segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sobre educação: qual é o endereço da Lua?


Sou o tipo de pessoa que evita conflito. Odeio discussão, principalmente quando sei que as partes não chegarão a um denominador comum.

Há sete anos, compramos um apartamento em um condomínio clube, que era nosso sonho de consumo. Grande, arejado, varanda gourmet de quase 20m2, todos os tipos de conforto ali, sem sair de casa.

Mas sonhos podem virar pesadelos. Sou idealista, não destas partidárias. Meu ideal é por dias melhores e não adianta buscar grandes causas, se nem as pequenas foram resolvidas. Ali, me tornei conselheira, e logo mais, sub-síndica.

Após muita luta, enlouqueci. É impossível mudar algumas coisas, se todo mundo não estiver na mesma vibe. 250 famílias e quase que um sonho diferente para cada uma delas.

O dinheiro não substitui a educação e esta classe social emergente que surgiu nomBrasil nos últimos anos, é composta de muita gente boa, mas também da pior raça. A raça de pessoas que ganhou dinheiro e se esqueceu da educação. Que acredita que dinheiro derruba pessoas, resolve todos os problemas, e quem tem mais, pode mais.

Não! A vida não funciona assim. Respeito é obrigatório para se viver em harmonia. Mas onde mesmo que isto está escrito? Se não é lei, e não tem punição, não pega. Não aqui, em terras canarinhas.

Enquanto nossa ajudante doméstica está em licença maternidade, temos em casa nos ajudando a pessoa que foi líder da limpeza do condomínio no qual morávamos, com quase 11 mil metros de terreno. Por que ela saiu de empresa, e foi trabalhar em casa de família? Porque foi profundamente humilhada em praça pública por uma síndica que julgava ter o poder. E esta pessoa têm filhos pra educar. Já imaginaram os filhosmque ela deixará ao mundo?

Mudamos-nos e deixamos pra trás o sonho, alguns poucos amigos e a esperança de dias melhores, para eles e para nós.

Moramos hoje em um condomínio de apenas vinte casas. É um nível muito superior de classe econômica, visivelmente pessoas com mais dinheiro, uma vez que o imóvel custa o valor de dois apartamentos. Só que lembram? O dinheiro não traz educação e respeito?

Somos cinte casas, uma em espólio, uma a venda e uma casa de veraneio. Dezessete famílias moradoras. E uma laranja podre. Como sou figura premiada, a laranja podre fica pertinho de mim.

Lutarei incansavelmente até o fim dos meus dias. Mas meus filhos serão educados, com eles e com o mundo em que vivem. E esta educação inclui ensiná-los que eles não tem nada, que eu e o pai trabalhamos muito pra sair de onde saímos e que eles jamais terão coisas de mãos beijadas. Presentes são dados em dias específicos: aniversário e Natal. Excessão para os livros, que são livre demanda. Eles não usam roupas de grife da moda, ajudam nas tarefas de casa, tem horários e regras. E MUITO AMOR.

É isto que falta. Muitos pais estão trabalhando e se cansando. Para pagar a escola cara (e no fundo todas não prestam), para levar pra Disney, para encher de brinquedos. Só que nada substitui o amor. E estas crianças sofrerão graves consequências quando o futuro chegar, e estiverem despreparadas. Para o mundo e para amar.

Fui hoje levar meu filho para uma mini colônia de férias, até sexta próxima. E no caminho, um carro quase bateu em mim, oito da manhã. Ninguém respeita sequer a própria vida, e as estatísticas de mortes no trânsito aumentam.

Marido Toruboi acha que protejo muito as criancinhas Hummel. Protejo sim. Do meu jeito. Brigo, castigo, mas amo, e eles sabem que em mim encontram acolhimento, aconchego e amor. E não há caixa de brinquedos que mime e felicite mais uma criança, do que o amor de uma mãe, disponível todo o tempo em que eles precisarem.

Tenho uma amiga que concluiu o Mestrado ainda muito jovem, aos 24 anos. E uma, o Doutorado aos 27. Ambas seguiram carreira acadêmica. Ambas abandonaram as carreiras para serem mães, para darem irmão para o filho mais velho, no afã de que ele não seja mimado e aprenda a dividir.

