segunda-feira, 29 de junho de 2009

Esclarecendo o Blog da Pandinha

Tenho recebido perguntas sobre meu blog. Gostaria de pontuar três delas.

Pergunta: As pessoas só escrevem falando bem, não há ninguém que fale mal do seu blog?
Resposta: Recebo mensagens de vários tipos. Ativei, há algum tempo, uma opção para que todos os recados deixados sejam enviados diretamente para meu correio eletrônico. Assim, tenho a opção de apagar tudo. Deixo praticamente nada de mensagem em minhas postagens.

Pergunta: Por que você costuma usar palavras todas juntas e coloca ponto com ponto br ao final?
Resposta: É minha forma de fazer uma alusão ao mundo digital em que estamos inseridos.

Pergunta: Qual é o tema do seu blog?
Resposta: Acho muito legal blogs temáticos, pois são direcionados. Tenho uma amiga que já tem cinco blogs e coloca cada assunto no devido blog. Meu blog não tem tema, é apenas um blog, falo de coisas que me vem à cabeça e as coloco na rede.

Agradeço aos amigos queridos que acompanham meus devaneios aqui no Blog da Pandinha.

Coleção “Para não gostar de estudar” – volume 2

Lições que aprendi ao longo da vida acadêmica, segundo cada disciplina da grade curricular do Ensino Fundamental II e Médio:
1. Língua Portuguesa: Guimarães Rosa foi o escritor mais chato da história e assim como Elvis, ele não morreu.
2. Biologia: não apenas as cobras têm veneno em suas picadas.
3. Física: uma aula pode pesar mais que uma tonelada.
4. Química: é possível fazer bons amigos.
5. Matemática: um espírito de jegue e um espírito de jumento é igual a um professor chato.
6. História: tem gente que parou na época da Ditadura e não viu o mundo mudar.
7. Geografia: devemos nos manter afastados das áreas contaminadas.
8. Psicologia: é impossível manter a sanidade ao longo dos anos acadêmicos.
9. Filosofia: Guimarães é chato ou não, eis a questão.
10. Antropologia: o ser humano é fofoqueiro em sua essência.
11. Língua Inglesa: “to be or not to be”.

República de estudantes


Uma casa. Alguns quartos. Muitos rapazes. Todos estudantes. É basicamente isso que se precisa para a formação de uma república estudantil.

Durante cinco anos, meu marido morou na cidade de Botucatu, enquanto cursava Engenharia na UNESP. E durante os cinco anos, moraram juntos nove rapazes, inicialmente na faixa dos 17 anos e terminando aos 22 em diante. Como eles conseguiram? Eu não sei.

Minha sala na faculdade é um verdadeiro hospício. Já teve caso de mulher batendo em rapaz. Caso de fofoca é pior que a peste bubônica. Falsidade, então, dá mais que chuchu na serra. Claro que tem muita gente boa, mas nunca vi um grupo com tanta energia negativa e tanta gente ruim no mesmo lugar.

Viver em sociedade é a missão mais difícil do ser humano, mais até do que arranjar comida e um habitat. Lidar com as inconstâncias do próximo é tarefa árdua e deve ser executada com cautela. Há grupos sociais mais gostosos de se conviver, outros que se vive apenas pela necessidade. Mas sempre há dificuldades.

Os nove rapazes da República Olla foram um caso a parte, chegando a sair em revista especializada em vestibular como um exemplo a ser seguido.

As despesas eram divididas igualmente: aluguel, luz, água, gás e empregada (que cozinhava e limpava a casa). Cada jovem era responsável por sua roupa. A comida era comprada semanalmente e havia rodízio para a compra. Só o essencial. Cada um era responsável pelo seu pão, seu leite, sua manteiga. Supérfluos não existiam. Todos os nove rapazes eram de famílias com condições econômicas muito limitadas e pacotes de bolachas dentro da República eram só em dias de festas. Faltava-lhes muitas coisa. Mas nunca faltou a compreensão mútua entre eles.

Nem todos voltavam às suas casas durante os finais de semana. O dinheiro não dava; o jeito era ficar em Botucatu e aproveitar tudo que a cidade tinha para lhes oferecer: nada. Não tinha balada, não tinha uma lanchonete legal, e mesmo que tivesse alguma coisa, eles não tinham dinheiro. Passeavam na cachoeira, caminhavam pela cidade, paqueravam, namoravam.

Apesar de materialmente não terem nada, os estudantes tinham uma coisa fundamental: tinham uns aos outros e a lealdade entre eles. Em cinco anos, nunca houve uma briga, nunca houve uma expulsão, nunca houve qualquer ofensa. Ao final do curso, todos receberam seus diplomas de Engenheiros. O que, porém, todos receberam de mais importante, foi o diploma de civilidade; esse, não há faculdade que ofereça.

Lamentável e lastimável

O que leva as pessoas a denegrir a imagem de um defunto? Não vou me ater ao uso de eufemismos aqui, já que o termo correto é este mesmo usado: defunto. Nunca fui fã do Michael Jackson. Ao menos que eu me lembre. Aos nove anos de idade, ganhei um disco de um amiguinho, quando lançou o álbum Thriller. Cantava aquele inglês que criança canta, o “embromês”; como dançava jazz, brincava de imitar os passos, mas sem ser fã do cantor. Porém, há que se haver o respeito pela memória de um indivíduo, sendo ou não o Michael Jackson. Primeiro veio a ex-babá dos filhos e colocou a boca no trombone. O meu choque, porém, foi ao ler hoje pela manhã as declarações da sua segunda ex-mulher, mãe dos seus dois filhos mais velhos. Ela se intitula uma “vaca”, que foi inseminada para dar os dois filhos ao artista. Não quero saber se o cara foi ou não um bom pai. O que está em voga aqui é o fato de dois pré-adolescentes, (período já de muito conflito interno) receberem a notícia da morte repentina do pai e apenas dois dias depois, descobrir que a mãe, que nunca quis saber deles, continua não querendo. E pior, declarar publicamente que o pai não era o pai biológico, fato que ninguém tinha conhecimento. O que a “vaca” quis com o seu gesto? Fica a pergunta para os discípulos de Freud, se é que Freud explica.

sábado, 27 de junho de 2009

O dia em que (quase) fui ao Museu do Ipiranga

Acordei hoje com uma tremenda sede cultural. Decidimos ir ao Museu da Língua Portuguesa. Ao chegarmos na Estação da Luz, havia tantos ônibus de excursão, que demos meia volta. Seguimos pela Avenida do Estado, para passear no Museu do Ipiranga. Olhem só o resultado da nossa visita:







É BRASIL!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dislexia


A dislexia, uma deficiência de aprendizado de certa complexidade, tem como um dos sintomas a troca de letras com fonemas semelhantes.


Há algum tempo, tenho encontrado dúvidas para escrever várias palavras corriqueiras e isso me preocupa bastante. Acho que escrever corretamente é algo imprescindível. Achei que estava com dislexia. Fui conversar com uma professora e ela me deu o diagnóstico: estresse e esgotamento físico e mental.


Ufa, achei que o caso era grave e um curto período de férias resolve meu problema. Assim eu espero.


Enquanto isso... no dia 21 de junho, postei "Os dez mandamentos da preguiça". Conforme o próprio texto mostra, encontrei os dez mandamentos no Google, e por achá-lo engraçado, publiquei aqui. No mesmo dia, uma amiga querida me chamou a atenção (e não foi a primeira vez): o item 1 estava escrito DESCANCE ao invés de DESCANSE. Hoje, recebi uma mensagem cheia de dedos, da minha cunhadinha, dizendo que escrevi DESCANÇAR ao invés de DESCANSAR. Vale a ressalva, copiei o texto e minha ignorância foi só ter lido a piada e não ter lido as palavras, corrigindo os erros. Mil perdões, amados leitores!


De verdade, peço desculpas pelos erros e fico imensamente grata por vê-los apontados. Ajudem uma senhora cansada e garantam seu lugarzinho no Céu.

Michael Jackson


Só existe uma certeza na vida de todo ser humano: a morte. Mesmo com a certeza que permeia a vida de todo indivíduo, ninguém, de quaisquer religiões que sejam, aprende a lidar com o derradeiro fim.

Muitas vezes, vemos a vida de pessoas se arrastando, com sofrimentos e enfermidades. E quando tudo acaba, fica difícil lidar com a notícia.

A morte de pessoas conhecidas acarreta grande comoção pública. Tem sido assim ao longo dos tempos. Consigo lembrar-me de mortes como a da Princesa Diana e do grande ídolo nacional Ayrton Sena. O mundo parou para homenageá-los. Assim está o mundo hoje, parado com a notícia repentina da morte de Michael Jackson.

Confesso que se a notícia não tivesse sido meu marido, a pessoa mais séria e mais incapaz de fazer qualquer tipo de piada, eu não teria acreditado. Liguei imediatamente o computador. Conectei-me à Globo, ao Estadão, ao Terra. Liguei a televisão. O jornal da manhã global começava com uma homenagem. Ouvi de seu irmão: “He passed way”. Que a mídia saiba respeitar o momento de dor, como foi pedido pela família.

Não sou fã do artista. Já o fui, quando criança. Mas passou. O que não passou foi o sucesso que ele fez durante todos os anos de sua carreira.

Assim, de forma repentina, com a mesma idade que meu pai nos deixou, da mesma maneira que meu pai nos deixou, o mundo da música se cala.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

E o pulso ainda pulsa


Se ter sono é sinal de doença, me enterra!

Minha vida é um ciclo: se eu não durmo direito, fico morrendo de sono no dia seguinte. Se eu durmo bem, também morro de sono. Portanto, minha vida é um eterno sono.

Tempos modernos


Encontrei com uma amiga. Ela veio toda contente me contar que na noite anterior, havia me enviado uma mensagem eletrônica, em resposta àquela enviada por mim quinze dias antes. Disse que já havia respondido na mesma noite e percebi em seus olhos uma nítida frustração. Acho que ela teve a sensação de que, depois de tantos dias, havia conseguido tempo para me responder e ao acordar, continuava com uma pendência comigo.

*

Ontem, estava conversando com minha professora de Literatura e mais um colega. Falávamos sobre o doutorado dela, aos trinta anos e a glória que isso significa. Eu, particularmente, acho o máximo. A conversa se voltou para a tecnologia. Perguntei ao colega o porquê de ele não ter Orkut; ele respondeu indignado que não tinha tempo para viver tantas coisas que a era tecnológica oferece e era contra tantas “responsabilidades” eletrônicas que os dias de hoje nos impõe. Claro que não é imposição, é opção. Uma opção de fazer parte do mundo de hoje ou morrer no passado.

