quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Sobre o peso que atribuímos às relações

Dia destes, ocorreu comigo um fato um tanto interessante no Facebook: havia semanas que um texto corria pela rede, contando a história de vida do Silvester Stalone. Eu já havia lido tinha meses, mas por se tratar de uma história interessante, ela apareceu dezenas de vezes na minha "timeline". 

Um certo sábado, marido Toruboi estava ao meu lado e veio de novo o texto. Gostaria de compartilhar a história com ele, e naquela hora, compartilhei a mensagem, marcando o nome do marido para que ele o lesse.

No dia seguinte, a pessoa que vinha compartilhando aquele texto de vários outros amigos, mandou-me algo que achei de muita falta de educação. Uma destas telas de Power Point que continha as dez regras para ser educado em uma rede social. E chamava atenção à regra número três: "quando você compartilhar algo de algum amigo, curta antes".

Vejo que pessoas não crescem interiormente. Atitudes como esta descrita poderia ter sido praticada por alguma amiga adolescente da minha filha. E ainda assim, eu acharia infantil demais. Se ocorresse o mesmo com meu filho, instruiria-o a não compartilhar mais nada daquele amigo. Mas entre pessoas adultas, usei da minha habitual educação.

Respondi que o texto com regras a mim enviado não me dizia nada, e se eu compartilho algo, significa, claro, que já gostei. É aquela coisa que chamamos de "implícito".

Não satisfeita, ela reforçou: "observe a regra número três". 

Sou uma pessoa muito legal, mas só até a página dois. Além de ter um grande defeito: coisas que tendem a me tirar do sério acabam virando sarcasmo. Disse àquela mulher de seus mais de quarenta anos (isto mesmo, não se tratava de nenhum ex-aluno meu), pseudo-inteligente (pois se ela fosse tudo o que diz, não estaria em casa sendo mal amada em um domingo - dia de reunião familiar e felicidade - ao meu ver) que quando me associei ao Facebook, não assinei nenhum termo que me obrigasse a curtir algo antes de compartilhar. 

A próxima página todo mundo conhece: ela me excluiu e me bloqueou.

Vale aqui o parênteses: trata-se de uma pessoa que conheço há...TRINTA ANOS.

Assim se vão as relações. Assim as pessoas são tratadas hoje.

Ontem conversava com meu irmão. Desabafei com ele. Em um ano, foram três amigas com câncer de mama. Continuei a reflexão, dizendo que em outros tempos, não acumulávamos pessoas em nossas vidas. Os da escola ficavam na escola, os da faculdade, na faculdade. Conforme mudássemos de emprego, mudávamos de amigos.

A globalização, a internet e as redes sociais nos permitem hoje acumular pessoas. Por mais que minha filha me questione como consigo ter quase mil contatos no Facebook, explico para ela que pessoas não são números. São pessoas. 

Enxergo uma rede social como uma grande oportunidade que temos e damos para trocar experiências, ideias, mas principalmente necessidades.

Um amigo precisa de emprego: divulgamos o perfil dele, muitas vezes lá na caixinha exclusiva, conhecida como "inbox", porque pessoas não precisam ser expostas. Alguém precisa divulgar uma vaga de trabalho: divulgamos e compartilhamos publicamente. Um amigo precisa desabafar: vamos pro "inbox". E assim caminha. Infelizmente, não a humanidade, pois as pessoas andam muito cheia de melindres.

Não sei o que motiva certos melindres. Entretanto, acredito que às vésperas de fazer quarenta anos, já tive tempo o suficiente na vida para entender o certo e o errado. Mas acima de tudo, de aprender a respeitar o meu próximo, com nossas semelhanças e diferenças.

Hoje, qualquer "desgosto" se resolve com uma ferramenta disponível nas redes chamada "block". Na vida real, podemos sair bloqueando pessoas das nossas vidas, porque suas ideias e opiniões são diferentes? Sim, é a minha resposta. Porque a mesma pessoa que sou na rede social, sou na vida real. Já não dou conta de ser uma Úrsula, como conseguirei administrar a real e a virtual? Não dá.

Ontem descobri uma história que chega a ser triste, mas que reafirma minha tese de que pessoas são pessoas, de que o mundo é redondo, dá voltas, um dia estamos em cima e noutro, embaixo, e não devemos simplesmente bloquear pessoas em nossas vidas.

