segunda-feira, 10 de junho de 2013

Sobre "Bandeiras"

O que eu tinha para escrever hoje, na verdade, não tem nada a ver com o que escreverei. Ontem, quando fui tomar o remédio para dormir, ele se esfarelou todo, e como há três semanas houve um corte radical de 50% exatamente neste remédio, às quatro da matina eu estava ainda acordada. Naquela altura, a cabeça já doia: de rezar, de contar carneirinhos, de pensar na vida.

Acordei seis e meia pra mandar filhotinho Hummel pra escola, tomei dois gramas de Novalgina, um Dramim, um Profenid e...desmaiei. Dormi até as onze e meia e levantei com a casa num verdadeiro caos, varejão pra fazer, roupas pra lavar, almoço. Mas sem dor.

Introdução feita, venho dizer que eu jamais consigo fazer uma coisa apenas por vez. Não rola comigo. Perco a concentração. Começo dez e termino as dez coisas. E entre um lixo pra fora, guardação de bagunças, comida e lavagem de roupas, vou me atualizando na blogsfera e me deparo com uma mãe vivendo a situação que vivi um ano atrás.

Ela mora com a família (marido e filhos na mesma idade dos meus, só que o menino, são dois lá) e decidiu deixar todo o conforto e luxo de um condomínio clube, priorizando os valores educacionais da família. Quando terminei o texto, respirei fundo. Não estou sozinha no mundo.

Tem gente que vai achar que tenho levantado bandeira contra mulher-mãe que trabalha fora. Longe de mim. Respeito a opção das pessoas e não levanto bandeiras, sequer políticas ou de times.

O que eu tenho enfatizado é a minha prioridade de vida em educar meus filhos. Em deixar melhores filhos para o mundo. Morava em um lugar no qual muitos filhos eram terceirizados. Onde me cansei de ver funcionários do condomínio, ganhando seus miseráveis salários, serem maltratados pelo novo rico. Vendo meninas de onze anos mostrando calcinhas para os meninos. Vi esta cena algumas vezes, debaixo da minha janela. Isto era a maioria? Nunca mensurei, mas eram muitos filhos terceirizados, e os  que não eram, tinham educação bem diferente da que idealizo e luto pra dar aos meus filhos.

De que me adiantavam quatro piscinas, lan house, salões de festas, de jogos, ateliê de pintura, espaços e mais espaços de lazer, se meus filhos pouco se interessavam por aquilo?

Mudamos. De casa, não de ideais. Hoje moramos em um condomínio de apenas vinte casas e demos a tremenda sorte de ter, em grande parte delas, crianças na idade dos meus filhos. Hoje, vejo-os felizes, porque eu sou capaz de passar a felicidade que sinto. Aqui, ninguém cuida de filho de ninguém. As mães gritam os nomes dos filhos com horário marcado no relógio, pra comer, tomar banho. Exigem respeito porque ensinam a respeitar. Aqui, apesar de ser um imóvel que custa mais que o dobro do que onde morávamos, não existe o novo rico. Existe berço. Ninguém ostenta, todos respeitam.

No fundo, acho que levanto, sim, uma bandeira: a de um futuro com filhos melhores para o mundo!


7 comentários:

  1. Pandinha, espero de verdade ter a mesma sorte que vc!

    Nossa prioridade era prédio de rua, não condomínio, mas como ando muito sozinha com as crianças, acabei me rendendo ao condomeinio pela segurança. Porém, este é bem menor, são 4 blocos com 3 andares cada!

    Aqui são 3, com 1 andares cada, ou seja, a probabilidade é bem menor! Tb priorizei levar toda a "estrutura" para DENTRO de casa, ou seja, espaço, lazer, onde eles poderão jogar bola sob meus olhos, e escolher os amigos que irão fazer parte da bricnadeira. Diferente daqui, que para não prendê-los dentro de casa, acabo liberando e dá no que dá.

    A questão e TENTAR e não temer MUDAR!

    Obrigada pelo apoio minha linda!

    Grande beijo!

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  2. Desse mal na consciência eu não morro!
    Consegui educar bem meus filhotes exatamente por trabalhar fora: na escola deles! Eu trocava meu trabalho lá pelas bolsas para eles. Então matava dois coelhos com uma paulada só: dava uma boa escola e ainda ficava por perto!
    Quanto a morar, quem mora na Capitania de São Jorge dos Ilhéus não precisa de condomínio.... já está num condomínio! huahuahahua
    Beijo, querida!

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  3. Ai Mari, foi com muita alegria q li seu post. Foi tipo: NÃO SOU UM E.T., MAS SE FOR, NÃO ESTOU SOZINHA! Bjs

    Belzinha, vc teve um gd privilégio. Eu tive esta oportunidade, mas teria de lecionar duas materias pra Isa e achei conflituoso. Mas o saldo final é positivo!!!! Bjs

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  4. Todas as fases são necessárias, ate para vc poder chegar a esta conclusao teve q se "desiludir" com o cãodominio cheio de lazer.. e que bom q vc achou o lugar perfeito p os pequenos... isso é otimo mesmo. CAda um fazendo o q pode ser melhor p si e p os seus, ne
    Bjs

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  5. Olha que coincidência... resolvi olhar seu blog (depois de muito tempo) na esperança de te ler novamente e voalá! Estás de volta!

    Nós conversamos por e-mail, muito tempo atrás... talvez vc não se lembre...

    Me identifiquei nessa parte onde vc diz "cuidar dos filhos dos outros", isso acontece comigo aqui no prédio de vez em quando, morro de dó de ver criança pequena passando perigo, aff... Minha mãe já me disse pra me preocupar só com a minha filha, mas eu tenho coração mole...

    Minha filha ainda não encontrou nenhuma amiguinha pra fazer amizade por aqui (aqui tem muito menino). As poucas meninas que tem (um pouco mais velhas do que a minha) formaram uma panelinha, chegam a ser antipáticas e são bem mais "adultas" do que a minha filha (que é criança total, como eu acho que deveria ser)

    Seu post me fez refletir muito! Obrigada!

    Lena

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  6. Rosaria, encontrei o paraíso. Conheci MUITA gente boa onde morei. mas definitivamente, não era minha tribo! Viva a paz! Beijos querida

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  7. Lena, claro que me lembro de ti...faz tempo né? Olha, minha filha tentou fazer amigas. Infelizmente, qd estávamos às vésperas de nos mudarmos, duas amigas da escola dela se mudaram para o condomínio. Aí, já era tarde. O pequeno brincava com todo mundo, mas me preocupavam os valores de algumas das famílias. Nunca generalizando. Mas eu tive filhos para deixá-los melhor para o mundo, então, mudar foi uma decisão, e hoje, uma sábia decisão! Beijo grande e boa sorte pra ti! Sua pequena está bem na escola?

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