segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ser Pai

LEGENDA: meu pai com a Bibi, na última vez que nos vimos; meu marido com meus filhos; eu e meu pai; meu pai e meus irmãos, no aniversário de dois anos da Bibi


O final de semana que passou e o próximo serão os piores do ano para mim. Mesmo que tenha decidido definitivamente apertar o DANE-SE para a faculdade, não faz parte do meu “eu” abandonar tudo assim. Mesmo que a nota mais alta que eu precise para passar de ano seja 1,5, não consigo me entregar à mediocridade. Portanto, bunda na cadeira, olhos no computador, mãos no teclado, cabeça nos livros. Claro, dei uma paradinha sábado para a festa no apê da Margi, que foi SENSACIONAL! É muito gostoso estar rodeada de pessoas sinceras, uma boa conversa, um ambiente saudável, sem hipocrisia, sem jogo de interesses, onde o único e real interesse é a troca de experiências e muita risada.

Na reta final de todo ano letivo, viro um poço de estresse, que nem eu mesma me tolero. Tive (e tenho, sempre) no Milton, aquela pessoa que todo mundo sonha e deseja ao seu lado e que, por algum motivo, Deus me concedeu o privilégio. Sábado, ele foi passear com as crianças no SESC. Jogaram damas, xadrez, petecas, leram livros, gibis, assistiram apresentações musicais e voltaram os três muito felizes.

Ontem, todos acordaram cedo e, após dar café para os dois, lá foi o super pai novamente passear com a prole. Primeiro foram visitar os avós. Mas por questão de segundos, desencontraram-se e os três seguiram rumo ao SESC Vila Mariana. Lá, divertiram-se pacas e voltaram radiantes. Almoçaram, descansaram e a noite, ele foi fazer um programa de pai e filha: levou a Bibi para assistir a primeira apresentação em São Paulo da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Depois, ainda assistiram “O Menino Marrom”, do Ziraldo.

Estes momentos que um pai proporciona para um filho ficam gravados eternamente em suas memórias. Quando eu era bem pequena, meus pais me levavam ao Parque Trianon para andar de bambolão (um triciclo de rodas grandes). Lembro-me das compras que fazíamos no antigo Eldorado Pamplona (hoje Carrefour). E quantas segundas-feiras não íamos para a pizzaria, pois era o único período de folga que meu pai tinha.

Hoje, o padrão das famílias mudou. Há muitas produções independentes, voluntárias ou não. Mas não há dúvida alguma da importância da figura de um pai na vida e formação do seu filho. Um pai de verdade, igual ao pai dos meus filhos, que participa, cuida, dá banho, dá comida, escolhe a roupa, preocupa-se com o brinquedo, com a escola, com a formação, que participa ativamente nas festas, que leva aos parques da cidade todo final de semana, que reprime, castiga, diz “eu te amo”, beija antes de dormir e transforma o pouco tempo em que fica com os filhos, em um tempo infinito, pois a qualidade é incontestável.

Há dezoito meses, perdi meu pai de forma repentina e achei que havia perdido também o meu chão. Meu ar faltou diversas vezes e pensei que não respiraria novamente. Não sabia, até aquele momento, que meu pai era tão importante pra mim. Ainda me pego várias vezes pensando em perguntar algo a ele, quando lembro que onde ele está, não há como chegar a minha voz. Questionei a Deus o porquê de uma partida tão brusca e cruel para mim e meus irmãos. Durante meses, achei que meu pai surgiria a qualquer momento, dando um grande susto na gente e dizendo que só queria testar o nosso amor. Ele não fez grandes passeios conosco, mas deixou a marca nos poucos em que fez; também nos deu amor de forma infinita e deixou grandes ensinamentos fincados na minha essência.

Sou muito grata por ter um marido que, independente de ser a pessoa que eu amo e quero viver por cem anos, com suas qualidades e defeitos, é um pai que os filhos se orgulham muito, que amam demais, que é amado de maneira única, admirado por todos que o conhecem nesse exercício de uma figura cada vez mais extinta: SER PAI!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Então é Natal...


Mais um ano indo embora e, mais uma vez, o povo inicia sua corrida para as compras natalinas.

Quando era criança, confesso que gostava do Natal, mas este gosto foi se perdendo conforme fui crescendo. Hoje, me emociono ao ver o Leleco todo entusiasmado, abraçando o Papai Noel, escrevendo um e-mail para o bom velhinho para pedir o seu presente. A Bibi não quer me dizer nada, mas acho que ela não acredita mais que o Papai Noel venha trazer os presentes. Vou ficar na minha.

Acho uma graça essa ilusão que a criança tem. O que não gosto do Natal (e de nenhuma outra data comercial) é a exarcebação ao consumo. A obrigação em presentear a cada um dos familiares, vizinhos, amigos, colegas, porteiros, professores e abrir falência no fim de dezembro.

Não gosto que dêem presentes aos meus filhos nesta data. Acho que o Papai Noel vem, traz um único presente e pronto. Eis a simbologia cristã, quando os Reis Magos presentearam o Menino Jesus.

Ensino aos dois que não é preciso que seja Natal para reunir a família ou as pessoas as quais amamos. Qualquer dia é dia de estar junto de quem se deseja. Oro com os dois, para que agradeçamos todas as graças que recebemos, mas não no dia 25 de dezembro. Oramos os 365 dias do ano. Mostro a eles que, antes de qualquer "presente de desembrulhar", o maior presente que temos todos os dias é a nossa família, o amor que nos une, a saúde que Deus nos oferece e a chance de estarmos aqui, para evoluírmos como seres humanos!

Que o espírito natalino esteja presente no coração de todos os cristãos, em todos os dias do ano, em todos os minutos de nossas vidas, e que sejamos capazes de amar, perdoar e praticar os ensinamentos do Mestre Jesus.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Existe perfeição ou satisfação plena?

Meses atrás, conversava com a minha irmã sobre cabelos. Confessei a ela que quando éramos criança, uma das minhas grandes frustrações era ver minha mãe fazer Maria-chiquinha nos cabelos dela e os meus cabelos, lisos, escorridos e horrorosos, estavam sempre do mesmo jeito, pois não havia elástico ou fivela que os prendesse. Minha irmã revelou que uma das suas grandes frustrações de infância, era ver meus cabelos lisos, escorridos e maravilhosos, acordarem sempre prontos para sair de casa, enquanto minha mãe tinha que passar muito tempo arrumando o dela para sair. Rimos e choramos da situação. Acho que se meu cabelo não tivesse caído inteiro, jamais teríamos tido esta conversa e levaríamos nossas frustrações “cabelísticas” para o túmulo.

