vida real.
Sempre, desde pequena, tive maior afinidade com amigos homens. Eles têm menos "mimimi", são diretos e honestos com suas amigas mulheres. Ensinam que homem não gosta de silicone, prefere um peito "murchinho e pequeno", a brincar com bola de plástico dentro do corpo. Foi assim que meus amigos homens me convenceram a não colocar silicone para ajustar os seios. Foram eles que sempre me protegeram dos "canalhas" que a vida colocava em meu caminho. Também adoro amigos homossexuais. Não existe sinceridade maior. Queria um dia ainda ter a oportunidade de estudar e entender isto que, para mim, é um fenômeno. Quem sabe? Contudo, são com as amigas mulheres que falamos de tudo: mal dos maridos, trocamos ideias sobre sexo (e se os homens soubessem o que as mulheres dizem....); são com as amigas mulheres que dou infinitas risadas, porque mulheres são de Vênus, e gente do mesmo planeta se entende melhor.
Se eu pudesse, só teria juntado amigos na vida. Só que ela, a vida, toma rumos diferentes em todos os momentos. O ser humano é mutável, e o que é bom hoje, pode não ser bom amanhã. Talvez, por isto, as amizades acabem. E isto me frustra. Já me fez chorar. Hoje não, já consigo entender esta mutação. Sofro menos, mas ainda choro muito.
Meu coração é aberto, sempre, para receber novos amigos. Gosto de gente sincera, inteligente, sagaz. Faço amigos com facilidade, pois sou transparente e falo com o coração. Nem sempre, porém, pessoas estão abertas a lidar com alguém transparente como eu, e as amizades se vão.
Há alguns anos, a vida me deu um grande amigo: meu marido. É ele quem toma o maior cuidado para me dizer as coisas, com medo de me machucar. Pois é ele que sabe o tamanho da minha sensibilidade. É ele que me acolhe em qualquer momento da vida, me dando colo, amor, carinho, e o mais importante, me dando muitas vezes o silêncio que preciso para entender algumas dores da vida.
Aos amigos que passaram, aos que estão, e aos que chegarão em minha vida: que o dia do amigo seja diário, com doação e amor, com transparência e verdade. Feliz dia do Amigo!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Sobre a vida

E quando passamos a vida imaginando como é o amor de mãe. Ganhar um abraço espontâneo e um beijo com amor. E você vira mãe e se torna incapaz de ganhar um beijo de uma filha...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sobre o Trastorno de Ansiedade Generalizado

