segunda-feira, 20 de abril de 2009

Susan Boyle

De um vilarejo escocês, para um enorme palco no centro britânico, a soprano Susan Boyle foi ovacionada não apenas por aqueles que presenciavam as eliminatórias da terceira edição da versão inglesa do programa, mas por toda e qualquer pessoa que teve o privilégio de assistir a apresentação.
Fui uma das afortunadas por vê-la em alguns programas por aqui, em terras canarinhas. A humilde Susan, no auge dos seus 47 anos de vida, cantou de maneira despretensiosa; o que chamou mais ainda a atenção de todos foram as nuances do seu belíssimo tom de voz.
Que fique a lição que o vídeo passa, nunca é tarde para sonhar um sonho, mesmo que ele pareça impossível.
O vídeo de Susan encontra-se no Youtube, no link abaixo:

INFORMATIVO: Dia do Índio


Todos os meses de abril, no dia 19, o Brasil comemora o dia do índio.

Mas quem é exatamente o índio?
Os índios são, acima de qualquer outra coisa que se diga ou se ensine, os donos do Brasil.

Todas as escolas brasileiras, sejam elas públicas ou privadas, fazem questão de ensinar aos nossos alunos, uma figura caricata, de rosto pintado, arco e flecha em mãos, cocar na cabeça, algumas penas envolvendo os quadris, mulheres com bustos de fora. A figura do índio é passada para as crianças da mesma maneira que se ensinam tradições circenses e a figura do palhaço.

Na vida real, tudo é muito diferente. Os índios eram os habitantes do nosso país, quando os europeus chegaram e tomaram suas terras, mataram suas tradições, dizimaram seus povos e os transformaram apenas em personagens folclóricos.

Vale a pena aproveitar o que as escolas estão ensinando e mostrar para aqueles seres que são o futuro do nosso país, de onde vieram e, principalmente, mostrar-lhes que a grande maioria de nós, brasileiros, temos com certeza um pouco de sangue indígena nas veias.

Fica a dica para navegar com as crianças no site do museu do índio, em minha opinião, o mais completo sobre o assunto: http://www.museudoindio.org.br/

domingo, 19 de abril de 2009

O que você quis dizer com isto?



Ontem a noite, comecei a preparar um post sobre interpretação de texto. Eis uma coisa chata, dúbia e paradoxal, pois é muito legal interpretar um texto. Sacou? Deixa-me explicar:

Depois de alguns anos de estudo linguístico, aprendemos a enxergar as coisas de uma maneira que nunca é a real, uma visão nunca é igual a outra e aquilo que o autor escreveu nunca é aquilo que está escrito. É a tal interpretação, é quando os professores viram para os pobres alunos, muitas vezes ainda lá no Ensino Fundamental e perguntam: “o que o autor quis dizer com isto?”

Caramba, posto que a vida não é uma eterna metáfora, essa pergunta deveria ser terminantemente proibida, salvo quando o texto viesse acompanhado do e-mail ou do blog do escritor, para que a pergunta fosse feita diretamente ao próprio. Caso contrário, como podemos dizer o que o autor quis dizer com aquilo que escreveu? Definitivamente, impossível. É a tal liberdade de interpretação.

Hoje, enxergando as coisas com a visão muito mais crítica do que a que sempre tive (e já achava o estopim da criticidade), percebo que no fundo, todo texto é uma crítica social. Basta olhar bem, buscar aquela lupa que existe dentro de nós e procurar bem procuradinho nas entrelinhas para encontraro que estou dizendo. Até em crônicas, cujas críticas são explícitas e escancaradas, existe ainda algo mais implícito do que aquilo que realmente está sendo dito.

Falando em crônicas, sábado é sempre um dia feliz. O porteiro avisa que a revista Veja chegou e está na portaria. Minha filha corre para buscá-la e eu abro a última página da Veja São Paulo para ler a crônica, ou do Walcyr Carrasco ou do Ivan Ângelo. Amo de paixão. Sinto como se os dois fossem meus melhores amigos de infância e escrevessem exatamente sobre coisas que conversamos; é como se fosse uma homenagem a nossa amizade, escrevem para me deixar feliz. Mesmo que nem sequer nos conheçamos, eles atingem seus objetivos implícitos e me deixam feliz.

Mas quando retomei o texto de ontem, sobre interpretações, foi exatamente pelo fato de, na minha leitura matinal de blogs, ter encontrado um dilema no blog do meu irmão. Quem se sentir curioso e quiser saber qual é, basta ajudá-lo a solucionar um grande problema que o assola; o texto se chama “Domingo”. E bom domingo à todos. (http://madrugaemclaro.blogspot.com/)


sexta-feira, 17 de abril de 2009

www.naoquerofazernadaporalgunsdias.com.br

http://www.naoquerofazernadaporalgunsdias.com.br/

Quem não gosta de feriado, que atire a primeira pedra. Os motivos que levam as pessoas a gostar tanto de dias seguidos sem compromisso sério são diversos: uns gostam de viajar, outros ficam felizes por não trabalhar, muitas crianças comemoram por não ter que ir a escola e os preguiçosos como eu, ficam felizes por não ter que levantar da cama tão cedo.

Não tenho o menor problema em acordar cedo. Durante anos e anos, mantive uma rotina quase que insana. Acordava por volta de cinco e meia da manhã, colocava um moletom, camiseta, tênis, pegava o cabide com a minha roupinha social, mala esportiva com toalhas, secador de cabelos, maquiagem, shampoos, cremes, sabonete, pente, escova, e claro, meu sagrado par de saltos e lá ia eu, rumo à academia. Malhava por duas, três horas, tomava um belo banho e ia trabalhar com uma energia fenomenal. Depois de um dia cheio de trabalho, reuniões e compromissos, passava em casa para dar um beijo na minha filha, colocá-la no berço e era a vez do meu lado intelectual entrar em ação. Aulas na faculdade até por volta das dez e meia, onze horas da noite e lá ia eu para o último turno do dia: baladas de segunda até as quintas-feiras.

Quando olho para trás, não consigo imaginar que tinha uma vida tão insana e conseguia ser feliz com noites de três, quatro horas de sono. Aquilo não era vida, mas naquele momento, era o que eu gostava de fazer e sentia prazer. Hoje em dia, quando tenho a oportunidade de ficar na cama até tarde, deitada, a maior parte das vezes já acordada, de olhos fechados, orando, abraçada ao meu marido, agradecendo por um momento tão sagrado, sou a pessoa mais feliz que se pode encontrar.

Eis então o meu motivo de gostar do feriado: a orquestra sinfônica dos Hummel não começa a tocar as cinco da madruga, sapatos andando pela casa, portas abrindo e fechando, mochila se arrastando pelo chão, batuque nas tigelas de cereais, abre e fecha de geladeira e o pior de todos os instrumentos: o relógio tocando para dar início a todo este espetáculo matinal.

