segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sobre um dia qualquer de uma burguesa

Acordei com um desejo de passar o dia na cama. Sei que para muita gente, isto é impossível: "como alguém consegue ficar deitada o dia inteiro?". Eu consigo. E adoro. Mas não tinha como. A lista de afazeres era enorme. Então comecei o dia.

Fiz meus agradecimentos matinais. Em um Universo com tanta miséria e pobreza, agradeci como que num ritual: "obrigada por esta cama confortável que me acolhe todas as noites, por meus sete travesseiros, por meu marido ao meu lado, por meus filhos saudáveis que estão na escola. Que eles três tenham um dia abençoado.".

Espreguicei-me. Faz bem alongar todo o corpo pela manhã ou em qualquer hora do dia. Descobri que ontem havia deixado um pacote de bolachas integrais na mesa de cabeceira. Comi e tomei meu primeiro meio litro de água, dentre os tantos que virão durante o dia. Tomei meus remédios e criei coragem para enfrentar o dia que me esperava.

Banhei-me. Troquei-me. Abri todas as janelas do 3o andar. Fiz as camas, limpei os banheiros, coloquei as toalhas pra secarem. Desci levando roupas sujas, sacos de lixos dos três banheiros e dos dois escritórios. Parei no 2o andar. Abri as janelas das duas salas e a cozinha. Juntei mais lixo. Limpei o lavabo e desci com todo o lixo e as roupas. Separei rapidamente as roupas, analisei o tempo, programei as lavagens e a primeira começou. Coloquei o lixo pra fora. Lavei as mãos, abri o freezer e programei o almoço. Voltei para o 3o andar. Separei as contas do dia 30 e do próximo dia 15. Programei a semana: dois médicos, terapia, comprar roupa, fazer "mercado", ir ao cartório, depilação,  manicure, pedicure, cabelos, sobrancelha. 

Sentei no closet e programei mentalmente as malas. Mas tinha de preparar o almoço. Corri pra cozinha, fiz tudo e de olho nas notícias e no Facebook. Almoço pronto, às 13h, chegam duas criancinhas famintas. Lembro que tenho emails do aniversário ainda não respondidos. Filho menor chega. Almoçamos. A roupa. Esqueci dela. Tiro da máquina a primeira leva e coloco a segunda. Estendo tudo e deixo o espaço de passar na lavanderia todo preparado. 

Closet de novo. Começo a separar tudo pra viagem e paralelamente, faço uma lista pra não me esquecer de nada. Tenho uma tática infalível. Penso na rotina diária. O que eu faço? Acordo e pego o tablet (carregadores separados). Levando, tomo banho e escovo os dentes (necessarie completa pronta). Precisamos de calças, blusas, casacos (estamos indo para o frio), gorros, cachecóis, lenços, botas, tênis, pijamas, camisetas, roupas íntimas, meias, brinquedos para distrair as crianças. Serão 24 horas de estrada. Acho que serão mais, mas não quero pensar nisto. Malas esquematizada. Desço e a segunda máquina terminou. Estendo e já vou passando a primeira leva. Vantagem de morar em um lugar onde venta muito. A filha mais velha chegou. Quase quatro da tarde. Lanchinho para os dois e resolvo não fazer mais nada. Adoro não fazer nada.

Passo uma água no corpo, coloco a camisola e deito-me no sofá. Cinco da tarde. Como o dia voou. Olho as agendas, confiro as lições, programo mentalmente as lancheiras de amanhã. Vai começar Malhação e ainda tem roupa no varal. Melhor tirar. Pode chover. Recolho e já passo tudo. A última máquina vai ser um lava e seca. Toalhas de banho: sempre cheiram melhor neste esquema. 

Depois de folgadamente assistir a Malhação, vejo também a novela das seis, a qual insisto e não guardar o nome. Hora do jornal. Hora do jantar. Enquanto as crianças comem, preparo as lancheiras. Lembro-me de que não fiz os exercícios de fortalecimento dos joelhos. Eles são necessários. Troco a roupa. Desço, amarro as caneleiras e vamos lá: três séries de 20 repetições. A novela das sete começou. Também não sei o nome. Enquanto ela passa, me atualizo sobre os acontecimentos do dia. Em portais, blogs e redes sociais.

Meu Deus, perdi a hora de colocar o filho menor pra dormir. Faz xixi, escova os dentes, inspeciona a limpeza, prepara o material e uniforme pro dia seguinte. Um pouco de carinho nas costas, muitos beijos, oração e....menos um filho. Um dia quase no fim. Falta ouvir as histórias da filha, bate-papo de meninas. Ela também dorme.

Melhor um banho básico pra relaxar o corpo. Marido chega. Desço de novo. As botas longas já não fecham nas panturrilhas. Haja músculos. Acompanho-o no jantar. Conversamos um pouco. Subimos. Tenho meu momento de solidão e reflexão do dia enquanto ele toma banho. E o momento é longo. Ele volta, me abraça, me protege. Conversamos um pouco e adormecemos um nos braços do outro. Até que amanhã, tudo comece outra vez!


4 comentários:

  1. Você é muito organizada, Panda! Eu vivo um ritmo frenético e louco, embora precise parar algumas vezes pra me jogar na cama e não fazer nada! Adoro não fazer nada! O meu problema é que não consigo me organizar, se faço lista "to do", perco a dita cuja antes de fazer o segundo tópico!
    Vida boa essa de burguesa, hein?
    Bjooo

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  2. Me ensina como ser organizada assim?? Please??

    Preciso muito!
    Bom, esta vida de burguesa é boa mesmo, né amiga? rss

    E que toda esta sua determinação permaneça até o fim da vida! Que tenhas tudo isso e mais um pouco! Afinal, o que é adquirido com o suor, com o trabalho do dia-a-dia... é mais que merecedor!

    Beijo no teu coração!

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  3. Linda vida e rotina! Ter a bênção de ter e poder fazer tudo isso e ainda terminar deliciosamente nos braços do marido não tem preço.
    Tudo isso já é retorno das coisas boas que vcs construíram e comstruirão.
    Parabéns!

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  4. Gente, nao é organização não....é excesso de trabalho mesmo!!!!!! Beijo nas duas!!!!

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