sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

CRIE, INVENTE, TENTE


Minha única prima por parte de pai mora na Europa há 16 anos. Tem dois anos menos que eu, ou seja, saiu do Brasil ainda muito cedo. Lá, trabalhou, estudou, concluiu a faculdade, se casou, teve suas duas filhas (a caçula, inclusive, nasceu logo que chegamos em Portugal). Posso dizer que minha prima, prestes a completar 33 anos, é uma cidadã européia, muito mais que uma cidadã brasileira (nestes anos todos, ela esteve no Brasil por duas vezes). Seu marido é holandês. Fala com fluência seis idiomas; não tem nível superior. No dia do atentado das torres gêmeas, minha tia se mudou para ficar junto da única filha, que acabara de dar à luz sua primeira filha. São três gerações distantes e não apenas geograficamente, a distância é cultural. E quando digo cultural, não quero dizer que cá ou lá existe mais cultura, maior nível de inteligência. Digo apenas que são culturas diferentes. Pra ser mais exata, culturas MUITO DIFERENTES. Minha prima se formou em Turismo, trabalha na Torre de Belém. A família mora em Cascais, onde minha tia trabalha como chefe de cozinha em um restaurante francês, na orla marítima. Meu primo agregado trabalha também na noite, em exatamente tudo que se puder fazer (nem tudo, claro). A família pensa em se mudar para a Holanda, mas meu primo agregado só pensa em vir para o Brasil. Ele que já morou em Boston, na Grécia e na Itália, quer quebrar novas fronteiras. Minha tia e minha prima são conscientes de que aqui no Brasil, após tantos anos, viverão no subemprego e na subvida; ele não tem esta visão. Se forem para a Holanda, o governo lhes dá casa, estudo para minhas priminhas, trabalho e toda a garantia para viver de forma digna. Minha tia resiste, não sabe falar o idioma e, aos 50 anos, se acha muito velha para aprender.

Meu irmão é jornalista e minha cunhada também. Meu irmão trabalhou por onze anos na Rede Globo e por mais cinco na Band News, sendo um precursor dentro deste. Deixou os dois empregos. Minha cunhada trabalhava no Terra e também deixou o trabalho. Foram para a Europa um ano atrás. A priori, apenas para estudar. A posteriori, provavelmente, não voltem mais. A japa trabalha em uma loja, em Dublin. Meu irmão já fez de tudo, desde a imprensa internacional, como entregador de jornal no farol, até cozinheiro em café. Os dois mantêm seus trabalhos, felizes e sem pensar em voltar para o país natal. Há uns dois meses, começaram a fazer brigadeiro para vender nos cafés. O negócio do brigadeiro vingou. Introduziram os beijinhos. Não foi suficiente. Ontem, fizeram bicho de pé. Com Quick, o que eu critiquei, mas, segundo meu irmão, quem não tem nada, acredita que brigadeiro com Quick de morango é bicho de pé. E a produção aumenta em ritmo acelerado, tanto que sonho de verdade em me mudar para a ilha. Iniciar uma grande produção de doces, com variedades, novos sabores, amendoim, nozes, castanhas, camafeus, passas.

Por ocasião das festas de fim de ano, recebi um email da minha prima, muito diferente de tudo que se recebe nestas datas. Ela desejava muita criatividade para todos, pois o momento em que o mundo se encontra, é necessário que todos sejamos criativos. Achei interessante o pensamento dela, passei muitos dias relendo a mensagem e tentando tirar alguma lição deste “ser criativo” que ela recomendava. Acho que agora entendi. Ser criativo é ser feliz. É largar o trabalho quando se está infeliz, é abandonar uma carreira promissora, deixar o status de lado, viver com o mínimo necessário. É fazer brigadeiro e comer dois doces para cada três que enrola. É saber que fazer ovos mexidos em um café, servir refeições, vender roupas, tudo longe daqueles queridos amigos, dos chatos familiares, é simplesmente ser feliz. Ontem, conversando com meu irmão pelo Skype, descobri que eles não têm televisão. Não porque não tem dinheiro. O motivo é que simplesmente, não sentem falta do aparato. Ainda ontem, também, recebi a querida visita da minha madrinha, que é um exemplo para mim em muita coisa na vida. Tive como exemplos minha madrinha e minha tia paterna, que nos deixou há doze anos. Hoje, a Dinda tem que fazer o papel das duas, e consegue, com louvor. Falávamos sobre as dificuldades que cada um enfrenta. Todo mundo nos vê de carro zero km, mas ninguém vê dentro do escritório, a grossura do carnê com as prestações. Ninguém sabe o saldo do banco de ninguém, mas com criatividade, eu e minha madrinha conseguimos sempre driblar pequenas e grandes coisas na vida, viver dentro dos altos e baixos que todo mundo vive, sem deixar a peteca cair. Ok, tenho dentro do armário um diploma de Mercadóloga e por mais que sempre me dissessem da vocação que tenho para criar, não sei criar por profissão, nem por necessidade. Crio para ser feliz. Foi pela criatividade de muitos anônimos, que o mundo evoluiu e novos recursos foram criados. MORAL DA HISTÓRIA: SEJA CRIATIVO E VIVA FELIZ.

sábado, 24 de janeiro de 2009

VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?