Cada um tem sua maneira de aproveitar o feriado. Enquanto muita gente lota as estradas, vivendo nos raros momentos de descanso o mesmo estresse que se vive diariamente no trânsito, nossa família gosta de aproveitar a cidade para ler, assistir a filmes novos ou repetidos, fazer compras, passear ou para simplesmente ouvir o silêncio, este sim, o melhor de todos os sons.

Desejo que estas mini-férias de Tiradentes, na sequência das mini-férias de Páscoa e antecedendo as mini-férias do Dia do Trabalho sejam proveitosas para todos, cada qual ao seu modo. Sombra e água fresca para todos.

INFORMATIVO: Instituto Via de Acesso

www.institutoviadeacesso.org.br


Como fã de carteirinha do (Gilberto) Dimenstein, adoro quando consigo ouvir suas dicas pela manhã, antes de entrar em aula. Na maioria das vezes, ouço a CBN enquanto dirijo e ao ouvir alguma dica legal, fica difícil parar o carro, pegar papel e caneta para anotar. Agora, resolvi o problema adotando um gravador digital, embutido no aparelho de telefone celular e tudo ficou simples: ouço, aperto o "REC" e fica tudo anotado.
Dia desses, ouvi a dica sobre o Instituto Via de Acesso, uma ONG voltada para fazer a ponte entre empresas e estudantes, possibilitando, assim, oportunidades de estágios e cursos diversos. As entradas, geralmente gratuitas, solicitam aos participantes um quilo de alimento não perecível, para doações em outras campanhas. Vale a pena conhecer, pois o site tem coisas bastante interessantes, o que em se tratando do Dimenstein, não poderia ser diferente!

A simplicidade do ontem e o glamour de hoje


Cheguei em casa com as crianças e comecei a viver aquela nostalgia que invade por tantas e tantas vezes o meu pensamento. Lembrei-me das festas de aniversário da minha infância: tínhamos refrigerante, que dependendo da situação, eram da Coca-Cola ou os genéricos; na ala dos doces, brigadeiro e, quando muito, beijinho; o bolo – feito pela mãe do aniversariante ou por uma tia que se julgava boleira; sanduíche de carne louca – quando dava, compravam-se mini pães, mas na maior parte das vezes, era o pão francês dividido ao meio; cachorro quente, também no pão francês cortado ao meio; e sanduíche de pão de forma com sardinha em lata. Ah, que delícia.

Naquele tempo, saquinho surpresa vinha com meia dúzia de brinquedinhos e fazia a criançada feliz. Mas também era artigo de luxo. Nas festas com saquinho surpresa, também costumavam ter bandeirinhas, sobre a mesa do bolo, escrito F E L I Z A N I V E R S Á R I O. Quem tinha mais dinheiro, também costumava comprar “roupas” de papelão para encapar as garrafas de guaraná. As festas mais simples serviam suco, o verdadeiro Ki-Suco, porque Tang também era algo mais burguês. Na minha infância, festas com coxinhas e bolinhas de queijo eram festas de quem tinha muito dinheiro.

O tempo passou e a tradição das festas de aniversário em família começaram a desaparecer. Aniversário infantil passou a ser evento. Contrata-se um lugar especializado para fornecer a alimentação, o local e alguns brinquedos. Por fora, os pais correm atrás de lembrancinhas (que muitas vezes custam mais caro que o presente que o convidado deu ao aniversariante), apetrechos diversos para a hora da balada; tem o tatuador, o maquiador, o mágico, a retrospectiva, as lembranças para os adultos (é, nas festas de hoje, eles também tem sua vez). Escolher o cardápio também é muito difícil, pois geralmente, há uma gama de trinta salgados para que sejam escolhidos apenas quinze tipos; o mesmo acontece com os doces e os sabores para o bolo. Escolhe-se entre servir massa ou prato quente. Se a escolha for massa, tem a opção entre recheada ou simples. Em ambas, há que se escolher os tipos de molho e guarnições que acompanharão a refeição principal. Quase me esqueci da mesa de guloseimas, com infinitas opções de pirulitos, balas, bombons, chocolates, merengues, suspiros, amendoins e ao lado dela, a mesa de café para adultos, com várias opções de mini tortas e, algumas vezes, o café.

Confesso que adoro festa de aniversário de criança e não perco uma. Gosto de ver a alegria das crianças, a emoção que cada pequeno ser tem ao sentir que é o personagem principal de toda uma produção. As meninas adoram vestirem a roupa das princesas para a hora do parabéns; os meninos, geralmente, rendem-se aos super-heróis, mas geralmente são mais tímidos e não exibem tantas performances.

No final da festa, os pais saem do Buffet com o carro carregado e, normalmente, as coisas não cabem em um único automóvel. Ao chegar em casa, são horas para poder abrir todos os presentes, anotar em uma folha de papel cada nome e o presente recebido, para poder enviar ao convidado um cartão de agradecimento, por sua gentileza e presença. E quando tudo acaba, as crianças já começam a pensar no tema do ano que vem.

Particularmente, sinto muitas saudades das festas de infância e gostaria muito de fazer com que meus filhos sentissem alegria por ter uma festa daquelas, com o Ki-Suco, o bolinho caseiro, a carne louca e o sanduíche de sardinha. Aliás, toda essa conversa começou por conta da minha vontade de comê-los. Não tem Ki-Suco, mas uma tubaína ajuda a descer. Que cheiro de infância.

p.s.: como na escola da minha filha só é permitido levar pedaços de bolo fatiados para a comemoração dos aniversários, há sempre as mães que inovam e hoje, a “lembrancinha” de um aniversário de nove anos foi um walkman!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A sétima arte


Tudo bem que meus filhos me amam e tenho plena certeza desse amor. Tudo bem que existem mães por aí que não chegam aos meus pés. Mas tenho de convir: estou longe de ser o modelo ideal de mãe que eu gostaria de ser.

Acho que crio meus filhos com uma maturidade muito maior do que a necessária para eles; preocupo-me excessivamente com a qualidade dos seus estudos, com o futuro dos dois e assim, a infância vai passando.

Não sou aquele tipo de mãe que brinca todos os dias, que senta no chão para brincar de tinta, de massinha, de picar papel. Sei que tudo isso é fundamental, é essencial para o crescimento saudável deles. Ao invés disso, o que eu faço? Levo-os para passeios culturais, ensino músicas diferentes, fazemos aulas de inglês e espanhol juntos, sempre de forma lúdica, mas não deixam de ser aulas, adoro levá-los ao cinema.

Bom, o cinema já vira uma história à parte. Até bem poucos anos, eu não gostava de ver filmes. Acho que até os vinte e cinco anos de vida, não tinha assistido a vinte e cinco filmes ao todo. De repente, descobri que a minha falta de informação em tantos assuntos da vida e do mundo, vinham da minha deficiência cinematográfica. Foi quando dei início a uma nova etapa rumo a maturidade. Passei a freqüentar com afinco a videolocadora do bairro. O dono, colega de infância, passou a entender o estilo de filme que eu gostava e fazia ótimas indicações. Quando nos mudamos para o Alto de Pinheiros, descobri outra videolocadora pertinho de casa, com preços baratinhos. Na época, meu marido trabalhava para a Zona América e passava muito pouco tempo no Brasil. Eu não estava trabalhando e havia trancado a matrícula do curso de Direito no último ano. Aproveitei então todo o meu tempo livre para assistir a muitos filmes.

