sexta-feira, 14 de março de 2014

Sobre vacinas - HPV

Sempre fui tida como referência pelos meus amigos, quando o assunto é médico. Não sou exigente com muitas coisas na vida, deixo que tudo transcorra com naturalidade, mas quando se trata de médico, eu não meço esforços, tampouco faço conta de dinheiro.

Tinha completado dezesseis anos não havia muito tempo e antes de ter a primeira relação sexual, decidi passar em um ginecologista. Minha mãe me dava a liberdade para discutir com ela o assunto, mas para um adolescente, é difícil e constrangedor. Assim, entrei em um hospital e pedi para passar na emergência ginecológica. Como morria e uivava de cólicas, esta foi a minha desculpa.

Naquele dia, passei com um médico residente que era muito além de um médico. Era um ser humano cheio de delicadeza, sensibilidade e me deixou muito a vontade. Já tinha marcado consultas em clínicas e não tive coragem de pedir anticoncepcionais para nenhum dos médicos. Dr. X não esperou que eu fizesse a abordagem. Perguntou se eu tinha namorado, se tinha relações sexuais e receitou-me minha primeira pílula.

Casei-me anos depois com este primeiro namorado, dr. X de residente, passou a ter uma carreira com grande ascensão e nossa parceria já dura vinte e quatro anos. Hoje, ele é um dos ginecologistas mais conceituados de São Paulo, tendo sua agenda tão lotada quanto a do famoso dr. José Bento, e só deixou os programas de televisão para se dedicar a pesquisas e as suas pacientes.

Dr. X realizou meus dois partos. Foram poucos meses na vida, desde que comecei a trabalhar, que não tive plano de saúde, e mesmo assim, não media esforços para pagar-lhe a consulta. 

Há cerca de quatro, cinco anos, em consulta de rotina, dr. X confirmou a idade que Isabela estava. Eu e sua esposa ficamos grávidas juntas, mas a Isa é alguns meses mais velha que o filho dele, que nasceu no dia do meu aniversário de vinte e seis anos. Naquele dia, ele me falou sobre a vacina de HPV. Explicou-me sobre a importância dela, sobre os testes em andamento, sobre o risco da doença e que a idade ideal para se aplicar a primeira dose era aquela, entre nove e dez anos. Disse-me, inclusive, que vacinaria o filho mais velho no ano seguinte.

Voltei pra casa pensando sobre o assunto. Odeio vacinas. Sei que elas podem salvar vidas, mas também sei que não. Trata-se de um assunto muito paradoxal. Quando Isa nasceu, tratava ela com uma pediatra do bairro, muito boa, mas por se tratar de um consultório instalado em local de pessoas de baixa renda, as vacinas tomadas eram aquelas dadas nos postos de saúde.

Quando Leonardo nasceu, tive a infelicidade de entrar na onda do meu marido. O marido da irmã dele, médico pediatra e com uma filha seis meses mais velha que a nossa, recomendou que todas as vacinas fossem dadas particulares, pois as do posto de saúde não prestavam. Lá fui eu cair na lábia alheia. Além das vacinas que fazem parte do calendário, Leonardo tomou toda e qualquer vacina particular que o mundo das vacinas oferecem. Todas contra a minha vontade. 

Sei de famílias japonesas cujos filhos jamais tomaram nenhuma vacina. Famílias com filosofias naturalistas não vacinam seus filhos. Mas como experiência é algo que só o tempo ensina, tive que esperar meu aprendizado.

Leonardo completou quatro anos e começou o tratamento homeopata. A médica passou dois anos me perguntando se dei todas as vacinas que ele precisava tomar até os cinco anos e eu, que não gosto de mentiras, respondia na maior cara lavada que sim, a caderneta estava em dia.

Voltando ao dia que soube da vacina contra HPV, decidi que a Isa não a tomaria. Ensinaria minha filha a usar preservativos e assim, se preveniria contra tudo. Até que discutindo o assunto com uma amiga de família muito bem nascida, cheia de cultura e profissional da área de saúde, ela me deu seu parecer: eu deveria, sim, dar a vacina, uma vez que HPV se transmite até em toalhas de hotel. Como boa geminiana, decidi dar a vacina, mas protelei a decisão.

Há dois anos, dra. L. perguntou se a Isa já tinha tomado as duas primeiras doses da vacina e dei minha negativa. Ela me disse que precisaríamos aplica-la, mas o assunto morreu ali.

Agora o assunto veio a tona de novo, por conta da campanha do governo para vacinar adolescentes entre onze e treze anos. Moro há um quilômetro do posto de saúde no qual minha filha é cadastrada e mesmo que ela tenha completado recentemente catorze anos, sei que conseguiria facilmente vacina-la no posto.

Antes, contudo, resolvi pensar, refletir, pesquisar, lembrar de conversas que tive com diversos profissionais de saúde e saber como o assunto é tratado em países nos quais a medicina é desenvolvida. 

Minha decisão final é a de não dar a vacina. Instruirei minha filha com relação a preservativos, reforçarei as instruções sobre o uso de banheiros públicos, já a instruo faz tempo a jamais usar toalha de uma amiga, e mesmo em casa, que ela enxugue as partes íntimas com papel higiênico, assim cria o hábito e nunca esquece. 

Se estou tomando a decisão certa? Vou dizer o que sempre digo: jamais saberemos se a decisão que tomamos foi a certa, pois jamais saberemos como teria sido o contrário.

Entretanto, não sou contra a vacina, tampouco quero influenciar nenhuma amiga que me questione sobre o assunto. Tenho preguiça de argumentar e acho que envolvem valores diversos de família. Se optamos por tratar nossos filhos com medicina natural e não lhes drogar, salvo em caso de extrema necessidade do uso de corticóides para graves crises alérgicas, eles permanecerão tomando gotinhas diversas de hora em hora e fazendo medicina preventiva, o que, neste caso, não envolve tomar vacina.

Um comentário:

  1. Cada família resolve o que acha melhor para os filhos, não é?
    Liberdade de escolha.
    Um feliz fim de semana para você.
    Beijos querida.

    ResponderExcluir