É difícil a pessoa se aceitar do jeito que é. Sábado, estava no play com as crianças. Comigo, Danisam, Yolanda e seus rebentos. A piscina estava lotada. Já morei em outros condomínios com piscina, mas nunca vi alguma ser tão freqüentada como a deste nosso condomínio. As duas deram início a uma discussão. As férias se aproximam, o calor chegará com tudo e como faremos para levar as crianças à piscina? Dei risada, pois não entendi qual era o problema. O problema era algo chamado “não quero ser como sou” e naquele momento, resumia-se às celulites e estrias. Desembestei a rir. A Danisam, apesar de ter dado à luz menos de um ano, tem um corpinho de pré-adolescente. A Yolanda cismou que tem muita flacidez na barriga. Esperei o zelador passar por nós e levantei a blusa, abaixei a calça e mostrei a elas o que eram estrias e celulites. Disse as duas que aquelas estrias, celulites e flacidez pertenciam a mim e a mais ninguém, elas foram criadas pela minha pessoa e não era da conta de ninguém se eu as tinha ou não. Conclui o assunto dizendo que usaria biquíni durante todos os dias das férias em que levar as crianças à piscina.

Mais tarde, na festa da Bianca, começamos a descobrir todas as insatisfações femininas. Tal como os cabelos lisos e enrolados, meu e da minha irmã, umas são doidas por um silicone nos peitos, outras por redução de mamas; umas se acham injustiçadas por não terem crescido tanto, enquanto outras reclamam pelo excesso de fermento usado em seus hormônios e suas dificuldades em encontrar calças de tamanhos exatos e calçados que caibam em seus pés. E assim correu a discussão. Todo mundo tem alguma insatisfação: o nariz, os olhos, o quadril, o braço cumprido e, pasmem, descobri outro dia uma amiga que é insatisfeita com sua testa. Eu que sempre sofri pelo excesso de testa, vejo minha amiga contando que depila os cabelos na região da testa, para aumentá-la.

Precisamos nos sentir bem para estarmos felizes. Se para tanto, for preciso fazer plástica, cirurgia, lipo, cortar de um lado, enxertar de outro, o que vale é se aceitar e se sentir bem! O resto acontece por conseqüência. O conceito de perfeição é diferente para cada indivíduo. Então, um brinde às diferenças!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Por um mundo melhor, sempre!



Estou bastante confusa para escrever o que há em minha mente hoje; tentarei ao máximo ser clara nas idéias expostas.

Tenho uma rotina matinal em dias úteis meio que sagrada. Acordo, ligo o computador e abro a janela do quarto. Vou ao banheiro, faço xixi para esvaziar a bexiga, pois tomo água a noite inteira, uso álcool gel nas mãos e volto para a cama. Com o computador no colo, descarrego minha caixa de e-mails, dou uma espiadinha no Orkut para ver se há algo urgente e leio o Estadão online, na íntegra e após a leitura do jornal, já começam minhas divagações e reflexões. Só depois deste ritual é que acordo, de verdade; dou bom dia para as crianças, tomo banho, café da manhã, preparo as mochilas, lancheiras e saímos todos para começar de verdade nossos dias.

Já há alguns meses (se não for há alguns anos), venho refletindo sobre fusões e aquisições e os rumos os quais a economia mundial caminha. Trabalhei em consultorias de Recursos Humanos, em um tempo que era possível saber naquele momento (e em mais alguns momentos futuros) o organograma de uma empresa. De repente, tudo foi se fundindo, se unindo, os cargos executivos diminuindo, salários exorbitantes para os que restavam, desafios absurdos, profissionais tendo suas vidas literalmente sugadas pela empresa que, por sua vez, sempre tem alguém acima para cobrar a prestação de contas (e, principalmente, de lucros).

Lembro-me da infância. Havia uma gama relativamente grande de supermercados. O conceito de hiper, trazido para o Brasil pelo Carrefour e ainda inacessível para muitos, não fazia parte do meu mundo. Lembro do Gonçalves Sé, onde minha avó materna sagradamente esperava, todos os sábados às 7 horas da manhã, a abertura, juntamente com outras velhinhas. Meus pais faziam compra no Eldorado da Pamplona. Quando nos mudamos para a avenida Rebouças, fazíamos compra no Bazar 13, da Teodoro Sampaio. Tudo isto foi desaparecendo. O Pão de Açúcar, que quase sumiu do mapa anos atrás, deu uma reviravolta. Criou o Extra para competir com o Carrefour. O Wall-Mart já se encontrava em terras canarinhas. O Bompreço, que pertenceu ao grupo nordestino Tavares de Melo, foi vendido para os ianques. Os franceses compraram um pequeno aqui, outro ali. O grupo brasileiro também fez suas aquisições. Os três disputaram compras de redes atacadistas, aumentando seu capital e sua participação no varejo. Ainda há um ou outro pequeno tentando sobreviver. Recentemente, tivemos a chegada do Záffari em São Paulo. Os gaúchos arrasaram em sua chegada, trazendo um conceito inovador de hipermercado e confesso que se não fosse minha preguiça, faria as compras de casa apenas lá, mesmo contra a vontade do meu marido, executivo de um concorrente. Mas o Pão de Açúcar online continua sendo minha primeira opção.

Em 1998, ingressei na Uniban para cursar Direito. A primeira turma deste curso havia se formado no ano anterior. Além do campus Maria Cândida, que estudava, havia os campi Leite de Moraes, Rudge e ABC, em São Bernardo. A briga entre Heitor Pinto Filho e João Carlos Di Gênio, respectivamente reitores da Uniban e Unip, começava a crescer, pelo primeiro lugar em número de alunos na área educacional. Após a abertura dos campi Morumbi I e II, Campo Limpo, Osasco, Tatuapé, Marte, a associação com duas universidades sulistas, parece que a guerra do Dr. Heitor foi vencida e a Uniban hoje já é a maior instituição de ensino privado, em número de alunos, no Brasil. A ressalva fica para a qualidade. Dez anos atrás, entrei na Uniban como uma aluna, cuja instituição preocupava-se de verdade com a formação do indivíduo não apenas no âmbito educacional, mas na formação de um cidadão político para o mundo. Hoje, me vejo lá apenas como mais uma, para aumentar a contabilização dos números.

Ouvi ontem uma citação que me chamou a atenção bruscamente, levando-me a tal reflexão. O assunto começou com a Unilever, marca presente hoje até nos produtos da Coca-Cola. Neste universo de tantas fusões, aquisições, compras, caminhamos nós para a formação de grandes cartéis? O oligopólio começa a estar presente? Onde ficará a concorrência? Semana passada, o país surpreendeu-se com o repentino anúncio da fusão de dois dos maiores bancos do país. O banco do governo correu atrás do prejuízo, para não perder o papel de número 1. Negociou a compra de um outro grande banco. E outras corridas continuarão. As concorrências diminuirão. Empregos sumirão. O que será de nós, consumidores de produtos e serviços, em um futuro próximo? Será que a palavra “qualidade”, ainda existirá no vocabulário das empresas? O que consigo visualizar é apenas um jogo de cobrir ofertas, mas preço baixo, só conseguirá o indivíduo que pesquisar entre os três, quatro fornecedores de dado produto ou serviço e bater no seu concorrente, pechinchando para conseguir um preço igual ao concorrente, com uma prestação a mais, facilitando o pagamento do carnê. Sem contar as agências de publicidade e marketing, que precisam passar dias e noites criando, tentando conseguir um mísero espaço nesta pouca concorrência, carregando o peso e a responsabilidade de destacar a marca e o produto.