*
Ainda sobre minha professora doutora: ela acredita que, futuramente, o momento em que vivemos hoje será considerado um grande movimento literário digital. Oxalá.

*
Com todo o avanço da tecnologia, ainda não há uma maneira instantânea de se transportar objetos de um lugar para o outro. Nem pessoas.

Emergência: emergentes!


Emergente é um adjetivo usado muito nos dias de hoje para qualificar os países em ascensão ou para vangloriar o novo rico. Novo rico?

A palavra emergente significa surgir, aparecer, decorrer. Remete-nos a algo de sucesso, que ganhou dinheiro, que cresceu, que passou à frente. Há pessoas que passaram uma vida inteira comendo pão com margarina. De repente, passam a comer pão com salame, sem ter passado pelos estágios da manteiga, da mortadela e do presunto, passos necessários para aprender a degustar as variadas espécies de salame existentes no mercado. Fiquemos no salame. Se as pessoas não passaram pelos estágios necessários, como podem se dizer conhecedoras de salame?

Metáforas a parte, acredito que para algumas famílias, as coisas nos dias de hoje são mais abonadas que na época de seus pais. Gente que sempre morou em uma casinha de vila e vai morar em um prédio, condomínio fechado, piscina, um parquinho e o básico salão de festas, começa a se sentir milionário. Na sala, a televisão de quarenta e duas polegadas adorna o móvel comprado nas Casas Bahia, em várias prestações.

Não estou sendo preconceituosa nas minhas palavras, estou apenas constatando uma situação muito comum e corriqueira nos dias de hoje e o tema começou a ser debatido no último almoço de domingo. Estávamos na casa dos meus sogros, juntamente com a minha cunhada que mudou recentemente para um condomíniotemtudo.com.br. Quem acompanha meu blog, lembra-se da mega festa que minha sobrinha, filha dessa minha cunhada, teve no mês de maio, do High School Music.

Vale contextualizar: meu sogro, hoje aposentado, foi Agrimensor. Minha sogra, ex-funcionária pública, virou dona de casa. Criaram seus três filhos com muita dificuldade, assim como meus pais nos criaram. Nunca faltou arroz com feijão, mas muitas vezes não teve a carne. Escolas públicas, passeios inexistentes, viagens então, nem pensar. Assim crescemos sem frustrações e sem grandes anseios. Estudamos, nos formamos, trabalhamos e galgamos algumas facilidades para nossos filhos inexistentes nas nossas infâncias. Mas não somos emergentes. Emergentes são as pessoas que moram no prédio da minha cunhada e a acusaram de promover uma festa empresarial no condomínio, que teve até diploma na saída. Meu Deus, já que a alma dessas pessoas está perdida mesmo, que haja um lugar especial no purgatório a todas elas.

O emergente é aquela pessoa que o salário melhora um pouquinho. Ao invés de guardar para o amanhã, compra. Compra roupas de grife, vai a bons restaurantes e viaja para o exterior. Ok, tudo coisa legal de se fazer, desde que sejam feitas sem ostentação. O verdadeiro rico não precisa sair em busca ao consumo de maneira desenfreada, pois já nasceu rico, sempre consumiu. O pobre é quem consome demais. Só que o pobre só enriquece materialmente falando; preserva seu eu interior, seu espírito de porco, sua mesquinhez e, por que não, sua breguice.

Tem coisa que é de doer. Estive em um evento. Uma mãe e uma filha sentaram-se próximas a mim e a minha família. A menina tinha, aparentemente, a idade do meu filho. Seu cabelo reluzia de tanto brilho que a mãe colocou. Os olhos da criança estavam esticados de uma ponta a outra, pintados com delineador. A roupa todinha de paetês. Unhas vermelhas com decalques. Os brincos alcançavam os ombros da criança. Tive dó da criança. Tive vontade de falar com a mãe. Só vontade. A situação, apesar de chocante, não me dizia respeito. A criança não tinha espontaneidade nenhuma, era uma caricatura da mãe. A mãe. Preciso falar da mãe. Seus cílios deram lugar a um tubo inteiro de rímel, provavelmente da Lâncome, mais ainda provável de ter sido comprado no Dutyfree, na primeira viagem feita à Buenos Aires, naquela excursão que será paga em várias vezes. A roupa era de doer. Casaco de pele sintética. Um ponche mais sintético ainda nas mãos. Branco e com brilhos. Contrapondo esteticamente ao casaco que ela vestia. A bolsa dourada, enorme, cheia de frutas, sucos, bolachas. Da marca mais barata que se pode encontrar em supermercados, geralmente, marca própria. Um celular dourado, último modelo, cheio de recursos que nunca se usam. Junto da bolsa dourada, uma pequena bolsinha de pelo sintético também. Estava de doer. Tive pena das duas.

Todo mundo conhece minhas histórias e sabe que eu não sou de reparar nas coisas. Não reparo nem na minha casa. Mas ontem não deu. Cheguei em casa e pedi perdão a Deus por ter reparado tanto, mas não tive culpa. Eu e todos os outros presentes não conseguíamos tirar o olho daquela pobre família, cujo pai começou a ascender na carreira profissional, ganhar um pouco mais de dinheiro e a esposa quis posar de nova rica. Como eu já disse tantas vezes aqui nesse blog, berço não se compra em lugar nenhum. Nem com o dinheiro dos emergentes.

Pensamento do dia

"Para toda mentira, existe uma verdade. Para toda história inventada, existe por detrás uma necessidade de auto-afirmação. E para toda inverdade, existe a descoberta do real"

Diploma para quê?


A discussão em voga é a obrigatoriedade ou não do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Há a turma que fundamenta a favor; a segunda turma fundamenta contra; e ainda há uma terceira turma, a que só fala abobrinha.

Quando se fala em desobrigar o diploma para exercício da profissão, não está se falando em prostituir a profissão de jornalista. Meu irmão é formado em Jornalismo, mas teve licença para atuar como tal antes de ter seu diploma em mãos. Aos quinze anos, já trabalhava na Rede Globo e aos vinte, trancou a faculdade por dois anos, ao ser convidado para trabalhar no BandNews da Rede Bandeirantes. Concluiu a faculdade, tem o seu diploma guardado, mas não foi a faculdade que o formou jornalista. Foi a vida.

Em minhas muitas andanças como universitária, tive vários colegas que conseguiram seus diplomas sem quaisquer capacidades profissionais que lhes desse alicerce para exercer a profissão que o diploma lhes delegava. Quem foi que disse que diploma ensina alguém, que diploma forma alguém?

Coincidência ou não, em meio ao embate que o grupo de jornalistas medrosos e dos estudantes desinformados, tive a cerimônia de formatura do meu marido, em um MBA (“Master in Business Administration”) pela Fundação Getúlio Vargas. Ele também é Engenheiro, formado pela UNESP e pós-graduado em duas Universidades de renome: PUCCAMP e ESPM. Nunca precisou do diploma. Nos anos em que trabalha no varejo, foi formado e moldado pela vida, pela vivência, pelas necessidades. Pude notar ao longo do seu curso na FGV, o quanto havia colegas despreparados. Faltava ética, faltava comprometimento, faltava vontade de aprender. Sobrava vontade de ter um diploma da Fundação. Só. Na cerimônia, ainda houve chistes a respeito das listas de presença assinadas por outros colegas e dos trabalhos que muitos não fazem e apenas colocam seus nomes. É para isso que serve um diploma?

No exercício da minha profissão anterior, Consultora em Recursos Humanos, entrevistei muitos executivos e tive contato com tantos outros. Entrevistei pessoas que tive pena. Anos e anos de investimento acadêmico e o mais importante lhes faltava: a maturidade da vida. Vale a ressalva de que quem me ensinou a arte dos Recursos Humanos foi a vida.

Costumo dizer que pessoas que não se encontram na vida, falo profissionalmente, costumam cursar na Universidade algo que tenha a ver com aquilo que já trabalha. Louvável. Outras pessoas são decididas e tem desde a infância a convicção do que seguirão em suas carreiras. Após o diploma, descobrem que não era nada daquilo e seguem seus instintos, seguem o curso que a vida lhes impõe.

Sou a favor de um diploma de nível superior. Cursar uma faculdade abre horizontes que a vida profissional não dá a oportunidade. É muito estresse, muito desgaste, mas muito aprendizado, que é o que vale a pena. Claro, aprendizado só para quem quer aprender.

Ontem comentei com meu marido sobre os cursos universitários que o Brasil oferece. Acho que o MEC deveria rever muitas coisas, dentre elas, a obrigatoriedade, em qualquer curso superior, das disciplinas de Filosofia, Sociologia, Psicologia e Ética. São, na minha humilde opinião, matérias imprescindíveis, indissociáveis e primordiais. A Filosofia leva o indivíduo a pensar. A Sociologia ensinará como surgiu a sociedade e como ela funciona. A Psicologia mostra ao indivíduo como funciona o seu próprio ser. E a Ética... ah, a Ética é matéria de vida. Tenho que aqui me contradizer e afirmar que não sei se Ética se ensina em alguma escola. Mas pode-se tentar.

Para complementar minha idéia, fica aqui o link do blog do Marcelo Rubens Paiva, que faz uma intertextualidade muito boa com outros colegas jornalistas, estudantes e aqueles que apenas frequentam a Universidade. Leiam do começo ao fim, pois vale a pena.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Os chifrudos - parte II

Nunca escrevi um texto que tivesse tamanha repercursão. Acordei hoje e estava sem sinal de internet aqui em casa. Quando voltei, tinha um número tão grande de mensagens "anônimas", de amigos com medo de serem entregues.

Vamos esclarecer novamente: deixei claro que nem tudo que disse é verdade. Afinal, que nunca leu um romance e deu asas à imaginação?

Pessoas queridas do meu coração: quem me conhece, sabe que jamais exporia assim, a vida das pessoas, o que não é meu direito. Meu direito (e dever) é apenas o de amar e isso faço muito, pois amo intensamente (e sou fiel).

O fato de viver uma relação monogâmica, não significa que eu seja uma pessoa careta ou que crucifique aqueles que traem. Para quem não me conhece, faltou contar uma pequena história.

