quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O dia em que desejei com todas as minhas forças ir embora pra Pasárgada, mesmo sem ser amiga do rei

Faço uma citação à Bandeira no título deste post, pois foi assim que me senti ontem. Queria fugir para Pasárgada, o paraíso criado pelo poeta durante sua vida inteira de reclusão total, devido à tuberculose, que o fez um indivíduo solitário até os 83 anos, sem família nenhuma, sem mulher, sem filhos, mas com uma mente brilhante para criar os mais belos escritos do movimento Modernista brasileiro; sempre paradoxais; sempre cheios de esperança; sempre cheios de vontade de sumir.

Gente, ontem foi o primeiro dia de aula e ao final, achei que não sobreviveria, por isto, quis ir embora para Pasárgada. Se muito antes de aderir ao magistério, já defendia jornada única para professores com salários justos ao trabalho insalubre que é cuidar de tantas crianças ao mesmo tempo, agora iniciarei um movimento até que vire um projeto no Senado.

Sai da escola às 17h30. Meu pulmão doía. Alguém já sentiu dor no pulmão por falar tantas horas sem parar, em um tom de voz que não é o seu, com todos os alunos, de todas as turmas, querendo falar com a nova “Prô” ao mesmo tempo? Eu nem imaginei que a tal dor existisse. Dei a sorte de, na hora de vir embora, pensar em um caminho alternativo, que me fez chegar em casa em 40 minutos em pleno horário de pico. Minhas pernas mal conseguiam movimentar-se. Desejei, pela primeira vez na vida, um carro automático. Mas sonhei profundamente com o meu maior desejo: ter meu motorista particular. Porém, sobrevivi.

Cheguei em casa cheia de saudades das crianças, eles também de mim. Deitamos na minha cama, contamos histórias, nos abraçamos e há muito tempo não vivia um momento tão gostoso com eles. Muito antes das oito da noite, todos dormíamos. Acordei dez da noite, com meu marido ligando de Chicago. Sei que falei com ele, só não sei o que, pois desliguei o telefone e desmaiei até o amanhecer de hoje.

Valei a experiência e não vejo a hora de chegar a próxima aula. Foi bom me sentir útil depois de tantos anos sem entrar em uma empresa, cheia de pessoas, para trabalhar novamente.
E para quem não conhece o poema citado, vale a pena lê-lo!
http://www.releituras.com/mbandeira_pasargada.asp

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O dia em que nem estava procurando um emprego e ganhei um


Bom... tudo começou do começo... e o começo foi há dois anos e meio, quando iniciei a Licenciatura, com o único objetivo de ser Tradutora Juramentada de Língua Espanhola. Já falei dias atrás que depois de tantos anos de faculdade, farei Psicanálise no próximo ano, mas eis que voltando lá ao começo, minha amiga Mida resolveu que trabalharíamos juntas, no mesmo colégio. E a determinação dela, com relação a isso, foi maior que a determinação em arrumar o próprio emprego. Durante o final de semana, ela me avisou que teria de estar hoje na escola para conversar com a Coordenadora. E saí de lá contratada. José Mauro de Vasconcelos disse um dia: "e foi assim que ganhei minha gravata de poeta". Parafraseando-o, "e foi assim que virei professora de Língua Espanhola em um Colégio particular. Inicio na próxima 4a. feira e assim que sobrar um tempinho, conto detalhes da minha experiência!

sábado, 22 de agosto de 2009

A impotência humana

Ontem, meu marido levou as crianças para a escola e isso me facilita tanto a vida. Ao invés de chegar cedo demais na faculdade, consigo adiantar várias coisas em casa (e até na rua). Acabei indo ao Fleury buscar os resultados dos exames que eles haviam feito sábado passado e fiquei no carro mais tempo que o habitual. Ouvindo notícias no rádio, o locutor revoltado falava sobre o projeto de lei que tramita para a volta de um novo imposto, em substituição à CPMF. Como sempre, me senti lesada, impotente, inútil, por não fazer nada em relação a tanta sem-vergonhice que vivemos no Brasil.

Dormi com o assunto na cabeça e hoje acordei meio revoltada, meio adolescente e a parte adolescente resgatou uma música antiga que remete ao meu sentimento. Desculpem as palavras feias, mas é bem por aí!
FILHA DA PUTA - ULTRAGE A RIGOR - Composição: Roger Moreira

Morar nesse país
É como ter a mãe na zona
Você sabe que ela não presta
E ainda assim adora essa gatona
Não que eu tenha nada contra
Profissionais da cama
Mas são os filhos dessa dama
Que você sabe como é que chama
Filha da puta
É tudo filho da puta (2x)
É uma coisa muito feia
E é o que mais tem por aqui
E sendo nós da Pátria filhos
Não tem nem como fugir
E eu não vi nenhum tostão
Da grana toda que ela arrecadou
Na certa foi parar na mão
De algum maldito gigolô
Filha da puta
É tudo filho da puta (4x)
'Cês me desculpem o palavrão
Eu bem que tentei evitar
Mas não achei outra definição
Que pudesse explicar
Com tanta clareza
Aquilo tudo que agente sente
A terra é uma beleza
O que estraga é essa gente
Filha da puta

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Como era a vida das pessoas antes do Google?

Juro que não consigo imaginar. Sou “googledependente”, estou com vontade de ter um Smartphone só para poder acessar o Google a qualquer tempo ou momento e suprir minhas curiosidades de maneira instantânea.

Conto do Bastião – I

Bastião era homossexual, mas tinha vergonha da sua opção e, portanto, escondia-a de todo mundo. O problema é que todo mundo sabia. Como ele tinha medo de se revelar, acabou tornando-se uma pessoa agressiva, mas uma agressividade sutil. Um dia, começou a enviar cartas anônimas para outras pessoas, colocando em xeque a opção sexual dos envolvidos, gerando grandes conflitos que terminaram com a polícia envolvida. Após a identificação dos lugares onde eram emitidas as mensagens anônimas, Bastião foi descoberto, mas não foi desmascarado. A pessoa mais atingida, preferiu deixá-lo na dúvida, apesar de todos saberem que ele era o anônimo. Assim, ele resolveu criar novos conflitos, com novas pessoas. Pobre Bastião.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Eu e meus contos

Faz tempo que quero escrever sobre alguns personagens. Se são reais ou não, a dúvida ficará na imaginação do leitor (se é que alguém de fato lê este blog). Mas gostaria de ter um único nome para qualquer personagem feminina das minhas estórias e um único nome para os masculinos. Hoje, finalmente, consegui resolver tamanho conflito interno. Minha personagem feminina chamar-se-á Tereza. Ou Terezinha, para quem se sentir íntimo. Uma homenagem ao grande poeta Manuel Bandeira. E como Terezinha foi o nome da minha avó paterna, aquela que nem cheguei a conhecer, darei o nome de Bastião ao personagem masculino, em homenagem ao meu avô paterno, Sebastião. Queria deixar claro que o meu Bastião e a minha Tereza são como a Severina, do João Cabral de Melo Neto. Ninguém, mas ao mesmo tempo todo mundo. Mas nunca a mesma pessoa.

Precisa-se desesperadamente de uma assistente do lar

Já estou tão esgotada de procurar uma empregada, uma diarista, uma faxineira, ou qualquer ser que seja capaz de limpar meu minúsculo apartamento de menos de 70 metros quadrados de maneira descente, que hoje dei uma surtada. Sai na rua e todo mundo que encontrava conhecido, na porta da escola das crianças, na faculdade, na padaria, disparava a pergunta: “você conhece alguém que esteja procurando uma casa para trabalhar?”. A faxineira nova, que está aqui tem apenas três semanas, chegou ao cúmulo do absurdo de passar na minha casa por quatro horas, não se deu sequer ao trabalho de jogar água sanitária nos banheiros, arrumou a casa que nem o nariz dela, não aspirou, não passou pano, pegou o dinheiro e meio dia e meia foi embora. Só não tive a oportunidade de discutir, argumentar ou xingar, pois estava com tantos outros problemas na cabeça naquele momento, que a infeliz pagaria por todos. Mas lá vou eu de novo para minha sina de procurar uma empregada. Um dia eu chego lá.

Minha cunhada diz que o segredo é fechar os olhos e fingir que nada acontece. Como assim? Nos dias 15 e 30, pago adiantamento e salário, conforme o combinado. Recolho o INSS. Pago a condução. Dou uniforme. Respeito como respeito qualquer outro ser humano. Qual o motivo de eu fechar os olhos ao ver tudo errado, se a minha parte no trato eu cumpro a risca? Não tenho sangue de barata e talvez, por isso, vou continuar minha saga e meu sonho impossível de ter uma boa empregada por muito tempo. Quem espera sempre alcança.

Primeiro andar: o preconceito

Nunca pensei que um apartamento em primeiro andar gerasse tanto preconceito. Adoro morar no primeiro andar e moro aqui por opção. Quando compramos este apartamento, havia duas unidades a venda, uma no primeiro e outra no último andar. Optamos pelo primeiro e ambos custavam exatamente o mesmo valor. Claro que é lindo morar em um andar alto quando se tem uma vista privilegiada, o que é o caso do condomínio em que moramos. A partir do 6º, 7º andar, é possível avistar todo o Campo de Marte e há uma visão perfeita até do prédio do Banespa. Mas morar no primeiro andar é tão prático. E estávamos saindo de Moema, do apartamento 12, achei legal mudar para o 12 novamente.

Durante dois meses que nosso imóvel ficou a venda, recebi diariamente visita de corretores com seus clientes. Como o imóvel está todo reformado, com armários e pisos novinhos, as pessoas acabam por se encantar. Só que não houve um cliente sequer que não tenha feito objeção para o fato de o apartamento ser no primeiro andar.

Nas próximas semanas, estaremos de mudança para o novo apartamento, que é também número 12. Lá, o condomínio tem três torres, com vinte andares cada uma. Compramos a nossa unidade duas semanas antes de as vendas se encerrarem. Quase não havia mais opções de imóveis. Os melhores, com vista para toda a Serra da Cantareira, esgotaram-se no lançamento. Os com vista para frente tem uma visão horrível. E como havia pouca opção, ficamos com o 12 de novo.

