terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Sobre leitura

A brincadeira começou no Facebook. Alguém teve a ideia, que foi se espalhando, até que chegou até mim através da Adri Magre, que deixou a vontade para quem quisesse participar.

O "desafio" é escolher os vinte livros que marcaram sua vida, ou os seus preferidos. Na minha prolixidade, seria impossível citar vinte livros sem dizer o porquê de cada um ter me marcado.

Será possível perceber a minha relação forte com o mundo real, no que tange a leitura. Minhas obras prediletas são, em grande parte, biografias ou histórias reais (saudades de quando dizer "história real" era pleonasmo vicioso).

Seria fácil colocar aqui grandes clássicos da literatura mundial, os quais somos obrigados a ler no Ensino Médio, e eu ainda li e trabalhei a análise literária de muitos deles durante o curso de Letras. Mas citar clássicos, para quem não me conhece, me soa meio pernóstico. Logo, preferi partir para o mundo mais desconhecido, lúdico ou menos popular.

A ordem é aleatória, e em alguns casos não consigo citar uma única obra, mas sim, o autor de coletâneas. Então segue minha pequena e singela lista:

1. Marcelo, martelo, marmelo - Ruth Rocha: esta obra é um clássico da literatura infanto-juvenil. Muito interessante a forma com a qual a autora aborda o signo linguístico, o significado e o significante e a arbitrariedade do signo. Os objetos recebem nomes sem que eles tenham qualquer ligação com o nome. Indico para estudantes de Letras.

2. Emília no País da Gramática - Monteiro Lobato: escolher vinte obras sem citar Lobato é quase uma heresia. Nesta genial obra - para mim a melhor de todas dele - a personagem título faz uma viagem pela Língua Portuguesa e ensina de forma lúdica nuances da nossa complexa língua que muitos professores não são capazes de passar aos seus alunos.

3. Feliz Ano Velho - Marcelo Rubens Paiva: li este livro aos treze anos. E desde então, há citações deste jornalista que são tão fortes que marcam minha vida desde então. Leitura imprescindível para se compreender que "...a vida dura poucos segundos..." (MRP)

4. Mistério do Trem Azul - Agatha Christie: também fui apresentada para a rainha do mistério por volta dos doze, treze anos. Um dia, meu pai chegou com o livro e disse-me: "filha, acho que você gostará deste livro. Bingo. Não só gostei, como me tornei uma aficcionada pela escritora, colecionando toda a sua obra e lendo cada um dos exemplares, os quais me desfiz de quase todos há um ano, para que outras pessoas pudessem sentir o prazer que tive.

5. Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro de Vasconcelos: obra única. Foi minha primeira literatura de "adulto". Havíamos acabado de nos mudar para a Zona Norte. Conheci uma vizinha cuja filha tinha a mesma idade da minha irmã e passei a frequentar sua casa. Um dia, encontrei o livro na estante e me interessei. Tinha nove anos. Há trinta, ainda choro, tanto para assistir ao filme, quanto quando releio o livro. Leitura incansável e para a vida. Eu tinha nove anos.

6. Milagre nos Andes - Nando Parrado: nasci e cresci em uma casa de pais que liam muito. Não sei por qual motivo, me identificava mais com os gostos do meu pai. A história dos jovens uruguaios que sobreviveram a um acidente de avião, comendo carne humana e vivendo em flagelo total, emociona a qualquer pessoa que tenha sentimento. 

7. O Diário de Anne Frank - Anne Frank: é impossível não se desesperar com a história desta jovem que consegue se salvar da maior atrocidade que ocorreu na humanidade: a tentativa de extermínio de todo um povo, em plena uma guerra que dizimou um número de pessoas que até hoje gera controvérsias, mas foram milhões e milhões delas.

8. Vale Tudo - Nelson Mota: uma biografia do Grande Tim Maia, escrita de forma gostosa e irônica pelo autor, tal qual foi a vida do "síndico". Depois de ler, ouvi em audiobook e mesmo conhecendo a história e sabendo que o personagem morria no final, chorei, no meio da rua, quando Mota narrou: "e morria o gordinho mais famoso do Brasil...".

9. O Escafandro e a Borboleta - Jean-Dominique Bauby: esta obra foi escrita apenas com o piscar de um único olho. Após sofrer um AVC, Jean desenvolve esclerose lateral e perde todos os movimentos do corpo, exceto do olho, salvo engano, esquerdo. Assim, uma profissional da saúde na França desenvolve um alfabeto, que ela vai falando e ele pisca o olho quando deseja aquela letra. Uma história para chorar e repensar nossas vidas, assim como....

10. A Lição Final - Randy Pausch: professor e pai de três filhos, descobre um câncer e a sentença de morte. Ele aproveita o tempo que lhe resta para viver intensamente tudo que não viveu durante os outros anos. Comovente, triste, forte, encorajador!

