sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Sobre o medo - uma reflexão em final de tarde

Era pra ser leve e de repente percebi a intensidade da coisa, o que fez com que minha brincadeira de fim de tarde se tornasse algo mais sério.

Havia acabado de almoçar um prato de comida bem saudável e estava com o corpo leve. Pensei em subir na balança e tive medo. Um medo horrível de lidar com a realidade. Há meses desisti da balança e optei por ser feliz. Assim tem sido.

Resolvi perguntar para os amigos no Facebook sobre seus medos. Deixaria a “brincadeira” rolando enquanto estudaria ou trabalharia. Contudo, o aplicativo no tablete começou a apitar sem parar, recebendo mensagens. Achei que meia dúzia de pessoas diriam que tinham medo de barata, de escuro ou de ficar sem luz no dia do último capítulo da novela.

Ledo engano. Cada um se desnudou e revelou seus mais profundos medos.

Quando comecei a estudar Psicanálise, dizia para todos que ninguém viverá, daqui muitos poucos anos, sem terapia. E ao ler cada resposta, tive mais e mais certeza.

Quem não tem medo da morte? Qual o pai ou mãe que não se apavora diante da possibilidade de perder um filho? A violência que assombra o mundo assusta qualquer pessoa. Para mim, entretanto, são medos da vida, comum a todas as pessoas dotadas de sentimentos. Nunca conheci alguém que me dissesse não ter medo da morte. Eu mesma alimentei até os meus trinta e sete anos um medo visceral de partir e deixar meus filhos. Porque minha avó paterna, a quem não cheguei a conhecer, partiu com essa idade. Passei no teste. Então veio o medo dos quarenta e quatro, idade com a qual minha tia paterna se foi. Do mesmo câncer da minha avó. Como passei a cuidar da vida, da alma, do corpo, do espírito, descobri rápido que do mal que eu tinha medo, eu não morreria. Sem indícios, com exames “lindos” e a vida seguindo.

Depois de tudo que meus amigos me responderam, descobri que o maior medo da vida é o medo. Porque quando se fala dele, não há tempo para refletir ou para ser leve. É uma coisa automática: medo de perder quem ama, medo de deixar quem ama. Refleti e por tudo que estudei sobre o cérebro humano, concluí que o medo é inerente à vida. Nao dá para viver sem ele. Entretanto, dá para levar o dia-a-dia de forma mais leve e deixar o medo fluir….sem medo!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sobre as lições que passamos ou aprendemos

A virtude do conhecimento está no saber. Entretanto, saber não basta para ser sábio. A sabedoria vai muito além de tudo que o mundo acadêmico titula um indivíduo. Além dos conhecimentos da vida. Saber é algo complexo que envolve características pessoais de cada ser, coisas que estão no âmago da alma ou do coração.

Estava postando um documento em uma plataforma virtual quando o nome de M. apareceu na tela do computador. Curiosa que sou, fui procurar conhecer um pouco mais sobre M.

Descobri que, fora a formação “stricto sensu”, M. possui quatro graduações. E mais um sem número de titulações “latu sensu” e todos os dias, quando entra nas salas de aula das instituições de ensino superior, nas quais leciona, nunca precisou contar nada para ninguém. Porque M. mostra na prática aquilo que sabe e com toda a propriedade, ensina sem deixar quaisquer dúvidas. Tem vezes que penso que M. é um tipo de Google humano. Pergunta feita, resposta dada, com polidez, educação e respeito.

Conheço E. Fui sua aluna por um ano. Sem dúvida nenhuma, de todos os docentes que já passaram pela minha vida, e foram muitos, posso colocar E. entre as melhores. Na época em que fui sua aluna, E. ainda não possuía formação “ stricto sensu”. Nem precisava. Quando E. discorria sobre grandes educadores, sempre imaginava o seu nome fazendo parte daquele hall. E. fez e faz a diferença todos os dias. Trabalha no mesmo grupo de ensino que M., mas enquanto M. faz a diferença lecionando, hoje E. dirige uma unidade do Grupo. Não a toa, está entre uma das dez melhores do Brasil de acordo com os dados do ENEM.

G. é uma moça muito nova. Não completou ainda suas três décadas de vida. Vem de família que atua na área a qual se formou. Graduou-se na maior instituição de ensino do país. Ali também fez pós-graduação. E Mestrado. Junto com outro Mestrado que concluiu na Europa. Hoje vive fora do Brasil, devido ao seu Doutorado. G. Pode exercer qualquer profissão que quiser. Escolheu ser docente. O magistério jamais poderia ser o mesmo sem a figura de G. Domina qualquer assunto, sabe se impor, sabe silenciar uma sala de aula sem pedir para que o silêncio aconteça. Porque a sede de aprender do corpo discente quando G. entra em uma sala de aula é grande. Não aprender por aprender. Aprender o que G. tem a ensinar. G. deixa saudade e lágrima por onde passa.

I. tinha vinte e sete anos quando foi minha professora. Na época, já doutora. De família simples e humilde, foi buscar a “sorte” que tantos almejam na vida sentados. Aos dezessete, saiu de casa em busca daquilo que acreditava. Voltou trazendo seus diplomas e o conhecimento que adquiriu. Ao entrar na sala de aula, colocava todos os tópicos no quadro sem precisar de papel. Estava tudo dentro da sua cabeça. Assim, I. faz despertar todos os anos o desejo e a curiosidade para aprender aquilo que ela ensina. Aquilo que é chato para quem não gosta, mas obrigatório para vida. No entanto, o chato se torna lúdico com a forma que I. ensina.

