segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sobre rótulos

Pessoas adoram rotular pessoas. Vamos encontrar na vida as que aceitam rótulos e as que não aceitam.

Sou uma pessoa com a essência forte, personalidade marcante, muito decidida. Em dado momento do meu percurso, perdi a força. Deixei-me dominar, fui fraca e comecei a aceitar rótulos.

Só existe uma pessoa responsável por nossa felicidade: nós mesmos. Temos o livre arbítrio para viver do modo que queremos e aceitando ou não aquilo que nos incomoda.

Já ouvi tantas histórias sobre tentativas de suicídio. Vou tocar neste assunto para falar sobre mim: estou completando neste semestre dez anos que fui diagnosticada com depressão. Nestes dez anos, vivi momentos em que o fundo do poço era lugar raso para dizer onde eu me encontrava.

A depressão nos leva a um estado letárgico, de inferioridade e infelicidade pleno. Cabe nos afundarmos ou nos debatermos para subir à superfície.

De cada cem dias, me debato em noventa e nove deles. Deixo um para viver o fundo do poço e relembrar o quanto é bom estar na superfície.

Foram muitos momentos de dores. E ainda são. A dor não existe só para os depressivos. A dor existe na vida. E quem disser que é feliz 365 dias por ano, pode procurar ajuda psicológica urgente. Estado de felicidade plena e constante não existe e não é real.

Nem sempre minha proporção foi de 99/1. Passei por momentos em que meu corpo deixou de produzir muitas substâncias, o que me deixava bem mais 1/99. E mesmo assim, lutei.

Nunca houve ninguém que me pegasse pela mão para caminhar. Nunca tive ninguém que estivesse no médico comigo. Toda a minha trajetória é sozinha, caminhada com minhas próprias pernas, inclusive em dias nos quais só me arrastando, é possível mover-me.

Suicídio jamais passou pela minha cabeça. Tive dias e dias seguidos em que quis e precisei ficar deitada no quarto escuro sofrendo minha dor. Tive e tenho dias em que quero sumir. Quem não tem? Não é preciso ter diagnóstico de depressão crônica para querer sumir por um dia, por um mês. Um ano já acho grave e perigoso.

Quem quer se matar, não manda recado. Há muitas formas e maneiras de dar cabo à vida, e quem ameaça é porque está chamando a atenção, está clamando por um olhar de qualquer pessoa que seja.

Contudo, mesmo que a dor domine, que os sentimentos sejam confusos, não devemos jamais em nossas vidas aceitar rótulos. Tenho aprendido e praticado isto diariamente. Faz parte do respeito que eu devo a mim mesma.

Sou um ser humano como cada um que vive neste enorme planeta. Tenho qualidades e defeitos. Tenho altos e baixos. Mas rótulos não. Ninguém tem o direito de me rotular, pois rotular alguém é atribuir ao outro sua própria incompetência em determinado assunto.

Liberte-se daquilo que te rotulam. E mais. Não se rotule. Não se permita. Porque na vida, não somos. Apenas estamos. 

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