Vou quase que todas as semanas ao cinema com as crianças. É o meu programa favorito e sei que eles curtem muito. Agora, com a promoção no primeiro dia útil da semana, pagamos a bagatela de R$ 4,00 para os três. Dá para acreditar?

Meus filhos sabem pela ordem os próximos lançamentos do cinema e aguardam ávidos pelas novidades. Posso até não brincar de massinha e de tinta, mas tenho certeza de que alguma sementinha especial está sendo plantada na memória dos dois.

Minha vida é assim:


Enquanto todos acham que estou vivendo o mais profundo deleite, a mais sincera relação de amor com o meu livro e aguardam por uma resenha, surpresa: ainda estou na página 300.

Os últimos seis dias foram:

  • Com filhos e maridos regendo com total desarmonia, a orquestra da tosse, do espirro e da vontade de vomitar. Marido e filhos com alergia e filhos com a síndrome mão-boca-pé (para quem não conhece, vale a pena pesquisar);
  • Almoço em família por ocasião da Páscoa. Outro agora, só no Natal;
  • Neurose total com as provas que se aproximam;
  • Reunião com o Ministério da Educação e Cultura (que acabou não acontecendo, mas quem cobriu o furo fez render bons frutos);
  • A famigerada obra: escolhe, muda, procura mais um pouco, enlouquece marido, enlouquece decorador, arquiteto, vendedor, Deus, muda de novo e assim será até que o definitivo aconteça;
  • Toneladas de ovos de Páscoa correndo em minhas veias;
  • Fisioterapia diária com a minha filha (não aguento mais, socorro!);
  • Leitura diária de todos os jornais online disponíveis, todos os blogs que visito para procurar um texto novo e ouvindo meus autores favoritos no Gengibre.com.br;
  • Compras, compras e mais compras; e minha casa cada vez mais entupida (a casa que eu moro, aquela que já há muito não cabem nem os moradores);
  • Decepções e mais decepções. Caramba, vou fazer 35 anos, será que nunca vou aprender que não se pode confiar nas pessoas? Até quando vou me entregar de corpo e alma nas relações e quebrar a cara?
É isso aí, continuo com mil assuntos pendentes, sem tempo para me dedicar a este meu ócio e tocando a vida conforme a possibilidade. Eu volto!

Trecho de uma carta escrita por mim


"A vida é uma grande epopéia, e tal qual, cheia de heróis e vilões, mas sempre com episódios trágicos. É assim que começo minha narrativa.

Toda e qualquer relação em nossas vidas deve ser pautada na confiança mútua. É o elemento principal e essencial, pois sem a confiança, não existe relação alguma, seja pessoal, seja familiar, seja comercial, seja qualquer tipo de relação.
Quando a confiança estremece, por qualquer que seja o motivo, a relação começa a minar. É a metáfora do vaso quebrado, quando não há cola que seja capaz de unir com precisão e eficiência os cacos.

Quem me conhece sabe que considero a fidelidade como a coisa mais importante da vida. Uma vez fiel, sempre confiável e se sempre confiável, sempre relação perfeita. Infelizmente, a vida não é feita de silogismos tão perfeitos como este, tampouco um conto de fadas, mas sim, uma verdadeira história de terror.

Para cada leitor, há uma leitura, uma conclusão, uma visão, uma maneira de interpretar, uma moral, um "vivemos felizes para sempre". Então, nesta minha narrativa, uns chamarão de epopéia, outros de conto de fadas, outros de história de terror; fica a critério do leitor.

Quando os fatos forem atribuídos a minha pessoa, serão realmente fatos e posso falar por mim da veracidade do que digo. Cada um tem a sua verdade. É como aquela famosa frase, muito conhecida nos dias de hoje, que diz que para cada história há três versões: a minha, a sua e a verdadeira. Tomo a liberdade de parafrasear o citado acima e complementar: são três versões, quais sejam, a minha, a sua e a versão verdadeira, que nunca ninguém saberá qual é..."

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A eficiência é a alma do negócio

Tudo que mais ouço são reclamações de prestadores de serviço. E tenho que concordar com todas, uma vez que vivemos na era do "cliente = lixo". Foi-se o tempo em que as empresas buscavam fidelizar seus clientes com um serviço de qualidade. Hoje em dia, qualquer chaveiro compra o cliente insatisfeito. Bom, nem sempre.

Outro dia, mandei um notebook para formatar e usei a garantia estendida do Ponto Frio, lugar em que compramos a máquina. Primeiro não conseguíamos falar. Quando conseguimos o atendimento telefônico, adivinhem? Sistema fora do ar. Finalmente, após alguns dias tentando, acionamos a garantia. Tínhamos que aguardar o telefonema da empresa que prestaria o serviço de informática, uma terceirizada da terceirizada. Mais 48 horas e recebemos a tal ligação. Mais uma semana e retiraram o notebook. Trinta dias para formatar uma máquina (cujo back up eu mesma fiz antes de enviar). Aprendi que a garantia estendida só serve mesmo para dar dor de cabeça (e não foi conclusão tirada por um único serviço; já tinha vivido a tal epopéia antes). Da próxima vez, é muito mais barato pagar R$ 200,00 para o rapaz que faz um excelente trabalho com nossas máquinas.

Quando me devolveram o computador, não devolveram a fonte, tampouco o CD de instalação do Windows (original). Marcaram hora para a tal devolução e pelo fato, tive que esperar DEZ dias a mais pela entrega. Surpresa. Vieram no dia marcado, mas quatro horas antes, deixando um bem de R$ 3 mil na portaria do meu condomínio, com os porteiros cabeça-de-batata-e-vento que trabalham aqui. Nem sempre, honestidade é o único quesito para ser um bom porteiro. Liguei para reclamar. A pessoa me disse que entregaria a fonte dali S E T E dias. Reclamei. Nada adiantou. Ameacei fazer uma reclamação no http://www.reclameaqui.com.br/. Sempre dá certo, pois muitas pessoas tem o hábito de consultar o site antes de contratar serviços. Querem saber o que ouvi? "Se a senhora vai reclamar da gente, tanto faz quanto tempo vamos levar para devolver sua fonte". Mais duzentos Reais e adquiri uma fonte multiuso: serve para todo e qualquer notebook, basta mudar a chave de voltagem e trocar o adaptador.

Esta semana, precisei dos serviços da Porto Seguro. O protetor de cárter do carro do meu marido se soltou e o carro não saia do lugar. Após o excelente atendimento e a promessa de socorro em trinta minutos, recebi um torpedo dizendo que o prestador de serviços estaria na minha residência no horário marcado. Chegou antes. Veio de guincho, caso precisasse remover para a concessionária. Em quinze minutos, problema resolvido. E a gentileza do rapaz? Excepcional.