Poderia passar a tarde toda escrevendo sobre G.s, I.s, E.s, M.s que intermediaram a formação do meu conhecimento. Contudo, me bastam quatro exemplos. Houve melhores, houve muitos exemplos horríveis. Da vida, entretanto, levo as boas experiências.

O conhecimento e domínio de algo não faz ninguém melhor ou pior que outrem. Não importa título, diploma, tampouco o local que o indivíduo estudou. E nem se não estudou. O que faz cada um de nós melhores ou piores é a forma com a qual nos apresentamos diante do próximo: é o respeito, em primeiro lugar a nós mesmos; logo, ao nosso semelhante. Independente de religião, raça, orientação sexual, time de futebol, partido político, forma a qual veio ao mundo ou como foi feita a primeira fase de lactação de cada um. Respeito independe de convicção. Está dentro de cada um saber respeitar.

Qual o porquê de tantas palavras? Porque ontem, “Y” entrou na sala. Poderia ser “X”, mas o “y” nada mais é do que um “x” incompleto, faltando uma perninha. E se falta uma perninha, faltam muitas outras coisas. “Y” desenvolveu na vida uma coisa que nomeei como “síndrome do pequeno poder”. Acomete os mais diversos indivíduos no planeta. Não é um “fenômeno” que acontece no Brasil, mas mundial. Acontece com o representante de sala. Acontece com o síndico do condomínio. Acontece com o indivíduo que adentra uma sala de aula achando que só o saber basta para ser chamado de professor. Dá até uma certa vergonha fazer parte da mesma classe trabalhista que “Y”. No entanto, existem muitos espalhados por aí. “Y” detém o conhecimento. Sabe passá-lo adiante com propriedade. Mas falta-lhe algo: respeito próprio; logo, não sabe respeitar o seu próximo. “Y” precisa contar seus louros em todas as aulas. Precisa “ser”; precisa também “ter”. Quem “tem”, não conta pra ninguém. Quem “é”, não precisa dizer; o ser e o ter são perceptíveis aos olhos de todos. “Y” é o dono da bola quando entra em sala. Muito mais dono da bola do que um grupo três ou quatro crianças em seus seis, sete anos de idade, na aula de Educação Física. A bola é de “Y” e ninguém joga. “Y” acredita que com sua postura arrogante, pedante e piegas, tem o respeito dos alunos. Não percebeu ainda que os alunos querem apenas sugar seus conhecimentos. Quando “Y” vira as costas, carrega com ele a imagem negativa como ser humano que passa e leva com ele uma infinita lista de adjetivos negativos.


A escolha é individual. Escolhemos a humildade ou a arrogância. E como tudo na vida, nossas escolhas dirão quem somos. Com quem você se identifica?

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sobre a dor de cabeça. De novo.

São décadas de dor de cabeça. Nada que chegue a meio centenário. Mas...décadas.

Muita gente costuma dizer que as piores dores que existem são as dores de um parto, as cólicas de rins e dores de dentes. Discordo em gênero, número e grau. Porque dor não se mensura. Qual é o instrumento que mede a intensidade de uma dor? Eu, que já tive as três mencionadas, afirmo que nem umazinha sequer é maior que a dor de cabeça.

Desde que me lembro de alguma coisa na vida, lembro que já tinha dor de cabeça. Tive de todos os tipos: enxaqueca, sinusite, acidente de carro...toda e qualquer forma de dor de cabeça, tive a infelicidade de sentir. Trabalhei por alguns anos na Avenida Paulista, e naquele período, por algum motivo, vivi um dos momentos de grandes crises. Fui socorrida de ambulância por não ter condições de sair de onde estava. Pronto socorro? Por um bom tempo, entrava praticamente como V.I.P. em um hospital de São Paulo e ia direto para a internação. Só remédio bem forte na veia.

Com o passar dos anos e dos traumas causados pelo excesso de dor, decidi procurar especialistas. Passei a fazer tomografias e ressonâncias. Houve momentos nos quais eu pedia para que fosse encontrado um tumor na minha cabeça, pois ele seria de lá arrancado e a dor cessaria. E nunca apareceu nada. De modo que eu e minha dor permanecemos unidas.

Quando Peteleco nasceu, alguém me encaminhou para um médico neurologista especialista em CURAR, isso mesmo, C-U-R-A-R a dor de cabeça. Não aceitava convênio. Marquei particular. Esperei por cinco horas para ser atendida. Mas as mulheres (por que apenas mulheres?) do consultório, solidárias umas com as outras, me incentivavam: "espera, pois ele curou a prima da colega do vizinho da minha sogra, e por isso estou aqui", Ali permaneci até chegar a minha vez. Narrei minha saga e ele com muita sabedoria me disse que noventa e cinco por cento do que eu narrava eram sintomas de enxaqueca, mas ele não poderia me tratar desse mal pelos cinco porcento faltantes. Deu-me duas medicações para tomar diariamente, pediu que eu fizesse um diário narrando minha rotina e os momentos nos quais a dor se instalava, para ver se estabelecíamos um padrão. Durante os quarenta dias, nada de dor. Não voltei ao médico.

