sábado, 10 de agosto de 2013

Sobre a escolha de livros paradidáticos - um recado aos pais

Minha filha é uma menina que lê. Exaustivamente. Ela lê desde que se alfabetizou aos conco anos, e posso dizer com tranquilidade que de lá até hoje, aos treze anos, ela leu em média um livro por semana. No mínimo.

Automaticamente, ela é uma menina diferenciada de outras da mesma idade, que pertencem ao grupo das não leitoras.

Toda esta contextualização para entrar na escolha de livros paradidáticos.

Qual é o critério que envolve a escolha?

Para começar, vou fazer um parênteses: a escola não ensina o aluno a ler. A gostar de ler. Não motiva  de nenhum modo, não incentiva. Logo, o indivíduo conta só com a outra metade dos responsáveis por sua formação: os pais.

Os pais precisam insistir. Sem se cansar. Oferecer todo tipo de leitura, levar a livrarias, bibliotecas e ensinar o filho a gostar do livro. Pode ser um livro cheio de figuras, com letras grandes, colorido. Não importa. É através de um trabalho árduo dos pais que se consegue atingir o nível: filho leitor. Na minha casa foi assim, insisti mais com o pequeno que com a maior, mas os dois são leitores vorazes. Meu filho de sete anos, cursa o segundo ano, e agora nas férias leu três livros de cem páginas. Em cinco dias.

Voltemos à escolha dos paradidáticos. As escolas adotam um modelo de escolha de um livro por período: bimestre ou trimestre. Logo, as escolas mais tradicionais, que adotam regime trimestral, têm alunos que leem menos.

Ao escolher o paradidático, o primeiro elemento em voga é a editora. Dá-se preferência às editoras que já fornecem os livros didáticos à escola. E no caso de escolas "apostiladas"? Neste caso, existe um "combinado" com editoras. Elas visitam as escolas, apresentam seus produtos (sim, livro é um produto para a escola também) e a editora que oferecer algo para a escola, leva o "prêmio" de ter seus livros escolhidos.

E o que seria este prêmio? Uma verba para patrocinar festas juninas, culturais, feiras de ciências e até ônibus de excursões. Ônibus de excursões? Isto mesmo. Um representante de editora me disse que não conseguiu entrar em determinada escola, pois ela exigia seis ônibus por semestre e ele não tinha como arcar. "Mas nós, pais, não pagamos o ônibus também?". Pois é. Também.

Então a escola elege um livro ruim, que foge do contexto em que a criança vive, tem sempre poucas páginas, é chato, desmotivador, vem com um questionário "embutido" que não estimula em nada o pensar do indivíduo e? A criança toma bronca por leitura. A escola, logo, é o elemento desmotivador da leitura.

Nesta semana, chegaram os livros paradidáticos da minha filha para os dois bimestres restantes. Livros finos, feios e chatos. E ela, que está habituada a ler livros de 500, 600 páginas, pega os livros com uma antipatia que dá até pena. Tenho vontade de dizer: "filha, acha um resumo na internet e esquece esta droga!". Minha ética como mãe e como um ser formador de dois indivíduos, contudo. Não me permite tal ação.

Ler é descobrir o mundo. Não me lembro se foi Paulo Freire ou a filha Madalena quem disse isto. Mas é fato. Os indivíduos que praticam a leitura, têm maior conhecimento de mundo, desenvolvem a auto-crítica, crian subsídios para argumentar, são informados.

Então, vocês, pais, que vivem dizendo que já tentaram de tudo e que seus filhos não gostam de ler, fica aqui o recado: ler é como comer verdura. Ensina-se de pequeno, com muita insistência, persistência e sem esmorecer.

Boa leitura!

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