quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sobre o Trastorno de Ansiedade Generalizado

Sempre fui uma criança ansiosa. Acredito que, se na minha infância, houvesse os recursos que há hoje eu seria facilmente diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção.
Nunca tive problemas pedagógicos ou educacionais com a escola. Mas cresci no banco da diretoria. Enquanto um professor explicava, meu raciocínio já estava além da explicação. Assim, virava-me para conversar com qualquer amigo, atrapalhando a atenção daqueles que, diferente de mim, não pescava tudo no ar.
A Diretora da escola chegou a sugerir uma escola particular, mas não tínhamos em casa sequer condições de levar lanche - por isto, talvez, o sabor da merenda escolar seja presente na memória palativa - quem dirá pagar uma escola?
Eu atrapalhava a aula. O professor me mandava pro banco da diretoria e me anotava no caderninho negro. No dia da reunião de pais, minha única saída era rezar para que minha mãe fosse atropelada pelo ônibus ao atravessar a rua - pois morávamos em frente a escola. Como isto nunca aconteceu, apanhei após todas as reuniões escolares, para aprender a calar a boca e ficar quieta na aula. Não aprendi. E minha mãe está viva.
Comecei a trabalhar muito cedo. Aos 14, em uma imobiliária. Depois trabalhei com telemarketing ativo, agendando reuniões para a venda de videotextos (se você tem menos de quarenta anos, coloca aí no Google). Atingia tão rápido minha cota diária de agendamentos, que foram incontáveis as vezes as quais ia embora na hora do almoço - mas o serviço era de tempo integral. Minha assertividade era grande, pois agendava empresas que, geralmente, compravam o serviço. Logo, minhas comissões eram bem gordas.
Aos 15, fui trabalhar no Instituto Brasileiro de Fosfato, um temporário de um mês que durou dois anos. Minha tia era Diretora do IBRAFOS e devido à minha rapidez para aprender e executar tarefas, convocou um reunião com a diretoria para aprovar minha contratação - já que não poderiam trabalhar parentes - e aprovação foi unânime.
Assim seguiu minha vida: sucesso profissional cedo, notas altas sempre e uma competição comigo mesma para ser sempre a melhor. Minha casa era impecavelmente limpa e quatro era o número de horas que eu dormia e me sentia bem.
Sempre viajei muito, seja a trabalho ou a turismo. Malas? Arrumadas, geralmente, um mês antes da viagem de passeio. Cabelos lavados diariamente, pela manhã e pela noite. Sempre pensava que no próximo período, poderia não haver luz ou água, então me adiantava. Agora perguntem se alguma vez morei em lugares que faltavam luz ou água assim? NUNCA!
Uma coisa é uma pessoa ansiosa. Outra, é alguém diagnosticado com Transtorno de Ansiedade Generalizado, o que aconteceu comigo há quase dois anos. A maior característica desta síndrome é o excesso "desnecessário" de preocupação, principalmente com o que está por vir. Tomo remédios, percebo claramente a melhora, mas a patologia ainda está em mim.
Sou a primeira a chegar a qualquer evento. Sempre. Não suporto gente que atrase em compromissos. SEMPRE (se bem que, neste caso, tem muito mais a ver respeito ao próximo, que com a TAG). Mas venho evoluindo.
Nesta viagem de férias, fiz as malas na noite que antecedeu nossa partida. Já consigo passar cinco dias sem lavar a cabeça e com isto, diminui drasticamente o problema grave de oleosidade que tinha no couro cabeludo, tendo assim, cabelos mais saudáveis. Não me preocupo no domingo com o que comeremos durante toda a semana. E se não estou afim, não faço comida. Lanche de escola para as crianças? Não estoco mais. E se falta um suco na hora de montar a lancheira, sempre há dinheiro na carteira para resolver a situação.
Durante as manifestações recentes que aconteceram no país, tive uma grave crise de pânico em casa. E mais uma vez, consegui sair dela sozinha, sem intercorrências. Tomei um comprimido sublingual de Rivotril, cuja dose é mínima (0,25mg) e respirei, me acalmei. Meu terapeuta considerou isto um grande avanço. E eu também. Já consigo conviver na casa bagunçada e esperar o dia da faxina para limpá-la. Ainda bem que em meio a isto tudo, hoje não tenho nenhum tipo de TOC.
O interessante foi saber que a Síndrome do Pânico é considerada uma "perna" do TAG. Não existe a síndrome, sem existir o transtorno. A crise de pânico acontece no momento em que o nível de ansiedade do indivíduo sai do controle, e o medo excessivo toma conta do ser.
Melhorei muito, meus remédios têm diminuído de dosagem e espero, muito em breve, poder dormir sem eles. Minha cabeça, que pensava em vários assuntos ao mesmo tempo, já é capaz de desligar. Ainda não sei se obra minha ou dos remédios. Uso placa de silicone, "a priori" apenas para dormir, "a posteriori", durante o dia, quando percebo que estou tencionando os dentes. Foi assim que já quebrei alguns, logo, a placa é imprescindível para mim.
O interessante foi esta noite. Por motivo não relevante, estava tensa e assim fui dormir. Tenho lutado diariamente para me livrar dos remédios e da placa, logo, do TAG. Meu inconsciente, trabalhando durante a noite, fez com que eu arrancasse a placa da boca DORMINDO. E se eu não encontra-la, como dormirei hoje? Com as placas reservas que tenho, por medo de perder alguma.