Um par de anos se passou e eis que a dor voltou com tudo. Claro que no interim, tive dores pontuais e que passaram apenas com analgésicos comuns. Entretanto, quando ela voltou, veio para ficar. Estava estacionando o carro sem conseguir enxergar as pilastras da garagem. Uma vizinha que de longe observava, me abordou oferecendo ajuda. Comecei a chorar. Sim, eu choro de dor. Compadecida da minha dor, ela de imediato ligou para um médico neurologista amigo da família dela. A consulta custava uma cifra gigante de dinheiro, mas ela disse que ele me atenderia de graça se eu não pudesse pagar. Pude pagar, mas teria aceitado sem qualquer orgulho se não pudesse. E lá fui eu no dia seguinte. Para minha surpresa, a conduta, as perguntas e o tratamento dele foram idênticos ao médico de anos atrás. Segui a risca. E a dor sumiu.

Há quatro anos me trato com medicina preventiva. Nada melhor que estudar nosso corpo e nosso organismo e trará-los antes de surgir doença. Faço check-up anual, consulto-me de três a cinco vezes por ano e sigo a vida. Até que...

Dia cinco passado, tive consulta. Não ia à médica desde abril. Um mês antes, havia passado com meu ginecologista. Ambos me disseram que eu estava ótima, com exames super saudáveis e comemorei nas duas consultas. No feriado, comecei a ter dores de cabeça. Tomei analgésico normal. A dor continuou. Analgésico mais forte. Mais dor. Analgésico especial para enxaqueca. Dor intensa. Analgésico com anti-inflamatório. Mais dor. E mais, e mais, e mais.

No último sábado, tive uma explosão de dor. Chorei compulsivamente, o que faz com que a dor piore. Não havia o que piorar. A dor fazia minha cabeça explodir. 

Ontem, quando Bibizoca chegou da escola, me viu jogada na cama. Imediatamente, no seu senso de urgência que tanto me orgulha, pegou o telefone e ligou para minha médica. Meu anjo da guarda a quem oro e peço proteção. Ela orientou minha filha sobre qual medicação me dar e saiu para vir a minha casa em meu socorro. No caminho, o bebê dela teve um acidente de bebês e foi tempo de ela socorrer o filho e correr para fazer um parto, já que ela também é obstetra. Hoje, quando acordei, sai de casa, mas em vão. A dor me acompanhou até que eu perdesse a razão. Enquanto me dirigia ao consultório da minha "anja", ela estava na minha casa me deixando o medicamento. Nos encontramos na clínica.

Fui medicada com drogas fortes, voltei pra casa suando frio, alimentei-me e deitei. Esperando a dor passar. Com fé. E a dor começou a passar. E passar. E melhorar.

Neste momento, posso dizer que tenho apenas a ressaca da dor. Após nove dias de dor latejante, ela foi embora. Minha médica acaba de me ligar. E minhas amigas. Minha professora também. Minha filha. Meu marido. Porque minha dor de cabeça é tão intensa, que quem me olha tem a mesma certeza que eu tenho: o fim está próximo.

Tudo na vida serve de lição. A dessa crise foi a lição de que ninguém pode ter cefaleia por mais de trinta horas seguidas. Não é normal. Passei mal por tantos dias por acreditar que no próximo momento a dor passaria. Mas jamais vou esperar tanto tempo para buscar socorro de novo.

Fica aqui a dica para tantas pessoas que sofrem desse mal: procurem ajuda o mais rápido possível. No meu caso, não tenho hipertensão ou qualquer outro problema de saúde que faça a cabeça doer. O que desencadeia uma crise, PODE ser ansiedade. O que não há comprovação. Para não esperar uma próxima crise, vou começar a meditar e buscar controlar a ansiedade, grande mal do século, em busca da salvação que não seja através de drogas!

Tchau dor chata. Vai e fica!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sobre Sonhos

Todo mundo precisa sonhar. PRE-CI-SA do verbo "precisar muito". Porque quem não sonha, deixa de viver. E eu vivo intensamente, pois minha vida é permeada de sonhos.

Sou contra a inveja. Acho que inveja não está com nada, pois geralmente a inveja existe por coisas materiais, e na minha concepção, tudo que é material, está ao alcance de todos. E se consegue de um modo bem simples: TRA-BA-LHAN-DO.

(estou meio silábica hoje).

Absolutamente tudo que sonhei, consegui. Fui dos menores sonhos até os maiores. Sonhava trabalhar em uma multinacional. Sonhava ser uma executiva. Sonhava ser mãe. Sonhava ter um bom marido. Sonhava morar em casa própria. Sonhava morar em um apartamento com churrasqueira na sacada. Sonhava morar em uma casa com piscina. Sonhava viajar de avião. Sonhava viajar para fora do Brasil. Sonhava morar fora do Brasil. Sonhava morar na Europa. Sonhava ter um computador da Apple. Sonhava passar pela Torre Eiffel. Sonhava olhar de frente com meus próprios olhos, pessoalmente, ao vivo, o Palácio da Rainha da Inglaterra. Sonhava ter um diploma de curso superior. Sonhava fazer pós-graduação. Sonhava conhecer a Disney. Sonhava ter televisão no quarto. Sonhava ter um carro com ar-condicionado e teto solar. Sonhava entrar no shopping e comprar o que eu quisesse. Sonhava, sonhava, sonhava...e realizei todos os meus sonhos. E para mim, sonho é assim: realizou, perdeu a graça, "bora" correr atrás de sonhar mais.