Desde que se tem indício de seres humanos no mundo, há registro de guerras, de brigas por poder. Dizem que o mundo avançou, que a tecnologia trouxe progressos. Não discordo. Só não consigo pensar no mundo que terão meus descendentes. Por mais que tente avançar minha mente para pensar no futuro, nem o futuro mais próximo sou capaz de perceber. Espero que o mundo de amanhã resgate valores humanos. Que cada um descubra que para viver, precisamos do próximo e para ter um próximo ao nosso lado, precisamos fazer algo por tantos próximos ao nosso redor. Que um dia a humanidade avance de verdade e descubra que é preciso muito menos do que se pensa e do que se luta para conquistar, para que seja encontrada a felicidade plena. Esta, só será encontrada através da transparência, do amor incondicional, da ajuda mútua e de mais pessoas que, assim como eu, tem a utopia de que exista este mundo melhor.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A questão é tomar atitude, é acreditar, é agir!

Continuarei focando meus textos em educação, pois tenho a convicção que é através da educação que o ser humano se descobre, se torna um ser político, aprende a analisar os caminhos que a vida lhe proporciona e graças a sua formação, é capaz de escolher um caminho dentre tantos.

Sempre estudei em escola pública. E não desdenho dessa condição. Tive uma boa formação, tive bons professores, muitos deles empenhados em formar aqueles cidadãos que eram lhe postos de forma aleatória dentro de uma sala de aula com a árdua missão de ensinar, não apenas aquela matéria escrita nos livros didáticos. Ensinar a cada um a ser gente.

Nesta jornada, fui aluna do professor Waldir Romero, de Educação Física. O professor era um completo “porra louca”. Imaginem um bando de pré-adolescentes, fazendo aulas de educação física as 7 horas da manhã (às quintas-feiras) e o horário do início das aulas era apenas as 15 horas. Muitos iam para passar o dia na escola; talvez por morar longe; talvez por não ter alguém em casa para cuidar; talvez, por não ter o que comer em casa. Este ano de 1987 me marcou bastante.

Havíamos perdido no ano anterior uma querida professora de educação física, a professora Cleide, que foi vítima de um cancro. O Waldir assumiu nossa turma. Cabeludo, um pouco acima do peso, meio largadão. No início, todo mundo achou que seria moleza. Mas de moleza não teve nada. Nosso aquecimento começava com dez voltas ao redor dos dois prédios principais da escola (ainda havia o prédio do refeitório aos fundos). Não havia aluno nenhum que não tentava “burlar” as contas dele. Tentávamos nos esconder atrás de um dos prédios, fazíamos grupos para passar em frente a ele e, assim, não ser notada a presença daqueles que estavam escondidos. Não tinha jeito. Enquanto as dez voltas não fossem dadas, não começavam as aulas. Eu pensava que ia morrer. Um dia, decidi não me esconder atrás de prédio algum. Cheguei para ele e disse que meu coração doía muito e por isso não conseguia nunca dar as dez voltas, era praticamente a última a chegar (quando não dava para roubar nenhuma voltinha). Vinte e um anos depois, as palavras dele ainda estão na minha cabeça: “Úrsula, o dia que você sentir dor no coração, você morre. Não existe dor no coração. Melhor continuar e acabar logo, senão, perderá toda a aula resmungando”. Minhas dores no coração continuaram naquele e no ano seguinte. Então, completei o ginásio e mudei de escola. E a nova escola tinha prédios muito maiores e também tínhamos que aquecer correndo ao redor deles. Ainda bem que comecei a trabalhar e com a declaração de trabalho, me livrei das aulas de Educação Física.

Cinco anos atrás, a filha do Waldir me encontrou no Orkut. Estávamos morando em Portugal e fiquei muito feliz ao reencontrar meu professor. Perguntei se ele lembrava-se de mim e tive como resposta: “quem no Gastão não lembra da senhora, dona Úrsula”. Foi um recomeço. Naquele momento, jamais me imaginei cursando uma Licenciatura dali dois anos.

Ano passado, procurei o Waldir na escola municipal, a qual ele dirige tem treze anos. Pedi uma oportunidade de estágio e encontrei muito mais que isto. Encontrei um homem que havia trilhado caminhos diferentes na sua vida profissional e dentro das suas ideologias, conseguiu mudar. Mudou completamente a história de uma escola, fez história com a sua escola, que hoje, é modelo pelo Brasil afora. Fiquei muito feliz quando falei para a professora Elisete que estagiaria no Garcia Dávilla. Ela me falou muito sobre a escola. Foi gratificante estar ali com as professoras Conceição e Sara, convivendo com uma realidade muito diferente daquela que proporciono aos meus filhos. O que mais aprendi por lá? Que o ser humano é carente e antes de livros, lápis, cadernos, ele precisa de amor, de atenção, de carinho.

Aqueles adolescentes o sexto até o nono ano tinham os mais diversos comportamentos ao me ver entrar em suas salas. Quando me viam nos corredores da escola, iam logo perguntando: “psora, a sóra vai lá na nossa sala hoje?”. Sei que as professoras não gostam de estagiários em sala, pois eles dispersam a atenção dos alunos, que de alguma forma, querem aparecer, chamar a atenção, ser notado.
Os dois meses se passaram, fui a primeira da sala a concluir o estágio. A lição que ficou foi fundamental: querer é poder e conseguir. O Waldir quis, fez acontecer, mudou, transformou, trouxe os alunos para junto da escola. Tirou das ruas futuros delinqüentes, para transformar cada um em grandes sonhadores. Um dia, uma aluna me disse: “prô, eu nunca vou fazer faculdade porque meus pais são muito pobres e faculdade é coisa de rico”. Disse que faculdade não é para rico. Faculdade é para qualquer um, basta querer, trilhar o caminho do bem, desejar, buscar e alcançar. Tenho certeza de que aquela garota será uma brilhante universitária, independente de sua condição financeira. E, quiçá, daquela pequena transformação que começou treze anos atrás com uma pessoa que acreditava, dando vida a um grande projeto comunitário, sejam formados tantos outros idealizadores que coloquem em prática aquilo que acreditam, transformando seus sonhos em realidade.

Para saber mais:
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL864349-15605,00.html

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM886857-7823-DESEMPENHO+DE+ESTUDANTES+BRASILEIROS+E+PREOCUPANTE,00.html

Vivendo e aprendendo

A vida é um eterno aprendizado e cada minuto é precioso, pois tudo que vivemos é válido. Há experiências ou momentos, porém, que nos trazem grandes lições de vida.

Cheguei ontem na faculdade apenas para assistir a 3ª. aula. A professora Neide é simplesmente espetacular, como ser humano, como professora, como amiga. Não poderia perder a penúltima aula dela. Aprendi que há aulas que são especiais, pois seus docentes as deixam especiais. Se em 2009, eu não tiver a sorte e o privilégio de ser aluna da Neide, ao menos, não desperdicei nada neste ano. Eis que encontro a Tânia, me dizendo que a aula já havia sido adiantada. Naquele momento, me enfureci, queria explodir aquele campus. Sai de casa, deixei as crianças na escola, deixei tudo organizado porque só voltaria a noite para casa e chego para a aula, com chuva e a aula não vai acontecer.