9 comentários:

  1. Ursula, eu tenho o mesmo transtorno, também diagnosticado e também já tomei medicação. Hoje eu vivo melhor com isso e só o que me ajuda é a terapia, sem ela eu surto mesmo. Ainda assim eu continuo sempre preocupada, quantas vezes não consegui dormir porque não tinha separado a roupa do dia seguinte. Se tiver de viagem marcada não durmo e tenho crises de choro diarias por causa dos preparativos. Poucas pessoas sabem o horror que é viver desse jeito.
    Um beijo

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  2. Mãe Panda!!!

    Eu sou ansiosa, mas não nesse nível. Tento me controlar, tento viver o agora. Mas, tenho um grande daefeito. Eu vivo com a cabeça no futuro, vivo planejando trilhões de coisas. Desejo coisas que se tornam chatas quando as conquisto.

    Quando o assunto é sono não tenho problemas, durmo que é uma beleza.

    No colégio falava até pelos cotovelos, mas não tenho nenhuma passagem pela diretoria. Sigo faladeira até hoje, amo falar.

    Beijinhos.

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  3. Vamos conversar sobre isso mais tarde! Rá!
    Beijooooooo

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  4. Ursula, acho uma maravilha que você fale claramente sobre isso, pois pode ajudar muita gente.
    Você é tão bem humorada, isso deve lhe ajudar muito. E inteligente, acima do "normal", por isso vem a ansiedade. Tudo a seu tempo, há de conseguir se dominar.
    Beijo!

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  5. Olá Ursula. Eu estava navegando na internet procurando blogs sobre o TAG e achei o seu. Eu fui diagnosticada com TAG a 1 ano e meio. Antes disso sofri demais. Estava saindo de uma situação pessoal complicada, muito estressada com o trabalho e acabei com uma depressão muito forte. Eu chorava constantemente, mais com dois meses antes de ser diagnosticada com TAG associado a depressão eu chorava alto (aquele choro gritado), todos os dias. Eu ligava a tv bem alto pra ninguem me ouvir chorando. Eu sempre fui muito ativa, muito prestativa e com isso eu deixava que as pessoas se aproveitassem da minha boa vontade. Resultado: excesso de trabalho+preocupação. Eu não parava de pensar. Fiquei sem dormi uma noite inteira durante dois anos. Em março do ano passado eu comecei dar pane. Tive tonturas, dores de cabeça, vomitos, diarreia e por fim vieram as crises fortes de falta de ar, eu pensava que ia morrer. Tive umas 4. A pior foi no avião, fui pro banheiro, vomitei, depois não consegui voltar pro meu assento, em seguida quando a comissária abriu a porta veio a crise, fiquei transtornada, eu puxava e o ar não vinha, eu chorava, chorava até que ligaram o oxigenio e eu fui melhorando, mas não consegui sair do avião andando. Fiquei 4 hs no posto médico da infraero até melhorar pra ir embora. Hoje tomo ansiolitico e anti depressivo. As vezes a gente tem uma resistencia muito grande em tomar esses remedios, eu tinha, mas hoje eu sinto que necessito deles pra viver melhor. Tomo a dosagem pela metade do que quando iniciei o tratamento. O sono melhorou depois que fiz uma cirurgia de desvio de septo e retirei um excesso de corneto nasal do nariz que obstruia a passagem do ar. Faço terapia desde o inicio do tratamento e tenho certeza que foi 50% da minha melhora. Eu nem penso em parar de fazer. A ansiedade me trouxe um problema muito chato, a bendita esofagite mais conhecida como doença do refluxo. Passei maus bocados por causa dessa doença. Tudo que eu comia me fazia mal. Não teve jeito, passei por uma intervenção cirurgica e graças a Deus corrigiu o problema. Estou aprendendo a controlar a doença, eu aceitei e acho que esse foi o passo mais importante para me ajudar a melhorar. Faço o exercicio do 3,3,6 respiratorio que a minha terapeuta me ensinou. E vou vivendo assim. Estou bem melhor, ainda bem que procurei ajuda em tempo. Eu pensei em tirar minha vida. A mão de Deus me desviou do caminho da morte. A dor era muito forte e eu só pensava em me livrar dela. Estou me cuidando, e aprendendo a viver. Não tenho pressa em me livrar dos medicamentos, eles estão me fazendo bem, vai chegar a hora que não vou precisar deles mais. Tudo tem seu tempo. Enquanto isso vamos vivendo e com fé em Deus vamos conseguir vencer.
    Beijos