Sempre fui uma criança ansiosa. Acredito que, se na minha infância, houvesse os recursos que há hoje eu seria facilmente diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção.
Nunca tive problemas pedagógicos ou educacionais com a escola. Mas cresci no banco da diretoria. Enquanto um professor explicava, meu raciocínio já estava além da explicação. Assim, virava-me para conversar com qualquer amigo, atrapalhando a atenção daqueles que, diferente de mim, não pescava tudo no ar.
A Diretora da escola chegou a sugerir uma escola particular, mas não tínhamos em casa sequer condições de levar lanche - por isto, talvez, o sabor da merenda escolar seja presente na memória palativa - quem dirá pagar uma escola?
Eu atrapalhava a aula. O professor me mandava pro banco da diretoria e me anotava no caderninho negro. No dia da reunião de pais, minha única saída era rezar para que minha mãe fosse atropelada pelo ônibus ao atravessar a rua - pois morávamos em frente a escola. Como isto nunca aconteceu, apanhei após todas as reuniões escolares, para aprender a calar a boca e ficar quieta na aula. Não aprendi. E minha mãe está viva.
Comecei a trabalhar muito cedo. Aos 14, em uma imobiliária. Depois trabalhei com telemarketing ativo, agendando reuniões para a venda de videotextos (se você tem menos de quarenta anos, coloca aí no Google). Atingia tão rápido minha cota diária de agendamentos, que foram incontáveis as vezes as quais ia embora na hora do almoço - mas o serviço era de tempo integral. Minha assertividade era grande, pois agendava empresas que, geralmente, compravam o serviço. Logo, minhas comissões eram bem gordas.
Aos 15, fui trabalhar no Instituto Brasileiro de Fosfato, um temporário de um mês que durou dois anos. Minha tia era Diretora do IBRAFOS e devido à minha rapidez para aprender e executar tarefas, convocou um reunião com a diretoria para aprovar minha contratação - já que não poderiam trabalhar parentes - e aprovação foi unânime.
Assim seguiu minha vida: sucesso profissional cedo, notas altas sempre e uma competição comigo mesma para ser sempre a melhor. Minha casa era impecavelmente limpa e quatro era o número de horas que eu dormia e me sentia bem.
Sempre viajei muito, seja a trabalho ou a turismo. Malas? Arrumadas, geralmente, um mês antes da viagem de passeio. Cabelos lavados diariamente, pela manhã e pela noite. Sempre pensava que no próximo período, poderia não haver luz ou água, então me adiantava. Agora perguntem se alguma vez morei em lugares que faltavam luz ou água assim? NUNCA!
Uma coisa é uma pessoa ansiosa. Outra, é alguém diagnosticado com Transtorno de Ansiedade Generalizado, o que aconteceu comigo há quase dois anos. A maior característica desta síndrome é o excesso "desnecessário" de preocupação, principalmente com o que está por vir. Tomo remédios, percebo claramente a melhora, mas a patologia ainda está em mim.
Sou a primeira a chegar a qualquer evento. Sempre. Não suporto gente que atrase em compromissos. SEMPRE (se bem que, neste caso, tem muito mais a ver respeito ao próximo, que com a TAG). Mas venho evoluindo.
Nesta viagem de férias, fiz as malas na noite que antecedeu nossa partida. Já consigo passar cinco dias sem lavar a cabeça e com isto, diminui drasticamente o problema grave de oleosidade que tinha no couro cabeludo, tendo assim, cabelos mais saudáveis. Não me preocupo no domingo com o que comeremos durante toda a semana. E se não estou afim, não faço comida. Lanche de escola para as crianças? Não estoco mais. E se falta um suco na hora de montar a lancheira, sempre há dinheiro na carteira para resolver a situação.
Durante as manifestações recentes que aconteceram no país, tive uma grave crise de pânico em casa. E mais uma vez, consegui sair dela sozinha, sem intercorrências. Tomei um comprimido sublingual de Rivotril, cuja dose é mínima (0,25mg) e respirei, me acalmei. Meu terapeuta considerou isto um grande avanço. E eu também. Já consigo conviver na casa bagunçada e esperar o dia da faxina para limpá-la. Ainda bem que em meio a isto tudo, hoje não tenho nenhum tipo de TOC.
O interessante foi saber que a Síndrome do Pânico é considerada uma "perna" do TAG. Não existe a síndrome, sem existir o transtorno. A crise de pânico acontece no momento em que o nível de ansiedade do indivíduo sai do controle, e o medo excessivo toma conta do ser.
Melhorei muito, meus remédios têm diminuído de dosagem e espero, muito em breve, poder dormir sem eles. Minha cabeça, que pensava em vários assuntos ao mesmo tempo, já é capaz de desligar. Ainda não sei se obra minha ou dos remédios. Uso placa de silicone, "a priori" apenas para dormir, "a posteriori", durante o dia, quando percebo que estou tencionando os dentes. Foi assim que já quebrei alguns, logo, a placa é imprescindível para mim.
O interessante foi esta noite. Por motivo não relevante, estava tensa e assim fui dormir. Tenho lutado diariamente para me livrar dos remédios e da placa, logo, do TAG. Meu inconsciente, trabalhando durante a noite, fez com que eu arrancasse a placa da boca DORMINDO. E se eu não encontra-la, como dormirei hoje? Com as placas reservas que tenho, por medo de perder alguma.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Sobre como ser mãe em tempos de cólera

Sobre como ser mãe em tempos de cólera

Um dia, conversando com uma pessoa muito querida, que por pura coincidência deste pequeno mundo ovo em que vivemos - é prima do meu terapeuta - ouvi seu desabafo sobre sua criança: "não sei o que acontece, ninguém a convida para ir em suas casas, e eu sempre convido para a minha!". Ouvi aquele desabafo com dor no coração!

Não é surpresa para ninguém que o ser humano tem um cérebro,sub-utilizado. Para que ele aumente sua capacidade de raciocínio, é preciso desenvolvê-lo, e de que forma? Pensando.

É isto que a terapia faz com o indivíduo. Leva-o a pensar e a desenvolver a mente brilhante que existe em cada um de nós.