11. Eu, Malika Oufkir, a prisioneira do rei - Malika Oufkir: seria pretencioso da minha parte tentar escrever algo sobre esta obra. Então deixo aqui o link da wikipedia e, se alguém se interessar, fica a linda dica: http://pt.wikipedia.org/wiki/Malika_Oufkir

12. "Animal Farm" - George Orwell: ganhei este livro em 1995, da minha chefe, em língua original. É uma obra atemporal, que mostra a sociedade antes da Primeira Guerra e podemos transportar tudo para a sociedade de hoje. "...todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros...'. Como sempre digo, quer conhecer alguém? Dê-lhe poder!

13. Abusado - O dono do Morro Santa Marta - Caco Barcellos: meu irmão me emprestou este livro e eu morava em Portugal. Certo dia, mandei-lhe um email, perguntando a ele se era normal eu estar do lado dos bandidos e torcer para que eles tivessem um final feliz. Muito sábio, ele me respondeu que a intenção do seu colega de trabalho era exatamente levar aos leitores esta sensação. Conseguiu. E com esplendor!

14. Rainha Noor - Memórias de uma vida inesperada: a biografia da ex-Rainha da Jordânia nos leva a conhecer um pouco mais deste universo tão distante do nosso, que é o Oriente Médio. Gostei tanto deste livro, que emprestei para uma amiga e não o tive de volta. Comprei de novo, emprestei de novo, e mais uma vez perdi. Comprei-o pela terceira vez e nunca mais o emprestarei.

15. As margens do Rio Pietra, eu sentei e chorei - Paulo Coelho: apesar de muita gente achar brega ler Paulo Coelho, confesso que há anos busco entender tal rejeição a um dos autores mais lidos do mundo. Li quase toda a sua obra. As últimas não me causaram grande interesse. Contudo, este livro em particular faz parte daqueles livros que vou ler e reler ao longo da vida.

16. "A Christmas Carol" - Charles Dickens: há quem considere "Oliver Twist" a obra prima de Dickens. Porém, a história do velho Scrooge e todas as lições apresentadas neste clássico, são dignas de serem apresentadas a todas as gerações, sendo a releitura obrigatória e principalmente é preciso assistir ao filme, "Os Fantasmas de Scrooge", que leva toda a história para a telona.

17. O Velho e o Mar - Ernest Hemingway: neste clássico da literatura mundial, o autor consegue levar aos leitores uma fantástica história de persistência e superação. Bom para reler de tempos em tempos.

18. O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson: para mim, esta obra mostra de forma clara e verdadeira os dois lados que todo ser humano apresenta. Ninguém é o tempo todo bom. Ninguém é o tempo todo mal. Mas todos nós temos os dois lados, mesmo que um deles se manifeste apenas uma única vez na vida...

19. Marian Keys e toda a sua obra: nada melhor que um romance "mamão com açúcar" para passar o tempo. Assim são os livros da escritora irlandesa, que usa praticamente o mesmo "script" para todos os livros. Uma delícia de se ler quando não queremos pensar em nada.

20. Paulo Freire e toda a sua obra: quem conhece uma obra deste autor, se apaixona pela educação. Mas como nem tudo são flores, ao ler a próxima, e a próxima e a próxima obra, começamos a nos questionar: se é tão fácil e está tudo escrito, por que nada é colocado em prática? Por quê?

E se você acreditou que eu me contentaria com vinte obras, já foi enganado até aqui. Para a enganação ser completa, fecho com um cara que acho excepcional:

21. Margos Bagno: é inútil citar uma única obra do doutor Bagno. Seu conhecimento linguístico e sua humildade ao narrar que as diferenças não podem ser consideradas erros, leva o indivíduo comum pensar na sua arrogância e prepotência quando julga a linguagem falada e escrita de outro indivíduo. Apesar de contemplar toda a sua bibliografia, tenho como preferido o livro "A língua de Eulália".

Se você chegou até aqui, merece todo o meu respeito, consideração e mais vinte e uma indicações. Quer?

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sobre a morte do Madiba e sobre o espírito de Natal

Decepção não seria a palavra. Indignação, tampouco. Vivemos em um mundo egoísta, individualista, no qual a maior preocupação é com o “eu”. Esta máxima tão ouvida por tantos, mas que poucos fazem algo para mudar, ficou clara para mim ontem, após o anúncio de um dos maiores líderes que a História mundial já teve: Nelson Mandela.

Com total respeito a cada opinião emitida (todos têm direito de expressar o que sente, sem julgamentos), e não me refiro, aqui, a crianças ou adolescentes. Refiro-me a pessoas adultas, cultas, entendidas, preparadas (?) para expressar opiniões congruentes com seus “perfis” pessoais e ajudar a espalhar aos menos favorecidos de conhecimento, quem foi e o que representou a figura de Mandela.

A mim, não cabe dizer quem ele foi. Não tenho conhecimento o suficiente e vocabulário para contar sobre as décadas de luta incansável de um homem pela igualdade de raças.

A segregação existe em todo lugar. Quando se fala em raça, não se cita raça negra – ou mais politicamente afrodescendente – mas sim, toda e qualquer raça que hoje, no ano de 2013 depois de Cristo, ainda guerreia por poder, por terras, por vaidade.

