sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sobre a chegada dos humanoides ao Planeta Terra

Ontem, uma amiga blogueira abordou este assunto, e me inspirou a contar o que acontece do lado de cá.
Meninos são naturalmente mais lentos que as meninas, prolongam a infância geralmente até os noventa e nove anos, e são mais ingênuos.

Quando minha filha pequena, devido ao pãozinho em forma de pé, que ela ganhou um par do Papai do Céu, sempre disse que eu fui à padaria, gostei daqueles pãezinhos e comprei. Comi e ela nasceu. Fiquei grávida do caçula quando ela tinha cinco anos, mas nunca houve pergunta da parte dela, logo, não há porque dar respostas quando não se há dúvidas.

Aos dez anos, decidi que era hora, que ela poderia menstruar a qualquer momento e comprei o livro DE ONDE VIEMOS? para ela. Fiquei ansiosa, aguardando sua volta da escola. Ela, feliz, abriu o pacote e veio toda frustrada: “mamãe, este livro eu li na escola no primeiro ano”. Faltou a música de fundo: fuén fuén fuén fuén...

Agora tenho um menino de sete. Não muito tempo atrás, narrei parte da história no Facebook.  Estávamos no Pão de Açúcar, e enquanto passo as compras do carrinho, ele grita em alto e bom som: “mamãe, o que são estes pacotinhos coloridos que dão muito prazer?”. Dei uma olhada para saber do que se trata. E eram PRESERVATIVOS. Como abordar o tema com a criança enquanto passava uma compra? Disse que em casa conversaríamos.

O assunto morreu, e só na hora de dormir, ele se lembrou e me questionou. Disse que estava tarde, e no dia seguinte falaríamos do assunto. Ao se despedir para ir à escola, no dia seguinte, ele cochichou no meu ouvido: “mamãe, quando eu voltar você precisa me contar o que é aquela coisa colorida que dá muito prazer”.

PAUSA: meu filho é um menino com inteligência acima da média. Não sou eu, mãe, que estou dizendo. Todas as professoras com as quais ele passou, sempre me chamaram de canto para dizer isto, não querendo, jamais, causar problemas com outras mães, já que todas pensam que seus rebentos são geniais. Há dois anos, a escola me convida a adiantá-lo de série, pois ele está a frente dos amigos, e as professoras têm dificuldades em lidar com isto, e eu insisto que ele tenha a infância prolongada, já que num futuro não muito distante, ele será tão cobrado na vida. Contudo, ainda é MUITO CRIANÇÃO. Ele faz som de pássaros e quando o pai chega perto, ele diz que o pássaro fugiu. Esconde-se por detrás de cortinas e almofadas, e a gente finge que não o acha. Papai Noel, Coelho da Páscoa? Figuras reais na vida dele, e mesmo que os amigos mais espertos digam o contrário, ele diz que os amigos são bobos. DESPAUSA.

Naquele dia, ao chegar da escola, sentou ao meu lado e pediu explicação. Já tinha discutido o assunto com algumas pessoas e pensado na melhor abordagem, e fui orientada: ele ainda não precisa saber da complexidade que é o ato sexual, porque é muito curioso. Assim, disse que aqueles negócios coloridos eram capinhas plásticas que homens grandes colocavam no pipi. Só. Ele quis saber o motivo e expliquei: “às vezes, você não deixa escapar xixi na cueca? Então, serve para ficar o liquidinho que vaza”. E a pergunta fatídica: “e o prazer, o que é?”. Filho, o prazer é a sensação gostosa de ficar sequinho – e o assunto, por parte dele, morreu por ali.

Do mesmo jeito que a irmã foi comprada na padaria, ele foi comprado no açougue. Escolhi a carne mais linda que tinha, comi, a cegonha jogou lá do céu uma sementinha na minha barriga, que cresceu e ele nasceu.
Minha curica teve bebê há alguns meses e trouxe o rebento para conhecermos. Fiquei apaixonada, abracei-o e lamentei que já tivéssemos enviado uma carta pra dona cegonha, e na nossa casa não haveria mais bebês. Sabiamente,  ele respondeu na lata: “mamãe, eu não acredito mais em cegonha, já sei a verdade!”. Curica saiu de perto pra rir e eu fiquei com a bomba. “Filho, então como é que as crianças chegam na barriga das mamães?”.

- Da carne, ué? Vai no açougue e compra.


Conclui que, definitivamente, a infância dele ainda precisa ser prolongada. Até que a verdade precise ser revelada. E sinto que, neste dia, será o fim da vida sexual dos Hummel, pois não imagino outra cena: ele sentadinho na porta do quarto esperando para ver se papai e mamãe vão fazer bebês!

6 comentários:

  1. Leleco é um fofo!!

    Minha filha será comprada em uma adega vou beber uma Stella Artois e nascerá uma linda Stellinha.

    Eu não sei explicar essas coisas para as crianças, quando meu sobrinho mega curioso vem me questionar essas coisas eu jogo a bomba para mãe dele.

    Só sei explicar do ponto de vista da ciência, direto e reto.

    Mamy's Panda beijinho!

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  2. Não me lembro de algum dos dois ter perguntado... mas como aqui em casa sempre foi tudo muito aberto, acho que eles leram o "de onde vêm os bebês" bem cedo, e assim ficou.
    Mas açougue??? kkkkkkkkkk
    A piada interna aqui de casa é "você veio num cestinho..." e o outro diz: "do lixo, você quer dizer!"
    Fraternidade, você vê por aqui!!!

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  3. Ursula, a melhor oportunidade éiniciar pelo corpo quando eles constatam as diferenças entre homens e mulheres. Agir naturalmente e sempre estar neutra sem rir ou repreender. Tem que ser abordagem tranquila como qualquer outra função vital, mas com o cuidado de não abrir portas desnecessárias do conhecimento - mãe tem feeling, tias também, viu Crys!? bjks e contem comigo para ajudar na conversa! Ajudo a desenrolar a meada! Vai ser um boicote à Padaria e ao Açougue! rsrsrsrs

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  4. Ai, crianças!
    Taís também perguntou na fila do caixa do supermercado para quê serviam aqueles pacotinhos. Olhei com a maior naturalidade e falei: para não fazer bebês.
    E ela se contentou com a resposta. Depois veio perguntar como vendem coisas para não fazer bebês no mercado e eu falei que tem em todo lugar porque pessoas que não querem ter bebês tÊm que ter facilidade em achar os pacotinhos.
    Um dia fui com ela ao posto de saúde para dar vacina. Lá tem um mega baú de acrílico transparente cheio de pacotinhos. Posto cheio, ela vira com sua voz agudíssima e fala: mãe, aqui também vendem pacotinhos para não fazer bebês. Tinha duas adolescentes pegando os pacotinhos. Ela vira e fala: elas não querem fazer bebês, né, mãe?
    E eu, com cara de pastel, respondi que não...rs
    Sei que ainda virão perguntas complementares a respeito e vou me preparando para quando esse dia chegar.
    Com os mais velhos segui essa linha tbm. Sempre foi bem tranquilo. Responder o que querem saber com naturalidade, com a verdade dentro do entendimento deles, sem rir e sem se aterrorizar. Esse é o segredo.

    Beijos,

    cláudia

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  5. Tive filho homem e fi tranquila a explicação, porque ele já sabia algumas coisas ouvidas aqui e ali.
    Mas é muito importante conversar numa boa, isto é para toda uma vida, que deverá ser natural e prazeroza nesse sentido.

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  6. Não tinha terminado de escrever .......
    PRAZEROSA é com S no final.
    E desejo um ótimo Finde.
    Beijos.

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