Eis que chega mais um período de férias. E eis que faço mais do mesmo: chamo os amigos do meu filho para virem em nossa casa. Semana passada, contudo, deu-me um estalo: meu filho também não é convidado a ir em casa dos amigos, salvo poucas excessões, mas tão poucas que posso contar no dedo, que o convite é em retribuição ao meu, que veio primeiro.

PAUSA: tenho uma ex-vizinha, pessoa querida e de um coração gigante. Ela é a excessão desta história. Nossos filhos têm seis meses de diferença. Ela é aquela mãe que ama a casa lotada de crianças; quanto mais, melhor. Contudo, nossos filhos, apesar de pela segunda vez estudarem na mesma escola e nunca terem caído na mesma sala, não têm muito contato. Pergunto sempre ao meu filho: "você brinca com o Ricardinho na escola?". E ele diz que nunca vê o amigo na escola, como se fossem dois mundos. DESPAUSA.

Cansada da situação, e depois de muito pensar, cheguei a um denominador comum ao da minha amiga lá de cima: meu filho também não é chamado para a casa dos amigos. E restavam duas semanas de férias.

Semana passada, chamei o filho de uma pessoa quegosto muito, que têm três filhos e trabalha, para vir em casa. E ela me respondeu que o filho estava na colônia de férias-dia do clube o qual somos sócios. Apesar de ficar a apenas cinco quilômetros e casa, são aqueles cinco que jamais serão feitos em menos de uma hora. 

Foi quando domingo a noite, me veio o estalo: há um clube enorme há apenas meio quilômetro de casa. Eram quatro e meia da tarde e liguei para me informar. As inscrições terminavam dali meia hora. Saímos. Fizemos a inscrição da pobre e abandonada criancinha Hummel e voltei aliviada para casa.

A colônia funciona assim: levamos a criança as oito da madrugada. Lá ela é recebida por uma equipe gigante de profissionais, as faixas etárias são dividas de dois em dois anos. Eles tomam café, lanche da manhã, almoçam, tomam lanche da tarde e voltam, dezessete horas, mortinhos. É dar um banho, um amor, uma história e a criança vai até o dia seguinte.

Hoje, com o frio que faz ao pé da Serra, levantei-me, acordei meu pequeno com muito dó no coração e ele levantou, trocou-se, escovou os dentes e já estava com a mochila a postos, como bom escoteiro. Quando cheguei ao clube para deixá-lo, ele gritou: "mamãe, rápido, meu amigo Rafa chegou comigo!".

E em meio ao frio, voltei sorrindo pra casa, com a missão de dever cumprido.

O mundo anda com falta de amor, e uma criança é a forma mais plena de amor que existe na natureza. Mas em tempos de cólera, melhor buscar outras formas de amor, nos caminhos alternativos que a vida nos proporciona!

terça-feira, 16 de julho de 2013

Sobre geleias e cerejas

Apesar de ser um post cujo título remeta a comida, trata-se de um texto de memória afetiva.

Minha madrinha é uma pessoa muito importante na minha vida, e já disse isto aqui no blog (quem quiser achar o texto, leia os mil e cinquenta posts e me avisa quando achar). Assim, ela é presente nos meus quase quarenta anos de existência, já que sua presença se deu ainda na barriga da minha mãe.

Foi com ela que aprendi que francês é a língua mais linda do mundo, que ser uma executiva seria uma realização profissional (e foi), que devemos ser bons com os outros, desprendidos da matéria, enfim....são tantas coisas!

Contudo, talvez, minha Dinda não sabe de uma coisa.

Eu era pequena, nem sei dizer quantos anos tinha. Uma rede francesa de varejo desembarcava em terras canarinhas e eu, em férias na casa da Dinda, fui com ela lá na Chácara Flora, Marginal Pinheiros, fazer compras para casa. Nestas compras, vieram baguetes bem finas, e geleias de cereja.

Fui uma criança bem chatinha pra comer, era magrela, doente e vivia a base e Biotônico Fontoura, batido com ovo de pata e leite condensado, fora as latas de sustagem.

PAUSA: mães, aceitem seus filhos magros, pois a associação de magreza na infância, torna-se obesidade na vida adulta). DESPAUSA

Quando chegamos na casa da Dinda, comi aquelas rodelinhas de baguete com geleia e o sabor ficou na minha memória. Eu pedia muito a Deus para que um dia, houvesse um supermercado com aquela geleia francesa perto da minha casa, mas nunca fui atendida.

Ironia do destino, caso-me futuramente com um executivo desta rede francesa, e onde vamos parar? Na França.