Recentemente, uma pessoa com quem convivi por alguns anos me excluiu da sua página. Soube ontem que ela está passando um sério problema de família com um familiar. E eu, que preservo e prezo muito toda e qualquer relação, sou amiga do profissional da saúde que é especialista naquilo. Eu, a excluída e bloqueada, sou a pessoa que poderia ajudá-la.

Poderia fazer papel de santa, dar uma de boazinha, passar por cima dos meus valores e abrir as portas para esta pessoa. Só que acho que pessoas precisam amadurecer pela dor. Precisam crescer. Você não pode ter cinquenta anos de idade com mentalidade de dez. Não pode agir constantemente como se estivesse no jardim da infância e seja dono da bola.

Pessoas que estão em minha vida saem por conta própria. Não excluo ninguém. Minha doutrina de vida não me permite. Pessoas somam a pessoas. Somam conhecimento, somam trocas, somam amor!

E vejo que isto falta no mundo: amor. A si mesmo e ao próximo. Pois atitudes de excluir gratuitamente pessoas de nossas vidas faz com que façamos exclusão de um futuro de alegria, de felicidade, de cura, de muitas outras coisas.

Pense como você trata as pessoas, na sua vida real e virtual. E saiba dar o devido valor a cada indivíduo. Porque no fundo, somos todos irmãos, e no final, viraremos todos pó!


13 comentários:

  1. Simplesmente perfeito o texto... Realmente, as pessoas hj em dia confundem as coisas e, por meras besteiras, nos excluem das suas vidas, sem ao menos nos dar a chance de argumentar, de maneira boba, medíocre... Mas pense pelo lado bom, se essa pessoa que te conhece a longos trinta anos se desfez da tua amizade em minutos, significa que vc nunca foi importante pra ela!

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  2. Ursula, eu vi a cena acontecer e fiquei chocada... também não consigo ser uma aqui e outra em ksa... Mas, gosto de gente... e adoro me relacionar com gente seja no virtual seja no real....

    Beijos

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  3. Pandinha, eu penso o seguinte: você sempre curte, comenta, compartilha com uma pessoa que gosta muito. Mas essa pessoa lhe trata como se você não existisse.
    Nem segue você no Blog nem no Face, e diz que gosta de você.
    O que faço? Tiro fora do meu caminho, não sou de acumular pessoas e sim de interagir. Se não querem, parto para outra e assim caminha a humanidade ..........
    Não sou maravilhosa, mas sou legal com as pessoas que gosto, tenho consideração e respeito.
    Temos que ter retorno de um carinho e uma atenção. Eu sou assim. Do contrário não vale a pena. Já passei dos 40 tem tempo e aprendi tanta coisa .........
    E vou vivendo sendo amada e amando.
    Beijos querida.

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  4. Adorei o seu texto. Penso como você! As diferenças que existem entre as pessoas não deveriam ser motivos pra elas deixarem de fazer parte da nossa vida! Também não excluo, mas se sou excluída não exijo atenção. Sigo o meu caminho, fazendo parte da vida daqueles que também querem fazer parte da minha! :)
    Ah... nunca comentei aqui... desa vez senti vontade e aproveito para te dar os parabéns pela família linda que você tem!

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  5. Ursula, um texto bem explícito, só merece aprovação.
    Também acho que entrar no Facebook é para nos somar.
    Quanto menos a gente revelar de nós mesmos, melhor. Não que vamos mentir ou enganar. Não. Apenas jogar com uma carta a menos. Não precisamos expor tudo, óbvio. Muito menos ser grosseiros. Pessoas que me respondem com grosseria saem logo da minha relação, mesmo na vida real. Não dou uma segunda chance pra ser grosseira.
    Mas na internet estamos sujeitos a todo tipo de pessoas e suas reações.
    Compartilho da sua indignação e não me importaria com esse afastamento da pessoa em questão. Que viva feliz por lá, onde quer, cercada de quem quiser. Amém!
    Beijo!

