quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sobre o desapego material e afetivo

Gandhi disse que "a posse daquilo que você não precisa, é furto". Para mim, tal afirmação faz total sentido. Por que temos mais do que precisam.
 
Ao mesmo tempo, o que mensura o que é preciso para cada um viver, uma vez que nós, seres humanos, temos necessidades vitais, comum a todos, e necessidades diversas, que vão variar de pessoa para pessoa.

Uma coisa que sempre pratiquei na vida foi o desapego. Gosto de viver bem, usar coisas boas e me sentir bem.

Já tive um tempo na vida, no qual frequentava a elite social de Sampa. Os melhores restaurantes, os melhores hotéis. Aos finais de semana, sempre estava em algum hotel cinco estrelas tomando um "brunch".

Tudo isto foi bom. No passado e já bem distante. Quando eu era uma executiva, tinha meus 26 anos ou pouco mais. Era cativa desta situação.

Uma das mais famosas frases da literatura mundial de todos os tempos, vem do livro "Le Petit Prince" (título original) de S. Exupéry, quando o personagem título do livro diz que nos tornamos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Como tantas parábolas existentes na obra, o termo "cativo" se refere não a "conquistar", mas deriva de cativeiro, de se tornar cativo de uma situação.

Ao fazer esta citação, percebo que já fui cativa também da Literatura. Num dado momento de vida, precisei ler, muitas vezes sem compreender, Thomas Man, Tolstoi (ou Tolstoy - há controvérsias na grafia), Dostoievski, Cervantes, Camões, Shakespeare. Quanta leitura em vão, pois não tinha eu maturidade de vida para compreender e interpretar tudo. Quando sai da situação de cativa, me rendendo à liberdade, pude degustar, saborear inúmeros clássicos, indo ao fundo de cada obra e compreendendo seus significados.

Trago primeiramente estes dois exemplos, mas poderia citar inúmeros. Quantas vezes somos cativos de situações, sem que sequer percebamos?
 
Quero ser cada vez mais livre. Praticar emocionalmente aquilo que já pratico materialmente: o desapego.
 
Por vezes, adquirimos hábitos na vida que nos fazem refém de situações. Nunca tive nenhum tipo de transtorno obsessivo compulsivo, vulgo TOC, entretanto confesso que tenho minhas manias: gosto de tudo organizado, cada coisa no seu lugar, gosto de roupas bem cheirosas, de casa limpinha, de oferecer à minha família, comidas gostosas e saudáveis. E quem é que não gosta? Nem sempre, porém, somos capazes de ter ou de fazer tudo que gostamos e queremos. Neste momento, chega o desapego.
 
Desapegar de hábitos, testar o novo, deixar o tênis jogado no meio da sala, a pia cheia de louça de um da para o outro, acumular roupa suja de duas semanas, entender que a empregada é capaz de fazer, talvez não como nós faríamos, mas E DAÍ? Deixar de ser cativo de situações, é desapegar afetivamente. É gritar por liberdade, e viver feliz da forma mais simples que existe.
 
Você se sente cativo de algo ou de alguém? Liberte-se! A sensação de liberdade é talvez uma sensação de poder voar em um lindo dia de céu limpinho, com o Sol abrilhantando nossa vida! 

4 comentários:

  1. Pandinha,

    essa postagem foi pra mim! Sou cativa de muitas coisas e estou me esforçando pra deixar de ser pelo menos de algumas delas.

    Seu texto me inspirou!

    Um beijO!

    Ludmila.

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  2. Olá Ursula. Voltei. Como sempre ótimo texto. Parabéns pelo desprendimento, ainda tenho muito a aprender e o desapego está na lista. Beijos

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  3. Ah,Úrsula... é tão bom qdo a gente diz "estou livre, isso não me afeta mais!".

    bjs

    Lena

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  4. Me livrar de bens materiais está sendo fácil mas de pessoas que me tornaram cativo está sendo muito difícil, mas chego lá.

    Obrigado.

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