Muitos anos atrás, uma amiga minha começou a namorar uma pessoa casada. Ela também era casada. E minha casa era o ponto de encontro dos dois. Até que um dia, o casal me pediu para que os levasse ao Motel. E lá fui eu, deixei os pombinhos na porta para uma tarde de amor e fui fazer compras com o carro do amante da minha amiga. Hoje, todos vivem felizes, mas um dia, o romance acima veio a tona, ocasionando duas separações. É isso que quero dizer, CUIDADO. Todo mundo tem direito de amar, de se apaixonar e de ser feliz. Só que junto com este bônus, tem também o ônus de respeitar os sentimentos do próximo. Aí sim, é só ser feliz!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Causos de traição conjugal



Quantos amigos e amigas não se perguntam: “se você visse meu parceiro (marido, esposa, namorados, etc.) com outra pessoa, você me contaria?”. Acho a questão da traição conjugal, aquela traição carnal, uma das mais complicadas que existe. Já tive amigos que traíram suas esposas e amigas que traíram seus maridos. Já tive amigas que foram traídas e relevaram a questão e já tive amigos que foram traídos e deram um pé no traseiro daquela que lhes enfeitou a cabeça. Mas saber por mim? Não. Acho que o casal tem que ser “casal” ao ponto de saber, de entender, de conseguir “ler” os sinais que o parceiro vai dando. A traição não acontece da noite para o dia. Ela é um processo de evolução. Ninguém sai de casa, logo pela manhã, decidido que a partir daquele dia trairá seu parceiro com o primeiro que encontrar pela frente.

Conheço pessoas que traem. Algumas, já vi traindo. Outras, me contaram. E por não ser da minha conta, sempre jurarei até a morte que não tenho nada que ver com a história, porque não tenho mesmo.

Tempos atrás, mas não tanto tempo assim, tinha um casal que “freqüentava” um dos círculos sociais em que vivíamos. Casados, pais de uma linda menina loira de olhos azuis, modelo de casamento perfeito. Mas o cara era um canalha. E não estou expressando meu julgamento, são os olhos da sociedade. Final de ano, mandava a mulher para Long Beach. Tirava férias. Inventava que ainda estaria trabalhando e fazia a festa. A mulher, enquanto todos a achavam uma coitada, tinha sua parcela de 50% de culpa na situação. Afinal, quem não marca presença, abre concorrência. E vamos falar uma coisa: tem gente que pede para ser chamado de otário. Essa traição, no caso, já durava anos, mas o que importava para aquele casal era a aparência da família perfeita.

Outra conhecida se vangloriava por mandar no marido. Mais um modelo de família perfeita. Da parte dela. Era tão óbvio que o marido a traia, que toda roda que se fazia em eventos, era pra falar das traições do cara. No fundo, essa minha conhecida sabia sim das escapadelas do marido; só que o ideal dela era construir uma família. E quem disse que a família não é perfeita quando há traição?
Um amigo meu traia sua esposa havia quinze anos. Tinha uma amante fixa havia dez. E outras espalhadas pelo território nacional (seu campo de traição era bem restrito). Todas as filiais sabiam que havia uma matriz e uma filial fixa e todas elas achavam ser “a única” na vida do meu amigo. A filial fixa nem sonhava que havia mais alguém além dela e da matriz. Ele não largava a mulher por causa dos filhos (será?). Nunca vi marido mais romântico e apaixonado. Dá até para desconfiar do meu.
Teve um caso do marido que abandonou a mulher para ficar com a chefe. Já que ele era totalmente incapaz de ascender profissionalmente, usou de caminhos escusos para tanto. A chefe era a própria beata. Devota de todos os santos possíveis, freqüentadora assídua de um segmento da igreja Católica Apostólica Romana, dizia-se “filha de Maria”. Mas sabia perfeitamente que o amante era casado e, pior, que a esposa dele estava grávida. Casaram-se e tiveram mais filhos (pois a filha de Maria já era separada). Pouco tempo depois, ele trocou a senhora (bem mais velha que ele), por uma mocinha recém-chegada na empresa. E o casamento da filha de Maria acabou. O relacionamento do garanhão também.

Uma moça se vangloriava em seu meio social, pelo casamento perfeito que tinha. Sempre desconfio das pessoas que falam demais. Ninguém precisa ficar cantando o casamento perfeito do mesmo modo que se cantam bolinhas no bingo. Primeiro porque não existe casamento perfeito. Segundo porque quem atinge um nível de excelência em uma relação, que quase chega à perfeição, jamais vai precisar sair por aí contando vantagem. Mas essa moça aproveitava-se, inclusive, da ingenuidade de uma colega da turma, que sempre expôs as dificuldades do seu casamento. Até que um dia, os amigos descobriram que ela traia seu marido há muito tempo. E sob suas barbas. A turma toda já desconfiava que ele a traia, devido à profissão que ele exercia. Mas nunca veio nada a tona que o desabonasse. Já com ela...

O marido de uma amiga minha a traia e ela sabia. Terminava a relação e arrumava outro. No processo de conhecimento do outro, o marido se arrependia, pedia perdão e os dois voltavam. E ele saia da situação de traidor e passava a ser o traído, já que minha amiga estava a todo vapor com o novo parceiro. Assim, viveram por muitos anos. Até que separaram-se de vez. E viveram felizes para sempre, cada um com seu parceiro. Sou amiga dos dois e hoje sei que nenhum dos dois trai. Pode ser que a maturidade tenha batido a porta deles. Pode ser que o amor nunca tenha existido e só chegou agora. Mas também pode ser que eles resolveram amar, em primeiro lugar, a eles mesmos.

Não sou ninguém para julgar as pessoas. Apenas tenho meus princípios dentro de uma relação. Ninguém está com ninguém obrigado, não nos dias de hoje. A obrigação que existe entre as pessoas é moral. Quem quiser ter relação com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, exponha a situação ao parceiro e abra a relação. Se ele não quiser, é porque acabou, vai cada um para seu lado, viver sua vida e ser feliz.

Muitos e muitos anos atrás, minha cunhada quase se separou do marido. Ninguém da família sabia e ela me chamou para jantar e confidenciar a situação. Disse que veio ao mundo para ser feliz, que o amava, mas que não suportava mais várias coisas nele. Cada um sabe onde seu calo aperta, mas como sabia, pela sua idoneidade e seu caráter, que ela não tinha outra pessoa em sua vida, aconselhei com o coração: “tente relevar os defeitos e elevar as qualidades”. Para mim, essa é a máxima de toda e qualquer relação. Não foi pelo meu conselho, foi pelo amor entre eles que estão juntos há quase duas décadas. E vivendo felizes, enquanto o amor durar.

Conheço os amigos e amigas que tenho e, mais uma vez, antes que alguém me pergunte se é um dos traídos, vou me antecipar: quem disse que alguma das histórias acima é verdade?

p.s.: buscando uma figura para ilustrar meu post, encontrei algo interessante: a Confraria dos Chifrudos. Queria deixar aqui a dica, juntamente com outra: cuidado para não encontrar seu parceiro por lá!

domingo, 21 de junho de 2009

Os dez mandamentos da preguiça


Há uma semana, ganhei um livro maravilhoso do meu marido, "A viagem de Théo", um romance de setecentas páginas que faz um estudo sobre todas as religiões existentes no mundo. Quando o livro começou a abordar o judaísmo e o cristianismo, abordou também os dez mandamentos e as semelhanças e diferenças entre as duas religiões. Resolvi buscar na internet algo mais sobre o assunto e quando comecei a digitar no Google as palavras "dez mandamentos", encontrei algo hilário e que farei meu lema de vida a partir de dois de julho:


Os 10 mandamentos do preguiçoso

01-Viva para descansar

02-Ame sua cama, ela é o seu templo

03-Se vir alguém descansando, ajude-o

04-Descanse de dia para poder dormir a noite

05-O trabalho é sagrado, não toque nele

06-Nunca faça amanhã o que você pode fazer depois de amanhã.

07-Trabalhe o menos possível, o que tiver que ser feito deixe que outra pessoa faça

08-Calma, ninguém morreu por descansar

09-Quando sentir desejo de trabalhar,sente e espere que ele passe

10-Não se esqueça: trabalho é saúde. Deixe o seu para os doentes

Instrumentos Musicais


Adoro instrumentos musicais, assim como adoro livros. A diferença é que livros são acessíveis, ao menos a mim. Posso ter quantos eu quero e todos que desejo. Instrumento musical não. Seria até estranho ter instrumentos musicais diversos sem tocar nenhum.

Fiz parte da fanfarra da escola, quando cursei o Fundamental II; só não toquei instrumentos de sopro, de resto, passei por todos. Adorava os ensaios, os desfiles e, principalmente, quando ganhávamos campeonatos.

Minha mãe sempre sonhou em ter um piano e talvez por isso, eu tenha verdadeira obsessão por ter um piano. Só não o tive ainda por falta de espaço, mas sei que está próximo o dia de realizar um dos meus sonhos musicais. Digo um dos meus sonhos, pois também sonho em ter meu violão, não para deixar juntando poeira, e sim, para tocá-lo, deitada na rede, após os churrascos de domingo. Tenho paixão em ver pessoas tocando violão e é um sonho que também realizarei. Os outros dois instrumentos que desejo são opostos, um por remeter a um som mais clássico, que é uma flauta transversal; o outro, algo bem mais popular, um pandeiro. Acho lindo o som que se tira de um pandeiro e esse eu sei “arranhar” um pouquinho.

Meu irmão queria cursar faculdade de Música. Acho louvável, mas disse que ele teria primeiro que estudar algo que lhe desse dinheiro, depois algo que lhe desse prazer. Não sei se foi o conselho certo, já que ele acabou abandonando o Jornalismo e foi viver na Irlanda. Acabou visitando a Escócia, comprou uma “bagpipe” (gaita de fole) e quem sabe assim, iniciará a tão sonhada carreira, tornando-se um grande musicista.

Eu, do lado de cá, não vejo a hora de ele chegar e me emprestar seu lindo instrumento. Enquanto não acontece, vou precisar aprender a ler partituras, uma vez que até minha filha já sabe fazer isso. E pra dizer que filho de peixe, peixinho é, tenho dois peixinhos em casa que adoram instrumentos musicais. Faremos uma banda em família.

O dia em que quase acreditei em Santos


Cresci no seio de uma família católica, criada com os avós maternos cujo avô era praticante fervoroso. Não me lembro de nenhuma imagem de santo, nem na casa dos meus avós e nem na nossa casa. O máximo que me lembro de minha mãe ter em casa era uma minúscula imagem do Buda. Aquele Buda gordo e careca, não o tradicional Buda. O de casa ainda tinha uma moeda colada nele e tinha sempre que estar de costas à porta de entrada de casa. Claro que eu não perdia a oportunidade de virar o Buda e colocá-lo olhando para a porta, só para provar que aquilo não trazia mal algum.