Na França se come muita cereja. Aliás, todos os tipos de "berries" são usadas lá, mas a cereja tornou-se o amor do meu paladar. Anos e anos se passaram desde aquela geleia de infância, mas insistentemente, procurava o mesmo potinho, a mesma tampa, o mesmo sabor. Em vão!

Como o destino é definitivamente irônico, voltamos ao Brasil, marido mudou-se para outra empresa de varejo, cuja metade foi comprada por uma empresa....francesa. Assim, voltamos a ter acesso, na verdade muito mais acesso, às cerejas da vida!

Ontem estava com vontade de fazer um drink, e acho geleias ótimas opções para os meus. Eis que tinha ido ao mercado no dia anterior, e não trouxe nada de geleia. Corri até o Pão de Açúcar mais próximo de casa. E qual não foi minha surpresa ao chegar lá? Achei potes e mais potes de geleias francesas, sabor cereja! Comprei todas, vim para casa e só preciso sentir o cheiro delas, para voltar anos e anos da minha vida, naquele dia em que fui ao mercado com a minha Dinda.

Ah minhas memórias....como adoro revivê-las!

p.s.: este post não é um publieditorial!


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sobre educação: qual é o endereço da Lua?


Sou o tipo de pessoa que evita conflito. Odeio discussão, principalmente quando sei que as partes não chegarão a um denominador comum.

Há sete anos, compramos um apartamento em um condomínio clube, que era nosso sonho de consumo. Grande, arejado, varanda gourmet de quase 20m2, todos os tipos de conforto ali, sem sair de casa.

Mas sonhos podem virar pesadelos. Sou idealista, não destas partidárias. Meu ideal é por dias melhores e não adianta buscar grandes causas, se nem as pequenas foram resolvidas. Ali, me tornei conselheira, e logo mais, sub-síndica.

Após muita luta, enlouqueci. É impossível mudar algumas coisas, se todo mundo não estiver na mesma vibe. 250 famílias e quase que um sonho diferente para cada uma delas.

O dinheiro não substitui a educação e esta classe social emergente que surgiu nomBrasil nos últimos anos, é composta de muita gente boa, mas também da pior raça. A raça de pessoas que ganhou dinheiro e se esqueceu da educação. Que acredita que dinheiro derruba pessoas, resolve todos os problemas, e quem tem mais, pode mais.

Não! A vida não funciona assim. Respeito é obrigatório para se viver em harmonia. Mas onde mesmo que isto está escrito? Se não é lei, e não tem punição, não pega. Não aqui, em terras canarinhas.

Enquanto nossa ajudante doméstica está em licença maternidade, temos em casa nos ajudando a pessoa que foi líder da limpeza do condomínio no qual morávamos, com quase 11 mil metros de terreno. Por que ela saiu de empresa, e foi trabalhar em casa de família? Porque foi profundamente humilhada em praça pública por uma síndica que julgava ter o poder. E esta pessoa têm filhos pra educar. Já imaginaram os filhosmque ela deixará ao mundo?

Mudamos-nos e deixamos pra trás o sonho, alguns poucos amigos e a esperança de dias melhores, para eles e para nós.

Moramos hoje em um condomínio de apenas vinte casas. É um nível muito superior de classe econômica, visivelmente pessoas com mais dinheiro, uma vez que o imóvel custa o valor de dois apartamentos. Só que lembram? O dinheiro não traz educação e respeito?

Somos cinte casas, uma em espólio, uma a venda e uma casa de veraneio. Dezessete famílias moradoras. E uma laranja podre. Como sou figura premiada, a laranja podre fica pertinho de mim.

Lutarei incansavelmente até o fim dos meus dias. Mas meus filhos serão educados, com eles e com o mundo em que vivem. E esta educação inclui ensiná-los que eles não tem nada, que eu e o pai trabalhamos muito pra sair de onde saímos e que eles jamais terão coisas de mãos beijadas. Presentes são dados em dias específicos: aniversário e Natal. Excessão para os livros, que são livre demanda. Eles não usam roupas de grife da moda, ajudam nas tarefas de casa, tem horários e regras. E MUITO AMOR.

É isto que falta. Muitos pais estão trabalhando e se cansando. Para pagar a escola cara (e no fundo todas não prestam), para levar pra Disney, para encher de brinquedos. Só que nada substitui o amor. E estas crianças sofrerão graves consequências quando o futuro chegar, e estiverem despreparadas. Para o mundo e para amar.

