sábado, 8 de março de 2014

Sobre maternidade e paternidade; aliás, sobre o porquê de se ter filhos

Estávamos deitados, como fazemos todos os dias a noite. Televisão desligada, marido Toruboi lendo algum dos seus dez livros em leitura constante e eu cuidando da empresa que tenho no ramo do entretenimento: minha fazendinha virtual.

Confesso que apesar de ser a maior amante do silêncio, quando estou ao lado do marido, o ar silente constante dele me incomoda. Perco a concentração para tirar a dele. Foi quando fiz a pergunta: “amor, por que você quis ter filhos?”. A resposta me surpreendeu. Sem delongas, ele disse que quis ter filhos para deixar os valores dele para alguém. Tapa na minha cara quando recebi a mesma pergunta de volta. Não quis enrolar para pensar, pois o tempo passaria infinitamente e a resposta não viria. “Tive filhos porque todo mundo os têm!”.

Minutos depois ele dormiu. Minha mente não. Pensei em quantas pessoas como eu são capazes de colocar filhos no mundo assim, sem pensar no porquê, sem saber o que vai fazer. Sempre tive a certeza de que teria dois filhos, entretanto, a maior certeza que tenho hoje é que tive filhos por vaidade, porque mulheres têm filhos. Assim, simples como comprar pão na padaria.

Há alguns anos, minha amiga C., uma jovem executiva e com um belo currículo acadêmico, começou a entrar em estresse, que foi gerando depressão e a extensão do problema chegou ao ponto de o marido fazê-la entender que ela estava já gastando mais com médicos e medicamentos, do que ganhava em salário. Então minha amiga resolveu viver. O marido trabalhava para trazer o sustento pra casa, mas lá no começo da relação, quando ela já estudava e dali poucos anos trabalhava muito, o marido, mais imaturo, ainda jogava bola, afinal, eles tinham doze, treze anos quando começaram aquela relação que hoje leva o nome de família.

Totalmente curada, feliz da vida, o marido estruturado, veio a surpresa: na barriga da C., estava sendo gerada a vida da nossa amada L. Minha amiga queria que a filha nascesse de parto “normal”, aquele sem intervenção cirúrgica e sem invencionices dos tempos de hoje. Almoçamos em casa todos juntos e dali uma semana, nossa pequena deveria dar o ar da graça, mas de repente, ela resolveu nascer. Não me lembro que tipo de parto foi, mas nasceu linda, saudável e feliz.

Há um mês, fui visitar a L., que faria um aninho já, junto com o Peteleco. Passamos a tarde lá. Cheguei e me apaixonei pelo tipo de mãe que minha amiga estava sendo: uma sala totalmente bagunçada com brinquedos de vários materiais e texturas, e L. inteligente e feliz. Dias antes, as duas estiveram na médica da pequena, que ao vê-la, logo disse que era uma criança cuidada pela mãe.

No dia seguinte, fui em consulta na G.O. da C., e minha médica de família, uma consagrada médica com mais de dez especializações, e que está grávida do N., chegando ao mundo em abril próximo, via cesareana! Fico impressionada com os partos dela. Várias amigas tiveram filhos com ela, mas a última saiu da maternidade no dia seguinte praticamente. Como? Ela não entrou em maiores detalhes, mas usa um tipo de incisão que o corte é minúsculo e de recuperação mais rápida que o parto “normal”. Começamos a falar sobre criar filhos, e ela disse que minha amiga C. está se saindo uma mãe magnífica.

L. foi planejada, desejada, esperada e é muito amada. N. também terá todo o amor do mundo. No caso da dra. L., ela não vai parar de trabalhar. Ficará em casa por trinta dias e a agenda já está cheia para sua volta.


Ter filho é uma escolha. A forma de criá-lo, também. Cada família sabe das suas prioridades e seus valores. E o importante mesmo, a meu ver, é antes de mais nada se perguntar: “POR QUE EU ESTOU TENDO FILHOS?”

4 comentários:

  1. Tive 3 filhos do mesmo pai, os 3 totalmente por acaso (diga-se descuido), mas uma coisa eu digo: JAMAIS VOLTARIA ATRÁS!
    Amo meus filhos mais do que a mim mesma, e se um dia um deles depender de minha ultima gota de sangue, com certeza a terá.
    E em qualquer momento que algum deles precisar de colinho de mãe, com certeza lá estarei.
    PS. Obrigada por ser mãe, pois assim eu agora também sou vó! Amor de mãe..........................

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  2. Tive um porque queria só um mesmo. Queria demorar um pouco mais, era bem nova, mas a surpresa chegou. Fiquei radiante. Ele ia chegar! E o amo de paixão. E ele me deu uma neta linda, inteligente, carinhosa, meiga ................ e a vida segue.
    Beijos.

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  3. ola Ursula,recebo noticias suas pelo email,e fiquei feliz ,somos quase vizinhas(moro perto do supermercado Dia da Sezefredo fagundes,espero que esteja melhor,bjos...

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  4. Úrsula, adorei o texto. Realmente vejo muitas pessoas tendo filhos por ter e que depois não são felizes com a escolha que fizeram. Conheço uma pessoa que chega a dizer "olha, eu amo meus filhos, não me leve a mal, mas se eu pudesse voltar atrás não teria filhos, queria ser mais livre". Cada um com sua escolha né. Eu decidi não ter filhos e sou muito feliz com minha escolha, mas muitas pessoas não entendem... Eu nem discuto mais.

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