Morar no primeiro andar é muito prático. Dá para subir de escada sem se cansar (se bem que eu não pratico isso, pois meus joelhos não me permitem subir ou descer escadas). Na falta de luz, ninguém chegará em casa sem fôlego. Quando o elevador está em manutenção, não ficamos a mercê das escadarias. Para quem tem filhos, é uma praticidade. As crianças descem apenas um lance de escadas e já estão lá embaixo brincando, e eu posso supervisionar da janela sem nenhum perigo.

Na maioria dos empreendimentos, os apartamentos costumam custar mais barato até o 5º ou 6º andar. Depois há uma nova faixa de preços até certo andar e os últimos andares têm os valores mais altos. Porém, não é nada que seja significativo quando se compra um imóvel na planta. Falamos de vinte, trinta mil Reais que serão diluídos nas parcelas, nas intermediárias, nas chaves e não se sente a diferença ao pagar.

Claro que não esperamos mudar tão cedo, mas já que o número 12 tem nos trazido sorte, se a mudança ocorrer, que seja para o 12 novamente. E fica a dica para minha cunhadinha colocar o número 12 para tentar a sorte na Loteria.

Que cara tem Deus?

Meu filho estudava até maio passado em uma escola de educação infantil, cujos donos são católicos praticantes e a prática religiosa era diária. Foi lá que ele aprendeu a rezar o “Pai Nosso”. Aos domingos, meu marido leva as crianças para a evangelização infantil e eles aprendem sobre Jesus, falam sobre Deus e mais várias coisas religiosas. Eis que meu filho me pergunta: “mamãe, como é Deus? Que cara ele tem?”. O que responder? Fiquei alguns segundos pensando e ele, com toda a sua impaciência “ursulística”, continuou repetindo as perguntas insistentemente. Disse a ele que Deus tem a cara que cada um quiser. Que para mim, ele não tem cara, é uma luz que ilumina minha vida, que guia meu caminho, que orienta minhas decisões e me faz pensar no que é certo e errado antes de agir. Ele quis saber se era uma luz igual a da lanterna dos Backardygans. Respondi que não, mas que apenas para mim Deus tinha a aparência de uma luz; ele poderia escolher a cara que quisesse para dar ao seu Deus. O assunto morreu por ali. Só que depois desse dia, ele nunca mais quis rezar sozinho antes de dormir. Todos os dias, quer rezar comigo, no meu quarto, deitado na minha cama e com a luz acesa, para que Deus esteja presente.

Minha visão machista

Não sei se o fato de ter sustentado a casa durante tantos anos no meu primeiro casamento, desenvolveu em mim uma visão machista da vida. Aliás, não sei por que as feministas lutaram tanto, já que hoje a mulher vive atribulada de serviço e não dá conta de tudo.

Estávamos em sala de aula e o professor começou a ler um texto. Fez um adendo antes de iniciar, reforçando que não era a opinião dele, mas sim do autor. O texto me remeteu a uma conversa que tive semana passada com meu marido.

Tenho vontade de voltar a trabalhar e se voltei a estudar, em busca de uma nova profissão, foi com o intuito de exercê-la de alguma maneira. Mas sinto muito orgulho quando vejo meu marido saindo pela manhã, beijando-nos para abençoar nosso dia e indo prover o sustento da sua família.

Existem poucos homens como meu marido. E tive a sorte e o privilégio de Deus tê-lo reservado para mim. Não é apenas o fato de nos prover sustento, conforto e coisas materiais. É pela maneira com a qual ele exerce a função de chefe da casa, me protege e sempre me livra de resolver os abacaxis mais terríveis, aqueles os quais eu faria qualquer coisa para não passar perto.

Será que o fato de eu ser casada com um homem tão maravilhoso, que eu amo e respeito tanto, que me faz ser tão a favor da instituição que tantos julgam falida, chamada casamento?

Um brinde aos maridos que ainda sabem ser maridos.

Quem quer um diploma?

Faculdade é um lance engraçado. Uns se entregam de corpo e alma para estudar e aprender, independente do diploma que receberão no final. Outros preocupam-se com o recebimento do diploma e saem com o canudo embaixo dos braços, mas com o cérebro mais vazio do que estava quando entraram. Eis aí a linha entre a inteligência e a esperteza. Eis aí, também, a diferença entre aqueles que se darão bem na vida e aqueles que, no futuro, se arrependerão do tempo perdido.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Prefere menino ou menina?

O velho clichê que existe em toda gravidez: tanto faz, vindo com saúde. Eu nunca fiz uso do tal, já que nunca neguei minha vontade de ter a segunda menina. Mas também nunca escondi o quanto sou feliz por ter um casal de filhos e acho que toda mulher deveria ter o direito de criar um ser de cada espécie: macho e fêmea.

Meninas são geralmente pudicas, reservadas e preservam suas intimidades. Claro que não é regra. Minha filha é super exibicionista e adora andar sem roupa pela casa; talvez seja reflexo do que vê nos pais, que também não são muito fãs de vestes. Os meninos, geralmente, são mais descarados. Só que a cada dia me descubro mais impotente por ser mãe de um menino.

Hoje meu filho estava sentado assistindo televisão. Vestido apenas com uma camiseta do pai, que cobria-lhe todo o corpo e uma cueca box, igual a do papai. De repente me perguntou: “mamãe, quer ver meu pipi?” “Não filho, esqueceu que foi a mamãe quem fez o seu pipi? Não quero vê-lo, deixa ele quietinho aí dormindo porque já o conheço muito bem”. “Mas mamãe, ele não está dormindo, olha como está acordadão e grande, igual o do papai! Quer ver que eu tenho saco também? Ele é todo vermelhinho, tem sanguinho lá dentro. E tem ovo também, mas não pode quebrar”.

Se eu caísse na gargalhada, poderia coibi-lo em ações futuras e o sexo para a criança (e para o adulto, principalmente) deve ser encarado com naturalidade, faz parte da vida. Só que é tão estranho deparar com situações assim. Dei atenção a tudo que ele me mostrava e uma chamada na televisão fez com que ele guardasse seu precioso pipi de volta na cueca. Claro que saí da sala, para não continuar com o assunto. Liguei para meu marido para contar-lhe o ocorrido e ele não conseguia parar de rir. Coisas de menino para menino.

Destino: Lisboa

Minha amiga Fofs está indo para Londres. Passará três dias em Portugal e me pediu dicas de passeio, hospedagem etc. Em um primeiro momento, fiquei de mãos atadas. Hospedagem é algo que não posso indicar para ninguém. Todas as viagens internacionais que fiz com meu marido foram quando estávamos expatriados e a empresa tinha uma margem financeira para que as famílias pudessem gastar com retorno para seu país de origem ou viagens para qualquer lugar do mundo. Optávamos pela segunda alternativa. Como tínhamos direito a viagem em classe executiva, acabava sendo uma grande quantia em dinheiro, então, procurar hotéis baratos nunca foi uma preocupação. Comecei não podendo ajudar por aí.

Depois veio o pedido de dicas turísticas. “Moramos” por sete dias em Lisboa. Tive um surto psicótico. Estávamos no Novotel, uma região com shopping, metrô e zoológico perto, tudo para fazer a pé. Mas não encontrava um cyber café e isso começou a me desesperar. Ninguém conseguia me orientar quanto ao uso de telefones públicos para ligações internacionais. Fomos mal tratados e desprezados pelas pessoas. Depois de uma semana e uma crise de choro, ou voltávamos para o Brasil, ou saíamos de Lisboa. Fomos morar no Estoril. Ali passamos alguns meses, até que nossa mudança, vinda do Chile, pudesse ser liberada pela Receita Federal, que estava em greve e mesmo dando sinal verde, não havia nenhuma maneira de desembaraçar nossa bagagem. Do Estoril, mudamo-nos para Cascais e ali vivemos até a volta ao Brasil.

Fui para Lisboa algumas vezes. Deixava meu carro na estação do comboio de Cascais e seguia de trem até Lisboa, com a linda imagem do mar. Descia em Belém e de lá fazia baldeação com o metrô. Assim fui algumas vezes até o Consulado, até o banco onde tínhamos conta, no shopping Colombo (dizem ser um dos maiores da Europa), onde passava horas na Fnac. Ainda fui com meu marido e minha filha para fazer turismo uma vez para conhecer a região nova da cidade, construída para a Expo (acho que 2002), o estádio do Benfica, construído para a Euro Copa de 2004, conhecemos o Aquário de Lisboa (MARAVILHOSO, dizem ser um dos maiores do mundo). Claro que fizemos o tour básico: Praça do Comércio, Castelo de São Jorge, Torre de Belém, Mosteiro dos Jerônimos (onde visitei e fotografei o túmulo de Camões).

De repente, tentando ajudar minha amiga e me sentindo inútil na tarefa, senti que conhecia bastante coisa em Lisboa e que algumas dicas poderiam ser úteis para a viagem dela. Assim eu espero. Foi bom, porém, descobrir que a má impressão daquela primeira semana passou e deu lugar a coisas boas. Como eu sempre digo, recordar é viver.

Eu, as compras de mercado e o perigo que elas representam

Esqueci de contar uma coisinha boba, mas útil. No sábado, fui levar as crianças para colher exames e de lá fui até o Wal Mart do Pacaembú. Estava precisando de material de limpeza, que normalmente compro por atacado no Sams Club, mas como estou de mudança, não achei prudente fazer um estoque e ter mais coisas para carregar. Coloquei meu filho na cadeira daqueles carros para bebê e minha bolsa entre mim e ele. Minha filha sempre ao meu lado. Ao entrar no estacionamento, me chamou a atenção o número de crianças e adolescentes de rua que estavam cheirando cola, na porta de entrada principal do hipermercado. Como há alguns meses sofri uma tentativa de roubo dentro do Extra Anhanguera, em pleno sábado de grande movimento, já entrei esperta. Mulher com criança é sempre alvo fácil. Fiz minhas compras rapidamente para me divertir com a pilha de roupas para lavar e passar que me aguardavam em casa. Parei no primeiro caixa para fazer o pagamento. Atrás de mim, reconheci um dos adolescentes que cheirava cola na entrada, segurando um saco de plástico com um limão dentro. Rapidamente, me dirigi a ele e disse para que ele procurasse o caixa rápido, para até vinte volumes, que fica na outra metade da loja. O moleque largou o saco e foi embora. Ainda bem que depois da matéria sobre varejo na Veja São Paulo, o Wal Mart decidiu colocar empacotadores nos caixas, o que me ajudou a conseguir tomar conta das crianças, das compras e da bolsa. Ao sair do estacionamento, vejo pela terceira vez no intervalo de apenas uma hora, o mesmo rapaz, sentado com os colegas, de frente ao estacionamento, que fica exatamente em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda. Não sei se tal situação é corriqueira, mas será que o rapaz que trabalha distribuindo cartões de entrada no estacionamento não poderia ter tomado alguma providência, para algo que acontecia debaixo dos seus olhos? Chegamos ao ponto de ter medo de ir fazer compras, pois naquele lugar não entro mais sozinha com as crianças. E que todos fiquem de sobreaviso.