Sou cliente da Porto desde 1996; temos seguro auto, residência, consórcio de imóvel. Fomos contemplados mês passado. Recebemos toda a relação de toda a documentação necessária, explicação clara, precisa e em letras grande de como proceder para resgatar o crédito. Nunca dei sinistro em um automóvel, mas pela maneira em que somos tratados cada vez que solicitamos um serviço da empresa, acredito que não deixariam a desejar. Banheiro entupiu? Disque 333-porto. Precisa de reparos elétricos? 333-porto. Instalação de ventilador de teto? 333-porto. Carro emperrado na balsa de travessia Sãosebá/Ilhabela? 333-porto. Eis uma empresa que deveria servir de case para tantas outras.

Ainda bem que não são os únicos no quesito eficiência. Ontem estava em casa, por volta de 14h30, quando decidi ler um livro. Entrei na Saraiva.com. Comprei meu objeto de desejos e por uma pequena taxa (pequena mesmo, estamos falando de R$ 7,00), estava com o livro em mãos depois de três horas de compra efetuada. Agora, terei que me ausentar por um tempo, apesar de assuntos borbulhando na minha cabeça, para ler as quase oitocentas páginas do meu bestseller.



Uma boa sexta-feira da Paixão, com muita reflexão para todos.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Um sufocado grito coletivo


Palhaçada. Ou se alguém encontrar uma palavra mais sutil para descrever o que minha faculdade representa na vida dos seus alunos, a mesma será bem vinda.


Ao todo, estou no sétimo ano na mesma instituição de ensino. Cursei Ciências Jurídicas de 1998 até 2001. Desde 2007, faço parte da turma de uma das Licenciaturas do matutino. No período de onze anos, vi tanta mudança acontecer, que chega até ser absurdo pensar nelas. Sei que o mundo nos dias de hoje passa por mutações constantes. Por mais que uma instituição de ensino seja uma prestadora de serviços, ela presta serviços de educação, e mais importante ainda, lida com pessoas. Pessoas têm opiniões, desejos, sentimentos, frustrações e, no caso de nós, alunos, a pior de todas as sensações, a de impotência.

Dentre as inúmeras mudanças vividas, acho que as piores estão sendo neste ano, se bem que o pior é sempre aquilo que se vive no momento, e no próximo ano, só Deus sabe o que tem pela frente. Quem viver, verá.

Como clientes de uma empresa, a única coisa que nós, alunos, temos direito, é a pagar a mensalidade na data do vencimento. E ai de quem não o fizer. Já vi aluno impedido de entrar no campus depois das férias de julho, por ter a mensalidade atrasada no primeiro semestre; antigamente, as renovações de matrículas eram semestrais, independente de o curso ser anual ou não.

1. No novo sistema, temos apenas uma avaliação por semestre, de cada uma das disciplinas. O calendário oficial marca o início das avaliações em quinze de junho. Os horários afixados nas salas de aula marcam como início o dia dez do mesmo mês.


2. Em 2008, incluíram após um, dois meses do início das aulas, uma matéria para ser cursada online. No mesmo período, todos os 60.000 alunos que a instituição tanto se orgulha de dizer que tem (e que tanto se esquivam em dizer onde estudam) foram arbitrariamente impedidos de usar os computadores dos campi. Durante o ano, tive dez avaliações, com datas máximas para serem imputadas cada uma delas, mas o prazo de cada uma foi prorrogado diversas vezes, afinal, era um teste. Não havia uma alma viva sequer que pudesse sanar quaisquer dúvidas dos alunos e a matéria não serviu de nada, para ninguém.


3. Durante três anos, as turmas são obrigadas a assistirem às aulas dos mesmos docentes. Tudo bem, em se tratando de algum profissional qualificado, mas não é apenas diploma que qualifica um profissional. Tudo que se “prega” (às vezes aquilo realmente parece um templo) nas aulas de Didática, Metodologias, Fundamentos, Psicologia, é tudo blábláblá. Na prática, a coisa é uma desordem que só. Há professores ruins, despreparados, que obrigam os próprios alunos a prepararem suas aulas, por preguiça, por vagabundagem, por incapacidade. E usam do seu poder de dar nota para, mais uma vez, coagir os clientes da instituição.


4. Há um veículo semanal, distribuindo gratuitamente (e é bom a turma aproveitar, pois uma instituição de ensino que nem os boletos para pagamento fornece aos seus alunos...) e ao virar a primeira página, encontramos o endereço eletrônico intitulado “fale com o reitor”. Só eu já enviei inúmeras vezes correspondência para o tal endereço. Como tenho confirmação de leitura de mensagens, já recebi após muitas semanas uma mensagem que dizia que aquele texto de reivindicação ou reclamação que mandei foi DELETADO SEM LER. Caso eu comece a citar tantos colegas que já tentaram ser ouvidos pelo falso canal de comunicação, não terminarei o texto em tempo hábil para a próxima mudança.


5. A instituição se orgulha do seu sistema de avaliação de primeiro mundo. Só se for o primeiro mundo no reino do inferno. Cada professor elabora três avaliações diferentes para cada disciplina que leciona e as imputa em um sistema. Para o dia D, é sorteado (?????) uma avaliação dentre as tantas daquela mesma matéria, para uma determinada turma. Justificativa: em um concurso, o aluno fará provas um professor com o qual nunca teve contato.


Ponto 1: não estou prestando concurso e nem sendo testada, sou aluna e estou lá para aprender. Pago em dia e pago caro. Não podemos nos esquecer do nível econômico do povo brasileiro.

Ponto 2: as avaliações vem com um visto da coordenação, que deve ser composta por um monte de analfabetos, devido aos erros crassos encontrados, seja de digitação, seja de concordância, mas, principalmente, de coerência e coesão; sem falar nas questões repetidas e que muitas vezes, precisam ser anuladas.

Ponto 3: aqueles professores frustrados que sonhavam em ser alguém na vida e viraram simplesmente professores, se acham no direito de usar do seu suposto poder para coagir os alunos, ameaçá-los e inibi-los. Isso é didático?

Ponto 4: os alunos, a partir do semestre passado, ganharam o direito de levar suas avaliações para casa, o que anteriormente não era permitido. Há dia e hora marcada para a busca do documento e, segundo informações da coordenação que troca semanalmente, quem não chegar no dia, literalmente dança. Acho que o reitor, em seus anos de faculdade, não aprendeu sobre um instrumento jurídico chamado”habbeas data”. Para bom entendedor, o dito aqui já basta.

As perguntas no ar:

1. Por quê estou escrevendo sobre isto? Há algum tempo, colegas de outros campus, do meu campus, da minha turma, vem me pedindo uma forma de protesto mais explícita. Aqui está ela. Vai adiantar alguma coisa? Claro que não. Quem não está satisfeito, vá embora.

2. Se tudo é tão ruim, o que me faz ainda estudar lá? A proximidade da minha casa, afinal, são só três quarteirões. Apesar de tanta coisa ruim, tenho professores maravilhosos, humanos, humildes, conhecedores do verdadeiro significado de ser professor. E é por eles que ainda passo lá minhas manhãs.

