sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sobre "A Viagem"


Desde março passado, venho recebendo mensagens do Universo. Não sei o que, contudo, elas querem dizer, pois todas têm vindo cifradas.

São óbitos atrás de óbitos. De todos os lados, de todas as formas, de todas as idades.

No mês de junho, foram sete.

Sr. Universo, quando meu paizinho foi embora, entendi que devemos dizer "eu te amo" e amar as pessoas como se não houvesse o amanhã, porque ele pode não vir.

Eu estudo, busco sabedoria e a única certeza da vida, é a morte. E por que é tão difícil lidar com ela? Por que dói tanto?

Sofro e deixo meu coração sangrando quando alguém se vai antes da hora. Mas se não temos hora, como assim "antes da hora"?

Em todos estes óbitos, a gente sofre. Mas quando velhinhos se vão, sabemos que o ritual de missões da vida foi cumprido. Porque na teoria, nascemos, crescemos, casamos, temos filhos, netos e só depois, morremos. Por que tantas vezes não funciona assim?

Fato é que tudo isto tem mexido comigo, porque sou humana, porque sou sempre emoção e nunca razão, e porque não eiste nada neste mundo que eu tema mais do que perder meu marido e meus filhos.

Este sentimento vem na contramão daquilo que acredito, que aqui é uma passagem para nossa evolução, e nós não sabemos a data, mas a passagem de volta vem carimbada. Como unir a teoria à prática? Não sei. E não conheço quem tenha respostas.

Domingo vi partir de forma estúpida, em um acidente de carro, um menino de dezenove anos, amado pela família e por onde passava. E esta "viagem" mexeu tanto comigo, que na terça-feira a tarde, comecei a passar mal, mas sem entender o porquê. Na quarta, marido Toruboi saiu pra passear com as criancinhas Hummel e eu fiquei dormindo no hotel. Ele chegou e fomos almoçar, mas eu passava muito mal, sem saber ou entender o que sentia. De repente, meu anjo protetor, a quem chamo de marido, lembrou que a médica me deu alta parcial em duas medicações. Deixou a meu critério tomá-las ou não e ele achou que eu deveria tomar. Como já estava há oito dias sem elas, tomei, mas sem associação.

Quando a medicação começou a fazer efeito, comecei a colocar pra fora aquela dor. Em forma de crise de pânico. Chorava muito, sem parar, abraçava o marido, tinha medo de voltarmos pra casa, de carro, de avião ou de qualquer outra forma.  Ele me ajudou na respiração, conversou comigo, tomei um derradeiro remédio, aquele só para as crises graves, e a noite eu ja respirava novamente, os batimentos cardíacos estabilizaram-se e o mundo voltara a girar normal.

Contudo, tenho pensado nas conversas que tenho com as amigas, nos perigos que o mundo nos traz a todo momento, e penso: será que o mundo acabará em pânico, ou chegará o momento onde tudo se normalizará?

Fico brava demais com os conselhos que todo mundo dá aos enlutados: força, você precisa ser forte. MEU DEUS, SER FORTE COMO? Onde é que se arruma forças para viver quando invertemos a ordem natural do ciclo da vida?

Acho a frase "seja forte" uma das coisas mais crueis a se dizer para alguém em luto.

Porque o luto precisa ser vivido, sofrido, chorado até o fim. E mesmo quem tem esta chance de viver todas as fases de um luto, não consegue esquecer jamais a falta do ser amado. A dor diminui com o tempo. Mas saudade é algo eterno, palavra que só existe na Língua Portuguesa e sem tradução para nenhum outro idioma. Muito menos, para a língua do coração, que só entende a voz do amor!

