terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sobre a "formatura" do meu filho de CINCO ANOS

Recebi uma circular da escola do meu filho, que me deixou bastante chocada. Vou reproduzí-la abaixo, e depois fazer algumas esplanações.

"Formatura Infantil II 2011 - O Fantástico Mundo dos Musicais

Srs. Pais

A formatura dos alunos do Infantil II acontecerá dia 01/12/2011 às 20h, no auditório Elis Regina do Palácio de Convenções Anhembi. Visando minimizar custos e facilitar as contratações que viabilizam este evento, a Escola oferece a todos os pais, 04 (quatro) opções de serviços que estarão à disposição.

O tema da formatura será: "O fantástico mundo dos musicais". De acordo com os personagens do tema escolhido, os pais necessitarão providenciar a aquisição e ou a confecção de uma fantasia para seus filhos.

Oportunamente enviaremos via agenda uma cópia colorida da fantasia com o nome dos componentes do grupo e nome/telefone das mães, para que possam combinar entre si a maneira mais prática de confeccioná-las.

Bassta assinalar com um x no campo escolhido.

(  ) Formatura - 440,00
(  ) Formatura + filmagem em dvd duplo - 600,00
(  ) Formatura + Álbum com 15 fotos - 620,00
(  ) Formatura + filmagem + álbum com 15 fotos - 780,00

Qualquer opção poderá ser paga em três parcelas iguais com vencimentos em 25/09, 25/10 e 25/11.

Obs.: Para pedidos extras de fotos, as mesmas terão o custo de 12,00 por unidade.

Solicitamos que nos enviem a opção desejada acompanhada de todos os cheques pré datados com maior brevidade para nos organizarmos.

(...)"

Vamos aos pontos:

1. Data escolhida: 01 de dezembro - QUINTA-FEIRA. Isto lá é dia de fazer evento deste porte, já que os pais e mães trabalham, e ninguém trabalha na esquina de casa?

2. Horário da escolha: 20h. Horário EXTREMAMENTE infeliz. Estamos falando de crianças de CINCO ANOS. 

3. Local escolhido: auditório Elis Regina. Gente, que mundo é este? Um rito de passagem praticamente insignificante para as crianças, ser realizado no Elis Regina?

4. Tema da formatura: podemos dizer que trata-se de um evento escolar de final de ano, jamais de uma formatura. Pois uma formatura é a entrega solene de um diploma, simbólico ou não. Não tem dança, show, tampouco tema.

5. Aquisição de roupas: como os pais não tem o que fazer da vida, a escola cria o evento para agradar os próprios pais que gostam de circo eventos. E os pais que são normais, que levam seus filhos para a escola com intuitos pedagógicos e não circenses e sociais, são obrigados a se reunir com outros pais para, juntos, confeccionarem fantasias de palhacinhos.

6. Vamos aos pagamentos. Percebamos que a primeira opção, trata-se apenas do pagamento da locação do Elis Regina. E mais alguns papéis que a escola deve entregar, e que jogaremos fora após a primeira semana do tal evento. Para quem paga QUATROCENTOS E QUARENTA DINHEIROS para uma "formatura" de uma criança de CINCO ANOS, será que deixará de filmar e fotografar? Então, consideremos como ÚNICA opção a quarta - SETECENTOS E SETENTA DINHEIROS.

Graças a Deus, na nossa família, temos a condição hoje de pagar os 770 dinheiros pelas fotos, vídeo e "formatura", pagar pela fantasia, pagar pelo traje de gala (que provavelmente deve ser pedido mais pra frente, suponho eu), pagar estacionamento, e lá vamos nós. Mas não vamos pagar.

Por quais razões?

1. Eu, enquanto mãe, não estou de acordo com eventos deste porte na escola. Como educadora, abomino por completo, pois o retorno pedagógico ou social para a criança é NULO!
2. Não quero expôr meu filho, a dançar no palco do Elis Regina, juntamente com outras aproximadas 100 crianças de cinco anos, numa quinta-feira, oito da noite (claro, óbvio, que jamais o evento começará oito da noite. Alguém truca?).
3. Agora falando apenas como professora: as professoras passarão dias e dias ensaiando as pobres marionetes crianças, perdendo seus tempos preciosos de aula, quando poderiam estar trabalhando com as crianças aulas de expressão corporal, teatro, apresentações dentro de sala de aula. E depois lá vão as coitadas, a grande maioria sem carro, ficar até meia-noite (alguém acredita que termine antes disto?) e depois estarem prontas, lindas e aptas a se apresentarem no dia seguinte, sete da madruga, em seus postos de trabalho.
4. Se aos CINCO ANOS, eu proporcionar para meu filho a participação em um espetáculo circense evento deste porte, o que oferecerei a ele quando ele ganhar seu diploma de bacharél?