É isso aí, caros colegas otários. Acho que faltou coesão em alguns momentos, mas escrevi sem correção, sem voltar atrás, como se o coração estivesse com uma caneta, conectado diretamente ao meu cérebro, psicografando tantas lamúrias que ouço por todos os lados. E caso tenha erros de português por aqui, fiquem despreocupados. A professora falou com todas as palavras para “sentar a bunda na cadeira”, caso não soubéssemos algo daquilo que fomos lá para aprender e que, segundo suas palavras, “já deveríamos chegar lá sabendo”. O pior é pagar para ouvir coisas assim...


Se alguém quiser saber mais sobre o circo, me escrevam. Respondo diariamente todas as mensagens que recebo.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

O que vou ser quando crescer

O trajeto da nossa casa até o consultório da pediatra dos nossos filhos não chega a ser longo. Mas sair de Santana e ir até o bairro de Pinheiros, em dias de trânsito caótico, é um grande sacrifício, que vale a pena. A Dra. Maria Helena está na família há alguns anos e tenho nela a mais profunda confiança.

É importante estabelecer um vínculo com o profissional que cuida da saúde dos nossos filhos. No começo, achava-a muito seca, rude demais no trato com as crianças, mas nunca questionei sua capacidade profissional. Com o tempo, aprendi a gostar dela mais e mais. O fato de ela estar diariamente dentro de um dos maiores hospitais do nosso país, como médica e professora, faz com que ela seja uma profissional sempre atualizada.

Atualmente, ela é muito mais que nossa pediatra, é nossa amiga e acabou virando minha médica e consultora para assuntos aleatórios ou de saúde.

Hoje, conversávamos sobre a morte precoce dos homens. Percebo que um número grande de amigas, assim como eu, são órfãs de pai e as mães esbanjam saúde. Questionei aquela história sobre o aborto espontâneo nos três primeiros meses de gestação; dizem que quando o feto é do sexo feminino, suas chances de vida são inúmeras vezes maiores e achava que tudo era apenas lenda.

É fato, estudado e comprovado. As mulheres são mais fortes, não na vida, não no ventre, mas quando ainda são "apenas" o cromossomo X. A explicação da doutora foi fantástica, o que me fez dar boas risadas por achar que era brincadeira, mas não era. O cromossomo Y é o cromossomo X que perdeu um dos membros. Achei demais.

Ontem, meu filho estava brincando de carrinho e me disse que queria ser motorista do bombeiro quando crescer. Dei risada e perguntei a ele por quê não ser médico como a doutora Maria Helena. A resposta foi demais; na língua dele, com as trocas fonéticas que os seus três aninhos de vida ainda permitem, me disse que se fosse motorista do bombeiro, precisaria apenas comprar um caminhão. Já para ser médico, teria que comprar um balde de água, uma cama, palitos de colocar na boca e muitos brinquedos para as crianças brincarem enquanto esperam sua vez de serem atendidas.

É isso aí. Anos e anos e anos e mais ainda muitos anos de estudo, dedicação e pesquisa, transformaram a vida profissional da nossa querida doutora em um amontoado de palitos e brinquedos. Ponto para os bombeiros!

p.s.: parabéns hoje para a Nanda, irmã dos meus primos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Car's Mania


Quando meu marido foi para a China pela primeira vez, trouxe alguns carros para nosso filho, que ainda era um bebê. Na ocasião, achei os carrinhos absolutamente normais. O tempo foi passando, outra viagem para a China, Estados Unidos, França e, enfim, acessibilidade às grandes lojas de brinquedos. A coleção de carros foi aumentando e a família toda começou a se empenhar na tarefa de conseguir novos modelos. Hoje, já temos quase setenta carros diferentes e é diversão garantida todos os dias para as crianças. Assistir ao filme "Cars", comer pipocas, procurar na internet por novos modelos.

Áudio blog


Gente, achei o máximo. Eu que já era fissurada em blogs e em áudio livros, descobri agora os áudio blogs. Não sei dizer se existem mais sites do gênero, mas estou ouvindo o Gengibre, http://www.gengibre.com.br/. Como o próprio site se define, trata-se de “uma nova maneira de você publicar mensagens na internet, usando sua própria voz, através do celular.”


Para quem gosta de novidades, realmente vale a pena, tem vezes que as vozes nem são interessantes, mas é muito legal analisar os discursos, os marcadores das falas de cada locução, enfim, até uma maneira de agregar recursos aos estudantes de Fonologia.
Eu recomendo e assino embaixo: Gengibre!

Eu quero brócolis


Quem se lembra do comercial da Sustagen Kids, que mostrava um menino no supermercado fazendo o maior escândalo, pois queria que a mãe comprasse brócolis? Vale a pena rever.

http://www.youtube.com/watch?v=dZmEpP1KqjI

Quando a propaganda acima veiculou, eu não tinha ainda meu filho caçula, mas idealizei aquela criança como um filho perfeito. Já que eu não gosto declaradamente de comer verduras, só por um milagre e o milagre aconteceu.

Meu filho é uma criança especial, assim como todo filho é para suas mães. Mas há peculiaridades nele que me fazem saltitar de alegria e gratidão, por ter tido a sorte de gerá-lo em meu ventre. E uma das coisas é a alimentação.

Ele é o típico menino saudável. Sua pele e seu cabelo são viçosos, seu exame de sangue, mesmo existindo a talassemia leve, é acima do esperado. As mães dos seus amigos sempre usam ele de exemplo para que seus filhos comam toda a comida. Quando vou ao sacolão, ele vibra ao ver frutas, comemora como se tudo aquilo fosse novidade, aperta a maçã, escolhe as pêras, conta para ver se não estamos trazendo poucas bananas, lambe os beicinhos pelo mamão, vibra quando colocamos a melancia no carrinho. Não é a mesma vibração com as verduras, afinal, aos seus olhinhos, deve ser como aos nossos: tudo verde. Mas quando elas chegam em seu prato, é impressionante vê-lo comer. E sempre pede mais.

Quem ensinou meu filho a comer assim? Seu paladar. Dei para os dois filhos a mesma dieta, os dois foram amamentados com leite materno pelo mesmo tempo, comiam as mesmas papinhas, as mesmas sopinhas, dei todos os tipos de alimento para ambos experimentarem. Um, saiu assim, uma raridade. A outra, puxou a mãe, só gosta de porcaria, com a diferença que minha filha, pasmem, não gosta de chocolates. Enquanto ela come um quadradinho de chocolate de uma barra, o irmão, seis anos mais novo, come o resto da barra. E estamos falando de uma de duzentos gramas.

