quarta-feira, 29 de julho de 2009

Gripe Suína - Parte II

Enquanto postava o texto anterior, lia alguns sites de notícias. Encontro no Estadão uma estatística do Ministro da Saúde, sobre as mortes causadas por gripe comum, em julho de 2008: QUATRO MIL E QUINHENTAS. Quem duvidar, eis o link:

http://www.estadao.com.br/geral/not_ger410544,0.htm

A verdade sobre a gripe suína


Sai hoje de casa, no bairro de Santana, Zona Norte de São Paulo, rumo a Pinheiros, para levar minha filha à pediatra. Moro em uma subida, mão única para automóveis, onde os mesmos estacionam dos dois lados, além das duas pistas para trafegar. A rua não possui nem meio quilômetro e nesse curto trecho há cinco condomínios residenciais, além de dois prédios com acesso direto. Meu condomínio é o terceiro. Saio da garagem, engato a primeira marcha, a segunda e jamais dá para engatar a terceira, uma vez que a rua termina em um farol, que sempre está fechado para mim. Antes de chegar ao farol, subindo a rua em baixíssima velocidade, sai um carro da garagem de um dos condomínios que ficam a frente do meu, em alta velocidade, sem olhar para a rua e verificar se algum carro subia. Chove muito. Eu freio repentinamente e, para minha sorte e da minha filha, nenhum carro ou ônibus vinha atrás. Livro-me do primeiro acidente.

O farol abre e entro à esquerda, mas sou fechada por um carro que vem de uma lateral. A preferencial é minha. Continuo em baixa velocidade e freio novamente. Lembro-me da reportagem de capa da última revista Veja São Paulo, que mostra o quanto temos de exercer a paciência no trânsito. Respiro fundo, conto até dez. Continuo descendo e paro no próximo farol. Meu carro é o primeiro a sair quando o farol abrir. Engato a primeira e ainda muito cautelosa com a chuva, saio o mais devagar possível, com os limpadores de para-brisas funcionando em velocidade máxima e o ar quente ligado para desembaçar os vidros. Vem um terceiro carro e resolve aproveitar o farol, que já está vermelho para ele. Desvio para que ele não bata em mim. O motorista do lado me xinga, e com razão. Mas eu não tive culpa. Só estou a 300 metros da minha casa.

Entro na Avenida Brás Leme. A velocidade máxima permitida é de sessenta quilômetros por hora, controlada por vários radares, exceto neste exato trecho em que entro. Tomo a pista da direita, das quatro que a avenida me oferece. Não estou com pressa, tenho uma hora e quinze minutos até chegar ao meu compromisso. A chuva continua muito forte. Um carro sai bruscamente de um grande posto de gasolina. Estou andando em velocidade de quarenta quilômetros por hora, há um ônibus na minha frente sinalizando que parará no ponto e não pretendo ultrapassá-lo. O carro que sai do posto entra na minha frente e eu inclino meu carro completamente para a calçada, para não ser atingida. Estou agora a apenas meio quilômetro de casa.

A gripe suína já matou quase sessenta pessoas no Brasil. O detalhe é que gripe não mata ninguém. O que mata são as consequências de uma gripe mal curada e isso pode acontecer com a suína ou com qualquer outro tipo de gripe. A população está em pânico. Se alguém espirra, pede desculpas e explica: “é rinite”. Se alguém tosse, vai logo se explicando: “é o tempo seco”. As pessoas estão sendo vistas como leprosas. Todos estão evitando o contato humano. O Governo decretou que as aulas na rede pública de ensino atrasarão por três semanas. As mães precisam trabalhar. Faltarão ao trabalho para cuidar de seus filhos. Um elo de uma cadeia faltará e, pela falta dele, muitas coisas deixarão de funcionar. A economia do país sairá prejudicada. Tudo pela gripe suína.

Mas e as quatro vezes em dez minutos em que fui atingida por negligências no trânsito, o Governo não fará nada?

Quais são as estatísticas mostradas na mídia sensacionalista sobre as mortes que ocorrem ocasionadas por gripes mal curadas? Alguém já viu alguma até agora? Em quanto tempo ocorram estas quase sessenta mortes no país? Neste mesmo período, quantas pessoas morreram assassinadas por bandidos? Quantas morreram em acidentes de trânsito? Quantas morreram por não terem o socorro necessário nas portas dos hospitais públicos, país afora?

Será que não é hora de deixar um pouco a ignorância de lado e deixar a vida transcorrer normalmente, sem o pânico na população? Será que não é hora de divulgar para esta apavorada população que qualquer tipo de gripe necessita de cuidados imediatos: antitérmicos para febre, repouso, chás, alimentação saudável, vitamina C (conseguida com um simples suco de limão)?

Ainda não entendi o que se busca com a falta de informação à população e todo o caos que as pessoas estão causando com a desinformação. Nos últimos dias, de cada pessoa que conversei, uma teve um caso de morte por gripe suína para me contar. Somos um país com duzentos milhões de habitantes e menos de sessenta mortes. Mas mesmo assim, alguém conhece alguém, que conhece alguém que morreu de gripe suína.

O que mais me entristece, é ver o pânico em pessoas inteligentes, esclarecidas, com acesso às informações, com conhecimentos médicos e que, mesmo assim, insistem em transmitir o pavor em cada conversa. Tentarei fazer minha parte, mas gostaria de ajuda, para que a vida voltasse ao normal. De quem? Não sei.

domingo, 19 de julho de 2009

O casamento da Agatha e do Rafa


Conheci a Agatha em janeiro de 2007, quando meu filho entrou em sua ex-escola. Ela foi sua primeira professora, já que na escola anterior, ficava no berçário com uma enfermeira. Minha empatia com ela foi imediata. Seu jeito de menina risonha e brincalhona me encantaram e me faziam deixar o meu bebê com ela na maior confiança. Um dia, ela faltou ao trabalho. No segundo dia também. Até hoje, passados quase três anos, a escola não explicou aos pais sua saída. Mas já tínhamos um contato fora da escola, que o mantemos até hoje e, espero, manter por toda a vida. Durante todo o tempo em que não nos encontramos, ela amadureceu muito; o jeitinho de menina deu espaço a uma grande e decidida mulher. Assim, nos encontramos para um almoço e para recebermos com muito carinho o seu convite de casamento. E ontem foi o casamento.

Eles se casaram na Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo. Uma igreja muito bonita e um casamento extremamente bem organizado. A pontualidade nos chamou muito a atenção. A cerimônia estava marcada para as 18h30 e exatamente nesse horário, as cornetas tocaram para anunciar a entrada dos pais e padrinhos. Foi uma cerimônia bonita, singela, rápida e emocionante. Claro que meus olhos se encheram de lágrimas por alguns momentos durante a cerimônia. Da igreja, migramos para Osasco, a segunda vez em 48 horas. Meu marido entregou nossa sorte ao GPS, que tinha um caminho bárbaro e bem mais curto do que o tradicional. Só que o GPS deu pau no meio do caminho. Pior, apagou todas as informações exatamente quando passávamos por uma favela. Sem orientação, sem nome de rua, sem lenço e sem documento, contamos com a sorte para encontrar o caminho da festa. E encontramos.

A festa foi muito bonita. A decoração era toda em lilás e branco, de um extremo bom gosto. O Buffet contava com uma equipe de primeira, pessoas educadas, simpáticas e que não deixaram de servir por nenhum momento. Houve um jantar com uma mesa muito variada de saladas e mais pratos quentes, também muito bem servido, e de maneira rápida, não fazendo com que nenhum dos convidados esperasse por muito tempo na fila. O estacionamento ficava ao lado do Buffet, com muito espaço para estacionar e sem congestionamento ou carro preso na hora de ir embora. Os bem casados foram os melhores os quais já comi. Se alguém se interessar, recomendo de olhos fechados (http://www.oficinadoacucar.com.br/). A surpresa foi na saída, quando recebemos uma foto da nossa família com os noivos nas bordas. E ao entrarmos no carro, havia no espelho retrovisor um cartão, aparentemente de estacionamento, mas que era uma linda mensagem dos noivos, oferecendo seu novo lar aos convidados. Achei chique, fino, simples e de extremo bom gosto.

A noiva entrou na nave da igreja tensa e nervosa. Mas linda. Depois dos primeiros passos, conseguiu sorrir. Quem já atravessou a nave de uma igreja, sabe que há todos os convidados na expectativa de ganhar um sorriso da noiva, mas a noiva não enxerga nada. Nervoso, ansiedade, medo, dor de barriga, enfim, um misto de sensações e de emoções. Ao sair, ela já sorria e estava bem relaxada. Na igreja, os noivos receberam os comprimentos de alguns dos convidados, que não iriam para a festa. Um detalhe interessante é que meu marido não conhecia os noivos e eu não conhecia o noivo. Mas foi como se o conhecesse há muitos e muitos anos, tamanha a simpatia e carinho com a qual ele cumprimentou a mim e aos outros desconhecidos da festa. Eles passaram de mesa em mesa, dando uma grande atenção a cada um dos convidados, tirando fotos, pegando crianças no colo, batendo papo, nada daquela formalidade rápida de casamento. Eles estavam muito descontraídos na festa e os convidados muito a vontade. Enfim, foi tudo muito bom. Claro que saímos à francesa, como sempre, muito antes da festa acontecer de verdade: a balada, o bolo, o buquê. Coisas de Hummel.

Que Deus leve ao casamento desses queridos amigos a alegria presente em seu dia mais especial. Que a união deles tenha todos os dias a bênção que foi o casamento. Que eles sejam felizes para sempre.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O japonês (mas pode ser a japonesa)


Resolvi falar sobre os orientais, mais especificamente sobre os japoneses, por ser um povo cuja cultura desde sempre me chamou a atenção. Todo japonês é inteligente. Todo japonês é sério e fechado, não faz brincadeiras e dá pouca risada. Todo japonês tem melhor condição econômica de vida que os não japoneses (alguém já viu japonês mendigo?). Todo japonês é magro (quem já viu japonês obeso?), pequeno e ... bom, melhor deixar para lá. Nem tudo que se fala sobre os japoneses deve ser verdade. Ou será?