Mandela manteve sua simplicidade durante toda uma vida. E deixa ao mundo um legado de que é possível. Tudo que queremos é possível. Basta persistir, lutar e acreditar.

Em tempos de Natal, no país Cristão que é o Brasil – mesmo que a Constituição Federal pregue um Estado Laico – pessoas esquecem-se do propósito de Cristo: pregar a igualdade, o amor ao próximo e a ajuda aos necessitados.

Enquanto a cidade em que vivo – São Paulo – fica intransitável por conta da corrida exacerbada pelo consumo, vejo instituições sociais que cuidam de idosos, crianças carentes, deficientes físicos que são abandonados pelos pais por não acreditarem ser capazes de criar seus filhos – e poderia citar muitos outros casos – abandonados, a ver navios, contando com as poucas e restritas contribuições que chegam da mesma forma em qualquer mês do ano. E em vários lares cristãos, serão trocadas dezenas de presentes, haverá mesas fartas, com tanta comida que pessoas passarão mal no dia seguinte, como se só existissem no ano dois dias para se comer. Fica a minha pergunta: quais são os seus valores de vida?

Cresci em uma família que sempre comemorou o Natal. As recordações que tenho de infância jamais serão sentidas por meus filhos, pois a forma a qual decidimos incutir esta data na memória deles, foi de um dia de reflexão, de oração, de pedir pelos necessitados e principalmente, de agradecer por todo o privilégio que temos, por nossos corpos físicos perfeitos, pela cama quente e pelo alimento sagrado que temos diariamente. Mas tal gesto não faz parte do nosso ritual apenas na noite de Natal, dia simbólico para comemorar o nascimento de Jesus. Semanalmente, unimo-nos os quatro para mostrar gratidão por mais uma semana de vitórias e pedir paz e saúde para a próxima, não apenas a nós, como a todos os nossos irmãos.

Que mais pessoas possam seguir os exemplos de grandes homens: mais amor ao próximo!


Descanse em paz, Grande Homem!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sobre o pagamento que recebi por meus trabalhos

Alguns ciclos da vida se encerram, para que outros possam surgir

Bibizoca não foi a melhor e nem a puor aluna até o sexo ano, quando a escola mudou o sistema de ensino e precisei mudá-la de escola. O fato de estar adiantada um ano afeta muito o desenvolvimento da criança nesta mudança, do Fundamental I para o II.

No período em que esteve na outra escola, dois anos e meio, foi um tempo de provações em minha vida. A coordenação, a direção da escola e a terapeuta fizeram tudo que tinham ao seu alcance para que ela se enquadrasse em um padrão "normal" como os outros colegas. Entretanto, foram notas baixas, advertência, suspnsão e a minha sorte é que ela nunca foi pra conselho de classe. Assim, aos trancos e barrancos, chegou ao nono ano. Desde a saída da escola no sexto ano, alimentava o sonho de voltar.

Admito que não foi a vontade dela que nos fez volta-la à escola anterior. Discordávamos do modo como a escola em que ela estava fazia o rito de passagem do Ensino Fundamental para o Médio: com uma viagem para a Disney, a qual nem 10% dos alunos formandos participariam (dados da Diretora).

Unimos o útil ao agradável: ela teve que escrever de próprio punho uma declaração, comprometendo-se a estudar e entrar no ritmo da escola anterior, na qual os colegas estavam bem a sua frente.

Para nossa surpresa, e muito grata, a chave dela virou. Ela terminou o ano com CATORZE notas dez. Gabaritou em prova de física, matéria que, junto com química, nunca tinha tido contato. Ganhou concurso literário e seu soneto foi publicado em um livro. Ela, a aluna mais nova da sala, foi se superando. No segundo semestre, inúmeras as vezes em que ela me ligava pedindo pra ficar a tarde na escola ajudando as amigas.

Em maio, ela atingiu a segunda escala para bolsa de estudos em um dos melhores colégios para Ensino Médio no Brasil. Matriculamos-na, contudo, viria os desafios das escolas técnicas.

Durante esta semana, passei mal e sofri horrores. Ela quer muito fazer Edificações e este querer está naquela lista de coisas que o dinheiro não paga. Fizemos um combinado: ela teria uma semana com sono e alimentação equilibrados, comeria chocolate todos os dias para acalmar-se, mas iria estudar. E lá foi ela, com matérias do sexto até o nono ano, estudando e ralando.

Meu maior sofrimento era a culpa de não tê-la, junto com vários amigos, colocado-a para fazer cursinho preparatório. E ela jogava na minha cara que, se não entrasse, é porque não tinha frequentado o cursinho.

Hoje foi o dia da prova. Nem sei o que vai ser de mim quando chegar a hora do vestibular. Tensionei cabeça, corpo e alma em grau mil. A surpresa veio, após as dezoito horas, com a divulgação do gabarito: ela pegou segundo lugar na turma dela, passando os colegas que fizeram cursinho e cursaram todo o ciclo em uma escola mais puxada.