Excesso de ocupação

Alguém já esteve com a agenda tão cheia de coisas para fazer, que resolveu usar como válvula de escape fazer qualquer outra coisa, para ver se os compromissos se resolvem sozinhos? Acho que estou assim. Minha cabeça está a mil com muitas coisas... trabalho, estudo, mudança, viagem, família, filhos, finanças, saúde. Tem um pouquinho de cada coisa para resolver. Quer dizer, tem muita coisa de cada item. E pela primeira vez na vida, ao invés de ficar livre de tudo de uma vez, estou enrolando. Tenho tido a sensação de que para cada pendência da qual me livro, surgem duas novas. Então se eu não fizer nada, tudo ficará como está. Será que Freud explica?

Um adendo


Antes que eu me esqueça e meu irmão entre aqui para lembrar-me da minha pouca idade, nosso primeiro grande game foi o bom e velho Merlin, da Estrela. Alguém também teve um?

Viva os amuletos da sorte


Existe uma predisposição própria do ser humano em achar que o pão com manteiga do vizinho é sempre mais saboroso que o nosso. Trocando em miúdos, a vida dos outros é sempre mais fácil de ser levada que as nossas próprias vidas, pois muitas vezes, só conseguimos enxergar as coisas boas da vida dos outros, mesmo que as ruins estejam mais em evidência. Tem até aquele batido ditado, “só olha as pingas que eu tomo, mas nunca vê os tombos que eu levo”. Não seria melhor cada um batalhar pelo seu, cuidar da sua própria vida, já que a vida é tão grandiosa para desperdiçar cuidando da vida alheia?

Quando o santo não bate


Nunca escondi de ninguém o quanto sou influenciável. Se isso denotar ou conotar uma fraqueza, paciência, eis a minha, apesar de não considerar como tal. Se gosto de uma pessoa e essa pessoa chega para mim e diz que não gosta de outra, também passo a não gostar da outra, sem ao menos conhecer. Mas se a vida me dá a oportunidade, conheço a tal outra pessoa, gosto e mudo a opinião. Apesar de parecer meio negativo, ser influenciável tem o seu lado positivo.

Tem uma pessoa do corpo docente da Universidade que me incomoda profundamente. E como a professora que é minha melhor amiga não gosta da pessoa, foi o suficiente para eu criar uma implicância sem tamanho. Me dá até arrepios quando tenho de assistir às suas aulas.

Ao término do primeiro semestre, estava tomando um café filosófico com uma professora que gosto muito, pela qualidade das suas aulas, mas principalmente pela grandiosa pessoa que ela é. E nesse café filosófico, surgiu a empatia que os alunos têm com a tal pessoa. Foi quando minha professora me disse que a opinião da turma estava completamente distorcida, pois tratava-se de uma pessoa de um coração grandioso, de uma inteligência genial e que, geralmente, pessoas geniais tem dificuldade em se expressar, passando uma impressão de prepotência ou arrogância.

Passei as férias pensando naquela nossa preciosa conversa. E voltei para o segundo semestre com outros olhos. Em 72 horas, passei a amar alguém que até outro dia, faria qualquer coisa para não cruzar pelo caminho. Será que eu também não mudei alguma coisa dentro de mim, para que nossos “santos” passassem a se cruzar?

Sei que da mesma maneira com a qual sou facilmente influenciada, posso facilmente influenciar. Tenho certeza de que, ao final deste ano letivo, muitas pessoas mudarão suas visões a respeito desse ser ex-detestável e de tão grande coração.

Bizarrices











Se há alguém que gosta dos jogos eletrônicos mais bizarros, este alguém tem nome e sobrenome: Ursula Hummel. Tenho saudades até do bom e velho Telejogo, que troquei com o meu vizinho pela minha vitrolinha cor de laranja da Philips, quando tinha dez anos. Depois de algum tempo, vendi para minha mãe o brinquedo, que presenteou meu irmão. Naquele mesmo ano, meu pai comprou um Atari de presente de aniversário para minha irmã e a família garantiu anos de diversão. Não sei que fim levou o aparelho. Aos 18 anos, entrei em um consórcio para comprar um Mega Drive, em dez vezes. Só que até o pagamento da quinta parcela, ainda não tinha sido sorteada. Resolvi quitar as parcelas restantes e resgatar meu prêmio. Meu pai tinha dado ao meu irmão um videogame Super Nintendo, no qual jogávamos Super Mário. Mais alguns anos de diversão.

Confesso que não sou da era Playstation, Wii e qualquer outro jogo novo que eu não conheça. Gosto mesmo dos básicos de antigamente, onde diversão era passar o tempo sem cansar a vista na pequena tela dos televisores de 14 polegadas.

Ano passado, andando pelo shopping com as crianças, encontrei na entrada das Lojas Americanas um aparelho de DVD da Tec Toy que além de leitor de diversos tipos de mídia, ainda tinha 200 jogos embutidos na memória, além do Karaokê. Comprei na hora. Voltei para casa toda feliz, instalei o brinquedo e a alegria durou não mais do que aquele dia. Um ano se passou e o aparelho servia apenas como leitor de DVD, até que sábado passado, resolvi ressuscitar o brinquedo. E quem disse que dois irmãos em faixas etárias tão distintas, não podem se divertir juntos?

Os dois estão fascinados pelo velho brinquedo que estava empoeirado na gaveta desde o sábado. Brincam juntos, entram em acordos, o irmão aplaude e admira a irmã em suas conquistas, ela enrola ele para jogar mais vezes, mas a brincadeira chega a durar duas horas, sem briga alguma entre os dois.

Depois da passividade que estamos vivendo nos últimos dias, decidi desbloquear um Playstation II que trouxemos da Europa tem quatro anos, juntamente com diversos jogos, todos originais. Quem sabe eles se interessem um pouco por algo mais moderno, que também já ficou arcaico?

O que fizeram com o meu filtro afetivo?


Em 1987, Stephen Krashen elaborou uma teoria para a aquisição de uma língua estrangeira e dentre cinco hipóteses dessa teoria, julga o filtro afetivo como o mais importante. Mas o que é o filtro afetivo? O filtro afetivo envolve um número de variáveis, todas ligadas à afetividade do aluno, para que ele consiga aprender a língua: motivação, confiança, ansiedade. Mas será que a teoria de Krashen só deve ser usada para o aprendizado de uma segunda língua? Quando um aluno perde a confiança em um professor, sente-se desmotivado pelo mesmo e cria uma ansiedade de maneira negativa em relação àquela aula, não está bloqueando totalmente o seu filtro afetivo, criando assim uma dificuldade de aprendizado?

Chegamos então à Zona de Desenvolvimento Proximal. Essa teoria foi elaborada por Vigotsky, contemporâneo à Piaget, que complementou as idéias deste quando incluiu que o meio social em que o indivíduo está inserido é essencial para que o aprendizado aconteça. Então, a Zona de Desenvolvimento Proximal é a distância medida entre nível de desenvolvimento real e o potencial. No primeiro, soluciona-se o problema sozinho. O segundo, há a necessidade de intermediação. Só que nem todo mundo está preparado para intermediar. Eis então o porquê da palavra PROXIMAL. Quanto mais próxima a linguagem entre os indivíduos que estão socialmente trocando conhecimentos, maior será a chance de sucesso de aprendizado.

Depois de todo esse blábláblá técnico e teórico, preciso dizer que meu filtro afetivo simplesmente bloqueou para certa disciplina. A desmotivação tomou conta do meu eu, bloqueando qualquer possibilidade de aprendizado e ninguém está conseguindo entrar na minha Zona de Desenvolvimento Proximal para intermediar meu aprendizado.

Viva Vigotsky, que desenvolveu tanta teoria, tudo para que eu não me sinta uma burra. Sou simplesmente uma vítima do sistema.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Confissão de uma ex-adolescente


Preciso fazer uma confissão: apesar de toda minha dureza e seriedade em vários momentos da vida, ainda sou totalmente adolescente. Adoro adesivos, canetas coloridas, um estojo de escola cheio de porcarias, marcadores diversos, agendas e, principalmente, caderno de recordações. Não conheço nenhuma mulher de trinta e cinco anos que tenha caderno de recordações, mas eu tenho e com muito orgulho. O primeiro foi aos doze anos. Comprei com aqueles dinheirinhos que criança ganha dos tios, dos avós. O segundo começou aos catorze. Ganhei de uma amiga no dia da minha festa. O terceiro, fiz com 21 anos. Um caderno universitário bem gordinho, para que apenas pessoas especiais escrevessem nele. Ainda restam muitas folhas em branco, mas as páginas já escritas têm cada uma das palavras cravadas no fundo do meu coração. Afinal, como sempre digo, recordar é viver!

Surpresa que realmente surpreende

Queria que o computador fosse capaz de mostrar o tamanho, a beleza,
a delicadeza, a textura, o relevo, enfim, o trabalho peculiar que é esta caixa!


Sabe aqueles dias em que temos mil coisas para resolver e sabemos que o dia acabará e ainda sobrarão novecentas coisas? E que não será por incompetência que elas deixarão de ser resolvidas, mas simplesmente porque o tempo acabará? Assim eu acordei hoje. Aliás, se quis fazer jus a ser uma Ursa, não falhei na tentativa. Ontem, depois de tanto nervoso com a famigerada Editora Abril, um dia inteiro sem comer, problemas com a empregada e a sensação de que algumas vezes estamos com a vida imantada, atraindo todo e qualquer problema, dei banho no meu filho e as sete da noite ele já estava dormindo. Aproveitei para deitar e tirar um cochilo. Só que o cochilo durou até quase seis da manhã de hoje.

