segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Os sonhos do verão ficam para o William

Enquanto Shakespeare viveu todos os sonhos de uma noite de verão, restaram para mim os pesadelos.

Não me lembro bem de como eram as coisas na infância, mas tenho claro que nunca gostei de duas coisas: calor e praia. Não gostava de calor porque nunca gostei de ficar suada, e nem sempre estamos em algum lugar no qual podemos nos refrescar com uma chuveirada. E de praia porque a areia realmente me incomoda muito.

Cerca de treze, catorze anos atrás, adquiri uma alergia de pele. Assim, não pude mais ter contato com o sol. Os anos se passaram e a alergia ao sol transformou-se em alergia ao calor, ao suor e a tudo que é quente. Contudo tenho levado bem a situação. Até este verão.

Como estou sofrendo. Sofro porque o calor está insuportável a meses. O início da crise foi ainda em setembro, antes de entrar a primavera. Pois é, em pleno inverno, o calor já me consumia.

Meu corpo começa a criar manchas horrorosas. No início, era só no colo do peito. Mas tudo começou a descer, subir, espalhar-se para os lados, passou para os braços até o ponto de sangrar, pois coça muito, dói,  destrói a pele e dá a sensação de que nada voltará ao normal. Mas volta. A base de corticóide.

Então preciso escolher: ou tiro sangue da pele de tanto coçar, ou tomo corticóide e incho mais que balão. Fico com a segunda opção, que é a menos pior dentre as duas.

Com o calor intensificando, não posso baixar a dose do remédio, senão a alergia, a coceira e as manchas não regridem. E tomando corticóide sem cessar, fico inchada e com o rosto deformado.

Hoje acordei com o dedo cortado pela aliança, que enterrou e não sai de maneira alguma. O que fazer? Tomo diurético para conseguir soltar um pouco, encho o dedo com muito sabão e desenterro o anel. Com dor.

Estou cansada, esgotada, mal humorada, inchada, e conto os segundos para o frio chegar, para que eu consiga seguir adiante com o tratamento homeopático e encerrar este ciclo na minha vida.

Assim eu espero.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Palpite ou conselho: depende da sabedoria

Eu não gosto de palpite. De pessoas intrometidas e evasivas, que se acham no direito de falar sem ser chamado, opinar sem ser questionado, e pior ainda, pessoas que despejam toneladas de coisas sem conteúdo em cima de outrem, pelo simples desejo de palpitar.

Gosto de receber conselhos. De pessoas sensatas, evoluídas, maduras e entendedoras da vida, que sabem chegar de mansinho e nos deixar belas lições, que agregam, que nos fazem pensar e que nos levam a evolução.

Estes últimos dias foram muito bons para mim. Apesar do calor que tem me tirado o humor, tive o privilégio, o prazer e a alegria de estar com pessoas que agregaram.

Na quinta-feira, passei boas horas conversando com uma pessoa especial. Vizinha querida, muito mais velha que eu, com idade de mãe, que me contou coisas particulares da sua vida que me fizeram refletir muito sobre a minha.

Sexta-feira tive outra boa oportunidade de conversar por horas com uma pessoa também mais velha que eu, que serenamente me ensinou a enxergar algumas coisas da vida com outros olhos.

Sempre tive afinidade com pessoas mais velhas. Desde criança, sempre gostei de avós e de suas histórias. Sempre gostei de aprender com a sabedoria das pessoas que estão nesta passagem há mais tempo que eu.

Não faço distinção entre as pessoas, e para estar comigo, basta chegar. Porém, se eu estiver em uma festa e tiver a possibilidade de escolher entre a roda de pessoas mais velhas e a de pessoas mais novas, ficarei sem dúvida com as mais velhas, para poder absorver suas experiências e buscar meu crescimento como indivíduo em evolução.

Ontem estive rodeada de pessoas as quais ainda são novas em minhas vidas. É sempre uma boa oportunidade para ouvir mais que falar, de observar para conhecer, sentir, aprender.

Hoje, porém, foi um dia para fechar com chave de ouro. Recebemos em nosso Solar uma família que gostamos muito. Uma família também de quatro membros, como os Hummel, e cujas afinidades podemos ficar listando por muito tempo.

Almoçamos, comemos a sobremesa na varanda; passamos mais de seis horas conversando, trocando, ouvindo, falando, aprendendo.

A parte que me marcou, porém, foi o momento em que nosso amigo começou a falar da vida e dos problemas dela, e fez colocações sobre problemas os quais enfrentamos de forma maestrina! Talvez ele não saiba o quanto agregou e me ajudou.

Nós, pais, temos sempre a difícil e árdua tarefa de conduzirmos nossos filhos no caminho do bem, e não medimos esforços para tal. Só que erramos no afã de acertar, e é importante quando alguém nos coloca nos trilhos de volta, com tanta sabedoria.

Quando tomei banho e deitei, achando que tinha terminado meu ciclo de aprendizado, recebi um telefonema muito especial, de alguém que gosta muito da minha filha, e cuja filha é muito importante para a vida da minha Bibizoca, e alguém que todos nós queremos muito bem. Uma pessoa simples e humilde, mas formada na faculdade das mães com nota máxima, que eu admiro muito e que já há alguns anos tem me aconselhado, às vezes sem saber, mas que faz a diferença com suas colocações.

Obrigada Papai do Céu, por colocar pessoas que acrescentam tanto na minha vida. Espero sempre poder retribuir, influenciando de maneira positiva na vida das pessoas, sem jamais saber onde é o meu lugar. Pois conselho é uma delícia de ouvir. Mas palpite, este eu dispenso.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Cansada de pessoas

Não foi só janeiro que me cansou. As pessoas também me cansaram. Nunca escondi de ninguém que sou a própria Saraiva: "tolerância zero". Tem momentos da vida, porém, que fico pior, mesmo que eu ache que não seja possível.

Minha amiga Karina está grávida e está com enjôo de gente. Eu não estou grávida e vivo enjoada de gente.

Gosto de pessoas rápidas, decididas e de iniciativa. Fico cansada quando as pessoas pensam que minha vida é Big Brother e ficam me seguindo. Não sou novela também. E mesmo que eu fosse uma novela, quem é que já viu autor que aceita pitaco de telespectador? 

Tenho uma "amiga" que vivia na minha casa. Veio jantar com marido e o filho, veio várias vezes passar a tarde com o filho, neste Solar e no anterior, e nunca nos convidou para ir a sua casa. Sempre me escrevia dizendo que estava com saudades. Cortei suas vindas em casa. E a saudade aumentou. Um dia respondi por email que já que a saudade era tanta, nós iríamos retribuir as inúmeras visitas e jantar na casa dela. A resposta? "Até parece que eu trabalho a semana inteira e vou cozinhar no fim de semana". O final todo mundo já sabe: nunca mais respondi a nenhum email e nem atendi a nenhum telefonema.