Na igreja católica, nunca aprendi sobre santos. Podem até ter ensinado histórias sobre eles, mas eu, particularmente, não aprendi nenhuma.

Quando tinha vinte anos, fiquei desempregada. Distribui meu currículo para várias agências de emprego. Um dia, me mandaram fazer entrevista em uma indústria farmacêutica, na Avenida dos Bandeirantes. Tinha que descer na estação São Judas do Metrô e andar “um pouquinho”. Depois de andar por vários quarteirões, desisti. Claro que um dia fazer aquilo, tudo bem, mas todos os dias, ida e volta depois de trabalhar o dia todo, nem pensar. Liguei para a agência de emprego ainda na rua, dizendo que não iria fazer a tal entrevista. Chego em casa e uma segunda agência me envia um telegrama. Entrevista marcada para o dia seguinte, na Avenida dos Bandeirantes. Conferi, eram os mesmos números. Algo me mandava para aquela empresa e achei melhor não desafiar a sorte. Acordei cedo no dia seguinte e, certa de que tinha me perdido no dia anterior, rumei à empresa novamente. Pela segunda vez, não consegui chegar ao lugar. Tinha algo de estranho naquela história. Voltei para casa, liguei para a agência e sinistramente, fui chamada por uma terceira agência de empregos para a mesma vaga, na mesma empresa. Decidi que chegaria, nem que fosse de táxi com os últimos tostões que me restavam. Mas antes, tentaria o Metrô e as solas dos meus sapatos pela última vez.

Desembarquei na estação São Judas e resolvi conhecer a famosa igreja que leva o nome da estação (ou ao contrário). Afinal, todo final do mês de setembro, há um acúmulo de fiéis peregrinando para homenagear o seu santo protetor, o das causas perdidas (ou impossíveis?). Entrei na igreja, ajoelhei-me e pedi ao santo, que se fosse meu destino percorrer a poluída Avenida dos Bandeirantes diariamente, como forma de pagar meus pecados na Terra, que aquele emprego fosse meu, afinal, eu precisava muito dele.

Após andar até cansar, cheguei à empresa. Era uma dinâmica de grupo. Eu e mais todas as moças desempregadas da minha faixa etária. Não me lembro qual era a vaga oferecida, mas me senti lesada em meio a tantas pessoas, sabendo ainda que aquilo já durava três dias. Fiz a dinâmica e aguardei. Quinze anos se passaram desde aquela vez e até hoje não me deram uma resposta, positiva ou negativa. Assim, minha crença em São Judas durou poucas horas.

Há cinco anos, estivemos no santuário de Fátima. Foi emocionante estar naquele lugar e sentir a energia que ele emana. Foi emocionante adentrar na igreja, assistir às missas paralelas dentro daquele enorme lugar, observar o número de fiéis que ali estavam e a fé em cada um deles. Trouxe de Fátima várias imagens da Santa, mas eu mesma não tenho nenhuma.

Nunca visitei a igreja da nossa Padroeira, coisa que ainda quero fazer, por achar bonita demais a fé dos fiéis, as graças alcançadas, e mais ainda, sentir a energia que a união de pessoas é capaz de transmitir.
Semana passada, estive com as crianças em um atacadista, no Pari, para comprar “coisas de crianças”: bolinhos, sucos, biscoitos, achocolatados, enfim, lanchinhos de escola. Sempre vamos neste lugar para tais compras; eu nunca tinha notado que na parte de fora, há uma gruta com quatro imagens: Nossa Senhora de Fátima (padroeira de Portugal, provável terra natal do dono do estabelecimento, pelo nome dele), Nossa Senhora de Aparecida, nossa padroeira e São Cosme e São Damião, protetores das crianças. Levei as crianças para ver as imagens e me senti até um pouco envergonhada por minha filha não conhecer sequer a imagem de Nossa Senhora, vergonha que passou rapidinho, já que ela conhece Maria, mãe de Jesus, sem devoção qualquer a uma imagem. Expliquei a eles quem eram Cosme e Damião e as duas santas, fizemos nossas compras e voltamos para casa.

O dia terminou e fomos dormir. Meu filho, com três anos e sete meses, tosse há exatos quarenta e três meses, ou seja, desde que nasceu. Naquela noite já tínhamos levantado várias vezes para dar água, mel, xarope, rezar, fazer promessa e nada do moleque parar de tossir. Pedi para Santo Antônio, o santo casamenteiro, que meu filho casasse logo, pois não aguentava mais ter minhas noites interrompidas por tosses há tantos meses. Na milésima vez que me deitei, fiz minhas orações novamente, pedindo a Deus que me desse uma resposta do motivo daquela criança tossir tanto, sendo que já fizemos de tudo e procuramos todas as alternativas para que a tosse noturna sumisse. A resposta veio em forma de lembrança de Cosme e Damião.

Quando criança, lembro-me de que minha mãe fazia, anualmente, uns saquinhos com doces para distribuir no dia dos santinhos, mas não sei o que ela havia pedido. Mas já que eles protegem as crianças, fiz ali minha promessa, pedindo para que meu filho não tossisse mais a noite. Ele parou de tossir imediatamente. Virei devota dos santos. Por quarenta e oito horas, pois a tosse voltou e minha crença foi embora. Vou continuar acreditando em Deus e seus desígnios para compreender a tosse do meu filho e as horas acordadas noites e noites até que a famigerada cesse e eu consiga pegar no sono novamente.

Refletindo sobre a Educação


O mundo está completamente voltado à preocupação com uma grande temática: a Educação. Poucos governos, seja na esfera Federal, Estadual ou Municipal, fazem sua parte além da teoria. Educar é perigoso, pois um indivíduo que sabe torna-se uma ameaça em muitos sentidos.

A educação hoje é uma preocupação individual no momento em que cada educador conhece seu papel e sua função. Assim como acredito não haver escolas formadoras de líderes, por acreditar ser a liderança uma característica inata, também acredito não haver nenhuma escola que forme o Educador. Ser professor é ter um dom de entrega e doação.

A figura do professor vai muito além da figura paternalista. É o professor quem vai dizer coisas aos seus alunos que, para eles, tratar-se-á de verdade absoluta. É o professor o indivíduo cobrado quando se mostram pesquisas de baixo rendimento escolar. É culpa do professor que não foi criativo e inovador em suas aulas, causando o desinteresse do educando e, assim, o baixo rendimento e a evasão escolar.

Tem gente que pensa que é professor, muitas vezes por ter um diploma que o “diga” assim. Assim como tem escola que pensa que é escola, só por possuir um registro junto ao Ministério da Educação e Cultura, por cobrar mensalidades exorbitantes e estar entre as melhores, no nosso medíocre país que não consegue tirar a educação do fundo do poço.

Muitos teóricos dedicaram anos de suas vidas ao estudo da educação, como ela se dá, como ela se recebe e quais os melhores caminhos para trilhar as duas vertentes. Quantos não teorizaram a Educação? As teorias são lindas e recebem os mais variados nomes. Não sou ninguém para tirar o valor de Piaget, de Vigotsky, de Paulo Freire, de Dewey, de Emilia Ferreiro, de Freinet, de Anísio Teixeira, de Herbart, e até de Freud, que dentro da sua total loucura, acaba teorizando a culpa nos próprios pais. Acredito que a educação se dá através do meio social, se dá através da construção de etapa por etapa e que os pais, mesmo em sua ignorância científica, buscam o seu melhor para os filhos. Mas acredito ainda no dom.

Discute-se a educação informal e a educação formal. Limitam-se os papéis para as famílias e para as escolas. Só se esquece de pontuar que a escola também informa e a família também forma. Talvez, se esse trocadilho ficasse mais claro para a sociedade, seria possível entender que a educação é uma via de mão dupla, devendo ser cruzada conjuntamente e continuamente entre a família e a escola. Só que é muito mais fácil e cômodo para muitos pais, trabalhar arduamente por várias horas a cada dia, não ter tempo para vida social ou familiar, em prol de propiciar a melhor educação para o filho, achando que essa se fará na escola que lhes fornece um bom status social.

Qual é a melhor educação? Aquela escola de elite, a mais cara, que está constantemente na mídia? Pais cada vez mais param seus carros de luxo, muitas vezes guiados por motoristas, para entregar seus filhos às escolas. É um exercício de entrega mesmo. Do portão para dentro, o trabalho (muito bem pago) é da escola. Sua função é apenas pagar o boleto bancário ao final do mês. Assim, indivíduos são cada vez mais socialmente solitários e fazem dos computadores e videogames suas válvulas de escape sociais. Acumulam gordura no organismo por passarem horas e horas sentados frente dos aparelhos eletrônicos, achando que estão gastando energia, quando estão apenas consumindo.

A formação do indivíduo começa muito cedo. Começa no ventre, com o recebimento daquele pequeno ser, o futuro do amanhã. Façamos de nossas escolas apenas um elemento aliado para formar nossas crianças e deixemos de cobrar delas e de seus professores a total responsabilidade na formação dos nossos filhos. Os pais e a sociedade são muito mais responsáveis do que a escola.

Todos nós somos diferentes


Quem já conheceu duas pessoas iguais, idênticas? Não falo de semelhanças físicas dos gêmeos univitelinos. Falo de caráter, de personalidade, de atitudes, de pensamentos. Acho impossível que a resposta seja positiva.

Cada indivíduo é diferente do outro. E o que é ser diferente? É ter sua própria visão do mundo, agir de maneira peculiar, não imitar ou copiar alguém, pois nada sai igual, nem a receita biológica de dois filhos gerados a partir do mesmo óvulo.

Sempre ensino aos meus filhos que todo mundo é diferente e que temos que respeitar a todas as pessoas, independente do que elas são ou que nos oferecem.

Todos os dias, quando busco as crianças na escola, os dois entram no carro contando-me o que fizeram. Cada dia é dia de um começar a falar primeiro (a regra); mas a irmã todos os dias cede sua vez para o irmão mais novo, só para poder contar o dia dela com tranquilidade, sem a afobação e interrupções do pequeno.

Na semana que passou, fiquei comovida com a história do meu filho. Ao entrar no carro, como acabou de almoçar, ele geralmente começa a contar o que comeu na escola e depois parte para as atividades que mais gosta. Naquele dia, seu roteiro mudou. Ele entrou no carro e me disse com seus erros de uma criança de três anos: “mamãe, sabe o que a minha professora ensinou hoje na escola? Que todo mundo é diferente. Tem amigo que não fala, tem amigo que não escuta, tem amigo que não vê desenho, tem amigo que não sabe pintar, tem amigo que não anda, tem amigo que não consegue brincar igual o outro, mas todo mundo é amigo.”