Ainda bem que meu filho é uma criança muito bem orientada, e a primeira coisa que me disse, ao me entregar a agenda, foi que não quer participar desta "formatura". Como prêmio por não fazer parte destas maluquices, vai ganhar um passeio muito legal com a família, e se quiser, com os amigos, e ser muito mais feliz. E sem sono. 

Contudo, não culpo a escola. A culpa é apenas dos pais, que acreditam que quanto maior o espetáculo, melhor é a escola. Aceitam este tipo de proposta, assinam três cheques e sujeitam seus filhos a este tipo de coisa. Que cobram da escola que a "formatura" seja no mesmo nível da "formatura" do filho da amiga que foi um circo parecido. A escola só cumpre seu papel no mundo capitalista: fazer com que as pessoas consumam seu produto e sintam-se satisfeitas. Só se esquece de que o produto da escola é outro; chama-se EDUCAÇÃO!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sobre o mundo em que vivemos. Mais especificamente, sobre um lugar chamado Brasil!

Quem me conhece sabe que sou um ser revoltado com o mundo. Porque meu ideal de mundo é pura utopia, mas o de quem não é? Quem é que não sonha com um mundo sem violência, sem roubo, com pessoas honestas, transparentes, solícitas? Acho que muita gente. Só que, como diz o marido Toruboi, temos ainda muito a evoluir. Enquanto espero a tal evolução, juro que tento fazer minha parte.

Não ficar revoltada toda hora é uma boa parte, em busca da tal evolução. Tenho trocado a minha por trabalho voluntário, pois não consigo não me revoltar. Alguém me entende?
Saímos nas ruas. Esburacadas. Calçadas intransitáveis. Pessoas querendo devorar pessoas. Dirigir é um exercício de sobrevivência. Conto até dez. Até cem. Até mil. Canso de contar e volto pra casa. Faço um mantra qualquer, tomo um banho frio, tento me acalmar. Juro, eu estou tentando. Mas meu nome é Úrsula Hummel, e não Madre Tereza. E mesmo meu tio achando que eu sou um ser que veio à Terra para substituir o atual Buda (só devido às minhas formas semelhantes às dele), não, não tenho espírito de Buda.

Acordei hoje e, como de praxe, liguei o iPad para carregar jornais e notícias. Uma passadinha básica pelo Facebook. Vejo o link do blog da Rosana Hermann falando sobre educação (quem quiser ler, procura aí na internet porque estou com preguiça). Ponto de vista espetacular. Vindo de uma pessoa formadora de opiniões. O Brasil só vai evoluir quando investir em educação, principalmente nos professores que fazem esta educação. Ok, utopia, pois isto não está longe de acontecer. Simplesmente não vai acontecer por aqui. Nossos governantes estão preocupados demais com seus estúpidos salários para seus cretinos serviços.

Novo link: minha vizinha colocou no Reclame Aqui uma reclamação da Etna. Fui ler. Fiquei impressionada com o número de reclamações que havia da mesma loja. Porque prestadores de serviços, o varejo em geral, está se lixando com o seu consumidor.