Eu tenho fome de várias coisas: salgadinhos, doces, compotas, bolos, chocolates, geléias, pizzas (perdição total). Sei que não se trata de fome, e sim, de vontade de comer, o que são coisas distintas. Gosto de comer e minha silhueta não esconde isto. Mas, contudo, porém, entretanto, para resolver tal problema, só se morrer e nascer de novo. Talvez, se me devolver para a barriga da minha mãe e deixar assar mais um pouquinho. Além das coisas que gosto de comer e me dão um grande prazer (mas nem todas são fãs número 1 da saúde perfeita), também como frutas, sem exceção. Recentemente, descobri o prazer do açaí e incorporei ao meu paladar. Como (de vez em quando) algumas leguminosas (abrobrinha, chuchu, vagem, abóbora); verduras, quase nenhuma; limito-me a comer brócolis, couveflor, acelga, escarola e couve (afinal, feijoada sem couve não é feijoada). Tenho verdadeira ojeriza às verduras cruas. Não gosto de comer nada frio (salvo sorvetes). E se há algo que me permito sentir inveja, é das pessoas que saboreiam de boca cheia um belo prato de saladas. Acho o máximo, principalmente pelo fato de não conseguir fazer igual (e olha que já tentei de tudo para gostar das verdinhas). Não gostar de saladas, não é frescura, é questão de costume, de hábito, mas também de paladar. Procuro ensinar aos meus filhos o quão importante é comer salada. Ou procurava, até o meu almoço de hoje. Fui almoçar com a minha amiga Antinha, que é nutricionista, gerente de uma unidade d’uma grande administradora de cozinhas industriais. Decidi tirar a dúvida. Perguntei a ela se eu morreria, ou mataria meus filhos, de falta de salada. Claro, nunca vi nenhum atestado de óbito (se bem que o único que vi até hoje foi o do meu pai) onde a causa da morte fosse FALTA DE SALADA. Mas leio muito e se falta de salada matasse, com certeza teria virado manchete e eu, com mais certeza ainda, teria lido (sou fã número 1 de notícias bizarras). Fiquei feliz ao saber que não sou obrigada a obrigar meus filhos a comer salada. Mais feliz ainda, ao confirmar que minha amiga nutricionista, magra, elegante, bonita, saudável e de bem com a vida, não come saladas de espécie alguma. Desde o nosso almoço de hoje (com arroz, feijão, peito de frango a milanesa, carne e batatas fritas), não forçarei mais a mim ou aos meus filhos, a comer as tais saladas. E falando em comida... há doze anos, perdi minha tia mais velha (por parte de pai) de forma brusca e repentina: câncer no intestino. Há trinta e seis anos, minha avó, sua mãe, partiu da mesma forma (além da doença de Chagas que ela tinha desde a infância). Desde que minha tia se foi, minha outra tia, sua irmã caçula, decidiu abolir a carne vermelha da sua alimentação. Assim fez também minha prima, que faz o mesmo com suas duas filhas (as quatro moram na Europa). Acho legal a iniciativa, e não sou nenhuma fanática por carnes vermelhas, mas não consigo (e nem quero) aboli-las da minha alimentação. O que critico são pessoas que se dizem vegetarianas em prol dos animaizinhos, mas continuam comendo ovos (e assassinando os futuros pintinhos), alimentam-se dos peixes ou fazem uso de outros tipos de derivados animais. Se é para não comer carne em prol da natureza, que virem vegans então. Assim, assumirão uma postura correta e não hipócrita. Agora, vou comer meu chocolate que está na hora.

"PROCURA-SE SUSAN..."