Estava eu no trânsito com as crianças quando, de repente, um velhinho com um carro velho cruzou meu caminho. Eu ia xingar, mas quando vi um velhinho japonês guiando o veículo, fui direcionada a várias reflexões. Foi a primeira vez que vi um japonês em um carro velhinho.

Há muito tempo que o Paraguai tem produzido uma boa safra de japoneses, isto é, os falsos japoneses. Não é só porque o indivíduo tem os olhinhos puxados que se trata de um legítimo japonês. Minha cunhada é a maior prova disso, por ser a típica japonesa paraguaia. Como será que virão meus sobrinhos????? Bom, se eles vierem, já que o negócio do lado de lá do Atlântico não anda muito agitado para a chegada dos japinhas, espero que puxem a perspicácia da mãe, a pilantragem do pai. E a inteligência dos seus ancestrais maternos. E nada de jeitinho brasileiro.

Leitura, sempre leitura


Minha paixão por ler é infinita. Cada vez que termino um livro, passo por um bom período de divagação sobre a obra. E não foi diferente ontem ao terminar de ler “O Médico e o Monstro”, do autor escocês Robert Louis Stevenson. Trata-se de uma história de suspense maravilhosa. Não sei se foi o meu conhecimento prévio em histórias do gênero – sou leitora voraz e fiel de Agatha Christie – ou se a própria trama conduz todo leitor à conclusão, à moral da história. O fato é que logo nos primeiros capítulos, já sabia o desfecho. Porém, quando ele ocorre, é surpreendente a forma que se dá. Recomendo.

Aproveitando os meus momentos de insônia total e enquanto não volto ao meu medicamento e tratamentos que me fazem dormir, devorei na última madrugada “Morte e vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. Claro que hoje já pego um livro nacional com muito menos apatia que outrora. Mas ver sobre minha cabeceira uma pilha deles me desanimou. Como tinha que começar por alguma obra, escolhi por um critério bastante justo: o livro que estava em cima da pilha. E lá fui eu saber quem era a severina, ou as severinas de Cabral de Melo. É simplesmente de impressionar a qualidade do texto. Como um autor conseguiu reunir poesia e história de tal maneira, é o que fiquei me perguntando quando o dia amanheceu.

Agora, estou lendo “O velho e o mar”, de Ernest Hemingway, mais um clássico da literatura mundial. Ainda estou começando a leitura, mas já apaixonada e pensando na riqueza cultural que estas férias estão me proporcionando.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Na reta final - não dá para bobear

Para ter certeza de que tudo acabará, falta pouco, falta muito pouco. Na reta final da Licenciatura, há somente algumas simples obras que temos obrigatoriamente que ler. De resto, só temos que nos preocuparmos com as outras cinco matérias e as cento e cinquenta horas de estágio obrigatório. Só. Moleza! Aqui, a lista dos livros, em ordem alfabética, para os colegas que ainda não entenderam a seriedade do negócio. Bom finalzinho de férias para todos!

1. A Filsosofia da Composição
2. A queda da casa de Usher
3. Claro Enigma
4. Evelyne
5. Felicidade
6. Fogo morto
7. Gaibéus.
8. Laços de família
9. Libertinagem.
10. Morte e vida Severina
11. O corvo
12. O médico e o monstro
13. O Noivado Infeliz de Aurélia
14. O quinze
15. O Velho e o Mar
16. Poemas de EMILY DICKINSON
17. Primeiras estórias
18. Revolução dos Bichos
19. Rosa do Povo
20. Uma Rosa para Emily
21. Vestido de noiva
22. Vidas secas

O dia em que fui perseguida por um ser vestido de capa preta e com um foice nas mãos


Não contei para muitas pessoas ainda, mas meu diagnóstico médico é de pouco tempo de vida. Não tão pouco que não veja meus filhos crescerem, mas nem tanto a ponto de ver meus netos nascerem. Sabendo do meu diagnóstico, uma pessoa muito querida e especial na minha vida me encaminhou para uma médica, também muito especial. O único porém, é que o consultório da doutora ficava do outro lado da cidade. Aliás, em outra cidade. Lá fomos nós, tudo pela minha salvação, à consulta marcada. Osasco. Quinta-feira, 18h40. Saímos de nossa casa, na Zona Norte de São Paulo, antes das cinco da tarde. Afinal, teríamos que pegar a bendita Marginal Tietê e um pedacinho da Pinheiros. Com sorte, chegaríamos a tempo. A sorte, porém, muitas vezes resolve soprar para o lado dos Hummel e chegamos em Osasco faltando mais de uma hora para a consulta. Resolvemos procurar um lugar para tomar um café. Achamos uma tenda de sucos na esquina da rua da médica. O prédio em que íamos era muito bonito. Mas tudo ao redor era horrível. Meio ressabiada, sentei em uma cadeira, na tal tenda de sucos, enquanto meu marido fazia o pedido. Comecei a ter náuseas quando sentou na mesa ao lado um quase transeunte. Mudamos de mesa. Uma mesa suja e uma funcionária assistindo Sessão da Tarde. Pedi gentilmente que ela limpasse a mesa. O pano para a tal limpeza era mais sujo que a própria mesa. De modo que, depois de limpa, passei um guardanapo sobre a mesa e o mesmo ficou preto. Já estava quase gritando por socorro, quando acabou a Sessão da Tarde e entrou no ar o Globo Notícias, com a Sandra Annemberg. Após noticiar alguns casos de óbitos por causa da gripe suína, veio a derradeira: "Confirmado o terceiro caso de morte por gripe suína no município de Osasco". Gelei. Vi que existia coisa pior que aquela tenda de suco naquele momento. Ao olhar para o lado de fora, me deparei exatamente com o hospital municipal. Aliás, estávamos em uma rua de médicos, hospitais, clínicas e laboratórios. Fiquei imaginando os próximos noticiários: "Paciente busca especialista para prolongar seus vinte anos de vida em outro município e morre em vinte dias por contaminação com a gripe suína". Brincadeiras a parte, o que era vontade de vomitar começou a virar dor de barriga, de cabeça, de tudo. Disse para meu marido que se não saíssemos naquele momento, eu desmaiaria ali mesmo, no meio da sujeira, sem ao menos conseguir pedir que higienizassem o local para minha queda. E de lá saímos, sãos e salvos.


A parte boa de tudo isso é que a médica era tudo e mais um pouco do que haviam me falado ao seu respeito. Sai de lá cheia de expectativas, cheia de perspectivas e de esperanças. E que descansem em paz aqueles que se foram.

O dia em que descobri onde fica a rua dos Bobos, número zero


Há quatro anos que recebemos, aleatoriamente, cobranças da Receita Federal. Tenho raiva do meu marido. Ele declara o imposto sem sonegar um centavo sequer. Paga tudo, exige nota fiscal desde antes de existir o "incentivo" paulistano para isso e mesmo assim, a Receita insiste em emitir cobranças. Mas não falo de coisa pouca não. As duas últimas que foram emitidas são de dez mil Reais. A solução foi, ao invés de pagar dívida inexistente, procurar um advogado para acionar a Receita e resolver a situação. E enquanto o nosso rápido sistema jurídico corre... acabamos de receber duas novas cobranças. Dos anos de 2003 e 2004. Coisas de uma época em que a renda era tão baixa, que se tornaria impossível dever tais valores. Se alguém tiver alguma outra alternativa para o caso da Família Hummel x Receita Federal, estaremos dispostos a ouvir...


E enquanto a justiça não se resolve, continuaremos desembolsando...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O amor pode ser perfeito se ouvir a voz do coração


Houve um tempo em que o mundo foi um tanto quanto estranho. As famílias se conheciam, uniam seus filhos pelo interesse de continuar com os mesmos valores (materiais ou morais) entre suas famílias.

Houve um tempo em que o mundo foi um tanto quanto estranho. As famílias já não opinavam mais e os homens e mulheres se uniam de acordo com os seus interesses e seus valores semelhantes.

Houve um tempo em que o mundo foi um tanto quanto estranho. Nem o próprio homem ou a própria mulher opinavam sobre suas escolhas. Bastava sentir a solidão, a carência e havia a entrega de uma parte à outra, no afã de curar suas solidões.

Haverá um tempo em que o amor voltará a reinar e nesse tempo, nem as famílias, nem as fortunas, nem o homem e nem a mulher opinarão. Apenas seguirão os instintos de seus corações.

Ainda bem que sou uma mulher do futuro.

O que determina quantas calças, quantos pares de sapatos ou quantas bolsas precisa uma mulher? Até hoje, nunca ouvi falar de nenhum índice que medisse tal necessidade. E trata-se de uma necessidade mesmo. Mulher precisa ter uma infinidade de sapatos, mesmo que não use. Não se trata de consumismo, trata-se de simplesmente ser mulher.

Outro dia, nas raras vezes em que assisto televisão, ouvi um Economista dando dicas de como economizar. Havia uma telespectadora como “cobaia” do Consultor de Economia Doméstica acabando com a pobre mulher. As suas contas só se encontravam no vermelho, pois ela não precisava ter tantas calças dentro do armário, precisava de no máximo três pares de sapatos (e na lista não tinha botas!), e uma bolsa, uma única bolsa, seria o suficiente para viver. Quando aquela acabasse, aí sim, uma nova bolsa entraria em ação.

Concordo que muitas pessoas sofrem de compulsão e acabam gastando mais do que podem. Mas trata-se de poder aquisitivo, momentâneo muitas vezes. Necessidade todo mundo tem. Quem é que não gosta de variar, de mudar, de abrir o armário e ter suas muitas opções dentro dele? Mesmo que a infinidade de opções seja apenas para causar mais dúvidas ao sair.