O importante é que amo os dois da mesma maneira, respeitando suas diferenças, enaltecendo suas virtudes e criando-os com muita segurança e amor. Com ou sem brócolis.

p.s.: quem quiser ver uma filmagem que fiz do meu filho comendo semana passada, busque pelo meu nome no youtube

Troca de promessas


Já ouvi falar em troca de família, troca de casais, troca de emprego, troca de escola. Mas troca de promessa, foi minha primeira vez.
Hoje, minha empregada me participou que trabalhará na sexta-feira santa. Não me deu nenhuma escolha e já veio logo contando que lá no Norte (entenda-se na Paraíba, sua terra natal), sexta-feira santa é santa mesmo. Não se pode sequer limpar a casa, porque Deus castiga.

Lembrei da minha infância. Minha mãe, criada em colégio de freiras; meu avô materno, por quem fui criada até os sete anos de idade, era católico fervoroso. Só me restava viver sob as rígidas tradições católicas da família. Lá pelos dez anos de idade, eu já não agüentava mais tanto ritual e só gostava do sábado de aleluia, para malhar o Judas, e do domingo de Páscoa, para ganhar os ovos. No domingo que antecedia o da Páscoa, sempre gostei de participar da procissão de Ramos e participava dos grupos da minha paróquia; sabia cantar todas as músicas, conheci o calendário religioso católico e o significado de todas as datas. Fiz primeira comunhão, me casei na igreja católica, me confessei com um padre sempre que julguei necessário, e diariamente com Deus. Mas o resguardo da sexta-feira santa sempre me sufocou.

Um dia, resolvi falar um palavrão, pois se minha mãe brigasse comigo, estaria pecando junto. Não me lembro se o fiz. Só sei que eu e meu irmão éramos loucos para termos a autonomia da nossa sexta-feira santa, para que pudéssemos comer carne. E na primeira oportunidade que tivemos, foi no primeiro McDonalds que paramos. Como nada de errado nos aconteceu, abandonamos as tradições.

Acredito em Deus e sou cristã. Faço o bem sempre que possível e tento fazê-lo quando impossível também. Oro todos os dias, diversas vezes ao dia. Acredito em Jesus como um profeta, um canal direto da palavra divina para todos nós. Alguns entenderam seus ensinamentos, outros não. Mas não é o fato de eu guardar a sexta-feira santa que me fará mais ou menos cristã. Tem muita gente por aí cumprindo rituais católicos e roubando por debaixo dos panos. Para meu entendimento, ser cristã, além de crer em Nosso Senhor Jesus Cristo, é fazer uso dos seus ensinamentos para aprender a ser melhor e assim, evoluir nesta nossa passagem.

Contei para minha mãe o caso da empregada e confessei nosso pecado, meu e do meu irmão. Ela então me contou em extremo estado de choque que havia pecado. Como não se alimenta de carne durante toda a quaresma, acabou se distraindo e devorou com toda a voracidade, uma farta fatia de pizza de calabresa. Quando terminou de saborear a delícia, se deu conta do pecado cometido. Pediu perdão por sua falha e no dia seguinte, prometeu ficar sem fumar por dois períodos do dia: das 12 até as 14 horas e depois das 16 até as 18. Não me contive. Cai na gargalhada e estou rindo até agora.

Não estou rindo da fé, ou até mesmo da troca de promessa, o que foi um tanto engraçada. Estou rindo da ingenuidade dela em achar que realmente fez alguma coisa em troca. Se for para cuidar e zelar por seu espírito, precisa também zelar por seu corpo, que Deus empresta a cada um de nós para que possamos viver nesta esfera terrestre. Então, por quê não parar de fumar de uma vez? Coisas de mãe. Mas o bom é que ela tem consciência do significado da Paixão de Cristo ser muito mais amplo do que seu pecadinho da calabresa.

Que todos tenham um feriado de Páscoa de reflexão interior, de união com o próximo e de amor em seus corações.

p.s.: o parabéns hoje vai para uma pessoa muito querida e que não vejo tem alguns anos, o Dilsinho ou, como é conhecido hoje no meio artístico, o cantor Sall.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Coleção “Para não gostar de estudar” – volume 1


A mãe da minha amiga Morgana disse a ela que é preciso ter paciência e buscar qualidades nas pessoas, principalmente quando a peculiaridade de alguém tanto nos irrita.

Querida mãe da Morgana, sorry, bem vinda ao mundo real; no mundo em que vivemos, entre aquelas quatro paredes construídas sem metáforas, sem figuras de linguagens, sem estilística alguma por parte dos seus obreiros, há coisas que não são possíveis de se relevar, tampouco há pessoas em que as qualidades não são explícitas. E quando implícitas, só o médico legista é capaz de descobrir, na hora da autópsia. Ah, a autópsia... a autópsia...
Há quase mil dias que ouvimos o mesmo discurso. Mil dias, caro leitor, mil dias. E que Machado não queira puxar minha perna, ou na minha cabeça acertar com o machado.

O discurso. Para que analisá-lo? Não se faz necessário. O discurso é repetitivo, enjoativo e decorado, não há novidades e, pelo contrário, causa o emburrecimento. Com esta palavra, acabo até dando uma de Guimarães. Pobre Guimarães, deve esse se debater no túmulo devido ao número de vezes que sua pessoa é evocada em tantas manhãs, tantas noites, entra dia, nasce dia, e lá vem o Guimarães.
Eu iria mais a fundo. Diria que Guimarães ainda vive, e no corpo de alguém. Não é possível tanta devoção. Nem os cristãos mais fervorosos são capazes de citar Jesus por tantas vezes em um mesmo dia. Ou será a falta de conhecimento, falta de leitura de mundo, para um mundo mais abrangente? Como diz minha amiga Morgana (Santa Morgana), se fugir do script, já era. A aula acaba e com ela, vai-se embora o nosso tédio, nossa vontade incontestável de gritar: “chegaaaaaaa, não agüento mais”.

Santa Morgana. Chegou cheia de ilusão. Aluna aplicada de língua portuguesa, filha de uma linguísta. Achou que a coisa era simples, ou, quiçá, que os colegas eram amebas; percebe-se uma figura de linguagem nesta última oração; mas como o Guimarães não cita, não aprendi ainda.
Oh Deus, tende piedade de mim e de minhas colegas. Dai-nos paciência, ajude-nos na perseverança, pois no momento, só a temperança é quem nos domina. Vamos construir conhecimentos, vamos construir. De qualquer forma, de qualquer maneira, como um Chico qualquer, como um Guimarães qualquer. Afinal, o mundo não é feito só rosas.

domingo, 5 de abril de 2009

Parabéns à você

Decidi que a partir de hoje, publicarei diariamente (ou sempre que a conexão me permita), um post parabenizando o aniversariante do dia.

Para a estréia, minha querida ex-professora Margibel, que completa hoje trinta e algumas primaveras. Que você seja muito feliz.

A matemática das letras

Quando passo um período mais longo que o habitual sem postar nada, não significa que eu esteja sem inspiração, mas sim, com inspiração demais. Escrever para mim é além de uma terapia; é uma mistura de sensações e desejos que entram em ebulição e fazem meu cérebro ferver.