Todo mundo que não convive comigo acha que sou legal, mas se engana muito. Sou legal só até a página 20, quando o capítulo dois ainda não começou. Aí me transformo, porque me canso das pessoas, me canso de cobranças, me canso de tudo.

Amizade, para ser legal, tem que ser com liberdade. Tem que ser bilateral em todos os sentidos. Não é para ninguém bajular ninguém o tempo todo. Amigo que é amigo sabe quem é que está presente na sua vida, mesmo que em pensamento, mesmo que em orações.

Tenho muitos conhecidos, vários colegas, poucos amigos. Mas amigos os quais posso contar de verdade, em qualquer situação. Amigos que me procuram para chorar, mas principalmente para sorrir. Gente pra baixo tem um monte, dá para encontrar por quilo nas esquinas da vida. Agora quantas são as pessoas que compartilham o sorriso, a alegria, as vitórias?

Sempre fui muito falastrona. Compro um novo vidro de Coala e conto para todo mundo. Enquanto meus "amigos" compram carros, fazem viagens, planejam inovações nas suas vidas e não me contam nada, afinal, pessoas colocam olho gordo.

Para olho gordo, colírio diet. Pode parecer piegas, ou até mesmo clichê, mas é a receita da vida. Nunca tive olho gordo na vida de ninguém, pois os objetivos da minha são bem traçados, definidos e atingidos. Quem deseja o que é dos outros, não se conhece e não sabe o que quer da vida.

E não, antes que alguém me mande intermináveis emails querendo saber se me magoou, se fez algo que eu não gostei, a resposta já fica aqui para todo mundo: NÃO. Ninguém me magoou. É apenas uma reflexão de o quanto as pessoas são cansativas. Por isso, tantas vezes, prefiro a companhia do meu computador, que me entende e me compreende, à companhia de pessoas que me sugam e me consomem.

Continuo em 2011 na campanha pela vida: cada um cuidando da sua!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Enfim...quase fevereiro

Enfim, janeiro está terminando. Faltam só duas teen noites do pijama no Solar dos Hummel, um piquenique com os pequenos, um churrasco hoje, um aniversário no buffet amanhã, sessão teen cinema a noite, almoço com os amigos em casa domingo, festa de aniversário no buffet segunda-feira (ninguém leu errado) e, finalmente, acabará janeiro.

Para muita gente foi apenas um mês. Para mim, foi O mês. Até o dia de hoje, acho que foram 934 dias, cada um com 36 horas de 90 minutos, onde cada minuto tinha 120 segundos.

Meu carro já vai sozinho para o shopping e tenho a sensação de que nem o estacionamento mais me será cobrado: sócia honorária. Cinema? Foram cinco diferentes, para nove filmes ao todo, contado vários dinheirinhos para a entrada, mais vários para a pipoca, vezes vários membros da família Hummel, mais o almoço ou jantar na saída, mais o dinheirinho do estacionamento: FALI!

Em janeiro teve almoço na casa dos vizinhos, teve jantar latino no Solar, com a presença da DaniDani e do Ed, do amigo Rastelo que veio lá dos confins do interior de Sampa, dos vizinhos Helô e Marcelo. 

Em janeiro teve tarde de lanche com os pequenos, e nos revezamos para fazer cada vez na casa de um, hora no Solar dos Hummel, ora na Mansão dos Turkowiski, ora na Quinta dos Ubl. 

Em janeiro houve liquidações e saldos de Natal e aproveitamos todos, o que, na somatória, deixou de ser proveitoso. Mas renovamos todo o guarda-roupas esporte do marido Toruboi, compramos algumas coisas que faltavam pro Solar e eu resisti bravamente à promoção da Victor Hugo. Quanta bravura da minha parte.

Em janeiro eu decidi o que faria na vida acadêmica deste ano, mas infelizmente o curso não teve quorum, então tive que tomar outra decisão. Assim, me candidatei a uma pós-graduação que tinha somente trinta vagas e para minha surpresa e felicidade, fui aprovada. Assim, no próximo dia 5, inicio o curso de Psicanálise, que durará dois anos de muito Freud e Lacan.

Em janeiro viajamos com as crianças e nos divertimos muito. Mas sei que me divertirei ainda mais em fevereiro, quando as aulas voltarem.

Em janeiro eu perdi minha empregada, e pude contar com a solidariedade das minhas amigas vizinhas que me ofereceram as suas para que eu não ficasse sozinha, e eu falo que minhas vizinhas são tão maravilhosas, que uma me arrumou uma empregada em definitivo, mas eu acabei "dando" ela para outra vizinha, que me "deu" a dela, por achar que me darei melhor com a dela. Enfim, coisas que só vizinhas entendem.

Em janeiro descobri que existem mais hotéis fazenda e resorts do que eu podia imaginar, em nossa busca incessante por um lugar calmo, agradável e tranquilo para passarmos o carnaval. Então descobrimos que gostamos muito do hotel que nos hospedamos já por várias vezes em Avaré, e fechamos o pacote para o carnaval!

Em janeiro minha alergia tomou conta do meu corpo. Comecei o tratamento com o homeopata e as pipocas estouraram mais ainda. Assim, estou tomando doses muito altas de corticóide, e estou inchada demais. A aliança enterrou no dedo, só as Havaianas entram nos pés e todos os dias tenho calcinhas e sutiãs enterrados no meu inchado corpo, mas as pipocas estão sob controle e o homeopata em "stand-by" até que o verão termine.

Em janeiro vivemos o maior calor da minha história, como o mês de maiores chuvas da minha história, e de muitas tristezas por conta da devastação da serra fluminense. E por conta do calor, deixei de ser ecologicamente correta e aguardo ansiosa pela entrega do meu ar-condicionado, que irá me refrescar caso fevereiro continue assim.

Em janeiro curtimos várias noites na piscina, na sauna, no banho turco. Com vizinhas, com vizinhos, com os filhos, com os filhos dos vizinhos.

Ufa! Canso só de me lembrar. E depois deste janeiro, os outros janeiros nunca mais serão os mesmos. Até porque, no próximo janeiro , estaremos com a família toda nos Estados Unidos, onde levaremos as criancinhas Hummel para visitar os amiguinhos (Pateta e os Três Porquinhos), e depois partiremos para o Norte do país para um delicioso passeio no frio cheio de neve de Illinois, Michigan e mais qualquer lugar que tenha frio.