9 comentários:

  1. É cruel mesmo! Também não consigo lidar com a frase "seja forte". Penso logo que, se eu não conseguir ser (o que é muito provável diante de uma situação como a morte), estou lascada.
    Também já passei por uma situação assim. Fiquei tão impressionada com a morte da pessoa que passei mal. Talvez seja o medo do desconhecido, de pensar que vamos nos afastar de quem amamos... Acho que a sabedoria é se entregar nas mãos do Infinito, que ordena a natureza e todas as coisas.
    P.S. Adorei a nova "cara" do blog.
    Bjo!
    http://cademeutempo.blogspot.com.br/

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  2. Oi, Úrsula. Que bom encontrar seu blog!
    Um assunto sério e infindável. Mistérios da vida.
    Muitas perguntas sem respostas, né?
    Para mim também é desumano pedir que se seja forte na hora de uma dor. A dor vem e passa. Tem que ser assim. Pode durar muito ou pouco tempo, mas ameniza.
    Muito bom ler você.
    Beijo!

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  3. E, por que ser forte? Pra que?
    Só se for pra minimizar o mal estar dos que nos cercam, ao nos verem tristes.
    Nada melhor do que chorar a dor, a perda, a saudade... E esperar que o coração se acostume com ela, porque nunca, nunca passa. A gente só acostuma.
    Fica bem, meu bem.
    Beijooo

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  4. Menina, tudo que você disse é pura verdade. Eu também detesto "seja forte", como assim? Ninguém é forte numa hora dessas.
    Já perdi pai (com 14 anos), mãe (15 dias antes do meu filho nascer), sogra, sogro, prima, amigos ....
    Nunca nos acostumamos, resta aproveitar a vida, enquanto estamos por aqui com nossos queridos.
    Saúde e paz para você e sua famílai.
    Beijos querida.

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  5. É verdade, Bel! Não sei pra quem ser forte. Estou passando por um momento muito delicado na minha vida e todos dizem para eu ser forte, que a minha cabeça é o principal. Aí, eu penso: "tou lascada!" Porque, como é que se consegue ser forte, diante de notícias parcialmente arrasadoras? Imagina as totalmente arrasadoras, como é o caso da morte. Acho que o negócio é aceitar o que não temos controle e aproveitar o que tem de bom por aqui, como disse a Jô. Bjos!

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  6. Úrsula, é muito duro mesmo passar por uma situação dessas, e passar por 7 em um período tão curto é de abalar qualquer um. Contudo, não tenho aversão ao "seja forte", apenas vejo por outro ângulo. Acho que ser forte é conseguir levantar da cama e tentar seguir em frente, apesar de tudo, e principalmente não se deixar dominar pelas consequências do sofrimento, que no seu caso foi o pânico. "Seja forte" não quer dizer não chore, quer dizer não se entregue. Bom, é só um ponto de vista...
    O fato é que é difícil mesmo, é sofrido, e não há forma de fugir dessa dor. Apenas ser forte o suficiente para continuar, por você e pelos seus.
    Do meu ponto de vista, espero que você seja forte, porque desejo que você consiga se manter longe das crises.
    Beijos

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  7. Sinto muito pelas suas perdas, é muito triste ver um jovem deixar esta vida, mas também acho que faz parte da nossa evolução.
    Acredito que tudo na vida tenha uma razão para ser como é.
    Beijos

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  8. Oi Pam
    Mais um apelidinho para sua listinha, isso se ele já não está lá e eu passei abatida. kkk
    Vi seu link na Dani Moreno e me encantei pelo teu blog.
    Esse seu post me emocionou pacas.
    E vi que temos a mesma linha de raciocínio e dai me perguntei e porque não ?
    Depois dá uma visitinha aqui e veja a resposta

    http://debbyemnossasvidas.blogspot.com.br/

    Bjs
    Debby :)

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  9. Mãe Panda!!!

    Quando li sobre a morte do seu vizinho no facebook fiquei chocada.

    Acidentes de carro de uma maneira geral mexem comigo.

    Uma situação que me fez passar mal, muito mal foi o caso da Boate Kiss onde centenas de jovens perderam suas vidas.

    Às vezes queria ser a pessoa mais insensível do mundo e não me abalar tanto assim, mas enfim sou humana e dor de um semelhante me abala.

    Beijinho no coração!

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