Gosto de usar nome de filmes, livros ou fazer alguma alusão à eles, em meus textos. Desta vez, estou realmente procurando por alguém. Alguém que não sei quem é e, provavelmente, seja do sexo feminino. Desde o meu blog antigo, recebo mensagens postadas anonimamente. Nunca recebi nada de mal grado, só que a curiosidade me mata. Geralmente, a pessoa me chama de Ursinha (e este é o porquê de eu achar que se trata de uma mulher). Os quatro homens que poderiam ser leitores do meu blog: meu marido, que me chama de Tora; meu irmão, que me chama de Gorda (correndo o risco de morrer, claro); meu filhote, que me chama de mamãe e (ao menos que eu saiba) não usa (ainda) a internet sozinho. Meu pai, até onde chegam meus conhecimentos, não tem acesso à internet, de onde se encontra. Ele sempre me chamou de Filha, Filhota e se referia a mim como Ursinha, quando ia falar com terceiros. Portanto... quem é o meu leitor anônimo???? Let's help me... everybody...thanks!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

NACIONAL, SIM SENHOR

Na foto: Bibi, Ricardinho, Leleco, Yurinho e Belita
Férias aqui em casa são assim: passeios, viagens, amigos, mas o imprescindível são as sessões de cinema. Nestas férias, assistimos a alguns filmes infantis: "Madagascar 2", "Bolt, o Supercão", "O Corajoso Ratinho Desperaux" e "O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes". Claro que as crianças amam de paixão. Já temos um ritual: juntamos-nos aos amigos, nos encontramos na bilheteria, compramos os tíquetes, as pipocas, sucos, balas e lá vamos nós, desequilibrando com tantas coisas em mãos. Pegamos os assentos móveis, escolhemos o melhor lugar da sala (por que sempre chegamos bem cedo), nos acomodamos e a bagunça começa. Antes de começarem os "traillers", pois depois que o telão se acende, o silêncio impera por boa parte do tempo. Ontem, fomos assistir ao último filme da lista e, quiçá, o penúltimo da temporada. As críticas não estava muito favoráveis, mas, às favas com a crítica. Quero fazer a minha crítica, omitir a minha opinião. E a minha opinião é que vimos o melhor filme infantil dos últimos tempos. Trata-se de um filme nacional, as personagens tem características que fazem parte da nossa história, do nosso mundo. Mostra para as crianças o que acontece quando se faz parte do ciclo da pirataria (e os prejuízos que se causam ao "pirateado"), traz canções com nossos ritmos, não deixando de fazer uma intertextualidade bem legal com outras produções "hollywoodianas". Gostei, recomendo, indico e espero mais. Parabéns ao cinema nacional, que ataca na ala infantil também.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

F.I.A.T.

É isto mesmo. Fui Iludida. Agora é Tarde. Estou eu me preparando para dormir e, como de costume, resolvo checar minhas mensagens pela última vez no dia. Qual não é minha surpresa, ao receber uma da Universidade, dizendo que as aulas retornarão dia 2, próximo, para todo e qualquer curso. Onde está o meu direito às férias? Quem foi que me disse que as aulas voltariam apenas dia 9? Todo mundo me disse. Professores, colegas, não colegas, inimigos declarados, amigos queridos. Quem foi que mudou de idéia? PRECISO DE FÉRIAS... SOCORROOOOOO....

Orgulho: ser Sãopaulina


Engraçado. Todo mundo prega que a discriminação é crime. E foi a Constituição Federal quem disse, não eu. Particularmente, não gosto de pobres. Por isto, dependendo da situação em que encontro a conta-corrente (tudo bem, erro de português, segundo as novas regras. Dane-se. Posso usá-las até... depois vejo até quando), evito até olhar no espelho. Não discrimino os sem-dentes, os sem-educação, os sem-cultura, os sem-bom senso, os sem-bom gosto, os sem muitos troféus. Então, qual o motivo da discriminação? Inveja? Ela mata. E como não tenho inveja, pois nasci para ser campeã, viverei ainda muitos anos para ver minha camisa encher de estrelas. Tricolor até a morte!

Perfil: Murillo Mandelli


Nome completo: Murillo dos Santos Mandelli (ou será Mandelli dos Santos?)

Apelido: Muris (para os MUITO ÍNTIMOS), Mugo (para os comuns)

Time de futebol: São Paulo (mas ele ainda está em fase de descoberta, afinal, sua idade não permite muitos conhecimentos)

Profissão: Vagabundo (embora ele insista em achar que é funcionário público)

Sonhos: Os mais variados (principalmente quando está acordado)

O que faz nas horas de lazer: Além de sonhar, gosta de brincar de pega-pega, esconde-esconde, apertar a tecla FODA-SE (o cara está me fazendo usar, pela primeira vez, um palavriado chulo e vulgar em meu blog) para todo mundo que enche as suas paciências

Vocação: Fazer seus amigos rir o tempo todo

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mess?!?!?!?!?!



