quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sobre o uso de produtos de soja

Quando era criança, morava em plena avenida Rebouças, em um edifício que hoje dá lugar a um posto de gasolina. Ao lado, funcionava um restaurante macrobiótico. Perguntava pra minha mãe o que era aquela comida e ela me explicava que era comida feita de soja e eu, filha de açougueiro, morria de nojo de carne de soja.

Este "bicho estranho" chamado soja entrou na minha vida há quase doze anos, quando marido resolveu fazer uma "carne" de soja refogada. Não me lembro se era bom ou não, mas começo de relação a gente come até buchada de bode com calda de morango pra agradar o parceiro. Contudo, o nojo continuou.

Há muitos anos que o mercado produz compostos de soja e fruta, o qual chamamos de suco (e quem disse que não é?). Não temos em casa o hábito de consumi-los, salvo menino Peteleco que leva para escola diariamente sucos para a escola, e algumas vezes, a opção é o composto de soja.

Minha médica ortomolecular me passou uma dieta. Estou com alguns problemas de produção de hormônios vitais (existe algum que não seja?) e vitaminas e minerais com alto grau de deficiência. A dieta precisa ser seguida à risca, uma vez que o intuito dela é repor tudo que está faltando no meu organismo. 

Da última vez que precisei fazer isto, ela me deu "leite" de arroz. Paguei 18 dinheiros no litro. Ia fazer um ano agora e o negócio venceu, fechado dentro da geladeira. Não tive coragem sequer de experimentar. Morro de nojo de vomitar e de experimentar coisas diferentes. Confesso que não sou a pessoa das mais difíceis de comer. Como (contra a minha vontade) quase todos os tipos de verdura, como jiló, quiabo, fígado de galinha, de boi, moela e até língua de boi. Entretanto, "leite" de arroz? Não tive coragem.

Desta vez, a dieta veio com "leite" de soja. Fui ao mercado munida da lista de tudo que precisava comprar. Quase todos os produtos encontrados em uma única seção do mercado, a de produtos orgânicos e saudáveis, diferente das minhas seções preferidas: as de coisas que não prestam.

Chegou a vez do "leite". A variedade era grande, mas na versão light, só achei de uma marca. Olhava a caixinha, ela me olhava. E estou sem muita escolha. É quase tomar ou morrer. Como optei pela vida, comprei a caixinha. Fui corajosa na verdade, trouxe duas.

No primeiro dia, driblei o "leite". No segundo também. Hoje, terceiro dia, não tinha escapatória. Muni-me de toda a coragem que alguém precisa para enfrentar a montanha russa, coloquei no mixer uma pêra picada, alguns cubos de gelo e meticulosamente 200ml do meu inimigo. Bati, bati, bati, bati....infinitamente, até fazer muita espuma e ficar com bastante cara de milkshake. 

Diante do meu inimigo, preparei minha fatia de pão 12 grãos com queijo cottage e geleia sem açúcar e adoçante, sentei-me a mesa, joguei uma partida de bingo on-line e "voilá", direcionei minha boca para o copo, mas o nariz chegou antes, para antecipar o que eu sentiria adiante. E não é que o cheiro era bom? Tinha cheiro de baunilha. Fui munindo-me de mais e mais coragem até que levei o copo a boca e? SURPRESA! Era gostoso. Tão gostoso, que não vejo a hora de chegar amanhã para eu experimentar com outra fruta. Tão gostoso, que fiquei aliviada por ter uma opção agora para tomar shakes, já que tenho intolerância aos lácteos. 

Moral da história: mesmo aos trinta e nove anos de idade, é preciso experimentar. E se não gostarmos, experimentamos de novo. Até dez vezes, como fazemos com as crianças. Para que nosso paladar aprenda a gostar daquele novo sabor.

E o medo da soja? Foi embora. Em breve, acredito que usarei proteína de soja texturizada para complementar a alimentação da família. Por hoje, fico com o salmão que está na geladeira marinando!

2 comentários:

  1. Aeeeeeee gostei de ver rsrsr
    Cuidar da saúde é importante demais.
    Uma vez fiz uma "carne" moída de soja. Temperei com alho, cebola, cheiro verde, pimentão, azeitona ...
    Foi o recheio de uns pastéis de forno.
    Menina, sabe que sumiu rápido, não sobrou um para contar a história?
    Pois é, "camuflar" é o melhor!
    E ficaram uma delícia.
    Uma ótima semana de suquinhos para você.
    Beijos linda!

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  2. Coragem, é preciso experimentar de tudo, para depois falar que não se gosta.
    Sucesso para o seu tratamento e juízo pra fazer tudo direitinho, afinal é de seu corpo e de sua vida que se trata. E, de quebra, vai mostrar aos filhos uma vida mais saudável.
    Beijo, Ursula.

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