PAUSA

Moro ao lado de um lixóping. Sábado fui eu e minha perna robô até lá. Passei nas Americanas para comprar algumas coisinhas, que dariam em torno de 250 dinheiros. Vou para a fila do caixa. Sou a primeira. DEZ caixas, apenas um ocupado. E a moça me ignora. Pergunto se posso ir até lá. Ela me manda esperar. Espero. Pergunto se posso ir depois de algum tempo. Ela me ignora. Insisto, ela pode não ter me ouvido. Ela me ignora. Seu colega chama-a, e ela ignora. Revoltei. Joguei TUDO no chão e saí. A gerente veio falar comigo. Soltei o verbo. Fui até a loja de esmaltes. Feira da Vaidade. Comprei esmaltes, lixas, acetonas e afins. 29 dinheiros. Perguntada se quero a NFP, respondo que sim. A vendedora que diz que não dá para emitir, pois acabou de cancelar uma compra e só depois de passar uma compra sem NFP, poderá emitir de novo a nota. Explico que isto é sonegação. Decido não comprar. Ela dá um jeito, fica com medo da minha cara de fiscal da Fazenda. Emite minha nota. Vou até a Marisa Lingerie tentar comprar o que deixei para trás nas Americanas. Entro e pergunto pra vendedora se tem De Millus. Ela me responde negativamente. Antes de ir embora, resolvo dar uma olhadinha. E o que vejo na primeira gôndola? Produtos De Millus. MUNDO CÃO, NINGUÉM ESTÁ AFIM DE VENDER, DE TRABALHAR, TEM QUE FICAR DESEMPREGADO, BANDO DE VAGABUNDO.
DESPAUSA.

Voltando à educação. Como moro na Zona Norte de São Paulo, um lugar quase esquecido por Deus, pelos governantes e pelos investidores de progresso, decidi que poria meus filhos para estudar depois do rio. Em junho, fiz uma pré-inscrição em um colégio, para conhecê-lo. Hoje me ligam, para agendar a data. A funcionária do colégio foi muito atenciosa, muito gentil e por não ter sido meu primeiro contato com o colégio, me impressionei com o nível de seus funcionários, tão solícitos, capacitados e prestativos. Até que.... Por que tudo na vida precisa de uma adversativa no meio da frase? A atendente pediu o número do meu CPF, explicando que geraria um boleto de oitenta dinheiros para cada um dos meus filhos, para conhecê-los. Espanei. Não fui grosseira com a moça. Seria deselegante da minha parte. E eu sou revoltada, mas deselegante, só algumas vezes e hoje não era o caso de gastar meu latim. Expliquei para a funcionária que eu queria apenas conhecer o colégio, que não sabia se queria que meus filhos estudassem lá. Que eu em momento algum, jamais, ever, never, pagaria oitenta dinheiros para que eles avaliem meus filhos, pois sou educadora e totalmente contra uma prática inibitória destas. Agradeci, desliguei o telefone.

Voltei para o Facebook, minha válvula de escape.Um lugar onde posso falar ao mesmo tempo com o mundo todo, onde todo mundo me ouve e muitos me respondem. Desabafei. Recebi mensagens solidárias. Tive a certeza de que não estou louca. Ou estou, sim. Louca, cheia de loucos, vivendo num mundo perfeito e o qual só vemos defeitos. Preciso de internação. Vou até o Facebook pedir uma vaga no Pinél.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sobre uma intimidade

Outro dia, marido e eu estávamos conversando e falei para ele que a última vez que fizemos coisas que marido e mulher fazem, tinha sido a segunda melhor vez da minha vida. Curioso, ele quis saber quando tinha sido a melhor, já que meu comentário foi meio jogado ao vento, sem contexto.

"A melhor vez ainda não aconteceu, porque a próxima sempre será a melhor, mas quando ela passar, terá virado a segunda melhor, e ficarei aguardando a próxima para que seja a melhor."

Pareceu confuso. Parece confuso. Mas não é!

Estou em constante busca pelo melhor na vida. Quero evoluir, progredir e prosperar, seja no sentido material, seja no espiritual. Não posso manter um alto padrão, achando que aquilo que estou vivendo é a melhor coisa da minha vida, porque o melhor sempre está por vir. O melhor é aquilo que estou buscando, e só vou encontrar no dia seguinte. Mas se eu me contentar e me satisfazer com aquele melhor atingido, tendo a estagnar, a estancar minha busca pelo meu melhor, pelo melhor que a vida tem a me oferecer. Por isto quero sempre encontrar amanhã algo que seja melhor que hoje!

Concorda?

domingo, 14 de agosto de 2011

Sobre a difícil tarefa de ser mãe de um moleque safado

Ser mãe é uma missão, e quando se trata de ser mãe do meu filho, uma missão difícil demais. Porque muitas vezes, é quase impossível conseguir conter o riso.