Que venha fevereiro, volta às aulas, viagem do marido, festas de aniversários, jantares com os amigos, muita piscina, muita risada, para que possamos entrar em março com o mesmo entusiasmo deste fevereiro.

Vem fevereiro, vem!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

...

Acabo de receber uma noticia muito triste, que chegou com m pouco de atraso, mas chegou para que eu possa pedir por alguém em minhas orações. Em novembro passado, faleceu o dr. Marcos Trigo. O Dr.Marcos chegou até mim por intermédio de outro advogado, meu vizinho. Os dois se conheciam porque os filhos estudam juntos. Foi ele quem nos ajudou com o pontapé inicial para tirarmos a Cyrela e a Mondex Flex da administração do nosso condomínio, uma vez que já tinha conduzido o processo no condomínio Allore Vila Romana. Mesmo em estágio avançado de doença, ele foi integro e de caráter idôneo ate o final. Dr. Marcos, descanse em paz, e que você tenha ai no paraíso o dobro do bem que fez na terra!

Sobre filhos crescendo

Uma das coisas mais clichês que existe é a frase "aproveita seus filhos enquanto são pequenos". Como odiava ouvir isso. Porque bebê é um pézinho no saco, até para mulheres, que não tem saco. Mãe é super escrava de bebê, das mamadas, das fraldas, das papinhas. Até que um dia, o bebê começa a crescer. Ele ainda é um bebê, mas já não tão dependente quanto os primeiros meses de vida. E de repente, o bebê começa a andar, e nossas vidas vira uma tortura, pois precisamos ter a atenção triplicada cinco vezes dez para dar conta daquele serzinho. Então ele já sabe onde mora o perigo e podemos diminuir 1% a atenção e a vida começa a ficar mais sossegada. O bebê vai adquirindo autonomia e ficando cada vez mais e mais esperto, e conhecendo o mundo, e nós vamos nos apaixonando mais e mais por aquele ser que habitou nossos ventres. Quando nos damos conta, já não existe mais bebê.

Daí que estou vivendo a síndrome da mãe sem bebê. Não tenho mais saco para ter outro filho, pois já esgotei até os que não tinha, mas fato é que AMO BEBÊ. Quando vejo que minha primeira bebê já completou 11 anos e já é uma chatolescente típica, me rasgo de saudades. E quando vejo que meu segundo bebê já completou 5 anos e está caminhando para cada vez mais distante de mim, fico querendo cada vez mais e mais outro bebê. Mas que estes venham em forma de netos, daqui mais de uma década.

Semana passada, estava separando umas fotos das crianças. Cada foto deles bebê que eu pegava, chorava. Por que será que sofremos pelas coisas que não voltam? Freud explica?

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sobre doações

Uma das coisas que muito me irrita é doação. Não sou uma pessoa apegada materialmente (salvo com meus computadores e máquinas fotográficas). Tirando dois itens, eu me desfaço de todo o resto. Não tenho qualquer problema em abrir o armário e tirar sapatos, bolsas e doar. Se vou trocar algo em casa, faço doação do antigo, desde que em bom estado. Ensino meus filhos que é preciso doar todos os brinquedos que não são usados. Minha filha pratica a lição direitinho. Meu filho já tem mais dificuldade em doar brinquedos, mas também o faz, após eu explicar que TUDO QUE NÃO USAMOS PRECISA SER DOADO.

Mas...

Uns anos atrás, por ocasião das enchentes em Santa Catarina, ouvi uma história que muito me entristeceu. Uma colega de sala chegava cada dia exibindo uma roupa nova. Dizia que todas eram "by shopping Santa Catarina". E contou que seu irmão, bombeiro, separava as peças boas e que serviam nela, na mãe, na namorada, para não mandar para os desabrigados. Ainda riu: "quem não tem nada, só precisa de porcaria".

Vamos desconsiderar o comentário e a atitude sem escrúpulo nenhum da "indivídua" citada no parágrafo anterior. Consideremos apenas a atitude de um bombeiro, membro de uma corporação que deveria ser digna e honrosa, mas que rouba doações em benefício de sua família. Se não podemos confiar em enviar coisas para os desabrigados através dos bombeiros, em quem devemos então confiar? Apenas em nós mesmos.

Adotei uma atitude: se alguém deseja algo que eu quero doar, é porque precisa, mesmo que psicologicamente, daquilo. Portanto, não faço mais doações por intermédio de terceiros.

Assim chegou mais um verão e mais uma grande catástrofe natural alastrou as serras cariocas. Em todas as formas de mídia, sou bombardeada com pedidos, seja por empresários, seja por jornalistas, seja por pessoas comuns.

Semana passada fiz uma limpa em casa, em gavetas e armários. Tirei roupas das crianças que não servem mais (coisa que tenho feito agora bimestralmente), limpei armários do marido, os meus eu já tinha feito em novembro, limpei armários da casa, doei tudo que não usamos. Mas não mando para o Rio de Janeiro, simplesmente porque não tenho como ir até as pessoas necessitadas e doar. E para ser roubada, e ver os necessitados também o sendo, prefiro dar para quem está próximo de mim.

Sobre doações de valores, não faço, jamais. Já pago meus impostos que são mais que suficiente para este governo ladrão que existe no Brasil (e não estou falando especificamente de Dilma, de Lula, de FHC, mas sim da cúpula do governo e o sistema adotado no Brasil que é permissivo e passivo com quem rouba os contribuintes). Assim, não vou também comprar engradados de água mineral ou caixas de leite em pó, pois de repente podem ir parar na mesa de algum "bombeiro" por aí.

Ontem, no Twitter, tive a certeza de que minha atitude está correta, após ler o texto da jornalista e apresentadora Astrid Fontenelle, alguém que admiro e respeito muito pelo trabalho digno que faz. Vejam com seus próprios olhos, e pensando também na situação da família do "bombeiro", tirem suas próprias conclusões!

 (o texto diz: "Alo Infraero SSA muita doação parada no aeroporto. Entreguei as nossas na quinta feira e elas estão aqui ainda!")

domingo, 23 de janeiro de 2011

O Mundo de Úrsula

De tempos em tempos, donas de casa de todo o planeta deveriam ser submetidas a provas práticas e teóricas, que mediriam seus níveis de aptidões nas diversas matérias das suas funções: lavar, passar, cozinhar, cuidar dos filhos, dos médicos, dos deveres escolares, das atividades extras, dos botões das camisas que caem, da mudança de cardápio diária, das contas a pagar, da administração do lar, do treinamento da empregada, dos suprimentos para manutenção da família, de outras compras extras, como roupas para filhos e maridos, cartucho para a impressora, escova de dente nova, adornos e adereços para a casa. O ponto extra nas provas ficaria por conta da aplicação prática de como receber convidados em casa, seja para um lanche da tarde durante a semana para os filhos, seja em um grande almoço de domingo para os amigos do marido.

