domingo, 1 de dezembro de 2013

Sobre o pagamento que recebi por meus trabalhos

Alguns ciclos da vida se encerram, para que outros possam surgir

Bibizoca não foi a melhor e nem a puor aluna até o sexo ano, quando a escola mudou o sistema de ensino e precisei mudá-la de escola. O fato de estar adiantada um ano afeta muito o desenvolvimento da criança nesta mudança, do Fundamental I para o II.

No período em que esteve na outra escola, dois anos e meio, foi um tempo de provações em minha vida. A coordenação, a direção da escola e a terapeuta fizeram tudo que tinham ao seu alcance para que ela se enquadrasse em um padrão "normal" como os outros colegas. Entretanto, foram notas baixas, advertência, suspnsão e a minha sorte é que ela nunca foi pra conselho de classe. Assim, aos trancos e barrancos, chegou ao nono ano. Desde a saída da escola no sexto ano, alimentava o sonho de voltar.

Admito que não foi a vontade dela que nos fez volta-la à escola anterior. Discordávamos do modo como a escola em que ela estava fazia o rito de passagem do Ensino Fundamental para o Médio: com uma viagem para a Disney, a qual nem 10% dos alunos formandos participariam (dados da Diretora).

Unimos o útil ao agradável: ela teve que escrever de próprio punho uma declaração, comprometendo-se a estudar e entrar no ritmo da escola anterior, na qual os colegas estavam bem a sua frente.

Para nossa surpresa, e muito grata, a chave dela virou. Ela terminou o ano com CATORZE notas dez. Gabaritou em prova de física, matéria que, junto com química, nunca tinha tido contato. Ganhou concurso literário e seu soneto foi publicado em um livro. Ela, a aluna mais nova da sala, foi se superando. No segundo semestre, inúmeras as vezes em que ela me ligava pedindo pra ficar a tarde na escola ajudando as amigas.

Em maio, ela atingiu a segunda escala para bolsa de estudos em um dos melhores colégios para Ensino Médio no Brasil. Matriculamos-na, contudo, viria os desafios das escolas técnicas.

Durante esta semana, passei mal e sofri horrores. Ela quer muito fazer Edificações e este querer está naquela lista de coisas que o dinheiro não paga. Fizemos um combinado: ela teria uma semana com sono e alimentação equilibrados, comeria chocolate todos os dias para acalmar-se, mas iria estudar. E lá foi ela, com matérias do sexto até o nono ano, estudando e ralando.

Meu maior sofrimento era a culpa de não tê-la, junto com vários amigos, colocado-a para fazer cursinho preparatório. E ela jogava na minha cara que, se não entrasse, é porque não tinha frequentado o cursinho.

Hoje foi o dia da prova. Nem sei o que vai ser de mim quando chegar a hora do vestibular. Tensionei cabeça, corpo e alma em grau mil. A surpresa veio, após as dezoito horas, com a divulgação do gabarito: ela pegou segundo lugar na turma dela, passando os colegas que fizeram cursinho e cursaram todo o ciclo em uma escola mais puxada.

Não há nota de corte, uma vez que esta se estipula de acordo com as colocações gerais. Independente do resultado, para nós, ela saiu vitoriosa.

Peteleco nem há muito o que dizer. Teve médias finais DEZ em: Geografia, Português, História, Ciências, Inglês, Matemática e Alemão, e recebeu nos três trimestres um "carimbo" por ser dos melhores alunos da sala. Sua professora o elogiou o ano todo, disse que seu raciocínio está sempre a frente do que ela vai explicar e ele é um aluno nota dez.

Vários dias me deprimo por estar em casa, sem trabalho remunerado, sentindo-me menor que outras mulheres. Porém, é nesta época do ano que recebo, com juros e correções, por todo o esforço e amor dispendido em um ano.

Orgulho master das minhas crias!

4 comentários:

  1. Quanto amor! Tens razão em sentir-se orgulhosa. Não tenho filhos, mas vibro com as conquistas de sobrinhos, filhos das amigas e cada avanço dos meus pequenos alunos. O pagamento é invisível aos olhos, mas sentido no coração. Bjs

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  2. Ooooooow, quanta notícia boUa!!!
    Não entendo muito esse lance de "vestibular" pro ensino médio, na época dos meus filhos era bem diferente, mas só de saber que a lindona da Isa saiu vitoriosa nesta batalha, fico feliz junto com você!
    Amiga, ser mãe em tempo integral é um grande privilégio. O salário que se deixa de ganhar numa carreira profissional pode ser contornado ou substituído, os resultados de ser uma mãe presente, nunca.
    Meus filhotes foram criados bem perto de mim, pelo fato de eu ser professora, e sempre trocar meu trabalho nas escolas particulares pela mensalidade deles. Nunca me arrependi disso. Só paguei escola a partir do ensino médio, pois a escola que escolhemos não "me cabia". Hoje tenho uma Mestranda que será Mestre dia 20 de dezembro (e eu não vou assistir à defesa ao vivo - só por skype - buáaaaaaaa) e um pequeno desorientado profissionalmente que largou a faculdade e abriu uma microempresa, mas que sei que vai se ajustar, com fé em Deus.
    Parabéns a todos os envolvidos nas vitórias escolares!!!!
    Beijooo

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  3. Meus Deus, que felicidade! As minhas crias me cobriram de orgulho e continuam. Agora são as crias das minhas crias. Acho que ficarei com torcicolo, de tanto andar de peito estufado e cabeça prá cima. Parabéns minha linda!

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  4. Parabéns para os filhotes estudiosos.
    Beijos em todos os 3. Bom descanso, boas férias.
    Meu carinho, sempre, Úrsula.

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