Ando triste com o mundo. Com este Brasil de roubalheiras impunes, com as pessoas do dinheiro e sem valores éticos e morais, do descomprometimento dos indivíduos com este Universo que nos abriga, mas que cada um destroi como pode.

Amem seus filhos. Eduque. Ensine. Ame mais um pouco. Ensine-o a ajudar o próximo. Mostre-lhes que no mundo há pessoas com necessidades diferentes, mas que somos todos iguais. No fundo, cada um de nós é elo de uma corrente chamada VIDA, e esta corrente só se fechará, se todos os indivíduos tiverem consciência da importância de educar e de ser educado.

Hoje, entretanto, só queria o endereço da Lua. Pára tudo. Eu quero subir! 

3 comentários:

  1. Flor... quando vc souber como fazemos pra fugir daqui, me avise, por favor e vice-versa... porque tbm estou procurando a saída mais próxima!
    Ando MUITO chateada com o rumo da humanidade, especialmente por aqui. Inclusive, essa semana, marido e eu, resolvemos parar de pensar. Estávamos ficando doidos.
    Damos uma educação a nossos filhos nos moldes da que vc dá aos teus. Coisa rara... muito rara!
    Mas disso, não abro mão de jeito nenhum... nem que eles, no futuro, sejam os únicos e que pareçam extraterrestres.

    Aliás, meu mais velho, com 18 anos, diz que é assim que se sente!! rsrsrss Ele vive reclamando do quanto os amigos são volúveis, desrespeitosos, vazios... Heranças de uma geração mal criada!

    beijoca... continue pelo caminho certo!

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  2. Sou defensora do respeito ao próximo a todo tempo, o tempo todo, em todo lugar, com todo mundo... mas, nem sempre podemos exercê-lo visto que caminhamos em um mundo com tanta gente perversa, e que está sempre procurando uma forma de prejudicar alguém.
    E isso é independente de classe.

    A educação que permeia meus passos devo a meus pais, professores, avós... mas principalmente a meus pais. Apesar de algumas falhas, foi lá que ouvi pela primeira vez que o meu direito termina onde começa o do outro.

    Mas, uma pessoa não é feliz apenas com a educação que recebe. E como vc disse: "não há caixa de brinquedos que mime e felicite mais uma criança, do que o amor de uma mãe, disponível todo o tempo em que eles precisarem."

    Quando souber o endereço da Lua me avisa...

    Beijoca! <3

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  3. Oi Ursula, ví sua atualização no Facebook (no Qual é seu blog) e vim te conhecer. Concordo com tudo o que escreveu no seu texto. A falta de educação é tanta nos dias de hoje que chega a doer. E amedrontar.
    Sou agente comunitária de saúde, e como vc disse, falta de educação independe de classe social. Lido com pessoas de classe social mais humilde (faço parte dessa classe, resido na mesma comunidade em que trabalho, senão não poderia ser agente aqui) e é impressionante como as pessoas (não todas, graças a Deus) esqueceram do obrigado, do por favor, da consideração... Trabalho na área da saúde, vejo muito sofrimento, mas nada é desculpa para falta de educação! Nada!
    Também já trabalhei na sede social do Jockey Clube Brasileiro, aqui no Rio. Os frequentadores eram todos da classe A. Era tratada com educação pela maioria deles, mas tinha uma meia dúzia de mal educados, pedantes...que vou te contar!!!
    Enfim....
    Olha, meu blog é bem novinho... Se quiser me visitar será uma honra!
    http://osonhodethalia.blogspot.com.br (Meu nome é Aline, mas o título do blog é uma homenagem a minha filhota Thalia que chegou em nossa vida através da adoção em fevereiro. Chegou com 6 aninhos pra encher nossas vidas de alegria)
    Que eu e meu maridóvisky consigamos educa-la para ser justa, honesta, amorosa e uma adulta de bem! Amor não falta pra ela aqui!
    Espero que goste do meu cantinho!
    Bjks e fique com Deus

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