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  6. Boa noite! Me chamo Nilson

    Em Outubro realizei uma cirurgia para correção da miopia, já era uma pessoa ansiosa e a Estou num processo de recuperação complicada ainda e por causa disso não consegui dormir até dor nos músculos do pescoço se tornar incontrolável, fui diagnosticado com Tag. Procurei ajuda psiquiatra com a visão operada mesmo e comecei a fazer psicoterapia. TOmo Velija e frontal .Cada vez que volto ao psico ele aumenta a dose sofro por meu raciocínio está mais lento no trabalho e tenho dor no olho operado e não sei se´é o remédio. Pelo menos não estou desesperado mais e me sinto imcapaz de resolver problemas do trabalho, larguei faculdade no 5º semestre, namorada e Ingles era tanta coisa pra preocupar pois meu trabalho é tb estressante. Pensei que me internariam mas vamos com fé em DEUS .Uma das coisas que tem me ajudado muito é a terapia pois meu psicólogo e o psiquiatra falaram a mesma coisa, sou orgulhoso e um pouco perfeccionista demais então fui há um hospital e olhei quantas pessoas estavam lá e isso me mostrou quanto meu problema é relativamente pequeno em relação ao deles. Isso tem me ajudado pois sou pessimista ao extremo e sempre penso no pior ! Espero que as coisas melhore pois se tivesse trabalhando em empresa privada eles já teriam me mandado embora com o tratamento abro boca o dia todo. Não percamos a esperança vamos vencer.

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  7. Muito legal o seu blog, gostaria de convidar a todos para visitar o meu blog sobre Crise do pânico,

    Obrigada

    sobreviviaopanico.blogspot.com.br

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  8. Olá Ursula, tudo bem?

    Muito obrigado por dividir sua experência.

    Sofri muito com as crises de ansiedade. Tomo remédios controlados e hoje estou bem melhor lutando para uma melhor qualidade de vida. Enfim, tenho superado e estou feliz por isso. Pelo que as pessoas comentam, uma coisa tem em comum nas personalidades, a preocupação demasiado em ajudar e se dispor para os outros, além da preocupação de que as coisas sempre dêm certo.

    Acho muito importante artigos como esse que compartilham informações de maneira mais pessoal e ajuda quem sofre com os diagnósticos.

    Também estou criando um espaço (http://www.ansiedadesemcrise.com.br) para compartilhar minhas experiências.

    No artigo abaixo falo um pouco, baseado nas minhas experiências, sobre o que e como previnir e tratar a ansiedade =)

    http://www.ansiedadesemcrise.com.br/o-que-e-ansiedade

    Um Grande Abraço.

    Leonardo do Ansiedade sem Crise

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  9. Gostaria de recomendar meu blog www.ansiosaemtratamento.blogspot.com

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