domingo, 11 de agosto de 2013

Carta ao meu pai

"Pai,

Hoje acordei com  o peito apertado. Confesso que saíram algumas lágrimas, mas eu as contive no meio do caminho. É mais um dia sem você. Apenas uma data comercial, mas na minha vida, mais um dia sem você.

Claro que para te enviar esta carta, não tenho como não chorar. Mas é choro de amor, sabe? Aquele que você ensinou pra gente?

Quando a tristeza bateu bem grande, e a vontade de te ligar pra desejar um feliz dia, como tantas pessoas estão fazendo, lembrei-me de que não há telefone onde você está. Foi quando fechei os olhos e te enviei uma oração especial, e um pedido para que você estivesse bem.

Vejo tanta gente dizendo que o pai é o herói, o rei. Você nunca foi nada disso pra mim. Foi meu pai. O pai que me ensinou muitas coisas, talvez menos do que você queira ter ensinado. Entretanto, a maior qualidade que tenho dentro de mim, foi você quem me deixou de herança: a qualidade de amar. De amar talvez não como Jesus amou, mas de amar a ponto de fazer coisas boas pelas pessoas, de estar sempre pronta pra ajudar o meu próximo, e nunca deixar ninguém sofrer ao meu lado.

Um dia, você me pediu uma coisa. Aliás, você me pediu tão pouco na vida. Antes de você partir, quando nem imaginava que iria da forma repentina fazer esta infinita viagem, pediu-me que eu cuidasse da minha irmã. Ah pai! Justo você, que sempre gostou de jogar na loteria, veio me pedir uma missão impossível? Porque não pediu os números da loteria? Eu teria conseguido-os para você. Mas já foi, e eu fico aqui, tentando, tentando....

Pai, queria te contar uma coisa, que você já deve saber. Quando a gente era criança, você sempre dizia que queria que nós o chamássemos de papai. E nós nunca o chamamos. Porque foi pai a palavra que aprendemos. Porém, quando seus netos começaram a falar e a entender, ensinei-os a chamar ao Milton de papai. E eles o chamam. De maneira carinhosa, como você gostaria. É minha homenagem para você.

No dia de hoje, muita gente não tem pai para festejar. Eu tenho. Mesmo que de longe, você é meu pai. 

Quero que você leia esta minha carta. Que de alguma forma, ela possa ser plasmada pra você. Assim como o amor que tenho diariamente pra te dar, e que ficou represado depois da sua precoce partida.

Nunca, em nenhum momento, esqueça o quanto te amo. E sou grata pelos conselhos que você me deu, pela acolhida que você me deu no momento mais difícil da minha vida. Foi você quem me estendeu os braços, me deu colo, me consolou, como um pai faz. 

Eu não fiz por você tudo que gostaria de ter feito. Sei que você também não. Vamos combinar uma coisa? Um dia, a gente se encontra e faz tudo que gostaríamos de ter feito, combinado?

Feliz domingo, meu paizinho amado!

Da sua filhota, Ursinha."

2 comentários:

  1. Também não tenho o meu. Fui privilegiada, perdi-o quando já estava com 46 anos de idade e meu pai tinha 74.
    Não tenho palavras. Sinto o mesmo que você, Ursula.
    Beijo!

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  2. Que lindo!

    Claro que não consegui conter a emoção.
    E um dia, nos reencontraremos, e eu quero poder ver seu pai!

    O melhor legado que ele deixou foi de amar as pessoas, e é por isso que hoje tenho tanto desse seu amor.

    Beijo no coração, mãe! Amo você!

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