Mesmo sendo consumista assumida, sou a favor de fazer a energia do armário circular. Costumo dar tudo que não se usa há mais de seis meses. Claro que a regra só se aplica às coisas minhas ou das crianças. Meu marido adora juntar. Para conseguir fazê-lo dar algo do seu armário, tenho até que contar a história da bruxa má que pega meninos grandes que juntam tralhas no armário. Acaba dando certo. E assim, sobra espaço para comprar algo novo. Haja consumo.


p.s.: sei que em tempos ecologicamente corretos, há que se frear o consumo, mas jamais deixar de consumir; afinal, se o consumo parar, a economia também para.

Uma questão de educação


Onde está a educação das pessoas? Será que ela ainda existe e, melhor, será que a educação ainda é um valor moral presente nos indivíduos?

Quantas vezes não ouvimos falar que brasileiro é tudo mal educado? Diversas. Discordo, pois educação não é uma questão de nacionalidade. É simplesmente uma questão de educação.

Será, porém, que em espetáculos teatrais mundo afora, ocorre como no Brasil? O espectador pode entrar a qualquer hora, depois da peça começada, atrapalhando tanto os espectadores que chegaram aos seus horários e estão devidamente sentados, como também os artistas que no palco se encontram, tentando fazer um trabalho perfeito e tendo sua concentração perturbada pela falta de educação alheia.

O povo brasileiro tem a fama de ser simpático. Concordo. Mas minha simpatia brasileira vai por água abaixo quando vivo uma incômoda situação assim. E não é só questão de chegar atrasado ou não ao teatro. Sábado passado, estava na fila do Viena, do Shopping Eldorado, para dar almoço para meu filho. A pior coisa que existe em uma fila, é a pessoa que está atrás grudar na da frente. É muita falta de educação. Por me sentir incomodada quando a coisa acontece comigo, sempre procuro manter uma distância razoável daquele que está em minha frente. Pois não é que em um pequeno vão, uma pequenina brecha, foi capaz de entrar uma mulher com seus dois filhos, pegar os pratos e se instalar na minha frente? Perdi o resto da paciência que me restava naquele dia. Cutuquei o ombro da fulana e disse que a fila continuava atrás de mim. Claro que recebi o sorriso amarelo, a desculpa de sempre: “eu não vi que tinha alguém”. Como assim? Eu tenho 1,71 metros, peso uma tonelada e a mulher não me enxergou? Da próxima vez, vou vestida de mamute. Assim estarei mais visível aos olhos dos mal-educados, ou, quiçá, porei medo nos fura-filas.

Praia de paulistano


Há muito que os shoppings da capital são chamados de praia de paulistano. A coisa, porém, foi se tornando cada vez mais e mais absurda. Há três semanas, tentamos entrar em um shopping. Não conseguimos, pois a fila de carros dava voltas e mais voltas. Desistimos e voltamos para casa. Ontem, por volta de 18 horas, decidimos dar um passeio e a opção de passeio em um domingo, final de feriado, em meio às férias, dia terminando e muita chuva é a única: shopping. Nem preciso dizer que não conseguimos. Acabamos indo passear na Etna da Zona Peste. Ao menos conseguimos lugar para entrar; o difícil foi disputar um espaço para colocar o pé, a cada passo. Será que ninguém mais viaja durante os feriados e, pior, ninguém viajou nestas férias?

domingo, 12 de julho de 2009

O dia em que fomos ver Charlie e Lola no teatro e os bonecos eram de papelão


Tinha tudo para ser mais um divertido dia de férias, com mais um divertido programa. Tinha. A diversão ficou no passado após perceber que só entrariam em cena aqueles dois bonecos de papelão, animados através de quatro pessoas visíveis, em um cenário pobre e sem criatividade alguma.

Charlie e Lola é um dos melhores programas infantis que passa nos dias de hoje, devido aos valores passados pelos seus protagonistas. Para quem não conhece o desenho, trata-se de uma trama bem simples: Charlie é o irmão mais velho, deve ter seus nove ou dez anos (acredito eu). Lola é sua irmãzinha “engraçada”, como ele mesmo define, e tem seus quatro anos de idade. As crianças vivem situações cotidianas como quaisquer dois irmãos do planeta. Lola tem um amigo imaginário, com quem compartilha suas travessuras. Os pais são citados durante todos os episódios, mas nunca aparecem em cena.

Soube há quinze dias que o programa tinha sido transformado em teatro. Melhor ainda, os responsáveis por trazer o espetáculo para o Brasil foram os apresentadores globais Luciano Huck e Angélica. Admiro muito o Luciano e acompanho vários de seus projetos televisivos ao longo da carreira. Claro que acreditei que seria realmente um espetáculo.

Semana passada, a chamada para a estréia era boa. Ainda li em algum lugar, alguma coisa do tipo “as vozes serão as mesmas dos personagens da televisão, para que haja identificação das crianças com os bonecos em cena”. Para esclarecer:

1. Boneco poderia ser muito bem um ser humano vestido com uma fantasia de boneco, já que Charlie e Lola nem de longe tem a aparência física de um humano comum
2. Questionei para mim mesma o motivo o qual precisaria de uma identificação do público infantil com os personagens, já que qualquer criança que assiste ao Discovery Kids ou à Cultura, conhece Charlie e Lola
3. Achei o valor estranho. Não parecendo arrogante, mas achei o valor barato demais. Cinqüenta Reais a entrada para adultos e vinte e cinco para criança. O valor não é pequeno, mas se torna quando comparado ao valor de qualquer outro espetáculo infantil apresentado nos grandes teatros paulistanos.

Chegamos ao Shopping Eldorado havia quatro minutos passados das dez da manhã, para uma apresentação das onze. Ainda era a segunda apresentação a ser feita da peça; a primeira ocorreu no final de semana passado. Como ficará em cartaz até novembro, achei que não haveria quase ninguém. Acho que as demais quinhentas pessoas que estavam lá acharam a mesma coisa. Aproximamo-nos da bilheteria para comprar nossas entradas e fui avisada pela atendente de que só havia assentos disponíveis nos balcões. Pedi para visualizar o mapa e escolhi as poltronas 40, 42 e 44 da fileira A. O primeiro problema começou quando chegou outra família também com ingressos para as mesmas poltronas. Após recolher os bilhetes de entrada das duas famílias, a nossa foi informada de que nossos bilhetes eram para hoje, dia doze de julho. Diante da incompetência da funcionária, o Gerente do Teatro das Artes argumentou, dizendo que suas treinadas funcionárias jamais vendem entradas sem confirmar, primeiramente, o dia do espetáculo. Meu marido foi tentar resolver o impasse e, enquanto isso, fui com meu filho para a fileira T, já próximo ao Céu. Disse para o Gerente que exigia um lugar à frente, pois uma criança de três anos não conseguiria enxergar nada daquela distância. Claro que eu ainda não sabia que se tratava de minúsculos bonecos de papelão; se imaginasse isso, depois de ter pago as entradas, teria pedido meu dinheiro de volta e ido embora. Conseguimos lugares no piso inferior, embaixo do ar condicionado. Não preciso dizer que foi frustrante e muito ruim toda a peça. Com o valor gasto nas entradas, poderia ter comprado todos os vídeos do Charlie e Lola lançados e ter visto de casa, em uma televisão de 42 polegadas, sem um ar condicionado acima do meu nariz, o que me causou uma leve (até o momento) sinusite.

Se a montagem de Charlie e Lola prenunciar um novo tipo de montagem teatral, então retiro tudo de negativo que disse com relação à peça e, a partir de então, serei mera frequentadora das salas de cinema apenas, deixando o teatro para outrora.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Proibição aos ônibus fretados

Já gostaria de ter deixado aqui não apenas meu comentário, minha opinião, mas minha indignação com a proibição. Só quem já trabalhou utilizando transportes coletivos públicos na cidade de São Paulo, teve o mesmo trajeto feito de carro e teve a felicidade de poder utilizar os serviços de ônibus fretados para se deslocar diariamente de casa para o trabalho, é capaz de entender que, sem a figura de hipérbole, trabalhar de fretado é como ir para a Lua em um foguete de última tecnologia. Encontrei uma matéria no blog do Milton Jung, jornalista da Rádio CBN. Abaixo, reproduzo-a na íntegra. Ela mostra minha indignação, também na íntegra.

Vou com o meu carro
Reproduzo neste post comentário deixado por Talita Urdiales sobre a restrição da prefeitura de São Paulo ao uso de fretados na capital paulista:


“Sou usuária do transporte fretado há 6 anos, moro na Zona Leste e trabalho na Zona Oeste (Rebouças). Concordo que existem exageros em relação a longas paradas em locais inadequados e também um certo abuso no trânsito, porém, acho que os benefícios que os ônibus trazem para a população são maiores que os malefícios.
Por diversas vezes já utilizei o transporte público de SP e mesmo sendo considerado o melhor do Brasil como foi citado em entrevistas com o Secretário Alexandre de Moraes, ainda está muito longe do ideal.

A alternativa apresentada pelo prefeito e pelo secretário municipal para a região leste foi: ir de fretado até o Metrô Belém e de lá ir de metrô até o meu destino. Essa proposta é simplesmente absurda, atualmente gasto de R$225,00 com o fretado, e garanto que o custo em trabalhar todos os dias de carro será menor do que o que gastaria indo até os “bolsões” que a prefeitura pretende criar e de lá ir de metrô até o escritório.

Frases como as que o prefeito e o secretário municipal de transportes divulgaram apenas nos mostram a total falta de conhecimento dos problemas no transporte público de SP. Tenho absoluta certeza que nenhum deles teve o “prazer” de conhecer a linha vermelha do metrô que liga a região Oeste a região Leste de SP. Gostaria de convidá-los a conhecerem a linha vermelha em horário de pico e depois disso divulgarem frases como a seguinte:“Um transporte como o de São Paulo é o melhor transporte público do país sem qualquer comparação, não há nível de comparação e que nós estamos cada ano que passa melhorando muito”, diz Alexandre de Moraes, secretário municipal de Transportes. 30/06/2009 - SPTV 2ª edição – Rede Globo.