Fui hoje levar meu filho para uma mini colônia de férias, até sexta próxima. E no caminho, um carro quase bateu em mim, oito da manhã. Ninguém respeita sequer a própria vida, e as estatísticas de mortes no trânsito aumentam.

Marido Toruboi acha que protejo muito as criancinhas Hummel. Protejo sim. Do meu jeito. Brigo, castigo, mas amo, e eles sabem que em mim encontram acolhimento, aconchego e amor. E não há caixa de brinquedos que mime e felicite mais uma criança, do que o amor de uma mãe, disponível todo o tempo em que eles precisarem.

Tenho uma amiga que concluiu o Mestrado ainda muito jovem, aos 24 anos. E uma, o Doutorado aos 27. Ambas seguiram carreira acadêmica. Ambas abandonaram as carreiras para serem mães, para darem irmão para o filho mais velho, no afã de que ele não seja mimado e aprenda a dividir.

Ando triste com o mundo. Com este Brasil de roubalheiras impunes, com as pessoas do dinheiro e sem valores éticos e morais, do descomprometimento dos indivíduos com este Universo que nos abriga, mas que cada um destroi como pode.

Amem seus filhos. Eduque. Ensine. Ame mais um pouco. Ensine-o a ajudar o próximo. Mostre-lhes que no mundo há pessoas com necessidades diferentes, mas que somos todos iguais. No fundo, cada um de nós é elo de uma corrente chamada VIDA, e esta corrente só se fechará, se todos os indivíduos tiverem consciência da importância de educar e de ser educado.

Hoje, entretanto, só queria o endereço da Lua. Pára tudo. Eu quero subir! 

domingo, 14 de julho de 2013

Sobre o chá de bebê da Júlia

Legenda: A Fofs - mamãe da Lorena, eu, mamãe dos Pandinhas, e a Pops, com a Juju na barriga

Foi pela mãe da Júlia, ou melhor, pelo casamento dos pais da Júlia, que perdi o show do Elton John, alguns anos atrás. Faria tudo de novo, pois foi emocionante ver o nascer daquela família, que agora será coroada com a chegada da Júlia, minha sobrinha torta e a quem já amo.

Como amar alguém que nem conhecemos? É assim: a gente conhece alguém, fica amiga, cria histórias, começa a amar e tudo que vem dela, a gente ama.

A mãe da Júlia chama-se Thaís (com H, como ela frisa sempre), é politicamente correta, toda certinha, e por isto nos identificamos. Ela é muito mais nova que eu, tem a idade do meu irmão caçula, logo, recebi-a como uma irmã caçula. Portanto, tenho direito de ser tia postiça da Juju. Ela casou-se com o Alê, que é um fofo, e formaram uma família fofa.

A Thaís foi minha vizinha de porta. Foi com ela que dividi parte dos melhores anos da minha vida: os anos da balada, da vida social intensa, dos barzinhos, da faculdade, das risadas infinitas, de ir na casa uma da outra de pijama, de assistir filme depois da faculdade. Foi com a mãe dela, que aprendi muito de como ser mãe, de como amar uma filha e também em quem me inspirei para maternar durante o crescimento dos meus filhos.

Ontem assisti a um filme lindo, o filme da minha vida. Estive de volta ao lugar no qual nasceu minha filha, no lugar onde passei anos muito felizes, relembrei cheiros, visões, sons e as mais diversas sensações. Revi pessoas queridas, abracei muito, fui abraçada. Conheci a minha sobrinha torta Lorena, que é uma princesinha, e cujos pais também fazem parte de toda esta minha história de vida, de alguma maneira.

Agora é aguardar o nascimento da Juju, que junto com a Lolo, serão candidatas em potencial para casar com meu Petelequinho, e eternizarmos estes laços. 

Uma coisa que digo e repito, sempre: sou uma pessoa que preciso tomar cuidado demais com aquilo que desejo, pois tudo se torna realidade!

E que venham lindas histórias de amor em nossas vidas!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Sobre dietas, regimes e tudo que emagrece

Há cerca de nove anos, comecei a tornar-me obesa. Foram inúmeros os fatores que fizeram-me atingir este estado físico, o que não vem ao caso agora.

A questão aqui é o que tenho feito nestes nove anos para sair deste estado. E o que tenho feito é regime. É dieta. É me drogar com anfetaminas, sibutraminas e todos os 'minas' que existiram no mercado. 