Meus olhos se encheram de lágrimas, mas continuei firme, dirigindo e ouvindo uma criança daquela idade falando com total desprendimento. Tive vontade de parar o carro, de abraçar meus dois filhos, que são crianças muito diferentes um do outro, mas que tem em comum um coração gigante, sem preconceitos, sem discriminações, sem exclusões.

É importante que os pais façam suas partes, ensinando aos filhos a respeitarem o seu próximo, seja ele o colega da escola, seja o professor, sejam as pessoas que fazem a limpeza da escola, do prédio onde moramos, do shopping em que passeamos. Mas esse trabalho não se faz sozinho: é preciso também que as escolas e que a sociedade mostre às crianças a importância de se respeitar cada pessoa do jeito que ela é. Todos nós temos nossas virtudes e nossas limitações e no final, o que vale é que todo mundo possa ser amigo.

As diferenças existem por questões raciais, sociais, religiosas, biológicas, físicas, estruturais, emocionais e no dia em que cada indivíduo entender que também é diferente, o preconceito cairá por água abaixo.

Utopia ou não, é assim que cada um pode contribuir com a sua parcela para um amanhã melhor.

Cyrela: o sonho que virou pesadelo


Hora de começar a resolver os problemas, a começar pela Cyrela. Há dois anos, eu tive a infeliz idéia de mudar de casa e convenci meu marido a comprarmos um imóvel da construtora Cyrela, ainda na planta. Nunca me esquecerei das palavras do Gerente de Vendas, ao assinarmos a escritura de intenção de compra do imóvel e lavrá-la: “nós vendemos um sonho”. Pena que muitos sonhos se transformam em pesadelo; e com esse não foi diferente.

Adquirimos o imóvel com a tal “varanda gourmet” completa. Após algum tempo, recebemos uma correspondência para fazermos a opção de entrega da unidade com ou sem a instalação de um “kit churrasqueira”, que compreendia a instalação de sistema de exaustão de fumaça, a churrasqueira e a pia. Entramos em contato com a construtora para reiterar que nossa compra já havia sido feita com a instalação e fomos informados de que o fato era inverdade. Corre atrás de documentos para provar a veracidade do fato. Após três incansáveis meses de brigas e desgastes, finalmente conseguimos por escrito da empresa uma NOVA documentação que comprovava nossa aquisição.

Tivemos problemas com o pagamento das duas parcelas intermediárias do imóvel. Foram enviadas em datas erradas e nós tivemos que ir atrás, escanear documento e aguardar para a correção das datas.

Há meses que temos acompanhado os ativos da Cyrela e sabemos que a empresa tem fôlego financeiro para não “quebrar” com a crise. Acompanhamos também a entrega de todos os empreendimentos entregues nos últimos doze meses e não houve nenhum que tivesse atraso. Claro que não seriamos contemplados com a pontualidade na entrega do nosso imóvel. Só que fomos comunicados do atraso, ou adiamento da entrega, em quatro meses, TRINTA DIAS antes da data prevista de entrega. Nessa altura, já tínhamos comprado geladeira, freezer, fogão, máquinas de lavar e todos os armários do imóvel. Por sorte, nosso atual apartamento ainda não havia sido vendido, senão, lá iríamos nós amargar alguns meses morando em um “flat”. Ainda bem que não temos cachorro.

Mais surpresa veio no dia em que recebemos uma alta parcela e ao entrar NOVAMENTE em contato com a construtora, tivemos a informação de que o valor se tratava da parcela das “chaves”. Até leigo sabe que a parcela das “chaves” se paga mediante a entrega das mesmas. Não em se tratando da Cyrela, que mais uma vez, quer tirar vantagem do cliente e principalmente explorar aos trouxas. Lá vamos nós novamente brigar por nossos direitos de não pagar a tal parcela. Fomos informados de que a parcela das "chaves" não significa que as chaves do imóvel serão entregues. Surpresa! Conversamos com inúmeras pessoas e foi a primeira vez que o pagamento e o ato de recebimento foram separados; trata-se de ato indissociável.

Para quem pensa que acabou (e para cliente Cyrela, problemas nunca acabam), recebemos nesta semana mais uma fatura. Como não temos nenhuma parcela em aberto, me surpreendeu o fato de o valor cobrado ser quase que o dobro do valor que pagávamos mensalmente durante a construção (inacabada). Escaneamos o documento para indagar a Cyrela sobre a novidade: o que estavam nos cobrando agora? Fomos informados de que aquela fatura já havia sido expedida há tempos e se tratava da primeira parcela do financiamento do imóvel.

Claro que não temos mais que nos surpreender com o desleixo e descaso da Cyrela, mas ficam nossas questões:
1. Em nenhum momento cogitamos a possibilidade de financiar o imóvel; nossa intenção sempre foi a de quitá-lo assim que o “sonho” se transformar em um bem jurídico constituído legalmente;
2. Se fomos comunicados em final de abril do adiamento da entrega, como uma parcela de financiamento, para pagamento em início de julho, poderia já ter sido emitida, sem sequer consultar o comprador?
3. Os valores são corrigidos mensalmente; a Cyrela já tinha acesso aos índices de correção para final de junho, dois meses antes?

Após nossas inúmeras reclamações e clara insatisfação por ter escolhido a Cyrela como intermediadora do nosso “sonho”, resta deixar registrado de todas as formas para que futuros consumidores não caiam no conto do vigário dessa empresa, tampouco deixem de, assim como nós, documentar cada promessa feita na hora da compra; até com a documentação está sendo difícil argumentar ao nosso favor, dentre os deslizes morais que a empresa vem cometendo, imaginem só os clientes que não fizeram o mesmo.

Fica aqui documentado por nós, meu marido e eu, para que futuros compradores de “sonhos” não se deixem levar pelas propagandas e matérias publicadas nas revistas Veja e Exame sobre esta excelente construtora. Todo cuidado com a Cyrela é pouco e o sonho vira um tremendo pesadelo.

O fim está próximo


Começa o encerramento do semestre, deixando em meu eu uma grande fatia de conhecimentos. Valeu cada esforço, valeu cada momento e, como sempre, valeu todo o sofrimento para que mais uma vez, eu possa construir um aprendizado de vida.

Neste ano, estamos sendo cobaias de uma nova tentativa de avaliações na Universidade. Não existe mais nenhum tipo de prova, trabalho ou seminário durante todo um semestre, nada que valha nota. É uma única prova, um jogo de tudo ou nada. Para não dizer que o sistema é ruim, há uma segunda chance para aqueles alunos que não alcançaram a nota desejável, de fazer gratuitamente uma segunda prova. Vale a nota maior.

Quando começaram as avaliações, estava decidida a refazer todas as provas que não tirasse a nota máxima. Adoro nota dez, é meio que uma obsessão, mas faz parte da minha neurose. O estresse que vivemos nesses dias de provas, o excesso de cobrança e esgotamento físico e mental me fizeram desistir. Decidi me contentar com as notas de oito em diante e cobrar menos de mim, afinal, não sou nenhum gênio.

Agora é contagem regressiva para as tão sonhadas férias, que mesmo com todos os compromissos que tenho, me permitirão ler alguns livros que estão na pilha dos “livros que quero ler por bel prazer” acumulados durante o semestre.

Hora de Arraial


A cidade de São Paulo se transforma em uma grande festa anualmente nos meses de junho. Digo São Paulo por não saber como funciona no resto do nosso Estado e pelo país afora. Aqui na nossa cidade, é possível escolher um tipo de quermesse diferente para cada final de semana do mês.

Durante muitos anos, meus pais moraram na região de Pinheiros e minha recordação de quermesse na infância é da igreja do Calvário, na Avenida Henrique Schaumman. Até hoje é considerada uma das melhores festas da cidade e olha que minha infância já passou faz muito tempo; ainda quero ter tempo para levar meus filhos para conhecer não só aquela quermesse, como também a igreja. Para mim, está entre as três mais bonitas da cidade, juntamente com a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, também em Pinheiros, e a do Largo de Santa Cecília. São as igrejas que não ganharam fama nos casamentos pomposos e que valem a pena ver, seja pela pintura dos afrescos, pela arquitetura ou pelas imagens de santos e de Jesus em seus interiores.

Voltando às quermesses, ontem foi a da escola dos meus filhos. Eles estudam em um tradicional colégio da Zona Norte, que mantém também em Campos de Jordão uma escola para aproximadamente duzentas crianças carentes. Quem me conhece, sabe da minha animosidade zero para festas e o quanto rezo para não ser convidada para uma, mas essa é peculiar, vale tudo pelas criancinhas carentes de Campos, uma vez que a renda da festa é totalmente convertida para eles. Os pais e alunos da Educação Infantil até o Ensino Médio se envolvem totalmente, desde a arrecadação de prendas até os serviços nas barracas no dia da festa. Como tenho filho pequeno ainda, minha contribuição é apenas financeira, por não ter como ajudar na festa; contribuo com prendas e com os gastos no dia da festa.

Ontem, aconteceu a festa deste ano e mais uma vez sai de lá feliz pelo colégio que escolhemos para nossos filhos. A estrutura física que a escola oferece é muito grande e conserva a simplicidade de outrora. A festa não podia ser diferente. Muita comida, as tradicionais quadrilhas e danças típicas e não mais que meia dúzia de barracas de brincadeiras e brinquedos. Passamos seis horas na festa, chegamos em casa quebrados, com as barrigas cheias, sacolas de prendas e os sorrisos estampados nos rostinhos das crianças.

Os pequeninos da Educação Infantil são o show a parte. A turminha do Mini-Maternal entra para dançar e arrasam. Criancinhas que vão de um ano e meio até os três anos incompletos pulando e dançando todos felizes; entra a turma do Maternal (do meu filho caçula) e já muda o perfil: eles têm vergonha e muitos choram para não entrar na quadra e ver aquela platéia toda nas arquibancadas aplaudindo. Meu pequeno sempre dançou nas apresentações da escola, mas ontem viu o seu amigo e fiel escudeiro chorando e abriu o berreiro. Disse que filmaria sua dança e colocaria no Youtube e convenci-o a entrar em campo. Lá se manteve meu lindo menino, firme durante a dança. Quando a música acabou, ele foi para o colo do pai e chorou tudo que segurou durante a apresentação, mas ficou feliz ao ver a filmagem do seu ato corajoso. Cinco horas após sua apresentação, entra em cena a irmã com as amigas pré-adolescentes ao ritmo do frevo, todas dançando de maneira sincronizada e cheias de orgulho por não errar nenhum passo. Como é o último ano dela no Ensino Fundamental 1, é possível que não queira mais dançar no ano que vem; o jeito foi aproveitar e ver que minha menininha está cada vez mais tornando-se uma mulherzinha.


