quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

ALMAS GÊMEAS DE GÊMEOS


Mais de dez anos se passaram desde que li os livros “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor” e “Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus”. Na ocasião, fiquei fascinada com as diferenças mostradas entre os sexos opostos. O tempo passou e o tema continua em alta. Na revista Época desta semana, uma matéria mostra o porquê do sucesso do longa metragem “Se eu fosse você 2”: o tema sempre fascinará aos interessados em desvendar os mistérios do sexo oposto. Fui levada a uma grande reflexão ao término da reportagem. Há alguns dias, estávamos em uma festa de aniversário e, como sempre, os casais se dividem em mesa dos homens e mesa das mulheres. O assunto na nossa mesa era um só: não agüento mais o meu marido, ele faz tudo errado, ele não me ouve, ele...blábláblá. Gente, vamos acordar. Os maridos são assim por um motivo muito simples: eles são homens e homens agem de forma muito semelhante. Eis o motivo de mulheres se unirem para literalmente fofocar sobre a vida alheia, enquanto os maridos têm verdadeiros chiliques ao ouvir os maldosos comentários. Pelo que entendi na referida matéria, o maior vilão dos ataques histéricos femininos tem nome: TPM. Em casa, felizmente, não temos este tipo de estresse. Há algum tempo, uso o dispositivo intra-uterino como contraceptivo – me fazendo parar de menstruar e, concomitantemente, cessando quaisquer oscilações hormonais – culminando no fim do mal humor. Mas acho que o DIU não é o maior herói da minha vida. Eu e meu marido temos coisas muito claras desde o início do casamento sobre as diferenças de cada sexo. Sabemos usar os nossos opostos, o feminino e o masculino do outro. Ele é o tipo de cara que adora discutir relação (enquanto eu, fujo do assunto) e eu sou a parte do casal que se apronta em dez minutos, incluindo cabelo e maquiagem, enquanto ele ainda está na indecisão de que roupa usará. Dentro de nós, sabemos – ou tentamos perceber – os sentimentos, as dores, os anseios e os sofrimentos do sexo oposto. Acredito que parte desta nossa personalidade vem do fato de sermos geminianos. Costumo dizer que somos quatro pessoas vivendo um casamento, o que faz das nossas vidas uma grande suruba. Para quem critica os pobres geminianos, saibam que é muito difícil viver em cima do muro, viver na dubialidade, não entre o bom e o mal caratismo, mas ter sempre dúvidas entre o grande e o pequeno, entre o branco e o preto. E tenham toda a certeza de que as coisas realmente oscilam entre os extremos. O importante de tudo, é que tenho no meu marido o meu melhor amigo, nos meus quase trinta e cinco anos de vida. Não vivemos uma vida perfeita, mas por tudo que vejo, ouço e leio, acredito que a perfeição é algo bem semelhante ao que vivemos. Espero que cada um conheça o seu outro lado e atinja o ápice da relação.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A FORÇA E O PODER DA NATUREZA


