terça-feira, 29 de setembro de 2009

O livro para educar filhos


Por diversas vezes, chego na escola dos meus filhos e vem pessoas falar comigo. É sempre elogio para todos os lados, pela educação que eles têm. Eu, claro, fico lisonjeada.

Por diversas vezes, pessoas dizem que sou rígida demais com meus filhos. Não vou dizer que sou indiferente a tais críticas, pois seria hipocrisia. Me questiono e pergunto se precisa mesmo de tanta rigidez.

Por diversas vezes, meus filhos vão para casa de amigos, de parentes e recebo vários elogios pela educação dos dois.

De tanto assunto, nossas mentes transformam-se em um paradoxo. Ser mais flexível, mais maleável ou continuar na linha dura? Filho vem sem bula, sem manual de instrução, sem guia de como usar, sem tutorial para manuseio.

Continuarei seguindo a linha dura. Castigando quando for preciso, mesmo que sejam castigos que me causem dor. Dando para eles o amor que posso. Ofertando-lhes coisas materiais que estiverem ao meu alcance, sem prejudicar seus valores, pois a infância é rápida demais para perder tempo pensando em algumas normas rígidas que a sociedade cria e que eu não estou com vontade de seguir.

Pensamento do dia

“Toda e qualquer experiência em nossas vidas é válida. Desde que saibamos entender a moral da história de cada uma delas”. Ursula Hummel

A tecnologia em favor da cultura


No Natal de 2005, queria surpreender meu marido. Já tinha dado para ele todos os presentes possíveis. Uma coleção de relógios, roupas, calçados, livros, CDs, DVDs. Queria surpreendê-lo. Comprei um relógio Bulova, com um desenho diferente dos quais ele já tinha. Mas me achei repetitiva. Há algum tempo, ouvia falar em um tal de iPod, mas não tinha idéia do que era o aparelho. Sabia apenas se tratar de um walkman moderno. Procurei tanta gente para me explicar sobre o aparelho e nada. Fui ver o preço. O mais simples, custava quase 3 mil Reais. Como minha tia estava indo visitar sua família no México e todos os anos passa pelos EUA, resolvi pedir para que ela me trouxesse. Mas ela voltaria só na primeira quinzena de janeiro e queria o presente para a noite de Natal. Comprei na Saraiva.com. Quatro anos atrás, apesar de a função de tocar músicas em formato MP3 ser a mesma, o aparelho era anos luz atrasado em relação ao que há hoje.

Meu marido deixou o seu novo brinquedo por dois anos guardados, por não ter tempo de aprender a mexer. Um dia, uma amiga me ensinou a baixar músicas na internet. Quando ele me viu fazendo isso, resolveu tentar usar seu iPod. E deu certo. Assim, ele passou alguns meses baixando músicas, descobrindo novos artistas (coisas que ele adora fazer) e conseguiu preencher quase que metade da capacidade de armazenamento do seu já arcaico aparelho, de 2 GB de memória.

Depois de tanto trabalho, acabei me rendendo aos encantos do aparelho. A qualidade do som era realmente maravilhosa. Como meu marido estava indo para a China, pedi que trouxesse um iPod para mim. Ele trouxe o recém-lançado iPod Classic Vídeo, com 160 GB. Impressionante, pois o aparelhinho dele, aquele que custou tão caro pouco tempo antes, era praticamente uma sucata. Na verdade, virou uma sucata. Com três meses de uso, o aparelho caiu no chão e não teve conserto.

Enquanto me divertia com meu iPod, percebia claramente o olhar de “chupar dedo” do meu marido. Sabe o que é um olhar de “chupar dedo”? É quando uma criança olha para o brinquedo da outra e sonha dia e noite com a chegada do Papai Noel, para ter um igual. Dei meu brinquedo para ele. Comprei um celular com a função MP3, o mais barato que achei no mercado (pois odeio celular, queria mesmo um MP3 Player) e transferi algumas músicas. Só que não era a mesma coisa, já que o celular pode acabar a bateria no meio da rua e, em meio a uma emergência, deixamos de ter recursos para usar sua principal função: telefonar.

Agora, meu marido acabou de voltar de outra viagem internacional. Esteve na China novamente e por duas vezes nos EUA. Em Chicago, comprou-me um iPod Touch. Eu amei o brinquedo. Muito se falou por ocasião do lançamento do iPhone, mas nunca tive curiosidade em ver, conhecer ou saber os diferenciais. Meu iPod tem as mesmas funções do iPhone: funciona internet, leio emails de qualquer lugar onde houver rede wireless, baixo jogos, livros, possui GPS e mais um milhão de funções. Mas a principal delas: é um MP3 Player da melhor qualidade.

Assim, baixei vários áudio-livros. Já comprei trinta deles, mas não tinha conseguido ouvir quase nada, já que sempre que estou no carro, estou com as crianças, ou estou no trânsito, ávida por notícias. Em duas semanas, fiz a leitura de cinco livros que há muito estava querendo ler, mas com o excesso de leitura acadêmica que me consome neste semestre, estava impossível. Agora, ouço meus livros no banho, na cama, enquanto faço compras de supermercado, enquanto as crianças brincam em um parque. Posso dizer que minha vida é muito mais feliz com meu novo iPod.

Pedagogia do medo


Entrei na sala para dar aula. Meus vinte e três alunos encontravam-se de cabeça sobre a mesa, em absoluto silêncio. Achei que era alguma experiência da aula de Ciências. Um deles me cumprimentou, “hola Maestra!”. A professora gritou, “falei que não é para ninguém levantar a cabeça”. Fiquei até com medo de continuar a entrar na sala. As crianças mal respiravam. Acho que a respiração imperceptível também fazia parte do combinado entre eles e a professora. Deu um tremendo dó. Porém, sobre a mesa da professora, havia cinco pilhas de provas. Em dois dias, todas as cinco pilhas tinham de estar corrigidas e as notas imputadas no sistema da escola. Como alguém corrige prova de matemática, com vinte e três crianças falando ao mesmo tempo? Que tipo de atividade dar em um momento como este? Nenhuma. Simplesmente é incompatível corrigir prova de Matemática ou qualquer outra disciplina com crianças falando ao mesmo tempo.

A culpa é das crianças? Não.

Então da professora? Não.

A culpa é da escola? Talvez.

E os pais, têm alguma culpa? Sim. Pois deveriam participar ativamente da vida escolar dos seus filhos, deveriam saber que atitudes como esta são usadas com seus filhos, enquanto pagam-se grandes somas em dinheiro para que eles estejam lá aprendendo, interagindo, e não cabisbaixos e quase sem respirar. Mas o que a professora podia fazer? Não sei. Não consegui pensar em nada. E a escola? DEVERIA ter uma auxiliar para dar qualquer tipo de atividade para aquelas vinte e três crianças, enquanto a pobre professora corrigia os cinco montes de provas (de cinco disciplinas diferentes).

A educação não se faz só com a escola, só com a família, só com o professor. É uma responsabilidade coletiva, onde cada parte deve vistoriar a outra, constantemente. Não deve apenas apontar-se problema. Deve-se também sugerir soluções. Você sugeriria alguma?

Qual é o rumo da educação no Brasil?

Estávamos na sala dos professores, hora do intervalo e o papo era sobre filhos, escolas e educação. Uma professora me perguntou, “qual o método de ensino na escola dos seus filhos?”. Respondi na lata: “é um método muito moderno, utilizado por todas as escolas que conheço: pague a mensalidade em dia. Se seu filho tiver capacidade, será alguém na vida. Se não tiver capacidade, nada poderemos fazer para mudar a realidade dele”. Todos os professores presentes riram.

A teoria de Piaget é maravilhosa: o aprendizado se dá de dentro para fora. Para cada faixa etária, que pode variar de criança para criança, há uma etapa cognitiva para ser desenvolvida. Vigotsky veio depois e inverteu a ordem dos fatores. O aprendizado se dá de fora para dentro. A criança aprende com o meio e através deste meio é que desenvolverá aquilo que tem dentro de si. Depois, passaram-se alguns anos e veio o Paulo Freire. O indivíduo aprende e o processo de aprendizado é acessível à todos, desde que usada a linguagem adequada ao meio em que aquele sujeito está inserido.

E na prática, o que temos? Vou exemplificar só pelo Ensino Fundamental I, que compreende crianças de 5 até 10 anos, do 1º até o 5º ano. Salas de aulas com o mínimo de 25 alunos (em boas escolas particulares). Um único professor para ensinar todas as disciplinas: Matemática, Língua Portuguesa, Ciências, História e Geografia. Nas escolas particulares, há as aulas extra-curriculares, como Música, Educação Física, Educação Artística, Expressão Corporal, Informática, Língua Inglesa, Língua Espanhola. A base, porém, está nas cinco primeiras disciplinas citadas. Este único professor tem turno duplo: ou trabalha pela manhã e pela tarde na mesma escola, ou, na pior das hipóteses, em duas escolas. Se ele der a sorte de ser uma perto da outra, ótimo, senão, serão mais alguns bons minutos diários perdidos no trânsito.

Além da jornada dupla e do trânsito, ainda tem muito trabalho a ser levado para casa. Não dá para coordenar 25 alunos, ensiná-los ao mesmo tempo cinco disciplinas diferentes, olhar todos os cadernos, os livros, as agendas, atender solicitações dos pais, agir de acordo com as normas da escola (que vão, normalmente, de acordo com a receita que aquele aluno gera).

No meu tempo (e isso me envelhece), até o final do extinto primário, tínhamos um único professor e aprendíamos apenas Português e Matemática. E o básico do básico, apenas para começar a entrar na complexidade dos assuntos no Ginásio. Hoje, o número de informações que são jogadas na cabeça de uma criança com menos de dez anos é absurdo. Tenho uma turma de quase trinta alunos, no 2º ano do Fundamental I. A idade varia: 7 ou 8 anos (para os atrasados). Eles mal foram alfabetizados. Os fonemas ainda são trocados e toda a dificuldade fonética da nossa língua ainda está longe de ser sanada em suas cabeças. Piaget explica isso, afinal, estão entre as fases pré-operatório e operatório concreta. E o que explica o excesso de informação que essas crianças não são capazes de assimilar?

Os pais acham lindo fazer propaganda sobre as escolas dos seus filhos; quanto mais atividades extras tiverem, melhor será a escola. Mas será que já pararam para pensar que a infância está sendo roubada a cada dia?

E quantas vezes não tenho ouvido as perguntas: “qual a função da escola?”; “qual a função ou o papel do professor?”; “qual a função ou o dever do aluno?”; “qual o papel da família?”.

São perguntas sem respostas. Há muita coisa errada e o buraco é muito mais embaixo. Os professores são mal pagos, as escolas cobram valores exorbitantes, os pais não educam seus filhos para respeitarem os professores, os professores são cobrados pela tríplice aliança: pais/filhos/donos das escolas. E o Governo, por onde anda?