Não há nota de corte, uma vez que esta se estipula de acordo com as colocações gerais. Independente do resultado, para nós, ela saiu vitoriosa.

Peteleco nem há muito o que dizer. Teve médias finais DEZ em: Geografia, Português, História, Ciências, Inglês, Matemática e Alemão, e recebeu nos três trimestres um "carimbo" por ser dos melhores alunos da sala. Sua professora o elogiou o ano todo, disse que seu raciocínio está sempre a frente do que ela vai explicar e ele é um aluno nota dez.

Vários dias me deprimo por estar em casa, sem trabalho remunerado, sentindo-me menor que outras mulheres. Porém, é nesta época do ano que recebo, com juros e correções, por todo o esforço e amor dispendido em um ano.

Orgulho master das minhas crias!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Sobre o surgimento da vida

A vida se renova a cada segundo. Respiramos e...renovamos. A cada respiração, há que existir a consciência de que aquele já é um momento passado, não volta. Quantos momentos deixamos passar, sem perceber ao longo da vida?

Infelizmente, na correria cotidiana, não somos mais capazes sequer de prestar atenção nesta respiração, quem dirá outras coisas que existem ao nosso redor.

Apesar desta grandeza da renovação de segundo em segundo, existe uma forma de renovação que é uma dádiva, o maior presente que pode existir na vida é a chegada de uma criança.

Não sei quantas pessoas já pararam para pensar na chegada de um bebê. Sempre que converso com amigas grávidas, que reclamam da fome, do cansaço, do mal humor, explico-lhes que seus organismos estão trabalhando incessantemente para formar um novo ser, que virá ao mundo com perfeição, com órgãos que funcionam, com todas as partes necessárias para se viver, e que somos nós, as mulheres grávidas, quem estamos fazendo todo este trabalho. Isto é mais que grande. É o milagre da vida.

Há onze anos, minha amiga ficou grávida. Chorei quando soube. Chorei não de emoção, mas pela forma com a qual fiquei sabendo: através de uma colega dela de faculdade que morava no mesmo condomínio que eu. Chorei de tristeza por ela ter sido a primeira pessoa a participar da minha gestação, e eu saber da dela assim, no elevador. Logo depois, fiquei grávida também, nos encontramos, ela já estava bem barriguda, eu em começo de gestação. A minha não vingou e o bebê dela nasceu. Soube através de outra amiga em comum que estava tudo bem. Em seguida, fui morar fora do Brasil e nos reencontramos quando voltei. 

O bebê dela já era um pequeno homenzinho lindo, e mais lindo ainda era o nome dele, Leonardo, o mesmo nome que sempre quis para meu filho. Pouco tempo depois, estava eu grávida esperando meu Leonardo.

Esta amizade dura um quarto de século. Ninguém nos entende. Quantas vezes ficamos sem nos falar e quantas vezes vivemos dependentes uma da outra. E de bem ou de mal, sempre estivemos presentes na vida uma da outra, não na alegria, mas nas mais profundas tristezas que um indivíduo pode viver, aquela tristeza que nos mata e nos leva ao mais fundo que um poço possa existir.

Não precisamos de palavras para conversar. Sabemos o que estamos pensando, porque pensamos juntas. Somos Pink e Cérebro. Nossas inteligências nos completam e nossas diferenças somam na relação. Eu sou a parte certinha da história e quero matá-la por sua falta de responsabilidade. Ela é a parte que vive a vida naquele momento e com certeza deseja me matar por meu excesso de comprometimento e por levar tudo tão a sério. E o que são relações, senão algo que um ser completa o outro?

Sei que nossa amizade vai durar para sempre. Estando de bem ou de mal, com infantilidades ou maturidades, estaremos juntas. Espero que mais nos momentos de alegria e menos nos de tristeza.

A alegria de hoje veio quando soube que ela será mãe de novo. Vem uma nova criancinha por aí. Saber que agora estamos tão perto fisicamente, e que poderei viver ao lado dela tudo que não vivi quando o Léo foi gerado. Saber que seus dois filhos, apesar de pais diferentes, são filhos de grandes homens, que seguem a risca o significado de “ser homem, ser pai”.

Estou feliz, emocionada, e aguardando com muito amor e ansiedade a chegada deste nosso bebê que está chegando!

Parabéns, Fê e Fá! 


domingo, 10 de novembro de 2013

Sobre o Aniversário do Peteleco

Desejamos o segundo filho da mesma maneira que todo bom glutão sonha em comer tudo que gosta sem engordar. E ele demorou para vir.

Então fui ao médico que me disse que eu não engravidaria e me recomendou um tratamento de um ano. E eu engravidei.

Então sonhava muito com uma menina que fosse companheira da minha menina, que eu pudesse usar lindos vestidos, muitos laços na cabeça, todos os sapatos de verniz de todos os modelos e cores. E ela não veio. Ali começava, para mim, um grande drama.

Nunca pensei em ser mãe de um menino. Nunca entendi como as mães de meninos gostavam de seus filhos. Era como se meninos fossem algo anexo aos seres humanos. Como eu conseguiria amar aquela criança? Passei meses me perguntando.