Assim como TODAS as pessoas que pesquisei no meu fretado, irei todos os dias com o meu carro e acredito que não serão poucos os usuários de deixarão de usar os fretados e passarão a usar seus veículos.

É uma utopia pensar que o transporte público de SP seria capaz de suportar uma demanda de mais 50 mil pessoas (número divulgado pela própria prefeitura). O transporte JÁ está sobrecarregado e não presta um serviço de qualidade digno da maior e mais importante cidade do Brasil.

Se o intuito do Sr. Prefeito era melhorar o trânsito, sinto informá-lo que esta medida terá efeito contrário, porque 20 ou 30 carros prejudicam muito mais o trânsito do que 1 ônibus que comporta 45 pessoas. E se o intuíto do Sr. Prefeito foi melhorar o ar de SP, com certeza terá efeito contrário, nem todas as pessoas que utilizam o fretado tem carros novos e ainda que tenham, com certeza 20 ou 30 carros poluem muito mais que 1 ônibus.

Sei que minhas palavras ficaram muito vagas, mas tenho uma sugestão: Te convido e também convido o nosso querido prefeito e seu secretário para me acompanharem no meu percurso dos Jardins até a Zona Leste de duas maneiras: ônibus + metrô e de fretado em uma sexta-feira (dia em que o trânsito de SP que já é muito ruim piora ainda mais).

Admiro a iniciativa de melhorar o trânsito da cidade, mas acho que uma decisão tão importante quanto esta não pode ser tomada de uma maneira tão arbitrária como aconteceu. Se a intenção é diminuir os transtornos causados pelos fretados, deveria-se criar regras onde este serviço que é tão utilizado não seja prejudicado, mas aperfeiçoado. Minha sugestão é: tempo máximo de utilização dos ônibus, utilização dos pontos de ônibus existentes para o embarque e desembarque de passageiros, inspeção veicular para o controle de emissão de poluentes, substituição do óleo diesel pelo BioDiesel que polui menos, credenciamento de todas as empresas e percursos existentes, entre outras a serem definidas."
(quarta-feira, 08 de julho de 2009)

Indicação de compra

Há duas ou três semanas, ao acessar minhas mensagens eletrônicas, recebi uma propaganda de uma loja virtual chamada Brandsclub. Eu ainda não tinha ouvido nada sobre a loja, ao contrário do meu marido. Fiquei fascinada. O conceito é bastante interessante, sendo realmente um clube de marcas. Todos os dias entram novas grifes e saem outras. As vendas costumam ficar no em exposição por em média três dias (ao menos é o que tenho acompanhado). Os preços são realmente ótimos e, no meu caso, valeu a pena. Meu marido viaja para o exterior constantemente, e nas suas viagens, sempre me traz várias encomendas. Só que algumas coisas dependem de gosto pessoal e já acho o máximo ele conseguir acertar em todos os óculos de Sol que me traz. Mas bolsa, só mulher sabe o desenho, o modelo, o tipo de tecido, o tamanho. Assim, resolvi arriscar e comprei duas bolsas da Guess, que acabaram de chegar. Paguei menos de 1/3 do valor e por tal motivo, estava ansiosa e duvidosa quanto a qualidade do produto. Eis que as bolsas vieram perfeitamente embaladas, com o porta-bolsas para proteger, com enchimentos de folhas de seda da mesma marca da bolsa, garantia, manual de cuidados e tudo que poderia ter encontrado na mesma bolsa, se comprada na Daslu por três vezes o preço pago por mim. Valeu a compra e indico para os consumistas. Só que tem que ficar de olho diariamente para o que entra e o que sai de “linha”. Boas compras, deixa eu verificar a novidade de hoje!

O novo ENEM

Agora que estou em férias escolares, tive a oportunidade de ler de forma mais profunda e pesquisar as diversas fontes de mídia que publicaram as novidades com relação ao Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM.

Acho louvável a causa. Vivemos hoje em um mundo onde as competências de cada indivíduo adulto são cobradas e exigidas em todo o momento. Falo de cátedra. Após trabalhar por tantos anos na área de Recursos Humanos, sei quantos testes de competência são aplicados aos candidatos. Executivos com anos e anos de cadeira, com vasta experiência, sendo testados por suas competências. Acho até o termo feio, pois se há a competência, também há a incompetência. Principalmente do Governo.

O Ministério da Educação e Cultura impôs várias exigências. As escolas de Ensino Médio correrão atrás para formar seus alunos. Claro que nem todas; como sempre, o sistema privilegiará aqueles que têm dinheiro.

E os professores, como ficam? A tríade professor x escola x aluno é fundamental na formação global do estudante. A escola se adapta, o aluno é obrigado a se adaptar, mas como o professor irá ensinar cada aluno a desenvolver suas competências, se o próprio professor não teve tal formação? É o início de um novo comércio na área educacional? Haverá cursinhos formadores de professores, que já passaram os seus três ou quatro anos nas Licenciaturas, sendo cobrados da maneira mais conteudista que pode existir e, de repente, precisam saber ensinar os alunos a desenvolver suas competências?

A educação não se faz só de educação. Educar é um conjunto que envolve outras disciplinas, como já disse anteriormente, como a Psicologia, a Filosofia e a Sociologia. Com a inclusão de mais dessas disciplinas no currículo do Ensino Médio, pode ser, sim, que o aluno aprenda a raciocinar mais na aula de Matemática, na de Ciências, na de Língua Portuguesa. Não será só a exigência de estudo para o ENEM que mudará o quadro. As escolas continuarão conteudistas, sim, exigindo cada vez mais lá atrás, nas séries anteriores, o que é pior. Pois nas séries anteriores, as crianças aprendem através dos Pedagogos, lançados no mercado educacional aos montes, ano após ano, sem preparo psicológico ou emocional algum para embasar os adultos do amanhã.

Fica aqui a minha dúvida: como será o preparo dos meus filhos?

O escritor e o escrevedor, você sabe qual a diferença?

Segundo o Dicionário Aurélio, última edição, escritor é o substantivo masculino que designa o autor de obras literárias ou científicas. Já escrever, verbo transitivo direto, é o ato de um indivíduo representar sua idéia por meio da escrita. Se o verbo é transitivo direto, há a necessidade do objeto direto: quem escreve, escreve alguma coisa (pode ser uma carta, uma receita, um bilhete). Aqui, não importa o gênero. Ainda pode existir o objeto indireto, pois quem escreve, escreve alguma coisa a alguém. Não necessariamente um público de leitores.

Vivemos na era dos blogs. Acho o máximo. É muito gostoso encontrar escritos sobre tudo e qualquer coisa, em qualquer momento que desejamos. Encontro diariamente blogs muito bons, de pessoas comuns, que nunca estudaram Jornalismo, Letras, Publicidade ou qualquer outro curso superior que exija o aprendizado da escrita. O equívoco é que muitas dessas pessoas se denominam escritoras.

A diferença entre o escritor e o escrevedor está não só na quantidade de palavras usadas, mas também na qualidade dos textos, nas construções sintáticas, no uso dos elementos textuais, na coerência e na coesão de cada texto. O autor que se preocupa com todos esses aspectos, pode e deve se denominar escritor. Todo o grande restante é apenas escrevedor.

Já o leitor...leitor é qualquer pessoa que lê. Agora escritor... ah se Machado de Assis fosse vivo!

Veja: mas enxergue com seus próprios olhos

A revista Veja dessa semana causou polêmica com a matéria sobre relacionamentos virtuais. Concordo que algumas pessoas criam dependências, mas antes o computador às drogas. Discordo de vários pontos da matéria, principalmente com o teste, que avalia a dependência de acordo com o número de amigos que cada pessoa possui em sua página virtual de relacionamento. Particularmente, acho que o Orkut foi uma das melhores invenções da internet. Trouxe-me a possibilidade de reencontrar muitas pessoas queridas que fizeram parte do meu passado. Óbvio que não converso diariamente, semanalmente ou mesmo mensalmente com as quase quatrocentas pessoas que estão entre meus contatos. Mas eles estão ali, e a qualquer momento, em qualquer parte do mundo, já sei como entrar com contato com eles. É piedoso o ponto de vista do jornalista responsável pela matéria. Mostrou visão restrita e, principalmente, distorcida. Assim é a revista Veja.

O último capítulo

1997. Final do mês de agosto. Madrugada de sábado para domingo. Eu, que sempre dormi cedo, estava até aquela hora assistindo aos noticiários da BBC, para treinar o inglês, necessidade profissional. A apresentadora noticiou o acidente com um veículo. Uma das ocupantes era a Princesa Diana. Minha relação com Lady Di era muito peculiar, graças ao senso de humor do meu pai. Por ocasião do casamento dela com o Príncipe de Gales, o mundo parou. Morávamos na Avenida Rebouças. Meu pai saiu para trabalhar e me avisou que seu primo, Charles, se casaria naquela manhã, em uma bonita cerimônia. Fiquei assistindo ao espetáculo e mesmo crescendo e sabendo que foi tudo história do meu pai, tinha o meu parentesco com a Princesa. Mal sabia eu que muitos e muitos anos mais tarde, pregaria a mesma peça na minha filha, desta vez, no casamento do Príncipe Felipe da Espanha, com a Princesa Letícia. Morávamos na Europa e nos sentíamos próximos da cerimônia. Disse à minha filha que a Letícia era minha prima. Com relação à Lady Di, sofri com a sua morte, assim como se sofre a morte de um ente querido. Sem explicações tais sentimentos, que nos aproximam de alguém tão distante, criando uma situação real dentro daquilo que só é imaginário.