O Governo anda por aí criando leis importantíssimas, como no caso do governo municipal de São Paulo, que criou a lei de inspeção veicular para automóveis fabricados a partir de 2003. Já que os outros não pagam mesmo licenciamento, multas ou irregularidades, vamos arrecadar de quem paga. E depois, devolvemos. Com muita burocracia, para aqueles decididos a enfrentar. O Governo também está preocupado com problemas de Honduras, de Cuba, de aviões fabricados na França, de quem serão os candidatos para continuar a roubalheira, ops, a governança.

É de interesse do Governo investir em educação? Claro que não. A partir do momento que o povo receber uma educação de qualidade, muita gente deixará de fazer parte do senso comum e utilizar do bom senso para levar a vida. E quando a ficha da população cair, através da educação, o único instrumento capaz de mudar a forma de pensar e de agir de uma nação, o Brasil não será mais terra de ninguém. Alguém sairá perdendo. E como quem não quer perder é quem está no comando da organização, melhor deixar tudo como está.

Como li outro dia na página virtual de uma amiga, é a campanha pela vida: “cada um cuida da sua”.

Úrsula Hummel – 35 anos – Mãe da Isabela, que completará 10 anos em novembro e do Leonardo, que completará 4 no mesmo mês – cidadã brasileira – professora de línguas Inglesa e Espanhola

Indignação ou Indigna Ação?


ÍNTEGRA DA CARTA ENVIADA AO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE BANDEIRANTE DE SÃO PAULO


Ao
Instituto de Educação

Prezadas Professoras Roseana e Coleti,

Sei que esta mensagem será apenas mais uma enviada à Uniban e que não terá retorno de ninguém. Se bem que na última reunião que houve entre alunos e Coordenação, a professora Coleti garantiu que mensagens enviadas a ela seriam respondidas e é com a esperança de sua promessa que vou usar do meu precioso tempo para fazer um desabafo ou uma reclamação.
Primeiramente, peço desculpas caso o nome da Professora esteja grafado de maneira errada.
Hoje, sai da minha casa para ir até a Universidade, assistir quatro importantes aulas, quais sejam, duas de Língua Inglesa e duas de Literatura Comparada. Para tanto, deixei meus dois filhos na escola doentes. A mais velha, com nove anos, estava com 39 graus de febre. Como não tenho com quem deixá-los, a única opção para não perder as aulas foi deixá-la na escola.
Ao entrar em sala de aula, fomos comunicados sobre o evento que estava ocorrendo, organizado pelos alunos do curso de Turismo. Os professores teriam de nos levar para assistir o mesmo. Em consenso, a sala optou e pediu para que a professora ministrasse sua já preparada aula, uma vez que sua disciplina é a que os alunos possuem maior dificuldade.
Após o intervalo, nossa professora, Doutora Ieda, pediu nossa colaboração para assistir e prestigiar o evento dos colegas, o que não nos custava nada. Citou, inclusive, o caso de um palestrante ter desistido de sua apresentação na jornada de Letras do ano passado, por falta de quórum.
Alguns pontos:
1. Em 1998, ingressei na Uniban, no curso de Direito. Naquele ano, a Jornada Jurídica, organizada pelos Coordenadores e responsáveis pelo curso, trouxe para as palestras: Dr. Miguel Reale (in memorian), Dr. Rubens Aprobatto Machado (Presidente da OAB na ocasião), Dr. Carlos Miguel Aydar (precursor em Direito), dentre outros importantes nomes. O anfiteatro do campus Maria Cândida sempre foi pequeno para o número de alunos que participavam das Jornadas, pois nos eram trazidos nomes interessantes e pessoas que agregaram, e muito, ao vago conhecimento dos estudantes.
2. Em 2007, quando ingressei na Uniban para o curso de Letras, tivemos uma reunião no primeiro semestre entre a Coordenação e os Representantes de Classe. Na ocasião, sugeri para a professora Roseana e para o professor Bene, que tais eventos anuais são de extrema importância aos alunos. É importante que pesquisemos temas e participemos da jornada. Mas é muito mais interessante que venham pessoas de renome na área a qual estudamos, falar sobre nossas futuras profissões.
3. Durante catorze anos, trabalhei como Consultora na área de Recursos Humanos, com as mais renomadas empresas multinacionais e tive a oportunidade de realizar vários eventos. Uma coisa importantíssima ao realizar um evento é saber: QUEM É O PÚBLICO PARA ELE?
Agora, expostos os fatos acima, venho dizer que quando fui para a Universidade hoje, fui para assistir aulas de meu total interesse. Não estou estourada em faltas, não estou precisando de notas, já sou formada e também não preciso de diploma. Mas as aulas que estou tendo no curso de Letras mudaram o curso da minha vida em termos de conhecimento de mundo, coisa que nenhuma das outras duas faculdades as quais cursei me proporcionou. As duas professoras que ministram as aulas de hoje são professoras que fazem a diferença na vida de qualquer indivíduo, seja ele aluno ou não.
Daqui seis semanas, começam nossas avaliações. Em Língua Inglesa, chegamos até a metade da matéria do semestre. Em nenhum momento, por incompetência da professora; pelo contrário, por excesso de competência e por fazer questão de sanar individualmente toda e qualquer dúvida dos alunos, que são muitas.
Em Literatura, temos o total de onze obras a serem analisadas neste segundo semestre. Mais uma vez, por excesso de eficiência da professora, que não deixou lacunas ou dúvidas em toda a matéria vista até agora, estamos muito atrasados. O tempo é curto e em seis semanas, temos nada menos que: Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, José Lins do Rego, Raquel de Queiróz, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa e o término de Carlos Drummond de Andrade, com suas respectivas obras que constam do conteúdo curricular da disciplina, para analisar, discutir e compreender. Será que o Instituto de Educação tinha ciência do que estávamos perdendo, ao “solicitar” nosso prestígio aos colegas do curso de Turismo?
Sei que vivemos hoje em um mundo individualista. Cada um pensa apenas em si e devemos mudar tal conceito. Mas fazemos caridade quando nos é possível e quando desejamos fazê-la, o que não era o caso de hoje.
Não basta apenas criticar, há que se sugerir uma solução. Sugiro, então, que as Jornadas que ocorrem anualmente em vários cursos da Uniban, sejam melhor programadas e estruturadas. Que as mesmas não sejam impostas aos alunos, mas que possam oferecer algo para os alunos de cada um dos cursos. Mais ainda, envolvam pessoas que tenham interesse em participar das mesmas. O saber não ocupa espaço, mas há vezes em nossas vidas que o espaço é curto demais para benevolências.
Tomo a liberdade de copiar todos os professores do 3o. ano de Letras do campus Marte - período matutino, para que não haja nenhum mal entendido com relação ao conteúdo da minha mensagem, que tem o intuito apenas de mostrar minha indignação com a medida arbitrária da Universidade e total desacordo com a mesma.
Desculpo-me pela tomada de tempo das professoras do Instituto de Educação e agradeço, atenciosamente.

ÚRSULA HUMMEL – 3º. Ano de Letras – Campus Marte – Matutino
R.A. 307831850 – Curso de Letras
R.A. 798492295 – Curso de Direito

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Eu nasci pobre e nojenta. Mas limpinha!


Preciso aproveitar o tempo ocioso, já que não durmo a noite para fazer inalação no meu filho doente e não durmo durante o dia para assistir Play House Disney com ele, para falar sobre frivolidades que vão ficando guardadas na minha cabeça.

Não sei por que algumas pessoas nascem nojentas. Quando digo nojentas, não quero dizer frescas, metidas, mas nojentas no sentido literal, que é ter nojo das coisas.

Eu nasci nojenta. Não gosto de ser assim, mas sou e não vejo como mudar. Não tomo no copo de ninguém, não como com os talheres de ninguém, não uso toalhas de banho usadas por ninguém.

Todo mundo sabe como sou desprendida de várias coisas materiais. Empresto livros, DVDs, CDs, e por várias vezes, não tenho de volta os meus pertences devolvidos. Mas emprestar roupa... não consigo.

Tenho várias caixas com vestidos de festas. De vários tamanhos (já que meu tamanho oscilou muito nos últimos anos), de vários modelos, de várias cores. As pessoas me perguntam, “por que você não aluga, ao invés de ficar juntando vestidos?”. Porque tenho nojo. Só de imaginar quem possa ter usado uma roupa alugada, fico toda arrepiada. Pior de tudo isso é que meu filho nasceu nojento como eu. Espero que ele trabalhe e dê duro na vida para poder desfrutar dos nojos dele, assim como, até hoje, pude desfrutar dos meus.

Neste ano, uma fulana me pediu um vestido de festa emprestado. Para a mãe dela, que eu nunca vi na vida. Simplesmente me ligou e pediu o vestido, podia ser qualquer um. Prefiro dar a emprestar para alguém. Na verdade, a pessoa que me pediu o vestido tem cara de gente suja e quando ela me mandou uma foto da mãe, pensei em doar todos os meus vestidos, a ter qualquer um deles usado por gente que não conheço e ter de volta.

Já emprestei muitas roupas, por muitas vezes, para várias amigas. Vejam bem: A M I G A S. Empresto roupa, sim, desde que seja para alguém que eu conheça e seja “limpinha”. Ano passado, minha amiga tinha a formatura do Ensino Fundamental do seu sobrinho/afilhado. Eu fiz a maior questão: trouxe-a até minha casa e deixei livre para que ela escolhesse um ou quantos vestidos quisesse, boleros, echarpes. Minha amiga é alguém que conheço muito bem, sei o quanto ela cuida das coisas dela e dos outros também. Emprestei de todo coração e emprestarei para ela ou para outras pessoas iguais a ela quantas vezes precisarem. Só que a cara de pau da pessoa que mal me conhece, ligar na minha casa em pleno final de semana para pedir um vestido emprestado para alguém que nunca vi na vida (e lembrem-se, tem cara de suja, só pela foto), me fez negar o pedido.

Não me senti mal por minha atitude. Já disse e repito que não é bom ser nojento. Portanto, não falo sobre minhas nojeiras com orgulho. Mas se eu sou assim, o que fazer?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Cansaço


Como dizia meu finado pai, hoje estou só "o pó da rabiola". Sete semanas para o início das provas finais. Estágios para protocolar. Aulas para dar no colégio. Aulas particulares. Filhos. Casa. Marido. Médicos. Amigos. Festas de aniversário. Aniversário dos meus filhos chegando. O apartamento novo que não sai. O dia de entregar este apartamento chegando. Noites mal dormidas fazendo inalação no pequeno e administrando remédios. Por incrível que pareça, nem tenho sentido fome. Confesso que estou vivendo o período mais complicado e cheio de informações da minha vida. E que seja para o bem!

Mikhail Bakhtin


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um anjo em nossas vidas

Eu falo tanto da dra. Maria Helena, que muitas das minhas amigas já foram conferir. Umas não voltaram mais, outras me agradecem sempre pela oportunidade de tê-la como pediatra.

Para mim, ela é muito mais que a pediatra dos meus filhos. É minha amiga, minha conselheira, minha incentivadora, meu modelo de mãe, de profissional, de determinação, de perseverança.

Essa pessoa na foto é a pessoa que me ajuda a cuidar da minha vida, da dos meus filhos, da do meu marido e da minha família.