Dona de casa é o trabalho mais ingrato da humanidade. Primeiro porque não é remunerado. Segundo porque é discriminado. Quem já viu alguém se apresentar nas fichas cadastrais como "dona de casa" e ainda colocar remuneração? Claro que a pessoa que receberá a ficha, lerá a "profissão" com certo desdém.

Existe um dia para a dona de casa. Descobri agora, no Google. É dia 31 de outubro. Dia das bruxas. Que comparação.

Após os testes escritos e práticos, as donas de casa ganhariam suas estrelas, diplomas, troféus, medalhas e certificados. Quanto mais pontos atingidos, maiores os prêmios. Porque dona de casa não espera remuneração. Espera apenas reconhecimento.

Trabalhei fora durante catorze anos. Um dia, parei. Para ser dona de casa. Não foi algo forçado, e foi por opção minha. Só que uma opção que me corrói.

Fico realmente com pena das pessoas que pensam que uma dona de casa nada faz na sua vida. Que dona de casa tem vida boa. Que dona de casa pode fazer o que bem quer a hora que bem entende.

Estou com as crianças em férias há quarenta dias. Minha filha mais velha está na casa da minha mãe já há alguns dias. Mas sobra o menor. Preciso me virar em dez, em cem, em mil, para arrumar atividade para ele. E já estou cansada, esgotada, contando os dias para que as aulas voltem, assim a escola se encarrega de tudo isso, mediante um pagamento de uma mensalidade simbólica. Sério. A mensalidade da escola vira simbólica se computarmos tudo o que gastamos nas férias com uma criança em casa. Sem contar que estou há trinta dias EXATOS sem fazer pés, mãos, depilação. Quem é que cuida da criança?

Fato é que a expectativa de vida hoje é muito maior que nos tempos dos nossos avós. Fato também, é que comecei minha vida muito cedo, trabalhando, casando, tendo filhos. Ainda tenho trinta e seis anos, e segundo pesquisas, salvo caso fortuito ou força maior, não cheguei sequer na metade. E nesta metade já fiz muita coisa.

Sei que tem gente que me acha louca, que me julga por eu viver buscando o que fazer, e por achar que levo vida de madame. Vida de madame leva a mulher que acorda cedo, sobe no salto, trabalha o dia inteiro, produz, leva o salário no final do mês e ainda é valorizada pelo marido. Vida de madame leva a mulher que tem uma boa babá para cuidar dos seus filhos, e mesmo que a babá não seja boa, para ela, não vai fazer diferença, pois ela é madame.

Não trocaria hoje a minha vida pela a de uma madame. Mas quero novos rumos para minha vida. Quero estudar mais, quero construir um novo caminho para viver a outra metade e um pouco mais. Quero ter mais ambição.

É triste quando acaba a nossa ambição material, pois ficamos sem objetivos para lutar. Então quero sonhar, sonhar e sonhar. Sonhar com este mundo enorme e cheio de coisas pra fazer. Sonhar que posso ir para a Lua, e que para tanto, basta estudar, trabalhar, juntar o dinheiro e comprar a passagem. Pois de Pasárgada, acho que cansei...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Ser ou não ser

Queria ter menos opção na vida para sofrer menos ao ter que escolher.

Queria acordar e saber que a vida escolheu por mim, e escolheu o melhor.

Queria não esperar, nem de mim, nem de ninguém, assim eu não seria vitima de frustrações causadas por mim mesma.

Queria aceitar mais, complicar menos.

Queria também que ninguém me cobrasse.

Queria que o mundo fosse gelado para eu não sofrer pelo calor.

Queria encontrar um livro pra comprar. Um livro que tivesse todas as receitas que procuro. Prometo que seguiria todas. Para não correr o risco de errar.

Queria ter três anos, para levar a vida na brincadeira e ter quem resolvesse tudo por mim: o que, como, quando, onde, quanto.

Queria um livro de gramática sem pronomes interrogativos.

Onde encontrar?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Receita da Pandinha - chilli (comida mexicana) (*com a "tijela" corrigida)

Daí que todo mundo deve estar pensando o seguinte: "nossa, a tal Pandinha colocou lá nas resoluções para 2011 que queria emagrecer, e só fala em comida?". Mas a Pandinha, ou no caso eu, explica tudo.

Percebi que este blog tem um alto índice de participação após a postagem de cada receita. E como estou devendo uma para minha amiga Jacquerida, aí vai (pois senão rola um ciuminho entre a Jaque de portugal e a Jacque do Brasil).

Tudo começou na única vez nesta vida que meu irmão me convidou pra comer na casa dele. Acreditem, eu que peguei ele na rua, tirei as pulgas, lavei, comprei uma máquina lá no Stand Center da avenida Paulista pra tosar os pelos dele, dei ração em todas as refeições e Biskrok de lanche, e ele só me chamou uma vez para comer. Mas tudo bem, a vida tem dessas coisas.

Apesar de ter sido uma única vez, foi uma comida...digamos...deliciosa. Assim que passado um tempo, resolvi fazer. Só que sou péssima para fazer coisas com receita. Na ocasião, ele me disse mais ou menos como fazia, e eu aprendi mais ou menos, e rezei muito pra que ficasse algo comível. E ficou. Depois da primeira vez, várias outras vezes vieram. Vamos tentar explicar?

Ingredientes:
- meio quilo de feijão carioquinha cru
- um quilo de patinho moído duas vezes *
- meio vidro de cassata de tomate (tipo Pomodoro/polpa de tomate, mas vende em vidros nos supermercados)
- tempero e sal a gosto
- queijo cheddar e prato, a gosto do freguês
- Doritos para acompanhar

*a história do "patinho moído duas vezes" é um episódio a parte. Quando eu era criança, passava as férias na casa da minha tia Marisa, que morava em Moema, ao lado do açougue. Na minha infância, só quem tinha freezer em casa era milionário. Assim, as pessoas compravam suas carnes para uso diário, e os açougues eram bem mais comuns do que hoje em dia. E como sempre fui aficcionada por carne moída, em todas as suas formas de preparo, minha tia me agradava fazendo vários pratos com esta base. Lá ia eu com a minha prima Tati comprar patinho moído duas vezes. Até hoje, não sei usar outra carne moída que não seja patinho. Palavra de filha de açougueiro.

