quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sobre meu pai - sete anos sem ele

Pai,

Em sete anos, muitas coisas acontecem.

Pela antroposofia, a cada sete anos renovamos um ciclo na vida, que nos influencia de modo complexo e nos constrói e prepara para o próximo setênio.

Na pedagogia Piagentina, segundo sua teoria dos estágios, aos sete anos já passamos por coisas que nos fazem cada vez mais seres autônomos e nos forma para a vida adulta.

Sete anos podem representar muito tempo....podem representar pouco tempo....ou podem ser simplesmente sete anos.

Acontece que nestes sete, nenhum dia deixei de pensar em ti. Sei que com minha dor, atrapalhei sua evolução, mas houve quem surgisse no meu caminho para que eu te libertasse para seguir o seu caminho.

Sei que de algum modo, esta mensagem será plasmada e você receberá meu amor neste seu aniversário de sete anos no plano espiritual.

Sabe que aconteceram tantas coisas. Dois dias antes do seu desencarne, compramos um apartamento ainda na planta. Ele demorou para ser construído. E quando nos entregaram, era um lugar cheio de problemas, defeitos e me desgastei muito. Faltou você ao meu lado para me dizer que aquilo não valia minha saúde. Levei o primeiro tombo e tive minha primeira fratura na vida. Foi na perna, no dia em que fiz 37 anos. Agora tenho sete pinos a mais no corpo. Para compensar os que faltam na cabeça.  O Leleco cresceu, a irmã teve mais uma filha que já está com três anos. O Dé está enorme, é um menino de quem, tenho certeza, você se orgulha demais. Minha Bibi está linda paizinho. Ela fará quinze anos já. Estuda Edificações em uma escola técnica, vaga que conquistou com esmero. É politizada e culta demais para a idade dela, assim como o Leleco. Ele estuda em um colégio alemão e morro de orgulho por ser o primeiro da sala. Vendemos o apartamento problemático e nos mudamos para uma casa bem grande, com muitos quartos, salas, piscina, quintal, todo espaço que criança precisa. Só que o Milton mudou-se de trabalho e vamos morar no interior. Será muito bom para todos nós. Você deve acompanhar que aqui as coisas estão perigosas demais. E o irmão...mora no paraíso. Já saiu do Brasil há seis anos. Se você conhecesse a Japinha, esposa dele, abraçaria ela toda hora e diria que ela é a coisa mais fofa deste mundo. Eles não têm e nem pretendem ter filhos. O mundo está muito ruim para o futuro. E assim a vida segue.

Quero que você saiba que a dor foi embora. Já não falo de você chorando faz tempo, desde aquele nosso desligamento. Mas tem dia que a vontade de te contar as coisas transcendem a realidade da nossa distância. Nestes dias, a dor volta, mas passa rápido e fica a saudade. 

Neste exato momento completa sete anos da sua partida. 

Espero que você esteja bem e que a vida nos permita um reencontro em algum plano deste universo infinito.

Te amo, sempre.

Ursinha

3 comentários:

  1. Olá Ursula, lindo esse eterno amor. Ainda converso com a minha mãe nos meus sonhos. Muito bom quando ficam boas lembranças. Bjs

    ResponderExcluir
  2. Dá uma saudade, não é?
    E a lembrança de coisas boas, ameniza.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  3. Saudade que dói no peito. Que amor mais lindo!. Não tenho meu pai desde meus 7 anos, tenho poucas lembranças, o que me deixa muito triste. Daria 10 anos da minha vida para te-lo por 1 ano por perto, iria grudar feito um carrapato. . Bjs

    ResponderExcluir