Agora é só curtir as recordações da festa e esperar; ano que vem tem mais!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Vícios



DROGA: Álcool.
USUÁRIO: Alcoólatra.
USO: Liberado para maiores de 18 anos.
VENDA: Lugares apropriados.
CURA PARA O VÍCIO: Abandonar o consumo de álcool.

DROGA: Cigarro.
USURÁRIO: Fumante.
USO: Liberado para quem quiser.
VENDA: Em diversos estabelecimentos, com restrições.
CURA PARA O VÍCIO: Abandonar o uso do tabaco.

DROGA: Jogo.
USURÁRIO: Jogador.
USO: Totalmente controlado.
VENDA: Não se trata de venda, mas a prática é ilegal.
CURA PARA O VÍCIO: Parar de jogar.

DROGA: Maconha, cocaína, crack, êxtase, LSD.
USURÁRIO: Drogado.
USO: Ilícito.
VENDA: Clandestina.
CURA PARA O VÍCIO: Abandonar o uso dos entorpecentes.

DROGA: Consumo.
USURÁRIO: Comprador compulsivo.
USO: Liberado, com restrição ao crédito.
VENDA: Não se trata de venda; pode-se comprar a vontade enquanto os pagamentos estiverem em dia.
CURA PARA O VÍCIO: Fim do crédito.

DROGA: Comida.
USURÁRIO: Gordo.
USO: Liberado em qualquer local, em qualquer hora, em qualquer tempo, em qualquer quantidade.
VENDA: Qualquer lugar; teatros, cinemas, escolas, parques, supermercados, padarias, bares, camelôs, etc.
CURA PARA O VÍCIO: Morrer OU abandonar o uso de chocolates, queijos, pizzas, refrigerantes, pães, massas, doces em geral, bolos, biscoitos, gorduras, sorvetes, frituras, etc.

domingo, 14 de junho de 2009

Com que roupa que eu vou?

Outro dia li uma dica fantástica em um blog, a respeito do que vestir. Para quem não gosta de repetir roupas, basta fazer aquele “auto-retrato-adolescente-em-frente-ao-espelho”, com o próprio celular, e armazenar as fotos. Meu Deus, claro que ninguém gosta de sair com a mesma roupa em dias seguidos, ainda mais quem trabalha fora, se preocupa bastante com o fato de repetir roupa. Mas daí a ficar fotografando roupas e depois consultar no arquivo “roupas que eu já usei” para não repetir é demais. “Sorry”! Trabalhei fora por catorze anos seguidos, saia de casa sempre antes das seis da manhã e como sempre estudei a noite, raramente voltava para casa antes das onze da noite. Acordava sempre no dia seguinte cheia de energia, ia para a academia, malhava e tinha o maior pique. Jamais para me fotografar para não repetir roupa. Achei coisa de gente desocupada. Novamente, “sorry” pelo julgamento, só estou expressando minha opinião.

Críticas aos mortais a parte, o que me levou a “protestar” foi uma matéria curtinha que saiu na revista Veja ontem, sobre a rainha Rania da Jordânia, que repetiu uma roupa dez anos após sua posse. Tantas desgraças mundo afora, uma pandemia matando gente por toda parte (e segundo especialistas, pode transformar-se em algo pior) e os jornalistas se preocupando com a rainha Rania?

Acompanho a história da Jordânia por mero acaso. Sou aficionada por biografias e alguns anos atrás, meu marido me presenteou com a biografia da rainha Noor. Não vou resenhar a obra aqui, mas fica a recomendação para quem gosta desse gênero: é a melhor biografia que já li. O trabalho feito pela rainha Noor e seu falecido marido naquele país foi realmente um trabalho muito bonito e a atual rainha não apenas continuou o trabalho social feito pela sua antecessora, como também melhorou e muito, uma vez que o mundo avança e novos recursos nos são oferecidos.

O protesto fica aqui: por que a revista não fala um pouco sobre o belo trabalho da rainha Rania, para ver se seus exemplos são seguidos, ao invés preocupar-se com as roupas que ela usa?

sábado, 13 de junho de 2009

A melhor herança


Ensinar meus filhos a ler é o maior legado que posso deixar a eles e quando falo em ler, não estou falando em decodificar um sistema lingüístico. Estou falando de acesso.
Ler é muito mais que juntar palavras. Saber ler e interpretar aquilo que se lê é a grande chance do indivíduo de se tornar diferente em meio a tantos outros da sua espécie. A história da humanidade fica escrita, e para conhecermos nossas origens e nossas raízes, precisamos saber ler.
Meus pais sempre gostaram de ler. Meu pai morreu com um livro na cabeceira da cama: a biografia do Mao Tsé Tung que eu mesma havia mandado para ele, um mês antes do seu óbito, juntamente com outros oito livros que ele já havia lido e passado adiante. Minha mãe foi assinante do extinto (?) Círculo do Livro por anos e anos. Minha sogra lê quantos livros tiver ao seu alcance, não importa o assunto. Ela primeiro lê para depois opinar, positiva ou negativamente. A exceção é meu sogro que, definitivamente, não gosta de ler.
Meus filhos adoram livros. É adoração mesmo, idolatria. O shopping mais perto de casa, o Santana Parque Shopping, tem uma mega unidade do Magic Games ao lado de uma pequena Saraiva. Quando entramos no shopping, para onde é que eles pedem para ir? Acertou quem respondeu “para a livraria”.
Em casa há muitos livros e sempre agradeço a oportunidade de fazer meu tesouro crescer semanalmente e enriquecer o intelecto dos meus filhos. Afinal, o saber não ocupa espaço.

Profissão: Professor


Quem não sonhou em ser artista quando crescesse? Eu fui uma delas. Conforme fui crescendo, fui descobrindo o mundo e o artista que existe em cada profissional, no exercício do seu ofício. Em toda profissão há a sua arte e isso torna seus profissionais verdadeiros artistas.

Toda profissão é de suma importância. Tem gente que menospreza ou desvaloriza algumas profissões, mas se esquece que o mundo é uma grande cadeia e precisamos de cada coisa que a vida nos oferece, de modo que não há profissão mais importante que a outra. Ou há? Para mim, a profissão mais nobre que existe é a de professor, a profissão que ensina as novas profissões, que forma o indivíduo.

Já tive todo tipo de professor: novo, velho, idoso, jovem demais, alegre, triste, depressivo, palhaço, ator, doutor do saber e do conhecimento, humilde, pobre, rico, legal, chato, inesquecível por suas qualidades, inesquecível por seus defeitos. Mas todos eles, professores.

Há três anos, iniciei uma Licenciatura, sem jamais ter a intenção ou a pretensão de ser professora. Na infância, costumava brincar de escolinha com meus irmãos e primos e eu era sempre a professora, por ser a mais velha, mas tudo não passava de uma brincadeira.

Desde aqueles tempos, tenho a visão do professor como um líder, aquele que manda e que comanda. Ao longo do curso da vida, percebi que realmente os professores eram os indivíduos que tinham o poder, mas poucas vezes tinham o saber.

Foi preciso passar dez anos dentro de salas de aula universitárias para entender o que significa aquela figura a nossa frente, o profissional que se dedica com paixão ao seu ofício, que compartilha seu saber com seus alunos e deles absorve tudo que pode, construindo sempre um novo saber. É esse o professor que tiro meu chapéu e parabenizo hoje, dia do Professor, pois para mim, dia do Professor é todo dia.

O bom professor é o verdadeiro Doutor e agradeço de coração por todos os bons professores que passaram pelo meu caminho acadêmico, fazendo das suas aulas verdadeiras e inesquecíveis músicas para meus ouvidos. Obrigada por compartilharem seu saber comigo e por tornarem a mim, alguém melhor, alguém hoje preparada para ajudar um pouco mais àqueles que precisarem comigo aprender e para mim, ensinar.

Estudar sem cessar


Odeio fazer prova. Acho que prova é o meio mais burro e arcaico que existe para avaliar o conhecimento de um aluno. Conhecimento não se adquire através do nervoso e da tensão gerados pela proximidade de uma prova. Conhecimento se constrói ao longo do tempo. Assim que eu faço, estudo diariamente para que meu conhecimento seja construído, para que eu tenha tempo para levantar minhas dúvidas e saná-las. E depois de tanto trabalho, tanto esforço, ser testada de maneira medíocre. Já que é para ter provas, que sejam inteligentes, exijam raciocínio e cobrem o pensar do aluno. Mas nem tudo é como gostaríamos. Apesar de me sentir preparada, dia de prova, ou melhor, em dias de provas, sinto-me tensa, com dores de cabeça, de barriga, fico ansiosa, nervosa. Por quê? O Pedrão, professor de psicologia, disse-me que sou ansiosa demais e vivo o amanhã. Acho que o Pedrão está errado. Na verdade, adoro tirar dez, gosto de ver minha nota expressa em letras, não em números. Daí o nervoso que essa auto-cobrança me gera. As provas só começaram e já saiu minha primeira nota, em Literatura Inglesa. A nota? DEZ. Pelo menos é o sinal de que meus esforços valem a pena para atingir aos meus objetivos.

Os furos do feriado


Não sei se raio cai duas vezes no mesmo lugar, mas é possível comprar copo furado no Bobs duas vezes, no mesmo dia, na mesma lanchonete. Estávamos hoje no shopping pensando onde almoçar. Nem precisa perguntar, as crianças querem sempre comer no Mac Donalds, mas geralmente, o lanche fica e a fome também; só querem mesmo saber dos brinquedos. Há cerca de um mês, apresentei-lhes ao Bobs e os dois adoraram, trocando rapidamente o velho Mac Donalds. Como estávamos em um shopping que tinha Bobs, a família toda optou por comer lanche, pela terceira vez no feriado prolongado. O “brinde” que acompanhava o lanches kids era uma garrafinha squize, bem interessante: a garrafa é feita de duas metades, sendo que em cada uma delas, é possível colocar um líquido diferente. Meu filho pediu para colocar a Coca-Cola dele. Cada vez que ele levava a garrafa à boca, caia Coca em sua roupa. Eu limpava a garrafa, abria e fechava a famigerada e ao levá-la à boca, cai tudo de novo. Resolvi abrir a tampa de baixo. A garrafa estava furada. Sai pelo shopping com refrigerante pingando por tudo quanto é lado e troquei a garrafa. Aproveitei para comprar o milk shake de Ovomaltine. Saímos pelos corredores tomando o líquido. Limpei o copo umas dez vezes, sem exagero. Chegou uma hora que entrei no banheiro. Não era possível um negócio vazar tanto, eu nem estava fazendo borbulhas com o canudo, não tinha explicação. Mas tinha sim. O copo estava rachado no meio. Eis o motivo do meu delicioso milk shake ter ficado pelo shopping, pela minha roupa, bolsa, relógio, enfim, por ter me sujado inteira. Que fique a lição, nunca desafie a probabilidade e nem a ciência, pois o Bobs explica tudo.