O garotinho em questão está prestes a completar seis anos, e sofre de enurese. Quer dizer, para ele, está tudo muito bom, muito bem, quem sofre somos nós. Contamos os segundos para o dia em que conseguiremos tirar a fralda noturna. 

Em comemoração ao dia do papai, confidenciei para ele um segredo: "filho, já pensou como o papai ficaria feliz se sua fralda amanhecesse sequinha no dia dele?". Bingo. A fralda amanheceu seca.

Já no final do dia e ele me fala: "mamãe, que sorte eu tive de a fralda ficar seca bem no dia dos pais né?".

- "Não." Respondi. "Não foi sorte não filho. Na vida, nada é sorte, tudo é luta e conquista. Você sabe quais são as etapas na vida para que a gente possa se dar bem?"

- "Sei sim."

- "Então qual é a primeira etapa?"

- "Saber ler. "

Contive o riso. Ele estava levando nossa conversa muito a sério.

- "Ok filho, então qual é a segunda etapa para se dar bem na vida, algo muito importante?"

- "Aprender a fazer o aeiou em letra cursiva!"

- "Muito bem filho. E depois, qual a próxima etapa?"

- "Aprender a fazer todas as letras do alfabeto em letra cursiva!"

Melhor deixar pra lá. Definitivamente, valores mais profundos não vão entrar na cabeça dele, neste momento em que ele só pensa nas letras cursivas!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sobre cultura, economia e afins

Sou uma pessoa que gosta de cultura. Acho super importante ser culto, mas estou há anos luz de distância de atingir o que considero um nível ideal.

Só há uma forma de se adquirir cultura: lendo. E lendo de tudo, sem nenhum tipo de discriminação ou preconceito. Ouvindo de tudo, da mesma maneira. Assistindo a tudo, idem. Não se pode julgar algo como ruim baseando-se apenas na opinião dos outros. A leitura ajuda a formar a nossa cultura, os nossos conceitos sobre as coisas, a desenvolver nossa opinião crítica para a vida.

Tenho consciência do quanto sou crítica com as coisas. A comunidade da minha vida é "eu me irrito com...". Vivo irritada com muitas coisas e muitas pessoas e há algum tempo, uma das coisas que mais me irrita é a televisão.

Não há nada que passe de interessante. Da gama infinita de canais, principalmente os fechados, os quais se têm disponível, quiçá seja possível eleger um, com sorte dois programas "assistíveis" por semana. Por conta disto, fui abandonando a tevê.

Cada vez mais fui mergulhando em seriados, a ponto de hoje ter um número considerável de temporadas completas em um armário de casa. Deve estar beirando cem temporadas, se já não passou disto.

Até telejornais, que sempre gostei muito de assistir, abandonei. Vez ou outra, contudo, dou uma espiadinha para dar imagem àquilo que leio e nestas horas, "eu me irrito"!

Os assuntos presentes são sempre os mesmos: o grupo "crimes-assaltos-roubos-assassinatos-acidentes", o grupo "roubalheiras e patacadas do governo municipal-estadual-federal" e a economia mundial.

Neste momento da economia, "eu me irrito MUITO". Têm coisas que são matemáticas: o mundo é dotado de recursos naturais, e a grande maioria é escassa. Não se planta o maior bem do planeta: água. O povo consome mais rápido do que se pode produzir os bens renováveis. Os governos vivem na gangorra: para a economia crescer, dá-se crédito ao povo. O povo consome muito e se afunda. Os bens começam a se esgotar. É preciso conter o crédito. O país entra em recessão. A economia pára de crescer.

A economia é um ciclo e tudo, absolutamente tudo está calcado na natureza. Enquanto cada cidadão não tomar consciência de que as coisas acabarão, que a casa vai cair mais cedo ou mais tarde, os noticiários serão sempre os mesmos.

Estou desabafando porque todo ciclo econômico é um tanto confuso: os EUA, a Irlanda e mais algum outro lugar liberam crédito para a população. O país fali, fica desesperado ou retém o crédito do povo. A moeda desvaloriza. Outra moeda supervaloriza. O país da moeda valorizada precisa conter sua economia. 

Que tal resolver tudo apenas parando de dar crédito? Será que não facilitaria o fim do endividamento individual, e, consequentemente, atingiria uma escala mais macro?

Fica a dúvida!