Já disse que nasci com habilidade natural para os números, mas com as letras tive que me esforçar muito. Escrever é muito mais matemático do que se possa imaginar. A alquimia de misturar cada letra formando uma palavra, que juntadas às outras, formarão orações, que formarão sentenças, que darão vida para um texto, que uma hora vira um livro.

Escrevi meu primeiro livro aos vinte e um anos. Aos vinte e três, com a compra do meu primeiro computador, passei todos os meus rascunhos, lidos, relidos e reescritos durante meses, a limpo. A ingenuidade, imaturidade e a falta de experiência no mundo da informática me fez jogar todos os calhamaços de papéis lixo afora. Até que um dia... o computador recebeu um vírus que destruiu meus arquivos, que não tinham cópia de segurança, e assim, voltei a estaca zero.

Aos vinte e cinco, retomei o projeto de produção de um livro, desta vez, com um assunto polêmico e inovador, tudo a ver com o momento em que o mundo se encontrava. Distribui uma meia dúzia de cópias para alguns amigos, o livro chegou bem pertinho de ser publicado mas não foi. E hoje, apesar de ter muitas cópias dele, é como um ente querido que descansa em paz.

Quase cinco anos atrás, comecei a escrever novamente, um terceiro assunto totalmente distante dos dois primeiros. E acabou que eu não acabei. É um projeto guardado com amor e carinho e, quem sabe, em um futuro distante, eu decida por finalizá-lo e dividir com alguém.

Hoje, me limito a ser muito mais leitora, uma leitora ávida e voraz, com sede de notícias, informações e novidades. A cada leitura, seja de uma obra, seja de uma trilha sonora, seja de um momento da vida, sinto que a maturidade fica maior e deposito na minha poupança de conhecimentos, mais alguns vinténs.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pegando carona na moda do blog alheio

Tenho uma colega de anos e anos que também escreve um blog e postou um texto que fala sobre estilo ou jeito de se vestir. Achei muito legal a matéria e gostaria de comentar.
Eu não tenho um jeito único de para todos os dias. Gosto de me vestir de acordo com o meu humor. Diariamente acordo cedo, tomo banho e acordo meu filho de três anos. Dou o leitinho dele e preparo-o para a escola. Só aí, já valeu algumas horas de academia, pois o moleque parece nem sei o que, ele pula, foge, brinca, sai correndo e é uma vitória quando o uniforme dele está completo em seu corpinho magrelo. Quando vejo, já estou novamente suada e descabelada. Ao olhar para o relógio, me dou conta de que se não correr, ele perderá a aula de judô, de inglês, de futebol, de música, de dança educativa, de informática... ufa, não dá. Tenho que iniciar a segunda etapa do triatlhon matinal para deixá-lo na escola. Hoje, por exemplo, me dei conta que sai para levá-lo e ainda estava com as Havaianas nos pés. Lá fui eu para a faculdade, de Havaianas.
Até seis anos atrás, eu não tinha uma calça jeans sequer dentro do armário. Depois que parei de trabalhar fora, tive que me vestir de maneira mais informal, pois chega a ser ridículo alguém colocar um terninho, salto alto e maquiagem simplesmente para ir ao supermercado. To fora. Vivo em nome do conforto. Meu ápice de consumo, para quem me conhece, sabe é por calçados. Gosto de sapatos, tênis, sandálias, tamancos, rasteirinhas, chinelo. Mas minha fascinação é por botas. Gosto de todos os tipos e como tenho a virtude de ser alta, posso abusar daquelas que vão até o joelho, sem que isso me achate. Se bem que se eu fosse baixinha, estaria pouco me importando com o que os outros acham.
A vestimenta de cada um é algo que todo mundo em volta repara. Hoje mesmo, estávamos tomando um lanche na praça de alimentação e havia uma moça grávida. Ela estava tão bem vestida que chamava a atenção, mas sua roupa se resumia a uma calça legging preta e uma bata verde; simplicidade e elegância.
Em compensação, há pessoas que viram referência pela maneira brega de se vestir. Minhas amigas e eu conhecemos uma moça de quase vinte anos, com peitos tamanho sessenta (se é que existe) e que insiste em não usar sutiã. Coloca sempre uma florzinha nos cabelos, feita de tricô, do tempo da vovózinha. Seu uniforme sagrado de todos os dias é um par de calças jeans, cujas barras são feitas, pasmem, com clipes, aqueles de prender papel. Se não bastasse tanta coisa horrível, ela ainda usa um sapatinho, estilo mule, cujos saltos estão completamente gastos; até um sapato de palhaço ficaria menos horrível. Para fechar com chave de ouro, a bolsa é rocha, que geralmente, destoa totalmente da blusa e da florzinha do cabelo. Ah, não estamos falando de alguém sem condições financeiras. Trata-se de breguice mesmo. Mas acho que ela também não se importa com que os outros acham, tampouco o pobre espelho, senão, já teria mudado algo.
No último inverno, saí um dia de casa e com o meu já conhecido www.morrodefrionospés.com.br/, coloquei duas meias de lã e uma bota grande. Só que moramos em São Paulo, lugar em que temos várias temperaturas em um mesmo dia. Naquele dia, às sete horas da manhã, estava frio e o dia prometia ser como o anterior, não passar dos quinze graus. Mas, como disse anteriormente, é São Paulo, a capital das dez temperaturas diárias e às dez horas, o calor já começava a aparecer; foi quando ouvi uma piadinha sobre as botas que calçava em um dia calorento. Acho saudável que pessoas tenham opiniões diferentes, mas a pessoa que fez a “brincadeira” não tem condições, nem financeiras, nem físicas, para poder calçá-las botas como as que eu calçava; usei da arma mais poderosa, o silêncio, para responder o comentário à altura.
Recentemente, a pop star Madonna ganhou o título de a mais mal vestida no mundo dos artistas. Ok, mas aí estamos falando da Madonna e ela pode até colocar florzinha verde com bolsa roxa que continuará sendo a Madonna.!
Ninguém é obrigado a se vestir com roupas chiques e caras. Um pouquinho, nem que seja bem pouquinho, de bom senso, não faz mal para ninguém. Para mim, pobre mortal que não vive o mundo da moda, ser chique e elegante é ter esse tal bom senso. Só.
p.s.: antes que me perguntem, já que a mulherada vai querer saber, o link da reportagem referida é: http://paulacastro.wordpress.com/2009/03/30/barbie-vai-a/

Recebendo o diploma


Eu e meu marido somos ambos os filhos mais velhos e temos um casal de irmãos. Graças a Deus, meus pais e sogros tiveram cada casal três filhos diferentes, todos com qualidades e defeitos e com uma longa jornada de crescimento e aprendizado pela vida.

Sai de casa aos dezoito anos e acredito que, desde então, não dei mais trabalho ou preocupações para meus pais, seguindo meu caminho. Meu marido foi embora aos dezessete, quando ingressou em uma universidade estadual, e saiu de lá graduado, pronto para ganhar o mundo, não voltando para a casa dos seus pais.

