sábado, 22 de junho de 2013

Sobre Países

É a primeira vez que participo das chamadas "blogagens coletivas". Em minha opinião, a grande maioria não passam de "bobagens coletivas". A única que já vi, e que o tema me chama a atenção, é o proposto pela Rita, lá do Canadá, do Blog Botõezinhos, que propõe todo final de semana que as blogueiras contem suas pequenas felicidades. Muita gente capta o espírito da coisa, mas eu leio tanta coisa "nada a ver com nada", que acabei nunca participando.'

Quando vi no grupo de blogueiras a proposta da Deza, o tema me encantou na hora. Afinal, sou apaixonada por países.

Minha paixão vem de bem pequena. Venho de uma infância muito pobre. Hoje, no Brasil, existe uma acessibilidade maior de as pessoas viajarem. Entretanto, quando eu era criança, jamais imaginava que meu dia chegaria.

Meu tio paterno mais velho era quase um andarilho, e vivia pelo mundo. Suas chegadas ao Brasil eram como eventos. Ele era uma espécie de "rei" para nós. Nunca esqueço-me do dia em que ele esteve na Flórida e trouxe-nos presentes "made in Flórida". Quanta felicidade.

Fui crescendo e o desejo latente de sair do Brasil crescia comigo. Comecei a trabalhar muito cedo, me empenhando muito no trabalho, e quanto mais o tempo passava, mais eu tinha a certeza de que eu cruzaria alguma fronteira. Minha primeira vez foi em 1998, aos 23 anos.

Estava no trabalho e minha chefe me disse: "vamos para a Argentina passar uma semana?". Nós duas, juntas? E quem vai ficar aqui? E como vamos pagar esta viagem (duas durangas)? Quanto custa? Nossa, eram tantas perguntas. Ela me disse que viajaríamos em uma semana de feriado de Corpus Christie, o escritório emendaria toda a semana, pois o feriado cairia na quarta-feira (este esquema é muito comum em consultorias). Logo, poderíamos viajar as duas. A agência que atendia a empresa nos faria um bom desconto, o dólar estava com um câmbio razoável em relação à nossa moeda. Pagaríamos tudo em cinco vezes. Nem fiz as contas. Dei ok para comprar minhas passagens e fazer minha reserva no hotel. E em quinze dias partimos. A viagem foi a parte mais barata da viagem. Contraditório? É que a primeira vez, a gente quer comprar tudo. Comecei fazendo estrago no Duty Free aqui no Brasil: comprei perfumes, máquina de fotografia, óculos de sol. Lá, consumi tudo que quis, trouxe presentes. Passei muito tempo pagando tudo: a viagem, o que comprei pra levar, o que gastei no caminho e tudo o que trouxe. E não me arrependo de nada.

Minha vontade e desejo de morar fora do Brasil só aumentaram. Poderia ser para qualquer lugar do mundo e em 2004, apenas seis anos depois, surgiu esta oportunidade. Meu marido trabalha em Varejo, e foi expatriado para o Chile. Lá, vivemos por um ano e aquele país é simplesmente encantador. Não conheci muitos lugares no mundo, mas o Chile é pra mim o mais bonito do mundo. Vivi lá em alguma vida passada, não há dúvidas. Infelizmente, a filial da empresa foi vendida para uma empresa local, e de lá, fomos expatriados para Portugal. 

Apesar de termos a oportunidade de viajarmos pela Europa a preços módicos, não fomos felizes naquele país. O povo português trata muito bem turistas, mas com expatriados, que estão lá 'tirando' o lugar de um deles, o negócio é outro. Minha filha tinha apenas quatro anos, sofria bullyng na escola. As leis trabalhistas são muito engessadas, meu marido trabalhava quinze horas por dia, de domingo a domingo para conseguir dar conta do seu departamento, já que seus subordinados eram totalmente insubordinados, devido à estabilidade trabalhista. O contrato de trabalho, que era pra ser de quatro anos, foi rompido por nós em apenas um. 

Foi bom, serviu de experiência, viajamos para alguns lugares, mas as recordações que trouxemos foram das piores.

Hoje, nossa família alimenta dois sonhos: ou voltarmos a morar no Chile, com meu marido conseguindo algum trabalho no Varejo local, ou nos desfazermos dos nossos bens, e vivermos no Canadá. A sorte que tenho é que casei com um homem tão borboleta quanto eu, e sabe que este mundo é grande demais para ficarmos parados em um único lugar!

7 comentários:

  1. Pois é Ursula, tudo começa com o sonho,com a vontade e pra ti as coisas foram acontecendo. Te aproximaste de pessoas tão "borboletas" quanto tu. É claro que borboletear com filhos já não é tão fácil mas não é impossível. Recomeça-se voando mais baixo. Pena que não tenhas publicado algumas fotos. Fica pra próxima viagem, né! Bjim!

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  2. Pandinha, obrigada pela postagem. Bem interessante.
    Quem é Deza?
    Bom domingo.
    Beijos.

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  3. Borboletear, pra mim, no momento, só a turismo. Não tenho mais crianças, mas tenho pais idosos...
    Não conheço o Chile, mas moraria no Uruguay facinho, facinho...
    Isso não significa que não amo o Brasil, que fique bem claro!

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  5. Ótimo relato!
    Conheço Argentina e Chile...
    Mas não conheço Portugal
    Sonhos! Planos!
    bj
    Sandra
    #projetandopessoas
    www.projetandopessoas.com.br
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  6. Bahhh muito bom post, me identifiquei na primeira frase sobre as bobagens coletivas, penso exatemente como tu. Aí lendo e me encantando com a primeira viagem pra Buenos Aires, ter vivido no Chile (não conheço, mas sou louca pra conhecer) e aí quando falou de Portugal a coisa foi de identificação imediata, como siamesas rsrrs..Vivi lá por quase 2 anos e foi o lugar onde mais senti preconceito, impressionante, de pessoas conhecidas nao te chamarem pelo nome, mas por 'a brasileira' nao gostei..mas infelizmente foi lá que comprei um terreno e é o lugar onde meu marido nasceu (o mais brasileiro dos portugueses) rsrsr
    Hoje moramos na Irlanda e amamamos...adoro o povo, o clima as vezes enche o saco de tanta chuva, mas me lembro do calor e mudo de idéia rsrs
    Beijinhos
    Sheila
    http://www.vidasuculenta.blogspot.ie/

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  7. Olá, querida
    Também morei fora por duas vezes e trouxe boas e más recordações... tudo na vida tem os dois lados, como vc postou...
    Bjm de paz e bem

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