Tudo bem. Podem me chamar de chata, de velha, de tiazinha, de vovózinha ou qualquer outro adjetivo pejorativo. Juro que não vou me importar. A única coisa que realmente me incomoda é a bagunça. Meu marido costuma dar risada. Todos os dias, quando volta do almoço, ele costuma me ligar para saber se eu já almocei e o que estou fazendo. A resposta é quase sempre a mesma: não almocei ainda, estou dando uma arrumadinha nos armários e já vou almoçar. Já adianto que não tenho T.O.C. Apenas não tolero coisas bagunçadas, desarrumadas e fora do lugar. Aliás, sou a maior consumidora de caixas de arrumação. No Brasil, a coisa ainda está engatinhando. Quando nos mudamos para o Chile, me senti no paraíso. Na nossa suíte, tínhamos um closet gigante e comprei todas as caixas de arrumação que encontrei no caminho. Depois nos mudamos para o Brasil e sinto que não vai ser nesta vida que terei novamente outro closet tão espaçoso. Mas minhas caixas, amigas e companheiras, continham junto de mim. Que atire a primeira pedra, aquele que se sente bem e confortável vivendo na bagunça. Eu, continuarei arrumando armários. E sempre feliz.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Profissão: Tradutor

A hora se aproxima. Todos em clima de "HSM 3 - O Ano da Formatura". Na minha cabeça, claro, a pergunta: como será o amanhã? Não é letra de música. Ou talvez seja, mas a música que toca constantemente em meus pensamentos.
Quando se fala para alguém que se estuda para ser tradutor, ouve-se perguntas de todos os tipos: "um tradutor traduz toda e qualquer língua?"; "como é feita a tradução de um filme ou um seriado, já que há tanta diferença entre o que se diz na língua original e o que se traduz em nossa língua?"; "o tradutor traduz apenas livros, ou também faz tradução no dia do Oscar e nas Olimpíadas?". Para cada pergunta, há um tipo de resposta, e na verdade, podem haver muitas respostas.
Em suma, o tradutor pode traduzir qualquer língua para qualquer outra língua, desde que saiba falar as duas. Simples não? Claro que não. Há que se ter o domínio, principalmente no que tange às expressões, gírias e dialetos. Há que se saber como substituir determinada expressão para que tenha sentido em um contexto.
O tradutor pode traduzir filmes, seriados, livros, revistas, textos em geral. Há ainda o tradutor juramentado, profissional habilitado (através de prova específica) para traduzir documentos e ofícios. Geralmente, o profissional que trabalha com tradução, trabalha também com interpretação, sendo esta, mais difícil que aquela (para grande parte dos profissionais), por se tratar de um trabalho "ao vivo e a cores". Não importa o que será o amanhã, sequer se seguirei a carreira de tradutora ou de intérprete. Na verdade, como tudo na vida está cadenciado, tudo em ritmo musical, fica essa: "Eu só quero ser feliz...".

Hall da fama


Famosos formados em Letras:

- João Emmanuel Carneiro (autor de "A Favorita")

- Sandy (cantora e compositora)

- Margibel Adriana de Oliveira (mestre)


Muito famosos, formandos em Letras:

- Úrsula Hummel (na foto)

- Eliana Lima

- Tânia Gorodniuk

- Morgana Voroz

- Murillo Mandelli

- Mariza "Freire" Araújo

domingo, 18 de janeiro de 2009

O dia em que perdi o show do Elton John


Desde os primórdios, sou fã do Elton John. Há (posso dizer) um bom par de anos, sou apaixonada pelo astro. E durante tanto tempo, aguardo ansiosa por uma apresentação dele em terras canarinhas.

Estou eu em casa, mês de outubro, esperando o Milton chegar da FGV, uma terça-feira a noite, e qual não é a minha alegre surpresa quando vejo que meu ídolo fará, finalmente, o esperado show. Mas, qual não é a minha tristeza, quando vejo que a data da apresentação em Sampa, coincide com o casamento da minha grande amiga? Claro que rapidamente, encontrei uma forma de estar nos dois eventos: assistiríamos à cerimônia religiosa e sairíamos, rumo ao show. Só que meu marido me fez optar: ou o casamento, ou o show. Se não chegarmos cedo ao show, não entramos depois, uma vez que não há lugar marcado. Ponto para a amizade. E ponto para a escolha. Não menosprezando o mega artista, tampouco o mega evento. Só que o casamento foi muito bom.
O Leleco só havia ido a um casamento, mas ele tinha 7 meses, portanto, era virgem no assunto. E sua expectativa foi nos deixando também excitados. Ele perguntava se haveriam brinquedos no Buffet, se a noiva ia se vestir de Princesa, enfim, as fantasias eram mil. Saimos todos para a grande noite. A euforia dele era marcante para todos, já na porta da igreja. Foi a pessoa que mais sofreu com o atraso da noiva, mais até que o noivo.