Deitava ao chão da cama da minha filha e chorava. O amor por ela era tão forte e inexplicável, que não imaginaria dividi-lo com ninguém. Muito menos....com um menino.

Então chegou o dia em que o menino viria ao mundo. E foi uma gravidez tão complicada, que a minha única certeza na vida era a de que eu jamais pararia de vomitar e passar mal.

De repente, ouço o choro e o marido chegando com....o menino. Foi amor a primeira vista. Foi uma sensação indescritível ter aquele ser tão gordinho e perfeito ao meu lado.

Nem sei dizer se o amei mesmo naquele momento. Acredito que, na verdade, Peteleco conquistou o meu amor. Mas não levou muito tempo. No terceiro dia de nascimento, quando tive alta médica, fui avisada de que apenas eu voltaria para casa. Meu menino ficaria para mais um dia de banho de luz. Aquela foi uma das sete vidas, que economizava há trinta e um anos, embora. A segunda foi aos sete meses dele, quando, com suspeita de meningite, precisou tirar líquido da espinha. E foi uma morte cruel. A terceira, quando perdi meu pai. Posto isto, ainda tenho quatro vidas para gastar até os noventa e dois anos.

Então o menino Peteleco foi crescendo. Cativando cada professor. Cativando cada amigo. Cativando todas as pessoas. Era com gratidão que eu esperava o fim de cada reunião escolar, quando as professoras sempre pediam para falar comigo e diziam que ele era o melhor aluno da sala, que era inteligente, amigo, companheiro, obediente, enfim, tantos predicados que já ouvi, que não cabe ficar aqui elencando.

Quanto mais o menino foi crescendo, maior ele foi se tornando. Não de tamanho. Mas como ser humano. 

Ele é amigo dos fracos e oprimidos. Acolhe todos os amigos novos que chegam na escola. É um bebezão, que acredita em contos de fadas, duendes, Papai Noel, Coelho da Páscoa e ainda acha, aos oito anos, que nasceu de um pedaço de carne que comi.

Ser mãe de menino é algo que só quem é pode explicar. É você poder contar com um amor puro, sincero e infinito. Com alguém que te idolatra incondicionalmente. Que te acha perfeita o tempo todo. Além de tudo isto, ainda dei a sorte de ter um menino índigo, que me respeita, me obedece, chora quando faz coisa errada e pede perdão por ter me magoado.

Foi assim, há oito anos, que me tornei uma pessoa completa, desde que meu menino veio ao mundo para fazer da nossa família, a família do comercial de margarina.

Meu Peteleco, meu Porcaria....mamãe ama você mais que todas as fábricas de leite condensado do mundo, mais que brigadeiro quente, mais que se hospedar em um hotel com uma cama cheia de travesseiros, mais que uma semana inteira assistindo as melhores séries. Te amo além da vida e desejo que você continue seguindo o caminho de Jesus, o caminho do bem a você e ao seu próximo, que continue orando e tendo a fé que você tem e nos ensinou a ter. Você é a nossa luz há exatos oito anos.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A "quase" volta daquela que "quase" foi

Para saber de onde começar, fui verificar onde parei. E parei no dia 27 de outubro, em um domingo, quando de lá pra cá muitas coisas aconteceram.
 
Neste dia 27, fazia um mês que havia começado o tratamento. Marido Toruboi passou o mês de outubro viajando. Foi pra Chicago, Hong Kong, China, Indonésia, Tailândia e fez o caminho de volta por todos os países, retomando no último dia do mês.
 
Na segunda-feira, dia 28, tive consulta com minha médica, que vinha do Canadá, de um congresso médico. Quando entrei no consultório, ela tinha ‘toneladas’ de papéis em mãos e disse que viajou estudando meu caso e voltou com respostas. Fez uma junta médica com outros profissionais que lá estavam e me apresentou um diagnóstico que nunca ouvi falar.
 
A me ver, ela logo disse: “viajei com você, ontem fiquei lendo seu blog para entender algumas coisas e estou surpresa!”. Questione-a sobre o porquê da surpresa e ela disse que nunca imaginou que meu blog fosse um diário, com toda a minha vida aberta ao público. Logo, começou a me contar sobre tudo.
 
No início do ano, quando ela me encaminhou ao psicoterapeuta, fiz a anamnese em duas sessões e ele pediu muito sutilmente se eu aceitava passar em uma consulta psiquiátrica. Concordei, pois não tenho problema nenhum com isto. Fui ao médico, um excelente profissional que recomendo a qualquer pessoa, fiz uma série de exames na cabeça, para saber se o tempo em que tomei anfetaminas não tinha afetado nada e todos os resultados foram negativos. Fiz testes e mais testes, que, segundo ele, são internacionais e padronizados. Ele diagnosticou mais do mesmo: transtorno de ansiedade e depressão.
 
