terça-feira, 5 de junho de 2018

Sobre alguém que se foi

Hoje é terça. Na terça passada, o Paulinho morreu. Paulinho doidinho, Paulinho maluquinho, Paulinho eletricista, Paulinho da rua C. Quaisquer desses remetem ao mesmo Paulinho. Menino de feições delicadas, homem de traços firmes. Quase ninguém em sabe da história verdadeira. No dia da morte, descobriu-se como ele era querido. Depois da sua morte. Quem será entre tantos que parou para conversar com ele quando perambulava pelas ruas em algum surto? Uma vida toda de doenças psiquiátricas e ninguém sabia qual. Estão julgando a irmã que supostamente o internou em uma clínica psiquiátrica e lá ele morreu. Suposições. Ninguém trouxe fato. Ninguém soube do corpo. Ninguém viveu no seio da família durante quase cinco décadas para saber como era. Quais as dores. Quais as dificuldades. Quais os perigos. Ele era bom. Ele era do bem. Mas e nas horas de crise? Ninguém sabe. Só se sabe que agora todos aplaudem o Paulinho. Eu também. Voa menino homem. Vai em busca da paz.

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