Passada a fúria, fui até a sala dos professores, bati um papo com a Neide e me preparava para voltar pra casa, quando encontro minha querida ex-professora e eterna amiga Solange Leite. Há tempos não conversávamos, temos nos visto muito pouco. No primeiro semestre, tomávamos café da manhã juntas por muitas quartas-feiras. Mas com a minha mudança de horários neste semestre, pouco a encontro.

Demos aquele abraço gostoso, ela perguntou das minhas crianças e eu perguntei das dela, três homenzinhos, um deles já casado. Com aquele sorriso e amor de mãe que só ela e a Elisete conseguem transpor, disse-me que o apartamento do filho casado havia saído e ela venderia o carro dela para ajudá-lo a quitar seu imóvel, aos vinte e cinco anos. Mais alguma conversa ainda rolou e nos despedimos.

Vim pra casa pensando na grandeza desse gesto. Fiquei emocionada e pedindo à Deus para que eu possa um dia, ter uma atitude assim com meus filhos. Ser mãe é abrir mão constantemente de coisas que queremos, pois nossos filhos são sempre prioridade. Porém, depois que eles crescem, casam e seguem seus rumos, é muito raro ouvir histórias assim.

A Uniban me proporcionará um diploma no próximo ano. Um diploma para se juntar à outros e que muitas pessoas podem ter. Mas as lições de vida que aprendo com essas grandes pessoas, não há prova que avalie a construção do meu conhecimento. São ensinamentos que marcam de forma profunda e deixo hoje minha marca escrita, pois colocar sentimentos para fora através da escrita “dói e deixa marcas” (Madalena Freire). Aos meus mestres de vida nestes dois últimos anos: Elisete, Solange, Plínio, Ieda, Neide, Patrícia, Cris Máximo e Margi!

“Antes de ser professor, é preciso ser humano. O bom professor é aquele que ensina as lições da vida, pois as lições da escola qualquer livro nos traz.” Úrsula Hummel

domingo, 16 de novembro de 2008

Ser mãe - parte 1


Passei a semana pensando no que deixaria dedicado à minha filhotinha no dia do seu aniversário. Hoje, estávamos brincando no parque com as crianças, eu, a Danisam e a Karina e começamos a falar sobre ser mãe, sobre o nascimento do primeiro filho, quando vivemos a primeira separação daquele serzinho tão pequenino e inocente.

A Karina contou sobre um curso que fez, para aprender a trabalhar as emoções.Ao falar do curso, falou da sua relação com o filho e comecei a chorar ao falar da minha relação com a Isabella. Toda mãe fala que ama aos filhos do mesmo modo, mas é mentira. Não se mensura amor e não se ama igual, pois cada indivíduo tem suas peculiaridades e amamos cada um de um jeito, mas ambos de forma intensa. Só que o primeiro filho é sempre o primeiro, é a primeira flor que desabrocha do nosso mais profundo eu, é o primeiro amor verdadeiro e incondicional que sentimos dentro de nós.

Hoje, minha pequenina completa nove anos de vida. Uma vida cheia de vitórias, com muito amor, carinho e pessoas ao seu redor. Uma criança que teve uma vida muito diferente de outras da sua idade, que todos consideram madura demais, mas que lá dentro, bem no fundinho, é uma grande criança.

Quando eu era criança, não via a hora de fazer 10 anos. Queria muito ter duas velas no bolo. Este é o último aniversário da minha menina com apenas uma velinha no bolo.

Que Deus abençoe minha filha para que ela cresça em um caminho com muita luz, paz e amor em sua vida. E tudo mais que eu pudesse dizer dela hoje, está guardado no livro que escrevi a ela e conclui quando ela completou os seus cinco anos de vida. TE AMO FILHA!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Uma nova fase profissional

Ler e escrever são duas atividades fundamentais em minha vida, desde sempre. Tenho a sensação de que nasci já com um livro em mãos, um bloco de rascunho e uma caneta 0,5 (amo escrever com caneta de ponta fina). Ontem, dei início ao trabalho mais importante da minha vida: a minha primeira revisão de um livro. O material já se encontra comigo, mas os excessos de atividades ainda me impossibilitam de iniciar tal tarefa. Não posso falar nada da obra, sequer do autor. É um segredo e segredos são secretos. Também quero deixar aqui os meus leitores (nossa, que Machadiano) com um ponto de interrogação, aguardando a publicação desta nova obra literária.

Aproveitando o momento profissional e o pessoal, aniversário dos meus filhos, resolvi postar aqui um texto que produzi no início do ano, na aula da Margi, que me rendeu o primeiro dez de 2008. A proposta era a seguinte: “Estamos dia 31 de dezembro do ano de 1999, faltam 59 minutos para a chegada do ano 2000. Desenvolva a história, usando o tempo em flash backs”. Em cima disso, cada um deu asas às imaginações e diversos textos foram desenvolvidos, reais ou não. O meu texto é real quase que inteiramente:

“IDAS E VINDAS

Não acreditava. Faltavam apenas sessenta minutos e, finalmente, o ano 2000 chegaria. Durante trezentos e sessenta e quatro dias, os noticiários do mundo todo haviam anunciado este momento. Ainda não era a chegada do século XXI, porém, a cabeça das pessoas fazia apenas uma leitura numérica daqueles dígitos que ali apareciam: 1999-2000. mesmo que não fosse a chegada do século XXI, ali iniciava-se uma nova era.
Esta uma hora foi, na minha vida, uma das mais nostálgicas vividas. Lembrei, relembrei e revivi tantos momentos da minha infância. Não acreditava que, após vinte e seis anos, o ano 2000 chegaria.
Quando criança, tia Ana sempre profetizou as palavras de Nostradamus: “Em mil chegarás; mas de dois mil, não passarás”.
Assim, cresci, acreditando que aquele momento que estava vivendo, seria o momento que ocorreria uma grande explosão. Lamentava o pouco tempo que viveria e também lamentava que eu ainda estaria solteira e sem filhos, afinal, vinte e seis anos ainda seria a idade de estudar e viajar.
Lá estava eu, casada há oito anos e com a pequena Isabella no colo, com quarenta dias de vida.
O tempo ia e voltava em meus pensamentos. Ao mesmo tempo que desacreditava “ter sobrevivido” ou “estar viva” e que as palavras da tia Ana e do profeta não se concretizaram, pois nenhuma explosão ocorreria, me via projetando o futuro da Isabella.
Imaginei os próximos mil anos que viriam pela frente; quantas gerações nasceriam da minha filha, meus netos, bisnetos; outros profetas preveriam o fim do mundo.
Projetei a imagem da Isabella com seus sete, oito anos e ao mesmo tempo, remetia a minha pessoa, dezoito, dezenove anos atrás. Vinte e cinco anos era o tempo de vida que separava minha filha de mim e quantas mudanças ocorreram no mundo. Quem seria capaz de avançar pensamentos tão distantes e imaginar o mundo dali mil anos?
Me dei conta que, em cinqüenta e nove minutos, viajei pelo passado e pelo futuro e o único futuro certo era aquele: em sessenta segundos, chegaria o tão falado ano 2000!”