O homem pode se achar um ser supremo e capaz de tudo, mas a natureza é a verdadeira detentora de todo e qualquer poder. Em época de chuvas, vemos constantemente na mídia, notícias e mais notícias de tragédias ocasionadas pela força das águas. Infelizmente, há pessoas que têm que vivenciar a fúria que a chuva manifesta. No último sábado, passamos o dia no clube sob um Sol forte e um calor que deixou a água da piscina bastante quente. Almoçamos por lá e só viemos embora porque não agüentamos o calor tórrido. No final do dia, decidimos ir ao shopping. Pegamos o meu carro no lava-rápido e paramos no meio do caminho. Não conseguimos sequer atravessar a rua Dr. Zuquim. A chuva veio com tamanha brutalidade, que em minutos, vimos as ruas serem tomadas pelas águas. Moramos há cinco, no máximo dez minutos do shopping. Foi neste intervalo que tudo se alagou. Subimos a Zuquim vendo postes de eletricidade em curto. Conseguimos voltar para a rua Voluntários da Pátria, mas a água impedia que os carros ficassem em segurança em uma grande descida. Alguns veículos subiam as calçadas para buscar segurança; os vendedores ambulantes viam suas mercadorias serem tomadas pela água abundante; os lojistas tentavam amenizar os prejuízos com rodos e um esforço coletivo para que a água não atingisse um ponto mais alto. Conseguimos chegar a um ponto alto, mas não conseguíamos entrar na rua da nossa casa. Moramos em uma subida, quase no final da rua. Estamos há 1,5 km do aeroporto do Campo de Marte e há 8 km do marco zero da cidade de São Paulo. Um bairro com boas casas, ruas asfaltadas e que nem de longe lembra as humildes casas que vemos desmoronar nas enchentes. Mas dinheiro não conta nestas horas. Conseguimos parar em um ponto alto de uma rua próxima, onde a água escoava para a direita e para a esquerda. Lá, passamos muito tempo, até que a intensidade da chuva diminuiu e decidimos descer do carro para entrar em um café, exatamente em frente ao local estacionado. Eu, com todo o meu tamanho, quase fui arrastada pelo vento. Tive medo de tirar as crianças do carro. Tomamos um chocolate quente, aguardamos mais um tempo, até que conseguíssemos voltar para nossa casa em segurança. Chegando em casa, orei. Para agradecer a Deus por ter nos trazido de volta ao nosso lar, sãos e salvos. Orei por tantas pessoas que perdem tudo em dias como aquele. Acima de tudo, orei pelos irmãos que perdem inclusive a vida. A natureza é bela e rica, nos presenteia diariamente com tantas coisas. É preciso, no entanto, ter consciência e cuidar desta nossa riqueza, para que mais vidas não paguem um preço tão alto pela destruição deste presente divino.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Minha faculdade promete...

... e cumpre. Ela promete formar cidadãos políticos, críticos, capazes de pensar e agir. Para tanto, não é nas salas de aula que as discussões formam estes cidadãos. A formação é feita através da mídia, através de discussões calorosas nas centrais de atendimento ou junto à coordenação. Estava eu no campus e chega um novo aluno. Transferido de outro campus. No último ano de licenciatura. Ele e outra dezena de colegas simplesmente chegaram para o primeiro dia de aula, claro que após a instituição receber e formalizar, através do pagamento, suas matrículas, e têm a agradabilíssima surpresa: sua turma não existe, pois não há número de alunos o suficiente para que a instituição disponibilize salas e professores para mais um ano letivo. Seria surpresa para alguém, se estivéssemos falando de uma instituição séria. Na minha faculdade não é surpresa. Na minha turma, há outros seis alunos, remanejados de outro campus, que vivenciaram a mesma infeliz situação um ano atrás. Ao aluno, cabe desistir, aceitar ou se transferir. Cada um tem seus problemas, sua história de vida, seus ideais, suas necessidades e, dependendo deste conjunto todo, toma sua decisão. No caso do colega de hoje, vale ressaltar que ele veio transferido de outro município, há alguns bons quilômetros do atual campus.

Ah, acho que todos se lembram do episódio anterior, sobre a impressão da identificação estudantil “em qualquer papel”. Pois bem, surpresa, mais uma vez, seria se nós, alunos, acessássemos a intranet e fosse possível realizar tal “transação”. Mas estou há dois dias tentando e recebo a mensagem: “tente novamente em um dia útil”. Só esqueceram de avisar o sistema que um dia tem vinte e quatro horas.

Na minha faculdade, também existem outras coisas engraçadas. No jornal semanal, que é de leitura obrigatória para que os estudantes se informem sobre os acontecimentos, saiu uma matéria sobre o novo sistema de avaliação. E no jornal está escrito que os alunos que quiserem (ou optarem, não me lembro ao certo o termo usado e estou sem a edição em mãos) refazer a avaliação, por não terem tirado nota satisfatória, assim o farão. Nada se fala sobre pagamento. Após ter uma semana de aula e passar por sete diferentes docentes, ainda estamos sem a informação. Uns, dizem que a segunda prova será paga. Outros dizem que não. E há o grupo que não diz nada. Portanto, não temos informação alguma para o futuro de nossas avaliações.

