sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ser Professor

A vida de professor não é fácil em nenhum sentido. Salários baixos, cobranças trilaterais (por parte dos alunos, dos seus pais e do corpo diretivo da escola), trabalha-se vários turnos na tentativa de perfazer um salário decente e turnos infinitos em casa (professores de educação infantil que os diga).

Ao meu ver, a turma mais difícil de se lecionar é o sexto ano (ou quinta-série). As crianças de 10, 11 anos, pré-adolescentes convictos, chegam do ensino Fundamental I com os hormônios pulsando. Não prestam atenção, não conseguem parar de falar, ainda não sabem se chamam a docente de professora, de tia, ou se abraçam a conquista de poder chamá-la pelo nome. São muitas matérias novas, mochilas pesadas carregadas de novidades e uma boca que insiste em não ficar calada para cada individuozinho ali sentado.

Um dia, ao entrar para mais uma aula no sexto ano, resolvi contar para minhas crianças algumas coisas sobre SER PROFESSOR:

1. O professor está lá por dois motivos: ou por ideologia, por acreditar que pode fazer um mundo melhor, ou por falta de opção: a única faculdade que conseguiu pagar foi a licenciatura, curso que só perde em valor para os cursos de dois anos (chamados de Gestão em alguma coisa);
2. Aqui em Sampa, um professor de escola particular costuma ganhar 13 dinheiros por hora/aula. Mas para preparar uma hora de aula (hora esta de 50 minutos), o professor gasta em média duas horas. Assim, o professor ganha menos de 5 dinheiros para cada aula que está lá na frente dos alunos;
3. Posto o valor que professor ganha, qualquer faxineira diarista ganha bem mais que o professor (e neste quesito, todos eles concordaram e começaram a expor os valores que seus pais pagavam para as ajudantes do lar);
4. Na maioria esmagadora das escolas particulares, os professores não ganham os benefícios que qualquer outro profissional ganha: vale refeição, assistência médica e odontológica, cesta básica, desconto em farmácias, etc. Professor ganha apenas a hora/aula. Ah, sem contar o desconto que vai para o INSS, já que o valor final é sempre tão baixo que não chega a atingir a faixa de recolhimento de IR.

Todos ficaram em silêncio, com os olhos arregalados me olhando. Desde aquele dia, as aulas naquela turminha do sexto ano fluíram de uma maneira inacreditável. 

Pode ser que daqueles alunos, nenhum seja professor. Pode ser que o idealismo surja num deles, e o faça virar professor. Fato é que o respeito naquele dia foi plantado de forma inesperada, pois quando fiz toda a explanação, não tinha o intuito de ver meus alunos com pena de mim, apenas com respeito. Mas o silêncio foi causado pela pena...

Hoje é dia do professor. Nenhum profissional, nenhum grande executivo chegou onde chegou sem ter passado por dezenas de professores. Pode ser que aquele indivíduo que alcançou sucesso na sua carreira, jamais se lembre dos mestres que passaram por sua vida acadêmica. Mas cada professor sabe quando faz a diferença na vida de um indivíduo.

Eu sou a professora idealista, que sonha em mudar o mundo, seja na sala de aula, seja na sala de casa. Sei que posso construir um mundo melhor, mas isto independe da minha formação acadêmica. O ideal pelo mundo melhor existe dentro de mim por acreditar que tudo pode acontecer, basta querer!

Feliz dia dos professores para todos os docentes espalhados mundo afora!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

IDEB - Você sabe o que é?

Tenho duas vezes vergonha do Brasil. A primeira pelas notas divulgadas pelo IDEB. A segunda é saber que a educação pública no Brasil é de pior qualidade e estamos às vésperas de eleger um presidente para esta nação, que seja qual for, aposto minha vida que não fará nada pela educação no país. Mais um.

O IDEB é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. O Brasil tem uma meta a cumprir: as escolas precisam ter no mínimo nota SEIS. Vejam bem, a escola precisa ser só um pouco acima da mediocridade: SEIS. E dá para contar nos dedos das mãos, claro com muitas sobras, alguma escola que atingiu o índice desejado.

Para calcular o IDEB, há vários fatores que influenciam. E quem é que fiscaliza o que acontece? E se não acontece, quem é punido? NINGUÉM!

Se o seu filho, sobrinho, afilhado estuda em escola pública, não deixe de consultar o IDEB da escola. Vale até dar uma espiadinha naquela escola tão boa que você estudou, anos atrás, e que não houve manutenção do ensino, transformando-se em mais um lixo educacional brasileiro.

O site está aqui!

Sobre IBOPE, censo, resgate, dor "y otras cositas mas"

Assim como o IBOPE, para mim o Censo era algo inexistente. Conheço um infinito número de pessoas e nunca conheci o tal aparelhinho do IBOPE. Até que um dia, estava fazendo um processo seletivo para uma multinacional e acabei ficando muito amiga da candidata preferida da empresa. Ela trabalhava onde? No IBOPE. Quando fui almoçar com ela para fazer a oferta final de salário e benefícios, marquei de encontrá-la no prédio do IBOPE, lá na Alameda Santos, e só então pude ver que sim, ao menos lá na sede da empresa, os aparelhos que fazem a medição de audiência existem. Mas faltava o censo...