Foi assim, atrás de um grande sonho, que entrei em um parque de diversões. Foi assim, de mãos dadas com uma amiga muito querida, que adentrei na Disney com o coração disparado de emoção. Minhas mãos tremiam. Parecia tudo um sonho, não a realização. E foi em meio a montanha russa que minha amiga me mostrou que era possível continuar sonhando. Que os brinquedos eram infinitos e as filas ilimitadas. Só dependia de mim, da minha coragem em seguir em frente e continuar sonhando e realizando. Foi assim....que aos quarenta e um anos, quatro meses e oito dias de vida, que me emocionei com cada "looping" e tive a maior certeza do que eu sempre quis na vida: nunca parar de sonhar e realizar!

Para minha amiga H., minha eterna gratidão, pela amizade, pelo companheirismo e por todas as lições que me passa nestes anos todos. Meu mais profundo amor por me levar para a montanha-russa e saber o que é adrenalina de verdade!

sábado, 23 de maio de 2015

Sobre blogs e blogagens

Ano passado fez dez anos que comecei a blogar. "A priori", os (mortos?) fotologs, para dar notícias para a família, principalmente da Bibizoca, que crescia em outro país. "A posteriori", os textos foram se tornando mais constantes.

Blogueiro entende blogueiro. E percebo uma característica muito presente em todos os escrevedores de blog: um dia, a gente cansa. Noutro, a gente volta.

Assim aconteceu comigo. Cansei da blogsfera porque achei que estava se transformando em um universo chato.

Através de um blog, fazemos amigos. O advento do Facebook trouxe duas vertentes para bloqueiros: a primeira, foi a proximidade. A segunda, a distância do instrumento que fez com que as pessoas se conhecessem.

Passei a sentir falta de blogs reais. Temáticos ou não. Com dicas legais ou inúteis, depende de cada um. Mas blogs verdadeiros.

Alguém inventou a tal blogagem coletiva. Se blog é um diário para contarmos nossos encontros com a vida, como fazer árdua tarefa de forma coletiva? Hoje falaremos sobre sabonete e bola de cristal. Todos linkan seus textos com a "blogueira chefe criadora da bobagem coletiva". Assim, todos escrevem sobre sabonete e bola de cristal, inclusive quem não toma banho e nunca viu uma bola de cristal. Ficou chato.

Com o Facebook, passa-se a conhecer mais blogueiros. Conhece-se "panelas", tribos, grupos que se identificam. Entretanto, o Facebook é uma ferramenta sócio-virtual que consome tanto tempo, que os blogs param de serem lidos, de serem escritos. Perde-se o tesão pela coisa.

Tive vontade de voltar. Cinco meses fora do Facebook fizeram toda a diferença na minha vida. Sinto uma falta enorme de pessoas que conheci na rede. Amizades que desvirtualizaram, blogueiras que se tornaram amigas virtuais mais presentes, novas blogueiras que nunca sequer tinha lido o blog. 

Não faço blogagem coletiva. Não faço publicidade no blog. E há muito tempo, leio os blogs sem deixar comentário. Tem gente que não gosta. Eu não me importo: nem que leiam o meu sem comentar (aliás, repito isso há muitos anos), nem quem se chateia por eu ler sem deixar comentário. 

Na blogsfera, não existe regra. Cada um é dono do seu espaço e faz dele o que bem entender. Quem gosta, volta. Quem volta sempre, cria vínculos. Nem sempre, entretanto, temos tempo de interagir com o grande número de amizades que fazemos. O que não quer dizer que seja descaso com as pessoas. Apenas o tempo, sempre ele, o senhor dos meus dias!

Hoje estou de volta. Devagar, quase parando, mas querendo registrar algumas coisas que se passaram em 2014 e ficaram para trás. Farei os registros aos poucos. Que venham novos amigos. Que os velhos voltem. E quem nunca foi, que continue!

p.s.: decidi voltar a blogar por dois motivos: registrar minha vida e entender o porquê de meu blog receber tantas visitas diárias, semanais, mensais, mesmo sem atualizações. Algo de curioso deve haver, ou no blog, ou na minha vida! 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Sobre a Vivara e a grande farsa

Há seis anos, escrevi sobre minha decepção com a Vivara. Decidi que não compraria mais nada naquela loja.

Minha decisão ganhou força ainda maior quando, seis meses após a colocação, pela segunda vez, do diamante no meu porta-alianças, ele caiu. De novo. Novamente. Mais uma vez. Assim mesmo, redundantemente. Uma jóia cara, mas não apenas pelo valor material. Pela dificuldade que Toruboi teve em comprar tal presente. Dar um diamante para a mulher que lhe deu seus filhos. Como reza a lenda, o diamante que sela o amor verdadeiro.

Sentimentos confusos: o material, o emocional, a raiva pela farsa.

Os anos se passaram. Ano passado, quando Toruboi mudou-se de cidade, decidi presentea-lo com algo que "meninos" gostam e que não é carro: relógio. Passando pelo shopping, achei um quiosque com diversas marcas e modelos. Escolhi um que achei combinar com a ocasião. Para que ele usa-se em seu primeiro dia no novo trabalho.

Efetuei o pagamento e qual não foi minha surpresa ao pegar a sacola? O quiosque pertence a maldita Vivara. Compra paga, melhor relevar e ir embora. Fui.