Acordamos as crianças, para que eles dessem o tal presente de dia dos pais atrasado que a escola só pode mandar agora, despedimo-nos do meu marido, segui o ritual banho, uniformes, lancheiras, mochilas, sacola da natação e galochas e capas de chuva para o tempo horrível que estava lá fora e partimos rumo às nossas escolas. Deixei os dois na escola e fui para a minha.

Quando cheguei, queria conversar com alguém, mas sou a primeira a chegar e liguei para minha amiga Antinha. Papo vai, papo vem e ela me perguntou se eu não havia recebido nenhuma encomenda hoje pela manhã. Respondi que não e ela ficou muito brava com o porteiro do meu condomínio. Disse-me que assim que chegasse em casa, era para passar pela portaria.

Foram tantas coisas acontecendo até que eu voltasse, que desviei meu pensamento. Não tive tempo de raciocinar sobre o que minha querida amiga estava aprontando comigo. Como curiosidade mata, ao chegar em casa, fui subindo com as malas e meu filho e pedi para que minha filha buscasse a tal encomenda na portaria. Chega ela com um enorme pacote. Deu até medo de abrir. Fui devagar, desfiz o laço e o que havia dentro do saco? A caixinha preta de tigre que encomendei da nossa outra amiga, a Jacque. Fiquei intrigada. Por que a Jacque deixou a caixinha na casa da Antinha e não na minha? Dentro, havia uma carta. De feliz aniversário atrasado. Fiquei um pouco constrangida, afinal, gostei muito da caixinha e queria comprá-la, não era para a Jacque me dar de aniversário. Mas o presente não era da Jacque, e sim, da Antinha.

Por que me emocionei? Porque sou uma pessoa muito difícil de ser presenteada. Não gosto de presentes em datas, já disse isso e me sinto pressionada a comprar presentes muitas vezes para que as pessoas não se sintam menos prezadas por não ganharem nada em seus aniversários. Emocionei-me por ganhar uma coisa que queria, uma coisa que não esperava ganhar, de quem não esperava ganhar e sei o tamanho do carinho com que aquela peça, tão belamente trabalhada, me foi oferecida.

Meus olhos encheram-se de lágrimas. Em segundos, porém, já estava rindo. Meu filho queria saber por que dentro da caixa não veio presente e só veio um papel, que já estava todo escrito e nem dava para desenhar. Não dá para explicar certas coisas para crianças. Nem para adultos.

Ao ligar no trabalho da Antinha para agradecê-la, não tive palavras. De verdade, fazia muito tempo que alguém não me surpreendia assim. E o presente tem um significado especial, pois nossa amizade é especial e só nós somos capazes de entender até que ponto ela chega. Até o fim dos nossos dias.

Amiga Antinha, obrigada, de todo o meu coração. Amo você!

Que tal uma nova modalidade de seguro?

Podemos encontrar seguro para tudo que quisermos. Só que hoje descobri que necessito de um seguro que não existe. É um seguro contra obras ao redor da nossa casa.

Em uma semana, demoliram quase que um quarteirão em frente ao condomínio em que moramos. Minha casa passa dia e noite fechada. Todos estão com a rinite atacada. Nem roupas podemos lavar, pois se colocarmos as roupinhas cheirosas no varal, em instantes estarão da cor dos panos de chão, após a limpeza de uma casa que passou meses sem faxina.

Ontem, os caminhões começaram a parar em frente ao condomínio eram cinco e quarenta da madrugada. E olha que temos janela anti-ruídos, mas era tanto caminhão, que a sensação foi de que nada faria sumir tanto barulho.

Sai hoje cedo para levar as crianças para a escola e ir para a faculdade. Não conseguíamos sair da garagem. Havia caminhões em frente, ao lado, para baixo, para cima. Com sacrifício, manobrei e lá fui eu. Entrei em uma ruazinha muito tranquila, que costumo usar para cortar caminho. As obras do condomínio daquela rua também resolveram aportar seus inúmeros caminhões. Fiquei uns cinco minutos para andar um quarteirão.

Mais do que nunca, estou contando cada segundo que falta para mudarmos para o nosso novo apartamento.

A FARSA DA ABRIL CONTINUA

Ontem, como já tinha perdido compromissos por conta de tentar resolver o problema com a Editora Abril, claro que sem nenhum resultado positivo, decidi ligar para meu marido e pedir que cancelasse o cartão de crédito. Tudo bem que ele embarcará para uma longa viagem internacional na próxima semana. Se o cartão novo não chegar, usam-se outros. O importante era deixar de ser lesado pela Abril.

Procurei pelo serviço de assinante no site. Não há nenhuma possibilidade de não renovar a assinatura. Tudo é direcionado para que o cliente seja OBRIGADO a continuar mantendo o péssimo serviço prestado por eles.

Quando recebi no domingo o tal email da renovação, já renovando por dois anos (audaciosos não?), o valor a ser descontado seria: 12 x R$ 59,90. DETALHE: eles dizem que o RENOVA FÁCIL é um serviço que dá desconto ao cliente. Mas hoje, dia 18 de agosto, há uma promoção no site. Assinando a revista por 2 anos, leva-se (há clientes trouxas que acreditam ser grátis) mais um ano grátis. Ou seja, três anos de assinatura. Pela bagatela de 12 x R$ 75,65. Pergunto: qual é a vantagem de ser assinante???????

Recebi ontem diversas mensagens de pessoas que já foram também lesadas pela Editora Abril. O bom foi descobrir que não somos os únicos que tentam ser feitos de otários. O ruim foi saber que até hoje, ninguém tomou nenhuma providência legal contra a empresa.

Esqueci de contar. No ano passado, quando fizemos a assinatura, pedimos o pagamento parcelado, mas o débito enviado para nossa administradora do cartão de crédito foi feito em uma única parcela. Tentamos inúmeras vezes um contato com a empresa que, claro, está sempre com sistema inoperante.

Hoje, recebi no meu email pessoal (uma vez que a assinatura está em nome do meu marido) algumas respostas aos DUZENTOS E CINQUENTA emails que enviei ontem. E não é figura de linguagem. Realmente enviei tudo isso. Precisava fazer com que a Abril se manifestasse (antes de o advogado da empresa entrar em contato com o nosso para propor um acordo, o que deve acontecer).

Vou replicar aqui “ipsis literis” o teor das mensagens que recebi, tal qual minhas respostas às mesmas:

MENSAGEM 1:

“Caro Milton,
O nosso sistema de renovação automática de assinatura por contas de crédito - o Renova Fácil, associa o benefício do desconto exclusivo aos nossos assinantes à comodidade do débito programado no seu cartão de crédito ou débito em conta, evitando qualquer burocracia para renovar sua assinatura.
Essa forma de renovação é oferecida, por meio de uma correspondência, no mínimo três meses antes do início do novo período, aos assinantes que optaram por pagamento com cartão de crédito ou débito em conta.
Nessa carta, informamos a nova vigência, o número do cartão a ser debitado (sempre o mesmo utilizado anteriormente), o valor, a data do débito e a data máxima para eventuais alterações de dados ou forma de pagamento (carnê, por exemplo), colocando à sua disposição um telefone (ligação gratuita).
Caso o contato não ocorra até a data mencionada, outro comunicado é enviado, mais próximo ao pedido de débito à instituição financeira, informando a renovação automática da assinatura.
Ainda assim, se o assinante manifesta-se contrariamente, tomamos todas as providências necessárias de acordo com o desejado.
Por questões de segurança, o serviço de cancelamento nestá (SIC) disponível exclusivamente por telefone. Temos uma equipe dedicada para este atendimento de segunda à sexta-feira, das 8h às 22h.
Aguardamos seu contato no telefone 0800-7752035
Atenciosamente.”

NOSSA RESPOSTA:

“Caros FARSANTES chamados EDITORA ABRIL, 1. O número de telefone é apenas MAIS UMA FARSA, de sistema INOPERANTE constantemente 2. Eu não pedi nenhuma facilidade. Caso eu queira fazer a assinatura da revista, farei o contato com vocês e o desconto que vocês SUPOSTAMENTE fazem é também MAIS UMA FARSA. 3. Enviei várias mensagens dizendo que NÃO TINHA INTERESSE na renovação e não obtive resposta alguma, salvo quando recebi uma mensagem de PARABÉNS PELA RENOVAÇÃO que não fiz e não pedi 4. Vocês tem conhecimento de que, segundo o CDC, essa prática da renovação automática é ilegal. 5. Além de processar a empresa por danos morais, continuarei divulgando o tipo de atendimento que nós, clientes (ou ex-clientes, como eu) recebemos. 6. Vocês não possuem uma equipe PREPARADA tampouco COMPETENTE para atender aos assinantes neste 0800, pois a resposta é sempre a mesma, por dias, por horas: SISTEMA INOPERANTE. 7. Já cancelei meu cartão de crédito ontem, às vésperas de embarcar para uma viagem internacional. Alguém arcará com o meu tempo perdido com essa empresa que brinca com o cliente e com todos os prejuízos que estou tendo por conta dos transtornos. Se caso tenham algo a falar comigo, entrem em contato pelo meu telefone, que consta de seus cadastros. Este sim, é um número real, com uma pessoa real e capaz de solucionar problemas. MILTON HUMMEL”
MENSAGEM 2:

“Cara Úrsula

Esclarecemos que no dia 17/08/2009 houve uma queda em todos os nossos sistemas que afetou o atendimento de milhares de clientes.

Esclarecemos ainda que nosso horario de atendimento é das 8:00hs até as 22:00hs de segunda a sexta.

Por questões de segurança, o serviço de cancelamento está disponível exclusivamente por telefone. Temos uma equipe dedicada para este atendimento de segunda à sexta-feira, das 8h às 22h.
Aguardamos seu contato no telefone 0800-7752035
Atenciosamente.”


NOSSA RESPOSTA:

“Caros NEM SEI MAIS O QUÊ, O interessante é ver que dentre as 2.300 reclamações do Reclame Aqui, todas feitas contra a EDITORA ABRIL, a grande maioria está sem resposta e sempre com o mesmo problema que o meu. É realmente hora de alguém agir. Se o sistema de vocês caiu no dia 17, não tenho nada que ver com isto. E os outros dias, durante três semanas, que enviei mensagem à vocês solicitando que NÃO FOSSE RENOVADA QUAISQUER ASSINATURAS, uma vez que, quando eu tiver interesse em fazer compras, me reservo ao direito de solicitá-las?”
MENSAGEM 3:

“Cara Úrsula
Ressaltamos que por questões de segurança, este serviço está disponível exclusivamente por telefone. Temos uma equipe dedicada para este atendimento de segunda à sexta-feira, das 8h às 22h.
Aguardamos seu contato no telefone 5087-2145.
Atenciosamente.”

