domingo, 12 de fevereiro de 2012

Quando a morte chega

Eu era muito pequena. Estava dentro de um táxi, saindo da casa da minha avó que morava em Santa Cecília para voltar para minha casa, na Avenida Rebouças. Meus irmãos ainda eram bebês. O rádio anunciou a morte da Elis. Ali foi a primeira vez que lidei com a morte.

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Muitos anos se passaram. A morte já havia se tornado "persona non grata" na minha vida. Já havia perdido pessoas muito queridas para o plano superior. E naquele dia, estava feliz. O ano era 2001, e faltava pouco para entrar no ano mais importante da minha vida. A energia era ótima, o astral magnífico. Mais de quarenta pessoas, cuja maioria não se conhecia, compartilhando dos últimos dias daquele ano num enorme sítio em Itapecirica da Serra. Dividimos toda a turma em equipes, para coordenar refeições e limpeza. Era hora da folga da minha equipe e brincávamos de karaokê na sala, quando alguém de outra equipe entra gritando: "liguem a televisão, rápido. A Cássia Eller morreu".

Naquele momento, a sala lotou. Não apenas de pessoas, mas também de silêncio. Ninguém se atreveu a perguntar a causa, o motivo, a circunstância. Foi-se embora uma das mais belas vozes da música brasileira.

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Já estamos em 2012 e ainda não esqueço do dia em que a Elis morreu. Não sai da minha mente todas as imagens que vi na televisão, e tudo que ouvi sobre sua partida. Foi triste chegar em casa ontem e saber que a única cantora que realmente gostei, que amei, que vivi intensamente suas músicas e as letras com mensagens fortes, únicas, verdadeiras, calou-se para sempre. Foi triste pensar nas circunstâncias destas três partidas, tal como de tantas outras que não me marcaram tanto, mas que partiram para o andar de cima de uma forma não natural.

Dentro de mim, apenas o silêncio e o questionamento: o que fazemos das nossas vidas?

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*Volto a escrever, esporadicamente ou diariamente, no Blog da Pandinha. É aqui que comecei a blogar de verdade, é aqui a minha casa, e quem não estiver satisfeito com a "decoração" deste meu espaço, faça-me um favor: vá às favas!