O CASAMENTO: tenho certeza que a Pops só se atrasou pelo fato de ter sido atrasada, no salão de beleza. Não consigo ver minha britânica amiga se atrasando. Aliás, tinha certeza que ela faria como eu, no meu casamento religioso: chegaria antes do noivo. Perderia se tivesse apostado com alguém.
A emoção começou com a entrada do Alê e sua mamys, na nave da igreja. Não dá para traduzir o que consegui ler em seus rostos. Foi um misto de alegria, emoção, realização, ansiedade, expectativa. Foi lindo e só não foi a fotografia mais bonita na minha memória, pois o momento marcante estaria ao lado da noiva.
Saímos antes do fim da cerimônia, logo após a troca das alianças. O Leleco queria fazer xixi, tomar água, tudo que possa gerar desespero em uma criança, pela pressa de chegar “no parabéns do casamento da Pops”. Paramos no Mac Donalds para suprir as necessidades biológicas do pequeno “Kalanguinho” e fomos para o Buffet. Mas fomos para o Buffet errado.
Há pessoas que tem o péssimo hábito de deduzir e eu sou uma delas. Quando a Pops entregou o convite do casamento e disse que a recepção seria no Buffet blá blá blá, da avenida Nova Cantareira, exclui o Buffet Adelina e fui direto para o outro que conheço por lá, aliás, são dois, um ao lado do outro. Um dos dois, abrigaria a nossa noite. Bobagem. Chegamos e não era nenhum dos dois. Com o convite em mãos, procuramos o número certo e, enfim, chegamos junto com todo mundo.
Escolhemos uma mesa bem afastada da multidão e aguardamos os amigos que a dividiriam conosco: Talita e Flávio. Aqui, faço um parênteses: acho todo o percurso que permeia uma cerimônia de casamento maravilhoso. Só que acho todo o protocolo um saco. Os pobres noivos terminaram toda a sessão de fotos e cumprimentos exatamente a meia-noite. Isto é desumano.
Mas voltando...foi muito gostoso rever tanta gente querida do Vitória Régia, onde morei por tantos anos e tenho tão boas recordações, onde minha filha nasceu e foi tão amorosamente acolhida. Uma das madrinhas, a Fofs, amiga de infância da Pops (e não minha, pois já sou tiazinha para a idade delas), estava impecável. Só perdeu em beleza de figurino para a noiva. Mas ela consegue ser linda por dentro, por fora e maravilhosa em seu vestido vermelho, colado ao corpinho de Miss.
O primeiro ponto alto da festa foi a retrospectiva. Só há uma palavra para ela: INDESCRITÍVEL. Os noivos se emocionaram, os convidados se emocionaram e os pais dos noivos, que estavam ao nosso lado, babaram. Começou o baile e o Leleco se esbaldou. Foi hilário ver o pequeno se acabando na pista de danças. A Bibi, mesmo com o seu sono lutando contra a noite que tínhamos pela frente, não deixou de chacoalhar o esqueleto. E nós, como bons velhinhos, curtimos tudo que podíamos os hits anos 50, 60, 70.
Fomos uma das primeiras famílias a deixar o recinto, afinal, crianças tem sono (e eu, nem preciso comentar). Fica aqui o meu desejo para a Pops e para o Alê, de uma vida a dois com toda a alegria e o carinho que começou a nova fase das suas vidas. E uma boa lua de mel aos nubentes.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A viagem