NOSSA RESPOSTA:

“Ressalto que não tenho mais interesse em conversar com vocês, agora, o assunto é na justiça e se há alguém que deva procurar outrem, é o prestador de serviços procurar o cliente.”
Percebam que nesta terceira mensagem, surgiu um novo número para contato (o qual nem tentamos saber se funciona, se é real ou não).

Como a justiça no Brasil é morosa, vamos aguardar o último capítulo de uma história de terror que está longe do fim.

Você trabalha?

Costumo ouvir muito essa pergunta e já cansada da mesma, dia desses decidi retribuir com outra pergunta: “depende do que você chama de trabalho. Se é aquilo que você faz, sai de manhã para um escritório com hora para entrar e sair, com uma série de coisas para resolver, mas com sua hora do almoço garantida, seus finais de semana idem, e melhor, um salário no final do mês, não, não trabalho. Agora se trabalho for acordar cedo, preparar mochilas, lancheiras e filhos para a escola, ser motorista, estudante, mãe, conferir e ajudar nas lições de casa, pagar contas, fazer compras, lavar, passar, cozinhar, viver eternamente em busca de uma empregada honesta e que entenda que não existe complicação em fazer um bom serviço de casa, resolver vários problemas que enfrentamos ao longo do dia, levar filhos ao médico, levá-los para fazer exames, ter cuidado com a alimentação balanceada para que seus sistemas imunológicos estejam fortalecidos para resistir a tal gripe, cuidar de toda a burocracia que envolve a venda da nossa atual casa e a compra da nova, marcar hora com a arquiteta, com o marceneiro, conseguir dar atenção para todos os amigos que necessitam e ainda enfrentar um último semestre de faculdade com a análise de vinte e quatro obras literárias, tudo isso de segunda a segunda, sem folga, sem descanso e sem remuneração, não, não trabalho.”

p.s.: isso quando não se cai na infelicidade de ser assinante da Editora Abril. Trabalho de verdade é resolver as lides com a empresa!

Volta às aulas

Fiquei impressionada com a chegada ontem na escola das crianças. As mães aguardavam ávidas pela abertura do portão. A alegria em seus rostos estava tão explícita que daria uma bela poesia. Em contrapartida, as crianças tinham aquela sensação ruim de deixar a barra da saia da mamãe após tantos e tantos dias de férias inesperadas. Ninguém chorou, todos entraram bem e sai aliviada. Nem acreditava que, finalmente, as aulas tinham voltado.
Fui buscar os dois na saída e ambos entraram no carro muito excitados para contar-me sobre o dia de volta às aulas. Primeiramente, tinham em mãos o presente do dia dos pais: um par de Havaianas personalizadas, cujo principal atrativo mesmo era o desenho que cada um fez para servir de embrulho. Depois contaram sobre o reencontro com os amigos e começou a sessão gripe suína. O pequeno, de apenas três anos, disse-me que não podia mais beijar e nem abraçar o papai e a mamãe, também não podia abraçar os amigos, não podia dividir os brinquedos, nunca mais era para dividir o lanche com os amigos, não podia emprestar material e toda vez que mexesse em algo, tinha que passar gelzinho nas mãos, para ficarem bem macias. Enquanto eu ainda dirigia, ambos tiraram de suas mochilas uma garrafinha de água, e o pequeno continuou as instruções: “mamãe, quando chegar em casa, tem que lavar bem lavadinho a minha garrafinha e nunca pode esquecer de levar à escola. Aqui está escrito meu nome, Leonardo, que sou eu. Nenhum amigo pode usar a garrafa do outro amigo e só a tia pode colocar água na garrafa, ninguém pode ir mais tomar no bebedouro”.
É realmente um alívio saber que a escola está tomando todas as medidas que podem para conter a propagação do vírus H1N1. Mas é triste ver a distância que as crianças e os adultos começam a tomar um do outro, por medo de contaminação. Espero que tudo isso passe logo e que eu possa voltar a chegar na escola deles e abraçar e beijar pessoas tão queridas que cuidam zelosamente dos meus filhos todos os dias.

A relatividade

Algumas vezes, minha filha me pergunta “mamãe, tal lugar fica longe?”. Respondo que tudo depende de onde estamos. Não dá para dizer se algum lugar é longe ou não, se não definirmos parâmetros para a distância.

Hoje, durante uma aula de Literatura, discutíamos um poema de Bandeira, cujo mote era feiúra. E mais uma vez, chegamos à relatividade. O que é bonito para um, é feio para o outro e vice-e-versa. Disse que para toda panela, há uma tampa. A professora complementou: “hoje em dia, até frigideira tem tampa”.

E quando se trata da verdade, também há a relatividade? Ou a verdade é e será sempre a verdade, nada mais que a verdade?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

EDITORA ABRIL: A PALHAÇADA É MAIOR DO QUE SE PENSAVA

Acabei de cadastrar-me no site Reclame Aqui. O site é de grande credibilidade. As empresas se importam, e muito, com a opinião e reclamação dos consumidores. Salvo nossa querida Editora Abril.

São 2.298 reclamações e a maioria é sobre o mesmo assunto: RENOVAÇÃO DE ASSINATURA NÃO AUTORIZADA. Ou seja, VENDA ILEGAL, NÃO SOLICITADA.

A porcentagem de respostas dadas pela empresa aos seus consumidores é mínima. Não chega a 5%. Há reclamações do Brasil todo e depois de ler tudo que li, disse ao meu marido para desistirmos de tentar cancelar o serviço não solicitado pelo telefone disponibilizado por eles, uma vez que outros consumidores dizem ter passado dias e dias e sem resolver o problema.

Nossa solução foi pedir o cancelamento do cartão de crédito e pedido de emissão de um novo cartão.

UMA FARSA CHAMADA EDITORA ABRIL

IMAGEM: retirada da mensagem eletrônica enviada pela empresa
Há algumas semanas, recebemos uma mensagem eletrônica nos COMUNICANDO simplesmente da renovação automática da assinatura de uma revista da editora supra referida. Como não solicitamos qualquer renovação, tampouco tínhamos interesse na mesma, enviamos uma mensagem solicitando que a mesma não fosse feita. Não obtendo nenhuma resposta, enviamos uma segunda mensagem. Ainda na espera de um pouco de dignidade com o consumidor, por parte da empresa, enviamos uma terceira mensagem.

Surpresa: recebemos ontem, domingo, pouco após o horário do almoço, uma mensagem parabenizando-nos pela renovação da revista. Só que o serviço de atendimento ao cliente só funciona de 2ª até 6ª feira, em horário comercial. Após o nervoso e a raiva que passamos ontem, estamos hoje há exatas cinco horas tentando cancelar uma compra que não foi feita e só recebemos a seguinte resposta dos operadores: Senhor (a), o nosso sistema está inoperante.

AVISO: consumidores, muito cuidado ao adquirir produtos em empresas cuja idoneidade é duvidosa. Ao passar o número do seu cartão de crédito, ficamos a mercê da empresa, que usa da ignorância ao consumidor, a ignorância à sua vontade e simplesmente emite vendas não solicitadas. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, tal atitude é ilegal. Portanto, documentem sempre todo e qualquer solicitação de CANCELAMENTO DE PEDIDO NÃO EFETUADO, para no caso de, como nós, termos de brigar na justiça por nossos direitos.

Agora vale um adendo. No ano passado, assinávamos no total de dez revistas da Editora Abril. Com o vencimento de cada uma das assinaturas, não tivemos o problema atual, uma vez que nossos cartões de crédito haviam sido clonados e, portanto, os números trocados. E por qual motivo decidimos não assinar mais as revistas? Simplesmente pelo fato de que, normalmente, encontramos as edições semanais nas bancas de jornais um ou dois dias antes da entrega na nossa residência. E as mensais, já chegamos a ter atrasos de dez dias. Que vantagem existe hoje em ser cliente Abril? Só dor de cabeça.


sábado, 15 de agosto de 2009

Precauções e boas notícias

Continuando a saga de exames, lá fui eu hoje, em pleno sabadão, para colher sangue e urina das crianças. Expliquei ao meu filho de três anos que ele sentiria um beliscãozinho no braço para que a tia tirasse o sanguinho. Mas em compensação, haveria muitos brinquedos para que ele se divertisse. Eis que chegamos ao Fleury e não tinha nada de brinquedo. Toque de recolher. Uma criança toca no brinquedo, deixa lá os seus vírus e a próxima criança vem e se infecta. Medida consciente. O laboratório também afastou por tempo indeterminado todas as funcionárias gestantes. Li ontem que se fortalecermos nosso sistema imunológico com uma boa alimentação, as chances de contágio são mínimas. O jeito é deixar fluir boas energias, alimentar-se bem e rezar muito.

E falando em oração, tive hoje a excelente notícia de que o filho da minha professora está em casa, já está de alta e mais ninguém se contagiou na família. Falei também com o filho caçula (o que ficou doente foi o mais velho), que me tranquilizou. Segunda-feira estarei com ela, cheia de saúde e energia como sempre!

Bons fluídos para todos!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Dor de cabeça: você já teve?



Quando eu era bebê, meus pais sofreram um acidente de carro ou de ônibus comigo. Como estou com preguiça de ligar para minha mãe para perguntar (pois lembrem-se, ODEIO TELEFONES), deixarei a dúvida pairar. Minha mãe bateu o queixo na minha pequena cabeça, quebrando os dentes. Desde então, minha cabeça dói.

Aos 10 anos, após passar todos eles fazendo tratamentos para sinusite e ver se a cabeça parava de doer, minha mãe me levou a um curandeiro (que esqueci o nome e também não vou ligar para ela e perguntar). Ele disse que minha dor de cabeça só passaria no dia em que eu menstruasse pela primeira vez e não lavasse a cabeça durante todo o período daquele primeiro ciclo. Cética como eu só, menstruei com quase catorze anos e qual foi a minha primeira atitude? Lavar a cabeça para provar que o velhinho (que agora lembrei o nome, Sr. Procópio) estava errado. Resultado: continuei com dor de cabeça.

