quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sobre reflexões

Sou alguém que adora refletir, pensar, questionar a si mesma. Alguns períodos da vida, contudo, questiono mais e mais. 

Passei um ano difícil. Esta semana, me liga meu tio mais velho e me perguntou qual foi a lição que tirei de tudo que passei. Na hora, não soube responder, mas a resposta veio nos meus questionamentos.

Aprendi a conhecer um pouco mais algumas pessoas. Aprendi quem era quem, e para que cada pessoa estava passando por minha vida. Aproveitei para fazer com que algumas passagens fossem mais rápidas.

Ontem recebi a visita da minha madrinha, que passou a tarde comigo. Minha madrinha é alguém que me entende. Que me aceita como sou, que não me julga, que não pede que eu mude, que não me condena, e compreende tudo, absolutamente tudo em mim: meus anseios, minhas angústias, minhas dores. Após algumas horas acordadas na madrugada, estendi mais ainda minha reflexão.

Para fechar o ciclo, veio o post da Thania hoje, falando sobre limpezas na vida, e concluí que é exatamente o que estou fazendo na minha vida: limpeza.

Na vida, não podemos colecionar pessoas, como colecionamos no Facebook. Na prática, precisamos participar, agir, estarmos presentes. E não é possível estar presente na vida de 600 pessoas. No máximo na de um porcento delas. Assim, continuo fazendo a limpeza.

O aniversário do meu filho se aproxima. Apesar de ter soltado um "save the date" para muita gente, decidi me fazer de tonta, igual vejo muitas pessoas fazerem. Decidi que na festa dele, só haverão amigos dele. Não convidarei pessoas por convidar. Meus pseudo-amigos problemáticos não estarão lá, simplesmente porque não estarão mais na minha vida.

Tenho alguns grandes defeitos, e um deles é falar demais, expôr demais, abrir demais, quando na verdade ninguém faz isto, só pessoas muito tontas como eu. Não preciso de quantidade. Estou afim agora só de qualidade.

A proximidade com os quarenta anos me faz entender que é preciso ser adulta, deixar a vida de adolescente de lado e seguir em frente. É assim que tem que ser, é assim que será.

Não permitirei mais palpites, não permitirei mais desculpas, não permitirei mais vazios.

Tenho meus problemas para cuidar, e eles serão prioridade para mim. Estarei pronta para ajudar meus amigos em segundo plano, mas só aqueles que não suguem minha energia. 

Eu voltei, com força total. Voltei pra ficar, renovada, inovada, vitaminada e poderosa. Quem quiser fazer parte, vai ter que aceitar minhas regras agora, e ter regras parecidas com as minhas. Afinal, o que é a vida além dos valores que vamos construindo ao longo dela?

Bye, bye, tristeza, inveja, olho gordo, urucubaca, energia ruim. Volta pro mar, oferenda, volta...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sobre o resultado do ENEM 2010

Foram tantas as mensagens que recebi cujo assunto é o ENEM 2010, que resolvi me manifestar publicamente.

Vivo na busca desenfreada pela escola ideal. E já que ela não existe, vivo buscando. 

A escola ideal não existe, não pelo meu excesso de criticidade. Simplesmente não existe, porque nada na vida pode ser ideal, pode ser perfeito. A escola pode ter um bom sistema de ensino e uma coordenadora pedagógica ruim. E um bom sistema, uma boa coordenadora, e uma péssima diretora. Mesmo tendo um bom sistema, uma boa coordenação e boa direção, ainda assim, a escola pode ter instalações ruins, e pior, o meio dela pode ser ruim. Pode ser recheada de pessoas pertencentes aos mais diversos mundos, seja social, seja financeiro, seja cultural, e nem sempre todos estes mundos nos agradam.

Falarei apenas das escolas particulares. Discutirei apenas o universo do qual infelizmente faço parte, pois preferiria ter meus filhos estudando em uma escola pública excelente. Esta, não existe mesmo. 

Fazendo a análise do resultado, temos fatos baseados na porcentagem de alunos que fizeram as provas. Apenas porcentagem. Que eu me lembre, apenas dois colégios particulares atingem cem por cento de alunos realizadores do exame. Logo, o ENEM não pode ser totalmente confiável.

A Zona Norte possui cinco escolas entre as cem primeiras colocadas. Cinco. Apenas cinco. Colégio Jardim São Paulo (duas unidades), Objetivo Cantareira, Colégio Imperatriz Leopoldina, Colégio Salesiano e Colégio Sion (Vila Maria). Vou então restringir mais ainda minha análise, e focar apenas na Zona Norte.