Até que cerca de um mês atrás, recebemos a coordenadora do IBGE, trazendo cartazes com fotografia da nossa recenseadora, que deveriam ser distribuídos pelo condomínio para que as pessoas confiassem em receber a Andressa. Este era o nome da profissional que faria a contagem por aqui. Dias se passaram e nada da minha campainha ser tocada. Encontrei por acaso com a menina no elevador. E perguntei diretamente o porquê de ela ainda não ter tocado a minha campainha. Assim, meio que forçando a barra, fui entrevistada pela mulher do censo. A coisa foi tão rápida e tão bobinha, que confesso, me frustrou. Pensei que a mulher perguntaria quantas vezes fazemos sexo na semana, quantas bolsas possuo no meu closet ou quantos sapatos existem na sapateira, mas nada. A pergunta mais confusa foi sobre a renda familiar. Antes da pergunta, Andressa foi totalmente cautelosa e afirmou que todas as informações prestadas são secretas. Assim morreu mais uma curiosidade minha.

Porém só curiosidade morreu, eu fiquei no quase. Quase morri de dor na coluna ontem. Há tempos que estou com mau jeito. Já tentei travesseiros de todas as espécies e a dor insiste e persiste. Semana passada a infeliz foi intensificando, mas foi na madrugada de 3a. para 4a. feira que acordei T-R-A-V-A-D-A. A coisa só piorou quando fui levar o Peteleco ontem na escola, tendo que manobrar o carro várias vezes e virar o pescoço. Comecei a chorar ali mesmo, na porta da escola. Uivando de dor, cheguei até a farmácia mais próxima e pedi pela farmacêutica. "Você poderia me dar uma injeção de milagre para acabar com a minha dor?". Diante do meu desespero, a farmacêutica Cida foi totalmente solícita. Avaliou meu "estado de tensão" e diagnosticou: "Você não morrerá deste mal. Vou colocar um emplastro de Salompas (santo Salompas) e você tomará Tandrilax de 6 em 6 horas. Amanhã estará novinha!". Santa Cida. Hoje estou novinha!

O trio "Cida-Salompas-Tandrilax" me fez tão bem, que nem senti dor por ter passado o dia inteiro de ontem assistindo aos resgates dos mineiros do Chile. Não vou me estender no assunto. Há notas e notas, matérias e matérias espalhadas por toda a rede, para todos os gostos. Só preciso registrar pela centésima vez aqui o quanto admiro o povo chileno, sua garra, seu esforço, sua união e seu orgulho por aquela pátria, a qual carinhosamente também chamo de minha!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Vida de mãe: risada contínua

Fui buscar Peteleco na escola. A professora entra no meu carro para prendê-lo no cinto de segurança, e comenta preocupada: "Úrsula, o Leonardo estava muito quieto hoje na aula, aconteceu alguma coisa com ele?". Já preocupada com uma virose que poderia se abater no pequeno, respondi à professora que talvez ele estivesse um pouco cansado, saldo de quatro dias de festas seguidos. Despedimo-nos dela e o carro foi embora. Mal saí da escola e ele começa a me contar:

"Mamãe, hoje eu tirei dez de bonzinho!"
"É mesmo filho, e quanto você tira nos outros dias?"
"Zero!"

Logo percebi que ele estava de pura safadeza, e ficou quietinho excepcionalmente hoje para tentar conquistar um pontinho extra com a professora.

.....

Voltamos para casa e começo a zapear em busca de notícias dos mineiros chilenos. Parei no canal Viva (36-NET). Passava a propaganda da novela Vale Tudo. Bibizoca vê Regina Duarte em 1988 e comenta:

"Nossa mamãe, como é o nome dessa atriz?"
"Regina Duarte filha, por quê?
"Porque ela trabalha nessa novela, no Sete Pecados e na novela Por Amor."
"Filha, em Sete Pecados ela não trabalha."
"Trabalha sim, ela é a diretora Miriam, da escola, lembra?"
"Filha, a diretora Miriam é a filha desta atriz de Vale Tudo!"
"Nossa, mas elas são tão iguais!"

.......

Ainda sobre as novelas, como é que minha filha pode estar a par de tantas novelas? Simples, ela é minha filha, meu DNA, e portanto, AMA NOVELAS!

Aliás, neste feriado estive conversando com algumas pessoas. Não deveria existir uma profissão de "Assistidor de Novelas"?

As conexões da mente humana

Desde o final do dia de ontem, não consigo pensar em outra coisa, sequer consigo deixar de acompanhar o resgate de cada um dos trinta e três mineiros sobrevientes no soterramento na Mina San Jose, na região do Atacama, Chile.

Meu pai assistia a um filme chamado "Vivos", o qual procuro há muitos anos pra comprar e não encontro. Pouco mais de três anos atrás, encontrei o livro "Milagre nos Andes", escrito por Nando Parrado, um dos sobreviventes da tragédia que viveu em 1972, após 72 dias confinado nos Andes em busca do resgate.

Três noites atrás, sonhei com meu pai. Não consigo me lembrar do sonho, apenas me lembro que ele não estava bem. No mesmo dia, Bibizoca veio e me confessou: "mamãe, sonhei com o vovô esta noite".

