segunda-feira, 12 de maio de 2014

Sobre o meu irmão

Sou a filha mais velha de três. Minha irmã é cinco anos mais nova que eu. Meu irmão, sete.

A chegada dos meus irmãos representou grandes perdas na minha vida. Perdi a vida de filha única, perdi a chance de continuar morando com meus avós maternos, por quem eu era infinitamente mimada, perdi um pouco da minha infância cada vez que, aos sete anos, pedia algo para minha mãe e ela dizia que eu já era grande.

Só quando eu já era grande, descobri o quanto era pequena e o quanto tive que crescer por conta da chegada dos meus irmãos.

Éramos como cinco crianças em casa, já que eu nasci quando minha mãe tinha dezesseis, e meu pai, dezoito anos. 

Por muitos anos, odiei aquelas crianças intrusas e invasoras com todas as minhas forças. Ao meu favor, contava com minhas tias e avó, sempre minhas aliadas. Por várias vezes, pensei em fugir de casa. Meu medo, contudo, era maior e eu protelei este dia até os meus dezoito anos, quando me casei.

Apesar de pequeno, meu irmão já era um menino grande e como casei-me com um homem-criança, eles formavam a dupla perfeita. No começo, meu irmão ficava com a gente aos finais de semana, férias, feriados, até que um dia, por circunstâncias do destino, ele veio de cama e cômoda para nossa casa.

Quando ele completou vinte e um anos, devido aos compromissos profissionais e acadêmicos, ele decidiu dar seu grande vôo solo. E foi o dia mais triste da minha vida até aquele momento. Chegar em casa sem ver as coisas dele foi como ver um filho fugindo e abandonando o lar. Mas nossa mãe sempre nos ensinou que criamos filhos para o mundo. Assim, aquele quase irmão, quase filho voou.

Meus irmãos são duas das pessoas que mais amo na vida. Contudo, a relação que desenvolvi com meu irmão é peculiar e só a gente consegue entender. Existe uma simbiose que muitas vezes faz com que a conversa não precise de palavras. Recorremos um ao outro na alegria e na tristeza. Somos os primeiros a saber dos planos um do outro e a torcer para que tudo dê certo, mesmo que no meio deste "certo" exista um oceano enorme que nos separa. 

Claro que em meio a este conto de fadas que é nossa relação, poderia ter havido uma bruxa má ou um bruxo malvado que nos distanciasse um do outro. Mas as coisas conspiram tanto em nosso favor, que tenho na minha cunhadinha, uma irmã, por quem sempre farei tudo que puder, assim como tenho a certeza de que meu marido e meu irmão jamais se desentenderão por nada nesta vida. A isto, dou o nome de família.

Meu irmão é minha família mais próxima. Meu melhor amigo e o cara que mais xingo na vida. Nos falamos quase todos os dias e de repente, nos damos conta de que estamos há duas semanas sem nos falarmos, sem trocar palavrões ou piadas e parece que sentimos esta distância ao mesmo tempo, pois assim que penso nele, ele surge, do nada.

Se meu pai estivesse vivo, se orgulharia dele assim como todos os familiares e amigos se orgulham. Ele puxou toda a cultura do meu pai, em um estágio mais avançado devido a facilidade que temos de acesso a informações. Ele é um "menino" marrento, mas que a maturidade está adoçando. É um falastrão e não importa onde chegue, já chega como melhor amigo de infância. Em tempos de redes sociais, ele poderia se expor como tantas pessoas gostam, mas a maturidade precoce ensinou-lhe que nossa felicidade, quando é verdadeira, não precisa ser gritada para todos ouvirem.

Há pouco tempo, vivemos um episódio engraçado. Estávamos com duas horas de diferença de horário. Ele me mandou uma mensagem perguntando se não era eu que gostava de alguns famosos. Respondi que sim, toda empolgada. Então ele me manda a foto dele jantando em um belíssimo restaurante londrino, com celebridades por todos os lados na mesa. 

Tive uma chefe, a quem muito admirava, que sempre me dizia: não almeje fama. Almeje sucesso. Assim vejo meu irmão: um cara que podia ser o famoso, mas o sucesso interior lhe preenche, lhe completa e lhe basta. Por isto ele é especial.

Amo meu irmão e sempre agradeço por termos vindo como irmãos de sangue, mas sei que nossas vidas se cruzariam, pois o espiritual é maior que o sangue das veias. Por isto, hoje agradeço duas coisas: a saúde do meu irmão, e a humildade e discrição dele por saber que ele jamais postará no Facebook uma foto com minha cunhadinha, em frente ao castelo das princesas, fazendo coraçãozinho, mostrando os dedinhos em forma de "V" e nem com a legenda de "sonho realizado". Porque sonhar é algo muito maior do que mostrar.

"MV, TAMPCS, OFDPDK"! É assim, com apenas algumas letras, que dizemos grandes frases!

Parabéns pelos seus poucos trinta e três anos e pelo grande (e chato) homem (?) que você é!

10 comentários:

  1. Oooohhh, que amor lindo esse de voces!!!
    ♡♡♡♡

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    1. Belzinha....gêmea do meu irmaozinho! Felicidades sempre para ti. Bjs

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  2. Que lindo!
    Também tenho um irmão mais novo e uma irmã mais nova ainda.
    Mas é com meu irmão que tenho mais a sensação de família.
    Boa noite.
    joturquezzamundial
    Beijos.

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    1. Jo, esta sensação de família nos dá uma segurança né? Beijo grande

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  3. Úrsula, que delícia de texto! Comovente. Tenho 10 irmãos, sou a terceira, imagina o quanto "perdi" pro eles. rsrs Mas não, a gente ganha, afinal, né? Não sou ligada assim a nenhum irmão, somos pessoas que não se entregam muito (entre nós), mas temos uma boa convivência e muito amor, só não botamos para fora. Mas torcemos pela felicidade uns dos outros, assim como vc. Seu irmão é um lindo, já digo, mesmo sem conhecê-lo. E "lindo", aqui, nada tem a ver com beleza externa, vc sabe bem. Ele é um homem de bem, e isso resume toda a nossa beleza.
    Beijo, linda.

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    1. Lúcia....sabe, as perdas na infância são infinitos ganhos na vida adulta. Queria ter mais irmãos e mais filhos, mas me contento com o que a vida deu. Deus nos abençõe. Beijos no coração

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  4. Hahahaha! GDUF!!!! Ainda bem que eu deixei pra ler em casa....
    Se isso fosse uma conversa de boteco, eu poderia ter acrescentado que a qualquer acontecimento engraçado ou trágico aqui em casa, eu logo digo pra japs "Preciso contar pra minha irmã!"
    Sem dúvidas vc é uma das minhas melhores amigas! Para muitas coisas, a única!
    Valeu, gorducha!!
    Te amo!
    Bjoca

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  5. Hehehe! GDUF!
    Ainda bem que eu deixei pra ler em casa... ;)
    Se isso fosse um papo de boteco, eu poderia ter acrescentado que a qualquer acontecimento aqui em casa, eu logo digo: "Preciso contar isso pra minha irmã!"
    Vc é uma das minhas melhores amigas. Para muitas coisas, a única.
    Obrigado por tudo, gorducha.
    Te amo!
    Bjoca

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  6. MV, em dezembro vamos pegar a Castelo??????

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