Semanas se passaram e o relógio parou de contar a passagem do tempo. Fomos a uma loja da Vivara. Quase dois meses se passaram até que devolvessem o relógio. Voltamos para casa, mas só a gente. O tempo do relógio parou antes de entrar em casa. O que fazer? Ir direto ao "pequenas causas", entrar com uma ação pedindo danos morais, materiais, psicológicos, emocionais, temporais? 

Voltamos na semana seguinte. Deixamos novamente o relógio. Mais três semanas para o conserto. Dessa vez, chegou em casa funcionando. E começou a semana funcionando. Contudo, trabalhou menos que Deus ao fazer o mundo. Toruboi tomou a frente e deu o ultimato: QUERO UM RELÓGIO NOVO. Deram. Vamos ver quanto tempo funciona.

Enquanto isto...

Bibizoca ganhou um relógio no seu aniversário de 15 anos. Localizamos quem o ofereceu: os avós paternos. E eis que descobrimos que o relógio está sem funcionar. Com CPF do meu sogro em mãos, lá vamos nós para a Vivara. O relógio ainda está lá. Há um mês. Eles não ligam para dizer se ficou pronto, se precisa jogar fora. Temos que ligar. Esperar localizarem o pedido de reparo. E ouvir que não foi localizado. Aguardamos a ligação. Ela não vem. Então vamos nós até a loja.

Relógio reparado. Vamos ver por quanto tempo funcionará. Meu porta-alianças agora é usado com o buraco do diamante para baixo. Assim não fico lembrando que falta a pedra. Qualquer hora, coloco uma pedra sintética para vira-lo para cima. Vivara? Estamos dispensando até os presentes!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Sobre um longo dia

Acordei. Ainda de olhos fechados, levantei e chamei a Bibizoca. Faltava um bocado para as seis. Dormi. Acordei de novo. Chamei o Peteleco. Bibizoca veio barba: "mamãe, precisava ter acordado antes!". Tento argumentar que a chamei. Em vão. Ele se troca, toma café, escova os dentes, vai para a escola. Ela faz aquela batucada típica de escola de samba em véspera de desfile. O batuque final fica por conta da porta. Alívio. Fecho os olhos. Acordo. Preciso assistir a aula de Filosofia. A última. A cabeça tende a doer. De sono. De cansaço. Não posso perder a aula. A matéria por mim já foi aprendida. Admirar a última aula com a Gabriela, contudo, não é algo a ser deixado para trás. Levanto, tomo uma ducha fria, coloco a roupa e vou. Com sono. Muita maquiagem no carro, som alto para acordar e a Coca Zero se junta a mim e ao Sérgio Reis gritando nos auto-falantes do carro. Entro no campus. Estaciono. Dou sorte: o segurança de hoje já me conhece e não manda chamar o chefe dele para autorizar minha entrada.

Entro na sala antes da professora. Dou risada com os amigos. Com sono. Cansada. Ela entra com seu sorriso e anuncia o filósofo do dia. Penso que hoje poderia ser qualquer um, menos ele. Lembro-me, contudo, que em breve teremos pausa para o café. A teoria é grande. Muita informação. Hora do café bem em cima da hora. Biblioteca, cantina, uma fatia de torta de frango, muita azia, sala de aula. Mais um filósofo. Esse já bem estudado por mim. O sono domina. Nem a eloquência da professora, que tanto me encanta, permite meus olhos abertos. Finda a aula. Findo o semestre. Finda a manhã.

Volto para a casa com o Sérgio. Entro correndo. Dou atenção para o Sushi que está carente. Lavo as mãos. Deixo o prato do Peteleco dentro do micro-ondas. Tenho que preparar uma aula. Tenho que verificar possíveis locais para o lançamento do livro que acontecerá em oito de novembro. O tempo corre. E meus olhos se fecham. Corro junto com o tempo para abri-los. Peteleco chega em estado gripal. Melhor preserva-lo. A excursão de amanhã será cansativa. Nada de escola de esportes. Almoço, lição, tevê, youtube..

A tarde adentra e meu sono já não consegue mais ser dominado pela minha mente ou por meus compromissos. Durmo. Profundo. Gostoso. Acordo e relembro da lista de tarefas. Dou lanche da tarde para o Peteleco. Desço até o térreo. Tiro roupas do varal. Coloco outras para bater. Arrumo meu quarto e me preparo para eliminar qualquer coisa da minha lista de tarefas. Decido pela releitura de 1984. Herança do meu pai, que me apresentou Orwell, mesmo em sua ignorância acadêmica e sabedoria de vida. Mesmo eu tendo lido a obra já algumas vezes. Retomo na página 98, na qual parei domingo. Bibizoca chega da escola. Acharam seus documentos roubados na segunda-feira. Prejuízo apenas material. Dou atenção para ela. Peteleco chega e se junta a nós. Sushi também. As crianças brincam, brigam e eu na página 98.

Marido Toruboi liga. Está embarcando para outro estado. Desejo-lhe boa sorte. Volto para Orwell. Página 98. Ligo para a coordenadora de idiomas do colégio do pequeno. Uma hora de conversa. Precisamos resolver algumas coisas. Lembro-me do meu livro de francês que não chegou. Preciso dele para sanar algumas dúvidas. Aula de espanhol para lecionar. Pulo. Tenho que chegar na página 99.