Agora estou aqui acompanhando o resgate dos mineiros, e sentindo fortemente a presença de outro tipo de mineiro, aquele lá de Minas Gerais a quem pude carinhosamente chamar de PAI.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dia das crianças

Quem aqui, da minha faixa etária (tenho 36 anos) se lembra dos dias das crianças das nossas infâncias? Eu não lembro de nenhum. E não é dizer que éramos "pobrinhos" e tínhamos dias das crianças tristes. Meu avô nos presenteava, meus pais também, as tias paternas e uma tia materna. Era muito presente. Sem contar as madrinhas. Só que não me lembro de nenhum presente, sequer dos dias nos quais os ganhei.

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Há alguns anos, minha cunhada descobriu que era impossível entrar em qualquer lugar no dia das crianças. Reuniu então um grupo de amigos e passaram a contratar buffet, brinquedos e animação, e todos rateavam os custos, para reunirem-se em 12 de outubro. Participamos por dois anos e as crianças adoraram!

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Dia desses, Peteleco perguntou onde seria a festa do dia das crianças. Respondi que em nenhum lugar. Ele argumentou, dizendo que criança precisa de festas no dia dela. Assim, na última quarta-feira, decidi fazer uma festa aqui no condomínio. Consegui autorização do síndico para utilização do espaço, coloquei um panfleto nos elevadores convidando a todos os moradores, e que cada pessoa trouxesse doces, salgados, bebidas e descartáveis. O saldo? SUCESSO TOTAL.

Como dizem os adolescentes, a festa bombou. Pessoas que nunca participaram das festividades do condomínio compareceram com seus filhotes e todos se divertiram um bocado. Acreditem, até marido Toruboi adorou.

Do presente que demos às criancinhas Hummel, com certeza eles não se lembrarão no próximo ano (já que hoje não se lembraram do que ganharam ano passado). Mas da festa... não tenho dúvidas de que guardarão uma deliciosa lembrança do dia de hoje!

Que tenhamos várias possibilidades de outras reuniões assim, fartas, animadas, com pessoas legais e todos felizes para sempre. E colorim colorado!

domingo, 10 de outubro de 2010

Semana de sorte nas festas dos Hummel

Este ano foi o ano de festas micos. Foram incontáveis as que fomos. E o que é festa mico? É aquela festa que tem gente chata, com comida ruim ou sem comida, que tem muita gente se amontoando uns em cima dos outros, enfim, o critério pode variar.

Na quinta-feira, fomos à festa da Luana, nossa vizinha, filha dos amigos Ivo e Sara. A festa foi no Buffet Show Park, na Vila Guilherme. O dia foi fechado, e próximo ao final dele, a chuva. As luzes começaram a piscar na hora do banho, o trânsito que se formou em Sampa foi caótico, mas marido conseguiu chegar em casa e nos conduzir à festa sãos e salvos.

O buffet era excepcional, principalmente no quesito "espaço para crianças". Estávamos em um grupo bem grande de vizinhos, conversamos, rimos, comemos e nos divertimos. Voltamos para casa meia-noite, sem um pingo de sono, tamanha a animação. O detalhe é que todos os membros da família se divertiram e voltaram pra casa felizes!

Ontem foi aniversário do meu "neto" Gugu. Dois aninhos. A festa foi no Buffet Sabor de Alegria 2. Não conhecíamos também este espaço para festas, e foi um dos mais incríveis que já vi. Brinquedos inovadores, boa refrigeração, bom atendimento, mas o mais importante, boas pessoas. Para mim, é sempre um prazer estar com minha amiga querida Alda, a vovó de verdade do Gugu, e com as "nossas" filhas que tanto amo. Mais uma vez, a família toda se divertiu, boa conversa durante toda a festa, e uma sensação gostosa ao voltar pra casa.

Vivemos sempre na correria, e infelizmente, são estes momentos festivos os que temos para reencontrar amigos e colocar a conversa em dia. Ainda bem que minha amiga Alda tem três filhas, dois netos, e nossa caçulinha se casará no próximo dia 31. Juntando meus dois filhos, temos garantido vários encontros por ano, e conseguimos acompanhar o crescimento da turminha toda!

Agora vou sair, pois tem churrasco na casa da minha vizinha e querida amiga Deinha! Mais conversa e mais diversão garantida para um domingo nublado!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O tempo caminha... e a idade vai junto!

Uma das lembranças mais fortes que tenho da infância, é da minha finada tia Ana com medo de completar trinta anos. Assim, cresci achando que fazer trinta anos transformava a mulher em um monstro.

No dia 6 de junho de 2004, estava no último dia dos meus 29. Aguardei a transformação e no dia seguinte acordei igual. Nada tinha mudado em mim. Nem fisicamente, nem psicologicamente, nem mentalmente. Nada. Virar Balzaquiana foi apenas um novo adjetivo para se juntar a tantos outros que denominavam minha pessoa.

Os anos se passaram e neste completei 36. Não sei ao certo o que aconteceu, mas passei a rejeitar a idade, inconscientemente. Todas as vezes em que alguém me pergunta quantos anos tenho, automaticamente respondo: "trinta e cinco". Em seguida, corrijo. 

Passei a perceber que cabelos brancos nasciam na minha cabeça. O que até o ano passado eu resolvia arrancando, não teve mais solução. Eles apareceram em quantidade, e a solução nesta semana foi apelar para uma tinturinha básica.

No último final de semana, sentada no sofá vendo tevê com o marido Toruboi, comecei a perceber que ele já tem muito mais cabelos brancos que aqueles poucos fios grisalhos de outrora. Percebi que ele começou a envelhecer, que começaram a surgir sinais no rosto. Se ele, meu amor, meu companheiro, está envelhecendo, eu também estou.