Tanto minha mãe como minha sogra já vieram algumas vezes desabafar problemas a respeito dos meus irmãos e cunhados e disse para ambas as mesmas coisas: eles podem ter peculiaridades que nos achamos no direito de julgar como defeitos, mas não são. Todos eles cresceram, sem nunca se envolver com nenhum tipo de entorpecentes, sem se entregar a quaisquer vícios e sempre andando com pessoas de bem, trabalhadoras e honestas.

Hoje encontrei uma pessoa muito querida, alguém que já prometeu até ir ao cartório me adotar como filha, tamanho o carinho que temos, e alguém que me deu o colo mais confortante quando perdi meu pai. Essa pessoa é mãe de três filhos, sendo o mais velho casado, sem filhos, e o mais novo com seus dezoito anos.

Sua primeira pergunta, ao me encontrar, foi sobre meu irmão. Comentou que já tinha um ano que ele havia partido e queria saber se ele voltaria. Disse que não, ao menos agora. Contei do acidente da minha filha e ela me confidenciou as incontáveis vezes que seus três moleques se acidentaram, com fraturas graves e nos mais diversos lugares.

O ponto alto da nossa conversa foi quando ela me contou das suas noras. O filho já casado visita-a constantemente e sua norinha liga para ela, dizendo que tem saudades da sua companhia. O do meio namora já há dois anos e meio e namora uma moça encantadora. O caçula levou para casa, neste final de semana, a primeira namorada. Uma menina de boa família, católica praticante, que só permite que a filha namore em casa.

Seus olhos brilhavam ao contar dos três casais de filhos e eu me emocionei. Há muito tempo ouço pessoas dizendo que filhos crescem, casam-se e partem para a casa de suas esposas e respectivas famílias. Acredito que por tal motivo, relutei tanto com a idéia de ter um filho do sexo masculino: perdê-lo para alguém.

Ela me disse que isso é pré-conceito, criado pela sociedade e que não tem fundamento. O que faz os filhos permanecerem ao nosso lado é o amor e carinho com os quais são criados, transmitindo a eles uma relação de confiança eterna, de modo que eles nunca consigam se distanciar dos seus pais.

Sonhamos com nossos filhos crescidos, formados, encaminhando suas vidas, realizando suas conquistas, chegando a nossa casa com aquela pessoa que escolheram para passar parte de suas vidas, com brilho nos olhos, amando e sendo amados.

Quando os filhos são crianças, priorizamos seus estudos, educação, higiene, princípios e valores. Na vida adulta, o que vale é apenas uma coisa: a felicidade de cada um. É quando recebemos o diploma de pai e mãe, tendo a certeza de que mesmo sem professor, sem cartilha ou livro didático, conseguimos a proeza de formarmos cidadãos de bem.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mentira não tem pernas


Para mim, a mentira é aleijada e, cedo ou tarde, acaba mostrando que também não tem face, assim que sua máscara cai. Se fosse silogismo, a última sentença seria: logo, mentira não existe. Infelizmente, não é silogismo e, portanto, ela existe sim e está ai, todos os dias, em todos os nossos momentos, para que possamos crescer e aprender com as coisas ruins que ela acarreta nas vidas das pessoas.

Quando eu era criança, adorava pregar peças no dia da mentira. Era tão bom, pois aguardava com avidez este dia, mais até que o dia do meu aniversário. Depois fui crescendo e conhecendo o verdadeiro sentido da palavra, muitas vezes na própria pele, e aquela fantasia de criança foi-se embora.

Contam os historiadores que o dia da mentira teve sua origem na França. No século XVI, o rei Carlos XI adotou o calendário gregoriano, mudando a data de festejo de ano novo, que era comemorado durante a semana de 25 de março até primeiro de abril, para a data que comemoramos nos dias de hoje. Com os escassos meios de comunicação, a notícia demorou a se propagar e levou cerca de duzentos anos para chegar ao país vizinho, a Inglaterra. O povo passou a fazer então do dia 1 de abril, um dia de grandes gozações. No Brasil, o advento das comemorações neste dia tem sua origem em Pernambuco, com a notícia da morte do príncipe Dom Pedro, em 1848. Mas o óbito foi desmentido no dia seguinte.

Walt Disney usa a mentira de forma lúdica para trazer ao público infantil as características de um dos seus mais famosos personagens, o Pinnochio, boneco de madeira que acaba se dando mal por contar mentiras. Pinocchio é um exemplo para crianças do mundo inteiro de que mentir não é o melhor caminho. No Brasil, o escritor Ziraldo traz a tona a mentira através do personagem Menino Maluquinho, no conto “O Ilusionista”, quando o menino descobre os males que se provocam por mentir.

Faz parte da infância pregar peças e fazer brincadeiras neste dia, não se esquecendo de que a brincadeira só é saudável se não prejudicar a ninguém. A verdade é a base para quaisquer relações.

Aparece lá em casa

foto: www.imagens.google.com.br
Tenho uma tia que na verdade nem é minha tia. Ela foi casada com o irmão mais velho do meu pai por muitos anos e, apesar da separação, os dois são muito amigos. Ela é minha tia mais próxima e por ser mexicana e ter toda a sua família em outro país, falo que sou sua única sobrinha de sangue.

Parentescos a parte, o que vou falar sobre minha tia é cultural. Quando chegou ao Brasil, em meados década de oitenta, iniciou aqui o seu círculo social e com muita freqüência, ouvia as pessoas dizendo “vai lá em casa”, ou então “aparece em casa”. O fato de ser a ovelha negra de uma família muito tradicional não apenas na Cidade do México, mas em todo o país, não a fez perder a educação e os bons costumes com os quais foi criada. Ela realmente ia à casa das pessoas. E não raramente percebia seus anfitriões com a fisionomia de poucos amigos. Começou a estranhar tal comportamento e com o passar do tempo, percebeu que tal convite não era verdadeiro, era apenas uma forma de dizer qualquer outra coisa, menos para realmente aparecer nas casas das pessoas.

Ontem, minha amiga Jaquerida veio em casa e estávamos falando sobre o assunto. Ela disse que é “convite de sulista”. O tal “aparece em casa” só é verdadeiro quando marcamos dia e hora certos para receber alguém. Por mais que as pessoas tenham liberdade umas com as outras, existe certa falta de educação em aparecer toda vez que se recebe o convite sulista.

É gostoso receber pessoas queridas nas nossas casas. Infelizmente, devido ao ritmo tresloucado imposto às vidas das pessoas, sobra muito menos tempo do que gostaríamos para receber e visitar aqueles os quais gostamos de estar perto. Acho que amigo que é amigo, tem liberdade para aparecer sempre que quiser, puder e precisar. Amo estar em casa com pessoas queridas, esparramada no chão em meio às almofadas e dando boas risadas.

Eu não sou sulista, portanto, quando falo para alguém aparecer em casa, estou abrindo as portas não apenas do meu lar, mas do meu coração, para estar por algum tempo batendo papo e matando as saudades daqueles que gosto. Minha casa é simples e pequena, mas meu coração é gigante e sempre cabe mais um; estarei sempre com meus braços abertos. E você, vai aparecer?