Dádivas e mais dádivas

Após as comemorações do dia aniversário, pacotes e mais pacotes de presentes abertos, telefonemas diversos, voltamos para um dia normal. Levei o Leleco pra escola e tinha reunião com a Coordenadora do SAA. Sai de lá e fui ao Shopping. Queria andar, espairecer e assistir a um filme, sessão das 13 horas, terça-feira, só eu e Deus. Acabei desistindo do cinema.

Passar algum tempo sozinha sempre me leva a reflexões e hoje minhas reflexões foram em torno das bênçãos da minha vida e o quanto sou grata à Deus por tudo que já vivi.

Fui criada de forma mista. Parte pelos avós maternos, parte pelos meus pais, até os sete anos de idade. Sempre tivemos uma vida humilde, mas grandes alegrias da minha infância são guardadas na memória através das lembranças dos sábados, os quais reuniam-se minha mãe e suas duas irmãs e os nove netos. Meu avô chegava do trabalho, passava na padaria, comprava muitos pães, muita mortadela e várias caixas de bombons Garoto. Era uma grande festa. Ao final do dia, voltávamos para nossa, sempre com a promessa da minha mãe de “acertar as contas” devido às nossas bagunças e abusos na casa da vovó.

Educar filhos é uma tarefa difícil e só sabemos disso, quando temos os nossos. Sempre falo pra minha mãe e pra minha sogra que ambas são vitoriosas. Criar três filhos é uma tarefa difícil. Não importa o que cada um conquistou na vida, pois não é assim que se mensura aquilo que ensinou-se aos filhos. O que importa, na verdade, são os valores que lhes foram passados e no caso dos meus pais e dos meus sogros, criaram seus filhos no caminho da honestidade, transformando-os em seres de bem. Ninguém se drogou, ninguém se desviou do caminho do bem e todos foram capazes de seguirem seus rumos.

Pensei no quanto sou abençoada por Deus. Fui agraciada por nascer em uma família, por ter estrutura para me tornar alguém na vida. Casei com o homem dos meus sonhos. Tive dois filhos lindos e perfeitos. Nasci com saúde, sabedoria e inteligência para conquistar aquilo que acho necessário, sem jamais passar por cima de ninguém.

Muitas pessoas passaram pela minha vida. Todas elas me ensinaram alguma coisa. Umas, ensinaram-me que não se pode confiar em qualquer um, pois uma hora, dá-se o bote, trai-se, como uma cobra. Outras, me trouxeram amor, alegria, ternura, amizade, companheirismo, crescimento pessoal, sabedoria. Tenho certeza que aquelas foram tiradas do meu circuito pelo mesmo anjo que trouxe essas.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Amor


Hoje é um dia de suma importância, afinal, comemoro os três anos do meu pequenino. Foi um dia muito gratificante e me deixou um aprendizado enorme: nada pode fazer alguém mais feliz do que construir uma família, tão linda como a que temos. Uma vez, ouvi ou li em algum lugar que "mais difícil que ser amado, é amar". Concordo com o dito. Muitas pessoas podem nos amar, mas não amar a ninguém deve ser algo que deixa um tremendo vazio na vida de um indivíduo.

Sempre digo que dinheiro não traz felicidade, mas manda buscar. Porém, dinheiro nenhum paga o amor e carinho que me filho teve hoje e a infinita alegria dele, rodeado de muitos presentes, recebendo o pacote do Padinho e da Padinha, lá da Irlanda e divertindo-se por horas. Uma cena que dinheiro nenhum paga!

Deixo meu brinde à simplicidade, à felicidade e ao amor.

domingo, 9 de novembro de 2008

Ser mãe - parte 2 (a parte 1 vem depois)



Meu irmão falou que eu escrevo muito e ele não consegue acompanhar, estando pendente na leitura de muitas mensagens. Sinto dizer-lhe, amado Mano Veio, mas não sou eu quem escreve demais. O tempo passa rápido demais, as coisas acontecem rápidas demais e minha cabeça, como sempre, borbulha de idéias e pensamentos. Acho que se tivesse uma maneira de “blogar” diretamente através dos pensamentos, teria uns dez “posts” por dia. No mínimo. O assunto de hoje é muito especial e peculiar para mim. Falarei sobre o aniversário dos meus filhos.

Há nove anos, no dia nove de novembro de 1999, estava grávida da Bibi. O parto, previsto para depois do dia 20, acabou sendo agendado para o dia 16, mas a bolsa rompeu duas horas antes do dia 16 chegar. Assim, aos 39 minutos, vinha minha pequena princesa ao mundo. Depois deste mês de novembro, minha vida nunca mais foi a mesma, pois filhos mudam nosso jeito de ser, nosso modo de pensar, mudam por completo o rumo de nossas vidas. Todos os anos, quando vai se aproximando o aniversário dela, revivo sempre os últimos dias os quais ainda vivemos como um só ser.

Próximo ao seu aniversário de seis anos, estava eu novamente com a minha enorme barriga. Há três anos, no dia 9 de novembro, tinha 35 semanas de gestação e um bebê com quatro quilos dentro da barriga. Uma gravidez sofrida, cheia de dores, cruel ao meu ver, que convalesci cada dia ao lado da minha bacia amiga, das injeções para tentar conter um pouco o enjôo, das dores pelos pontapés inúmeros que levava, mas uma gravidez esperada, desejada, planejada, aguardada. Neste dia 9, em 2005, fui ao consultório da Dra. Joyce às 14horas, com o Milton junto. As dores que sentia eram tantas que entrei na sala chorando. Pedi pelo amor de Deus para que o parto fosse feito ali, naquele minuto.

A Dra. Joyce, diferente do marido, Dr. Adriano, não se compadece muito das dores de suas pacientes. Como teve duas gestações difíceis, acredita que toda mulher sobrevive. Porém, naquele momento, viu que minha dor era intensa, minhas lágrimas eram involuntárias. Ligou para o marido, que estava no hospital São Luis do Itaim e pediu que fosse feita uma aminocentese. Caso o líquido aminiótico estivesse maduro, faríamos a cesárea. Saímos da Av. Angélica rumo ao hospital e eu só chorava no caminho. Já fui ligando para minha madrinha, que ficaria com a Bibi, para a madrinha do Leleco, para buscá-la mais cedo na escola e para todo mundo que pudesse me ouvir chorando, afinal, eu MORRO DE MEDO de parto.

Sempre achamos que já passamos tudo de ruim nas nossas vidas, mas nada está tão ruim que não possa ser pior. Tive inúmeras tentativas de perfuramento do cordão umbilical para colher o líquido. Nenhuma agulha conseguia fazer o serviço. Em meio a tantas tentativas e dores infinitas, comecei a ter contrações. Com uma agulha modelo “espeto de churrasco”, finalmente, foi colhido o líquido, branquinho e “no ponto”. O Dr. Adriano não me deixou por um instante sequer. Minha pressão subiu demais, as dores eram insustentáveis, mas sobrevivi. Após horas de observação, recebi alta para ir pra casa dormir e estar na Pró-Matre no dia seguinte, as nove da manhã. Com instruções para ligar ao doutor a qualquer momento, caso a dor piorasse (acho que pior que aquilo, só mesmo um infarto), fomos para casa. A Bibi foi para a casa da Dinda, o Milton “dormiu” e eu passei a noite em claro, com dores, enjôos, medos, ansiedades, mas finalmente o dia 10 chegou. Chegamos as 8 da manhã na maternidade e minha internação só foi feita às 13 horas. As 14h04, nascia meu pequeno gordo.