Obrigada, doutora Maria Helena Valente, por fazer parte da nossa vida!

As surpresas da vida


Gostaria de ter postado ontem alguma coisa para desabafar um pouco. Só que o cansaço falou mais alto.

Meu filho acordou não muito bem. Em tempos de gripe suína e vendo que a tosse persistia, liguei para a pediatra e pedi um encaixe. Quando o busquei na escola, vi que ele estava pior. Sem comer desde o domingo (o que não é nada normal no caso dele), me apressei para chegar ao consultório da Dra. Maria Helena, levando comigo todos os exames de um check-up que fizemos final do mês passado.

Quando a doutora começou a examiná-lo, sempre de baixo para cima, já mostrou nos pés dele que havia sinais da tal síndrome de pé-mão-boca, uma virose que dá toda hora nas crianças, enchendo a boca de aftas e manchas avermelhadas pelos pés e mãos. Mas ao olhar seus exames...

As radiografias de seios da face mostravam a região tomada por catarro. As dos pulmões mostravam o pulmão direito com um terço tomado, indicando uma grave asma. Choque foi ao ver os exames laboratoriais: colesterol quase 200 e alteração nos hormônios da tireóide.

Fiquei atônita. Caramba. Fui eu quem pediu para fazer os exames nas crianças, por rotina. Fiz os exames no melhor laboratório que existe, segundo os médicos. Portanto, a chance de que os diagnósticos estejam errados são mínimas.

Hoje, meu filho está ruim o dia inteiro. Usando bombinha para asma, para fazer parceria com a irmã, tomando corticóide de novo, e acabou de dormir, com 39 graus de febre.

Amanhã não irei trabalhar, para voltar com ele à pediatra. E como minha intuição de mãe não falha, lá vem antibiótico de novo. Espero que meu pequenucho melhore logo, pois uma das maiores impotências maternas é ver filho doente!

O que prevalece em você: Jekyll ou Hyde?


Tenho uma colega de classe que é muito inteligente. Tem pessoas que precisam se esforçar para conseguir aprender as coisas, umas com mais esforço, outras menos. Outras são simplesmente inteligentes por natureza. Assim é minha colega. Sempre digo para ela que morro de raiva dela. Eu passo o semestre inteiro me matando de estudar. Ela falta quase que todo o semestre. De repente, surge em uma aula, olha para o que o professor está explicando e diz, “que coisa idiota, como isso é fácil”. Mas minha colega não fala isso de maneira arrogante ou para humilhar os pobres e esforçados mortais. As coisas são simplesmente fáceis de processar para ela. E por ser uma aluna que falta tanto, ela não se tornou um grande destaque dentro da minha sala, pois, sem sombra de dúvida, é a pessoa mais inteligente.

Hoje, estávamos discutindo vários assuntos ao mesmo tempo. Desde o dia em que decidi que seria prostituta (e ela disse que eu jamais teria coragem), passando por assuntos da vida dela (profissional, pessoal) e, claro, como não poderia faltar, falávamos de pessoas ao nosso redor.

Há pessoas que trazem dentro de si muito complexo. São necessários anos de terapia para resolver tais problemas internos, mas como o dinheiro mal dá para a comida, quem dirá para pagar um bom terapeuta. Tais complexos fazem com que a bipolaridade que existe em todo ser humano, se torne muito mais aparente que em pessoas sem a tal complexidade excessiva.

Tem gente que sofre ao ver um amigo, um irmão, um cunhado ficar noivo. E espera o namorado tomar uma decisão, sair de cima do muro, não vendo nada acontecer. Lá vai a carga de inveja, misturada com a frustração, vezes o complexo. Vira uma salada. Nessa hora, o Dr. Jekyll que existe em cada um de nós dá lugar para que Mr. Hyde se torne o supremo. Não acho que uma pessoa é capaz de matar alguém, fisicamente, só por descobrir que não é o melhor aluno da sala de aula; apesar de sempre ter se achado o tal. Tampouco matará por descobrir que a vida de todo mundo ao seu redor está resolvida: amigos casando-se, tendo filhos, comprando suas casas. E a pessoa ainda no simples empreguinho de atendente de telemarketing, em um momento da vida que a carreira já deveria estar despontando.

O que faz com que o Mr. Hyde existente dentro de pessoas desse tipo mate alguém são as fortes palavras usadas. É o mau-caratismo. É a falta de personalidade, para chegar para as pessoas e dizer o que está incomodando. Para um indivíduo assim se sentir superior, precisa ter como melhor amigo aquele outro indivíduo que tem um empreguinho tão medíocre quanto o seu, e, pior, não tem sequer namorado.

Bom, isso aqui foi um papo pessoal, sem pé, sem cabeça, sem sentido, mas totalmente compreensível para eu e minha colega inteligente. E que a inteligência e a humildade dela continuem sendo características dominantes na sua personalidade, para que ela seja capaz de tentar contagiar “mentes doentes” ao seu lado.

sábado, 19 de setembro de 2009

A vida de tantas Terezas


Bastião e Tereza se conheceram ainda na adolescência. E construíram uma vida juntos por mais de duas décadas. Ambos se formaram na mesma profissão, mas cada um trabalhava em uma área. Na verdade, Tereza abriu mão da sua vida profissional para seguir os passos do amado Bastião, assim que se casaram. Saíram de sua cidade natal rumo a um lugar bem distante. Os anos passaram e voltaram para casa. Queriam um filho e o filho não vinha. Tentaram alguns tratamentos. Nada. Decidiram adotar. Bastião foi convidado para trabalhar do outro lado do mundo. Tereza, que já se estabelecera profissionalmente, abandonou mais uma vez sua vida pessoal para seguir Bastião. E lá foram os dois. Na verdade, três, pois o tão sonhado bebê estava na barriga. Gravidez longe da família, país de língua estrangeira, povo difícil em lidar e um parto sofrido: quarenta e oito horas até que Bastião Júnior nascesse. A família já começava a se adaptar, mas Bastião voltou para o Brasil com todo mundo. Mais uma vez, Tereza foi buscar um rumo profissional. Sempre fora a melhor aluna da escola, do Ensino Médio técnico, da faculdade, não era justo desperdiçar tanto talento. Compraram sua casinha e enquanto Bastião continuou seus estudos, Tereza trabalhava, cuidava da casa, do filho e do marido. Até que ele decidiu voltar para aquela primeira cidadezinha. Lá foram os três para Camaçari. Vida difícil, de novo longe de tudo e de todos, de novo uma readaptação ao povo, ao clima tão diferente daquele que haviam crescido. Enquanto ele trabalhava, ela lutava com a escolha da escola, da empregada e começou a trabalhar por conta própria. Por vezes, teve de correr até São Paulo para finalizar trabalhos, mas nada que lhe fizesse sofrer. Estava ao lado do seu grande amor. Espontaneamente, veio a segunda gravidez e nasceu Terezinha, para completar a felicidade da família. Bastião seguia sua função masculina: trabalhar e prover o sustento da família. Tereza, a sua feminina: trabalhar para complementar o sustento da família, cuidar dos dois filhos, da casa, das escolas, do marido. Até que um dia, Terezinha e Bastião Júnior foram ameaçados de morte. Bastião arrumou uma amante, também casada. Quando o marido traído descobriu, decidiu fazer justiça com as próprias mãos. Mas não contra Bastião, e sim, contra seus filhos. Tereza saiu de Camaçari para a capital, Salvador, escoltada pela polícia local. De lá, voltou para a casa da mãe com seus dois filhos, onde permanece em segurança física. Pois a emocional desabou. Essa Tereza não é Batista, portanto, não se cansará da guerra e continuará sua batalha. E assim como tantos contos, esse termina aqui. FIM

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Biografias


Ler a biografia do Paulo Coelho me fez refletir muito. Até levei mais tempo que o normal para concluir a leitura, pois por várias vezes reli algumas coisas, enquanto pensava na vida. Pensava na vida dele, na vida de outras pessoas famosas as quais já li as biografias. Pensando na minha vida e na vida de tantos outros pobres mortais.

A vida de todo mundo é uma grande história, sem um gênero definido. Em toda história de vida, há humor, aventura, drama, terror, comédia, tragédia. Toda história de vida é interessante. Claro que todo indivíduo poderia escrever sua biografia. Pessoas públicas, porém, aguçam nos indivíduos o interesse em suas vidas particulares. Os pobres mortais são ignorados, como apenas “mais um”.

Paulo Coelho escreveu diários durante toda a sua vida. Também gravou fitas K7 e, juntamente com os diversos livros, guardou tudo em um baú. Deixou escrito em seu testamento para que tudo fosse destruído após sua morte. E mudou de idéia quando decidiu que Fernando Morais escreveria sua biografia.

Eu sempre gostei muito de escrever. Cartas, bilhetes, diários, cadernos. Tenho muitas coisas guardadas e outras as quais infelizmente, me desfiz. O que tenho guardado é o suficiente para que eu tenha tomado a decisão de nunca parar de escrever.

Há mais de sete anos, conheci meu marido pela internet e trocamos muitas mensagens eletrônicas, até depois de casados. Certo dia, ele começou a imprimir tudo para que eu guardasse. A falta de tempo fez com que ele abandonasse um pouco esse projeto pessoal e como esse tempo parado foi muito grande, todas as mensagens foram apagadas da sua conta de mensagens, que foi dada como inativa. No dia em que descobrimos isso, foi-se embora uma parte da nossa história.

Da parte que ficou, decidi reler. Fazia muito tempo que não mexia naqueles papéis. Foi muito emocionante reviver tantas coisas, saber detalhes do início da nossa relação que nenhum de nós dois relembrava. Gostei de ver todas as mudanças que os quase oito anos fizeram em minha vida. Envelheci, amadureci, mudei, cresci; sou outra pessoa.

Confesso que houve coisas daquela Úrsula de outrora que me deixaram com saudades. E vou procurar resgatar tudo de bom que ficou para trás, e deixar para trás coisas da Úrsula de hoje que não me agradam muito.

Acima de tudo, continuarei registrando coisas da minha vida, para que de tempos em tempos, seja possível fazer uma reciclagem na minha pessoa e seguir meu caminho, sempre buscando evoluir.

Tudo pelo fim das obras


As quatro obras dos condomínios que estão sendo construídos na rua em que moro continuam a todo vapor. Os caminhões continham chegando antes das seis da manhã, fechando as ruas laterais e graças às chuvas fortes da semana passada, que a rua está um pouco menos barrenta. Bem pouca coisa.

Tem dias que são desesperadores. Hoje, sai seis e meia da manhã para levar as crianças. Já tinha tanto caminhão, que fecharam a rua ao lado. Meu carro ficou preso, não ia para frente, já que os caminhões fizeram uma barreira. Não ia para trás, já que carros buzinavam atrás de mim. Assim, perdi quinze preciosos minutos para sair daquela situação.

Minha filha, me conhecendo muito bem, já falou: “mamãe, não fica nervosa não, pensa que os vizinhos do prédio no qual vamos morar estão passando pela mesma coisa”. Será?