1994. Início do mês de maio. Domingo. O almoço já estava mais que digerido em meu estômago. Estava na praia assistindo a corrida de Fórmula I, no circuito de Ímola, na Itália. Era fanática pela categoria. Por ser moradora da Zona Norte, sempre me senti mais próxima ao Ayrton Senna. Achava que ele era gente do povo e eu era o povo. Um ano antes, tinha ido ao autódromo de Interlagos assistir a corrida, que ele infelizmente não ganhou. O carro bateu. Liguei para São Paulo imediatamente e perguntei se meu pai estava vendo a corrida. Ele disse que sim. Pior que isso. Disse com estas palavras: “ele foi pro saco. Já era”. Fiquei muito brava com o comentário infame do meu pai e desliguei o telefone, sem ao menos me despedir. Muito pouco tempo se passou até que a Rede Globo anunciou o óbito: “morre o maior piloto de todos os tempos, Ayrton Senna do Brasil”. Chorei por muitos dias. Acompanhei tudo que passou na televisão, tudo que saiu na mídia. Anos mais tarde, fui ao autódromo do Estoril, local em que Senna ganhou sua primeira corrida. Visitei exposições por ocasião do aniversário da primeira década da sua morte. Eu nem era prima do Ayrton, só da Diana. Mas sofri a morte dele igual sofri a dela.

2009. Final do mês de junho. Quinta-feira. Morre a atriz Farrah Fawcett. Comentei a noite com o meu marido, que não havia acompanhado a notícia. Dormimos. Sexta-feira. Levei as crianças à escola e passei em casa para dormir um pouquinho antes de ir para a faculdade. Meu marido me liga e me pergunta se eu vi quem morreu também. E completou: Michael Jackson. Tive as sensações mais estranhas possíveis. Meu marido não é uma pessoa que brinca com nada sério. Aliás, ele abomina tal comportamento. Se meu pai estivesse vivo e tivesse me dado a mesma notícia, sei que viria uma piada por trás. Não só meu pai, qualquer outra pessoa que conheço, seria capaz de fazê-lo. Menos meu marido. Liguei a televisão, o computador. Conectei-me a todos os sítios de notícias. E também a todos os canais. Era verdade, como nunca duvidei. O astro estava morto.

Todos eles eram queridos pelo povo. Todos eles eram famosos, cada qual com a sua fama. Todos eles foram aclamados pelo público. Mas apenas um deles, o mais polêmico durante toda a sua vida, teve sua despedida pública de forma extravagante, exagerada. Emocionou? Não a mim. Entendi tudo como um grande teatro, uma superexposição de uma criança, de uma família. Um verdadeiro circo. O caixão sumiu. Em minha opinião, não havia corpo lá dentro. A família conseguiu ser fria a tal ponto de enterrar o artista e seguir para um show, com um elemento de madeira e ouro representando seu corpo, que lá já não se encontrava. Minha opinião. Que agora, ele descanse em paz. Amém.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Inutilidade Pública

Também recebi a mensagem abaixo, vale a pena descontrair!

Você acha que não te contratam em uma Grande empresa porque o seu currículo é muito 'fraquinho'? É muito simples, basta fazer algumas substituições no Nome da profissão! A seguir, algumas dicas para você dar um reforço em seu curriculum:
*Oficial Coordenador de Movimentação Interna (porteiro)
*Oficial Coordenador de Movimentação Noturna (vigia)
*Distribuidor de Recursos Humanos (motorista de ônibus)
*Distribuidor de Recursos Humanos VIP (motorista de táxi)
*Distribuidor Interno de Recursos Humanos (Ascensorista)
*Diretora de Fluxos e Saneamento de Áreas (a tia que limpa o banheiro)
*Especialista em Logística de Energia Combustível (frentista)
*Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (Pedreiro)
*Segundo Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (Servente, o chamado peão de obra)
*Especialista em Logística de Documentos (office-boy)
*Especialista Avançado em Logística de Documentos (motoboy)
*Consultor de Assuntos Gerais e Não Específicos (vidente)
*Técnico de Marketing Direcionado (distribuidor de santinho nas Esquinas)
*Especialista em Logística de Alimentos (garçom)
*Coordenador de Fluxo de Artigos Esportivos (gandula)
*Distribuidor de Produtos Alternativos e Alta Rotatividade (camelô)
*Técnico Saneador de Vias Publicas (gari)
*Especialista em Entretenimento Masculino (prostituta)
*Especialista em Entretenimento Masculino Sênior (prostituta de luxo)
*Dublê de Especialista em Entretenimento Masculino (travesti)
*Supervisor dos Serviços de Entretenimento Masculino (cafetão)
*Técnico em Redistribuição de Renda (ladrão)

Utilidade Pública

Como não gosto de enviar correntes nem em caso de utilidade pública, achei prudente publicar o texto aqui, uma vez que veio de alguém confiável.
SAMU - AA EMERGÊNCIA
As ambulâncias de emergências médicas perceberam que muitas vezes nos acidentes da estrada os feridos têm um celular consigo. No entanto, na hora de intervir com estes doentes, não sabem qual a pessoa a contactar na longa lista de telefones existentes no celular do acidentado. Para tal, o SAMU lança a ideia de que todas as pessoas acrescentem na sua longa lista de contatos o NUMERO DA PESSOA a contactar em caso de emergência. Tal deverá ser feito da seguinte forma: 'AA Emergencia' (as letras AA são para que apareça sempre este contacto em primeiro lugar na lista de contatos). É simples, não custa nada e pode ajudar muito ao SAMU ou quem nos acuda. Se lhe parecer correta a proposta que lhe fazemos, passe esta mensagem a todos os seus amigos, familiares e conhecidos.. É tão-somente mais um dado que registramos no nosso celular e que pode ser a nossa salvação.

sábado, 4 de julho de 2009

Se tem bigode de foca e nariz de tamanduá...


Sempre achei e vou reafirmar minha opinião: quem tem um amigo, tem um tesouro precioso e de valor inestimado. Assim como um diamante, a amizade é uma gema a ser lapidada; o valor da pedra vai aumentando conforme vai sendo trabalhada. Sou feliz por ter amigos fieis, leais e sinceros. E mais ainda, sou feliz por ter amigos que me fazem as homenagens como as duas que coloco ao fim do post.

A primeira é do meu irmãozinho de coração. Muita gente chama a um amigo de irmão, mas o Muris é um irmãozinho, pois ainda é uma criancinha e preciso cuidar dele para que se torne um homenzinho.

A segunda é da minha amiga Ave Maria, uma pessoa de quem gosto muito e tenho uma admiração enorme por sua inteligência, garra, determinação, lealdade e, principalmente, por ser mais polivalente do que qualquer outra mulher.

Obrigada meus amigos!

http://murillomandelli.zip.net/

http://clubedasmulheresvividaseinteligentes.blogspot.com/2009/07/ursula.html

O dia em que fomos assistir A Era do Gelo 3 – 3D


Tinha tudo para ser apenas mais um sábado. O primeiro sábado de férias. Só para me encher de raiva, acordei às 6h30, tal como tenho acordado todos os dias de férias. Será que surtei? Quero dormir até tarde todos os dias e agora que posso, não passo das seis e meia?

Estava tudo combinado. Iria com a minha amiga Antinha levar o meu filho e o dela para ver “Romeu, um viralata atrapalhado”; mas ela resolveu trair o movimento http://www.precisamosfofocarurgente.com.br/ e resolveu acordar resfriada. Filme cancelado, o jeito era pensar em outra coisa. Museu, nem pensar; ainda estava sob efeito do trauma de sábado passado. Resolvi levar então o pequeno para ver o filme sem o amigo, quando meu marido teve a idéia de vermos “A Era do Gelo 3” em 3D.

Não eram nem dez da madruga. Queríamos uma sessão matinal. As únicas salas que ofereciam sessão antes do meio-dia eram, para nossa infelicidade, as do Cinemark. Lá fomos nós pagar os nossos pecados.

Ir ao Cinemark é um teste de paciência e de sobrevivência. Tenho certeza de que os funcionários, para ingressarem na empresa, passam por um teste de moleza e só os mais moles é que são contratados. Ah, claro que não é apenas esse o requisito. É também preciso ser mal-humorado, sem educação e antipático. Se reunir todas as características... bingo, está contratado!

Chegamos ao Shopping D; passavam dez minutos das dez horas. Lá fomos nós na minúscula e demorada fila para comprar o ingresso. Depois de passar pelo teste do cliente paciente, chegou a nossa vez. RGs, carteiras estudantis e finalmente, tínhamos nossos ingressos em mãos. Percebemos que as cabines blindadas, aquelas que davam aos clientes a sensação de visitante de presídio, foram retiradas. Será que tem algo que ver com a reportagem feita pelo Estadão, alguns meses atrás, que gerou um caderno inteirinho qualificando (ou desqualificando) os cinemas da capital paulistana? Vai saber...

Faltava só a pipoca. Só a pipoca? Foi só questão de esperar alguns minutinhos para que a escada rolante fosse ligada (afinal, tudo se faz em doses homeopáticas) e teríamos acesso ao piso do cinema. E esperar todos os minutos restantes até o momento do início do filme, para conseguir comprar dois combos infantis e um mega combo.

Esperar na fila da pipoca do Cinemark é uma das coisas mais irritantes que um indivíduo pode passar na vida. Eu havia até esquecido como era tal irritação, já que há um ano que não tinha a infelicidade de pisar em uma sala. Exatamente em julho passado, foram inauguradas as salas do UCI no Shopping Santana Parque. Podia ficar só na minha opinião aqui: salas grandes, qualidade de som impecável, limpeza ímpar e atendimento VIP desde a saudação na bilheteria até a despedida na saída. Porém, pode ser que minha opinião não baste. Então, basta procurar a matéria citada acima do Estadão e descobrir que essas salas foram eleitas como O TERCEIRO MELHOR CINEMA DA CAPITAL, perdendo apenas para o Cinemark do Iguatemi (leia-se Cinema VIP) e para o Unibanco Bourbon (que é sensacional).