Modo de preparo:

Frito os temperos (alho picadinho e cebola raladinha) no azeite (gosto muito de usar azeite pra cozinhar, porque acho chique). Coloco o feijão lavado, água para cozinhá-lo e sal. Coloco a panela de pressão para funcionar, mas fico de olho: o feijão precisa cozinhar bem, não pode ficar aguado (a água evapora quase toda). Em uma panela a parte, refogo mais alho e cebola no azeite e frito a carne moída. Depois de bem cozidinha e desmanchadinha (não pode ficar pedaços), jogo o molho de vidro (este molho custa pouca coisa mais caro que o tradicional Pomodoro, mas o sabor que dá nos pratos compensa, pois é muito bom. Aqui em casa usamos da marca Casino, vendido no Grupo Pão de Açúcar). Deixo apurar, ficar bem grosso. Jogo o feijão bem cozido, sem o caldo, e apuro mais. Se precisar de água (caso esteja muito grossa a mistura), rego com a própria água do feijão. Fica uma consistência bem grossa. Coloco no refratário, jogo o queijo prato e o cheddar e derreto no microondas mesmo.

Para servir, basta colocar uma tigela bem cheia de Doritos ao lado e cada um ataca como quiser!

Daí que...

Acho muito feio quando se inicia uma oração com "daí que...". Feio, porém, só gramaticalmente falando. Pois se a gramática "fala", porque é que eu não posso fazer com que meus textos também conversem com a gramática? Então, depois de muita resistência, vou adotar a forma "daí que..." como forma de escrita, sem direito a retaliação por parte de alguns dos meus leitores comuns, como o professor Pasquale, o professor Ernani Terra, o Professor Sérgio Nogueira... e outros que "pregam" o uso correto da língua correta.

Daí que vou mergulhar na "Língua de Eulália" e chamar o Marcos Bagno pra me defender caso alguém me critique, combinado?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Receita da Pandinha - Esfiha (editado - agora com foto)

Se é uma coisa que amo comer, das coisas que faço, é esfiha. Gosto de fazer aquela COISA bem recheada, e fica de comer rezando. Semana passada comprei as coisas, então resolvi fazer hoje. A receita é uma adaptação minha, pois deu super certo. Espero que gostem.

Ingredientes para a massa:

- 1 quilo de farinha de trigo
- 150 gramas de fermento biológico
- 2 colheres de margarina
- aproximadamente 500ml de água morna
- 1 xícara de chá de açúcar
- 3 colheres de chá de sal

Fazer uma cova na farinha e jogar todos os ingredientes, sendo a água por último, e o suficiente para dar liga. Descansar por trinta minutos.

Ingredientes para o recheio:

- 1 quilo de carne moída de primeira (moída duas vezes)
- 4 cebolas bem picadinhas
- 4 tomates sem pele e sem sementes, picados bem miúdos
- suco de 6 a 8 limões
- sal, pimenta do reino e pimenta síria (se gostar e se tiver em casa)

Misturar todos os ingredientes e deixar na geladeira por 3 horas. Escorrer a carne com peneira, para soltar o caldo do limão, por aproximadamente 15 minutos.

Depois é só fazer bolinhas, abrir a massa, rechear, fechar, pincelar com gema de ovo e assar até ficarem douradinhas!

Bom minha gente, eu não sei ensinar a fechar esfihas. Mas no Youtube deve haver um vídeo que ensina. Portanto, para quem não sabe e quiser tentar a receitinha: mãos a obra.

Receita publicada especialmente para minha amiga Jaque, lá de Portugal!


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Utopias

Qual é a sua utopia?

A minha tem sido, nos últimos muitos anos, encontrar uma assistente doméstica que atenda minhas necessidades. Não precisa saber ler, escrever, cozinhar, lavar, passar, limpar. Nada disso. Sou capaz de ensinar-lhe tudo. Mas uma coisa é imprescindível: ela precisa saber ouvir. Assim, fica tão simples. Eu falo, ela ouve, absorve e bota em prática. Fácil? Não. U-T-O-P-I-A.

Alguns anos atrás, hospedamo-nos por duas semanas na casa da minha cunhada. A casa vivia com um cheiro impecável devido ao produto usado nos banheiros: desinfetante concentrado e aromatizante de ambientes Coala. Uma coisinha bem vagabunda, um vidrinho de 140ml que encontramos nos mais diversos segmentos varejistas. 

Quando o Peteleco nasceu, comprei o Coala na fragrância da minha cunhada: eucalipto. Minha secretária do lar naquela ocasião, encantada com aquele pequeno vidrinho de "amostra grátis" (na cabeça de jumenta dela), despejou o frasco todo de Coala em um balde com um pouco de água e passou pano na casa. Ao entrar em casa com as crianças, vomitei. Ela passou horas naquele dia limpando o apartamento para tentar aliviar aquele cheiro. Desde o incidente, peguei trauma do Coala.

Até que um dia...

Este dia foi cerca de um mês atrás. Fui à farmácia de manipulação de medicamentos homeopatas e enquanto aguardava pela manipulação de uma fórmula para as criancinhas, eis que vejo a nova fragrância do Coala: talco. Abri, experimentei e amei. Adoro cheirinho de talco. Comprei o único frasco. Cheguei em casa e expliquei para minha assistente do lar que aquilo era para ser usado APENAS NOS VASOS SANITÁRIOS, sendo colocado APENAS DUAS GOTINHAS, e que aquele mísero vidrinho duraria PELO MENOS TRÊS MESES se ela repetisse o procedimento diariamente. Contei o episódio da minha "ex" e ela se mostrou chocada.

Semana retrasada, vem a infeliz me pedir se podia colocar umas gotinhas na água para limpar o piso laminado da casa. NÃO, PELAMORDEDEUS, já não te expliquei que SÓ DUAS GOTINHAS DENTRO DOS VASOS SANITÁRIOS?

Semana passada chego em casa e peguei-a no flagra usando aquilo que colocamos no banheiro para limpar o piso da cozinha. Minha vontade? Pular no pescoço dela e enforcá-la. Ok, controlei meus impulsos sanguíneos, contei até mil por oitocentas vezes, expliquei DE NOVO e dei o assunto por encerrado.

Ontem chego em casa e a casa inteira cheirando Coala. Corri para o meu banheiro e liguei o chuveiro. Precisava sair do "banho" depois que a dita cuja fosse embora, pois nem contar até o infinito seguraria minha raiva.