Daqui cinquenta dias, tenho que entregar meu apartamento. Os armários do apartamento novo já estão todos prontos e pagos: quartos, closet, banheiros, escritório, cozinha, lavanderia, despensa, sala, churrasqueira. O piso já está escolhido. Basta pagar e em cinco dias está tudo instalado. Quando a Cyrela fez a primeira previsão de atraso, garantiu-nos a entrega em 30 de setembro (que era para ter sido em primeiro de junho). Nem por milagre aquilo fica pronto nos próximos doze dias. Eles têm até primeiro de dezembro para entregar o condomínio, senão, começam a pagar multa para todos os 240 compradores. E isso eles não vão fazer.

Vou registrar aqui, pois voltarei daqui alguns meses para confirmar: entregarão os imóveis na data limite (1 de dezembro) e continuarão fazendo acabamentos, ajustes e afins. Minha torre é a 3. Conversei com uma pessoa da torre 1, que já fez a primeira vistoria do imóvel. Ele disse que estava tudo bem, exceto: janelas que não vedavam, esquadrias que não corriam, espelhos de luzes tortos, descargas que não funcionavam. De resto, sem problemas. Aguardem-me até dezembro.

Papo de merda


Nossa, que coisa mais íntima falar sobre o funcionamento do nosso intestino. Íntima por eu ser mulher, pois homem fala sobre isso o tempo inteiro. Aliás, homem não tem problema de intestino, acho que eles possuem um canal direto que liga a garganta até o ânus. Nunca vi homem com problema de evacuar.

Eu tenho intestino preso. Muito preso. Claro que se eu fizesse uma alimentação descente, não teria essa reclamação. Mentira. Teria sim. Já passei meses e meses me alimentando apenas com frutas, legumes, iogurtes e cheguei a ficar dez dias sem evacuar. O assunto me preocupa, já que minha avó paterna e minha tia paterna mais velha, morreram precocemente de câncer intestinal (minha avó aos 37 e minha tia aos 44 anos). Meu tio paterno, que também é meu padrinho, também teve câncer intestinal. Mas depois de cinco anos de tratamento, tem seis anos que leva uma vida normal.

Tomo remédios naturais para ir ao banheiro: sene e cáscara sagrada. Como fibras. Tomo Activia. E nada. Semana passada, já estava tão “enfezada” (a palavra enfezada vem de fezes, uma vez que a pessoa com intestino preso fica bastante incomodada e começa a ficar nervosa com a situação), após passar cinco dias sem evacuar, que tomei cinco comprimidos de Tamarine. E nada mudou em minha vida.

Como nossa vida é um eterno processo de descoberta, acredito que hoje fiz uma grande delas. Novamente, não fui à faculdade. Tenho ZERO de faltas na matéria de hoje e DEZ de nota. Me dei o direito de ficar em casa blogando, lendo coisas que não tinham nada que ver com a faculdade, baixando músicas na internet. E eis que evacuei. Duas vezes. A mesma coisa aconteceu na terça-feira, quando também não fui à faculdade.

Minha descoberta: meu intestino é preguiçoso e envergonhado. Precisa de privacidade para funcionar. E, diferentemente dos homens, meu intestino está ligado diretamente ao meu cérebro. Talvez por isso, algumas vezes, fico cheia de M.... na cabeça. Como relaxei e me esqueci da vida por algumas horas, meu tímido intestino deu sinal de vida.

Tem coisa melhor do que descobrir soluções para coisas que nos fazem mal?

Uma farsa chamada VIVARA


Quando meu filho nasceu, meu marido me presenteou com um aparador de alianças, em ouro branco e diamante. Quase quatro anos atrás, o anel custou dois mil e quinhentos Reais. O que encareceu a peça não foi a quantidade de ouro, tampouco a lapidação da gema. Foi a marca escolhida: Vivara.

Sou cliente da Vivara há mais de dez anos. Por pura burrice, pois há muito já devia ter me dado conta de que pago caro por uma grife. E cá entre nós, grife de emergente, pois com o tempo, fui me dando conta das porcarias que me eram vendidas por lá.

Anos antes da minha filha nascer (e ela completará 10 anos daqui dois meses), comprei um par de brincos na Vivara. No primeiro mês, perdi um dos brincos do par. O outro ainda está aqui guardado. Mais alguns anos e comprei um anel de ouro amarelo. Era uma peça grossa, com a frente toda trabalhada, para uso diário. Também no primeiro mês, vi a peça perder o viço e com o viço, foi embora minha vontade de usá-la.

Ano passado, decidimos trocar nossas alianças. Fomos até a Vivara e escolhemos um par. Foram quarenta e cinco dias para que as peças ficassem prontas. Meu irmão, sem que eu soubesse, também foi comprar as alianças do seu noivado na Vivara, só que em outro Shopping. E minha primeira surpresa, foi ver que compramos exatamente a mesma aliança. A diferença é que a dele foi entregue em dois dias, já que ele ameaçou comprar em outra joalheria, caso o par de alianças não lhe fossem entregues em 48 horas. A segunda surpresa foi começar a perceber um grande número de pessoas usando alianças parecidas. Idênticas. Até que um dia, meu marido estava em uma reunião com aproximadamente dez executivos e percebeu que além dele, mais três usavam a mesma aliança da Vivara. O par custou quase três mil Reais. Também havia uma lapidação em diamante. Mas se tornou algo tão popular, que guardamos o par e voltamos a usar nosso primeiro par de alianças, que compramos quando morávamos fora do Brasil e nunca vimos ninguém com uma peça igual.

No dia das Mães do ano passado, ganhei do meu marido um par de brincos e um anel, em ouro amarelo e diamantes. A vendedora me convenceu de que o brinco era uma peça a ser usada no dia-a-dia, pois não queria nada para ficar guardado em caixa de jóias. Passados dois meses, estava andando pela casa e ouvi um barulho. Um dos brincos caiu da minha orelha. A tarraxa já era. Fui até a Vivara e reclamei. Disse que usava brincos de ouro de outras joalherias “baratas” e já era a segunda vez que um da Vivara simplesmente caia da minha orelha. Deixei a peça lá para que fosse confeccionada uma nova tarraxa. Perdi a confiança em usar o brinco.

No início deste ano, acordei um dia e, como de costume, mexi na minha aliança. Sempre acordo com as mãos muito inchadas, pois tenho grande retenção de líquidos. Eis que, ao passar a mão pelos anéis, senti que o diamante não estava mais no aparador. Fiquei desesperada. Acordei meu marido, levantei com cuidado, tirei toda a roupa, mexi na roupa de cama e achei a pedra. Fui até a Vivara muito brava. Disse que era um absurdo uma jóia tão cara ter o diamante solto de maneira tão frágil. Não lavo louças, roupas, não uso produtos de limpeza, não faço faxina na casa, não pego no pesado. E o aparador de alianças é uma peça para ser usada diariamente, portanto, não pode ter uma pedra que se solte. Depois de uns 40 dias, me ligaram para avisar que o diamante estava colado.

Peguei meu aparador de volta e fiquei muito receosa. A Vivara vende suas jóias e informa “falsamente” aos clientes que a garantia é eterna. Eis que há um mês, o diamante do meu aparador soltou novamente. Só que desta vez, eu não o encontrei. E eles estão me cobrando quinhentos Reais para colocar uma nova pedra.

Acho um absurdo o descaso da empresa com os clientes. É uma empresa que tem inúmeras reclamações no Reclame Aqui e nunca respondeu a nenhuma. Enviei diversos emails, tentei contato no SAC e foi tudo em vão. O Reclame Aqui tem a Vivara como uma das empresas NÃO RECOMENDADAS PARA O CONSUMIDOR. Se minha opinião valer de alguma coisa, eu também não a recomendo. É muito bonito estenderem tapete vermelho quando entra o cliente para comprar. É muito feio vender por um valor caro, algo de má qualidade, só pela grife. Pior de tudo é destratar o cliente depois que a compra foi feita, o produto foi pago e o interesse da empresa naquele cliente acabou. Vou fazer igual minhas amigas agora: comprarei jóias lá no centro de São Paulo, na rua das jóias, onde tudo custa 1/5 do preço da Vivara. E se o diamante cair, a raiva será muito menor.

Em tempo, vale encerrar este meu protesto lembrando que nesta semana em que estamos, a Vivara está com uma grande promoção em jóias com diamantes. NÃO COMPREM. Vocês poderão se arrepender mais tarde.

Amigas que são Mulher Maravilha


Tenho meu lado feminista que acredita que só o fato de um indivíduo ter nascido do sexo feminino, já o transforma em super. Mulher aguenta uma carga de trabalho, de informações e de responsabilidades que é difícil de acreditar. Queria escrever algo breve sobre quatro amigas muito queridas, que gostaria de ter muito mais presentes em minha vida, mas a correria na qual vivemos não permite. Escreverei pela ordem de tempo em que conheço cada uma:

Andrea Aiexe: conheci a Dé quando ainda era criança. Ela é três anos mais velha que eu, então, eu era bem criancinha e ela já era uma adolescente super bonita e descolada. A infância passou e nós crescemos. Nossas vidas têm fatos muito semelhantes e por algum motivo, nos reencontramos adultas e fortalecemos nossos laços, cruzando nossas histórias. Ela tem quatro filhos lindos, não só fisicamente, mas também interiormente. Uma menina de 15 anos, um menino de 8, um pequeno de 3 e a caçulinha, com 6 meses. É uma heroína. Trabalha fora, cuida dos filhos, dos amigos dos filhos, do marido, da casa, cria todo tipo de animal (até cobra de estimação ela tem), possui mãos mágicas para artesanato, confeccionando coisas incríveis. Está sempre de bem com a vida e sempre com disposição. É uma MULHER MARAVILHA.

Christiane Ashlay: conheci a Ave Maria no primeiro ano da faculdade de Direito. Ela se casou no ano seguinte e teve três filhas. A mais velha e a caçula estudam em escolas especiais e precisam de alguns cuidados a mais, além de todos que qualquer criança necessita. Ela ainda cuida da sogra, que já tem idade e seus problemas de saúde. Cuida também da casa, do marido e faz faculdade. De Filosofia, o que significa que ela precisa ler muito. Ainda faz academia. E sempre tem tempo para um bate-papo, para uma conversa, para um encontro. Uma pena que eu não consiga o mesmo tempo. Super alto-astral, super bem resolvida, super transparente, SUPER MULHER.

Eliana Lima: conheci a Mida há três anos. Ela lutou para ser minha amiga e tenho certeza que levaremos a amizade até o fim de nossas vidas, pois não foi algo relâmpago, mas uma amizade construída vagarosamente e consistentemente. Ela tem uma história de vida difícil e tinha o sonho de se tornar professora. Chegou de mansinho, não acreditou nela mesma; na verdade, tinha medo de mostrar o furacão dentro dela. Passou a perna em todo mundo. Um ano antes de se formar, conseguiu seu sonhado emprego e a cada semana foi crescendo, crescendo. Mostrou para o que veio. E ainda tem muito a mostrar. Além de dar aula para todas as turmas de um colégio, desde a educação infantil, até o Ensino Médio, o que lhe demanda o dia todo, ainda estuda a noite. Na hora do almoço, ao invés de comer, busca os filhos na escola para deixá-los com quem puder cuidar. Lava, passa, cozinha, limpa a casa, é motorista da família (já que eles possuem apenas um carro). Leva e busca todo mundo em todo lugar. Ela diz que dorme. Eu não acredito. E com tudo isso, ela ainda consegue sorrir, está sempre pronta para ajudar ao próximo e sonha com mais. É uma MULHER MARAVILHOSA.