Peteleco toma banho. Bibizoca toma banho. Sushi só aos sábados. Peço para que um desça e estenda as roupas. O outro suba as roupas da lavanderia. Paramos no segundo andar. Acho que estamos todos cansados. Coloco-os para jantar e subo. Orwell. Será que preciso mesmo lê-lo? Sim. Obrigação moral. Pela Gabi que tanto se esforça em suas aulas. Devo isso a ela. A retomada que ela deu das minhas antigas aulas de IED, TGE e Sociologia Jurídica, ministradas por grandes mestres em 1998 ficarão agora para sempre.

Bibizoca precisa de ajuda: vai apresentar um seminário. Memórias de um Sargento de Milícias. Viajo na história com o lado esquerdo do cérebro, retomando minha oitava série na escola pública e a maravilhosa professora Eunice que fez com que o menino Leonardo permanecesse na minha vida, dando nome ao meu filho. Retomo os dois lados cerebrais para minha filha. Oriento-a em como apresentar o trabalho. Os dois escovam os dentes e dão boa noite. Orwell. Página 98. Agora vai. 

As crianças voltam. Querem orar. Oramos e agradecemos pelo dia de hoje, pelo de amanhã. Eles se vão e eu continuo, agradecendo por tudo que fui capaz de fazer na vida até hoje. Separo a roupa para amanhã cedo. Preparo o material da aula. O pijama ainda é o mesmo do sono vespertino. Deito-me. Agora vai. 

Toca o celular. Número desconhecido. Será que aconteceu algo com o Toruboi? Não. Ele já está em outro estado e o número é de São Paulo. Não atendo. O telefone de casa toca. De seis ramais, não acho nem um sequer. Toca o celular de novo. Atendo. É o gerente do banco. Avisa-me que estamos perdendo diariamente valor considerável. Melhor diversificar os investimentos. Explico que não é hora. Desligo o telefone. Já não aguento olhar a página 98. Será que perderei alguma coisa se pular para o próximo capítulo? Não sei. Melhor registrar o dia de hoje: eu, meus filhos, meu marido, minhas lembranças, a última aula da Gabriela Saab, a conversa com a Magda, com o Leonardo - o gerente. O terceiro na minha vida em um dia. Tudo bem para quem mora em um condomínio com dezoito imóveis habitados e nele há cinco Leonardos. Sei que Orwell nunca escreveu um Leonardo. Nem na página 98.

Ainda são 20h30. Meu Facebook continua trancado. Meu Whatsapp lotado de mensagens. E-mails sem esperança de respostas. Uma pilha de trabalho me espera. Outra pilha de coisas para estudar. Uma terceira de burocracias para resolver. Todo mundo sem passaporte. Embarcamos em exatos 45 dias. Agora é só pagar, agendar, fazer os documentos, busca-los e...fazer malas, filas nos aeroportos, passeios, museus, lojas, praia, cassino, frio. Sem neve. Mais um ano sem visitar o meu país. Chile, "no llores por mí". Pretensão. 

Sinto-me como um "garoto-soldado" sendo usada na guerra do dia-a-dia. Apenas 24h para tudo. Como? Cadê os Direitos Humanos? Chega de bobagem. Sou feliz. Tenho casa, trabalho, alegria, problemas, filhos, cachorro, marido. Vivo em harmonia com as pessoas que me rodeiam. Não tenho inimigos. Sou feliz. Oro pelas crianças-soldados recrutadas.

Última linha. Não fiz nada da vida hoje. Só durmo quando sair da página 98. Vou dormir sem pensar em Orwell como pendência. Vou até o fim.

p.s.: Gabriela Saab é mais que uma jurista. Mais que uma professora. É uma das pessoas que vêm para fazer a diferença. Professora inata, aluna eterna. Procurem pelo trabalho dela, comprem seu livro "Criança ou Soldado". Não é uma publicidade. É uma forma de difundir um trabalho tão importante sobre um assunto que, até dois meses atrás, eu desconhecia.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Sobre a maioridade penal

Favorável ou contra? Quantas vezes temos ouvido a pergunta nos últimos tempos? Para mim, inúmeras.

Sou contra. Acabei de decidir. Neste exato minuto em que estou. Nem um segundo antes.

Acabo de ver no jornal: mais uma rebelião na Fundação Casa. Mais uma. Pseudo-criancas quebraram tudo. Depois dos delitos que cometeram, foram aprisionados sem qualquer apoio psicológico do Estado. Coitados.

Sou contra a maioridade penal, pois sou a favor de algo muito maior. Sou a favor do maior bem que um indivíduo tem direito: o direito a vida.

Meu avô materno trabalhou por toda sua vida dentro do extinto Carandiru, Penitenciária do Estado de São Paulo. Enquanto o mundialmente famoso "massacre do Carandiru" acontecia, meu avô, prestes a se aposentar, se escondia como podia, tentando garantir o direito maior dele: o da vida.

Há países no mundo nos quais não existe idade para se punir um criminoso. Por isso, acho que no Brasil está havendo muito blablabla para o assunto e nada de concreto. Crime deve ser punido, independente da idade. O direito de um termina quando começa o direito do próximo.

Em um intervalo de oito dias, vivi dois assaltos. Vamos lá: assalto não é furto ou roubo. Esses dois são tipos penais, estão tipificados no Código Penal como crimes. Assalto é uma situação. Fui tomada de assalto, na tentativa de roubo, furto, sequestro. Não posso tipificar. Foram apenas assaltos.

