sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sobre a morte do Madiba e sobre o espírito de Natal

Decepção não seria a palavra. Indignação, tampouco. Vivemos em um mundo egoísta, individualista, no qual a maior preocupação é com o “eu”. Esta máxima tão ouvida por tantos, mas que poucos fazem algo para mudar, ficou clara para mim ontem, após o anúncio de um dos maiores líderes que a História mundial já teve: Nelson Mandela.

Com total respeito a cada opinião emitida (todos têm direito de expressar o que sente, sem julgamentos), e não me refiro, aqui, a crianças ou adolescentes. Refiro-me a pessoas adultas, cultas, entendidas, preparadas (?) para expressar opiniões congruentes com seus “perfis” pessoais e ajudar a espalhar aos menos favorecidos de conhecimento, quem foi e o que representou a figura de Mandela.

A mim, não cabe dizer quem ele foi. Não tenho conhecimento o suficiente e vocabulário para contar sobre as décadas de luta incansável de um homem pela igualdade de raças.

A segregação existe em todo lugar. Quando se fala em raça, não se cita raça negra – ou mais politicamente afrodescendente – mas sim, toda e qualquer raça que hoje, no ano de 2013 depois de Cristo, ainda guerreia por poder, por terras, por vaidade.

Mandela manteve sua simplicidade durante toda uma vida. E deixa ao mundo um legado de que é possível. Tudo que queremos é possível. Basta persistir, lutar e acreditar.

Em tempos de Natal, no país Cristão que é o Brasil – mesmo que a Constituição Federal pregue um Estado Laico – pessoas esquecem-se do propósito de Cristo: pregar a igualdade, o amor ao próximo e a ajuda aos necessitados.

Enquanto a cidade em que vivo – São Paulo – fica intransitável por conta da corrida exacerbada pelo consumo, vejo instituições sociais que cuidam de idosos, crianças carentes, deficientes físicos que são abandonados pelos pais por não acreditarem ser capazes de criar seus filhos – e poderia citar muitos outros casos – abandonados, a ver navios, contando com as poucas e restritas contribuições que chegam da mesma forma em qualquer mês do ano. E em vários lares cristãos, serão trocadas dezenas de presentes, haverá mesas fartas, com tanta comida que pessoas passarão mal no dia seguinte, como se só existissem no ano dois dias para se comer. Fica a minha pergunta: quais são os seus valores de vida?

Cresci em uma família que sempre comemorou o Natal. As recordações que tenho de infância jamais serão sentidas por meus filhos, pois a forma a qual decidimos incutir esta data na memória deles, foi de um dia de reflexão, de oração, de pedir pelos necessitados e principalmente, de agradecer por todo o privilégio que temos, por nossos corpos físicos perfeitos, pela cama quente e pelo alimento sagrado que temos diariamente. Mas tal gesto não faz parte do nosso ritual apenas na noite de Natal, dia simbólico para comemorar o nascimento de Jesus. Semanalmente, unimo-nos os quatro para mostrar gratidão por mais uma semana de vitórias e pedir paz e saúde para a próxima, não apenas a nós, como a todos os nossos irmãos.

Que mais pessoas possam seguir os exemplos de grandes homens: mais amor ao próximo!


Descanse em paz, Grande Homem!

2 comentários:

  1. Ah menina, vejo muita gente ajudar à muita gente!
    Fico indignada com os nossos "governantes", por causa da ganância deles, existem muitas pessoas abandonadas nas ruas, nos asilos, nos orfanatos. Mas seria utopia pensar que um dia tudo será reslovido da melhor maneira possível. O Brasil está pobre de tudo, de caridade, de espírito coletivo, de humildade ........... Fazemos nossa parte em nossa casa ensinando a nossos filhos, ajudamos no que
    podemos ............... mas tudo está muito complicado. Esperança não morre! Bom fim de semana. Beijos.

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  2. Úrsula, das minhas relações, creio que este é o primeiro post que leio homenageando o Mandela. Um homem digno de toda a nossa admiração. Um lutador incansável pela integração do seu povo. Inadmissível que haja segregação entre brancos e negros, como se fossem seres diferentes. Somos absolutamente iguais, o que nos diferencia é o caráter, são os sentimentos, mas nunca a cor da pele.
    Não falei nada sobre ele, justamente por não saber a fundo da sua vida e de não estar com tempo (nem disposição) para me aprofundar, para ler sobre ele e não falar besteira. Também, falar na internet é como pregar no deserto.
    Ainda bem que mesmo modestamente, podemos nos comparar a ele, senão com toda a sua grandiosidade, pelo menos no saber que somos mais ricos quanto mais distribuímos.
    Beijo. Prazer em ler você.

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