Minha faculdade é a mais engraçada de todas. Eu já estudei lá, no passado, por quatro anos, de 1998 até 2001. Era outro campus, era outro instituto, era outro curso. Mas era a mesma faculdade, o mesmo reitor e, portanto, o mesmo pensamento. Existiam terminais de consulta espalhados pelo campus, para que os alunos pudessem consultar suas notas e faltas. No ano passado, colocaram um terminal eletrônico no meu campus e uma chamada: “aguardem, em outubro haverá novidade”. Tudo bem, confesso, não era uma chamada tão grande, mas era algo que chamava a atenção quanto ao mês de outubro e para bom entendedor, era o suficiente para saber que no mês de outubro, o terminal de consulta estaria em funcionamento. Mas esqueceram de colocar outubro de qual ano. Já estamos em fevereiro e nada ainda.

Tem uma coisa que acho legal na minha faculdade. Assisto todos os dias na Rede Globo, uma chamada de classificação, vestibular, transferências, vagas em aberto. Pobres alunos. Correm o risco de se transferir de uma instituição comprometida, para formar números em uma instituição que, no próximo ano, baterá com a porta em suas caras no primeiro dia de aula. Como diz o ditado, trocar o sujo pelo mal lavado.

Há faculdades que são pequenas. A minha, faz parte de uma grande universidade, com quinze anos de atuação, uma debutante, e muitos campi espalhados pelo país. Realmente, é um mérito crescer tão rapidamente, um conglomerado estudantil que começou há apenas quinze anos, de forma discreta, na zona Norte de São Paulo. O demérito fica para a falta de planejamento durante o crescimento e hoje, o exorbitante número de alunos que minha faculdade tanto se orgulha, são apenas números e há muito deixaram de ser alunos.

Mas há coisas na minha faculdade que valem à pena. Tive a sorte de ter um professor de Literatura Comparada da Língua Inglesa que, a priori, achei sensacional. Tenho que fazer a ressalva, pois se futuramente este sensacional professor prejudicar minha nota, terei que brigar com ele e jogarão na minha cara o fato de tê-lo chamado de sensacional. Então, a posteriori, tudo pode mudar. Também tive aula com uma professora de Estrutura e Funcionamento da Educação que é fabulosa, e nos fez perceber que ainda vale a pena. Sem contar que hoje reencontrei a melhor professora que já tive, aquela do abraço de urso que é super hiper querida. São os grandes detalhes que fazem a diferença na minha pequena faculdade e é por conta destes importantes detalhes que ainda estudo lá.

(escrito por mim, Úrsula Hummel, diretamente do Reino de Tãotão Distante, lugar onde me encontro sozinha para me recompor e me refazer, mas de onde retornarei em breve)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O MEU SONO




Dormir é fundamental, é imprescindível. Faz bem para a saúde, para o cérebro, para o coração. Enquanto dormimos, liberamos o hormônio do crescimento, indispensável para os primeiros alguns anos das nossas vidas. Dormir afasta o cansaço, o estresse físico e mental, relaxa, revigora, renova. Dormir faz toda a diferença entre se arrastar por mais um dia ou viver intensamente aquele dia. Hoje o meu dia será maravilhoso, pois há alguns meses não tinha uma noite de sono tão perfeita. Que o dia de todos sejam perfeitamente bom.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

SUSTENTABILIDADE, ÀS VEZES, INSUSTENTÁVEL

Larry Harmon, como o palhaço Bozo (Foto: Divulgação/AP)