Nunca fui adepta de cremes. Nada além de um hidratante. Em outros tempos, um Vasenol era suficiente. Hoje uso Victoria Secret, totalmente financiado pelo meu irmão e minha cunhadinha. Não tenho manchas na pele, já que não posso tomar sol. Não posso ficar usando creminhos, pois minha pele sensível mal suporta um protetor solar. Foi neste ano que comprei minha primeira base. E acho que ela vai durar até o dia do vencimento, já que minha pele realmente se irrita com tudo.

Hoje, conversando com uma vizinha que é ginecologista, descobri algo que para muitos não é novidade, mas para mim foi. Os óvulos da mulher envelhece. Se uma mulher de 55 anos engravidar, corre sério risco de ter um bebê com má formação, pois o óvulo já não era como antes. 

Pensei que está bem perto de chegar os 55, de me encher de rugas, de não poder mais procriar, de chegar os pés de galinha. Percebi como meus filhos cresceram, como minha mãe envelheceu, meu pai até já morreu. E o tempo vai passando, passando, tão rápido que mal percebemos. Quando nos damos conta, passou.

Assim, continuarei vivendo no meu mundo de Poliana, utópico, idealista, o melhor mundo de todos. Vivendo, aprendendo, curtindo, crescendo, amadurecendo...

Panda e seus Pandinhas no JT - capa do caderno SEU BOLSO

Pessoal, nem sei se é possível ampliar a foto. Recebi o arquivo em PDF e não conseguia transformar em .jpg. Meu irmãozinho, lá da Irlanda, fez o serviço sujo. Daí travou o Hotmail, que não abria o arquivo de maneira alguma. Como queria MUITO postar a matéria no blog, abri o Google Chrome, o Mozilla, o Explorer e, por fim, o Safari, onde consegui a proeza de baixar o arquivo e postá-lo aqui.

Fui entrevistada na segunda-feira pela jornalista Gisele Tamamar, do Grupo Estado, e a matéria saiu no caderno SEU BOLSO, do Jornal da Tarde, na terça-feira. Amei a foto e a reportagem!

Agora vou correr, pois estou indo para Hollywood dar autógrafo para o Brad Pitt!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Momento reflexão

O texto abaixo é de um jornalista chamado Ernani Lemos. Eu o chamo simplesmente de irmão, já que nascemos pela mesma barriga. O título: "A tecla essencial". Serve para refletir um pouco mais sobre este país chamado Brasil!

