terça-feira, 16 de julho de 2013

Sobre geleias e cerejas

Apesar de ser um post cujo título remeta a comida, trata-se de um texto de memória afetiva.

Minha madrinha é uma pessoa muito importante na minha vida, e já disse isto aqui no blog (quem quiser achar o texto, leia os mil e cinquenta posts e me avisa quando achar). Assim, ela é presente nos meus quase quarenta anos de existência, já que sua presença se deu ainda na barriga da minha mãe.

Foi com ela que aprendi que francês é a língua mais linda do mundo, que ser uma executiva seria uma realização profissional (e foi), que devemos ser bons com os outros, desprendidos da matéria, enfim....são tantas coisas!

Contudo, talvez, minha Dinda não sabe de uma coisa.

Eu era pequena, nem sei dizer quantos anos tinha. Uma rede francesa de varejo desembarcava em terras canarinhas e eu, em férias na casa da Dinda, fui com ela lá na Chácara Flora, Marginal Pinheiros, fazer compras para casa. Nestas compras, vieram baguetes bem finas, e geleias de cereja.

Fui uma criança bem chatinha pra comer, era magrela, doente e vivia a base e Biotônico Fontoura, batido com ovo de pata e leite condensado, fora as latas de sustagem.

PAUSA: mães, aceitem seus filhos magros, pois a associação de magreza na infância, torna-se obesidade na vida adulta). DESPAUSA

Quando chegamos na casa da Dinda, comi aquelas rodelinhas de baguete com geleia e o sabor ficou na minha memória. Eu pedia muito a Deus para que um dia, houvesse um supermercado com aquela geleia francesa perto da minha casa, mas nunca fui atendida.

Ironia do destino, caso-me futuramente com um executivo desta rede francesa, e onde vamos parar? Na França.

Na França se come muita cereja. Aliás, todos os tipos de "berries" são usadas lá, mas a cereja tornou-se o amor do meu paladar. Anos e anos se passaram desde aquela geleia de infância, mas insistentemente, procurava o mesmo potinho, a mesma tampa, o mesmo sabor. Em vão!

Como o destino é definitivamente irônico, voltamos ao Brasil, marido mudou-se para outra empresa de varejo, cuja metade foi comprada por uma empresa....francesa. Assim, voltamos a ter acesso, na verdade muito mais acesso, às cerejas da vida!

Ontem estava com vontade de fazer um drink, e acho geleias ótimas opções para os meus. Eis que tinha ido ao mercado no dia anterior, e não trouxe nada de geleia. Corri até o Pão de Açúcar mais próximo de casa. E qual não foi minha surpresa ao chegar lá? Achei potes e mais potes de geleias francesas, sabor cereja! Comprei todas, vim para casa e só preciso sentir o cheiro delas, para voltar anos e anos da minha vida, naquele dia em que fui ao mercado com a minha Dinda.

Ah minhas memórias....como adoro revivê-las!

p.s.: este post não é um publieditorial!


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