Passei a noite pensando no que fazer:

Opção 1: dar algum líquido para ela tomar com várias gotas de Coala Talco dentro
Opção 2: perguntar se ela é burra, surda ou gosta de me irritar
Opção 3: demití-la
Opção 4: usar o marido Toruboi como bode espiatório.

Pelo menos aqui em casa, não há coisa que as funcionárias mais temam que o Toruboi. Não sei o porquê, já que ele é um doce de pessoa. 

Então acordei hoje e antes de olhar pra cara da assassina de Coala, respirei fundo. Disse que marido entrou em casa ontem e perguntou o que fizemos, já que a casa cheirava a banheiro. A FDP&%%#@@**&^~ descaradamente confessou que limpou a casa com Coala.

Falei pra ela que da próxima vez, ela vai ter que explicar pra ele. E para minha surpresa, sai cedo, voltei no meio da tarde e apenas os banheiros cheiram a Coala.

Assim espero que todos vivamos felizes para sempre. Fim.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mais reflexões sobre a vida

"Ela engravidou cedo. Não tão cedo, mas em uma hora que ainda não era hora. A criança nasceu sem pai, uma vez que o progenitor não quis saber. Uma década se passou e ao invés de maturidade, ela continuou inconsequente e engravidou de novo. Por sorte, desta vez, o progenitor decidiu ser o pai.

A primeira criança agora sofria. Além de perder o trono no qual reinou por longos anos, via o novo membro da família chegar ao mundo cercado de mimos pela família paterna, aquela que ele nunca teve. Entrando na adolescência, período que já revolta qualquer indivíduo, sua revolta dobrou de tamanho. O jeito é rezar para que as consequências sejam as menores, e, principalmente, as sequelas."

Esta história é real, e acontece muito próximo a mim, o que me faz sofrer, mas me impossibilita de agir, uma vez que cada um vem ao mundo para cumprir o seu destino, segundo as leis de Deus. 

Ontem, antes de dormir, marido e eu conversávamos. Antes de uma noite de sexo, é preciso encontrar muitas noites de amor. Fácil cada vez mais é transar com alguém em uma primeira noite, sem intimidade nenhuma com um companheiro. Cada vez mais difícil é encontrar pessoas que façam amor, que se entreguem conhecendo-se, sabendo-se qual o grau de responsabilidade e comprometimento um do outro nas consequências que aqueles bons momentos trarão, não apenas para suas vidas, mas para as vidas geradas.

Por um mundo melhor, peço a Deus a consciência das pessoas antes do sexo. Amém.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Unfollow

Muitas vezes desejo que a vida seja um grande Twitter, um lugar no qual possamos dar "unfollow" em todas as pessoas indesejáveis.

Há pessoas que nascem chatas e assim são por toda uma vida;

Há pessoas que nascem legais e se tornam chatas ao longo da vida;

Há pessoas que nascem chatas, mas fingem ser legais, só pra ganhar mais seguidores, e depois, mostram simplesmente o que são: chatas!

Estou fazendo uma grande faxina na vida, real e virtual. Estou dando "unfollow" nas pessoas que me cansam, já que sou o típico exemplar da eterna chata sem paciência com os semelhantes.

Vivo um momento super Twitter. Cento e quarenta caracteres são suficientes pra dizer tudo que preciso. Se não entendeu, sorry, porque não sei desenhar.

A vida é curta e quero reclamar menos, ser menos cobrada, viver mais intensamente, viver coisas rápidas, pois para muitas coisas, cento e quarenta caracteres são suficientes!

Pode ser que eu mude? Sim. Pode ser que eu dê um "follow" em alguém de novo? Claro, afinal, também sou o legítimo exemplar de uma geminiana. Mas neste momento preciso ser curta, breve, objetiva, e para que tudo não seja  em vão, precisa ter conteúdo.

Assim coloco definitivamente meus pés no meu Ano Novo!

Por que ninguém faz bem feito?

Em casa aplico a regra do "fazer apenas uma vez". Para que valha a regra, porém, é preciso fazer bem feito. Pessoas deviam aplicar em suas vidas a "minha regra", pois poupa-se tempo e esforços.

Durante os vários encontros com amigos, discutimos a conhecida falta de qualidade na prestação de serviços em toda e qualquer área. Acredito que estamos vivendo cada vez mais a era do "fazer mais ou menos". 

Acabo de ler um texto do jornalista Ogg Ibrahim, que vem muito de encontro ao meu pensamento. E ao meu sentimento.

Ontem, saiu na Veja online uma matéria sobre a nova estratégia do Walmart no Brasil: "preço baixo todo dia". Tudo porque o grande varejista americano não consegue ganhar o primeiro lugar aqui na região Sudeste, perdendo para o nacional Pão de Açúcar/Extra. E a qualidade? E o "fazer apenas uma vez"?

Fui hoje a uma loja do Walmart. Primeiro dia da nova estratégia. O Natal já passou faz tempo. Tanto tempo que já me preparo para o próximo. Dia 6 de janeiro. Será que ainda não deu tempo de repor estoques? O ano já começou. Procurei por legumes congelados (aquelas seletas para fazer arroz a grega, sem qualquer marca específica). Não tinha. Procurei por cervejas tipo Malzbier. Nenhuma marca encontrada. Procurei cerveja Bohemia. Nem sombra de garrafa. E salsicha Sadia? Nem pensar. 

Conversando com meu irmão às vésperas do Natal, discutíamos os atrasos nas entregas das empresas virtuais. Oras, como é que empresas se comprometem a vender, sem contar com a logística de distribuir? 

Ano após ano é assim. Passam-se as festas e levam-se dias, semanas, até mês, para que as rupturas dos supermercados dêem lugar às mercadorias. Ao questionar o caixa sobre as rupturas, recebi uma resposta super mal humorada: "estamos fazendo inventário". Ninguém tem mais o que inventar. Ou o que inventariar. Vamos fazer o país funcionar doze meses por ano? Ou será que só funcionarão as coisas por aqui em 2014, em 2016, e terminaremos nossos dias a mercê daqueles que só cobram e nunca nos dão?

O eterno dilema da vida: viver

Viver é algo muito complexo, mesmo que uma linha psicológica afirme que viver é fácil, nós é que complicamos. Ser feliz é algo que demanda tempo e, principalmente, escolhas. Eu escolhi ser feliz, sempre, e dentro da minha escolha "felicidade", vivo diariamente tendo de fazer novas escolhas.

Nunca escondi de mim mesma a necessidade que tenho de estar em constante aprendizado. Se o saber não ocupa espaço, não corro o perigo de tirar o lugar de ninguém; assim, preciso saber cada vez mais.