Contudo, não significa que as outras cinquenta e cinco escolas avaliadas na Zona Norte sejam ruim. Vejamos o porquê:

O ENEM é apenas um dos índices que mede a qualidade de ensino. O dia em que for obrigatório, teremos uma ideia real da qualidade do ensino médio, mas por enquanto, trabalhamos com amostras. Sejam grandes, sejam pequenas, mas não são totais. 

Uma escola tem como nota média 6,90. É a décima colocada. Outra, tem 6,70. É a 50a. colocada. A que tem a nota menor, teve 93% dos seus alunos realizando o exame. A com a nota maior, participou apenas com 50% dos seus alunos. Agora reflitam: estes décimos de diferença na nota, fazem a diferença no ensino, de forma macro? Estes décimos de diferença mostram qual escola é melhor ou pior, sendo que a abstinência de uma é de metade dos alunos?

Caros amigos que me escreveram, caros seguidores deste blog, caros leitores de passagem: a melhor escola para nossos filhos é aquela que o coração sente. O momento de mudar, é o momento em que o prazo de validade da escola acaba. Quando o número de problemas supera o número de satisfações.

No próximo ano, meu filho se mudará de colégio. Minha filha continuará no mesmo. Nunca imaginei que seria possível ter dois filhos em escolas diferentes. Neste momento, contudo, cada um em uma escola é um mal necessário para ambos. Ela não gosta de estudar, foi transferida ano passado de escola para uma mais fraca e ainda assim, consegue tirar várias notas vermelhas em um único bimestre. Ele, diferentemente dela, diz que adora estudar, que adora aprender. Como posso mantê-lo em uma escola com um ensino de menor qualidade? Não dá. Vamos tentar uma escola mais forte. E se não der certo, temos que ter a humildade de voltá-lo, ou de fazer outra tentativa.

A vida é assim, feita de tentativas. Infelizmente, nossos governantes ainda não se deram conta de que só através da educação é que mudaremos os rumos deste país. Ou, ao contrário, sabem sim da importância da educação, e o quanto a falta dela aliena o indivíduo. Indivíduo alienado não opina, não pensa, não critica, não briga. E não grita para tirar governante ladrão do poder.

Ou alguém leva muito a sério esta história de um exame que mede o nível de ensino, sem obrigatoriedade? Alguém já parou para pensar que muitas escolas incentivam apenas os alunos geniais a prestar este exame? Alguém?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Novidades na área

Para animar a vida (de quem é gordo  um bom gourmet), dá uma olhadinha:

http://receitasdapandinha.blogspot.com/

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Sobre olho gordo

Nunca acreditei nesta história de olho gordo, pois para mim, nada como boas gotas de colírio diet para curar este mal. Só comigo mesmo.

Vejo ao longo da vida, e já são trinta e sete anos dela, que as pessoas temem por aquilo que outras pessoas projetam nelas: energia negativa.

Sempre achei minha energia muito boa, e minha vida tão difícil e cheia de percalços, que só um trouxa ia ter inveja dela. 

Todo mundo olha para mim e acha que minha vida é perfeita: eu moro num castelo, com um príncipe encantado, tenho dois principezinhos perfeitos, com vários mucamos que me abanam o dia todo, enquanto eu fico deitada sob o mais lindo dossel, cravejado todinho de pedrinhas brilhantes.

Na realidade, a coisa é muito diferente. Pena que nem todo mundo tenha a coragem de calçar meus sapatos apertados, e percorrer todos os caminhos de pedras, buracos e barrancos que já percorri e ainda percorro.

Foi neste contexto que comecei 2011: uma vida normal, com problemas normais, nem maiores e nem piores que os de ninguém, já que cada um carrega sua cruz.

Fiz o tal planejamento que faço sempre e coloquei aqui neste blog. Não posso remeter ninguém ao texto, pois foi neste ano de 2011 que bloqueei quase mil textos deste blog (ele está chegando hoje aos 1100). Decidi bloquear meus textos depois de coisas que ouvi em dezembro, e que me fizeram refletir muito, muito e mais muito. Minha vida não é novela, então, quem não participa dela, perdeu o direito de me seguir. Deixei de escrever tanto e de me expor como antes.

Comecei o ano no consultório do dr. Tarcício, médico homeopata e profissional que escolhi para mudar minha vida. Minha vida emocional, minha ansiedade, e meu estado de obesidade que tanto me faz mal.

Após uma longa e demorada consulta, muitas lágrimas e caixas de lenços (PAUSA: se você nunca foi a um médico homeopata, e sente que precisa chorar muito, marque uma consulta imediatamente, porque chora-se litros na sala de um homeopata, mas que em qualquer sessão de terapia - DESPAUSA), o médico me deu um remédio para que eu tomasse UMA GOTA por SEIS DIAS. Isto mesmo. Com seis gotinhas, minha vida começaria a mudar. E mudou.