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  6. Doce Ursula!
    Amei seu texto.. Você escreve muito bem e de ótimo entendimento...
    Só uma ressalva, se você pode ajudar mesmo aquele que a bloqueou, FAÇA!
    Através de amigos, quem sabe comuns, mande seu recado do profissional que ajudará nesse momento de aflição.Na vida NADA É POR ACASO!
    Não diria que seja um tapa de luvas de pelica, mas o amor que há no seu coração de ajuda ao semelhante.
    Muitas vezes um dia mal dormido, palavras que a gente não quer escutar, mesmo precisando delas, faz com que, sem pensar 2 vezes, façamos " burradas" como foi com quem a bloqueou...
    Ajude sempre, sem querer retorno ou pensar que pessoas precisam aprender pela dor...dor maior será pra você saber que poderia ajudar e não o fez.
    Minha linda, não é puxão de orelas , mas experiência de que na vida a gente tem que ajudar a todos seja em que circunstância for...pq a vida é muito curta e não sabemos tudo porque estamos aqui...
    Desculpas me intrometer, mas sua sua amiguinha que a quer muito bem ..
    Bijocas hiper carinhosas

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  7. Lu....gosto tanto do carinho com que vc se apresenta aqui no blog. Contudo, clicando em seu nome, não consigo localizar você, nem saber quem você é! Gostaria de lhe retribuir o carinho. De-me mais pistas? Um gd abraço!

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  8. Gosto de troca de afeto. Sou a intelijegue que mesmo não recebendo o mesmo carinho de volta, continuo ali... teimando, persistindo.
    Claro que as redes sociais tem muito a acrescentar, mas e se não tivermos maturidade para ouvir o "não"?? Eu não tenho. Sofro, descabelo, mas enfim. É o que tem.
    E do jeito que é para ser feliz, seremos! Deixando ir embora quem não nos merece.

    Beijo mãe! <3

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  9. Filha, isso vem um pouco de encontro ao que eu quis dizer ontem, a respeito de amigos e ex-amigos.
    Ex é ex, se não te deletou, deleta.
    Existem pessoas que quando cruzam nosso caminho, deixam um rastro de desilusão, só dissolvido pelo amor das pessoas que realmente fazem parte de nossas vidas.
    Você é amada por tantos, e talvez as pessoas citadas tenham um pouco, ou muito, de ciúmes, inveja, por não conseguirem ser amadas de verdade por ninguém.
    Fique com Deus, te amo.

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  10. Acho simplesmente ridículo quem não aceita a opinião do outro. O mundo é diverso e cada um interpreta de um jeito, seja baseado em uma crença ou em experiências anteriores.

    Esse negócio de excluir e bloquear é muito infantil. E essa história de regras também é palhaçada, as pessoas não tem o que fazer e ficam criando caso e inventando coisas. Não tem o que fazer?? vai até um asilo, um orfanato e ocupa o tempo com algo útil. A mesma pessoa que sou aqui na internet, sou na vida real. Tenho medo do ser humano!

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  11. Malena Segura Contrera21 de agosto de 2013 21:54

    Pois é, querida, que falta faz uns dez anos de terapia para algumas pessoas... bjs

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  12. Pois é querida, infelizmente nos dias atuais com o advento do touch screen, as pessoas mesmo ao estar com um grupo de amigos, não largam a tela tátil. É mais importante um curtir do que o apreço verdadeiro. É uma honra quando vejo que não curtiram o que postei, mas que foi compartilhado. O desconto é que nós, seres humanos somos falhos, uns mais evoluídos, outros nem tanto. Portanto continue firme nas suas ideias e nos brindando com esse aprendizado contínuo. Beijos

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  13. Flor, concordo com quase tudo. Menos com a parte de que você não deleta. Eu deleto, sim. Porque preciso, NECESSITO que as pessoas que se aproximem de mim me façam melhor. Se alguém não me acrescenta nada, ou pior, se faz aflorar o que há de pior em mim (sim, sou imperfeita, prazer!), essa aproximação não me faz bem. Então, tchau.
    Mas dou o benefício da dúvida: Primeiro opto por "não mostrar no feed de noticias". Depois, conforme for o comportamento, "desfaço a amizade" ou chego mesmo a bloquear.
    Devo dizer, em minha defesa, que foram pouquíssimas as vezes em que cheguei ao último estágio. muitos ficam somente no "ocultar do feed".
    Mas estou muito, muito, MUITO zangada com o tio Zuckerberg que escolhe a seu bel prazer o que recebo ou não.
    Ontem fiquei sabendo que uma das minhas amigas mais queridas está grávida, e somente porque ela foi à minha página e escreveu que "não admitia que outra pessoa fizesse o book de grávida dela". Como assim??? Fui ao perfil dela e estava lá, uma notícia linda da gravidez, que não chegou até mim.
    Ainda bem que ela não se doeu porque eu não fui dar os parabéns. Pense aí no tamanho do problema???
    FB ajuda nossa vida, mas às vezes atrapalha...
    Beijo, meu bem, bom dia!!!

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