Sempre aceitei os diagnósticos, porque só continuo em um médico quando acredito nele. No entanto, a medicação que o psiquiatra me passou foi a mesma que eu já tomava, e um remédio a mais. Questionei minha médica sobre quem me medicaria a partir de então, e ela tomou a linha de frente: “eu sou sua médica, eu cuido de você”. Confesso que senti-me segura e assim prosseguimos.
 
Na junta médica feita no Canadá e estudando todos os meus diagnósticos, ela constatou, com a ajuda dos colegas, um diagnóstico que ela achava desde o início, dois anos e pouco atrás, mas que é muito difícil de dar um parecer, pois é preciso muito estudo do paciente, e agora ela tinha material o suficiente. O que tenho chama-se Transtorno de "Borderline" e é um distúrbio de personalidade, não um distúrbio psiquiátrico, como vinha sendo tratada até então.
 
Depois saímos do consultório, fomos para a sala de exames e minha pressão estava ÓTIMA, eu estava ótima, minha tireoide melhorando e no próximo dia dezenove, terei nova consulta, onde refaremos todos os exames para saber como está todo o resto.
 
Sai do consultório aliviada como nunca sai de lugar nenhum. Saber que durante tantos anos estou sendo tratada por coisas que não tenho. A doutora me forneceu algum material sobre o transtorno e nunca vi algo que descreve exatamente minha pessoa e minha personalidade. De cada dez características do transtorno, eu tenho nove. Ou seja, não há erro, não há mais dúvidas e não há mais o que procurar nesta área psiquiátrica.
 
Nestes quase quarenta dias, tenho seguido a alimentação ortomolecular à risca. Meu organismo desintoxicou por completo, porque fui a uma festa, comi quatro salgados, oito docinhos e um pedaço de bolo. Depois, tive algo que pessoas operadas do estômago conhecem como “dumping”. Você sua, transpira, vomita, sente dor até no fio de cabelo que ainda não nasceu. Depois de ter colocado tudo pra fora, retomei minha alimentação.
 
Acostumei-me, nestes quarenta dias, a não ingerir lácteos, tampouco glúten. O glúten (farinha  de trigo) é uma substância que parece uma cola. Quando ingerimos, a substância gruda nos tecidos linfáticos, causando retenção de líquidos. Passei a urinar durante o dia, coisa que não fazia. Passei a sentir saciedade com as coisas que como. Passei a não ter vontade de ingerir outras coisas. E todos em casa tendo que me acompanhar, acabam ganhando em qualidade.
 
Como arroz com feijão todos os dias, posso comer todas as verduras e saladas, pão integral, frutas, leite de soja, gelatina, carnes, peixes, DEVO comer nozes e castanhas (vinte por dia) enfim, posso comer de tudo, menos lácteos e glúten.
 
Miraculosamente, em menos de quarenta dias emagreci quinze quilos. Sem fazer dieta de restrição alimentar, mas dieta de desintoxicação. As caminhadas estão mais espaçadas, mas sempre que não chove e dá, lá estou eu.
 
Depois das crises que tive (descritas no post anterior), não tive mais nada, porque agora tomo remédio certo para a coisa certa. Estou feliz, sorridente e levantando pra seguir em frente.
 
Minha vida está tomando novas formas em vários caminhos e sentidos e tudo têm me feito muito bem.
 
Conectei-me profundamente com a espiritualidade, tenho meditado diariamente, dormido doze horas por noite (o que me sobra apenas mais doze do dia para cuidar de uma casa de quase quinhentos metros, dois filhos, marido, contas, compras, lavar, passar, cozinhar, limpar, levar aos médicos, dentistas, meditar e caminhar). Parei de assistir novelas porque realmente, o dia só tem 24 horas.
 
Amanhã começa uma secretária nova, que virá diariamente, e assim terei mais tempo para responder a tudo e a todos, com as devidas atenções que as pessoas merecem e retribuindo todo o carinho que tenho recebido.
 
É isto meus amigos. Estou leve por dentro e por fora. A médica disse que eu perderia uns dois quilos por mês, mas o tratamento para a tireoide está fazendo grande efeito, pois até eu mesma me surpreendi com a perda toda. Eu estou feliz e retomando coisas da minha vida que deixei pra trás quando resolvi ser apenas mãe e esposa.
 
Agora, me reencontrei como um ser individual que tem desejos, gostos, necessidades e estou em primeiro lugar na minha vida. Sempre que sobra tempo, dedico a quem precisa, mas só se sobra. Assim vou caminhando.
 
Mais uma vez, agradeço imensamente todo o carinho recebido. Espero que meus exames tenham melhorado assim como meu estado geral melhorou. Que o coração esteja forte, que os nódulos na tireoide tenham diminuído com a medicação e que eu siga em frente cuidando de mim.
 
Um grande beijo com amor e carinho para todos!

domingo, 27 de outubro de 2013

A verdade sobre mim - nove dias depois


Semana passada, quando escrevi sobre meu sumiço, contei só a parte cor-de-rosa e escondi alguns pequenos detalhes, que hoje me sinto à vontade para contar.