Até aquele momento, pedi a Deus que pudesse amar aquele filho menino, afinal, as expectativas do casal sempre giravam em torno de outra menina. Ao receber aquela graça divina em meus braços, descobri que filho não tem sexo. Amei infinitamente aquele serzinho, uma forma de amor única que só uma mãe sabe qual é.

Amanhã, meu Leleco completa três aninhos. Como encerramos a produção, estou com uma sensação de perda. Sensação que meu bebê está indo embora. É como se eu fosse dormir hoje com um filho bebê e acordasse amanhã com um menino.

Mas filhos são sempre eternos bebês para suas mães. Sempre teremos o instinto de protegê-los, de amá-los de forma infinita e fazer quaisquer coisas que estejam ou não ao nosso alcance, para vê-los feliz. Daqui cinco dias, volto para narrar a chegada da Bibi.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Buraco quente



Casais unem-se por diversos motivos e se há algo que tem um peso enorme na escolha de “juntar as escovas de dente”, este algo diz respeito às diferenças e semelhanças entre duas pessoas. Eu e o Milton temos muitas diferenças e isto nos faz crescer bastante e aprender cada dia mais um com o outro. Também temos muitas semelhanças e é exatamente aí que encontramos os prazeres mais simples da nossa união. Uma delas é o buraco quente.

Primeiramente, vou explicar o que é o buraco quente e contar a origem, ao menos a origem que nós conhecemos, desta iguaria dos deuses. O Jockey Clube de São Paulo possui dois bares e um restaurante, do Chef Charlô. Em um dos bares, o Mercearia, é feito o sanduíche que dá nome a este texto. A primeira vez em que estive no bar, decidi experimentar o lanche por duas razões: o nome era interessante, mas o recheio era de carne moída.

Não sei qual o motivo da fascinação que tenho por carne moída. Posso passar dias, meses, anos sem comer qualquer tipo de carne. Passo longe de bife, não me importo com churrasco. Quarta-feira, fui almoçar em uma grande churrascaria e comi apenas risoto de camarão. Saí sem sequer provar uma fatia de carne bovina. Mas se tivessem me oferecido uma carne moída...

Vem o buraco quente. Acho que dentro de um pão francês, cujo miolo é completamente eliminado, devem caber uns duzentos e cinqüenta gramas de carne moída. E não é uma simples carne moída. É uma carne moída hiper supermega ultra temperada e, o detalhe, muita, mas muita pimenta. Daí o nome do lanche.

Logo que conheci o Milton, apresentei meu reduto preferido de sanduíche de toda a variedade que nossa São Paulo nos oferece e ele também amou.

Hoje foi um dia corrido. Aliás, a semana inteira foi corrida. Todos os dias, começava com uma lista de dez afazeres, trabalhava o dia inteiro e, ao final do dia, a lista do dia seguinte contava com vinte afazeres. Cansada da louca semana e pensando no que fazer para o jantar, tive a idéia de preparar buraco quente. Quando o Milton ligou para avisar que estava vindo para casa, participei-lhe que hoje teríamos buraco quente. Senti o salivar dele através do telefone.

Tenho certeza que, independente do trânsito da cidade por ser sexta-feira, por estar chovendo e por ser o último dia do salão do automóvel no Anhembi, nosso vizinho, ele chegará em casa voando para devorar uma das nossas maiores semelhanças: a paixão pelo buraco quente. Experimentem, é apaixonante!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Honrando um raro dom divino


da esquerda para a direita:
1a. fileira - tia Sônia, tia Ágatha, tia Melina;
2a. fileira: tia Marina, tia Maria e tia Lívia;
3a. fileira: tia Tatá, tia Meire e tia Carmelita
p.s.: as tias que não aparecem na foto tem contrato exclusivo com uma grande agência internacional de modelos e seus contratos não permitem tal exposição

Muita gente conhece a epopéia que foi a vida escolar da Bibi, até antes dela entrar no SAA. Foram onze escolas diferentes, algumas delas, trocadas devido às nossas mudanças de bairros, cidades, países. A maior parte das vezes, trocamos-na de escola pela incompetência e incapacidade da escola em exercer papel de suma importância na formação de um indivíduo, papel ao qual todo “educador” que coloca na fachada do seu comércio a placa de “ESCOLA”, deveria repensar muitas vezes se realmente está apto a exercer aquilo que está se propondo.

Poderia escrever um livro contando as barbaridades que já vi em escolas de educação infantil, porém julgo tal ação como uma perda de tempo, já que sempre fiz a minha parte: reclamei, dei opinião, sugestão, cobrei, briguei e, sem mais recurso, trocava minha filha de escola. Só a pré-escola, hoje primeiro ano do Ensino Fundamental I, ela fez em três escolas diferentes. Começou em Cascais, Portugal. O ano letivo no hemisfério Norte inicia-se em setembro e na ocasião, a Bibi tinha quatro anos. Como faria cinco em novembro e a escola achou-a muito adiantada em seus conhecimentos, colocou-a no antigo pré. Em janeiro do ano seguinte, já no Brasil, insisti para que ela cursasse o Jardim II, no afã de prolongar sua infância, mas todas as escolas as quais visitei, no bairro de Moema, tiveram o mesmo argumento: “ela já está muito adiantada no processo de alfabetização, se for colocada no Jardim II, perderá o interesse pela escola”. Deu-se a continuidade em sua alfabetização e como fiquei grávida em março daquele ano de 2005, decidimos mudar para Santana no meio do ano. Nova escola e nova decepção. Aliás, esta escola dispensa qualquer comentário.

Em 2006, encontramos uma escola bilíngüe, com ótimas referências. Conhecemos a escola, gostamos e fizemos a matrícula. Minha resistência em colocar “minha bebê” em uma grande e tradicional escola era imensa. Tinha medo de pisarem nela, de machucarem-na, enfim, coisas de mãe. Até o meio do ano, tudo corria bem e o que era muito bom, desandou repentinamente. Volto eu então a buscar uma escola para os dois, uma vez que o Leleco também já freqüentava o berçário da escola bilíngüe.

Visitei toda e qualquer escola e berçário que possa existir aos arredores da nossa casa. Optei por colocar a Bibi no SAA, pois achei que de todas as tradicionais escolas da região, lá foi o único lugar que não cresceu nestes últimos anos em tamanho físico, em número de alunos e preservava valores fundamentais para nossa família. Faltava o berçário, que visitei dezenove ao todo.

Quando saímos de casa, costumamos cortar caminho para fugir do trânsito e sempre via uma escolinha com dois seguranças na porta, mas nada que me chamasse a atenção. Eis que lá foi minha primeira visita aos berçários e me encantei logo de cara. Fui muito bem recebida por uma moça que se apresentou como a filha da dona da escola e achei tudo maravilhoso. O berçário era impecável, com muitas opções de estimulação para os bebês. A escola ainda contava com uma equipe multidisciplinar que jamais vi igual em outra escola infantil. Claro que tinha que ter um senão. O preço era salgadíssimo e completamente fora do nosso orçamento. Mais dezoito berçários visitados e aquele primeiro não saia da minha cabeça. O Milton saiu um dia do trabalho para conhecer o lugar e ao sair de lá, havia decidido: poríamos o Leleco ali naquela escola; ele tentaria negociar o valor, faríamos cortes em nossas despesas, pediríamos bolsa parcial, mas ali era A ESCOLA.

