segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sobre as várias faces da vida

Antigamente, quando eu era menina lá em Barbacena, eu acreditava que tudo era perfeito e que toda as pessoas eram felizes. Até que um dia, eu cresci. Descobri que a vida não era um quadro do Chico Anísio, tampouco uma música da Legião Urbana.
Todo mundo que leva tombo na vida, vai ficando esperto. Quando a batida do tombo é sempre no mesmo lugar, é natural que façamos uma defesa. Ao percebermos que haverá queda, automaticamente protegemos aquele lugar já fragilizado. É o excesso de tombos que forma uma couraça de proteção, mas não é físico, é mental.
Assim, vou levando e aprendendo.
Sofri muitas decepções e traições ao longo da vida: com amigos, com família, com maridos. Nem por isto, deixei de viver. Só fui ficando mais desconfiada.
Na vida real, foi e é assim. Enquanto isto, no mundo virtual....
Uma pessoa que conheceu cinquenta outras pessoas através do mundo virtual, doze, treze anos atrás, quando tal prática não era comum, aprende muita coisa. No meu caso, esqueci de anotar, e com o surgimento de novas formas de vida social, a internet acabou sendo muito intensa na minha vida. E eu acreditando.
Até que fiz algumas amigas e através delas, comecei a olhar o mundo de outra forma. Primeiro o real. Depois, o virtual.
Para mim, as pessoas tinham que ser iguais nos dois mundos, e descobri que não são. A internet serve de capa secreta de super-herói para esconder aquilo que as pessoas não gostam, ou transformá-las naquilo que gostariam de ser.
Vou dar um exemplo. Conheço um indivíduo na vida real. E depois, passo a socializar-me com este através do mundo virtual. Passo a perceber que são pessoas diferentes. Pior, descubro que as duas faces deste ser são 'fakes'. Ainda existe uma terceira pessoa, que é ela de verdade.
O que o muita gente não sabe, é que máscaras caem, e quando elas caem, a vergonha deve ser infinita. E há que se lidar com as consequências.
Quando me separei, grávida de dois meses da minha filha, pedi uma única coisa para meus sogros: que se eles quisessem (veja bem, opção DELES) que eu continuasse frequentando sua casa, que esperassem ao menos meu bebê nascer, antes de deixar o filho entrar com a primeira quenga que encontrasse na rua. Depois que minha filha nasceu, fui descobrindo histórias bem tristes sobre a traição que fizeram comigo. Nem por isto, deixei de respeitá-los como família biológica da minha filha (porque em termos de família de pai, meus filhos são dois órfãos). Acontece que partiu da minha filha não querer saber deles. Acho que seriam pessoas importantes na formação afetiva dela, e deixo e sempre deixei as portas abertas PARA AS ESCOLHAS DELA. As minhas, fechadas. Ponto final numa história de várias faces.
Decepcionar-me com pessoas é curva padrão na minha vida. Sempre tive as portas da minha casa aberta. E nem sempre, encontrei outras para entrar. Com o tempo, fui fechando, fechando, e hoje, quase passo o trinco. Ano passado, mudamos de casa no dia de Halloween. Dias antes, estávamos em uma festa, e uma 'grande amiga' convidando uma criança para ir à festa do prédio dela. Ofereci-me para leva meu filho. Já tinha tantas vezes ficado com as crianças dela. Esperei o convite. Quase um ano depois, continuo esperando.
Sempre fiz questão de trazer, de convidar amigos do meus filhos para virem em casa. Minha filha é reservada, não gosta. Meu filho adora. Percebi, porém, que só eu convido. Sempre. As crianças as quais eu mais trazia em casa, as quais mas fazia questão, não tinham reciprocidade em seus lares. Há alguns anos, cortei relações com uma mãe, que sempre tinha saudades de mim, queria me encontrar. E os encontros se davam sempre na minha casa. Um dia, disse que iria na casa dela, para matarmos as saudades. Aquele não fez morrer uma amizade que nunca existiu.
Quiçá o erro esteja em mim. Acredito que todo mundo é amigo na mesma intensidade que eu sou. Acredito que amizades são pra sempre. Mas estou passando a entender que ela são efêmeras.
Foi minha própria médica quem me alertou sobre a necessidade de as pessoas viverem visceralmente o seu lado Dr. Jekyll, sem jamais adormecer o Mr. Hyde.
Será que todo mundo é assim? Dupla face? Será que creio muito em contos de fadas?
Independente da resposta, não sou mais aquela pessoa de outrora que espera. A gente dá 'unfollow' em pessoas da vida real e da virtual. No meu caso, é o mesmo ser vivendo nas duas. E o mesmo ser separando o joio do trigo. Porque viver é crescer, aprender, amadurecer, cair e levantar. Quantas vezes sejam necessárias!