"O assunto de hoje é leite. Aqui na Irlanda o leite é entregue nas portas das lojas durante a madrugada e fica lá, intacto, até alguém abrir o estabelecimento e recolher o produto. O mesmo acontece com o jornal, a manteiga e o pão caseiro. Ou seja, todas os dias o café da manhã fica na rua, completo e tentador, com os cadernos de esporte e economia inclusos, mas não há quem roube. E não é que não existam pessoas pobres ou desonestas - elas existem em qualquer lugar - é que o povo, incluindo os ladrões, parecem ter respeito por alguns valores básicos (ou pavor de punições severas). Tanto aqui na ilha quanto na maior parte dos países que visitei, ninguém tem medo de sair de casa vestindo roupas de marcas famosas ou usando modernos aparelhos eletrônicos. Os produtos são acessíveis para a maior parte da população e, consequentemente, pouco atraentes para os bandidos. Ninguém está interessado em roubar um par de tênis ou um celular, seja ele produzido em Nova York ou em Beijing. Uma pena não ser assim no lugar em que nasci. Depois de quase três anos morando do lado de cá do Atlântico, criei um mito de violência sobre o Brasil. Em outras palavras, comecei a ter medo de casa. O curioso é que, dos 26 anos em que morei em São Paulo, só fui roubado duas vezes. A segunda foi em 2006, enquanto o U2 tocava no Morumbi e eu trabalhava na tv perto do estádio. Algum vagabundo entrou no meu carro e levou o som. Já a primeira vez foi uns 15 anos antes. Eu brincava com os amigos numa balança de árvore e um grupo de garotos mais velhos e mais fortes apareceu para estragar a festa. Eles nos expulsaram do brinquedo, roubaram nossos bonés e ainda nos deram uma surra de havaianas (na época em que as sandálias eram brancas com a sola azul e usadas apenas por gente bem pobre). Acontece que eu mesmo era pobre na época (ainda mais do que hoje), o que torna o fato um tanto bizarro. Os maloqueiros, como chamávamos os meninos da favela, não precisavam daqueles bonés e nem da balança só para eles. Mas estamos falando de pessoas que não tiveram sequer uma casa com paredes de concreto ou um uniforme novo para ir à escola, então como é que poderíamos exigir que eles tivessem alguma noção sobre direito e justiça? Afinal, mesmo quem tem um lar razoável na infância é inclinado à violência, seja ela qual for. Essa semana vi no notíciário que, pela primeira vez na história da Irlanda, um homem foi morto numa briga de trânsito. O sujeito saiu do carro para argumentar com outro motorista, trocou umas porradas e voltou para casa. No dia seguinte sentiu tontura, foi para o hospital e lá morreu. É claro que para quem vem do Brasil - onde o jornal, quando espremido, sangra - impressiona saber que existe um país onde nunca antes alguém morreu devido a uma briga desse tipo. Mais impressionante ainda é saber que não houve sequer um tiro. Mas o fato relevante aqui é que as pessoas fazem coisas estúpidas em qualquer continente, em maior ou menor grau, com mais ou menos frequência e a única diferença está nos motivos que levam a tais atos. Nessa ilha bonita onde eu moro, as ruas já foram tingidas de vermelho sangue durante muitas disputas e mortes em levantes e guerras. Mas foram conflitos de fundo ideológico - algumas vezes, é verdade, mascarados pelo perigoso véu da religião -, mas essencialmente foram lutas por liberdade, pela independência do país e do povo. Por isso hoje as pessoas se respeitam e, embora haja motoristas estressados, ladrões de banco e políticos corruptos, poucos se prestam à pequenez de roubar uma garrafa de leite da porta do comerciante que acorda cedo para trabalhar. Já no nosso Brasil, que nunca precisou ir à luta para ter liberdade, não há quem se sinta livre o suficiente para deixar o leite na rua por 5 minutos que seja. E isso nem é o pior. O que me entristece não é saber que, se houver a chance, alguém vai roubar o pão e o jornal na porta da lojinha ou o ipod da mão do pedestre. Triste mesmo é ter a certeza de que vão furtar o leite de tantas crianças que passam fome e que vão roubar todas as oportunidades de outras que ainda nem nasceram. E quem vai roubar não é o moleque favelado e nem o viciado em crack. Quem vai roubar - e vai roubar mesmo - é o sujeito boa pinta que acabou de ganhar voto da própria vítima. Não é exatamente o palhaço, a mulher fruta ou o cantor brega - embora eles também possam vir a fazê-lo -. mas o sujeito careca, a mulher carrancuda, o velho acadêmico ou o sindicalista barbudo. As pessoas, julguem-se esclarecidas ou não, parecem não entender algo óbvio sobre política. Não se trata da continuação de um governo corrupto ou da volta de outro tão corrupto quanto esse. Está tudo errado desde a raíz e provavelmente qualquer um que entrar será corrompido e corromperá mais. Há de existir uma forma de consertar tudo isso. Infelizmente, sou tão burro quanto aqueles acusados de analfabetismo (como se isso fosse crime num país que não ensina) e não tenho a solução. Mas tenho o problema - e enxergá-lo é o que posso oferecer agora. Fiquei triste ao ver amigos comemorando a ida da eleição para o segundo turno, como se isso fosse uma vitória. Não é. Também não seria se tivesse acabado tudo no dia 3 de outubro e tampouco será vitória no final, seja qual for o resultado no dia 31 -  por acaso (?) Dia das Bruxas. A vitória de um candidato ou de outro é o triunfo individual de um grupo pequeno. Algumas pessoas, alguns empresários e alguns segmentos serão favorecidos e, para sustentar esse favorecimento, os outros cidadãos serão enganados, explorados e ignorados por mais 4 anos. E depois mais 4 e mais 4... E não importa de que lado você está - dos favorecidos ou dos otários - no fim ninguém ganha. Porque enquanto não for bom pra todo mundo, não será bom de verdade pra ninguém. O dinheiro que entrar para o rico terá de pagar vidro blindado, segurança particular e cercas elétricas - que não protegem o mundo da gente, mas a gente do mundo. Quem tem dinheiro acaba vivendo numa prisão privada onde não será violentado nem obrigado a comer uma comida horrível, mas viverá sob o medo de que a pessoa do lado de fora da cerca, a que mal tem uma gororoba nojenta para comer, vai cometer um terrível ato de violência contra sua família assim que tiver a oportunidade. E então a culpa será de quem? Do Governo? Da Oposição? Tanto faz. Quando a violência acontece, não importa em quem você votou ou o que o seu candidato fez pelo país. Seja você democrata, republicano, de direita ou de esquerda, quando o homem mau chegar, faminto de leite e sedento por vingança, não vai ter CANCELA, CONFIRMA ou BRANCO. O único botão disponível nesse momento, será aquele que você apertou muito tempo atrás, quando deixou de se preocupar com o futuro de todo mundo e só pensou em vc mesmo: a tecla FODA-SE!"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O dia em que eu adquiri algo que fará com que eu nunca mais tenha dias de terror

Tudo começou como tudo começa: do começo. Dormimos no sábado as oito da noite. Verdade. Família inteira. E fomos até as nove da manhã de ontem. Se estávamos cansados? Podres, afinal, dormir sem barulho de cachorro latindo agora virou privilégio. Cachorros a parte, levantei e o Toruboi foi votar com o pequeno. Fiquei em casa fazendo hora para fazer o almoço, decidida a não tirar o pijama o dia inteiro. Ok, não sei o que é pior, fazer o almoço ou ter que tirar o pijama para almoçar fora, mas optei por ficar em casa. A televisão não passa nada que preste e fico zapeando com o controle remoto. Eis que de repente, paro no canal da Polishop. Vejo uma mulher afro descendente, com um cabelão armado que chegava até o teto. A Polishop girl passava uma chapinha no cabelo da modelo e como num passe de mágica, aquela cabeleira do Zezé ficava lisinha. 

Fiquei estagnada na frente da tela. Não conseguia acreditar naquele milagre. Peguei o computador imediatamente para ver quanto custava aquele sonho milagroso. Foi assim que aquela chapinha mágica se transformou no meu objeto de consumo.