Depois de muito esperar e conseguir, finalmente, ter os três combos em mãos, fomos ver o filme. Calma, não foi bem assim. Antes, tivemos que mostrar novamente toda a documentação, que já estava no fundo da bolsa, uma vez que até as fotografias já haviam sido conferidas anteriormente. Coisas que não acontecem no UCI, mas fazer o que, se estávamos no Cinemark? Após mostrar toda a documentação, recebemos nossos quatro pares de óculos, devidamente embalados. Por alguns instantes, míseros segundos, achei que minha impressão do Cinemark era até um pouco de implicância. Ledo engano. Desembrulhamos os óculos e as sujeiras instaladas nas lentes eram, no mínimo, nojentas. Ainda bem que todos estávamos de camiseta. Limpamos nossos objetos e nos preparamos para começar o filme. Será que vale a pena falar sobre a sujeira que os corredores se encontravam? Que nossos pés grudavam na sujeira? Que o copo de refrigerante das crianças era pequeno e caia no suporte para copos? Que o nosso copo de refrigerante era grande e não cabia no suporte? Bobagem. Vai começar o filme.
O FILME
Acho melhor não contar quem nasce, quem morre e muito menos contar o desenrolar. Só recomendo: vale a pena assistir (desde que não seja no Cinemark), pois o filme está realmente uma graça e é muito melhor em relação aos dois primeiros. Bom filme para quem desejar.

Férias, as tão sonhadas férias


Quem acompanha o meu blog, sabe que eu estava ansiosa para a chegada das férias. Afinal, minha programação estava bem extensa. E eis que elas chegaram. E chegaram para valer.

1º dia de férias: a filha da empregada foi internada e ela só voltou três dias depois
1º dia de férias – parte da tarde: filhos doentes; pediatra

2º dia de férias: máquina de lavar quebrada
2º dia de férias – parte da tarde: apareceu um vazamento no banheiro da suíte

3º dia de férias: meu computador HP, com cinco meses de uso, começou a aquecer a desligar sozinho
3º dia de férias – ainda na parte da manhã: tive a infeliz idéia de descobrir como ficar louca em pouco tempo e fui fazer compras de supermercado com as duas crianças junto
3º dia de férias – parte da tarde: fiquei pensando na vida – será que terei férias?

4º dia: ainda bem que ainda faltam 26 dias de muita esperança.

Insônia


Será que insônia é de família? Descobri que meu irmão sofre, assim como eu, de insônia. E resolvi pesquisar mais e me aprofundar no assunto, só não comecei ainda.

Tenho muita insônia, mas ela não é constante. Há períodos em que fico completamente zumbi. Por isso, passo meus dias bocejando, cansada, com dores de cabeça e morrendo pelos cantos. Não conheço sensação pior do que a da insônia: a gente está cansado, com sono e não consegue dormir. Vira, remexe, se contorce, levanta, deita de novo e nada de conseguir dormir. É de ensandecer.

Minha cunhadinha disse que eu escrevo muito em meu blog e que ela não consegue acompanhar em tempo real. Disse que minhas inspirações costumam vir enquanto durmo. Foi aí que ela me contou que meu irmão passa as madrugadas escrevendo, editando vídeos, fazendo matérias jornalísticas, enfim, acordado e trabalhando. Se eles tivessem acabado de chegar em Dublin, diria que era o “jet leg”. Mas depois de um ano e três meses, acho um pouquinho difícil. É nessas horas que reafirmo: “viva o advento da internet”.

É só agradecer


Quando me casei pela primeira vez, dezessete anos atrás, fiz a lista de presentes do casamento no extinto Mappin, na loja do Shopping Center Norte. Naquela época, ainda não existia a tecnologia que temos hoje, não havia a centralização das listas de casamento para todas as lojas de uma rede, de forma que os convidados tinham que direcionar-se àquela específica loja para comprar o presente.

Na época, ainda também questionava-se muito sobre a (des)elegância do ato de enviar, junto ao convite, o famigerado cartãozinho “minha lista de presentes se encontra na loja tal”. Para muitas pessoas mais conservadoras, era uma ofensa. Mas no meu caso, nunca ouvi nenhuma polêmica a respeito. O que pode ter acontecido sem que eu tenha vindo a saber.

Hoje em dia, não sei se ainda há casamentos sem a tal lista. Vai dos mais simples aos mais glamorosos. As listas também deixaram de ser em uma única loja, dando a chance de os convidados optarem até pelo tipo de presente: pode ser o bom e tradicional utensílio para a casa, pode ser um belo e caro eletrodoméstico, mas também pode ser uma cota de viagem, para contribuir com a lua de mel dos nubentes. Vale tudo, só não vale esquecer o presente. Opa, esquecer o presente?

Tudo que posso, faço pela internet. Até marido arrumei pela internet; só não deu para ter os filhos online, mas quem sabe em um futuro, a coisa também não acontece assim? O fato de fazer tudo pela rede, faz com que eu acate as sugestões das listas de presentes enviadas junto aos convites e compre o presente de maneira simples e descomplicada. Mas quem disse que eu sei se o presente chega?

Quando faço qualquer compra virtual, sei que o negócio foi finalizado, pois recebo a mercadoria em casa. E quando eu não recebo? Fico sem saber. Acho que as próprias lojas deveriam fazer um sistema de agradecimento, já que boa parte dos noivos não o fazem.

Em janeiro, minha amiga Pops se casou. No dia em que o Elton John fez um show em São Paulo. E eu não fui. Mas tudo bem, pois um dia, irei à Londres para ver o rei. Perguntei à mãe dela e a uma das madrinhas, qual era a melhor forma de presentear aos noivos, uma vez que sabia que a lista estava em três lugares distintos (e eles distribuíram as sugestões de presentes para cada convidado, não enviando as três opções para todos). Ambas me disseram que o que eles mais “precisavam”, naquele momento, era da contribuição para a viagem de lua-de-mel. Comprei a cota em uma sexta-feira a noite. No sábado, pela manhã, recebi uma mensagem de agradecimento dos noivos. Tinha que ser minha amiga Pops, para se preocupar com tamanha gentileza (e normalidade, claro).

No meu casamento, recebia, junto com os presentes, a nota fiscal do produto e também um cartão, escrito de próprio punho pelo convidado que nos presenteava. Assim, era possível agradecer todo mundo, praticamente que pessoalmente, uma vez que dezessete anos atrás, nosso sistema de telefonia ainda era muito precário.

Nos aniversários dos meus filhos, sempre agradeci de pessoa em pessoa, sem me esquecer de ninguém. Chego em casa após as festas e ao abrir os presentes, relaciono um por um: convidado x presente. Depois agradeço. Ano passado, adotei o sistema de enviar um cartão de agradecimento. Na festa de três anos do meu filho, fiz uma montagem com a foto dele na festa, a foto do amigo e a foto do presente. Escrevi uma mensagem, revelei as fotos e entreguei em um envelope para cada pessoa.

Claro que não precisa exagerar no agradecimento, um simples “muito obrigada, gostei muito do vaso de flores furado embaixo que vocês me deram” já basta. Afinal, qualquer presente é presente e o que vale é a educação bilateral: a de presentear e a de agradecer ao presente.

Sítios de relacionamentos


Estava morando em Portugal quando recebi do meu irmão e da minha comadre a notícia sobre uma rede de relacionamentos que, segundo opinião de ambos, “eu iria adorar”. Eles acertaram na mosca. Passei (e passo) bons momentos procurando e reencontrando pessoas muito queridas. Naquela época, ainda era só o Orkut, ao menos que tenha chegado ao meu conhecimento. Eis que gostaram da brincadeira, que começou a proliferar. Hoje, há uma infinidade de sítios para relacionamentos

Nos últimos anos, fui conhecendo outros endereços para rever amigos e, por que não, fazer novos, através dos convites os quais fui recebendo. Mas confesso aqui, publicamente, que apesar de estar cadastrada em vários lugares, só uso efetivamente o Orkut. Sou notificada por email de novos convites, atualizações, mensagens, porém, não consigo cuidar de mais nada além do meu blog, das minhas mensagens eletrônicas e dos meus quase quatrocentos amigos no Orkut.

Cerca de dois meses atrás, me cadastrei no Twitter. Só que ainda não tive tempo (ou seria interesse?) para entender como funciona e participar de forma efetiva.

Outro dia, um colega http://www.contratudoinformatizado.com.br/ criticou ferrenhamente o quanto um mundo virtual exige do seu usuário. Começo a achar que é verdade. Não gosto de ignorar convites ou deixar de responder às mensagens recebidas. Porém, o tempo é escasso e administrar redes de relacionamentos deveria virar profissão. O internauta fanático e disponível oferece seus serviços àqueles que também se interessam pela grande rede, e que não dispõem do mesmo tempo. Paga-se uma taxa mensal e as respostas nunca ficam em branco. Santo Deus, aonde vamos parar?

O dia em que descobri que eu era uma boa companhia para mim


Chega a me impressionar o que a carência faz com o indivíduo. Vejo pessoas relacionando-se com outras que não tem nada em comum com elas. Medo de ficar sozinho? Claro que sim. Afinal, o indivíduo não nasceu para viver só, mas sim, em par. E por que esse par não pode ser um amigo querido, um familiar legal, um colega de trabalho ou até mesmo um funcionário do condomínio? Para conversar e deixar de estar sozinho, basta haver mais um alguém.

Ao longo da minha vida adulta, presenciei por parte dos meus amigos, das minhas amigas e até da minha parte, em dado momento da vida, o relacionamento forçado. E o que eu entendo por relacionamento forçado? Aquele no qual a pessoa se força a estar com qualquer tipo de indivíduo ao seu lado, só para não estar sozinha.