6 comentários:

  1. E que bom Ursula, que sempre podemos dar unfollow em quem não nos acrescenta. Seja virtualmente ou na "vida real".
    O segredo é não esperar muito das pessoas... Vai vivendo e vendo qual é. O tempo se encarrega (na maioria das vezes) de te mostrar quem é quem.
    Bjks e uma semana abençoada pra vc e sua familia!

    ResponderExcluir
  2. Mãe Panda!!

    Deixa eu te contar um segredinho: até uns dois anos atrás eu não aceitava amizade virtual nem no facebook. Morria de medo das pessoas que estavam do outro lado da tela. Com o tempo fui percebendo que tem muita gente legal do outro lado, muitos pensamentos em comum e afinidades. Hoje posso dizer que fiz amigas através de uma rede social, algumas já são amigas reais.

    Eu não consigo ser duas, imagina três??? Não daria conta de tanta interpretação.

    Acredito que pessoas do bem não se conhecem, se reencontram. E por vezes esse reencontro se dá através de uma rede social.

    Não preciso dizer aqui o carinho imenso que tenho por você e pela She. Não sei se você acredita em vidas passadas, mas eu creio que fomos muito próximas em outra encarnação.

    Já tive melhores amigas que hoje mal olham na minha cara, já fiquei chateada por isso. Hoje em dia não mais. Eu tenho certeza que tenho ao meu lado os melhores amigos do mundo.

    E quanto aos tombos é caindo que se aprende a levantar.

    Não é por causa de meia dúzia de gente falsa, interesseira e oportunista que eu vou deixar de acreditar na amizade.

    Um grande abraço e 542 beijinhos!

    ResponderExcluir
  3. Oi Úrsula,
    Li o seu relato e me vi nele. Sou muito inocente e romântica com relação a certas coisas e acabo me decepcionando e sofrendo muito. Houve uma época,graças a Deus já passou, que me sentia tão sozinha e carente que acreditava em tudo que me falavam. Caí muito, mas consegui me levantar e, acredito,que amadureci bastante com isso.
    Vivendo e aprendendo, sempre!
    Bjs,

    Marlene

    ResponderExcluir
  4. Ursula, acredito que as pessoas que se decepcionam seguidamente com outras são as boas, as que se doam, as que acreditam no ser humano. E, por vezes, dão "com os burros n'água". A única maneira de você conhecer alguém é se doando e quando acontece de não haver reciprocidade, vem o desencanto.
    Pela minha experiência de vida, digo a você que é muito difícil que mudemos (sou igual a você). Faz parte da nossa essência. Podemos nos policiar, podemos "pensar" que criamos uma couraça, mas sempre nos sentiremos tristes e/ou ofendidas com certas atitudes de quem pensamos ser amigo. O melhor é não entrar com muita força nas relações. Ficar sempre com um pé atrás. Esperar. Observar. Acreditar. Principalmente, dar ouvidos ao nosso "felling". Dificilmente nos enganamos, mas insistimos.
    Beijo!

    ResponderExcluir
  5. Amiga, minhas experiências de virtual passar pro real são todas positivas. Já o contrário... é doloroso!
    Como você, estou na blogosfera há bastante tempo, quando as pessoas eram - ou desejavam ser - reais no virtual. Nunca me decepcionei. Mas tem gente que passa por mim na rua (cidade pequena) e nem dá bom dia, mas curte tudo que eu posto no FB. Comecei a dividir os "amigos" entre "amigos" e "conhecido", para preservar coisas que não quero que qualquer um saiba.
    A propósito, minha casa (que cabe na sua sala), está abeeeeeeeerta pra você, marido Touroboi, filhotinhos de Panda, irmão, cunhada, mãe... e não é de hoje. "Sou simples, mas sou limpinha"!!! (Porque pobre eu não sou, não, tenho uma riqueza que ninguém me rouba!!!)

    Beijoooooo

    ResponderExcluir
  6. Muito bom seu post...

    E como isso acontece com frequência, né?
    Eu também costumo achar que todo mundo é amigo, na proporção que eu sou. Na verdade, achava, porque levando os tombos da vida, a gente vai ficando calejado e se protegendo mais. Infelizmente a vida às vezes é dura e alguns pagam pelos outros!!!!

    Beijos querida...

    ResponderExcluir