Não é nome de novela. Mas poderia. Já estava decidido que não viajaríamos nestas férias, mas como bons geminianos que se prezem, decidimos passar uns dias na praia com as crianças. O destino escolhido foi Ilhabela.
Claro que só cumpri minha parte de mãe, que é pagar os pecados. As pessoas me acham meio E.T. quando digo que não gosto de praia, ainda mais quando se trata de Ilhabela e suas grandes piscinas salgadas. Para quem pensa assim, deveria ver minha situação na volta. A pele completamente em brotoejas, por toda a parte do corpo; picadas de pernilongos, borrachudos, formigas (e tenho a sensação de que até o vento me pica) norteiam toda a minha matéria física; a oleosidade que meu rosto exibe, dura um mês, e não adianta passar os cremes mais apropriados, dos mais baratos aos mais caros, que não resolvem; sem contar o sono que volto, pois o calor, definitivamente, me impede de dormir. Mesmo com tudo isto, lá fomos nós.
Chegamos em nossa pousada e nos surpreendemos. Era uma Pousada/Flat e ficamos em um apartamento com (pasmem) três dormitórios. Nos surpreendeu a qualidade do serviço prestado, uma vez que, como sempre, o Milton foi na sorte, pela internet, escolher nosso abrigo. Me surpreendeu, que nos dias de hoje, ainda existam as chamadas "camas de casal". A explicação, porém, veio no check-out: ESTE É UM BUSINESS HOTEL. Por quê destaco a expressão? Porque a nomenclatura usada está errada. Deveria chamar-se CAMA REPRODUTORA. É humanamente impossível que uma cama padrão casal acomode a mim e ao Milton, mais os nossos 8 travesseiros, de forma confortável.
Decidi mudar o nome das coisas. Principalmente, após ter dormido sozinha em um quarto, na cama de solteiro (também há a incompatibilidade de saúde do casal, uma vez que sempre há um dos dois em crise alérgica, tendo que fugir do ar-condicionado ou do ventilador). Agora, vou encabeçar uma campanha: CAMA KING, SEMPRE. As crianças foram espetaculares. Brincaram, se divertiram e tomaram sorvete como nunca vi: café, almoço, lanche, jantar (e se bobear, inventariam até uma nova refeição, só para tomarem mais sorvetes). Apesar do medo do meu Petelequinho com o mar, sua satisfação e alegria ao brincar na areia é ímpar. Minha Remelentinha, como sempre, uma sereia, que não deixa o seu habitat nem por um delicioso coco gelado. Claro que eu, a velhinha da turma, já queria vir embora desde que chegamos.
Ao final da viagem, juntou-se a mim o pequenino e, por dois votos e muitos resmungos, subimos a Serra, com mais uma história em família para contar, muita roupa suja, um carro carregado de areia, o cansaço dominando nossos corpos, mas o sorriso estampado nos rostos da família. E a semana que vem, tem mais.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Amizade

A amizade é um bem, de muito valor e que não há dinheiro que a pague. Sempre dei o merecido valor para todos os amigos que tive e ainda tenho. E mesmo com algumas decepções que tenha vivido, ainda assim, preservo este tesouro a sete chaves.

Amigos são pessoas que entram em nossas vidas por um acaso. Mas não é por acaso que passam a fazer parte dela. Há fatores como afinidade, caráter, personalidade e valores, que fazem com que uma amizade possa ser comemorada a cada ano.

A Dra. Maria Helena, pediatra dos meus filhos, na casa dos sessenta anos, costuma dizer para a Isabela que é muito difícil ter amigos. Ao longo de nossas vidas, se conseguirmos conquistar uma das nossas mãos, cheia de amigos, somos seres abençoados e iluminados, que ganhamos na loteria. Acredito e faço da fala da doutora, uma máxima de vida.

Por um acaso, surgiu a Gaiola das Loucas. Não por acaso, as verdadeiras amizades sobrevivem. Não há coisa mais emocionante que ver nossos filhos, de apenas três anos, falando sobre os amigos de boca cheia, como se tivessem anos de história de amizade para contar. Leleco, Murilo Francesco, Pedro, Pedro Henrique, Yuri. Meus meninos de ouro, que fazem parte da vida do meu filho, fazem parte da minha vida e que fazem nossas vidas mais felizes.

Eu tenho, além de Deus, um grande amigo, que é o meu marido. Meu melhor amigo, companheiro, confidente, companheiro de luta, de vida, a pessoa que mais brigo no mundo e também a que mais dou amor. Tenho minhas amigas mais antigas, que sobreviveram às peneiradas e lá se vão vinte anos de amizade: Vanessa e Fernanda. Tenho outros grandes amigos que estão construindo suas histórias junto com a minha e, espero, poder ter um grande livro. Viva o amigo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O dilema da empregada doméstica

Sempre me esforcei para ser uma boa patroa. A primeira empregada doméstica que tive em casa foi quase doze anos atrás. Demiti-a quando voltei da maternidade com a Isabela. Após três dias de internação, cheguei em casa e tinha pilhas de roupas para passar, a casa estava uma bagunça que só e a minha secretária não havia trabalhado nenhum dia.
Como a Isabella nasceu às 00h39m do dia 16 de novembro e o feriado de 15 de novembro foi em uma segunda-feira, significa que, ao chegar em casa no dia 19, sexta-feira, estava sem alguém que limpasse a casa há uma semana. Um detalhe muito interessante é que eu já tinha contratado a babá, que ficou em casa vendo o circo pegar fogo enquanto eu me recuperava na maternidade. Ela não foi capaz sequer de passar um pano no minúsculo apartamento que eu morava. Claro que também não durou muito.
Quando a Isabella tinha nove meses, estávamos a nona babá, que permaneceu comigo até os dois anos e meio da minha filha. Não houve agência, indicação, treinamento e nem coisa alguma que fizesse minha história mudar.

