sábado, 31 de agosto de 2013

Sobre opções


Tudo nesta vida é uma questão de escolha, exceto doenças e a morte.

Ao longo da nossa jornada, temos de arcar com os ônus e bônus daquilo que escolhemos.

Tenho uma infinidade de amigas solteiras. Por opção. Delas, e não piadinha de que "são solteiras por opção de homens não as escolherem".

Depois de certa idade, a mulher tende a ficar mais exigente. E a cada exigência, uma chance a menos de encontrar o seu par. 

Viver sozinho, ou de bar em bar, não é uma vida legal. Ela cansa. Falo de cátedra.

Certo dia resolvi entrar na internet para encontrar amigos e, quiçá, um namorado. Encontrei amigos, namorados e um marido.

Quem fica solteiro nunca saberá como é a vida de casado. E vice e versa. Mas não é só no quesito "par" que fazemos opções.

Ter ou não ter filho é a maior opção de vida que fazemos. Pois quando optamos por tê-los ou não, estamos mudando todo o curso de nossas vidas.

Tive minha filha aos 25 anos. Por opção. Fui mãe solteira. Por opção. Poderia ter aceitado um marido com a amante, como a tia do próprio sugeriu. Logo, tive de trabalhar para criá-la bem. Também uma opção. Poderia ter optado por uma vida simples, sem luxo, sem ..... Mas optei por trabalhar e deixá-la com babás, mesmo com o coração sangrando.

Quando optei por me casar pela segunda vez, também optei por ter um segundo filho. Por uma opção de deixar de trabalhar e acompanhar o marido em uma expatriação, optei por deixar de trabalhar por um tempo.

Voltamos, e ainda sem o segundo filho, optei por voltar ao mercado de trabalho, começando por um curso superior de Administração em Recursos Humanos, para ter uma visão de como estava o mercado no qual atuei por catorze anos. Engravidei no caminho. Optei por mudar de bairro, por ter o filho e voltar depois.

Ele nasceu. Decidi estudar e mudar de carreira. Voltei a trabalhar e ter sucesso no que fazia. Porque não sei fazer nada mais ou menos. Mas o magistério não me fez feliz. Mesmo com vontade de continuar, tive de parar, pelas crianças. Logo, uma opção.

Vejo tantas mães trabalhando e ficando longe dos seus filhos. E sofrendo. Em casa, fizemos a opção de termos uma renda menor, mas comigo em casa criando os filhos.

Hoje, vejo que estou mais ou menos na metade do caminho, segundo as estimativas de vida. Nesta metade, aconteceu tudo isto. Quer dizer, aqui só conto os últimos carorze anos. Nos primeiros vinte e cinco, foram onze de profissão. Porque optei começar cedo, passar por dificuldades e estudar para chegar a algum lugar.

São incontáveis as vezes que ouço: "você estudou tanto pra ficar em casa?". Uma opção. Mas e a outra metade da vida, ainda não posso optar por voltar?

Sim, é a resposta. 

Não sei como seria se nunca tivesse parado. Não posso saber se a carreira continuaria sendo um sucesso, ou se eu me transformaria em uma mulher frustrada por deixar os filhos em casa.

Frustra-me ver o mercado de trabalho que atuei com tanto amor mudando bruscamente, tantas coisas acontecendo. Mas arrependimento, não. Foi minha opção.

O que digo é que em qualquer escolha que façamos, haverá perdas. Sempre. Entretanto, se não somos capazes de saber o que perdemos, não há como mensurar nada. Logo, não há do que se arrepender, seja qual seja a opção.

Uma coisa é fato: amo meus filhos. Mas hoje, em 2013, não faria a opção de tê-los. Não pela profissão, pelas abdicações ou pelo custo que gera. Não os teria porque este mundo não merece crianças. Porque todos os dias sofro. E aí, sem opção, por ficar sem saber se quando eles saem de casa, voltarão logo mais. Neste pedacinho do mundo em que vivemos, no qual não existe lei, valor a vida ou respeito a si mesmo e ao próximo, optaria por não viver este sofrimento.

Dedico esta reflexão às amigas J.A. e R.L.

3 comentários:

  1. Olá Ursula, aqui estou de volta. É ótimo quando fazemos as opções em nossa vida e temos a certeza de ser o melhor caminho a seguir. No último ano me vi optando por ficar longe do marido por motivos pessoais que envolvem uma pessoa muito amada pelo marido e eu, e as críticas venenosas apareceram. Concordo com você, perdas acontecem, mas ter a consciência tranquila por estarmos fazendo o melhor para o momento é indescritível. Bjs

    ResponderExcluir
  2. Ja dizia minha ex sogra: A gente eatá no lugar que a gente se põe. Pode não ser o lugar que queremos ou desejamos, mas ele sempre será consequência de escolhas que fizemos e decisões que tomamos. Colocar a culpa em terceiros é fácil, difícil é bater no peito e chamar a responsabilidade para si. Excelente texto. Impecável como sempre. Love you.

    ResponderExcluir
  3. Ja dizia minha ex sogra: A gente eatá no lugar que a gente se põe. Pode não ser o lugar que queremos ou desejamos, mas ele sempre será consequência de escolhas que fizemos e decisões que tomamos. Colocar a culpa em terceiros é fácil, difícil é bater no peito e chamar a responsabilidade para si. Excelente texto. Impecável como sempre. Love you.

    ResponderExcluir