Já fui levada de ambulância para o pronto socorro por duas vezes. Um dia, quis me jogar do 3º andar do edifício em que trabalhava, na avenida Paulista. O amigo que me socorreu entrou na Beneficência Portuguesa exigindo que a esposa dele fosse tratada de imediato ou ele chamaria a polícia. A esposa em questão era eu.

Quem conhece meus amigos, pode perguntar quem já me socorreu. Depois de esgotar os plantões da Beneficência, mudei para o Nove de Julho e depois para o Oswaldo Cruz. Procurei por todas as especialidades médicas, fiz ressonâncias, tomografias, e mais todo e qualquer exame que tivessem inventado. Sempre torci para encontrar um tumor na minha cabeça, pois assim, operaria e a cabeça não doeria mais. E nada.

Dois anos atrás, quando meu pai morreu, achei que partiria junto. Chorava dia e noite e a cabeça doía mais ainda. Já não existia nenhum remédio que me fizesse efeito. Meu ginecologista, que é meu médico desde que tenho 15 anos de idade e fez o parto dos meus dois filhos, sugeriu o DIU. Uma porcentagem das mulheres que o usam, param de menstruar e melhoram os sintomas da TPM. Foi o meu caso. Mas a dor de cabeça continuou. Com muito menos intensidade. Ao invés de doer 25 dias por mês, doía 20.

Indicaram-me um neurologista famoso. Consultas marcadas com dois meses de antecedência, só particular, três horas de espera para ser atendida, um alto cheque pelo valor da consulta e o diagnóstico: 95% dos meus sintomas eram de enxaqueca (o que não foi novidade). Mas ele não poderia me tratar de enxaqueca sem uma total certeza. Receitou-me um antidepressivo e um ansiolítico. Teria de tomá-los por quarenta dias e fazer um diário, anotando a hora que a cabeça doía, como começava a dor, qual a intensidade dela e voltar ao fim do período. Ao fim do período, o diário estava em branco, pois milagrosamente, a cabeça não doeu nenhum dia.

Idiota que sou, não voltei ao médico e a cabeça voltou a doer. Mas há um ano não chamo desesperadamente pelo rádio táxi, não tive mais nenhuma internação, nenhum amigo precisou me socorrer às pressas. Voltei a tomar o antidepressivo e o ansiolítico. Agora, minha cabeça dói só pela sinusite, ou em situações de muito estresse. Minha vida mudou depois disso, pois só quem sofre de alguma dor crônica sabe qual é a impotência diante dela. E valeu a pena o tempo de espera para conseguir a consulta, as horas na ante-sala. Finalmente, levo uma vida normal. Se é que existem pessoas normais.

Não importa o tempo, tampouco a distância. Só vale o que fica no coração.


Sempre enfatizo minha nostalgia e a importância que dou aos meus amigos. Têm pessoas que são muito queridas, e mesmo que passem anos e anos longe das nossas vidas, estarão sempre dentro dos nossos corações.

Ontem foi aniversário de uma pessoa muito querida (e muito canalha também, pois vive sem responder aos meus e-mails, mas mesmo assim eu a amo de paixão). Deixei uma mensagenzinha no Orkut dela e recebi a resposta por email. Uma mensagem tão gostosa, que me fez feliz por ter a oportunidade de tê-la em meu coração.

Como postei ontem, a filha de uma amiga querida me encontrou no Orkut (bendito Orkut!). Hoje pela manhã, recebo a mensagem da minha amiga no Orkut e conversamos um tempão no Messenger. Ela chorava de lá de Minas Gerais e eu chorava daqui. Tinha sete anos que não tinha notícias dela. Éramos vizinhas de porta e nunca fui de ter amizade com vizinhos. Mas essa vizinha foi especial. Quando minha filha nasceu, ela um dia tocou a minha campainha, com suas duas filhas, para levar um presente para minha recém-nascida. Achei um gesto tão delicado. Passamos a nos conhecer melhor, ela desfez a má impressão que tinha de mim e eu construí uma ótima impressão dela. Tornamo-nos amigas e confidentes. Um dia, ela teve de se mudar e antes que suas notícias chegassem, eu também me mudei. Nunca mais nos vimos, mas as boas histórias estão guardadas nos nossos corações, com amor e carinho.

Como é bom saber que em algum lugar do mundo existe alguém que já fez parte de momentos tão especiais nas nossas vidas. Para essas minhas duas amigas, muito obrigada por terem feito parte da minha história!

Artesanato das minhas amigas




Acho demais pessoas que têm o dom manual de fazer coisas lindas. E tenho o privilégio de ter como amigas uma família de artistas. Acabei de comprar uma havaiana da Má, que ela fez para combinar com uma bolsa da Guess linda que comprei. E uma caixinha da Jaquerida, a tia da Má, que vou usar carinhosamente na minha casa nova. Quem quiser conhecer os trabalhinhos da Má, visitem o blog dela. Eu garanto e assino embaixo.
http://cantinho-damah.blogspot.com/

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Profissão: Indecisão; Decisão: Psicanálise


Há coisas tão pessoais em nossas vidas, que por algum motivo, temos a necessidade de compartilhar com o mundo. E hoje venho a tona com uma notícia que deixará muitas pessoas de queixo caído. Mas antes de caírem os queixos, preciso, como sempre, contextualizar.

Trabalhei muitos anos na área de Recursos Humanos. Por trabalhar com a parte administrativa (mas não burocrática), sempre fiz parte da rixa dos profissionais da área: administradores x psicólogos. Sou uma pessoa muito cética. Preciso de coisas concretas para acreditar nelas e a psicologia, para mim, sempre foi algo feito apenas de suposições.

Depois de passar anos e anos estudando, decidi fazer um curso de Tradutor e Intérprete. Como não havia o curso perto da minha casa, comecei fazendo a Licenciatura em Letras, que concluiria em três anos, para fazer a especialização no quarto ano em Tradução. Só que, como sempre digo, não sabemos o curso do rio de nossas vidas.

Eis que no decorrer da Licenciatura, começo a me descobrir, a me encontrar e a me conhecer em vários aspectos. Começo a me identificar com as matérias mais odiosas, as mais repugnantes do currículo. E com o passar do tempo, tudo que mais tenho certeza é de que não serei uma tradutora, tampouco uma intérprete.

Decidi fazer uma nova graduação no ano que vem. Cursar psicologia. Claro que todo mundo está com várias perguntas: mais uma faculdade? Mais cinco anos de faculdade? Você está louca? Durante os catorze anos que trabalhei, fiz orientação e testes vocacionais por diversas vezes. E por todas elas, os resultados apontavam para duas profissões: Psicologia ou Direito. Abandonei a faculdade de Direito no quinto ano e nunca pensei em voltar. Não ligo por me chamarem de louca, afinal, não sou obrigada a ter um diploma para agradar aos outros. Iniciei uma pesquisa.

Comecei a estudar Freud, Jung, Lacan e fui me identificando demais com a Psicanálise. Até chegar a uma psicopedagoga, que me encaminhou para um psicólogo, que me encaminhou para outra psicopedagoga, que finalizou com mais uma psicóloga e o diagnóstico foi o mesmo: o que eu quero fazer, o que eu me identifico e tudo que meus testes sempre mostraram, é que eu nasci para ser Psicanalista. E para tanto, não preciso fazer mais cinco anos de graduação. Como portadora de diploma de nível superior, posso fazer a especialização em Psicanálise, que me permitirá clinicar inclusive na área educacional.

Não sei se ganhei na loteria. Mas foi como se tivesse ganhado. Aos trinta e cinco anos, depois de tanto estudar, aprender, me dedicar, finalmente descobri o que vou ser quando crescer. E daqui um ano, estarei me dedicando a nova e (assim espero) definitiva carreira: a de Psicanalista.

Claro que muita gente leiga, ao fazer a leitura desse texto, pensará exatamente como eu pensava: para ser Psicanalista, tem que fazer cinco anos de faculdade de psicologia. Então, sugiro que seja feita uma pesquisa, para que se descubra a diferença entre Psicólogo, Psicanalista, Psiquiatra, Psicoterapeuta, Psicopedagogo e mais algum outro psico que possa existir por aí. E me desejem boa sorte.

O último domingo


O dia dos pais passou. Procurei não pensar no assunto, até porque havia muitos outros em meu cérebro. No sábado, levei as crianças a uma festa de aniversário. Já tinha 20 dias que só saíamos de casa para ir ao médico, à fisioterapia e ao laboratório (sem me esquecer da farmácia). A festa foi da filha de um casal de amigos de infância. Hoje já não são mais um casal, mas a filha continua sendo dos dois. Revi pessoas queridas, dei boas risadas, voltei para casa com as crianças ainda sem pensar no tal dia dos pais. A noite chegou e conversei com meu marido. Falei sobre a sensação estranha da morte. Tem vezes que fico pensando que eu nunca tive pai, que aquele homem que me criou foi uma alucinação que durou quase 33 anos e agora a alucinação acabou. É um sentimento estranho, algo que a psicologia explicaria como uma negação. Acordei no domingo. O presente que havia comprado para meu marido (e também para o meu sogro) pela internet não chegou (anotem aí a loja que JAMAIS entrega na data: http://www.brandsclub.com.br/). Meu marido levantou. As crianças abraçaram e beijaram o pai. O pequeno estava frustrado por não haver presentes. Não saímos para tomar café da manhã, não saímos para almoçar, não tivemos almoço especial. Uma hora, minha filha me perguntou por que eu estava triste. Não esperou a resposta e me abraçou. Fui para o banheiro e chorei. Que sensação esquisita. Não lembrava mais do meu pai. Não conseguia conceber a imagem dele no meu pensamento. Só queria pegar o telefone e dizer “Paizinho, feliz dia dos Pais”, mas ligar para onde, se não sei onde ele está, se ele realmente existiu, se tudo foi fruto da minha imaginação. Almoçamos, deitei e dormi um pouquinho. A sensação estranha não mudou. Conversei com Deus. Tive a impressão de que estou me esquecendo do meu pai. Tentei um conforto divino, que não veio. Resolvi continuar assistindo a segunda temporada de House. Houve um óbito em um episódio e o corpo foi levado para a higienização. Fiquei pensando novamente no meu pai. Quem será que o lavou, quem será que o vestiu? Eu e meus irmãos tivemos a notícia da sua morte já algumas horas depois do acontecido. Viajamos por cinco horas e chegamos faltando algumas horas para o sepultamento, mas horas que, para mim, pareceram dias. Meses. Anos. Foi infinito. Consegui me lembrar dele, mas não como eu gostaria. Apenas aquela imagem fúnebre. Não uma imagem feia, pois nunca tinha visto meu pai tão bonito em toda a minha vida. Tentei entender a minha covardia, o porquê da minha fuga nestes dois anos que se passaram, por que até hoje nunca procurei saber mais detalhes, como foi, por que foi, onde foi, com quem foi. Só sei que foi. E não há como voltar. Portanto, não há explicação que me conforte. Aquele domingo, enfim, acabou. Na segunda-feira, li vários blogs e as mais lindas homenagens de tantas outras filhas órfãs e inconformadas. Descobri que, mesmo sem meu pai, faço parte de uma tribo neste mundo. A tribo das fugitivas sofredoras solitárias.