Luciana Vicentini: conheci a Antinha tem dois anos. No começo, achei-a uma pessoa legal, sem entender o porquê. Depois, descobri. Fomos feitas uma para a outra. Somos gêmeas, separadas no nascimento. Ninguém consegue ser tão insuportável, intolerante e intragável como nós duas. Por isso, nos entendemos muito bem desde o começo. Ela mora aqui em Santana, ao lado da minha casa. E trabalha em Santo André. Entra de madrugada no serviço, pois assim é a vida de um peão. E volta para casa quase que na madrugada seguinte. Quando chega, faz a comida, dá banho no filho, cuida da casa, lava a roupa, passa a roupa, deixa tudo impecável para o dia seguinte. E ainda tem um marido, que tem dois filhos do primeiro casamento, situação a qual ela lida muito bem há mais de dez anos, sem afetar seu dia-a-dia. Sem contar que é uma excelente filha, preocupadíssima com a mãe. Profissional competente, honesta, dedicada, empenhada, de bom caráter, coisa do tipo que não se encontra facilmente hoje em dia. Por tudo isso e muito mais, ela é uma SUPER MULHER MARAVILHA.

Tenho outras amigas queridas das quais falarei qualquer hora. É que neste momento, essas quatro são as quais mais acompanho o milagre de fazer o dia parecer ter cinquenta horas.

Minhas amigas, me orgulho por tê-las em minha vida e por saber que não é apenas minha vida que é uma loucura. Sempre me espelho em vocês quando vejo que a bateria está acabando.

Para que servem os irmãos?

Obs.: Tenho uma foto minha com meus irmãos que amo!
Mas preciso escaneá-la e trocarei esta daqui em breve!


Irmãos enchem o saco, dão trabalho, principalmente quando se é irmã mais velha (meu caso). Mas o que é da vida das pessoas que não tem irmãos? Eu não sei. Irmão serve para quando a gente fica grande, lembrar de várias coisas da infância e morrer de rir. Irmão também serve para ajudar, para compartilhar os problemas e, com certeza, por mais problemas que haja ao longo da vida, serão sempre os únicos vínculos que teremos em qualquer lugar do planeta, esteja cada um onde estiver.

Gostaria de ter mais irmãos, mas só tenho dois. E também só depois que fiquei grande que decidi querer mais irmãos. Quando era criança, queria que os dois fossem mandados para o orfanato. É muito difícil ser irmã mais velha, mas tem suas vantagens também. Afinal, a quem os irmãos mais novos devem obedecer? De quem os irmãos mais novos buscam bons exemplos?

Meses atrás, fiquei muito feliz. Fui deixar uma mensagem no Orkut da minha irmã e na primeira página, havia uma comunidade a qual ela fazia parte: “Eu amo minha irmã mais velha”. Senti como se alguém tivesse feito uma comunidade especialmente só para mim. Senti-me muito importante.

Mas minha história de vida é com o meu irmão mais novo. Nós dois sempre tivemos senso de humor e por tal motivo, nosso vínculo se tornou mais forte. Quando pequeno, eu tirava muito sarro dele, por conta das suas duas orelhas juntas serem maior que sua cabeça. E ele sempre levou na esportiva. Nunca nos importamos com apelidos, pois o que para os outros era pejorativo, para nós era carinho. Apesar de termos sete anos de diferença entre nós dois, e apenas um ano e meio entre ele e minha irmã, fez com que os dois sempre fossem mais unidos, brincassem mais. Mas o vínculo maior entre nós três é realmente entre mim e meu irmão.

Por um acaso da vida, tive que adotar o coitadinho em um dado momento da vida. Adotar oficialmente, já que o moleque já estava há muito tempo instalado de mala e cuia na minha casa. O momento da adoção oficial se culminou com a chegada da cama dele. Era a cama dos Flinstones (uma cama tão antiga que só poderia ter sido usada na idade da pedra). Foi assim, com a chegada da cama, que recebi o documento “seu filho de verdade”. Assim vivemos até que ele fizesse 21 anos. Ganhou um par de asas e voou para longe.

Quando meu irmão foi embora, achei que tudo seria normal. Naquele dia, quando sai do trabalho e sabia que todas as suas coisas já tinham sido levadas de casa, fui para casa como em qualquer outro dia. Como ele trabalhava até tarde e nos encontrávamos raramente, não achei que teria algum impacto. Mas ao chegar em casa e ver o quarto dele vazio, me bateu um dos maiores vazios que já senti. E ali, morri de tanto chorar.

O tempo passou, depois de dois meses também me mudei daquele apartamento e a vida continuou. Passou-se um ano, eu já estava casada, fui morar fora do Brasil, mas já não sentia tanta falta do meu irmão. Voltei ao Brasil, vivíamos distantes, quase não nos encontrávamos. O tempo continuou passando e lá se foram anos. Até que ele também foi embora do Brasil e lá já está tem um ano e meio.

Sinto saudades, mas as saudades de hoje não são sofridas. Acho que o Skype é o divisor de águas na vida das pessoas que se amam e estão longe. Acho não, tenho certeza. Tenho a sensação de que hoje estou muito mais próxima ao meu irmão, do que quando ele estava no Brasil, trabalhando diariamente (inclusive finais de semana e feriados) na Globo e na Band, fazendo faculdade e mal nos falávamos ao telefone.

Hoje, voltamos a ter tempo de rir das uvas passas que minha mãe colocava no arroz de Natal, do bêbado dando informação na estrada para voltarmos a São Paulo, dos salgadinhos da Tina e do Bilú, das aulas do Professor de Contabilidade do Ensino Médio Técnico, que fizemos na mesma escola. Temos tempo hoje simplesmente para olhar um para o outro e rir muito. Rir da dança da Japinha, rir da risada da Japinha, rir do cabelo com franja da Japinha (que ela esconde para tirar fotos). Rir da nossa mãe com a mãe da Japinha. Rir do dinheiro que ele me deve (mesmo que eu ainda não tenha contraído a dívida). Enfim, agora, só agora, quando estamos fisicamente tão distantes, conseguimos voltar a ficar tão perto, como na infância, e dar risada das coisas boas e simples da vida, as únicas que ficam para sempre.

O Mago


Estou lendo a biografia do Paulo Coelho, escrita por ninguém menos que Fernando Morais. Quem já teve a oportunidade ou a sorte em ler Olga, Chatô, O Montenegro, sabe o porquê de me referir ao Fernando em um tom superlativo. Agora o Paulo Coelho é um caso a parte.

Salvo engano, já escrevi aqui no meu blog algo sobre ele. É o escritor brasileiro que mais vendeu livro em toda a história do nosso país. Existe a chamada “elite cultural”, que insiste em criticá-lo, em excluí-lo do rol de escritores. Ainda bem que cultura não significa poder. Paulo Coelho é um Mestre da escrita, digno de todos os prêmios que já ganhou mundo afora, em boa parte dos 150 países nos quais seus livros foram traduzidos.

É direito da pessoa não gostar de uma obra. Não gostar de duas obras. Só que o conjunto de suas obras se difere em gêneros, em estilos e só é possível não gostar após ter lido, fechado o livro e concluído: NÃO GOSTEI. Nesse momento, com leitura concluída, o indivíduo terá o direito de criticar. Antes de terminar, acho injusto.

Nas Margens do Rio Piedra eu Sentei e Chorei é um dos meus livros “Top 50”. Já li tantos livros na minha vida, que eleger dez não seria justo. E cem seria exagero. Dentre outras obras do autor que gostei, esse, particularmente, é uma obra de arte, peculiar em cada palavra, remetendo o leitor às reflexões e viagens interiores fantásticas.

Mas o que quero falar é sobre “O Mago”. Ouvi dizer, li várias vezes. Paulo Coelho e Raul Seixas tiveram vidas loucas. Conhecer o nível da loucura e o que levou o Paulo à sua louca vida foi um êxtase. Ainda não terminei o livro e mesmo quando o terminar, não terá um fim, já que a vida dele ainda não acabou. E espero que dure muito, que ainda possa existir “O Mago – parte 2”, para que eu saiba qual foi o “vivemos felizes para sempre” da sua vida.


Como sempre digo e insisto, é fácil julgar, criticar, avaliar a vida das pessoas e, principalmente, invejar situações financeiras das pessoas abonadas, sem saber quantas pedras foram encontradas na longa estrada da vida. Fica aqui a minha dica de leitura para quem gosta de biografias, independente de gostar do escritor Paulo Coelho.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A saúde sempre em primeiro lugar

Este é um assunto que há muito tempo quero expor. Nunca fiz segredo para ninguém sobre os sessenta quilos que ganhei nos dois anos que morei fora do Brasil. Logo que cheguei, fiquei grávida do meu filho caçula e depois do seu nascimento, aquela gordura estava me fazendo mal física e psicologicamente. Até que um dia, encontrei um médico milagroso, que fazia as pessoas emagrecerem e nunca mais engordarem. Fui até o médico. Ele disse que no primeiro mês, emagreceria no mínimo quinze quilos. Emagreci dezessete. Ao final de seis meses, havia eliminado os sessenta quilos. Como? Com doses diárias altíssimas de anfetamina (anfepramona e femproporex), diuréticos, reguladores (?) intestinais e hormônios de tireóide (t3 e t4). Ao final dos seis meses, já tomava oito comprimidos pela manhã e oito a noite.

Com os sessenta quilos, foram embora também os meus cabelos. Isso me deixou tão deprimida que não conseguia mais tomar remédio algum. Minha saúde ficou totalmente debilitada. Contraí uma pneumonia, tive crises seguidas de sinusite e os antibióticos não faziam mais efeito. Minha pele perdeu o brilho, meu rosto encheu de espinhas (coisa que nunca tive). Um dia, uma amiga me disse que era melhor uma gorda com um cabelo lindo como o que eu sempre tive, a uma magra careca. Achei que se eu comesse tudo novamente, a gordura e o cabelo voltariam. Só a gordura voltou. Os cabelos ainda estão crescendo. Uso produtos importados super caros, já tentei diversos tratamentos, mas o cabelo que está nascendo agora é feio, fraco, opaco. É um cabelo triste.

Tudo isso aconteceu entre o final de setembro de 2007 e abril de 2008. Eu jamais poderia ter parado de tomar as altas doses de anfetamina que tomava, repentinamente, sem acompanhamento médico. O segundo semestre do ano passado foi muito difícil. Voltei a engordar. Dez quilos vieram, depois vinte. Voltei ao médico. Voltei a usar os remédios. Mas tinha muitas náuseas ao engolir tantos comprimidos. Achei que conseguiria chegar a algum lugar sozinha e sem remédios. Cheguei: tive depressão e início de síndrome do pânico.