No terceiro dia, desencadeei uma alergia na pele absurda. Segundo a homeopatia, tudo que se acumula no pulmão, desova na pele. Vinda de um ciclo de três pneumonias seguidas, em um intervalo de dezoito meses, meu pulmão limpou tudo que podia e jogou para minha pele. Meus braços ficaram em estado de miséria. O colo do peito ficou horrível, tive sangramento e dor. No quarto dia, o médico suspendeu a medicação. No décimo quinto dia, pedi desesperadamente, via Facebook, um dermatologista. E foi aí que fui para o segundo calvário do ano.

Cheguei ao consultório da dra. Fátima e agradeci muito por ter a oportunidade de estar lá. Primeiro por ser a um quilômetro da minha casa. Nunca tinha ido a um médico a um quilômetro da minha casa, nem quando eu morava em Moema, reduto de muitos bons médicos. Segundo porque a médica era muito boa. Entrou com uma alta dosagem de corticóide e em três dias, a dor e o sangramento haviam cessado. Em quinze dias, já quase não tinha vestígio de nada. Fiz acompanhamento bissemanal, de modo que na quarta consulta, quase um mês e meio depois da primeira, a médica percebe que estou falando estranho e entortando o lado esquerdo da boca: princípio de AVC. Pressão arterial 20x14. Medicou-me imediatamente e queria chamar o SAMU. Recusei. Sai de lá para o consultório da cardiologista.

E assim começou minha terceira saga. A dra. Ana é uma médica excepcional. Pediu um check up completo para detectar lesões. Fui internada para exames diversos, passei duas semanas fora de casa fazendo exames e mais exames. Comecei a ser medicada para pressão, passei a tratar com uma nutricionista e com a acupunturista, esta, semanalmente. Nos meus exames, detectou-se dificuldade de enchimento da vesícula e tumores no sistema reprodutor, entre útero e ovário. Decidi que trataria primeiro o coração e a pressão, para depois ver o resto. Três meses foi o prazo que a médica deu para que a pressão estivesse normalizada, com uso diário de dois medicamentos, e então eu estaria liberada para atividades físicas. Estes três meses seriam na segunda quinzena de junho. Depois do meu aniversário.

Por estar viva, decidi comemorar meus 37 anos. Havia passado um susto tremendo e nada como comemorar. Escolhi a dedo cinquenta pessoas queridas. Destas que estão sempre comigo e me ajudam e participam de minha vida e tals...e nada de pessoas que precisam ser convidadas porque precisam. Só cinquenta pessoas especiais. No dia da festa, eu escorrego em uma poça de água, levo o tombo mais estúpido que já vi na vida e fraturo a fíbula. Vou para a cirurgia, coloco sete pinos e uma placa na perna e fico oitenta dias sem andar, com risco de trombose, tomando injeções diárias de Clexane na barriga por 24 vezes. 

Finalmente, meus pés voltaram para o chão. Decido então retomar de onde parei. Onde foi mesmo? Ah, no consultório do dr. Tarcísio - o médico homeopata. Não, vai que ele me dá outro remédinho para limpar as mágoas, não. Medo. Então a dra. Marilza, pediatra homeopata dos meus filhos, me indica a dra. Maria Regina, uma homeopata endocrinologista, e lá vou eu à consulta.

Adivinha o que aconteceu? Chorei mais litros. Sai do consultório direto pra farmácia, para comprar litros de soro. Mentira, não cheguei a desidratar, mas foi por pouco. Daí a dra. homeopata endocrinologista analisa todos os meus exames, todo o meu histórico, e diagnostica várias coisas: o excesso de corticóide que tomei, enfraqueceu meus óssos, por isto tive uma fratura tão séria com um tombo tão besta. Meus tumores são fáceis de serem tratados, e rapidamente eliminados, e para isto, terei de fazer uso de medicação alopata. Graças a estes dois tumores, tenho comprometido o funcionamento do sistema pâncreas-fígado-vesícula. E por isto que tenho passado tão mal desde abril, com dores fortes que a princípio achei ser estômago, até que minha acupunturista me mostrou um desenhinho do corpo humano, e me ensinou onde fica o estômago e o fígado. Assim, descobrimos que eu passava mal pelo fígado.