Podem colocar qualquer dieta aqui. Eu testei. A do pão branco, do preto, de Beverly Hills, Dukan, Dr. Atkins, dos Pontos, Vigilantes, Meta Real. Entrei na onda da chia, de todos os farelos que surgiram, da ração humana. Testei TUDO. E o máximo que perdi foram 15 quilos. Perdi pra sempre, daqueles os quais não voltaram mais.

Nutricionista? Tive atendimento em domicílio por um ano, semanalmente. Sei o que comer. Sei o que faz mal. A nutri desistiu de mim como paciente. Decidiu ser só amiga.

Então, como foram os meus últimos 3.285 dias? Foram todos iguais. Eu acordava e começava uma dieta. Banca de jornal? Sou sócia. Toda e qualquer revista que fala de dieta, passou por mim. E eu, claro, testei todas. Assim, tive dietas para todos os dias, e quando elas não davam certo, voltava a estaca zero e recomeçava alguma que tinha me feito perder alguns gramas a mais, me deixando menos infeliz. Sim, pois pessoas que comem muito, comem buscando algo, e geralmente, é a felicidade.

Desde setembro de 2011, faço tratamento com uma médica ortomolecular, e não há o que ela não tenha feito por mim para me ajudar. Pegou no colo, deu biskrok, alisou os pelos. E eu na mesma. Fiz um pacto com ela: eu não desistiria do tratamento, enquanto ela não desistisse de mim. Assim, faço tudo o que ela me manda. O problema é sempre o 'mas'. Faço tudo certo, mas....faço várias coisas erradas ao mesmo tempo. Assim, a gordura me acompanha.

Em fevereiro deste ano, minha médica disse que já tinha tirado todas as cartas da manga. Remédios, injeções, fórmulas e nada resolvia. O problema era outro: a cabeça. Deste modo, ela foi a única pessoa nestes nove anos que conseguiu me mandar a um terapeuta. 

Faz anos que marido Toruboi insiste na terapia. Tenho uma tia, psicóloga, que diz que preciso de terapia. E eu resistindo. Contudo, a médica faz tudo por mim, não podia dizer não para ela. Fui para a terapia, após ouvir que uma amiga muito querida tinha curado várias coisas com a terapia. Foi dela o empurrão, a derradeira.

O que descobri neste curto tempo de tratamento? Tantas coisas....que nem Freud entenderia. Descobri, contudo, que minha infelicidade não é a gordura, mas sim, o excesso de regime, o peso psicológico que carrego. Foi assim que há três semanas, após uma hora no terapeuta e mais três no consultório da minha médica, que decidi: NÃO FAREI MAIS REGIME.

Saí da clínica leve e feliz. Em casa, chorei muito. Limpei minha alma. Chorei por tirar aquele peso enorme que carregava por ter que emagrecer.

O que aconteceu nestas três semanas? Emagreci. Viajando, hospedadas em hotéis lotados de comidas maravilhosas, indo à restaurantes bons, comendo porcarias pelos quase 3 mil quilômetros que viajamos. E eu emagreci.

Não estou mais preocupada com o que comer, porque não faço mais regime, logo, a comida deixou de ser o objeto do meu pensamento durante todo o momento que estou acordada. O interessante é que tenho até dormido menos do que estava acostumada, e tenho me sentido bem. Por quê? Porque dormia para não ter fome.

Moral da história: se você está há anos da sua vida sem viver, como passei os meus últimos, repense sua vida. Quem sabe a gordura não está mais na cabeça do que no corpo?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sobre o Facebook

Hoje tinha em mente um tema totalmente diferente para postar, mas as circunstâncias nas últimas 24 horas fizeram-me "mudar de assunto". 

Todos os dias, quando acordo, dou uma olhadinha no Face para ver os últimos acontecimentos. É vício, mania, chame do que quiser. É minha rotina.

Tenho novecentos contatos na minha rede. São muitos? Sim, claro. Eu interajo com todos? Claro que não. Então por que mantenho tanta gente assim? 

Por muitas vezes me fiz esta pergunta. Cheguei aos novecentos contatos ao acaso. Reencontrando amigos de escola (foram anos entre ensino Fundamental e Médio e mais quatro faculdades), pessoas que trabalharam comigo em catorze anos de profissão, amigos que a vida trouxe através de outros amigos. E os amigos que fui fazendo virtualmente.

Posso chamar a todos de amigos? SIM. 