Em março deste ano, iniciei o tratamento com psicóticos. O máximo que eu dormia após as anfetaminas eram quatro horas por noite. Fui melhorando. Em julho, uma das minhas mães postiças me indicou uma médica que fica em Osasco (eis o que tanto faço em Osasco). A médica é filha de um dos maiores pesquisadores endocrinológicos do nosso país. Com o pai na casa dos oitenta anos, ela foi assumindo sua clientela, enquanto ele continua se dedicando às pesquisas. Fui com meu marido. A consulta inicial durou uma hora e meia. Ouvi coisas que nunca nenhum outro endócrino admitiu: OBESIDADE É DOENÇA. E MATA. Obesidade é doença para ser tratada por toda a vida, assim como o diabetes, assim como a hipertensão. E nenhum tratamento saudável elimina sessenta quilos em seis meses.

Chorei muito durante uma hora e meia na consulta. E tive da médica o colo que precisava. Ela disse o que eu e todo mundo que me conhece sabe. Sou muito ansiosa, tenho pressa que as coisas aconteçam, quero liderar tudo para não perder o controle e para que tudo dê certo, não confio nenhuma tarefa para ninguém, quero tirar nota dez em tudo: como mãe, esposa, aluna, profissional, dona-de-casa, amiga, filha. Não dá. Ninguém é nota dez na vida.

Eu já havia RE-engordado cinquenta e cinco quilos. E meu caso não é cirúrgico. De nada adianta cortar o estômago, o intestino, amarrá-los, seja lá o que for. O problema está na cabeça. Passei quase que um dia todo no Fleury fazendo os exames solicitados. Comecei a ser medicada, principalmente com vitaminas, para recompor todas que perdi. A médica me disse que nosso tratamento não seria de perder peso, mas de conscientização de coisas da vida.

Nos últimos dois meses, aconteceram muitas coisas na minha vida. Tenho a sensação de que entrei em um furacão e ele está girando, girando, girando. Sinto que não consigo colocar os pés nos chãos, pois surgem problemas por todos os lados, em todos os momentos. E com tudo isso, sendo medicada para a coisa certa, da maneira correta, perdi oito quilos nestas oito semanas. Fiquei muito feliz ontem na consulta, por saber que estou virando finalmente gente grande, que estou aprendendo a lidar com algumas coisas da vida e que, acima de tudo, estou cuidando da minha saúde como se deve. E que tudo dê certo até o final!

Uma questão de consciência, educação e cidadania


Não há nada que eu abomine mais na minha vida que festas escolares. Detesto, sou contra, acho que criança não é marionete. Sei que há pais que amam tais comemorações e não os condeno. É o livre-arbítrio para opiniões. Minha filha sempre adorou participar de toda e qualquer festividade na escola. Já meu filho não gosta. Quando estava na outra escola, que era apenas uma pré-escola, na qual ele entrou ainda bebê, as poucas festas que houve foram sempre muito bem feitas, uma vez que apenas aquela turma participava. Então, eram dez, doze crianças, que conviviam não apenas diariamente, mas também aos finais de semana (já que tínhamos um grupo de mães para passeios) e todas estavam familiarizadas com a escola, com o ambiente físico e com todas as pessoas ali presentes.

Na festa junina, ele já estava na nova escola. Escola grande, que vai do mini-maternal até o Ensino Médio. A escola é gigante. A dança das crianças foi em uma das quadras do colégio, com uma enorme arquibancada e pais, tios, avós, padrinhos, amigos, etc., espalhados por todos os lados. Meu filho não quis dançar. Senti-me mal quando entrei na quadra junto dele e deixei-o ali, bancando uma marionete para aquele espetáculo. A amiguinha que seria seu par, não entrou para dançar de maneira alguma. Resultado: os pais se frustram por não ver os filhos dançando, os filhos se frustram por não dançar para seus pais, mas a vergonha (ou o bom senso infantil) fala mais alto.

Semana passada, recebi o aviso da festa de encerramento. Será dentro do anfiteatro da escola. Custo de aluguel de espaço? Zero. Valor do pagamento para a participação do meu filho? Setenta Reais. Podem ser pagos em duas vezes ou a combinar, desde que seja até dia nove de outubro. Para que é o dinheiro? Para complemento das fantasias usadas nas danças pelas crianças (percebam o plural em tudo). Porém, tudo o que for usado, ficará para o acervo da escola.

Li o bilhete e espumei de raiva. Senti-me lesada. Perguntei ao meu filho, “vai ter a festinha na escola antes das férias chegarem e você e seus amigos irão dançar. Você quer dançar?”. Sem pestanejar, sem pensar por nenhum segundo, ele respondeu taxativo: NÃO.

Hoje, chegou um novo bilhete. Na verdade, um contrato de prestação de serviços. Autorizando uma empresa que filma e fotografa, a fazer o trabalho do meu filho na apresentação. O pacote mais barato custa CENTO E NOVENTA REAIS. Detalhe: neste valor, estão incluídos dois DVDs, um com as fotos (para que sejam impressas pelos pais) e outro com as danças. Ou seja, pela bagatela de CENTO E NOVENTA REAIS, filmarão todas as crianças, incluirão uma edição qualquer com nome da escola, ano, etc., tudo isso que até a mais burra das mães faz hoje seguindo tutoriais de qualquer editor incluído no Windows e entregarão o mesmo DVD para todas elas.

Está na hora de começarmos a criar um mundo de menos consumo, de menos ostentação e de mais consciência do que realmente é a vida, como é a vida e como é dura a vida de tantas e tantas pessoas pelo mundo afora.

Ontem, estava em consulta médica e comentei com a doutora sobre minha imensa vontade de sair de São Paulo. Disse que meus filhos serão muito mais felizes se puderem respirar mais dias por ano sem remédios e andar com os pés na grama do nosso jardim, a ter uma mega festa em um mega Buffet, apenas um dia ao ano. Alguém discorda?

Perder para ganhar


Ontem passei horas na Marginal. Fui até minha médica, em Osasco. E se a médica não fosse muito boa, jamais faria tal sacrifício. Valeu a pena ter passado a tarde inteira com as crianças dentro do carro, cansadas, sem comer, para dar continuidade aos tratamentos de saúde os quais estou fazendo e sentir que sim, há esperança para que as coisas mudem em minha vida.

Cheguei em casa que mal minhas pernas mexiam. Ainda tinha que fazer as lições: banho nos filhos, janta dos filhos, mochila para o dia seguinte. Um miojo resolveu a questão janta. O banho e as mochilas deixamos para hoje. Acho que estávamos todos tão cansados, que as crianças dormiram assim que se deitaram. E eu, logo em seguida. Mas não dormi. Esperei meu marido chegar, conversamos um pouco, deitamos e dormimos.

Tive uma noite agitada. Pensei nas mil coisas que tinha para fazer hoje e acordei com a cabeça meio pesada. Aos poucos, ela começou a doer e doer, e doer. Meu marido levou as crianças para a escola. Paguei algumas contas, tomei remédio para a dor de cabeça e nada de passar. Fiquei deitada. Decidi que perderia a primeira aula. A dor persistia. Tomei o segundo remédio para dor de cabeça e um para o enjôo. Que dá um sono danado. Fiquei na cama, “a priori”, pensando nas aulas as quais perdia. Depois, fui relaxando. A cabeça parou de doer. Tomei café da manhã na cama: Danoninho. Adoro. Carreguei meu IPod. Comecei a ouvir Legião Urbana. Respondi vários e-mails atrasados. Mensagens do Orkut, idem. Esqueci a faculdade. Esqueci a casa. Esqueci os filhos. Esqueci meu trabalho. Esqueci das obrigações. E ganhei muito com tudo isso. Até xixi eu fiz. Coisa que não tenho tempo e acabo retendo líquidos, fazendo com que a retenção altere minha pressão arterial. Medi a pressão. 11x6. Não tenho a pressão tão baixa faz muito tempo.

A metade do dia passou. Não fiz nada das coisas que teria de fazer, tampouco fui à faculdade. Mas estou leve, relaxada e feliz. Feliz, pois a vida é simples, só nós é que não enxergamos a simplicidade dela.

Vou buscar as crianças. Depois, passaremos no sacolão e no supermercado. Deixarei com que eles comprem as frutas que queiram, as bolachas que queiram, os iogurtes que queiram. Hoje vai ser o dia do “nada de responsabilidades”. E se hoje for o último dia das nossas vidas, terá sido o melhor.
Claro que não dá para ser assim todos os dias, mas apertar o FODA-SE de vez em quando, faz um bem tremendo.

Quando o subconsciente fala com clareza


A mãe da minha comadre comprou um apartamento e até que ela possa se mudar para lá, está morando na casa da minha comadre. A proprietária do seu novo apartamento mudará para o mesmo condomínio o qual nos mudaremos. Portanto, sua estada na casa da filha ainda vai durar um bocado.

Semana passada, sonhei com a mãe da minha comadre. Ela não deixa também de ser um pouco minha mãe. Apesar de não estarmos grudadas sempre, somos uma família. Suas duas filhas são minhas madrinhas de casamento e a do meio é madrinha de batismo do meu filho e será madrinha de comunhão e crisma da minha filha. Nossa amizade só dura vinte e seis anos, portanto, posso dizer com propriedade que durante toda a vida, muitas vezes ela me serviu de mãe.

No sonho, a vovó Diva (que é como meus filhos a chamam), havia desistido do apartamento. Decidiu comprar uma casa enorme, com uma piscina gigante e muito espaço para festas. Naquele final de semana, estava tendo um churrasco. Quem preparava as iguarias era ela, minha mãe e mais algumas mães de amigos de infância, dos tempos em que tocávamos na fanfarra do bom e velho Gastão.

A festa estava muito boa, nos divertíamos pacas. Éramos todos adultos, mas no sonho não havia crianças. Todo mundo já casou e tem seus filhos, mas não naquele sonho.

Tive o tal sonho em um dia no qual estava tão cansada, que fiquei pensando como seria bom ter alguém para cuidar dos meus filhos por uma semana, para que eu descansasse. Mas depois que somos mães, não há mais descanso. Podemos ter um exército cuidando da nossa cria, que nosso coração e nossas preocupações estarão lá, onde quer que eles estejam.
Por mais que seja difícil, seja o maior desafio da vida de um ser humano, ter filhos ainda é o melhor projeto de vida!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Qual é o conceito de uma infância perfeita?


No livro do Gabriel Chalita, há uma passagem em que ele fala sobre o massacre o qual vivem nossas crianças: excesso de aulas, de informação e falta de infância.

Sou uma das pessoas mais críticas que conheço com relação a isso. Minha casa é cheia de blocos de montar: tem Lego, Mega Bloks dos Carros, da Dora Aventureira, do Pooh, quebra-cabeças, brinquedos de madeira, caixas com canetas, lápis, giz de cera, cola, tesoura, durex, jogos diversos. Acho que criança só tem uma função neste mundo: ser criança.