Marido chegou e convidei-o a me presentear com aquele milagre. A tarde, tirei o pijama e fomos até a Polishop mais próxima (que para minha glória, fica a 800 metros de casa). Chegando lá, perguntei para a vendedora se a propaganda era verdadeira, e também se eu podia testar a chapinha mágica dos sonhos. A resposta foi positiva. 

Lá veio a vendedora, pegou uma mecha do meu cabelo, que não é nem curvo, nem reto, nem liso, nem ondulado, nem nada. Acho até que nem é cabelo. Quando ela passou a chapinha, quase fria, uma única vez na minha mechinha, o cabelo ficou liso, mas muito liso, em segundos e sem química nenhuma. Comprei.

Cheguei em casa e testei em mais alguns pedaços de cabelo e eles estão macios e sedosos. Portanto, mulheres de cabelos problemáticos, vale a pena o investimento, já que é mais barato que química.

E eu e minha chapinha nova mágica ultrasupermegapower viveremos felizes para sempre. E colorim colorado!

A educação nos tempos de... agora!

Recebi um email da minha amiga blogueira Carolzinha, falando sobre educação. Coincidência ou atração, estou ensaiando há alguns dias um texto para o pós-eleição. Então vamos lá:

Já é sabido por muitas pessoas e não é mais segredo que um país só se desenvolve através da educação. Mas e os governantes, querem educar? Claro que não, pois quando se educa, tira-se o indivíduo de um mundo alienado, ensina-o a pensar e quem pensa, questiona.

Pessoas me olham indignada pelo fato de eu não votar. Não voto e não faço segredo disto. Não voto porque não há um candidato decente pra votar. Não voto porque sou contra a obrigatoriedade do voto. Não voto porque acho um absurdo o valor que é descontado do salário do meu marido todos os meses, referentes à INSS e IR. Pagamos caro por uma assistência médica padrão executivo que é cada dia menos aceitas pelos médicos. Sabem por quê? Porque um convênio reembolsa na faixa de 30 dinheiros por consulta mensal a um médico conveniado. E quando a consulta é particular, custa 300, 400 dinheiros. Compensa mais o médico atender apenas um paciente particular por dia, que atender 10 convênios. Conta besta.

E não fica só por aí. Pagamos caro todos os meses pelo assistencialismo e pelo paternalismo do governo que hoje controla nosso país e cala a boca dos órgãos de imprensa. Querem matar o quarto poder.

Contudo, se houvesse educação....ah, como tudo seria diferente.

Semana passada, minha filha de 10 anos, que cursa o sexto ano (antiga quinta série) me disse que está aprendendo raiz quadrada, e que achou muito fácil. Perguntei a ela: "filha, se a mamãe não tivesse obrigado você, três anos atrás, a estudar tabuada todos os dias até decorar, você acha que seria fácil?". Ela respondeu taxativa que não.

Hoje, as escolas particulares são todas apostiladas. Existem as apostilas "Sistema Anglo", "Sistema Etapa", "Sistema Dom Bosco", "Sistema Positivo", "Sistema Uno". Excelentes materiais didáticos que antes eram produzidos por grandes editoras, encalham agora nas livrarias. Usa-se um sistema engessado e conteudista. E a criança, aprende alguma coisa? Claro que não.

Tirei meus filhos de uma escola particular em junho, para começarem o segundo semestre em outra. Em termos de valores, nada mudou, pagamos exatamente a mesma coisa. A diferença é que na outra escola havia 35 alunos na sala de aula. E nesta, há apenas 20, sendo que todos os professores contam com o apoio de uma auxiliar em tempo integral dentro da sala. Além de minha filha ter um ensino com qualidade, foi despertado nela o interesse em aprender, já que nos cinquenta minutos que VOAM de uma aula, a professora consegue ouvir as dúvidas dos alunos. Mas além de quase dois mil dinheiros por mês gastos com as crianças em uma escolinha de bairro, ainda pago mensalmente pela vergonha que é o ensino no Brasil.

A escola hoje não ensina o aluno a pensar. Não obriga o aluno a estudar. Os pais terceirizaram a educação integralmente. Cobram da escola atitudes que deveriam ter com os filhos, e não toleram que professor fale mais alto com o seu pobre filhinho. É a era da marginalização. A formação para os bandidos de amanhã.

Meus filhos estudam em uma escola localizada no centro dos condomínios de luxo da Zona Norte de Sampa, onde fica o metro quadrado mais caro da região. Na escola deles, é cheio de madames de salto alto e bolsa Louis Vuitton. Os filhos mandam nas mães. Elas obedecem. Os pais ficam ganhando o dinheiro, as mães gastando no shopping, e os filhos são entregues para a escola para serem educados e saírem gênios, capazes de ingressar na USP sem qualquer problema.

Muitos pais esquecem-se, porém, que o Brasil tem sequer um ensino superior de qualidade. A USP, a UNESP, a FGV, e tantas outras instituições renomadas no Brasil não fazem parte da lista das 200 melhores universidades do mundo. Eu disse DUZENTAS. Para mim, tanto faz se aqui eles estudarem na USP ou na UNIBAN. Quero que eles estudem, que eles aprendam, que se dediquem, e que não vivam na mediocridade. Porque aluno que tira cinco para atingir a média, é no máximo medíocre.