Alegrias versus Tristeza


Hoje fiquei muito feliz. Recebi um convite para um destes tantos sites de relacionamentos que existem, de um amigo muito querido, que conheci na internet anos atrás e já há muito não tinha notícias. Sabia que ele havia se casado e tinha uma filha da idade do meu filho. Além da boa notícia de reencontrá-lo (que ainda veio com uma mensagem dele de “leio o seu blog”), soube que ele tem outra filha e o cara que era super baixo astral e tinha uma alto-estima sete palmos abaixo da terra, está com uma fisionomia feliz, realizada. Amei, foi um grande presente.

Depois entrei no Orkut. Recebi o convite de uma menininha linda que era minha vizinha, quando minha filha nasceu. Hoje ela é uma linda moça de 15 anos e me senti tão velhinha. Mas tenho tantas saudades de coisas boas que vivemos juntas e queria há muito tempo reencontrar essa família. Agora, é só esperar o contato com a mãe dela, de quem tenho muito carinho e boas recordações dos tempos de outrora.

Mas como nem tudo na vida são coisas boas, recebo um telefonema de uma professora, dizendo que um dos três filhos de outra professora minha muito querida, a quem chamo carinhosamente de mãe, estava internado no Emílio Ribas. Fui atrás da informação. Liguei na casa dela e não encontrei ninguém. Liguei para outra professora e a informação foi confirmada. Um dos filhos realmente contraiu a gripe A e em 48 horas uma pneumonia. A notícia ficou só aí e amanhã tentarei saber mais. Estarei orando por essa família tão especial.

Junto com a notícia acima, veio também a do óbito da filha única de outra professora da nossa Universidade, do campus Morumbi. Ainda não sei de maiores detalhes. Estou em licença médica até dia 17 e, portanto, sem contato pessoal para informações mais concretas. Também soube, por fonte segura, que duas professoras do campus Vila Mariana contraíram a gripe A.

A notícia boa, da parte da saúde, é que a minha amiga que ganhou bebê no último dia 2 de julho e estava em coma está indo para o quarto nesta semana e até onde sei, já não corre mais risco de morte.

Nem tudo na vida são flores. Há notícias que anulam um pouco da alegria que nos contagia repentinamente. Mas tenho fé de que as pessoas estarão cada vez mais instruídas, para saber como proceder aos sinais da gripe A e tomar as devidas precauções no tempo necessário, para que ela seja simplesmente mais uma gripe em seus históricos médicos.

Alexandre Graham Bell


Eu acho feio dizer que odiamos alguém ou que temos inimigos. Ao menos, faço de tudo na vida para não odiar ninguém, tampouco ter inimigos. Mas eu tenho o direito de odiar a invenção de alguém e o meu ódio se deve a maior invenção do cidadão título deste post.

Gente, queria que as pessoas entendessem o seguinte: antigamente, a vida das pessoas era muito mais simples. Ninguém conservava relacionamentos por anos a fio. Ninguém saia de um trabalho para o outro com tanta constância, e, portanto, não conhecia um infinito número de amigos. Não existiam tantos barzinhos, as redes de relacionamentos das pessoas eram muito menor. Assim, ficava mais fácil manter contato, dar um alô de vez em quando, fazer uma visitinha rápida ou um grande dia de bate-papo.

Vejo o meu caso. Estudei em várias faculdades. Passei por três escolas. Morei em três países. Em várias cidades. Em diversas casas. Ao todo, mudei mais de vinte vezes. Trabalhei em vários lugares e por ter trabalhado como consultora, tive a oportunidade de conhecer muito mais pessoas do que os trabalhadores comuns, que tem suas cadeiras fixas diariamente em um escritório.

Não é anti-socialismo meu. Não tenho fobia de telefone. Só não dou conta de bater papo de uma hora com cada uma das pessoas que conheço, todos os dias. Acho que a internet é a invenção do futuro, uma vez que através dela, é possível dar e receber notícias rápidas, dizer para as pessoas queridas que estamos vivos e sabermos sobre elas também. Só que o dia-a-dia de hoje já não permite mais tanto tempo de atenção para uma única pessoa.

Queria perder minha fama de “você não atende ao telefone”, “nunca conseguimos falar com você”, “ninguém tem notícias suas”. Eu estou aqui. No Planeta Terra. Cuidando da minha família, da minha casa, dos meus estudos, e ainda tentando preservar em minhas relações tantas pessoas queridas. Mas, infelizmente, o dia acaba quando o relógio bate as doze badaladas e mais um dia começa, cheio de compromissos e cobranças.

Para quem entender, agradeço imensamente. Não medimos o carinho que temos pelas pessoas pelas horas que passamos com elas ao telefone, mas sim, por estar ao lado delas no momento em que realmente é preciso.


p.s.: pior que a invenção do telefone, é a invenção do identificador de chamadas!
p.s.2: Graham Bell foi um grande homem e quem se interessar, leia um pouco sobre sua vida, para saber que a invenção do telefone foi um mero detalhe dentro do grande trabalho social que ele desenvolveu com deficientes auditivos

O saldo das férias


Tivemos as férias mais difíceis dos últimos tempos. Não foram apenas problemas de saúde que assolaram nossa família. Estávamos com a cabeça cheia de coisas para resolver, muitas decisões a tomar e juntando isso com todo o estresse que vem se acumulando ao longo dos últimos anos, teve um momento que achei que surtaríamos. Claro que depois de passado o momento de desespero, tudo se resolve.

Conseguimos vender nosso apartamento, o que nos deu um grande alívio, pois só assim conseguiríamos dinheiro para poder quitar o novo, sem ter que fazer um longo e burocrático financiamento. O melhor de tudo, porém, foi que assinamos o contrato de venda na segunda-feira. E no mesmo dia, arrebentaram três casas de frente ao nosso condomínio. É o quarto empreendimento que estão fazendo na nossa rua, nos últimos dois anos. Cheguei ao absurdo de fazer um tour pelos arredores e contar: catorze empreendimentos em um espaço de quatro quilômetros. Mais dois meses e estarei livre das nuvens de poeira que estão se formando ao nosso redor. E onde vamos morar, não há mais espaço para novos condomínios, portanto, estarei livre de grandes obras por algum tempo, até que a família decida mudar-se novamente.

O atraso de quatro meses na entrega do nosso novo apartamento atrapalhou em tantas coisas nossa vida. A contar pelo nosso espaço físico. Como a previsão da nossa mudança era em primeiro de junho, compramos geladeira, freezer, fogão, máquina de lavar louças, forno elétrico, aparelho de jantar. Tivemos que conviver acampados com toda a parafernália na sala, já que aqui, os armários foram feitos sob medida e comprei tudo de acordo com as medidas dos armários do novo apê.

Sinto que agora as coisas estão bem perto de acontecer. Nossa sacada já está com a churrasqueira prontinha e já compramos até os apetrechos para fazer o churrasco. Só falta meu irmão voltar da Irlanda, pois aqui em casa, só entendemos de comer.

E finalmente, segunda-feira, após um longo e incansável período de férias, voltaremos todos para nossa rotina, até a hora de começar a colocar caixas no caminhão. Mas aí é outra história.

Visão holística da gripe suína

Recebi o texto abaixo, sem a citação de um autor do texto como um todo, mas da autora de um livro. Achei interessante a linha de pensamento:

Gripe Suína - Mudando a Mente para se proteger

O vírus causador da gripe é chamado de Influenza. Gripe = Influenza = Influência = não fluir, não ser espontâneo. Segundo a autora Louise Hay em seu livro “Cure seu Corpo”, o padrão de pensamentos e de comportamento de quem adquire gripe é:
- Reação a negatividade. Temor. Deixar-se influenciar pelas opiniões alheias. E o novo padrão de pensamentos que devemos ter, em substituição ao padrão acima é:
- Estou acima de crendices e imposições sociais. Estou livre de influências e pressões.
É interessante observarmos que em casos recentes de gripes epidêmicas ou pandêmicas houve situações de negatividade e temor em caráter mundial e a população sofreu grande influência (Influenza) da opinião pública, despertando o medo e o temor em relação ao futuro. Observe abaixo um descritivo resumido de cada surto epidêmico ou pandêmico de gripe:
1) 1.918 Gripe Espanhola: após a Primeira Guerra Mundial
2) 1.933 Surto ligeiro: após a queda da bolsa de valores de 1.929
3) 1.946 Surto ligeiro: após a Segunda Guerra Mundial
4) 1.957 Gripe Asiática: após Pacto de Varsóvia (ameaça de 3ª Guerra Mundial)
5) 1.968 Gripe de Hong Kong: após o início da Guerra do Vietnã (ameaça de 3ª Guerra Mundial)
6) 2.004 Gripe Aviária: após ataque à NY e Guerra do Iraque(ameaça de 3ª Guerra Mundial)
7) 2.009 Gripe Suína: após a Crise Financeira Mundial atual.

Segundo o horóscopo chinês, o signo do porco está associado à prosperidade. Também em várias culturas a imagem do porco está associada à cofrinhos, à fartura e à riqueza.
A principal atitude para evitarmos qualquer gripe é confiarmos no processo da vida e não sermos INFLUENCIADOS pela situação geral; não termos medo do futuro.
No caso específico da gripe suína, devemos evitar o temor em relação às questões econômicas e financeiras. Devemos confiar na Provisão Divina e na Prosperidade do Universo.Não adquira Influenza. Não seja influenciado! Não se deixe influenciar pelas notícias de “Crise Financeira Mundial”.
Acredite no Futuro, acredite na Vida! Vamos FLUIR!