Quem não te conhece, que te compre!



Minhas amigas acham que meu marido é o cara mais sério, mais centrado e mais ponderado que existe. Por mais que eu tente desfazer a imagem que elas construíram dele, sinto que é tarefa impossível e tudo que eu digo é em vão. Meu marido é um cara muito engraçado, damos tantas risadas em casa que tem vezes que até passo mal. Hoje, estávamos na cozinha preparando espigas de milho para as crianças. Como foi minha primeira vez no preparo deste prato complicadíssimo e super requintado, pedi sua ajuda. Enquanto estávamos limpando as espigas, mostrei para ele que o tapetinho da cozinha está feio, que já tentei recuperar o viço do tecido e não consegui. Ele me perguntou quantos anos tinha o tapetinho. Respondi: “cinco”. Ele riu, disse que realmente não tinha mais jeito, mesmo com todo o meu xodó pelo tal tapetinho, ele já era muito velho e foi comprado na época das grandes aquisições da família, tudo que víamos, comprávamos. Mentira dele. Sabe um cara que se faz de controlado, principalmente em relação ao consumo? É ele. Só que é o cara mais consumista que pode existir.
Estou aqui tentando me lembrar do que já comprei, além das minhas bicicletas ergométricas e da esteira elétrica semi-profissional, que não tenha usado. Mas quando fiz a compra, tinha um propósito com elas. Ele não, compra simplesmente por estar barato. Promoção é com ele mesmo, não pode ver uma que corre. Em nossas andanças pelo mundo, compramos uma barraca de camping, mas a última coisa que me vejo fazendo na vida é acampar; definitivamente, gosto do conforto de um hotel, e se for com várias estrelas, melhor ainda. Depois de alguns anos, vendi a barraca, os colchonetes e os acessórios. Temos um colchão de casal inflável que tem a mesma idade do meu tapetinho. Ele nunca foi usado e ocupa uma parte dos armários que me faz MUITA falta. Ele não deixa com que eu me desfaça do colchão, afinal, um dia poderemos precisar dele. Playstation 2 foi uma das piores aquisições. Compramos na Europa e o videogame não funciona no Brasil, salvo se destravar, o que nunca foi feito. Além do console, temos jogos e mais jogos, todos originais, comprados também em uma mega promoção: trinta euros cada game. Claro que não para por aí. Há dois pares de microfones, coisa que nem chegou a vir para o mercado nacional, uma vez que a nova versão de videogame da Sony chegou antes em terras canarinhas. Dentro de um baú, temos também volante, pedais, aceleradores. Sem contar no volante para PC, que é um verdadeiro estorvo. Ele também já comprou um ralador de queijos. Uma mega promoção, queima de preços, ralador importado, negócio da China. Depois de alguns anos com o troço na gaveta, fazendo com que ela emperrasse cada vez que eu a abria, joguei o ralador no saco de doações. Quando ele ler esta mensagem, descobrirá onde foi parar o ralador. Temos também uma coqueteleira. Ele é louco por coisas de cozinha e a coqueteleira foi um sonho de consumo realizado, já que ele faria muitos coquetéis. Um dia, hei de ver a infeliz usada.
Tudo isso e muito mais foi comprado na época de grande prosperidade dos Hummel, época em que comprávamos de tudo. Como se o consumo por aqui cessasse. Nem a falta de dinheiro acaba com o consumo. E a luta por um mundo sustentável continua.

Do tempo da vovozinha



Quem não tem história engraçada de infância pra contar? Eu tenho um monte e morro de rir sozinha quando começo a relembrar algumas delas. Meu irmão, apesar de sete anos mais novo que eu, viveu muitos desses momentos comigo e tem vezes em que rimos só de olhar um para o outro. Com ele tão distante, nos resta rir por telefone, principalmente quando ele está dentro do ônibus e não tem como usar o Skype.

Fui criada com minha avó materna até os quase sete anos de idade. Minha mãe me buscava na sexta-feira a noite ou no sábado pela manhã e me devolvia domingo à noite. Como os primos e irmãos demoraram um pouco mais para nascer, tive o privilégio de desfrutar do colo da vovó mais que qualquer um neto. Sei que hoje sou a mais relapsa das netas e tinha que participar da vida da minha avó, mas a desculpa é a mesma para todo mundo: falta de tempo.

Minha avó tem um grave problema de saúde há quarenta e cinco anos. Houve momentos em que ela passou vários meses internada, outros em casa semi-inconsciente. Mas por muitos outros, levou uma vida normal, tanto que só soube do seu problema de saúde quando já era adolescente.
Independente do problema de saúde, minha vovozinha tem um tique: ela balança as pernas sem parar. Descobrimos que o caso pode ser hereditário, pois minha mãe também já balança as pernas, igualzinho a minha avó. Mas o pior foi minha cunhadinha: ela tem tanta ânsia de fazer parte da família, que lá de Dublin, começa a dar sinais da hereditariedade sem ter nenhum pouquinho do sangue dos Almeida; minha cunhadinha também balança as pernas. Meu irmão precisa tomar muito cuidado com os filhos que virão pela frente. Os dele têm muito mais chance de balançar as pernas que os meus. E o caso parece ser feminino, já que até o momento não há registro de nenhum homem na família que balance as pernas. É esperar para ver como sairão meus sobrinhos.
p.s.: em tempo, lembrei de contar em público que quando era criança, minha avó costumava colocar sua dentadura para "dormir" no copo de água. Sempre que acordava antes dela, corria na cozinha e pegava comida para a pobre dentadura, antes da minha avó levantar. Mas ela nunca brigou comigo, porque vó, é vó!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Em tempo de fusões e aquisições


Fiat compra Chrysler
Grupo Pão de Açúcar compra Ponto Frio
Perdigão incorpora Sadia

E que os empregos sejam garantidos!

Cultura, sempre cultura


Há três coisas na vida as quais julgo de suma importância e que posso oferecer aos meus filhos: educação, cultura e amor. Se eu tivesse que enumerá-las, não saberia fazê-lo. Considero-as em mesmo nível de importância. É o amor que lhes oferecerei, que lhes dará segurança para a vida adulta. É a cultura que lhes proporcionarei, que lhes dará elementos para construir a vida adulta. É a educação que lhes imporei, que transformá-los-á em seres com princípios éticos e morais.

Minha filha me deu um abraço enorme, disse-me que eu era a melhor mãe do mundo, só porque havia lhe oferecido de presente algo que ela gosta muito: livros. Depois de ter apalpado todos os fascículos, tomei-os de suas mãos e disse que todos e mais alguns outros seriam seus nas férias, após os estudos do final do bimestre. No mesmo instante ela virou, olhou-me furiosa e disse-me que eu era má. Em qual dos dois diálogos senti minha missão cumprida? Claro que foi quando ela disse que eu era má. A negação causou um efeito em sua pessoa, despertando-lhe o sentimento de impotência, mas ao mesmo tempo, criando dentro dela (assim eu espero) o desejo de batalhar por aquilo que ela deseja.

Semana passada, levei as crianças ao teatro. Fomos assistir uma montagem de um clássico infantil. Eles amaram. Durante a semana, achei conveniente comprar-lhes o filme da mesma obra. Eles ficaram extasiados. Acho lindo quando vejo meu filho de apenas três anos conseguir assistir a um filme por quase duas horas, prestando atenção em cada um dos detalhes e prolongando aquela alegria por dias e dias, sem deixar que aquela gostosa lembrança caísse no ostracismo.

Lembro-me da primeira vez que fui ao teatro. Eu era realmente muito pequena, mas não sei precisar a idade. Fui assistir “Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta”.

Nunca mais ouvi falar de outra montagem dessa adaptação de Maurício de Souza para um grande clássico Shakesperiano. Se soubesse, com certeza, estaria na porta com meus filhos. Na saída, meus pais me compraram o LP com a trilha sonora da peça. Infelizmente, esqueci meu disco dentro de um táxi dias depois. O objeto material se foi. A lembrança ficou guardada, pois cultura é um tesouro que não se perde, não se rouba, apenas se acumula para a construção cada vez maior de um castelo de conhecimento.

Em tempo, o clássico que meus filhos estão conhecendo no momento é “O Mágico de Oz”.

O dia em que descobri que Monalisa não tinha dente


Não sou o maior exemplo de coragem na vida, mas também não me considero uma pessoa medrosa, desde que não haja nenhum dentista por perto, pois nessa hora, terei é um verdadeiro pânico.

Como Freud explica tudo, também deve explicar o meu medo por dentistas. Meu marido achava que era um medinho normal, destes que toda mulher tem de barata. Até o dia em que me viu na cadeira do dentista: só de ver a cadeira, já começo a chorar ao pensar que terei de sentar-me nela. O coração pulsa forte, vejo uma enorme taquicardia tomar conta de mim, as mãos suam, os pés suam, a cabeça sua, o corpo sua e até os olhos suam, mas esses suam lágrimas.

Há cinco anos, tive que fazer uma cirurgia bucal para a extração de um dente pré-molar. A cirurgia foi rápida, levou três dias, consumiu todo o estoque de anestesia que tinha na clínica e contou com a ajuda de duas profissionais; o dente simplesmente não saia. Dente extraído, agora faria uma prótese para colocar no lugar, mas algo menor que o grande mordedor anterior; agora os dentes do fundo se aconchegariam melhor, sem ter que ficar espremidos um sobre o outro. Como viajaria e só voltaria ao Brasil após cinco meses, tivemos que colocar uma prótese provisória. Segundo nossas dentistas, o tempo máximo de vida daquela peça era de cinco anos, tendo que a mesma ser substituída por um modelo com pino (desses que requerem mais uma vez anestesiar, rasgar a gengiva e sofrer muito). Eis que os cinco anos acabaram e minha prótese quebrou. Comendo coxinha. Daquelas pequenas. E quentinha.

Minha filha não gosta de escovar os dentes, ao contrário do irmão que se deixarmos, passa o dia no banheiro. Quando quebrou minha prótese, mostrei para ele que “quebrou o dentinho da mamãe”. Ele é todo sentimental e chora por qualquer motivo. Crente que veria aquela carinha solidária dele e o esperado não aconteceu; deparei-me com um enorme sorriso em seu rosto: “mamãe, vamos colocar seu dente embaixo do travesseiro, assim a fada dos dentes deixa uma moedinha e você me dá”.