Semana passada, Peteleco ficou de castigo na escola. A irmã estava passando pelo prédio da educação infantil e o viu sentado sozinho. Quando chegaram em casa, ele não queria falar o porquê do castigo. Perguntou se eu brigaria com ele. Respondi que não. Então me disse que a "prô" o deixou de castigo porque ele "mandou" nos amigos. Expliquei que quando ele está na escola, a professora é quem dita as regras, e ele já havia sido castigado por ela no ambiente em que errou. No dia seguinte, fui falar com a professora.

Como sou uma mãe "nova" no universo das dondocas, a coitada da professora ficou meio acuada. Agradeci a postura dela com o meu filho, e pedi que ela o repreenda sempre e quando precisar. Confio nela e sei que a docência no Brasil só se exerce por amor. Ela me abraçou com os olhos cheios de lágrimas. Agradeceu por eu estar na vida dela e disse que gosta muito de mim.

Criança precisa brincar. Mas quando chega a hora de estudar, é pra levar a sério. Minha filha fez caderno de caligrafia, decorou tabuada, e com o irmão não serei diferente. Quero que meus filhos leiam cada vez mais: jornais, revistas, livros, gibis, vejam filmes, aprendam a viver, para aprender a criticar, para formarem suas opiniões. Ensino para a Bibizoca que nem tudo que um professor fala é verdade. Pois muitos professores entram em sala e deixam suas máximas, tomando a criança aquilo como verdade, quando a verdade é única para cada indivíduo.

Vamos educar e formar nossas crianças, em parceria com as escolas, e transformar este país em um lugar realmente pronto para crescer. E um país só cresce se educa seu povo!

domingo, 3 de outubro de 2010

A família Hummel no site IG - saiba mais sobre nossa história!

Tudo começou pelo Twitter. O @ajudeumreporter pedia mulheres que conheceram seus maridos pela internet e tiveram filhos desta relação. Entrei em contato com a jornalista e dois dias depois, recebemos o fotógrafo Guilherme Lara no Solar dos Hummel para a sessão de fotos. O resultado da entrevista está no link abaixo:



sábado, 2 de outubro de 2010

Por que temos filhos?

Tenho muita certeza de que pessoas e mais pessoas já se perguntaram isso. Eu tenho a resposta e ela é bem simples: temos filhos para aprender a exercer a paciência e a tolerância. Pois tem dias que nem Jó aguenta!

Mas não vim escrever ou lamuriar sobre meus filhos, e sim, sobre filhos em geral. Há pessoas, porém, que simplesmente "tem" os filhos. Existe um caminho muito longo entre "ser mãe" e "ter filho".

Para ter filho, basta parir. Ok, sei que não é bolinho parir. Não é fichinha carregar nove meses no ventre. Só que isso tudo é a parte simples da "brincadeira". O complicado é educar. É aí que entra o "ser mãe".

Conheço pessoas que tiveram filhos, mas que por força das circunstâncias, precisam trabalhar para sustentá-los. Outras, como é o meu caso hoje, tiveram filhos e o marido é capaz de prover todas as necessidades básicas e não básicas da família. E a mulher faz o quê? NADA.

Tem tanta criança abandonada por aí. Não falo aqui das crianças que vivem nas ruas, sob pontes e viadutos, mendingando nos faróis. Falo de crianças cujas mães não são capazes de educar, de participar, de vivenciar, de dar limites. A forma mais bonita de amor para um filho é esta: O LIMITE.

Um dia, estava deitada com as criancinhas Hummel, uma em cada perna, e perguntei o que cada um mais amava em mim. Surpreendeu-me absurdamente a resposta da Bibizoca: "eu amo quando você briga comigo, mamãe". Perguntei o porquê e ela disse rapidamente: "mamãe, sempre que vou à casa das pessoas, sou convidada para voltar, e todo mundo me elogia dizendo que sou muito educada; e isso é porque você briga comigo!". Sacou?

Filho quer atenção. A forma mais fácil e simples de criar é largar. É dizer que não se tem tempo. Quando optamos por termos filhos, temos também que optar por sermos mães e pais, e para isso, temos a obrigação de administrar o tempo para dar conta de tudo. 

Estamos diante de uma geração de crianças largadas. Todas elas desfilam roupas de grife, estudam em colégios caros, possuem uma infinidade de brinquedos e jamais um único videogame. São vários, um de cada marca. E o amor? E a educação? E o limite? E a carência afetiva? 

Fica o questionamento aqui para quem pensa em um dia ter filhos!

Sobre alergia, homeopatia e mais alguma coisa (se eu lembrar)

Sou uma pessoa muito cética em muitas coisas. Imediatista ao extremo, preciso de respostas e resultados rápidos para tudo. Mesmo assim, há uns 15 anos, fiz tratamento com homeopatia e acupuntura. Continuei tendo crises de sinusite, de rinite, continuei tendo dores de garganta constantes e após dois anos, abandonei os dois tratamentos.

Bibizoca nasceu com uma saúde muito boa e assim foi até os cinco anos. Apesar de ter tido uma infecção urinária com 30 dias de vida, voltou a ficar doente no dia do aniversário dela de 2 anos, e depois aos cinco anos. E aos cinco e um mês, aos cinco anos, um mês e dois dias, cinco anos, um mês e sete dias...

Nasceu o Peteleco e aí ferrou tudo. Eram dois doentes, revezando a cada semana. Cheguei ao ponto de ter a Bibizoca com 24hs de uma cirurgia para extrair amigdalas e adenóide, e internar o Peteleco com sete meses de vida e suspeita de meningite. Pirei.