Quando nos mudamos para o Alto de Pinheiros, optei por uma diarista, duas vezes por semana. Ela era ótima, sempre deixava coisas para eu fazer, aprendendo realmente os ensinamentos cristãos: dividir com o próximo. A aplicação dos ensinamentos só não se dava em se tratando de comida, afinal, que garantia teria ela, de uma vaga no céu? Então, aproveitava o período em que o Milton passava mais da metade do tempo no exterior e comia todos os chocolates ou biscoitos importados que ele trazia.

No Chile, moramos por muitos meses em um apart hotel. Quando fomos para nosso apartamento, arrumei uma empregada peruana, que limpava a casa super bem, chegava no horário e nunca éramos pegos de surpresa ao abrir a despensa para procurar algo. Sempre encontrávamos nossas guloseimas onde havíamos deixado. Como felicidade de pobre dura pouco, fomos transferidos para Portugal. Um tempo em Lisboa, seis meses morando em um apart hotel no Estoril e, finalmente, desembargamos nossa mudança. Como na Europa paga-se por hora, tínhamos uma brasileira que trabalhava algumas horas por semana em nossa casa e as outras horas na casa do nosso senhorio, cuja esposa também é brasileira. A vivência em Cascais foi tão estressante que não me lembro se houve algum problema marcante com esta ajudante. Acredito que não, senão, lembraria.

De volta ao Brasil, mudamos para Moema e contratei uma pessoa para trabalhar em casa das 16 horas até as 22 horas. O Milton levava a Isabella cedo para a escola, onde ficava o dia todo. Logo engravidei do Leleco, acordava tarde todos os dias, pois passava as noites em claro vomitando. Ia para a faculdade a noite e demorava para pegar no sono. Foi um horário estudado para nossa secretária do lar. Nos seis meses que ficou comigo, nenhum dia me lembro de ela ter chegado antes das 17horas e 30 minutos. Todos os dias era algo grave acontecendo: ônibus quebrado, assalto na vizinha, gato atropelado, passarinho que perdeu a pena. Mudamos para Santana e no dia seguinte, começava a nossa nova funcionária. Com o nascimento do Leleco e o tempo que fiquei sem andar, precisamos de uma babá. Foi um festival de gente sem fazer nada em casa e outro festival de neurônios pulando no meu cérebro, querendo estrangular alguém. Uma bela segunda-feira, minha empregada chegou e disse que não trabalharia mais, pois era muito serviço para ela. Concordei sem discussões. Afinal, um apartamento de 67m2, uma criança de 6 anos em período integral na escola, um marido que trabalha uma média de 13, 14 horas de 2ª. à sábado, e uma patroa que não come e não cozinha, realmente, era um trabalho de cansar qualquer um. Depois dela, vieram umas dez e assim passaram os últimos quatro anos, desde que voltamos ao Brasil.

Nunca tive problemas em encontrar empregadas. O problema é encontrar uma que venha com a tecla EU FUNCIONO. Sempre paguei salários muito acima dos demais vizinhos, então, cada vez que preciso de uma empregada nova, tenho muitas candidatas. Registro, faço contrato, pago condução, recolho o INSS, semana de cinco dias, férias de trinta dias por ano, 13º. salário. Onde erro? Erro por não saber mandar; erro por não conseguir dividir classes sociais e entender que cada um tem o seu lugar; erro por permitir que minhas funcionárias faltem quando precisam, sem desculpa, sem atestado e sem desconto; erro por permitir roupas queimadas pelo ferro, louças e muitas outras coisas em casa quebradas, sempre dizendo que “poderia ter sido comigo, acontece mesmo, deixa para lá”. Mas eu sou geminiana, sou mulher, sou persistente, sou insistente e não desisto, muito menos com grandes dificuldades. No momento, tenho a Nina, minha diarista de duas vezes por semana, que está passando férias em Recife. E eu, claro, estou na labuta.

Tudo que desabafei hoje, foi em solidariedade à minha amiga e vizinha Danisam, que é tudo que sou e muito mais um pouco para suas funcionárias e foi abandonada em pleno dia 30 de dezembro, sem comunicação prévia ou qualquer aviso posterior e até o momento está sem saber se a empregada vem amanhã ou não. Ah, o dilema existe porque a empregada liga para garantir que amanhã ela virá. E assim, passamos mais uma semana.