Há dez anos, desenvolvi a depressão. Tinha uma vida agitada, baladas noturnas várias vezes por semana, academia de segunda a sábado, trabalho intenso, faculdade, viagens a trabalho, a lazer. De repente, me casei. Logo, fiquei grávida. Mais logo ainda, iniciei o processo de aborto no meio da estrada, indo fazer um trabalho em Taubaté, fui socorrida em um hospital em São José dos Campos e após ser medicada para que o organismo expulsasse o restante do feto, que ainda encontrava-se nas primeiras semanas de formação, voltei pra São Paulo dirigindo.

Além deste quadro, conheci meu marido quando havia duas semanas que ele saia de um relacionamento de sete anos e de repente, a ex que não o queria mais, resolveu que queria sim, e minha vida tornou-se cinza e escura. Em meio a toda a tempestade, tive o apoio dos meus primeiros sogros, que levaram minha filha para casa deles e eu ficava com ela aos finais de semana. Esta foi a derradeira para que me afundasse de vez.

Até aquele momento da vida, depressão pra mim era coisa de madame desocupada que fica chorando em casa. Então eu faltei ao trabalho o primeiro dia. No segundo também. No terceiro, desliguei telefone de casa e celular. Já não acessava a internet. Chorava durante todo o dia e estava inteira quando marido chegava em casa. Pensava ser forte o suficiente para curar aquele momento de frescura. Até o dia em que não apenas meu chefe, mas meus amigos começaram a ligar no PABX da empresa em que Toruboi trabalhava e ele se espantou com meu sumiço, pois achava que eu estava trabalhando e levando a vida normalmente. Naquele momento, ele saiu do trabalho e chegou em casa na hora do almoço, me encontrando jogada em meio ao vômito no chão do banheiro. Nem sei dizer como emagreci, mas nem na adolescência fui tão magra. Imediatamente, fomos para o pronto-socorro e atendidos por um clínico geral que também era médico do Sírio. Marido perguntou se poderíamos fazer o tratamento particular e ali começou minha saga com anti-depressivos.

A depressão é uma doença crônica. Não existe cura. As crises podem ficar anos sem acontecer e do nada, reaparecem. Quase dois anos depois de diagnosticada com depressão e morando na Europa, comecei a ter fobias. Não conseguia levar minha filha do quarto do flat em que morávamos até a portaria para pegar o transporte escolar. Acredito que somos rodeados de anjos pelo Céu, e aqueles terrenos que surgem quando precisamos. Meu anjo se chamava Cláudia, era a gerente do flat em que já morávamos há alguns meses (a Polícia Federal encontrava-se em greve e nossa mudança ficou presa no porto de Lisboa por cinco meses) e foi a Cláudia quem, diariamente, subia ao quarto, levava o café para mim e para Bibizoca, arrumava minha menina e levava-a até o transporte escolar, fazendo caminho inverso ao final do dia. Eu mal conseguia respirar, tinha a mais absoluta certeza de que morreria sufocada, suava de deixar a roupa inteira molhada e o mundo girava mais que a música do Fábio Júnior. Consegui uma médica que me receitou medicamentos fortes e eu tomava tudo escondido do marido.

Depois de dois anos fora, voltamos ao Brasil, engravidei do Peteleco e tive depressão durante toda a gestação. Ao completar sete meses, fui encaminhada a uma psiquiatra para que ela me assistisse durante o período final da gestação e a chegada do bebê. Minha tia, psicóloga, não permitiu que eu fosse à psiquiatra e me colocou para fazer terapia com uma excelente profissional. O bebê nasceu, continuei o tratamento por dois meses e me dei alta. Tudo era muito difícil, Peteleco mamava de hora em hora e eu já era um zumbi. Com três meses e meio, pedi para que aquela abundância de leite que eu produzia fosse cessada com medicamentos. Introduzi o leite comum no meu bebê, que apresentou diversas alergias até que encontramos um leite que ele aceitasse. Naquela época, a lata custava vinte e cinco dinheiros e cada uma durava um dia e meio. Conseguimos alimentá-lo com aquele leite até quando a pediatra disse que não era mais necessário, o que durou mais de um ano. Ele comia bem, de tudo, mas adorava aquele leite fedido.

Anos se passaram e senti-me deprimida de novo dois anos e meio atrás, quando sofri o acidente e quebrei a perna. Ficar dependente de tudo e de todos até para lavar os cabelos, para fazer um simples xixi me deprimiu, mas não me deu depressão.

Estar deprimida é um estado letárgico de tristeza que você não tem vontade de fazer as coisas. Estar com depressão é chorar por olhar a chuva ou pelo nascer do Sol, a qualquer hora do dia ou da noite, sem controle sobre as emoções. A depressão veio em seguida, e ao ser liberada para andar, a coisa que mais tinha medo era de cair novamente. As crises de pânico voltaram.

Segundo a associação mundial de Psiquiatria, síndrome do pânico é uma doença derivada do transtorno de ansiedade (soube disto este ano). O indivíduo entra num estado de ansiedade tão crítico, que vem o medo e o pânico. Foi neste momento que encontrei outro anjo, a Dra. L.V.M.S., conforme disse no post anterior, e que vem me tratando desde então.

