quarta-feira, 21 de maio de 2008

Educação: o desafio dos dias de hoje!

Recebi este texto da Maria Antônia, uma colega que frequenta conosco, aos domingos, o grupo de pais para a Evangelização de nossos filhos. Há dois meses, iniciamos um trabalho para ajudarmo-nos mutuamente a educar nossos filhos em tempos de consumo e falta de valores e limites que vivemos hoje. Acho a mensagem uma grande reflexão!


Filhos
Monica Monastério

Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos progenitores. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos, mas, por outro lado, os mais tolos e inseguros que já houve na história.O grave é que estamos lidando com crianças mais 'espertas', ousadas, agressivas e poderosas do que nunca.Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro.Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos...Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos.Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos.E, o que é pior, os últimos que respeitamos nossos pais e os primeiros que aceitamos (às vezes sem escolha...) que nossos filhos nos faltem com o respeito.À medida em que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudou de forma radical, para o bem e para o mal.Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam suas ordens e os tratavam com o devido respeito.E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais.Mas, à medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram-se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem.E são os filhos quem, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver.E, além disso, que os patrocinem no que necessitarem para tal fim. Até as irresponsabilidades dos filhos são patrocinadas pelos pais, sob pena de não serem mais aceitos pelos filhos.Quer dizer; os papéis se inverteram, e agora são os pais quem têm que agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso, como no passado.Isto explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para ser os melhores amigos e 'dar tudo' a seus filhos.Dizem que os extremos se atraem.Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao nos ver tão débeis e perdidos como eles.Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter, e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão.Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca.Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os e não atrás, os carregando e rendidos à sua vontade.É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e na violência nos quais está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino. Uma sociedade onde o errado é aceito como certo. Os LIMITES abrigam o indivíduo.Os filhos não respeitam os pais porque não foram educados dentro dos limites e do bom senso. Estamos na era de obedecer aos filhos, antes que seja tarde. Aos filhos tudo é possível, não existem regras a serem obedecidas, não existem sonhos a serem conquistados, não existem responsabilidades a serem adquiridas, por causa da permissidade dos pais em permitir e aceitar todos os erros dos filhos como se fossem verdadeiros troféus. A sociedade clama pela mudança dos pais em relação a educação dos seus filhos. Com amor ilimitado e profundo respeito.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Luto

É engraçado. Vejo no meu dia-a-dia que, graças a Deus, é rodeado de pessoas. O mote de suas vidas é, na maior parte das vezes, o mesmo: reclamar. Reclama-se da falta de dinheiro, do trânsito, do marido, dos pais, do carro quebrado, da falta de vontade de estudar, do chefe que massacra, da empresa que suga. Mas só nos damos conta do quão pequeno é tudo isto quando nos deparamos com um fenômeno: a morte.

Desde criança, minha mãe sempre dizia que a única certeza que temos na vida é a morte. Infelizmente, não somos criados, na maioria das vezes, para lidar com esta terrível realidade que nos pega de surpresa.

Em 15 de maio do ano passado, uma terça-feira, acordei indisposta. Não fui à faculdade. As duas horas da tarde, tinha minha primeira consulta no doutor Youssef, médico milagroso de regime. Entrei na consulta atrasada e, ao começar o relato sobre minha situação, tive uma crise de choro. Ao terminar a consulta, questionei-me sobre meu estado psicológico e o que a obesidade estava fazendo com o meu emocional. Algumas horas mais tarde, recebo a visita inesperada do meu irmão que me abraçou e cochichou no meu ouvido: "Gorda, o papai foi embora!". Comecei a rir, chorar, gritar. Entrei em pânico. Desespero total.
Agora completam 365 dias passados deste que foi o pior da minha vida. A dor é infinita. Não deixei nenhum dia sequer de pensar no meu pai e em tudo que ele me ensinou, de todo o amor que ele deu aos filhos e todo o seu desapego material.
Sou consciente de que sua passagem foi tão rápida pois ele foi um ser que fez o bem a muitas pessoas; infelizmente, não cuidou dele como deveria. Em 30 minutos, foram 3 paradas cardíacas e o diagnóstico da morte súbita.
Espero que um dia este sentimento realmente amenize e eu possa amadurecer para entender a passagem de cada um por esta vida em que vivemos e que cada um de nós é responsável por suas escolhas.
Descanse em paz, PAPAI. AMO VOCÊ!!!!