Quero hoje parabenizar todo e qualquer ser humano que sabe valorizar o seu trabalho, valorizar as oportunidades que a vida lhe dá, sabe trabalhar com afinco, agradecendo a oportunidade de prosperar, de progredir, de produzir e ser alguém na vida. E parabéns às pessoas que não vivem o dilema da empregada doméstica; são pessoas que ganharam na loteria e talvez, ainda não tenham se dado conta.

Enfim, férias


Ano Novo. A única coisa que vejo realmente de nova, é a esperança no coração de tantas pessoas ao meu redor. A esperança de finalmente, concretizar tantas promessas, realizar tantos sonhos, viver tantas aventuras, emagrecer de uma vez por todas, ir para a academia, encontrar um caminho religioso ou espiritual, rever amigos que não se encontra há anos. Nossa, é tanta esperança que acho que realmente, em 2009, tudo vai ser diferente.

Para mim, a vida continua. Nada mudou além dos números na balança. Que coisa mais comestível que são férias. Fico impressionada como o ócio é capaz de fazer com que o ser humano ataque a geladeira. E quem falou em ócio? Empregada em férias, o que me transforma na própria empregada; filhos em férias, fazendo de mim a mãe, a recreacionista, a cozinheira (e meus filhos tem o dom de inventar receitas e fazer sua pobre mãezinha de “chef” experimental), motorista, parceira do buraco e até Pula Pirata (aquele da minha infância), eu tenho que jogar. Claro que não contei do Piscinão de Ramos que se transformou minha pequena sacada, com piscina inflável, pista de barco, lavarrápido (odeio a nova ortografia) de carros de plástico, banheira de bonecas. Também esqueci de citar as massinhas que grudam pela casa inteira, as peças de Lego espalhadas pelo minúsculo apartamento, Little People fazendo barulho o dia inteiro, acessórios dos Playmobil trincando a cada passo, notas de dinheiro, mas de mentira, do Banco Imobiliário e do Jogo da Vida. Ainda tem o interfone que toca dia e noite (por que férias são feitas para brincar no condomínio até a hora que o último pai lembrar que tem filho na rua), as idas infinitas aos cinemas, parques, Mac Donalds (maldição, como posso comer algo que acho tão ruim, só para ganhar todos os bichinhos do Madagascar 2 e perceber que a promoção acabou, meu dinheiro também, o espaço da minha barriga idem, mas ainda faltam bichinhos?).

Ainda bem que todo ano, existe o momento TIA FELIZ. Para quem não conhece ou nunca fez, eu aconselho. Funciona assim: a tia pega os sobrinhos para dormir por uns dias em sua casa; eles vão muito felizes; a tia, claro, também fica feliz, pelos momentos de prazer que passará com seus sobrinhos. Felicidade, porém, é dos pais (no caso, eu e o Toru). Claro que eu MORRO de saudades dos dois. Ando com o notebook a tiracolo para ficar vendo os vídeos do Peteleco. Mas é tão bom sentir-se como gente, entrar no cinema sem hora para sair, assistir a vários filmes em sequência (como explico para este computador que a trema foi ABOLIDA do nosso sistema ortográfico?), sentar na Starbucks com calma e saborear um Frapuccino sem nenhuma criança babando no seu copo, jantar tranquilamente no Andiamo, sem engasgar com a comida quando a criança resolve brincar na adega do restaurante. E dormir no dia seguinte, poder acordar às nove horas da manhã, achando que já passou da hora do almoço das crianças, e se dar conta de que não há crianças? Todo casal merece o momento TIA FELIZ, até por que, o momento mais feliz é aquele do reencontro com as crias.
E falando em filmes... assistimos um filme que recomendo. O filme é sensacional do começo ao fim. Claro, é minha opinião, que não deveria contar muito. Mas quando vi a sala do cinema completamente tomada, sem um assento sequer disponível e gente chorando acima, abaixo, à direita e à esquerda, meu depoimento fica com mais credibilidade. A obra em questão é “Sete Vidas”. Não vou me dar ao trabalho de fazer uma resenha do filme, pois ela se encontra em cada página de revista, jornal ou internet. Só digo e repito: vale a pena.
Para começar o ano, é só. A cabeça borbulha de idéias, mas o ócio toma conta do meu ser, nos raros momentos que encontro para descansar minhas costelas. Por ora, só ansiosamente preparando tudo para o casamento da minha amiga Pops, no próximo dia 17. A partir do dia 12, férias em família, não sei como, não sei pra onde, nem sei o porquê. Mas férias são férias. E as minhas, sem puxar sardinha para o meu lado, serão mais que merecidas. MUITO AXÉ PARA TODOS E UM FELIZ 2009.