Nesta semana, a Roseli Sayão escreveu um artigo muito interessante em seu blog, sobre a fuga da infância. Só que já tem muito tempo que a infância foi mandada para o espaço. O excesso de informação que temos no mundo, faz com que as crianças se tornem cada vez mais interessadas por coisas que não pertencem a infância.

Meu marido ligou da China. Disse que todos os colegas que estavam com ele, comprariam o Wii em Chicago, pois o preço está 1/5 do valor do Brasil, mas já com todos os acessórios inclusos. Perguntou se deveria trazer um também. Respondi que não. Estamos há dois anos e meio sem viajar, sem fazer nada em nossas vidas para investir em um apartamento que é o dobro do tamanho do que moramos hoje e tem tudo que se pode imaginar na área de lazer. Vou querer meus filhos jogando Wii? Quero que eles brinquem de amarelinha, apostem corrida, joguem bola na piscina, peteca na praça do Sol, voltem para casa imundos de tinta depois de passar horas no ateliê de pintura. Mas não escravizados pelo Wii. Não é porque o mundo usa, que eu tenho que aderir.

De quem é a culpa do sumiço da infância? Quem roubou-a das crianças? Hoje, minha filha me disse que seu maior sonho é brincar na rua. Utopia nos dias de hoje, mas como sempre, se cada um fizer só um pouquinho, tenho certeza de que conseguiremos resgatar um pouco da infância de outrora que fez tantos de nós felizes!

Quando a vida e a arte se cruzam


Estou vivendo uma fase da minha vida, na qual todos os livros os quais leio, parecem se encaixar perfeitamente. Será que é porque há problemas por todos os lados e toda história tem uma moral?

Hoje, passei a tarde toda na obra do nosso apartamento novo, que já está quatro meses atrasada a entrega. E pelo visto, atrasará muito mais. Sai de lá tão arrasada. É triste ver um sonho virar pesadelo. Estou com os armários do apartamento inteiro pronto, o apartamento no qual moramos já está vendido e tem data para ser entregue e, pelo visto, ficaremos sem ter para onde ir. Lá vamos nós de novo para um flat. Não será a primeira vez, nem a segunda, nem a terceira, nem a quarta...

O livro de hoje, na verdade, foi um conto, de Charles Dickens: Contos de Natal. Narra a história de um homem que, na noite de Natal, recebe a visita de três fantasmas, simbolizando o passado, o presente e o futuro. Mostra que ele foi bom no passado, está sendo avarento e ganancioso no presente e poderá ter um péssimo futuro.

Quando estava na obra e vendo tanta sujeira, tanta barragem, tanta desordem, tanta coisa ainda para ser feita, fiquei pensando em Dickens, que escreveu sua obra mais de um século atrás: “será que fomos gananciosos demais?”. O que é ganância? Até que ponto das nossas vidas, devemos parar de querer mais, estagnar na passividade, deixar de evoluir materialmente? É pecado desejar ter um lugar mais legal para morar, poder oferecer aos filhos uma infra-estrutura melhor?

Senti-me péssima, tão péssima quanto venho me sentindo nos últimos meses. Um dos piores sentimentos que existe nas nossas vidas, é o sentimento da impotência. É saber que estamos de mãos atadas e nada do que fizermos poderá mudar a situação a qual estamos enfrentando.

Tudo pode ser uma lição; seja o conto de Dickens, seja a obra atrasada e tantos transtornos que estou vivendo por conta disso. Mas quero mesmo é saber qual será a moral da história, quando tudo acabar. Mais uma pedra que consegui levantar para construir meu castelo?

Casas e casos das sogras



Não tem figura na árvore genealógica que leve pior fama que a sogra. O repertório para piadas de sogra é tão grande quanto o de piadas de português, de bêbado ou de qualquer outra figura que sirva de bode expiatório aos “piadeiros” de plantão.

Tenho uma relação muito boa com a minha sogra. Ela é o tipo de mãe que jamais se intromete na vida de nenhum dos três filhos. Sabe que cada filho tem seus defeitos, assim como suas duas noras e seu genro. Mas tem muito claro em sua mente que isso não é problema dela, que sua parte está feita e pronto. Criou e educou os filhos. O que eles fazem de suas vidas agora, é problema de cada um.

Logo que me casei, enfrentei alguns problemas no meu relacionamento com meu marido. Não eram coisas que tinham que ver conosco, mas com sua ex-mulher. Naquele momento, minha sogra foi uma peça fundamental para que continuássemos casados. Me apoiou, me aconselhou em todas as vezes que precisei e me mostrou muitas coisas que eu não conseguia enxergar. Acho que se não tivesse recebido o apoio dela e da minha cunhada naquele momento difícil, não teríamos continuado casados.

Sinto falta de não ter mais tempo para conversar com a minha sogra. Ela é uma mulher muito culta, tem uma história de vida difícil. Não uma vida sofrida, mas uma vida de abdicações em prol da família. Acredito que tais abdicações deixaram algumas amarguras em sua vida, mas nada que interfira na minha relação com ela. É importante sabermos amar e respeitar nossos sogros, afinal, eles são a extensão de nossa família (ou será que nós é que passamos a fazer parte da extensão familiar deles?).

Todo esse papo de sogra foi para falar de uma pessoa muito especial em minha vida, que também é sogra. Ela tem três filhos homens. Nunca imaginei ter apenas filhos homens, afinal, querendo ou não, a mulher é quem domina e comanda uma casa, um casamento, uma relação. E se eu tivesse filhos “bananas” com noras dominadoras, que odiassem a minha pessoa e me afastasse dos meus filhos?

Foi essa pessoa quem me fez enxergar de maneira diferente o universo das sogras. O filho mais velho casou-se há pouco mais de um ano. Como homem tem sua dependência emocional da mãe, apesar de casado, o filho não sai da sua casa. Reclama da esposa quando ela faz coisas que não são iguais as que a mãe fazia. E ela parte em defesa da nora, sempre.

Achei sua visão uma das maiores provas de amor ao filho. Primeiro: casamento hoje é algo banalizado; casa-se e separa-se com uma facilidade incrível. Para que a relação seja duradoura e tenha mais consistência, é preciso do apoio familiar. Quando ela apóia a nora, está fortalecendo a união do filho, trazendo os dois sempre para seu lado. Mostra ao filho que a nora é esposa e ela é mãe. Trata-se de duas pessoas de diferentes idades, com diferentes relações e diferentes funções na vida dele. Assim, ele consegue amar e respeitar as duas, sem que nora e sogra entrem em conflito, pelo contrário, fortaleçam laços familiares, como mãe e filha.

Contei duas histórias de sogras muito diferentes, mas ambas histórias felizes. Um dia, serei sogra. E quero poder aproveitar um pouquinho de cada um desses e de outros exemplos que surjam em minha vida, para que eu seja uma sogra feliz e faça meus filhos, nora e genro também felizes.



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Músicas não saem da lembrança


Adoro cantar para as crianças músicas que me remetem à minha infância. Nunca tinha me dado conta do fato, mas semana passada, tomando café com uma amiga que é musicista, ouvi a frase que nomeei este post. É a mais pura verdade.

Se há coisas que levam totalmente aos meus primeiros anos de vida, essas coisas são sempre ligadas às músicas.

Na sexta-feira, quando fui buscar as crianças na escola, o pequeno veio com a cara toda pintada. Ao indagar o porquê, ele disse que era dia do Brasil e começou a cantar o Hino Nacional.

Não tenho nada de patriotismo, pelo contrário, não vejo nada de diferente na “minha pátria” ou qualquer outra. Claro que morar fora do Brasil, para mim, foi maravilhoso e foi um sonho realizado, mas não por sair do Brasil, e sim, por desbravar um mundo tão grande. Portanto, só sei cantar os hinos Nacional, da Bandeira e da Independência, pois eram obrigatórios nas escolas.

Meu filho começou a aprender o Hino Nacional aos dois anos de idade. É a coisa mais engraçada ouvi-lo cantar, pois o moleque é muito pequeno para tanto. Então, de forma mais lúdica, ensinei a ele uma musiquinha que cantava na minha infância, época em que os desfiles de Sete de Setembro eram realizados na Avenida Tiradentes, com arquibancadas volantes sendo montadas dias antes do desfile:

“Sete de setembro, data tão festiva, pois se comemora a Independência desta Pátria tão querida. Viva, viva, viva a Independência do Brasil, do Brasil”.

Ele adorou e foi bem menos complicado que usar o difícil vocabulário dos nossos Hinos!

domingo, 6 de setembro de 2009

Eu e minhas séries


Não sei em que momento da vida me viciei em séries, mas o fato é que cada vez mais não vivo sem elas. Duas semanas atrás mais ou menos, meu professor de Literatura Inglesa e Norte-Americana indicou a série “The Tudors” para assistirmos, uma vez que estudamos todo o período Elisabetano no primeiro semestre e a terceira temporada da série estava começando no Brasil. Como não sei começar nada pelo fim, comprei as duas primeiras temporadas e tratei de assisti-las. SENSACIONAL. Para quem gosta de história, é a melhor série que já vi. Com quase uma hora de duração em cada um dos episódios, devorei as duas temporadas em uma semana e hoje, domingo, começarei a assistir a terceira, no canal “People & Arts”, mesmo já tendo perdido o início.

Minha amiga Tati, aquela que foi para Londres (e chegou lá super bem, já está instalada e curtindo a vida na Europa) é minha companheira número dois em séries. Meu marido é o número um. Antes de embarcar, ela perguntou se eu já havia assistido “Dexter” e não tinha sequer ouvido falar. Como nossos gostos são muito parecidos para séries, comprei a primeira temporada ontem na minha breve visita à Saraiva e assisti ao primeiro episódio (o piloto). AMEI. Caramba, será que passei a gostar de qualquer coisa?

Estava relacionando as séries que temos em casa:
- Barrados no Baile (até a 6ª temporada, ainda faltam lançar quatro aqui no Brasil)
- Friends (as seis temporadas)
- Sex and the City (as seis temporadas)
- Família Soprano (as seis temporadas)
- The 4400 (as quatro temporadas)
- House Md (as quatro temporadas já lançadas no Brasil)
- Prison Break (as três temporadas já lançadas no Brasil)
- Lost (claro que não poderia faltar, mas ainda estamos na 4ª temporada e minha amiga Tati me trouxe uma pirataria básica da 5ª temporada antes de embarcar)
- Ally Mcbeal (essa só temos a primeira temporada; meu marido indicou, achou que eu gostaria, mas não gostei e parei por aí)
- The Tudors (as duas primeiras temporadas)
- Dexter (a primeira temporada)

Por enquanto é só. Mas há duas séries que gostaria de ter em DVD. Uma delas, é do tempo da adolescência, Melrose Place. A outra, é uma que assistia todos os dias quando morava em Portugal; chama-se Hospital Central. A temática é a mesma de tantas outras produzidas dentro de um hospital para cuidados com doentes. A diferença é que essa se passa em Madri, são cenas cotidianas, corriqueiras, bem próximas à realidade presente em nossas vidas. Mas infelizmente, nem na Europa foi lançada em DVD. O jeito é torcer e esperar.