Meu conceito de amizade vem mudando muito com a maturidade. Amigo não é aquele que está ali ao seu lado todos os dias, mas aquele que está na hora e no momento em que você precisa.

Quantas coisas já precisei e encontrei no Face? Colo, afeto, médico, dentista de plantão, gente pra ajudar alguém que precisasse.

Quando abri minha timeline pela manhã, vi que a Facefriend Rogéria, que mora lá no RJ, estava fazendo uma limpeza com quem ela não interagia. Na hora pensei: "puxa, acho que vou fazer o mesmo". E fui olhar meus novecentos contatos. Não encontrei ninguém que eu quisesse excluir. Ao rever todos os meus contatos, percebi que cada um deles, inclusive as pessoas as quais não conheço pessoalmente, têm um papel especial na minha vida. E não são apenas pessoas que eu peço ajuda e me socorrem imediatamente. São pessoas as quais também posso ajudar.

Agora a tarde, vejo a notícia de uma pessoa que está com o filho entre a vida e a morte. A notícia veio de longe, mas esta pessoa está aqui, no hospital ao lado da minha casa. E pode precisar da minha ajuda, logo, me disponibilizei e fiquei de prontidão.

Há muita gente chata na internet. Entretanto, eu posso mudar as pessoas? Eu sei que muita gente me acha uma Facechata. Posto muitas coisas, compartilho outras tantas e tem gente que não tem saco. Tira do feed de notícias. Mas não exclua.

Pessoas são importantes nas nossas vidas, em qualquer momento. Em questão de poucos segundos, muitos problemas podem ser solucionados através de um pedido de socorro. É assim que eu enxergo esta rede social.

Continuarei aceitando novos amigos, amando reencontrar os antigos, mas principalmente estar disponível, dando e recebendo, como faz a lei do Universo!

À minha Facefriend Rogéria, obrigada pela reflexão do dia! E ainda estou entre seus amigos!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Sobre: as férias do inverno de 2013

Não sei se ocorre com outras pessoas, mas a mim, me parece que o único lugar existente no mundo para passar férias é na Disney. Quero antes de mais nada deixar claro de que isto não é uma crítica, apenas uma constatação.

Meus filhos, muito provável que devido à criação que lhes damos, não têm a menor vontade de ir à Disney, passar dias acordando cedo, dormindo tarde e em filas e filas de parques. Na verdade, em casa ninguém tem este saco. Viagem para nós tem que ter programas de meio dia, para que o restante possamos aproveitar um bom hotel ou resort.

Notamos que as pessoas esqueceram-se de que há turismo no Brasil, além do Nordeste. Temos um país lindo, cheio de riquezas que estão sendo esquecidas por seus filhos. Foi baseando-se nestas observações, que decidimos algumas coisas com as crianças: faremos um tour pelo Brasil, começando por Estados os quais possamos viajar de carro, e depois de avião.

Há algum tempo já que o filhote Hummel quer conhecer a Argentina. Não estava nos nossos planos nenhuma viagem internacional, mas como optamos por começar nosso turismo nacional pelo estado do Paraná, decidimos que faríamos os países da tríplice fronteira: Argentina e Paraguai.

A viagem foi sensacional. Programamo-nos antecipadamente. Marido comprou um carro novo, que atrasou três meses para a entrega, mas chegou dois dias antes de viajarmos. Porta-malas lotado, roupas de inverno, lá fomos nós. Saímos de São Paulo rumo à Londrina, onde dormimos no primeiro dia, e de lá para Foz-Argentina. Hospedamo-nos em um resort novo, que tem apenas três anos, fica na fronteira dos dois países e está ainda em fase de construção. Nossa primeira opção era o Bourbon Cataratas, mas não nos arrependemos de arriscar em um hotel desconhecido, pela mesma tarifa. Foi, sem dúvida, o melhor resort que já nos hospedamos.

Marido Toruboi é Engenheiro Agrônomo. Durante a viagem, foi ensinando às criancinhas Hummel sobre todas as culturas agrícolas de todo o Estado. Nosso destino final foi Curitiba, onde, além das belezas locais, tivemos o privilégio de rever amigos muito queridos.

Sem dúvida, foi a melhor viagem que já fizemos. Quando Bibizoca tinha cinco anos, levamos ela à Disney. Hoje, aos treze, sabe do que ela se lembra? N.A.D.A.