Quando iniciei minha pós-graduação em Psicopedagogia, tinha muito clara a certeza de que era o curso da minha vida. Contudo...é, o grande problema são as "adversativas". Senti que empurrei até o último momento o início do meu TCC e embora tivesse em mente vários objetos de pesquisa, não consegui focar exatamente o que eu queria pesquisar. O fato de eu ser apaixonada pela psicanálise, não faz de mim uma potencial psicopedagoga.

Passei um final de semana de pensamentos e reflexões. Discuti com minhas amigas o assunto, sem chegar a conclusão nenhuma. Em uma semana, naveguei e me informei em várias universidades paulistanas. VÁRIAS. Não bastasse a gama de instituições de ensino que tenho à disposição, há ainda a variedade de cursos. Cheguei a pensar em fazer OUTRA graduação. Enlouqueci? Será que aguento mais cinco anos do mesmo assunto? Já foram catorze anos dentro de universidade.

Ó vida, ó Céus, ó dilema. Então hoje tive meu problema resolvido. Pois sempre, e desde sempre, além do Direito e da Psicanálise, também amo a Língua Portuguesa. Acabo então de decidir minha vida: vou fazer uma nova pós, desta vez em Língua Portuguesa pura. Os módulos do curso simplesmente me fascinaram: filologia, semântica, morfosintaxe, regência, oralidade. Ah, que delícia. Eu realmente sou capaz de gemer de prazer com novos objetos de estudo. 

Agora lá vou eu. Juntar diploma, documentos e me preparar! 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Entendendo a diferença entre o maL e o maU

Resolvi abrir o ano com esta dica, pois é algo que vejo as pessoas muito duvidosas a respeito.

Apesar do mesmo (aparentemente) som, as duas palavrinhas são de classes gramaticais diferentes.

O mal (com L) é um advérbio, que complementa o sentido de um verbo. Assim, podemos dizer que Zézinho está de mal de Luizinho, e a palavra MAL complementa o sentido de um verbo. Há vários outros exemplos, mas vamos deixar claro que quando escrevemos com L, trata-se do contrário de bem. MAL # BEM.

O mau (com U) é um adjetivo, que qualifica um substantivo. Podemos dizer que se Zézinho está de mal de Luizinho, ele é um mau menino. O MAU aqui se refere ao Zézinho, e não ao verbo estar. Portanto, quando escrevemos com U estamos nos referindo ao contrário de bom, que é uma característica do substantivo, podendo ser negativa ou positiva. MAU # BOM.

Para concluir, ressalto que o mal advérbio não tem plural, pois advérbios são invariáveis, não flexionam em gênero, número ou grau. Dá para escrever MALS? Ou BEMS? Não. O "bens" que existe no plural é substantivo, e aí já é outra história...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Cupcakes da Pandinha

Há muitos e muitos anos, existem bolinhos que são assados individualmente. Na minha infância, conhecia-os como "bebezinhos". Mais tarde, quando a língua inglesa começou a ser introduzida na minha vida, também conheci os "muffins", que nada mais era do que os mesmos "bebezinhos" que já eram meus conhecidos. Depois comecei a estudar espanhol, e então me introduzira "queque". Ai me mudei para o Chile, que fabrica os "Pinguinos Marinella", bolinhos recheados com creme de baulinha e cobertos com uma casquinha de chocolate e decorados. Ali foi meu primeiro contato com os hoje conhecidos "cupcakes".

Os "cupcakes" tornaram-se febre nos últimos tempos e são cada vez mais comuns aqui no Brasil, sendo facilmente encontrados em padarias, supermercados, doceiras e afins. Foi nos afins que decidi a sobremesa do ano novo: "cupcakes". Mas afinal, o que são "cupcakes"? Se você perdeu minha prolixa explicação acima, trata-se simplesmente de bolinhos assados individualmente e cobertos. Sabores ficam a gosto do freguês. Eu gosto muito de inventar na cozinha, e raramente faço algo com receitas. Vou me esforçar, aqui, para tentar passar a "receita".

Em qualquer distribuidora de embalagens, é possível comprar forminhas (igual aquelas que colocamos brigadeiro) que são próprias para forno. Eu asso cada bolinho em três forminhas, para dar firmeza. Assei meia receita de bolo de cenoura. Bati uma receita de bolo de baunilha (de pacote mesmo) e dividi em duas partes. Em uma das partes, adicionei corante comestível vermelho e bicarbonato. Essa mistura dá um efeito conhecido como "red velvet" e deixa os bolinhos lindos.

Cada meia receita de bolo dá para assar 15 bolinhos. Coloca-se massa na forminha até pouco mais da metade e leva-se para assar, igual a qualquer bolo. Quando furar com o palito de dente e ele vier sequinho, estão assados. Deixar esfriar dentro do forno, para não solar.

OS RECHEIOS: com aqueles boleadores de frutas (igual ao de sorvete, só que pequeno), retirei boa parte do bolinho, para recheá-los. Inventei todos os recheios. Comprei várias latas de leite condensado, creme de leite, confeitos, pasta americana, chocolate, Nutella, enfim, usei a criatividade. 

Recheio 1: leite condensado, creme de leite, Tang de Uva, cerejas ao maraschino e vinho do Porto. Bati todos os ingredientes no liquidificador (menos o vinho) até dar consistência de mousse. Molhei os bolinhos com o vinho e recheei com a mistura; decorei com confeitos cor de rosa e cereja em calda.

Recheio 2: doce de leite Aviação (delicioso). Molhei os bolinhos com Baileys de café e enchi de doce de leite. Cobri com amendoim.

Recheio 3: derreti um pedaço de chocolate branco, misturei creme de leite fresco e dei o ponto de um goulash. Molhei os bolinhos com Baileys de menta e enchi de goulash. Cobri com bolinhas prateadas.

Recheio 4: para os bolinhos de cenoura, usei brigadeiro. Fiz a receita de brigadeiro normal, mas acrescentei, depois de frio, um pouco de creme de leite para dar leveza e cremosidade. Decorei com miçangas comestíveis coloridas.

Recheio 5: enchi os bolinhos (também de cenoura) de Nutella e decorei com confeitos M&M.

Recheio 6: receita básica de mousse de limão (uma medida de leite condensado com a mesma de creme de leite batidos no liquidificador com limão, a gosto do freguês). Enchi os bolinhos de baunilha com mousse e ralei casca de limão em cima, para o acabamento.

Recheio 7: receita básica de mousse de maracujá (idem a de limão). Aqui eu usei a pasta americana, que é comprada pronta para uso. Sovei a massa, abri com o rolo e cortei, com o cortador de biscoitos, alguns ursinhos. Recheei os bolinhos com a mousse e coloquei o ursinho sobre eles, dando acabamento com as próprias miçangas já usadas anteriormente. 

