segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Sobre a mamografia: desmistificando a lenda urbana

Hoje fui fazer meio check up. A outra metade já havia sido realizada dois meses atrás, com ressonâncias, tomografias, eletros e cardios variados. Ficou faltando fazer toda a parte ginecológica.

Sempre ouvi dizer que aos quarenta anos era chegada a hora de se fazer a bendita mamografia. Ela é indicada com bem menos idade para pessoas que possuem casos de câncer de mama na família. Na minha família, o histórico de câncer de intestino é forte, mas de mama, ainda bem que não temos.

Por algum motivo, causa ou circunstância, a médica decidiu pedir, além dos muitos exames de laboratório (para repetição), todos os exames ginecológicos e de imagens que envolvem o universo feminino (e como ele é internamente feio né?).

Só quando estava fazendo o exame, me dei conta que, talvez, minha crise de enxaqueca tenha sido por causa da tal mamografia.

Sempre ouvi dizer que mamografia era o exame mais horrível do mundo, que era doído demais, sofrido demais, que apertavam os peitos, as mamas e doía muito. E eu, burra, acreditei.

Assim, quando minha médica me deu todas as guias, fiz os exames laboratoriais e marquei em um hospital dia para fazer todos os outros exames juntos. No dia, alguma coisa aconteceu (ou eu fiz acontecer, inconscientemente), que me fez perder o agendamento. Remarquei os exames, mas as guias todas estavam vencidas. Então, com a cara de pau que Deus me deu, enviei um e-mail para a médica relatando os dezoito exames que havia perdido. Liguei no celular dela avisando que enviei o e-mail (porque vai que ela não leia...).  Ela refez todos os pedidos.

Há cinco noites não durmo direito. Suo a noite, tenho calafrios, pesadelo, e desde sábado meu humor está típico de uma mulher em TPM, longe da data do pagamento, com os cartões estourados e descobrindo que o marido tem outra. Nem eu me suportando. Ontem, se tivesse um espelho na minha frente, eu quebraria, só por olhar pra minha cara. Nestes dias todos, tenho chorado com o marido, sobre meu medo de fazer a mamografia e realizar quatro biópsias.

Torci de todas as maneiras para que algo acontecesse hoje. O relógio despertou na hora certa, não rolei as escadas abaixo, achei a chave do carro (um milagre para quem estava em pé seis da manhã), o carro pegou, o portão da garagem abriu. O único contratempo foi que me esqueci de pegar os óculos de Sol e meu par de brincos. Achei que era um sinal muito fajuto. Voltei, peguei aquilo que me completava e sai.

Com medo de ter crise de pânico, estou há cinco dias tomando medicamentos para me preparar para o dia de hoje. Sai de casa medicada. Disse ainda para o marido: o máximo que acontecerá, será eu largar o carro lá e voltar de táxi, e amanhã voltar para buscar. O que não foi preciso. Estou em casa e meu carro na garagem.

Chegou a hora dela. O roupão que estava usando estava molhado. Não, não lavei a cabeça de manhã e sai com os cabelos pingando. Meu corpo mesmo suava. A enfermeira me direcionou para uma sala, pediu que eu tirasse o roupão e o sutiã. Obedeci. À minha frente, a máquina. Ela e eu. E a enfermeira, claro, que delicadamente, me explicou todo o funcionamento da máquina e como seriam feitas as seis imagens, três de cada seio (mamilos, mamas e axilas). Abriu a máquina, que parece uma prensa. Encaixou o primeiro seio na máquina. Pediu que eu não respirasse e disse: acabou. Assim foram as próximas cinco imagens.

Quando terminei, sentei no chão e comecei a rir. A enfermeira me achou uma louca, claro. Até eu me achei. Então ela quis rir também da piada. Contei para ela que há tantos anos, amigas que já entraram na casa dos quarenta me assustam com a mamografia, que pensei que a dor seria tanta que eu não suportaria (não tenho nenhuma tolerância à dor). E sabem o que eu senti? NADA.

Gente, porque as pessoas gostam de aterrorizar onde não há terror? Mostrar fumaça onde não há fogo algum? Imagino quantas mulheres com menos instrução que eu, ou até mesmo menos condição de realizar um exame deste, protelam sua ida ao médico pelo medo, e são surpreendidas pela doença, muitas vezes em estágio avançado? Fiquei me perguntando: por quê?

Uma das médicas me chamou para mais uma leva de exames de imagens. Desta vez, ultrassonografias, incluindo mamária. E querem saber? A ultrassonografia mamária dói, porque a médica te joga aquele gel quente e fica cutucando os peitos pra tudo que é lado. A mamografia NÃO DÓI. São imagens de raio x, cujo objeto radiografado precisa ficar posicionado, da mesma forma que apoiamos o queixo quando radiografamos os seios da face, ou deitamos para radiografar um osso da perna (esta eu sou craque, sei a posição de radiografar todos os ossos: fêmur, fíbula, tíbia).

Como os exames não se resumiam apenas às mamas, a médica e eu começamos a falar sobre parto. Perguntou-me sobre todas as minhas gestações, idade gestacional que cada filho nasceu, o porquê de eu ter feito cesárea duas vezes e entrou a discussão mais falada nas redes sociais: parto normal x cesárea.

