quarta-feira, 18 de maio de 2011

Quando o valor e a ética fazem a diferença

Muito tenho pensado em valores e quanto mais penso, mais angústia vai me dando.

Não sei muito bem se angústia é a palavra certa. Sei que é uma sensação ruim, que queima o peito e chega até a doer.

Quando uma família decide morar em um condomínio-clube, é porque pretende passar a maior parte do seu tempo em casa, usufruindo da estrutura de lazer que tem à disposição. Dentro desta proposta, acabamos por construir boas relações de amizade, e mais, construímos uma grande família. Assim, temos passado boa parte dos nossos dias em nossa casa ou na casa destes novos amigos, que já nem são tão novos assim, uma vez que nos mudamos há um ano e meio.

E o que faz com que pessoas que nunca se viram na vida, em tão pouco tempo, virem melhores amigos de infância?

Valores. É só esta a resposta que vem à minha cabeça!

Em conversas e encontros, percebemos que tínhamos 247 famílias para "escolher" ou para sermos "escolhidos", mas a afinidade nos princípios fundamentais da vida fizeram com que esta meia dúzia de família se juntasse.

Uma destas amigas estava passando por um problema grande. Não grave, apenas difícil devido às variantes da sua vida neste momento. E eu tentando ajudar, na medida do possível. Dei-me conta de que ela estava tendo algumas atitudes que dificultariam ainda mais a solução imediata deste problema e fiquei sem saber o que fazer.

Acredito na amizade e na profundidade dela. Contudo, mais profundo é o respeito pelo espaço e o limite que devemos ter com o nosso próximo, seja vizinho, seja amigo, sejam filhos, sejam pais. Em quase uma década de casada, não me vejo no direito de dizer para meu marido como deve ser. Porque o que é certo para mim, não é certo para ele. Ninguém tem o direito de dizer algumas coisas para outrem, pois por mais que haja a boa intenção e a boa fé, a forma como o "palpite" é recebido pode magoar e até afastar.

Fiquei sem saber como ajudar uma pessoa tão querida. Então abordei seu marido, que é uma das pessoas mais centradas que já conheci. E ele me disse assim: "se você é amiga dela, diga o que tem de dizer". Fui e disse. De forma muito sutil, delicada e minimalista. Hoje falei cedo com minha amiga e o "feedback" foi excepcional. Ela disse que pensou no que escrevi, concordou com algumas coisas, mudou suas ações e o problema está sendo solucionado. Fiquei feliz.

Sei que muitas pessoas teriam tocado sua campainha e feito de outra forma. Se fosse comigo, teria abominado. Nada pode ser mais ofensivo ou invasivo do que dar palpite na vida das pessoas. Porque o palpite de hoje vira dois palpites amanhã e depois de amanhã encontramos uma bola de neve, cheia de mágoas e rancores.

Minha angústia fica por conta então dos valores que tenho, éticos e morais, e que são muito fortes. Não gosto de ser a senhora Certinha. Pessoas assim sofrem. Eu sofro. Nos últimos tempos, tenho me deparado com situações muito próximas à mim que vão contra tudo que já aprendi e tudo que acredito. Honestidade e caráter são coisas preciosas, e até quem não tem pode desenvolver. Só que muita gente prefere a forma mais rápida de ascensão, prefere acreditar que status vale mais que caráter, e subestimar todos que estão ao seu redor. Seja na minha casa, seja no Palácio do Planalto, a máscara um dia cai.

Resta saber como as pessoas de valores lidarão com tudo!