Durante a viagem, pudemos estudar "in natura" com as criancinhas Hummel: Geografia, História, Ciências. Os dois se encantaram com tudo e nós, satisfeitos por formar nossos filhos com valores menos capitalistas. 

Voltamos para casa felizes, e todos aguardando o próximo destino: Rio de Janeiro. Infelizmente, não faremos um tour pelo RJ como fizemos no Paraná. Conhecemos o Paraná de Norte a Sul, chegando até o litoral. No RJ, já levamos às crianças para Búzios, agora faremos a Capital, e com o tempo, faremos as cidades mais turísticas, como Angra, Cabo Frio, Parati. 

E você, já pensou em enfrentar mais de 2.500km de estrada com duas crianças e ver o quanto se pode aprender com elas, ao mesmo tempo que as ensinamos? Fica aqui o meu convite! 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sobre "A Viagem"


Desde março passado, venho recebendo mensagens do Universo. Não sei o que, contudo, elas querem dizer, pois todas têm vindo cifradas.

São óbitos atrás de óbitos. De todos os lados, de todas as formas, de todas as idades.

No mês de junho, foram sete.

Sr. Universo, quando meu paizinho foi embora, entendi que devemos dizer "eu te amo" e amar as pessoas como se não houvesse o amanhã, porque ele pode não vir.

Eu estudo, busco sabedoria e a única certeza da vida, é a morte. E por que é tão difícil lidar com ela? Por que dói tanto?

Sofro e deixo meu coração sangrando quando alguém se vai antes da hora. Mas se não temos hora, como assim "antes da hora"?

Em todos estes óbitos, a gente sofre. Mas quando velhinhos se vão, sabemos que o ritual de missões da vida foi cumprido. Porque na teoria, nascemos, crescemos, casamos, temos filhos, netos e só depois, morremos. Por que tantas vezes não funciona assim?

Fato é que tudo isto tem mexido comigo, porque sou humana, porque sou sempre emoção e nunca razão, e porque não eiste nada neste mundo que eu tema mais do que perder meu marido e meus filhos.

Este sentimento vem na contramão daquilo que acredito, que aqui é uma passagem para nossa evolução, e nós não sabemos a data, mas a passagem de volta vem carimbada. Como unir a teoria à prática? Não sei. E não conheço quem tenha respostas.

Domingo vi partir de forma estúpida, em um acidente de carro, um menino de dezenove anos, amado pela família e por onde passava. E esta "viagem" mexeu tanto comigo, que na terça-feira a tarde, comecei a passar mal, mas sem entender o porquê. Na quarta, marido Toruboi saiu pra passear com as criancinhas Hummel e eu fiquei dormindo no hotel. Ele chegou e fomos almoçar, mas eu passava muito mal, sem saber ou entender o que sentia. De repente, meu anjo protetor, a quem chamo de marido, lembrou que a médica me deu alta parcial em duas medicações. Deixou a meu critério tomá-las ou não e ele achou que eu deveria tomar. Como já estava há oito dias sem elas, tomei, mas sem associação.

Quando a medicação começou a fazer efeito, comecei a colocar pra fora aquela dor. Em forma de crise de pânico. Chorava muito, sem parar, abraçava o marido, tinha medo de voltarmos pra casa, de carro, de avião ou de qualquer outra forma.  Ele me ajudou na respiração, conversou comigo, tomei um derradeiro remédio, aquele só para as crises graves, e a noite eu ja respirava novamente, os batimentos cardíacos estabilizaram-se e o mundo voltara a girar normal.

Contudo, tenho pensado nas conversas que tenho com as amigas, nos perigos que o mundo nos traz a todo momento, e penso: será que o mundo acabará em pânico, ou chegará o momento onde tudo se normalizará?

Fico brava demais com os conselhos que todo mundo dá aos enlutados: força, você precisa ser forte. MEU DEUS, SER FORTE COMO? Onde é que se arruma forças para viver quando invertemos a ordem natural do ciclo da vida?

Acho a frase "seja forte" uma das coisas mais crueis a se dizer para alguém em luto.

Porque o luto precisa ser vivido, sofrido, chorado até o fim. E mesmo quem tem esta chance de viver todas as fases de um luto, não consegue esquecer jamais a falta do ser amado. A dor diminui com o tempo. Mas saudade é algo eterno, palavra que só existe na Língua Portuguesa e sem tradução para nenhum outro idioma. Muito menos, para a língua do coração, que só entende a voz do amor!