Um dia, quando comecei a atingir a maturidade, descobri que tinha que colocar em prática o ditado “antes só, que mal acompanhado”. Assim, me divorciei. E assim também que descobri que amigo é qualidade e não quantidade. E foi assim que amadureci cada vez mais, pois dei a oportunidade a mim mesma de conhecer a minha companhia e foi só quando me vi feliz com ela, é que me descobri inteira para oferecer minha companhia às outras pessoas.

Acredito que o que falta para muita gente, é o aceitar que até mesmo os gêmeos nascem um de cada vez, de maneira individual e é assim que temos que nos descobrir, pois só assim saberemos do que gostamos e principalmente de quem gostamos, para então, saber buscar e encontrar a tal felicidade. Quem sabe se cada um se desse tal oportunidade, não teríamos um mundo menos “celebridade” e com relacionamentos mais estáveis. Será?

Concluí, pela minha experiência, que só é possível estar bem acompanhado após passar um período só. É ver para crer.

Compras de supermercado


Qual é a mulher que não gosta de comprar? Acho que nunca conheci nenhuma. Agora qual é a mulher que gosta de todo o roteiro de fazer compras de supermercado? Encher o carrinho, passar item por item no caixa, voltar tudo para o carrinho, tirar novamente, encher o porta-malas do carro, esvaziá-lo ao chegar em casa, enchendo novamente outro carrinho, até chegar ao apartamento. E a luta continua, pois há que se esvaziar pela terceira vez o carrinho, desfazer as compras e guardar tudo. Nossa, é uma insanidade.

Não que eu goste de guardar compras, mas gosto de tudo muito bem organizado e ainda não tive a felicidade de ter uma secretária do lar que fizesse o trabalho bem feito. Assim, tomo a tarefa de arrumar geladeira, freezer e armários para mim. Não tem nada pior do que a certeza de que compramos algo e na hora de usar, não achamos o mesmo. Fico verde de raiva. Se é que raiva deixa alguém verde.

Tinha muito tempo que não fazia compras grandes. Faço minhas compras no Pão de Açúcar online ou físico. E semanalmente. Mas ontem, não sei o que me deu (ou o que faltou nos armários) que resolvi ir a um hipermercado fazer compras, só eu de adulto e as duas crianças.

Decidi que reporia tudo de uma vez na despensa e quando ainda estava na metade do supermercado, meu carrinho já estava cheio. Pedi para que minha filha pegasse outro carrinho e prosseguimos, enchendo os dois.

Queria entender em que momento minha atitude foi mais burra, o de resolver comprar em hipermercado (que particularmente não gosto) ou o de fazê-lo com duas crianças. Meu filho, quando foi programado, saiu com a palavra “compra” infinitamente. Assim, não há absolutamente nada que ele veja, que não pede para comprar. Os seus apelos, aos três anos de idade, são os piores: “mamãe, nunca mais na minha vida eu comi isso”; “mamãe, nunca na minha vida eu tive isso”; “mamãe, eu vi no Discovery Kids que isso tem vitamina e vitamina faz crescer”; “mamãe, eu estou com muita vontade de comer esse chocolate, essa bolacha, esse iogurte, esse pão, esse bombom”. E acreditem, quando chega na parte das frutas, ele ensandece: quer comprar bananas, maçãs, peras, abacaxis e principalmente melancia. O detalhe é que ele tem diariamente todas as frutas em casa.

Depois de três horas entre sair de casa e voltar (quase) viva com as crianças e as compras, ainda faltava a segunda parte, que deixei para mais tarde. Tive que refletir sobre o ato suicida que havia acabado de cometer e assim, conclui que a internet é a melhor invenção da humanidade. Ou ao menos da mulher que precisa fazer compras.

Amo carros e odeio guiá-losAté alguns anos atrás, era uma grande conhecedora de carros. Sabia sobre modelo, acessórios, potência de motor e outras coi


Até alguns anos atrás, era uma grande conhecedora de carros. Sabia sobre modelo, acessórios, potência de motor e outras coisas de interesse “de meninos”. Depois, veio a maternidade e foquei meus conhecimentos em marcas de fraldas descartáveis e lenços umedecidos.

Não é segredo para ninguém o quanto detesto dirigir. Só o faço por obrigação e tudo que posso fazer pela internet ou empurrar para o final de semana, quando meu marido “James” está em casa, vou empurrando. Mas gosto de carros. Claro que não sou nenhuma conhecedora profunda e pior, diria que hoje conheço o mínimo e assim mesmo, só dos carros que tivemos nos últimos anos.

Com a troca “carro x fralda”, fui me alienando até com cuidados que sempre gostei de ter com o carro. No dia das mães do ano passado, meu marido me deu um carro zero quilômetro. Tínhamos vendido o meu carro quando compramos nosso apartamento um ano antes e na ocasião, compramos um Escort ano 1997 para quebrar o galho. Só que o galho já estava despencado e assim, ganhei meu segundo carro importado.

O primeiro tinha sido em Portugal. Em muitas capitais européias, assim como em São Paulo, não há mais lugar para estacionar. Assim, cada vez mais pessoas práticas buscam carros pequenos. Na Europa, um carro muito procurado é o Smart, bastante compacto e cabe em qualquer lugar. Meu marido me deu um Daewoo Matiz, carro que eu adorava. Assim que um modelo semelhante chegou ao Brasil, ele decidiu que compraria um para mim.

Vou fazer um parênteses: adoro carros grandes. Os modelos “perua” estão entre meus favoritos. Mas gosto mesmo é de dois carros, em específico: a Zafira e o Xsara. Quando fomos trocar meu Escort por um carro de verdade, fiquei bastante inclinada a comprar um deles, usado, já que antes do velho Escort, tive uma Meriva que amava. Só que o problema é estacionar e para mim, é um grande problema. Odeio ficar manobrando o carro para operar milagres da física, tentando fazer caber dois corpos em um único espaço. Assim, aceitei a sugestão do meu marido e compramos o meu “Mosquitinho”.

Em maio passado, o Mosquitinho completou seu primeiro ano de vida. Liguei na Concessionária para fazer a segunda revisão, já que a primeira havia sido feita aos mil quilômetros e a segunda deveria ser feita aos dez mil ou em um ano, o que ocorresse primeiro. Liguei para o agendamento. O atendente foi de uma gentileza ímpar. Tentava me explicar onde ficava o odômetro para que eu conseguisse lhe dizer a real quilometragem do carro. E eu, do lado de cá da linha, insistia: “cinco mil e duzentos quilômetros”. Depois de muita conversa, expliquei para ele que uso o carro cinco dias por semana e em curtos trajetos. Levo as crianças à escola, que fica há algumas quadras de casa. Vou para a faculdade que é no quarteirão de baixo. Trajeto inverso para voltar para casa. Vamos ao shopping perto de casa. E quando saímos para muito longe, é para ir até a Rebouças, na pediatra ou até o Itaim, na otorrino. Só. Fica óbvio que realmente o carro com um ano de uso só tem cinco mil quilômetros.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vida e Morte


Hoje, minha avó materna completa 72 anos. Digamos que ela seja uma avó nova, se considerarmos que eu, a neta mais velha, já tenho 35. Além de mim, são mais oito netos, vindo das suas três filhas e mais dez bisnetos. Gostaria de ter ido vê-la, estava programada para isso. Mas minha máquina de lavar quebrou ontem, a garantia vence na próxima semana e passei o dia inteiro plantada esperando os técnicos, que até agora, 15 horas, não chegaram. Falei com ela ao telefone e fico impressionada por vê-la tão bem, por tudo que ela passou.

Quando minha tia caçula nasceu, minha avó adoeceu. A falta de recursos quarenta e cinco anos atrás, levaram as equipes médicas a oferecer para minha avó os tratamentos mais cruéis que um ser humano pode ter. Assim, ela passou as últimas quatro décadas e meia de hospital em hospital, ajudou a criar sete dos seus nove netos, ficou viúva no dia de Natal, há quase dez anos e está aí, firme e forte.

Pensar na minha avó hoje me fez pensar sobre minha vida de um modo geral. Nunca tive paranóias com medo de velhice, mas hoje ela bateu e ficou. Minha avó paterna faleceu com 37 anos, um ano e meio antes do meu nascimento. Em 1996, perdi minha tia paterna mais velha, aos 44 e há dois anos, meu pai se foi, com 51. Também outro irmão do meu pai, meu padrinho, teve câncer há dez anos e se recuperou. Só tive duas primas por parte de pai e uma delas faleceu aos 15 anos, três dias após fazer aniversário, de problemas cardíacos.

Nunca tive medo de morrer. A morte, para mim, é o fim de um ciclo, uma parte da nossa trajetória, que com certeza vai além do que vivemos aqui. Depois de me tornar mãe, porém, o medo da morte é uma coisa que me dá taquicardia, me leva ao mais profundo sentimento de impotência. É algo que chega a doer. Tenho medo de estar de alguma maneira ligada à trágica história de mortes precoces da família do meu pai.

É estranho me bater essa tristeza e medo da morte, justamente em um dia que celebramos a vida. Sempre tive consciência desse meu medo. O que me levou hoje a um estado maior de pavor, foi descobrir e me dar conta de que em breve, terei quarenta anos. Assim espero. Gostaria muito de poder viver mais alguns, nem precisam ser muitos. Só o suficiente para que meus filhos cresçam amparados pelo meu amor e meu carinho. Que Deus me conceda essa Glória. Amém.