É muito bom saber que a instabilidade que tivemos com a nossa filha foi compensada com o nosso filho. Se eu disser que a escola é perfeita, serei piegas, pois não há perfeição, além da divina. Só que esta escola tem peculiaridades que nenhuma outra jamais me mostrou. Existe há trinta anos, no mesmo lugar, com os mesmos princípios e valores que passamos aos nossos filhos. É a casa da vovó. São duzentas crianças de três meses até seis anos de idade, cuidadas todas com amor e carinho. As donas da escola, tia Sônia – a mãe, Silviane e Cíntia – as filhas, cuidam de cada criança ali dentro como se fossem seus filhos ou netos. As crianças falam do Romeu e da Julieta, o casal de coelhos, como se fossem colegas de sala. Ensina-se respeito. Ouve-se toda e qualquer reclamação ou sugestão dos pais, sendo que tudo é atendido imediatamente, sempre. O Leleco é extremamente feliz lá dentro, vai alegre para a escola todos os dias e muitas vezes, após passar 8, 9, 10 horas lá dentro, resiste em voltar para casa. Ainda fui contemplada com o fato dele ter tido as melhores professoras que já conheci.

Fica hoje os meus parabéns à Dona Sônia Vasconcellos. Parabéns pela pessoa que ela é, parabéns por tudo que ela representa em minha vida (e só nós duas sabemos o quanto), por sua perseverança em manter por trinta anos uma instituição de educação, ensino e amor, quando vemos tantas portas de escolas sendo fechadas. Mais parabéns pela educação que foi dada às suas filhas e que hoje, adultas, casadas e já com suas filhas, dão continuidade ao trabalho iniciado pela mãe com tanto amor, carinho e dedicação. E um enorme obrigado, em nome dos pais do Leleco, para as tias Maria, Melina, Marina, Kátia, Agatha, Tatá, Lívia, Simone, Raquel, Carmelita, Renata, Meire e todas as outras tias que estejam presentes no dia-a-dia do nosso pequeno e cujo trabalho temos o mais profundo respeito e admiração, pois a profissão de professor é um ato de amor que não está presente no mundo capitalista. Outro agradecimento à Mara, nossa Super Nanny que tanto ajuda e orienta nossa família e a primeira psicóloga na qual acreditei. À Thaís, a fono que cuida com todo o amor de cada um dos anjinhos. A Danila, que carinhosamente se preocupa com o cardápio e o equilíbrio na alimentação de todos eles. Ao tio Benê, pelo amor que passa através da musicalização e tanto muda a vida de cada um deles. Ao tio Marcos, formando futuros judokas. À tia Fafá, ensinando Artes aos pequenos arteiros. Ao tio Gil e ao tio Renato, pelo carinho na entrada e saída todos os dias. E a Deus, por nos permitir ter o Leleco em sagradas mãos, as quais tanto confiamos!

O que importa é o amor

Não sou uma pessoa supersticiosa. Ao contrário. Quando vejo uma escada, teimo em passar sob a tal, para provar que tudo é bobagem; ao cruzar com um gato preto, sei que aquele é meu dia de sorte.

Eu e o Milton nos separamos no sétimo ano dos nossos primeiros casamentos. Assim, um dos dois teve a idéia de não entrarmos nunca nos anos derivados de sete. Decidimos criar um ritual e renovar os votos do nosso casamento sempre que chegássemos aos tais múltiplos. E como em junho deste ano entramos no sétimo ano de casados, resolvemos trocar nossas alianças. Claro que a idéia consumista foi minha.

Entramos na Vivara e eu, com a minha praticidade, escolhi logo de cara o modelo. Ele não gostou do diamante que vinha no anel. Muito simples, em apenas quarenta dias, confeccionariam um novo par, uma peça com o diamante e a outra sem. Durante a espera, chega meu irmão e minha cunhada para despedirem-se da nossa família e com a surpresa do noivado e seu par de alianças. Dentre tantos pares, compramos exatamente as mesmas alianças. Após este episódio, perdi até a vontade de trocar meu precioso anelzinho, que comprei com tanto amor e carinho quando nos casamos no Chile, por aquele anel tão “popular”.

Passaram-se os 40 dias e recebi a ligação da vendedora, dizendo-me que as alianças estavam prontas. Fui buscá-las, mas sem empolgação. Foi com dor no coração que tirei (e senti a mesma coisa com o Milton), minha aliança querida. A nova não durou nem uma semana nas mãos. Começamos a perceber que várias pessoas tinham alianças como as nossas. E nem compramos em promoção, pois ainda hoje, é a aliança mais cara da loja. Mas decidimos voltar ao nosso primeiro símbolo de amor eterno e ao recolocarmos nossas velhas alianças, sentimos juntos que nunca deveríamos tê-las tirado.

Para os catorze anos de casamento, já decidimos: vamos para o Tahiti fazer uma cerimônia de casamento a dois. E com nossas primeiras alianças.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ignorância


É sabido da dificuldade em se escrever qualquer tipo de texto iniciando pelo título, afinal, não se sabe ainda que direção se tomará como se finalizará tal escrita. Mas inicio este pelo título, para “a priori” tratar da minha ignorância.

Muita gente tem vergonha de dizer-se ignorante. Eu tenho orgulho em ignorar tantas coisas e saber o quanto ainda tenho a aprender. Minha ignorância, neste texto, é diversificada: ignoro fatos históricos, ignoro fatos biológicos, fisiológicos, antropológicos, filosóficos, sociais. Então, tentarei expressar apenas meu sentimento com relação ao assunto: “Eleições nos EUA”.

Acredita-se que boa parte dos indivíduos do Planeta esteja voltada ao assunto. Trata-se da escolha do líder da maior potência da Terra. Minha indignação fica por conta da maneira a qual os candidatos são “vendidos”, ao menos aqui no Brasil: “Obama – o primeiro negro com possibilidade de se eleger presidente dos EUA; McCain é apenas um candidato sem cor”.

Aqui coloco minha ignorância em tantas ciências. Sou Cristã, mas acredito na teoria de Darwin, portanto, não faz sentido aqui discutir a Gênesis. Já li e reli vários artigos, livros, matérias e tantas quantas fossem as publicações que tive oportunidade, que mostravam as diferenças entre homens e mulheres. É mister, a mulher é muito mais capaz que o homem e falando isto, não levanto nenhuma bandeira feminista; só duvido da capacidade masculina em levar adiante nove meses de gravidez, enjoando, vomitando, passando mal, inchando, com desejos, com dores, anseios, raiva, alegria intensa; depois vem o parir; o amamentar; o ser mãe, esposa, amante, dona-de-casa, administradora do lar e tantas outras funções que todos sabem.