Ainda sobre a gripe suína

Resolvi postar aqui diversas imagens que encontrei sobre a gripe suína. Em seguida, postarei um texto muito interessante que recebi hoje sobre a pandemia. Claro que há mais inúmeras piadas "imbecís" como estas, mas minha paciência está curta. "Enjoy it"!





















Só entre mãe e filha


Nestes quase dois meses de férias, tive a oportunidade de compartilhar coisas boas com a minha filha: cultura. Para mim, cultura é e sempre será a coisa mais importante que posso dar aos meus filhos.

Comprei alguns livros da Companhia das Letrinhas. São versões juvenis de grandes clássicos. Além da compilação da obra, há também uma contextualização cultural, da vida do autor, do momento em que o mundo se encontrava quando a obra foi escrita e isso tudo tem o poder de seduzir a criança, criando nela grande interesse.

Minha filha leu “O médico e o monstro”. Sentiu-se um pouco confusa e resolvi assistir ao filme junto com ela. O tema pode parecer pesado, mas ela é bastante madura e lidou numa boa com tudo. Interessou-se, interrompeu algumas vezes o filme para questionar e, ao terminar de assistir, fez uma releitura do livro. Para mim, foi um grande presente ver como e quanto ela se envolveu.

Após reler “Animal Farm”, meu marido sugeriu que desse o livro para que ela lesse. Achei que o tema é político demais, complexo demais para nove anos. Quando terminei a releitura, cheguei a conclusão de que posso fazer algumas adaptações para a idade dela. Assistirei também ao filme e só depois lerei o livro com ela.

Hoje, porém, foi o nosso melhor dia. Tivemos que fazer uns exames do outro lado da cidade. Nem tanto, mas o trânsito faz a distância dos lugares em São Paulo parecer muito maior do que realmente são. E como ontem comprei um áudio-livro do Edgar Allan Poe, fomos no caminho escutando “O gato preto”. Ela ouviu, prestou atenção, quis ouvir uma curta biografia do autor e na volta, pediu para ouvir “O corvo”. Ouvimos a tradução de Machado de Assis, complexa até para mim, amante de Poe e seus discípulos. Deixamos para ouvir amanhã a tradução de Fernando Pessoa e depois conflitar as duas.

Tem coisa mais gostosa do que ser mãe?

A falsa sensação de poder


Estive hoje com as crianças no laboratório Fleury, lá na Cincinato Braga, para que os dois fizessem alguns exames de imagem. Com o pequeno, só rotina. Com a mais velha, a médica precisava saber como anda sua idade hormonal, se o pulmão já estava completamente limpo, se a sinusite cedeu. Como a unidade Brás Leme, que fica ao lado da nossa casa, não tem esse tipo de exames, lá fomos nós para a Paulista.

Não gosto de reparar nas coisas ou nas pessoas, mas tem vezes que a mente está tão desocupada, ou tão longe do mundo real, que consciente ou inconscientemente, começamos a prestar atenção em coisas ao nosso redor.

Tenho a impressão de que as pessoas colocam suas melhores roupas, sua melhor bolsa, seu melhor sapato, seu melhor par de óculos, tudo para que haja uma conotação de poder.

Na sala de espera, havia ao nosso lado um senhor. Não sei precisar sua idade, pois não olhei diretamente para o homem. Chamou-me a atenção o tom o qual falava. Alto e deselegante. Como se precisasse contar detalhes da sua vida para tantas pessoas que aguardavam na sala cinco. Seus sapatos estavam impecavelmente engraxados. Camisa engomada, claro que com a gripe/propaganda sendo exibida no bolso esquerdo. Um relógio Bulova tinindo de novo. Assim como todas as mulheres exibiam largamente as marcas dos seus óculos de sol e suas bolsas.

Não ficamos nem dez minutos em espera e já nos chamaram. Ainda faltavam vinte minutos para o horário do nosso exame, mas crianças têm prioridade. Entramos, a enfermeira me entregou os aventais para trocar as crianças e ficamos aguardando nossa vez de entrar na sala de radiografia. Logo em seguida, entra o senhor multimarcas e troca-se na mini-sala ao lado da nossa. Quando ele saiu, com seu camisolão e as sapatilhas brancas, foi notório até para quem estivesse de olhos fechados os rombos que havia em seu par de meias pretas. Ri sozinha. As crianças perguntaram o porquê. Disse-lhes que estava rindo da vida. Da vida das pessoas que precisam tanto mostrar, falar, gesticular, mas muitas vezes se esquecem de que podem precisar mostrar as meias (e ainda bem que o camisolão cobria as cuecas, pois pelo estado das meias, deu até medo imaginar algo mais).

Falando sobre blogs


Adoro ler blogs, dos mais diversos. Gosto de blogs temáticos, com assuntos específicos, nos quais posso sempre me aprofundar em conhecimentos. Adoro blogs jornalísticos, ainda mais quando os autores são polêmicos. Mas os blogs os quais mais gosto são blogs de pessoas comuns, que simplesmente narram suas vidas, contam sobre suas rotinas, dão dicas de coisas legais que deram certo, reclamam de outras que não deram, falam sobre seus trabalhos, suas famílias, seus filhos, seus amigos, seus ex-amigos. E nessas minhas leituras, outro dia encontrei uma pessoa muito magoada com uma amiga, que aquela altura, já tinha virado ex-amiga.

Acredito cegamente nas pessoas. Até que elas se tornem insuportavelmente falsas e dissimuladas, ao ponto de me fazer voltar a enxergar. E quando enxergo, adeus. Sou o tipo de pessoa que sempre se entrega de corpo e alma nos relacionamentos pessoais, profissionais e, na verdade, me entrego de corpo e alma em tudo que faço. Não gosto de nada pela metade. Metade, na vida, só eu e meu marido. Por isso estamos juntos, para nos completarmos e formarmos um ser inteiro.

Uma das coisas mais tristes que existe, realmente, é sentir-se enganado, traído por alguém em quem muito confiávamos.

Quem me “lê”, vai até me achar uma velha, mas no curto espaço dos meus trinta e cinco anos, sofri tantas decepções, quebrei tanto a cara, fui tantas vezes traída por pessoas que eu jamais imaginava ser capaz de fazer tal coisa comigo. Nem por isso, perdi a confiança no ser humano. E deixo aqui um recadinho para todo mundo que me acompanha: trair faz parte da natureza humana; muitas vezes, temos de escolher trair a quem gostamos, em detrimento de nossos próprios interesses. É a lei da selva. Como já dizia nosso velho e bom Rousseau, “o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”. Ainda poderíamos continuar na linha filosófica e citar Maquiavel, quando diz que “os fins justificam os meios”.

Mas prefiro encerrar sem frases prontas, falando apenas com a voz do meu coração: seja sempre sincero com o seu próximo, pois é reflexo da sinceridade que exerce consigo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Este é um urubu albino?


Minha filha é a típica criança que gosta de contrariar. Nada do que se fala para ela é aceito sem uma réplica. Hoje, ao ler as notícias, vi na Globo.com a notícia de um urubu albino, encontrado em Sergipe. Mostrei a ela a foto e ela, claro, retrucou: "mamãe, este urubu não é albino, pois seus olhos são pretos". Senhora sabe tudo! Acima está a foto do bichano, para concordarem ou discordarem.

Entenda se for capaz...



É uma história real, cujos nomes dos personagens foram trocados, para preservar suas intimidades.

Caso 1: Edu e Lud eram apaixonados. Casaram-se e tiveram dois filhos, Joana e Pietro. Mas se separaram após alguns anos.

Caso 2: Carlos e Lúcia foram feitos um para o outro. Casaram-se e tiveram quatro filhos, Bárbara, Bianca, Bruno e Beatriz. Mas se separaram após alguns anos.

Caso 3: André e Camila se viram pela primeira vez e foi um encontro de almas. Casaram-se e tiveram dois filhos, Murilo e Lorena. Mas se separaram após alguns anos.

Caso 4: Moacir e Mirtes, que acreditavam em reencarnação, tiveram a certeza de que se amaram tanto em outras vidas que tiveram a chance de reviver nesta o seu amor. Casaram-se e tiveram os trigêmeos, Mellina, Melissa e Murillo. Mas se separaram após alguns anos.

Até aqui, os casos são todos comuns. Afinal, todo mundo casa e se separa. Nenhum dos quatro casais tem nada que ver com qualquer um dos outros. Ou não tinham. Um dia, Edu conheceu Camila e se apaixonaram. Assim como Lud conheceu Moacir e também se casaram.

Caso 5: Edu e Camila passaram a ter como “filhos”: Joana, Pietro, Murilo e Lorena. Mais os dois meninos que vieram “acidentalmente”, com o exato intervalo de nove meses, Bernardo e Gabriel.

Caso 6: Lud e Moacir juntaram suas famílias, uma vez que Moacir tinha a guarda dos trigêmeos. Assim, Mellina, Mellissa e Murillo tornaram-se irmãos de criação de Joana e Pietro, que já eram irmãos de criação do Murilo (com um L só) e da Lorena e irmãos biológicos do Bernardo e do Gabriel. E claro que se já não bastassem tantas crianças (muitas com idades idênticas), Lud e Moacir acharam que a união seria completa se tivessem um filho biológico juntos. Com o histórico de gestações múltiplas na família de Moacir, não contavam com o bilhete premiado e chegaram os quadrigêmeos: Samir, Samuel, Sther e Sara.

Depois disso, não vieram mais filhos. O mais velho de todos tem 18 anos e os caçulas, os quadrigêmeos, um aninho. São todos civilizados, convivem em paz, as famílias sobrevivem como podem, pagam pensão alimentícia quando dá (pois Mirtes e Lúcia continuam solteiras, e mulher divorciada quando vê o ex-marido casado, se torna um verdadeiro transtorno na vida do novo casal). Até o presente momento, ninguém foi preso. Mas as crianças são incapazes de contar verdadeiramente quantos irmãos possuem.


p.s.: os pais dos quadrigêmeos moram em um apartamento de dois dormitórios.