O dia em que descobri que pari um peixinho


Difícil dizer que mãe é uma pessoa segura. Podemos até buscar forças de onde não existe, mas sempre existirá a dúvida se o que estamos fazendo é certo ou errado. Sempre quis colocar meu filho de três anos na natação, desde que ele completou seis meses. Fui adiando a idéia por pura insegurança, por medo, por excesso de proteção. Tive uma gestação muito difícil; ao nascer, ele precisou ficar no hospital tomando banho de luz e eu voltei para casa, sem um bebê nos braços. Foi a vez que mais cheguei próximo do fim do poço, tamanha a minha dor. Aos sete meses, ele foi internado com suspeita de meningite e teve que fazer aquele exame de punção na espinha; dessa vez, enxerguei a escuridão do poço. Levei-o cedo para o berçário, tamanho o desgaste que eu tinha com ele e os problemas de saúde constantes; achei que ia ter uma parada cardíaca. Sofri de novo, por culpa, por remorso, por medo. Assim o tempo foi passando e eu adiando a idéia da natação. Até que há um mês, desafiando a tudo, matriculei-o. Alguns pontos para esclarecer: meu filho tinha medo de água, de mar, de piscina e até de lavar a cabeça. Nenhuma mãe coloca um filho com tantos medos para nadar, ainda mais para começar em pleno inverno, mais ainda, na semana mais fria do ano. Para complicar, ele ainda amanheceu com um resfriado/gripe/alergia que vem se arrastando durante todo o último mês. E ainda havia terminado um tratamento com antibióticos naqueles dias. Mesmo assim, me enchi (será?) de coragem. Como ele faz natação na piscina do colégio, em horário de aula, não pude vê-lo nadando. De toda a turminha dele, só três alunos fazem a aula: ele, o amiguinho que mudou-se de escola junto com ele e o filho de um dos donos da escola. Desde o primeiro dia, ele chega contando só coisas boas, sempre feliz, alegre e sorridente. Por nenhum minuto, me dei conta do que podia estar acontecendo dentro daquela piscina, até que... até que a escola convidou aos pais para uma aula aberta e lá fui eu: duas máquinas fotográficas, para o caso de uma delas falhar. Todo menino é mais chorão que menina. Tenho comprovado essa tese nas várias festinhas das escolas das crianças, nos últimos anos. Portanto, estava preparada para que meu filho me visse e pulasse no meu colo, começasse a chorar, não entrasse na água de maneira alguma. De qualquer maneira, valeria a foto dele com a touca de tubarão, a sunga igual a cueca do Tricolor, os óculos de peixinho e o seu lindo roupão atoalhado especial para natação; já me daria por satisfeita. Só que meu pequeno menino aquático me surpreendeu, me deixou boquiaberta e muito emocionada. Ele entrou na piscina já completamente seguro, como se tivesse frequentado aquele espaço há muito tempo, não há apenas um mês. Enfiou a cabeça na água, nadou com a pranchinha mexendo os pezinhos, fazendo o movimento com as mãos, nadou de costas, brincou na recreação com toda a segurança de uma criança bem cuidada. Agradeci minha ousadia naquele momento, em desafiar todos os contras e poder ter como resultado o meu filho sem medo de água e totalmente feliz. Às vezes, a gente acerta.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A diferença entre o roceiro e o carroceiro


Gosto de coisas boas e as coisas boas custam caro. Meu olhar clínico consegue parar em qualquer vitrine, de qualquer tipo de produto, e se apaixonar pelo item mais caro que lá estiver. O que eu posso fazer? Muito. Posso lutar, batalhar, de maneira honesta, para conseguir conquistar tudo que quero. O que não posso fazer? Criar um mundo que só existe para mim, entrar em uma bolha de ilusão e achar que coisas inimagináveis são reais.


Disse e repito insistentemente: humildade é fundamental. Também repito que as pessoas que realmente têm dinheiro, não ficam por aí contando vantagem.


No último final de semana, fomos a uma festa infantil. A festa foi regada a comida, bebida e salgados da melhor qualidade. Já tínhamos ido a festas no mesmo Buffet, mas o serviço dessa vez surpreendeu a todos. O que determinará se o Buffet fará ou não um bom serviço, é o valor pago por ele. A pessoa pode escolher um lugar de luxo e fazer da festa um lixo. Mas a questão aqui é que a família que ofereceu a festa é de uma simplicidade ímpar. E podre de rica.


Conheci uma pessoa que vivia na bolha. Aliás, tive o infortúnio de cruzar com várias, mas duas me marcaram. A que está em questão aqui era uma pessoa de família simples e humilde. Digo era, pois ela já se foi. Da minha vida. Criada no interior de São Paulo, tinha em sua família pessoas que batalhavam para ganhar o pão nosso de cada dia de forma sacrificada. Vários de seus vários irmãos, tiveram vários filhos. Aquela coisa de família mais humilde, vai tendo filho e o mais velho vai cuidando do menor, enquanto todos vão para a roça. Mas essa pessoa negava suas origens. Conseguiu estudar com sacrifício, bolsista em faculdade de segunda... terceira... quarta linha, mas insistia em dizer que entrou na USP. E por que não concluiu o curso? Porque era mentira, simples não? Época do aniversário de filho era um delírio total. Havia justificativas no bairro inteiro para dizer que não havia acontecido A FESTA, no melhor lugar, pois exatamente naquele final de semana, sua melhor amiga casaria e daria uma festa de arromba. As fotos mostravam a festa de arromba: garrafas de Dolly espalhadas ao longo do salão da garagem, emprestada por um amigo. Morava de aluguel, mas possuía imóveis pelo interior e dinheiro no banco para adquirir o que residia com sua família. O lugar mais longe que já tinha ido era lá no interiorzão, nos confins de onde veio; mas não viajar e nunca ter saído do país era um detalhe. Medo de avião, será? O que essa pessoa ganhou? A indiferença daqueles que a cercavam, as conversas paralelas sempre rindo dela pelas costas e, muitas vezes, até mesmo pela frente. Que Deus a tenha... longe de mim.


Sou uma pessoa muitas vezes deslumbrada, pois vivenciei coisas que minhas origens jamais me permitiriam. É um deslumbre de orgulho, de querer mostrar que somos capazes de vestir mais que um tênis Conga; podemos sim, almejar calçar o tênis Bamba e por que não um All Star? Podemos ou não compartilhar com aqueles que gostamos, nossos feitos, conquistas e vitórias, mantendo o pé no chão e sem nos tornarmos uma pessoa pernóstica, ou pior, uma pessoa mentirosa.


Tem gente que nasceu para ser roceiro e nunca chegará ao carroceiro, mesmo que a conta bancária diga o contrário. Quando o carroceiro pensa que está se tornando roceiro e contando vantagem sobre sua nova carroça, está nada mais do que fazendo um papel de ridículo. Melhor é cada um aceitar sua condição, sua situação econômica, social e cultural e fazer da sua vida a melhor vida, sem lorotas, sem mentiras, sem ilusões...


Lembrei dessas histórias hoje, não sei por qual motivo, mas recordar é viver! Ou morrer de rir.

Meu irmão

Para quem duvida que meu irmão é o cara mais pilantra do mundo, eis a prova do seu caráter:

http://madrugaemclaro.blogspot.com/2009/06/escolinha-do-professor-lemos.html

Sem comentários...


Antes de contar o que aconteceu comigo antes, tenho que contar uma peculiaridade minha. Sou a pessoa mais desligada que pode existir para reparar nas coisas. Pessoas, então, nem pensar. Acho até graça quando alguém comenta sobre meus filhos: “eles tem o nariz igual ao seu, tem a boca do pai”. Eu sei que eles têm nariz, tem boca, mas não sei descrever suas formas. A única coisa humana que sei descrever são as orelhas do meu irmão, já que desde que ele nasceu, o espaço em nossa casa nunca mais foi o mesmo.

No almoço de batizado da minha filha, entramos na churrascaria e todo mundo falava: “olha lá o Marcos, olha lá o Marcos”. Caramba, o único Marcos que conheço é meu primo. O Marcos em questão era o goleiro do Palmeiras. Como só gosto de porco bem passado e no meu prato, não sabia nem de quem se tratava. Já almocei com a Camila Pitanga várias vezes em um vegetariano no Brooklin e nunca me dei conta que aquela mocinha pequenina da mesa ao lado era uma Global. No Rio, a coisa mais comum que tem é almoçar na companhia de famosos. Eu que conheço a Cidade Maravilhosa tão pouco a ponto de não conhecer o Cristo, já almocei por lá em companhia do Romário, do Falabella.

Posto a minha displicência, vem o ocorrido ontem. Estava em casa, pronta para levar as crianças ao médico. Porque primeiro dia de férias não basta ser sem empregada, tem que ser com criança doente. Aguardávamos apenas a chegada de um corretor que está vendendo nosso apartamento, para sairmos. Ele marcou 14 horas e já passavam quinze minutos do horário combinado. Já decidida a não tolerar um quarto de hora de atraso, destranquei a porta e o interfone tocou. Era o corretor. Corremos para abrir as janelas e aguardar o provável próximo morador do nosso lar doce lar. O corretor chegou, apresentou o cliente, que olhou todo o apartamento, teceu seus comentários e plantou-se na sala. Começou a contar da sua vida. Disse-me que era músico. Que viajava muito a trabalho. Que tocava em uma banda. Diante da minha indiferença (e pressa que aquele papo terminasse logo), o potencial comprador confessou: era vocalista da maior banda nacional de um gênero qualquer. Claro que por ética e por zelo à privacidade alheia, não vou dizer de quem se trata. Quase morri de tanta vergonha, pois trata-se de alguém muito conhecido, como posso não ter percebido.

Depois da apresentação, o artista já era quase que meu melhor amigo de infância (e os minutos corriam). Contou-me sobre a esposa, os filhos, a escola que os filhos estudam, mostrou-me fotos da família e de sua maravilhosa casa. Vale uma explicação: ele tem a tal casa localizada na Grande São Paulo e quer ficar mais perto da “muvuca” paulistana, por isso o desejo de comprar um apartamentinho humilde, do tamanho do nosso.

Após me dar toda a sua agenda de show até o final do ano, despediu-se simpaticamente dizendo que compraria meu apartamento, assim que voltasse da turnê para a qual estava embarcando dali três horas, em meados de julho.