O segredo, para mim, está na qualidade dos ingredientes usados e no amor. Para rechear e montar 40 bolinhos, fazendo TODOS os recheios e deixando a louça toda limpa, gastei duas horas. As massas foram assadas no dia anterior, e não levei mais que uma hora para fazer as 3 massas e assar.

No mercado existe uma infinidade de materiais para "cupcakes". Muitos lugares vendem os bolinhos diretamente na forminha que foi assada. Eu também fiz isso, só que comprei uma forminha cartonada para colocar os bolinhos dentro, e enfeitar um pouco mais.

Cada bolinho custa aproximadamente cinco dinheiros. Eu gastei aproximadamente 70 dinheiros (com forminhas, corante e várias outras coisas que ainda sobraram em casa, uma vez que não se gasta um pacote inteiro de miçangas para as quantidades que fiz). Fiz as contas e proporcionalmente, acho que gastei em média 2,50 dinheiros para cada um dos bolinhos!

O que é promoção - Forma lúdica de ensinar (ou seria louca?)

Quem acompanha este blog, já sabe como foi que o Peteleco foi parar na minha barriga! Hoje estávamos indo ao shopping, quando de repente a pobre criança perguntou para a endiabrada mamãe: "o que é promoção?".

Pensei rápido e não pestanejei: "quando a mamãe foi ao açougue comprar você, pedi um pedaço de carne, comi e veio só você na minha barriga. Já a tia Fabi, mamãe do Vini e da Isa*, quando foi comprar, a carne estava em promoção. Assim, ela pagou só por um filho, mas vieram dois ao mesmo tempo na barriga dela"!

Ah...entendi!

* o Vini e a Isa são os gêmeos, nossos vizinhos, que tem a mesma idade do Peteleco!

Um 2011 de novidades. Ou nem tanto

Modéstia a parte, faço uma comida que ninguém reclama. Muito menos filhos e maridos, as pessoas que são obrigadas a comer das gororobas da Pandinha. Amigos, por simpatia ou educação, também nunca reclamaram. Vez ou outra posto alguma coisa sobre uma comidinha, e recebo vários emails pedindo a receita. Então está decidido. Neste ano vou buscar postar umas 12 receitas ao longo de todo o ano, assim como também tentarei postar umas 12 regrinhas de português (pois tenho lido cada coisa de me fazer ir até o Rio de Janeiro, invadir o Complexo do Alemão e subir a escadaria da Penha de joelhos), e pra fechar, quero postar ao longo de cada mês a indicação de algum blog que eu leia e ache super hiper mega bem legal (e útil). 

Contudo, hoje fico por aqui. Preciso correr. Faltam só 362 dias para acabar 2011 e tenho várias coisas pra fazer!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Nosso reveillon em fatos e fotos

 Cupcakeria da Pandinha: sim, fui eu quem fez cada um dos cupcakes.
Sabores: cenoura com brigadeiro, red velvet com mousse de cereja e vinho do Porto, mousse de limão, goulash de chocolate branco e Baileys de menta, mousse de maracujá, Nutella com top de M&M e doce de leite com Baileys de café e top de amendoim
 Detalhe dos cupcakes de maracujá: 
fiz ursinhos em pasta americana e "desenhei" a Pandinha em um e o Toruboi em outro
 Quase todos os homens da noite: Toruboi, sr. Eduardo, Ricardo e Marcelo (nosso anfitrião)
 Agora as mulheres (e o pequeno Erick): Helô (a anfitriã), Bibizoca, d.Raulina (mãe do Marcelo), 
Deinha e d.Nair (mãe da Helô)
 Minha família: os Hummel
 Família Franchi Andrade
 Meninas Superpoderosas: Lindinha, Maravilhosinha e Fantastiquinha
 Nossos anfitriões e suas mamães
Esta foi a única foto tirada no dia 01 (chamada de A CONTINUAÇÃO DA NOITE ANTERIOR). Ricardão usando um modelito "pano de prato na cabeça"

Sobre fatos: a última vez que passei uma virada de ano tão maravilhosa, rodeada de pessoas de bem, foi de 2001 para 2002. Em 2002, tive um ano de transformações na minha vida, que resultaram em alegrias e felicidades. Assim, após ter passado por dois dias tão fantásticos, não tenho dúvidas de que entramos em 2011 com o pé direito e com o esquerdo, afinal, quem fica em cima de um pé só acaba se desequilibrando e caindo.

À Helô e ao Marcelo, o nosso muitíssimo obrigado pelo carinho com o qual fomos recebidos pela família de vocês nestes dois dias, por termos ficado tão a vontade com tudo, pelas risadas, pela comida, pela bagunça, enfim, por tudo. Que Deus dê a vocês em cada dia deste novo ano o dobro de felicidade que tivemos nestes dois dias intensos de festa!

Deinha e Ri, quando tudo começou, jamais imaginávamos a Grande Família que todos formaríamos!

VIVA 2011! E que venham muitos encontros, festas, cupcakes e gargalhadas!!!!!

2011 chegou!

Tudo pode parecer difícil, mas depois que passa tudo vira flores. Assim, 2019 passou. O balanço? Saldo positivo. Tivemosnconquistas na vida financeira, em termos de saúde foi excepcional, fizemos alguns amigos, vários colegas, e o melhor de tudo para mim foi passar mais um ano ao lado do meu marido que tanto amo, consolidando o nono ano da nossa vida de casados e felizes, sempre.

Que o seu 2011 seja assim, simples, descomplicado, cheio de amor!

Nossa entrada neste novo ano foi excepcional! Jantamos na casa dos amigos queridos Helo e Marcelo. Tinha já muitos anos que nossa virada de ano nao era divertida e animada. Comemos como se fosse não o ultimo dia do ano, mas o ultimo de nossas vidas. Como a vida nao é filme, precisamos voltar à realidade. Mas como tudo só acontece na segunda, temos ainda 48h para aproveitar. Assim, voltaremos para a casa da Helo para comer o que sobrou de ontem e para saborearnum delicioso churrasco feito pelo Marcelo e pelo Ricardo, outro vizinho e amigo querido!

Ontem ainda tivemos a alegria de receber a tarde em casa um casal de amigos vizinhos com seus filhos, quatro pessoinhas pra lá de especial, e que todos nós gostamos muito.

Esqueço assim tudo que pedi para 2011 e deixo aqui um único desejo registrado: que 2011 seja regado a festas, encontros, jantares, almoços, reunioes entre amigos e muito, muito amor!