Uns dois anos atrás, levei os dois a uma médica homeopata. Esperei por quase duas horas para ser atendida e quando a louca nos atendeu, sequer colocou as mãos (ou os olhos) nos meus filhos. Foi logo imprimindo uma lista de medicamentos que só poderiam ser manipulados na farmácia que ela indicou. Paguei a consulta, rasguei aquele bloco de papel e nunca mais voltei.

Em dezembro, nos mudamos para o Solar dos Hummel e ficamos muito super hiper amigos da família da Mansão dos Turkowiski. Eu e a Dani, a mamãe da família de lá, somos muito amigas, e até brincamos que somos primas. A Dani é casada com o Miguel, que joga bola com o Toruboi, e tem a Rafinha, amiga do Leleco e o (talvez) Raul na barriga. Como o Peteleco e a Rafa eram as únicas crianças que estudavam pela manhã aqui do condomínio, acabavamos por passar todas as tardes juntas. Até que um dia, a Dani me conta que a Rafa nunca tomou antibióticos.

(pausa para respirar)

Cocei-me inteira de inveja. E não existe inveja boa ou inveja ruim. Foi inveja mesmo. No ano de 2007, exatamente no mês de julho, nossa conta da farmácia chegou a dois mil Reais (e guardo os extratos do banco e do cartão de crédito até hoje). Meus filhos ficam doentes semana sim, semana também sim. Peguei o telefone da tal médica milagrosa e agendei a consulta para o dia mais próximo que ela tinha.

Peteleco havia já tomado QUATRO levas de antibióticos neste ano, até aquele dia 1 de junho. E foi o ponto final.

Desde então, estou tratando as criancinhas Hummel com bolinhas de açúcar (que a homeopatia diz conter medicamentos dentro e eu acredito) e deixei de passear no Samaritano e de frequentar o consultório da nossa pediatra alopata semanalmente. Foi um divisor de águas nas nossas vidas.

Mas por que estou dizendo tudo isso? Porque na última terça-feira, levei a Bibizoca à consulta, por achar que o humor dela estava muito "azedo". Eis que eu estou com uma alergia HORROROSA e tomando Hixizine há dez dias, usando cremes fortes e nada de ceder. Minha pele estava em carne viva já, uma coisa horrível. Quando a homeopata viu aquilo, pediu que eu manipulasse umas gotinhas mágicas e também uma pomada e que no terceiro dia eu estaria melhor. Meio sem acreditar, manipulei as tais poções mágicas e hoje estou 80% melhor do que estava. 

Muitas vezes custo a acreditar nestes milagres que a homeopatia opera na vida das pessoas, mas sou testemunha de que FUNCIONA!

Deixo uma foto de "tira-gosto" da minha pele hoje. Não queiram imaginar como era 80% pior do que isto!


A paixão pelo Chile

Ainda bem que não sou só eu que me apaixono pelo Chile. Adoro quando vejo pessoas voltando de lá e contando com a mesma emoção que sinto estando naquele país que amo. Hoje visitei o blog da Rê, e ela acabou de se casar. Foi passar a lua de mel no Chile e voltou apaixonada pelo país. Corre lá pra ver!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Uma história de suruba... ou não

Tudo começou quando um novo condomínio foi "inaugurado". Arquiteclínio, funcionário de uma das empresas terceirizadoras de serviço do condomínio, casado, três filhos, envolveu-se com Bananéia, funcionária de outra prestadora de serviços, também casada, dois filhos.

Logo, Bananéia deixou a empresa e passou a trabalhar em um dos apartamentos do condomínio. O amor corria solto entre Arquiteclínio e Bananéia, até que mais um funcionário chegou ao condomínio: Uóshinguiton. Ali nasceu o triângulo amoroso. Não posso deixar de contar que Uóshinguiton também era casado e pai de duas crianças.

Para substituir Bananéia, a empresa, que perdeu sua funcionária, contratou outra pessoa no lugar dela: Ermenegilda. Também casada e sem filhos.

Enquanto problemas corriam condomínio adentro, o amor entre Arquiteclínio e Bananéia corria por fora, até que o amor entre Arquiteclínio e Ermenegilda foi inevitável. Assim, nosso personagem passou a dar expediente triplo: com a esposa, com Bananéia e Ermenegilda. Para compensar suas faltas, convidou o colega Uóshinguiton para fazer parte do "esquema". Quando ele não estava presente, o amigo fazia as honras com as duas.

Bananéia decidiu deixar o marido para viver as promessas de amor de Arquiteclínio. Ermenegilda descobriu que estava sendo passada para trás e jurou vingança; Uóshinguiton, quando a bomba estourou, jurou que era casado e fiel, e jamais havia feito parte do quarteto. E a esposa de Arquiteclínio descobriu tudo, colocando o infeliz para fora de casa. Só que a essas alturas, Bananéia reconciliou-se com o marido, e Ermenegilda foi demitida, tamanha a confusão causada em um lugar tão familiar.

Esta é uma história real. Claro que os nomes foram trocados, mas aconteceu de verdade. E o condomínio em questão é o qual eu moro. Ah... essa é uma das histórias "light" que aconteceu por aqui. Outras são impublicáveis. Vivendo e conhecendo o ser humano...