Nunca tivemos um ano financeiramente tão próspero. Nossas vidas sempre foram pautadas pelo sacrifício. Fomos galgando coisas materiais a custa de muito trabalho, muita abdicação, muitas restrições e muita economia e sacrifícios. Conseguimos quitar nosso apartamento, e ano passado conseguimos escriturar. Sem prestações, intermediárias ou qualquer outra parcela alta de investimento, foi possível pagar a vista os cursos de inglês e espanhol das crianças. Fizemos um cruzeiro no Natal do ano passado e fomos para um hotel fazenda em Águas de São Pedro em janeiro, passar férias com as crianças. Viajamos no carnaval para um lugar que adoramos, outro hotel fazenda e passamos deliciosos dias. Três viagens em dois meses. Foi às vésperas do Natal que o marido trocou de carro. E em abril, me deu um carro novo de presente, sem antes termos vendido o meu velho, o que significou que ficamos por algum tempo com três carros em casa e apenas um carnê de prestações. Programamos nossa viagem de férias de julho para a Europa. Talvez ainda desse para ir passar o Natal nos EUA, como tínhamos combinado no início do ano. Compramos as passagens pra Europa. Definimos o roteiro: Irlanda, Holanda, Bélgica, França e Inglaterra. Com direito a três dias na Eurodisney com as crianças. Mas o tombo nos tirou da rota no primeiro ano, depois de tantos e tantos de luta e de trabalho, que estávamos conseguindo viver alegrias que a vida material pode proporcionar: carros, festas, viagens...

Ano que vem meu filho precisa mudar de escola. Não por causa da "fantástica viagem de formatura", mas porque considero a escola um pouco fraca para a capacidade que hoje ele nos apresenta. Também vamos nos mudar. Venderemos este apartamento, rumo a novos caminhos. Mas a vida anda tão confusa, tão bagunçada, que nada anda: viagem, saúde, casa, trabalho. Comecei o ano muito feliz ao ter sido aprovada na especialização em psicanálise. Seriam dois anos e meio de estudos, conhecimentos, aprendizados e desafios. Contudo, tantos problemas de saúde me tiraram desta rota.

Não tenho como não associar as coisas boas materiais que a vida e o duro trabalho nos proporcionou, com a energia das pessoas. Tem gente que olha e pensa que enriquecemos do dia para a noite. Ninguém vê o relógio despertar cinco e meia da madruga. Ninguém está na garagem quando meu marido sai seis da manhã de casa. Ninguém sabe os problemas que enfrentamos dentro da nossa casa. Ninguém sabe a que horas meu marido volta, e o quanto ele trabalha por vários finais de semana. Ninguém segura a barra que eu seguro como mãe solteira de duas crianças que vivem doentes, como mulher que abriu mão da vida profissional por duas vezes, para cuidar da família e dar suporte ao marido e aos filhos. Ninguém vê que na nossa casa não temos mãe ou sogra para nos ajudar em nada, absolutamente nada. Ninguém vê que há anos não vamos a um teatro, não vamos a um jantar, não temos vida social de adulto, porque não temos ninguém que olhe nossos filhos. Durante os dias em que fiquei na cama, com as pernas para o ar, contei com a ajuda de amigos para cuidar dos meus filhos, principalmente nas férias escolares. Foram meus amigos que trouxeram comida, palavras de conforto, alegria e cuidado com meus filhos. Amigos estes que podem ser contados nos dedos de uma única mão, mas que são fiéis, prestativos, verdadeiros.

Quando estamos no fundo do poço, sempre há alguém que surge com um caso pior que o seu. Não gosto disto. Não quero parear meus problemas com os de ninguém. Os meus problemas são os piores, pois são os que Deus me deu e os que sou capaz de enfrentar. Nem mais, nem menos. Estar com a perna fraturada pode ser tão grave para mim, quanto um leve resfriado para alguém que nunca espirrou na vida. Cada um sabe em que parte do pé que o sapato aperta. Contudo, são poucas as pessoas que emprestam seus ombros para que possamos chorar. São poucas as pessoas que não esperam que peçamos ajuda, mas que tocam sua campainha e estão ali, prontas para o que der e vier. São poucas as pessoas que agem, que tomam atitude, que se fazem presentes. Posso dizer que apesar de tudo, a lição que tirei de toda esta história, é que tenho estas poucas pessoas ao meu lado, e sou feliz e grata por cada uma delas.

Agora eu acredito em olho gordo. Acredito que não devo falar pra ninguém que quero emagrecer. Deixa todo mundo pensar que sou feliz com um quadro de obesidade mórbida. Não conto pra ninguém que vou viajar. Quando me procurarem e eu estiver bem longe, deixa pensarem que eu morri. E quando eu trocar de carro, vou jogar nele um líquido mágico, para que ele assuma o formato exterior do carro velho, assim ninguém pensa que estou rica. 

Porque se tudo que estou vivendo neste ano não é olho gordo, é o quê?