Se porventura eu tivesse perdido a vida em uma das situações, o Estado garantiria o futuro dos meus filhos? Quem defende minha integridade física ou psicológica?

Fato é que vivemos sempre atrasados. E não me venha ninguém dizer que estou aqui falando do alto do meu castelo, como uma Rapunzel que joga as tranças e fica no aguardo do príncipe. Sei o que é pobreza, o que é miséria, o que é fome, o que é dificuldade financeira. Sei o que são problemas psicológicos, psiquiátricos, falta de estrutura familiar. Sei o que é crescer dentro de um lar desestruturado, viver o dia-a-dia com pais viciados em alguma droga. Esse histórico, triste para muitos, mas para mim, apenas mais um histórico, como de qualquer indivíduo do mundo, independente de cor, raça ou classe social, não me dá o direito de tirar a vida de ninguém. De ameaçar. De roubar. De destruir famílias. 

Sou contra a maioridade penal. Sou a favor da lei de Talião: olho por olho, dente por dente. Sou a favor do estado primitivo, o estado de natureza de Hobbes: somos todos animais, não somos? Ou viveremos parafraseando Orwell e sua famosa máxima, "todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros"?

Direitos Humanos existe para bandidos. Pagamos mais de um milhão de impostos, diretos ou indiretos, a cada cinco anos. Uma família, um chefe que acorda toda madrugada e passa a semana longe dos seus, para prover a todos sustento. Que veio do nada, que estudou, que driblou dificuldades e que junto de sua esposa, no caso eu, vem tentando criar os filhos. Vivos. O que é cada dia mais uma incerteza.

Pena de morte para crimes hediondos. Pena máxima para crimes graves. Prisão perpétua para bandidos, criminosos, ladrões de qualquer espécie. 

Quero sair da prisão que vivo com minha família e caminhar no parque. Com direito a usar o tênis que eu quiser, e com a certeza de que voltarei para casa, com o par de tênis nos pés. E com a vida. Meu bem maior.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Sobre a enxaqueca e suas possíveis causas

Este blog, desde que nasceu e ainda não era este blog, nunca teve uma temática. Pra dizer a verdade, nunca segui blogues temáticos, já que gosto mesmo é de diversidade. Assim, sempre escrevi de tudo: desde bobagens que vêm repentinamente na cabeça, até assuntos sérios, mas tudo relacionado a minha vida.

Depois de quase um ano sem blogar, perdendo meu tempo no Facebook e a quantidade inesgotável de bobagens que se lê por lá, decidi deletar minha conta. Já vinha em processo de distanciamento, já não conseguia responder a todos os recados, me relacionar com as quase 1300 pessoas as quais tinha contato. Quem, em sã consciência, consegue ter 1300 contatos e achar que vai interagir com todos? Eu! Mas passou.

Nestes 11 meses longe do blog, recebo semanalmente um relatório de visitas e acho bastante interessante saber que algo praticamente abandonado, um túmulo quase que fechado, ainda ter pessoas ao redor.

Agora que quero retomar mais meu espaço por aqui e continuar registrando minha vida, fiquei mais surpresa ainda, não pelo número de visitas, já que estes eu tinha noção, mas com os textos mais visitados. E um, em especial, que me chamou a atenção, foi no qual eu discorro sobre a enxaqueca, seus males e minhas buscas pela cura.

O mundo avança de modo que não conseguimos acompanhar. A tecnologia, a indústria farmacêutica, os conhecimentos passados para as crianças desde o início da primeira infância nas escolas. Mas ainda não existe a cura para a enxaqueca.

Contudo, neste tempo de reclusão, pude viver uma experiência fantástica. Marido Toruboi, bisbilhoteiro que é e furador de tudo que é diferente, encontrou um documentário na Netflix: "Fat, Sick and nearly Dead". Eu, panda que sou, deitada ao lado dele, jogando paciência no tablet e ouvindo muito sem interesse aquelas palavras em inglês, cujo conjunto, de repente, chamou-me a atenção a ponto de eu me virar e assistir com ele até o fim. Foi o começo que eu precisava.

Não farei aqui nenhuma resenha sobre o documentário, que de tanto sucesso, tem também a parte 2. Recomendo as duas. Eu mesma assisti muitas vezes cada documentário. Um australiano obeso, "enxaquecoso" e com a saúde física detonada resolve viver apenas de sucos de frutas e hortaliças. Assim, se cura de todos os males. Consequentemente, emagrece, mas o emagrecer, a meu ver, não é o mote dos documentários, mas sim, a saúde como um todo e tudo que ingerimos e nos mata aos poucos, desde comidas até remédios.

Assim, decidi tentar fazer o mesmo que ele. Comecei comprando a centrífuga mais ultra super mega potente que há no mercado brasileiro. Entrei em um supermercado online e comprei frutas e hortaliças. Comecei a fazer a dieta. Minha primeira meta era de dez dias. Consegui sete. Senti-me vencedora. Melhor que isso: PASSEI SETE DIAS SEM ENXAQUECA. Recomecei. Consegui doze dias. DOZE DIAS SEM ENXAQUECA. Passaram-se as festas de final de ano e dia 2 de janeiro, nem um dia a mais, recomecei. E fui por trinta dias seguidos, dando uma ou duas "puladas de cerca" por conta de algum compromisso social. TRINTA DIAS SEM ENXAQUECA.