E o caucasiano e o negro, quais as diferenças podem ser explicitadas? Sei que o preconceito racial existe há milênios e o preconceito não é ignorância: é burrice. Não sabemos de onde viemos, tampouco para onde vamos. Independente da cor ou do credo de cada um, ninguém sabe de forma comprovada cientificamente, como chegou até aqui e para onde vai depois de toda a trajetória como ser humano.

Queria entender, e deixo aqui o meu questionamento, o porquê do fato do Obama ser NEGRO, fará dele um melhor presidente. Li muitas coisas a respeito dos dois candidatos e, se tivesse direito ao sufrágio americano, votaria no candidato democrata. Mas não para termos o primeiro presidente negro da história dos EUA. Votaria em suas idéias, em suas propostas de mudança, em sua plataforma de governo.

Independente da etnia dos dois políticos, que o vencedor seja capaz de interromper conflitos no Oriente, equilibrar a Economia nesse caótico e apreensivo momento que enfrentamos e, se sobrar um tempinho, mostrar ao mundo que não é a cor de uma pele que difere um humano do outro. O caráter e a honestidade, ao meu ver, superam diferenças raciais e religiosas e pessoas honestas e de bom caráter podem fazer a diferença.

domingo, 2 de novembro de 2008

Para ser mamãe

Recebi este e-mail e não resisti em dividir com todo mundo, principalmente com a GAIOLA DAS LOUCAS, pois sabemos bem que os papais pularam a aula introdutória. Have a fun!

"Caminhava com a minha filha de 4 anos , quando ela apanhou qualquer coisa do chão e ia pôr na boca.Ralhei com ela e disse-lhe para nunca fazer isso . - Mas porquê ? - perguntou ela .Respondi que se estava no chão estava sujo e cheio de micróbios. Nesse momento , a minha filha olhou-me com admiração e perguntou :- Mamãe, como você sabe tudo isso? Você é tão inteligente!Rapidamente refleti, e respondi-lhe:- Todas as mamães sabem estas coisas. Quando alguém quer ser mamãe, tem que fazer um teste e tem que saber todas estas coisas, senão, não pode ser mamãe.Caminhamos em silêncio cerca de 2, 3 minutos. Vi que ela pensava ainda sobre o assunto, e de repente disse :- Ah, já entendi. Se não passasse no teste, você era o papai.- Exatamente - respondi com um enorme sorriso..." (autoria desconhecida)

sábado, 1 de novembro de 2008

Uma questão de escolha

Minha vontade de escrever hoje era nenhuma; minha inspiração, abaixo de zero, em uma escala de zero até cem. Fui de manhã à Exposição Cultural do SAA; de lá, fui ao Shopping resolver umas pendências, encontrei minha amiga Lucianta por lá e nossos filhos estavam simplesmente impossíveis. Vim para casa com um enorme desejo de colocar meu fone de ouvido e continuar ouvindo “1808”, até acabar, sem sequer lembrar que o mundo existe.

Como desejo e realidade são situações antagônicas, de volta ao mundo real, dei almoço às crianças, sobremesa e sentei para brincar de Mega Bloks com o Leleco, com o computador ao lado. Eis que recebo uma mensagem da minha amiga Ave Maria, divulgando sua nova publicação em um site. Acessei a matéria, tentei postar um comentário e não consegui. Resolvi então, ler outros artigos publicados por ela e um me chamou a atenção, em especial: “Mulheres de Coragem” (http://www.pastoralis.com.br/pastoralis/html/modules/smartsection/item.php?itemid=302). Sai do mundo do IPod, dos Mega Bloks e mergulhei em uma reflexão que vem me acompanhando já há alguns dias.

Ouço muitas pessoas me dizerem: “que vida boa a sua, não trabalha, não faz nada o dia inteiro”. Confesso que tal comentário não me atinge. Realmente, minha vida é muito boa, mas não pelo fato de “não trabalhar”, tampouco “não fazer nada da vida o dia inteiro”.

Tenho o privilégio de ter um marido que consegue prover todas as necessidades materiais da nossa família. Porém, para que ele possa dedicar-se integralmente ao seu trabalho e seus estudos, alguém precisa fazer as outras tarefas que envolvem a sobrevivência da nossa família: administrar a casa, pagar as contas, cuidar dos filhos, levá-los às escolas, aos médicos, acompanhar as tarefas escolares, cuidar das compras, lavar, passar e cozinhar quando se está sem empregada (e, pelo que ouço, estar sem empregada é algo muito corriqueiro, uma vez que, definitivamente, há pessoas que não estão com vontade alguma de trabalhar, afinal, é muito mais fácil viver de doações, fazendo-se de “pobres, coitadas e injustiçadas”). Ah, claro. Esqueci que, como “apenas estudo”, ainda tenho que estudar, afinal, se quisesse comprar um diploma, na Praça da Sé vendem-se até diplomas de advogados formados pelo Largo São Francisco, pela bagatela de R$ 500,00.

Não me recordo com quem conversava na semana que passou e ouvi algo do tipo: “maldita mulher que começou o feminismo”. Não sei se foi uma maldição o tal movimento. Mas há coisas que tenho certeza, embasada em fatos os quais vivo e já vivi, com mulheres ao meu redor, as quais gostaria de expor:

Excessivamente cobradas, as mulheres buscam sucesso profissional, custe o que custar; para tanto, estudam por anos a fio, dedicam-se integralmente a tudo que estiver ligado às suas profissões e esquecem de viver seus anseios pessoais;
Quando chegam a uma certa idade, percebem que a vida passou; elas não casaram, não tiveram filhos, o corpo não responde mais ao desejo de ser mãe, são atacadas pela famosa endometriose, passam por anos de tratamentos caríssimos para ser mãe, estando casadas ou não, e...
Aquelas que finalmente conseguem realizar o sonho de ter filhos, passam poucos meses (as que conseguem) com seu rebento e desesperam-se em busca de uma babá de confiança, um berçário que funcione até o horário mais tarde possível, tem pouco contato com seus filhos e em muitos finais de semana, precisam recorrer às avós, para conseguir terminar aquele trabalho inadiável.

Ter mais de um filho então é algo de outro mundo. Quando moramos no Chile, em 2003, ainda não havia a aprovação para o uso de pílulas anticoncepcionais. Sempre me olhavam como se eu fosse alguém doente, pelo fato de ter apenas uma filha. Na ocasião, já tentava a segunda gravidez, mas as coisas não são como nós queremos, tudo depende da vontade divina. Lá, para provarem à Igreja Católica que não faziam o uso do anticoncepcional, as famílias precisavam ser numerosas. No ano seguinte, com a liberação do contraceptivo, não sei o que mudou na cabeça das pessoas. Uma coisa é fato: as numerosas famílias eram felizes.

Não quero levantar bandeira contra mulheres que decidem investir suas vidas, seja na carreira profissional, seja na carreira de dona-de-casa. Eu quero investir minha vida em ser feliz. E dane-se quem acha que não faço nada da vida. Sou feliz com meus dois filhos e, mesmo com todo o trabalho que eles dão e todo o tempo que me consomem, teria mais filhos, se tudo não custasse tanto. Também, poderia voltar à minha carreira de Executiva, dobrando a renda doméstica e dobrando o número de filhos. Mas para que tê-los e não vivê-los?