Ela me disse ser contra a forma como a cesárea é feita no Brasil, de forma elitista e desnecessária, mas que, como médica, sempre orienta suas pacientes sobre as duas formas de parto, e disse que parto normal não dói. É um mito igual ao da dor da mamografia. Entramos no assunto do momento: partos em casa. A médica disse que é um retrocesso na humanidade. Que se as mulheres tivessem a capacidade de imaginar o tamanho do perigo que correm, mães e filhos, nesta opção de nascimento, jamais retroagiriam e optariam por ser como era antigamente. Discutimos inclusive pessoas que optam por parto natural (ou humanizado), mas se internam na suíte de luxo de um belo hospital, tudo muito simples (tirando o luxo e o glamour).

Enfim, o que era para ser um dia de enxaqueca, foi um dia de descobertas, conhecimentos e confirmações das minhas ideias sobre partos.


E você, já fez sua mamografia? Segundo a doutora, a indicação hoje é a partir dos trinta e cinco anos, devido ao modo de vida que levamos, e que quanto mais cedo se descobre, claro, mais chances de cura. Pode fazer. Não dói nada. Eu assino embaixo!

7 comentários:

  1. Ursula, você é uma menininha assustada, num corpo de mulher! rs
    Mesmo que doesse, para que tanta ansiedade, diante do que tem que ser feito, queiramos ou não, né? Fui muito assim, mas não a ponto de "adoecer" antes de um exame. Pensando bem...minhas crises de intestino são a sua enxaqueca...Verdade! Joguei muito para o meu corpo os meus medos. Enfim...Se soubesse que ia fazer a mamografia, teria tentado lhe dizer que não dói mesmo, embora algumas vezes (depende de quem está manuseando o aparelho) elas até que apertam muito a mama, mesmo, mas nem de longe é uma dor insuportável, é tranquilo demais!
    Enfim, se a gente fosse diferente seria ...diferente, né? rs
    Desejo que sua saga dos exames tenha chegado ao fim e que os resultados sejam todos muito bons. Aí...Ano que vem tem mais! rs Sim, pq agora é tudo anual, ou de 2/2 anos. rs
    Beijo!

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  2. E não é? Por completa ignorância tem mulhres que só fazem esses exames quando já tem algum caroço e aí é aquela correria para cuidar ... Fico tão triste com tudo isso.
    Eu faço mamografia e ultras há trocentos anos, não vou dizer que não sinto nada (só a intravaginal é que incomoda um pouco, pois a "bolinha" fica olhando tudo, cada centímetro). Mais nada que seja pior que um beliscãoleve rsrsrs
    Precisamos de muitas campanhas para as mulheres irem fazer tudo que precisa ser feito para ter uma vida saudável e tranquila.
    Vai em frente! Achei graça do seu relato rsrsr que bom que perdeu o "medo do monstro" rsrs
    Beijos querida.

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  3. Realmente a mamografia é um tabu para muitas mulheres!!! Quando eu fiz a minha primeira eu tinha 29 anos...sim tenho casos de câncer de mama na familia!! Fui suando frio e NADA doeu ... eu fui preparada para sofrer e não senti nada....fiquei indignada de não ter sentido dor, já que todo mundo sofre!! Então aprendi que: a mamografia feita entre o sexto e decimo dia após a menstruação não dói .... tem um periodo certo pois os hormonios que agem depois fazem com que a mama fique dolorida.

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  4. Acho bárbaro quando as pessoas contam suas experiências e ajudam a desfazer esse mito em torno das coisas simples. O da mamografia é só mais um fantasma embaixo da cama, não é?
    Beijos para você!

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  5. Como eu sou muuuutio desligada, não sofri antes, como você, na minha primeira mamografia. Fiz aos 30 anos, mesmo sabendo que não daria pra ver quase nada, porque o tecido ainda está durinho. Mas como fui retirar o útero, a médica pediu, junto com o ultrassom. Dessa vez até doeu um pouquinho, porque como o peito era pequeno e mais duro... sacomé, né?
    Depois disso (tudo normal), fiz novamente aos 40, e de lá pra cá todo ano. Quando chegou a digital, que deve ser a que você fez, aí ficou mamão com açúcar, não dói NADA mesmo. A máquina mais antiga apertava mais, mas mesmo assim nada que chegue perto da enxaqueca. Essa, sim, é a pior dor!

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  6. Oi Ursula, é a Vi, terrorismo começa desde quando somos criança, já cansei de ver pais dizerem para o filho: fica quietinho senão levo você para tomar injeção..
    a criança passa ter medo não só da injeção, mas do medico, da enfermeira, e vai crescendo com um monte de ideias tortas.
    Tem coisas que até são doloridas, mas nada que não seja suportável, mas o medo causa dores muito maiores e muitas vezes insuportável.
    Beijos,Vi

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  7. Olá!
    Amei teu relato da mamografia.
    Preciso fazer, estava com medo confesso.Pois me disseram que era um dor horrível.rs
    Obrigada por compartilhar esta experiência.
    Tenha um ótimo dia!
    Com carinho

    http://femmedigital.blogspot.com.br/

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