Há um desenho no Discovery Kids chamado “Pink Dink Doo” e um episódio conta a história da fada dos dentes. Desde que viu pela primeira vez, meu filho aguarda ansioso pelo dia da queda do seu dente. Eis o motivo da sua felicidade.

Uma semana se passou. Aqui em casa, toda moeda de cinco centavos que aparece, damos para ele brincar. E a irmã vai lá e pega todas as moedinhas, juntando para comprar balas na cantina da escola. Naquela noite, ele remexeu suas coisas em busca de uma moeda, já que, segundo suas próprias palavras, “elas sempre somem”. Escovou seus dentinhos, pegou a fralda para que eu colocasse nele, deu boa noite e nem pediu para que eu o levasse para a cama. Deitou sozinho e dali a pouco me chamou. Fui até o seu quarto e ele me disse: “mamãe, vou colocar a minha moeda embaixo do meu travesseiro, assim a fada dos dentes vem aqui, pega a moeda e te deixa um dente novo, sem você ter que ir ao dentista”. A lógica de uma criança de três anos é de impressionar.

Claro que a falta de um dente é totalmente incômoda. E não só esteticamente falando. Mas posto meu medo, pavor, terror e sei mais lá o que de dentista, resolvi que não vou mexer nisso agora, até porque minha agenda está um pouco lotada (santa desculpa!). Com a falta de um pré-molar do lado superior esquerdo da boca, fica difícil dar aquele largo sorriso. O ocorrido tem só quinze dias, mas fui tirar fotos e apenas estiquei os lábios, sem mostrar quaisquer dentes. Meu irmão achou a foto muito engraçada e ao questionar o porquê, obtive como resposta: “você está enigmática, parece a Monalisa”. Ao menos na época dela, ainda não existiam os dentistas!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Balisa ou Baliza?


Duvido outro fazer igual! Foto publicada no Estadão online hoje. O "estacionamento" é o prédio do Citibank, na Avenida Paulista. Parabéns ao artista!

Aos Mestres, com carinho



Sempre gostei de professores, desde o jardim da infância até o momento que me encontro agora, escrevendo este texto. Quando estou em meio aos professores, sinto-me privilegiada por desfrutar da sabedoria que eles têm. Tenho lá minhas sabedorias, mas professor sempre sabe mais, às vezes em outros campos da vida, mas sabe mais. O dia-a-dia dentro de uma escola costuma ser: um professor e muitos alunos. Tive o privilégio de ser uma única aluna para todos os professores. Fui para a faculdade hoje com a intenção de ficar por lá no máximo por uma horinha. Amanhã começam nossas provas e como me preparei ao longo do semestre, deixei o estresse de lado e dei vazão à tranquilidade. Dei uma baita sorte, pois ninguém foi para o campus. Não que é sorte estar sem meus queridos amigos. A sorte foi poder ter todos os professores só para mim. Ontem, sai com minha professora Paula, que eu amo de paixão. Depois do nosso passeio de menina, fomos buscar as crianças na escola e fazer um lanche. Como falo muito dela, as crianças já estavam familiarizadas com a tia “Paulette”. Hoje tive a felicidade de encontrar a “doidivanas” no campus, coisa que nunca acontece às terças. Passei horas com minha professora Neide, outro grande amor da minha vida. Tive o prazer e a honra de desfrutar da companhia da minha ex-professora e ainda (e para sempre) muito querida Pequena Cris. E para fechar com chave de ouro, ganhei uma terapia/aula/lição-de-vida/tudo com o professor Pedrão, que não é meu professor, mas é uma pessoa que venho conhecendo nos últimos tempos e amando. Também, ele é amigo de todas as minhas professoras queridas, não poderia deixar de ser um queridão também. Sai de lá atrasada para buscar as crianças e em pleno final de semestre, sai cheia de lição de casa para fazer. Algumas coisas acontecem em nossas vidas para que possamos ficar MUITO felizes e o dia de hoje foi um diferencial na minha vida. Foi muito gratificante ter a companhia de pessoas que me fazem tão bem por uma manhã tão extensa. Mestres, obrigada por tudo, ontem, hoje e sempre!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Férias, pra que te quero?


Quero que as férias cheguem. Estou em contagem regressiva para sua chegada. Programei-me para dormir até mais tarde todos os dias. E ao acordar, quero tomar café da manhã, coisa que não faço diariamente. Sentar a mesa, mastigar devagar e saborear os alimentos. Ter tempo para poder pensar no que comer e levar à boca algo que seja saudável e nutritivo, nada daquele pão de queijo da lanchonete da faculdade, ou do croissant gorduroso da hora do intervalo. Não vejo a hora.

Quero que as férias cheguem. Meu marido entrará em férias no trabalho e combinamos de fazer vários passeios culturais com as crianças, que não tivemos tempo ao longo do semestre. Visitaremos a exposição do MASP, da Pinacoteca, vamos ao Museu da Língua Portuguesa e ao da Independência. Comeremos sanduíche de mortadela no Mercadão e aproveito para visitar minha amiga Fernanda por lá. Levaremos as crianças para andar de trem, pois há muito eles pedem esse passeio. As crianças também têm em mente todos os filmes que estrearão em junho/julho e que veremos juntos. Iremos até Campos de Jordão, nem que seja por um final de semana, só para sentir o frio serrano cortar nossos ossos. Não vemos a hora.

Quero que as férias cheguem. Minha casa está uma bagunça e colocarei tudo em ordem. Arrumarei os armários, encaixotarei algumas coisas para a mudança, procurarei documentos que estão perdidos, organizarei meu material, meus livros e os brinquedos das crianças, farei uma limpeza em coisas que não se usam há mais de um ano para doar aos necessitados. Não vemos a hora.

Quero que as férias cheguem. Finalmente, poderei ajudar a minha amiga Jaquerida. Vamos arrumar o quarto da noiva, vou ajudá-la a arquivar seus documentos, a organizar várias coisas. Darei a ela algumas aulas de Psicologia, ensinarei a gravar áudio-livros no MP3, farei resenhas de alguns livros para que ela se interesse pela leitura. Não vemos a hora.

Quero que as férias cheguem. Vou poder encontrar minhas primas Cris e Valéria, uma que mora em Osasco e a outra em Santo André, mas que ao longo do semestre não tenho tempo de ver. Também quero visitar minha avó que mora ao lado de casa e não vejo tem mais de um ano. Prometi que irei visitar minha tia Marlene, pois estou devendo a visita há muito tempo. Tenho que passar um dia inteiro com a minha madrinha, para colocarmos uma parte dos nossos assuntos em dia. Também combinei com minha tia Cristina um encontro, pois não nos vemos desde o ano passado e estamos com saudades. Não vejo a hora.

Quero que as férias cheguem. Vou aproveitar para ler dois livros da Marian Keyes que estou ávida por conhecer. Também preciso ler os seis números de “Querido Diário Otário”, que minha filha adorou, mas só conheço a resenha. Preciso conhecer a obra para poder participar mais a fundo das conversas com ela. Separei vários livros de histórias que quero ler com as crianças. Como cada um é de uma faixa etária, faremos leituras separadas. Farei também a leitura de uma meia dúzia de obras que não consegui ler durante o semestre, mas que eram obrigatórias para complementar meu conhecimento daquilo que nos foi passado. Não vejo a hora.

Quero que as férias cheguem. No dia-a-dia, não tenho tempo para quase nada. Ainda fiquei mais ainda sem tempo depois que minha filha se acidentou. Só de fisioterapia diária, foram dois meses. É filho que fica doente, é marido que viaja, que trabalha muito. Vou aproveitar. Visitarei minha amiga Alda, pois não conheço ainda seu neto Gugu, que nasceu no final do ano. Encontrarei com minha amiga Chris Ave Maria, que não vejo há anos e não consegui encontrá-la nas duas últimas férias. Quero encontrar a Cris Alencar também, até tentamos durante o semestre, mas eu só dou furo. Vou encontrar com a Lú, afinal, mal nos falamos na festa de 15 anos da filha dela. Tenho um encontro com a Dani, e prometemos ficar uma semana juntas, para dar conta de colocarmos todos os nossos assuntos em dia. Nas férias, vou encontrar minha amiga Érika, temos nos desencontrado muito. Não vejo a hora.

Quero que as férias cheguem. Fui empurrando várias pendências burocráticas durante o semestre. Tinha que fazer vistoria no carro do meu marido para licenciá-lo, mas não deu. Estamos sem o documento e precisamos regularizar a situação. Tenho que levar para o advogado a documentação de compra do nosso apartamento, pois vamos processar a construtora, devido aos problemas que nos causaram nos últimos tempos. Precisaremos ir atrás de um carro que já vendemos há mais de um ano; chegou uma multa na casa do comprador, uma multa federal, de 2005. Só que compramos o carro em 2007, ou seja, vai dar um pouco de trabalho para resolver, mas vamos lá, é para isso que servem as férias. Não vejo a hora.

Quero que as férias cheguem. Neste semestre, não tive tempo de ir ao ginecologista e meu papanicolau venceu em abril. Aproveitarei para passar em um clínico geral e resolver alguns probleminhas que ando tendo, mas estou sem tempo para resolver. Minha pressão gira em torno de 11x15 e ainda tenho 35 anos, preciso me cuidar. Minha filha quebrou o dente no acidente e não tivemos tempo de tratá-lo. Vou fazê-lo nas férias e aproveitarei para colocar aparelho nos dentes dela novamente; não adiantava tê-lo feito antes, pois não conseguiria fazer a manutenção. Meu filho caiu na escola. Aos três aninhos, o dentinho de leite da frente ficou escuro. Levei ao dentista nas férias de janeiro, agora preciso acompanhar para ver se não está fazendo necrose. Tenho todos os dentes da boca para tratar, meu marido precisa de uma pequena cirurgia bucal, faremos tudo nas férias. Meu marido também precisa extrair um pequeno tumor que cresce constantemente em sua cabeça; trata-se de um abscesso gorduroso, nada complicado, mas que precisa ser feito. Temos que aproveitar para fazer a vasectomia dele, antes que o prazo de cinco anos do meu DIU termine. Como é bom ter férias. Não vejo a hora.

Quero que as férias cheguem. Não vejo a hora. Afinal, férias são exatamente para fazer nada ou fazer tudo que não conseguimos fazer fora delas. Ah, não vejo a hora.