quarta-feira, 17 de julho de 2013

Sobre como ser mãe em tempos de cólera

Sobre como ser mãe em tempos de cólera

Um dia, conversando com uma pessoa muito querida, que por pura coincidência deste pequeno mundo ovo em que vivemos - é prima do meu terapeuta - ouvi seu desabafo sobre sua criança: "não sei o que acontece, ninguém a convida para ir em suas casas, e eu sempre convido para a minha!". Ouvi aquele desabafo com dor no coração!

Não é surpresa para ninguém que o ser humano tem um cérebro,sub-utilizado. Para que ele aumente sua capacidade de raciocínio, é preciso desenvolvê-lo, e de que forma? Pensando.

É isto que a terapia faz com o indivíduo. Leva-o a pensar e a desenvolver a mente brilhante que existe em cada um de nós.

Eis que chega mais um período de férias. E eis que faço mais do mesmo: chamo os amigos do meu filho para virem em nossa casa. Semana passada, contudo, deu-me um estalo: meu filho também não é convidado a ir em casa dos amigos, salvo poucas excessões, mas tão poucas que posso contar no dedo, que o convite é em retribuição ao meu, que veio primeiro.

PAUSA: tenho uma ex-vizinha, pessoa querida e de um coração gigante. Ela é a excessão desta história. Nossos filhos têm seis meses de diferença. Ela é aquela mãe que ama a casa lotada de crianças; quanto mais, melhor. Contudo, nossos filhos, apesar de pela segunda vez estudarem na mesma escola e nunca terem caído na mesma sala, não têm muito contato. Pergunto sempre ao meu filho: "você brinca com o Ricardinho na escola?". E ele diz que nunca vê o amigo na escola, como se fossem dois mundos. DESPAUSA.

Cansada da situação, e depois de muito pensar, cheguei a um denominador comum ao da minha amiga lá de cima: meu filho também não é chamado para a casa dos amigos. E restavam duas semanas de férias.

Semana passada, chamei o filho de uma pessoa quegosto muito, que têm três filhos e trabalha, para vir em casa. E ela me respondeu que o filho estava na colônia de férias-dia do clube o qual somos sócios. Apesar de ficar a apenas cinco quilômetros e casa, são aqueles cinco que jamais serão feitos em menos de uma hora. 

Foi quando domingo a noite, me veio o estalo: há um clube enorme há apenas meio quilômetro de casa. Eram quatro e meia da tarde e liguei para me informar. As inscrições terminavam dali meia hora. Saímos. Fizemos a inscrição da pobre e abandonada criancinha Hummel e voltei aliviada para casa.

A colônia funciona assim: levamos a criança as oito da madrugada. Lá ela é recebida por uma equipe gigante de profissionais, as faixas etárias são dividas de dois em dois anos. Eles tomam café, lanche da manhã, almoçam, tomam lanche da tarde e voltam, dezessete horas, mortinhos. É dar um banho, um amor, uma história e a criança vai até o dia seguinte.

Hoje, com o frio que faz ao pé da Serra, levantei-me, acordei meu pequeno com muito dó no coração e ele levantou, trocou-se, escovou os dentes e já estava com a mochila a postos, como bom escoteiro. Quando cheguei ao clube para deixá-lo, ele gritou: "mamãe, rápido, meu amigo Rafa chegou comigo!".

E em meio ao frio, voltei sorrindo pra casa, com a missão de dever cumprido.

O mundo anda com falta de amor, e uma criança é a forma mais plena de amor que existe na natureza. Mas em tempos de cólera, melhor buscar outras formas de amor, nos caminhos alternativos que a vida nos proporciona!

7 comentários:

  1. Ursula, minha casa vive lotada, confesso que mais de adultos, mas as crianças vem junto, mas eu tb faço reuniões especifica para elas, chamo uma amiguinha faço o dia da turminha, sabe que eu estou devendo um convite para uma amigona.

    bjs

    Gélia

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  2. Ursula, aqui em casa eu iria preferir que meus filhos convidassem os amigos para virem pra cá. Não gosto da ideia de meus filhos em casa de pessoas com quem não tenho intimidade ou de fato, não as conheço a ponto de confiar-lhes meus tesouros. Assim, eles se acostumaram com meu jeito. Eu quebrei este circulo e quando estiverem maiores e capazes de terem mais defesas, eu autorizarei este movimento. Por ora, confesso que nem em Colônia de Férias eu me sinto segura para deixá-los ir... Socializar é importante, fundamental, mas aqui em casa eu ainda defendo a minha paz como princípio ativo, rsrsrsr! Boas férias aí pra vcs! bjks

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  3. Oi Ursula!
    Bem, como vc já sabe tenho apenas uma filha...e ha apenas 5 meses. Porém, minha irmã do meio é mãe de 3 meninos e ela AMA a casa cheia!! Ela mora em S. Pedro da Aldeia na Região dos Lagos e adora receber hospedes, faz questão de convidar... Crianças então, ela ama! Acho isso o máximo. Também quero que as amigas da Thalia venham pra cá...mas ela ainda não tem amiguinhas, só brinca mesmo com a prima (que mora no mesmo quintal).
    QUando éramos crianças a nossa casa vivia cheia. Na adolescência aquilo lá parecia um albergue da juventude...eheheh!

    Bjks querida e obrigada pela visita!

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  4. Gostei muito da sua atitude. Acontece até com os adultos. Minha casa vivia cheia, Verão piscina, ou Inverno Fondue. E as pessoas se acostumam.
    Mas com crianças precisamos ter atenção mesmo, eles precisam desde pequenos, socializar!
    Se não é com um, é com outro. Tem que ter o prazer de conhecer outros horizontes.
    Beijos querida.

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  5. Vim conhecer teu blog, lindo por sinal e cheio de palavras deliciosas...

    Gostei muito da sua atitude, gosto de blogs que são assim, mais íntimos com experiencias que nos fazem mudar nossa pensamento, ou simplesmente nos levam a imaginar algo que poderíamos ter feito diferente.

    Voltarei mais vezes... Beijos Monalise

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  6. Olá pessoal! Obrigada pela visita!
    Gélia, Aline, Jô e Karhleen....é duro qd vc é só a parte que faz e nunca recebe. Chega uma hora que cansa, sabe?


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  7. E eu gostei tanto do Peteleco, mesmo tendo passado com ele míseros cinco minutos... mas deu pra sentir como é uma criança FELIZ! E amorosa...

    Beijooo

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