sábado, 20 de julho de 2013

Sobre a amizade

Hoje é o dia do amigo.

Com a facilidade da vida virtual que a rede nos proporciona hoje, é muito comum chamar ao outro de amigo. Mas o que é ser amigo?
Muitas vezes já a citei neste blog. Dra Maria Helena Valente é a pediatra alopata dos meus filhos. Está na família há muitos anos, e durante alguns foi meu alicerce para as horas de crise, já que sou mãe de duas crianças alérgicas, tive um bebê chiador, já operei minha filha por conta destas alergias, e assim, criamos um vínculo. Um dia, Dra Maria Helena aconselhando minha filha, disse a ela: "e quando você chegar a minha idade* e conseguir ter uma mão cheia de amigos, você será uma vitoriosa!";
Naquele momento, achei que seus *aparentemente cinquenta ou pouco mais anos, fizeram dela uma pessoa amarga. Com o passar do tempo e analisando minha vida, percebi o quão sábia foram aquelas palavras.
Ao longo da vida, chamei diversas pessoas de amigo. E sei que o foram. Sempre acreditei na amizade eterna, mas descobri que nem a vida é eterna. Achava que amigos eram pessoas grudadinhas, que se viam ao menos uma vez por semana e estavam sempre prontos para nos ouvir. Confundi tudo. Eu sou esta amiga, mas as pessoas não podem ser a amiga que sou.
Com trinta e nove anos de vida, citaria inúmeros casos de grandes amizades. Mas as decepções fariam com que tanta história bonita caisse por terra abaixo. Logo, prefiro acreditar que a amizade passa. Sem deixar de acreditar nela.
Sou amiga incondicional. Daquela que acorda na madrugada pra socorrer uma amiga que brigou com um "peguete. Daquela que larga a casa e os filhos para secar as lágrimas de uma amiga que chora. Daquela que passa por cima dos valores éticos e morais que me permeiam, para ajudar uma amiga em apuros. Daquela cujas portas de casa são abertas vinte e quatro horas por dia para acolher um amigo. Daquela que houve sem cansar, e pensa como dar a resposta certa que o amigo está precisando. Daquela sincera, que não tem medo de magoar para dizer a verdade, e que, nesta hora, perde o amigo.
Mesmo ante as incontáveis traições que sofri, perdas e abandonos de amigos, não deixei de acreditar na amizade. Claro que hoje a couraça está mais dura, é mais difícil entrar na minha vida, e mais fácil sair.
O ser humano é gregário e precisa viver em sociedade. Muitas vezes, sou o indivíduo hermitão, que precisa da solidão. Entretanto, preciso de amigos. Preciso conversar, ouvir, trocar, conhecer. É o meu ser gregário que fala mais alto.
Em tempos nos quais ninguém tem tempo pra ninguém, quando muitas pessoas só lembram da gente quando precisam, pois vivem correndo e priorizando outras coisas, eu continuo aqui, sendo amiga, estando sempre em "stand-by".
E se pudesse agradecer a alguém no dia de hoje, agradeceria o inventor da internet, que me proporciona amizades virtuais que são mais reais do que o próprio respirar. Que me permite rir, passar o tempo, interagir, conhecer, analisar, conversar e, muitas vezes, trazer para a vida real.
Sempre, desde pequena, tive maior afinidade com amigos homens. Eles têm menos "mimimi", são diretos e honestos com suas amigas mulheres. Ensinam que homem não gosta de silicone, prefere um peito "murchinho e pequeno", a brincar com bola de plástico dentro do corpo. Foi assim que meus amigos homens me convenceram a não colocar silicone para ajustar os seios. Foram eles que sempre me protegeram dos "canalhas" que a vida colocava em meu caminho. Também adoro amigos homossexuais. Não existe sinceridade maior. Queria um dia ainda ter a oportunidade de estudar e entender isto que, para mim, é um fenômeno. Quem sabe? Contudo, são com as amigas mulheres que falamos de tudo: mal dos maridos, trocamos ideias sobre sexo (e se os homens soubessem o que as mulheres dizem....); são com as amigas mulheres que dou infinitas risadas, porque mulheres são de Vênus, e gente do mesmo planeta se entende melhor.
Se eu pudesse, só teria juntado amigos na vida. Só que ela, a vida, toma rumos diferentes em todos os momentos. O ser humano é mutável, e o que é bom hoje, pode não ser bom amanhã. Talvez, por isto, as amizades acabem. E isto me frustra. Já me fez chorar. Hoje não, já consigo entender esta mutação. Sofro menos, mas ainda choro muito.
Meu coração é aberto, sempre, para receber novos amigos. Gosto de gente sincera, inteligente, sagaz. Faço amigos com facilidade, pois sou transparente e falo com o coração. Nem sempre, porém, pessoas estão abertas a lidar com alguém transparente como eu, e as amizades se vão.
Há alguns anos, a vida me deu um grande amigo: meu marido. É ele quem toma o maior cuidado para me dizer as coisas, com medo de me machucar. Pois é ele que sabe o tamanho da minha sensibilidade. É ele que me acolhe em qualquer momento da vida, me dando colo, amor, carinho, e o mais importante, me dando muitas vezes o silêncio que preciso para entender algumas dores da vida.
Aos amigos que passaram, aos que estão, e aos que chegarão em minha vida: que o dia do amigo seja diário, com doação e amor, com transparência e verdade. Feliz dia do Amigo!

Um comentário:

  1. "Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão." Provérbios 17:17

    Rara coisa é ter um amizade que dure vida inteira... Tenho amigas de infância, amigas de muitos anos, amigos "temporários" amigos virtuais, amigo de toda hora (meu marido), filha amiga (minha Thalia), irmãs, mãe sobrinhos (amigos familia) e agora amigas blogueiras. Coisa boa!
    Que seu dia seja especial, querida! E o fim de semana cheio de alegrias! Deus te abençoe!

    O post de hoje lá no blog é comemorativo. Se quiser participar de minha alegria, te espero lá. Bjkssssssss

    ResponderExcluir