E quem tiver boas dicas, estou às ordens. Só não vale indicar Arquivo X e A sete palmos, pois já assisti todas as temporadas das duas, as quais aluguei anos atrás, quando ainda não era uma viciada pelas caixinhas enfeitando as prateleiras!
Quase que esqueço... apesar de nunca assistir televisão (pois o dia só tem 24 horas), já assisti muito aos Simpsons e Um maluco no pedaço (que também adoro).

(acho que o sono está começando a chegar...)

Este semestre está sendo o mais difícil e confuso da minha vida. É um excesso de informação e coisas para resolver que nunca vi igual. Mas acho que toda vez que passamos por momentos turbulentos na vida, estamos criando resistência e sendo testados para outras coisas no futuro, e assim, vamos evoluindo a cada dia.

Apesar de uma das coisas que está tomando muito do meu tempo é o final da faculdade (e agora faltam apenas doze semanas), o excesso de leituras a qual me submeti desde julho foi o maior ganho em cultura que já tive em trinta e cinco anos de vida.

Semana passada, com certa resistência, li “O Quinze”, da Raquel de Queiróz. Das vinte e quatro obras que tinha de ler para o semestre, não comprei apenas duas; além dessa, não achei “Gaibéus”, do escritor português Alves Redol. Eis que minha amiga me emprestou “O Quinze” e fez uma contextualização antes. As coisas que ela me disse foram tão convincentes, que em dois dias terminei o livro. Chorei por várias vezes durante a leitura, pois se trata de uma história muito forte, baseada em fatos reais que ocorreram no ano de 1915 no Nordeste brasileiro. Foi muito sofrido terminar a leitura pensando em quantas e quantas pessoas passaram pelas situações de miséria narradas no livro. Gostei tanto que comprei para reler e guardar.

Para fazer uma pausa nos clássicos da literatura mundial, comecei ontem a ler “Carta entre amigos”. O livro é de uma singeleza tão profunda, nos remete a tantas reflexões, que deixarei aqui apenas registrado que é uma obra maravilhosa e aguçarei a vontade dos curiosos.

Só uma breve opinião minha: a primeira carta é de uma profundidade, pois fala de morte, o assunto mais difícil de encarar na vida de qualquer indivíduo. Já estou terminando (e com a insônia aqui firme e forte, é capaz de terminar ainda nesta noite) e, como sempre acontece quando leio algum livro muito bom, já estou com gostinho de “quero mais”.

Cinema infantil


Semana passada, levei as crianças ao cinema. Assistimos “A pedra mágica” e “Força G”. Para aguentar duas sessões seguidas de cinema infantil com a cabeça a mil por tantas coisas a resolver, fui prevenida: levei uma blusa bem grossa para encostar a cabeça na poltrona e tirar um cochilo. Na verdade, tirei vários e tinha muito tempo que não dormia no cinema. Mas os filmes foram de doer e dormir foi inevitável.

Ontem, acordei cedo. Tinha que resolver várias coisas e devido ao sábado ser curto (para os lugares onde tinha de ir), optei apenas por ir ao atacadista no Pari comprar lanche para as crianças. De lá, atravessaria a ponte da Vila Guilherme e cairia no Center Norte. Chegaria assim que a Saraiva estivesse abrindo. Compraria os quatro livros os quais precisava e onze horas estaria em casa.

Tudo que se planeja demais costuma ir por ralo abaixo. Sai da livraria exatamente às 10h30. E encontrei uma amiga com o filho, que é amigo do meu filho da ex-escola. Ela estava levando o filho para assistir “Up Altas Aventuras” em 3G. Como as crianças queriam muito ver o filme, aproveitei a companhia. Só que a sessão era meio-dia. Ficar uma hora e meia esperando um filme começar com duas crianças de três anos significa ganhar vários pontos na cartela de pontuação celestial. E quando chegou a hora do filme começar, deu um problema no cinema e a imagem não entrava com o áudio. Com o problema resolvido, a sessão finalmente começou e assistimos ao filme.

O que os dois da semana passada tiveram de ruim, o de ontem teve de bom. Quando meu marido ligou no final do dia, comentou comigo que tinha lido uma crítica super positiva sobre um filme infantil que estreara no Brasil este final de semana. Como ele acredita fielmente em críticas de cinema, ainda usou as palavras que leu: “trata-se de um novo clássico infantil”. Se o crítico tem razão ou não, não sei. Mas disse que tínhamos visto o filme e que a história é realmente muito bonita, trazendo uma lição de moral importantíssima para as crianças, apesar de eles não entenderem ao fundo todo o contexto da história.

Fica minha dica para o feriado, enquanto a minha insônia continua.

Um quebra-cabeças chamado VIDA


Estava eu no Céu. Tudo preparado para minha chegada na Terra. A dona Cegonha já estava abastecida e com o bico preparado para me carregar, quando fui avisada de que poderia fazer três desejos. Caso fosse um bebê bonzinho e deixasse com que a dona Cegonha fizesse o seu trabalho sem problemas até a minha entrega na maternidade, meus desejos seriam concedidos.

Com visão futurística, o primeiro pedido foi de que um dia, eu encontrasse um homem maravilhoso e com ele pudesse constituir uma linda família. O segundo pedido foi para ter filhos saudáveis e inteligentes, para completar a família. E o terceiro e último pedido, foi que eu tivesse sempre muitas coisas para ocupar minha cabeça, para que jamais sofresse de Alzheimer, mesmo que essa ocupação fosse feita de problemas. E assim, devido ao meu bom comportamento no trajeto Céu-maternidade, meus três desejos foram atendidos.

Como já tem 12874 dias desde que isso aconteceu, quase não me lembrava desse episódio, tampouco dos meus pedidos. Mas a última semana fez com que tudo viesse a tona na minha cabeça, graças ao terceiro pedido.

Terça-feira foi um dia de tantos problemas, que até a seguradora me ligou para avisar que o carro do meu marido havia sumido do rastreador e o satélite não o localizava, tendo sido provavelmente roubado. Disse que era impossível, já que na nossa garagem há uma parede na frente, duas pilastras laterais e atrás do carro dele, estava o meu, devidamente estacionado (e tinha meia hora que havia chegado em casa, portanto, não foi um caso de delírio). Disse que o carro encontrava-se no endereço domiciliar para constatação e não saia da garagem há dez dias, já que meu marido não estava no Brasil e eu não uso o carro dele.

Depois de passar o dia brincando de bombeiro e ter apagado vários incêndios (o possível roubo do carro foi só um aperitivo), terminei o dia com a pressão altíssima. Tinha formigamento nos braços e meu peito doía. Achei que eram os sintomas do tal infarto e minha hora estava chegando. Alarme falso. Acordei na quarta-feira vivinha da Silva para continuar a brincadeira de bombeiros.

Na quinta-feira, repentinamente no meio da tarde, houve uma brusca mudança de tempo e começou uma grande tempestade. A luz oscilou até o anoitecer e depois que eu e as crianças dormimos, ela acabou de vez. Minha filha tem um grande problema, oposto ao meu: ela só dorme se for com muita claridade, coisa que abomino. Quando sentiu a falta da luz, acordou. Duas horas da madrugada. E não satisfeita, fez barulho até que o irmão acordasse com medo e uniram-se contra o meu profundo sono.

A luz voltou quase cinco da manhã. Como eles levantam seis horas para ir à escola, passamos a noite em claro, e juntando problemas, mais falta de dormir, mais falta de tempo há dias para fazer uma refeição descente e vivendo a base de suco de laranja com banana e granola com açaí, minha resistência foi para o espaço.

Quando terminou o dia na sexta-feira, sentia dores no corpo, nariz escorrendo, sinais de gripe chegando. Ao acordar no sábado, constatei que estava apenas com uma sinusite atacando meu pobre ser e ao final do dia, o nariz já estava completamente entupido. Antes que virasse uma gripe suína, tomei meu remédio de sinusite. E cá estou eu, no meio da madrugada, com uma baita insônia, pois o remédio deve ser feito a base de cafeína. Sinal de que amanhã, por mais uma noite sem dormir, estarei com uma baita dor de cabeça, sem contar o mau humor. Sorte do meu marido que está literalmente na China, para não ter que me aturar, já que nem eu me suporto nestes dias!

sábado, 5 de setembro de 2009

Uma família bem grande


Queria ter uma família bem grande, daquelas com muitos tios por parte de pai e de mãe, e todos os tios com muitos filhos, para que eu tivesse muitos primos, e todos os primos fossem casados e tivessem muitos primos, para que meus filhos tivessem também uma família bem grande.

Não que minha pequena família não tenha problemas o bastante. Minha tão pequena família já é encrenca o suficiente e tem problemas de sobra.

Só acho que se a família fosse bem grande, haveria mais gente para ajudar a solucionar os problemas um do outro.

Uma coisa que lamento em minha vida (e não sou de lamúrias, pois Deus me ofereceu nesta vida muito além do que eu sonhava), é de não ter mais filhos. Graças a Deus, nem eu e nem meu marido temos problemas de fertilidade e poderíamos ter muitos filhos. Mas há alguns fatores impeditivos: somos apenas eu e ele para cuidar das crianças. Ele trabalha tal qual o inglês do início do século XIX: “Monday to Monday”. A coisa mais difícil nos dias de hoje é arrumar uma boa empregada. Fica complicado trabalhar, conseguir dar conta dos filhos e a atenção que eles exigem, e ainda manter tantos gastos que são necessários para criá-los com qualidade. Então, paramos nos dois.

Ainda bem que me é facultado o direito de sonhar... com aquela numerosa família... com a terceira idade chegando e meus doze filhos se reunindo para um grande Natal... com uma árvore gigante, cheia de esperanças depositadas... ainda bem que me é facultado o direito da Utopia!

S.O.S.: Professores de Espanhol

Estava dando aula para uma das minhas turmas, quando alguém bateu à porta. Era um professor, que educadamente se apresentou e trazia um papel em suas mãos. Disse que uma escola que ele trabalha precisava urgente de um professor de espanhol para começar imediatamente e me recomendaram como uma boa professora. Agradeci e perguntei para quando seriam as aulas. Por se tratar do Ensino Médio, cuja grande maioria das turmas são no período matutino, tive que recusar o convite, já que estudo pela manhã.

Há muito tempo venho cantando a bola. Há muita gente que fala Espanhol. Porém, não há pessoas falantes da língua que estejam habilitadas para lecionar. No Brasil, há ainda pouquíssimos cursos que habilitam professores nesse idioma e, mesmo assim, ninguém aprende a falar língua nenhuma em curso universitário.

No próximo ano, há uma lei que entra em vigor. As escolas terão que incluir o idioma em seus currículos. E como atender a grande demanda de professores, sem a oferta dos mesmos?

Não sei o porquê de um dia eu ter decidido estudar espanhol; já tem muitos anos. O fato de ter morado em um país sul-americano também me beneficiou. Eis aí uma grande oportunidade para as pessoas que gostam do magistério e tem vontade de aprender outra língua. Mercado de trabalho haverá, sempre!