Fevereiro, mês de check up no Solar dos Hummel. Resultado dos meus exames? 40 anos de idade, corpinho de panda e saúde de 20. As erupções na pele se foram. Meu corpo estava saudável como nunca. Colesterol? O que é isso mesmo? Diabetes? Rá! Nem perto de mim. Contudo, minha médica é contra esta dieta, que consiste em ingerir apenas alimentos crus e nada que seja industrializado. Eu, Ursula, não senti falta de nada, pois os sucos alimentam e nutrem nosso organismo. A pandinha sim quis dar umas escapulidas, mas o bem estar e a enxaqueca milhas e milhas distante valiam a pena cada copo de suco de repolho com agrião, pepino e maçã.

Infelizmente, abandonei a dieta e minha enxaqueca veio com toda força. Logo, fica aqui minha dica: enxaqueca é sinal de alimentação inadequada. Nós, seres humanos, não fomos "fabricados"para comer tantas porcarias que permeiam nossa vida e enchem as prateleiras de mercados, lanchonetes, padarias e afins. Tudo que comemos será refletido diretamente na nossa saúde. Então, se comer, não chore de enxaqueca!

terça-feira, 28 de abril de 2015

Sobre o Clone

Se você chegou até aqui buscando uma pesquisa científica sobre clonagem, pode fechar a página e recomeçar a busca.

Agora se você chegou aqui por qualquer outro motivo, causa ou circunstância, vem comigo!

Preciso de um clone. Quem nunca?

Sei que nos dias de hoje, pessoas trabalham exaustivamente, seja em empresas, seja em casa, seja de qualquer forma. O tempo fica cada vez mais curto; com as redes sociais cada vez mais presente em nossas vidas, temos cada vez mais pessoas para administrar e menos tempo para cada uma delas. Se trabalhamos em dez empresas, resgatamos contato com todos os ex-colegas de trabalho com uma alegria contagiante e logo de cara vem o compromisso: "vamos reunir a turma?". 

Fato é que os encontros nunca acontecem. Assim, vamos nos afastando dos que estão fisicamente perto e sem tempo sequer de responder mensagens enviadas por tantos ex-colegas que agora são nossos amigos mais importantes de toda a vida. São amigos do ensino Fundamental, do Médio, da Faculdade, da Pós, pais dos amigos dos nossos filhos da época do Jardim da Infância, amigos dos nossos pais que não se conformam como crescemos.

Saindo da vida social e da profissional, ainda temos que dar conta da família, dos parentes. Estarmos presentes em festas, eventos, encontros, jantares, casamentos, aniversários. E tudo precisa ser feito em 365 dias apenas. Porque assim que soarem as doze badaladas da meia-noite de 31 de dezembro...o calendário zera e começamos tudo de novo. Prometemos que neste ano vamos conhecer o bebê da amiga que nasceu três anos atrás, mas a amiga mora do outro lado da cidade e são precisas três horas para ir e outras três para voltar.

Em meio a tudo, a empregada faltou. Ficou doente. Na semana seguinte, o filho número 3. Na outra, feriado prolongado. Depois o marido. A vez do filho número 5. Vem a irmã enferma e ela não tem como deixa-la sozinha. Fazer o quê? Se virar.

Ainda tem a nossa vida: ficamos doentes por N motivos. Estresse, esgotamento físico, mental, problemas com o lugar em que moramos, o carro que quebra quando mais precisamos dele, o filho quebra a perna no dia em que você não tem sequer um segundo disponível, a filha adoece repentinamente e precisa entrar na quarentena. Ufa. Acho que se alguém leu até aqui, se cansou.

Mas nem contei que a irmã apareceu de repente com um tumor e precisou ser operada emergencialmente. Que a dengue quase me pegou, mas no fim foi simplesmente uma crise de sinusite....na verdade, duas. Nada que dois antibióticos diferentes não pudessem curar. Não curaram. Ficaram resquícios. E as altas doses de corticóide? Haja inchaço no corpo todo. Que a enxaqueca resolveu atacar em mim sem mandar recado ou pedir licença. Que o marido mora há quase um ano em outra cidade e quando preciso estar presente ao lado dele, aos finais de semana, tem festa na escola de um, exposição na escola de outro. Não posso esquecer de pegar o remédio que deixei manipulando. O filme novo estreou no cinema, preciso leva-lo. Ai....duas festas neste mesmo final de semana, aniversário da amiga da filha e do amigo do filho. Corre pro shopping comprar presente. O marido de uma grande amiga está com câncer. Como ajudar? A prima se separou do marido e você quer muito estar presente, mas ela mora muito longe. Fazer o quê?

De uma coisa tenho certeza: preciso de um clone. Não sei como, mas preciso. Pois além de tudo, estou eu novamente nas salas de aula, cursando uma graduação de cinco anos, em uma faculdade cuja média bimestral é 7,0. Na qual os professores não aliviam. Além das aulas diárias presenciais, há matérias online semestrais, atividades complementares e mais umas mil horas de estágio, entre cultural e profissional.

Fato é que, se eu sobreviver a todo este terremoto, mais uma vez venci etapas que, em breve, voltarão em novo ciclo e cá estarei eu, de novo, desabafando com uma tela de computador! E como já cantou Titãs...."o pulso ainda pulsa...".