Imaginem só a situação: você presta vestibular e é aprovado. Seria um caso de comemoração, mas em se tratando de certas universidades privadas no Brasil, vejo o fato como uma vergonha. São diversos vestibulares realizados, começando no mês de outubro. Depois vem o de novembro, o de dezembro, o de janeiro e o remanescente. E ainda há um sem número de vagas disponíveis para transferência. Mesmo assim, há cursos que não chegam a formar uma turma, tendo um número de alunos insignificantes. Um dos tantos alunos aprovados nas suas infinitas unidades, é aprovado e precisa fazer a matrícula on line. Descobre que deverá imprimir primeiramente seu primeiro boleto para fazer o pagamento da matrícula, devendo retornar ao site em 48 horas. Passado o prazo, o aluno volta ao site para efetivar sua matrícula. Descobre então que deve imprimir o contrato de prestação de serviço (ninguém leu errado não, o indivíduo que paga pela prestação de serviço é responsável pela impressão do contrato desta prestação); após o contrato, este mesmo indivíduo ainda tem que imprimir os onze boletos restantes. Só depois de entregar tudo na central de atendimento (quer dizer, de mal atendimento) do seu campus, para pessoas desinformadas e sem nenhum treinamento para exercer tal função, é que sua matrícula estará efetivamente concluída; claro que não é tão fácil assim comprar a prestação destes serviços, pois muitas vezes, este processo pode sofrer um efeito bumerangue: vai e volta, vai e volta, vai e volta. Até que alguém desista. A tal BURROCRACIA.
Os clientes (leia-se alunos) que não perdem suas paciências por algum motivo (desinformação de que há alguma instituição de ensino superior que trata o seu cliente com respeito, proximidade da sua casa, do seu trabalho, valor da mensalidade, bolsa do PROUNI, etc.) e passam a freqüentar a instituição, ainda hão de deparar com outras surpresas. A mudança do início do ano letivo, que se antecipa em uma semana, sem quaisquer explicações. Claro que isto é uma vantagem, uma semana a mais de aula. Ledo engano. Esta semana extra geralmente é própria para blábláblá. Sem generalizar, pois há professores que são comprometidos com a sua profissão e independente da forma como são tratados pelos empregadores, respeitam seus alunos e levam a sério aquilo a que se propuseram.
Os inocentes alunos-clientes iniciam seu ano letivo então, uma semana antes e são avisados, pelos professores, que precisam ler o jornal da universidade, pois semanalmente são publicadas importantes informações. E na primeira semana, a mais importante de todas: para ter acesso ao campus contratado para receber os serviços de educação, é preciso, mais uma vez, acessar a intranet e imprimir “em qualquer tipo de papel”, ipsis literis, um cartão de acesso ao campus. O aluno também não tem a quem pedir socorro. Ninguém informa quem é o coordenador do seu curso. Não tem também um diretor ou qualquer outra pessoa que possa lhe informar a grade de aulas (que poderá ser alterada a qualquer momento caso um docente seja desligado). Aos poucos, o cliente-aluno-cliente passa a se surpreender mais e mais. Descobre que em meados do primeiro semestre, a instituição de (?) ensino incluiu uma matéria on-line, para que este indivíduo se prepare melhor para o futuro. Para tanto, indisponibiliza todo e qualquer computador. Como diz o velho ditado, “cada um com seus problemas”.
O sistema de avaliação também é um exemplo. A não ser seguido. Avaliações semestrais, uma única avaliação por semestre, uma roleta russa, um tudo ou nada, um jogo no escuro. Se acertar, passou; se errar, dançou. Concordo que seja obrigação do aluno se preparar. Principalmente para as surpresas que ele tem no dia da avaliação. Uma prova elaborada por outro docente, que não aquele o qual lhe preparou durante o período. Outra abordagem, questões com erros de interpretação, de compreensão e de elaboração. Mas tudo bem. Os professores têm autonomia para anular questões problemáticas. Foi assim que tive uma mácula no meu histórico escolar, com uma nota quatro em meio às notas 9 e 10 que colecionava.
Mesmo sem avaliação durante o semestre, os alunos são coagidos a realizar avaliações de mentirinha. Os chamados seminários são elaborados para que os futuros profissionais possam se preparar melhor. Alguém paga, outro recebe, quem paga trabalha, quem recebe fica também com o melhor lugar no picadeiro. Algum erro de concordância ou ortografia neste texto? Vai reclamar com o Papa.