terça-feira, 11 de junho de 2013

Sobre o "Sabor de Maboque" (post atualizado com a nacionalidade correta da autora)


Há alguns anos, descobri uma escritora Angolana, através de uma comunicade de blogueiros, que escreveu um livro que leva o título deste email. A família dela saiu da colônia portuguesa quando ela ainda era muito criança, indo viver em Portugal, mas terminaram todos no Brasil.

Adulta, ela tem a oportunidade de voltar à sua terra Natal e seu desejo é apenas um: saborear aquela frutinha que marcou sua infância - o maboque.

Para mim, a infância é um período que trabalha os cinco sentidos, mas infância de filhos de mineiros é altamente palativa.

Ontem dormi oito horas da noite. crise de enxaqueca, sono desregulado. Levantei-me onze da noite para pegar água gelada. Ao descer as escadas, encontro marido sentado no sofá terminando de jantar. Ele imediatamente se levanta e me acompanha até a cozinha. Lá, valiosos presentes me esperavan.
A pessoa que presenteia alguém sempre tem boas intenções, mas jamais saberá o que realmente causou na pessoa presenteada. Confesso que não contive a emoção ao ver ali, na minha mesa de jantar, tantas espécies de "maboque". As lágrimas desceram sem que eu as pudesse conter.

Há seis anos, meu pai teve um enfarte fulminante. Morava em Minas, sua terra natal. Cuidava deuma tia doente. Alimentou-a. O "moço do queijo" passou e ele pediu duas peças para o dia seguinte. Eram 14h. Às 15, ele faleceu. No dia seguinte, após o sepultamento, estávamos todos na casa da matriarca da família, minha bisavó, e onde meu pai morava, e ao meio-dia o "moço do queijo" veio trazer as duas peças de queijo encomendadas. Estranhou a quantidade de gente e desmaiou quando soube do acontecido. Trouxemos aquelas duas peças de queijo, e viemos dentro do ônibus, meus irmãos e eu, com a última recordação do meu pai.

Receber estas peças de queijo foi como receber algo enviado por meu pai, direto da terra dele, de alguma forma.

Só quem é de família mineira consegue entender este vínculo forte com a família e com as raízes.

Para mim, foi o melhor presente de aniversário de todos os tempos.

* meus "maboques", queijos e doces mineiros, foram ofertados pelo Leandro, que integra a equipe do meu marido Toruboi na empresa, e que vez ou outra aparece com deliciosas gordices para alegrar meus dias!

6 comentários:

  1. Esse tipo de texto me deixa muito emocionada e me faz pensar em como tenho muitos maboques de infancia.
    Pudim de leite feito pela minha mãe, bolinhas de carne moída que naquela época eu nem sabia que se chamavam porpetas.

    Tapioca que eu amo tanto.
    O incrível que isso me remete a sensação de felicidade, mas eu não tive uma infância feliz, tanto que não me lembro de quase nada bom ou feliz daquela época. Talvez essas comidas me deram os momentos de felicidade da infância e fazem com que eu me sinta feliz sempre que as lembranças desses sabores vem a tona.

    Bjks querida.

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  2. Bom dia Panda! Eu tenho alguns maboques também. Mas qdo li seu post me lembrei de um em especial: quiabo.
    Beijão

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  3. Meu maboque: sonho. Minha vô fazia e todos os netos participavam. Ela esticava a massa e a gente apertava copos de geléia nela para dar a forma. Claro que nunca mais comi sonhos como aquele, com gosto de infância.

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  4. Meninas, que gostoso saber que todos temos memórias palativas. Lolinha, se a lembrança das comidas é boa, é um pedaço de felicidade que está no seu consciente! Significa que nem tudo foi ruim. Dani, claro, filha de mineiro, quiabo também é um maboque pra mim. Ritinha, sonho? Sonhei agora com ele....nunca conheci quem o fizesse....que delícia de maboque heim?

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  5. Querida Pandinha!
    Hoje pesquisando na net com a palavra chave Sabor de Maboque "caí" no seu blogue. Não imagina o "maboque" com que me presenteou, ao perceber o quanto entendeu e sentiu de meu livro e a interessante atribuição que deu ao termo, empossando-o de um significado mágico de desejo, mas não de um simples querer e sim do resgate de algo que emocionalmente lhe traz muito prazer e conforto.
    Muito obrigada
    PS- só uma correção, sou angolana... :)

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  6. Dulce, querida! Que prazer tê-la aqui! Pois é! "sabor de maboque" é tão primoroso para mim, que me apropriei para sempre citar algo que me remeta à felicidade! Mil perdões pelo erro. Amanhã, pelo computador, faço a correção! Um enorme beijo!

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