Neste momento do tratamento, onde tomo suplementos, vitaminas, hormônios e mais os remédios controlados para as doenças psiquiátricas, houve alguma combinação que não se ajustou. Há quinze dias, tive uma crise de pânico horrível, sozinha em casa com Peteleco. Quando tive a certeza de que iria morrer, tive duas atitudes: a primeira de pedir que ele repetisse o telefone do Toruboi, para eu ter a certeza de que ele tomaria alguma atitude caso o quadro piorasse. A segunda, foi mandar um torpedo pra minha médica, que me ligou imediatamente, passou uma medicação emergencial para três dias e eu fiquei nova em folha. Seguindo o tratamento, a alimentação e as visitas diárias ao parque.

Contudo, vieram novas crises de pânico e a depressão se instalou no meu organismo. Quatro dias chorando sem parar e finalmente chegou o dia da terapia. O terapeuta me ordenou que procurasse a médica. Eu achei que poderia esperar até minha consulta, dia 31, mas ele disse que não, naquela quarta-feira, eu precisava de uma solução. Foi em meio à crise depressiva que escrevi o texto da semana passada, tentando elencar tudo de bom que eu estava vivendo para tentar parar de chorar. Em vão.

Liguei no consultório da minha médica, que me retornou em seguida e eu só chorava. Ela entrou com nova medicação de emergência e estava saindo para uma viagem naquele dia, não havia como me ver. Entretanto, amanhã ela está de volta e estaremos juntas para entender a situação. Sei, contudo, que ela já chegará com todos os planos, A, B, C, D.... Ela é assim, e não me abandona.

Na quarta-feira, minha amiga Elaine me ligou e conversamos bastante, tempo suficiente para que eu não chorasse e me mantivesse tranquila. Na quinta-feira, passei o dia conversando com minha amiga Lilly por email e ela me ensinou uns truquezinhos para melhorar. Com a medicação e o carinho, mais os cuidados do meu Petelequinho, que virou um gigante e me surpreendeu, mudou-se de mala e cuia para meu quarto para cuidar de mim (enquanto marido está a trabalho pela Ásia) e assim, meu bebê tornou-se um homem. Cuida da minha alimentação, me leva ao parque para respirar e ontem conseguiu me tirar de casa para ir ao aniversário de uma amiguinha, o que me fez super bem, pois a família desta amiguinha é minha conhecida há anos, e estive muito feliz por reencontrar pessoas queridas, conversar e rir. Sim, eu ri e ri muito. E mesmo hoje sendo acordada pela minha mãe, não fiquei estressada, não fiquei de mal humor e fui ao parque caminhar. A novidade é que, além da caminhada, comecei a intercalar com trotes e para quem até seis semanas atrás subia e descia as escadas de casa suando em bicas, intercalei cinquenta passos com cem trotes.

Logo, por mais que todas as notícias possam ter parecido ruins, eu estou bem, passei mais uma vez por todo este transtorno que me cercará por toda a vida; porém, cada vez mais sei como me auto-socorrer, como me ajudar e superar tanta dor que surge do nada e vai embora sem aviso prévio.

Assim inicio uma nova semana e desejo que todos tenham luz em seus caminhos, assim como ela ilumina o meu!

Beijos e obrigada a cada um que passa por aqui e me deixa seu carinho.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Por onde andei, enquanto vocês me procuravam

Meus amigos,

É com muito amor e carinho que lhes escrevo esta mensagem, após passar quase quatro semanas sem acesso ao Facebook e receber tantos emails, mensagens inbox e algumas mensagens na timeline.
 
Poucas pessoas sabiam que eu precisaria dar este tempo para cuidar de mim.
 
Há três meses, comecei a fazer um check up completo, destes que envolvem REMA, Tomo, ultrassonografias. Foram testes de imagens e laboratoriais feitos ao longo de noventa dias, para que minha médica conseguisse definir um diagnóstico preciso sobre alguns problemas de saúde que me acompanham.
 
Os resultados não foram bons, mas assim como acredito em anjos no Céu, acredito que eles também existam na Terra, e aqui, a minha atende pelo nome de L.V.M.S. É ela quem tem me assistido há exatos dois anos e que me resgatou à vida. Na nossa primeira consulta, ao final de setembro de 2011, estava andando ainda com andador, não conseguia pisar o pé esquerdo com firmeza e tinha medo. Muito medo. Medo de andar, de cair, de passar de novo por uma cirurgia e este medo me deixou em um estado de pânico grave. Logo na primeira consulta, L. me abraçou e afirmou que estaríamos juntas nesta luta até o fim.

Desde os nove anos de idade, pratiquei esportes. Comecei com natação, jazz, balé, e conforme a idade foi aumentando, introduzi musculação e todos os tipos de esportes que o tempo me permitia. Assim foi até os vinte e oito anos. Foram dezenove anos de exercícios físicos diários, e em muitos dias, cheguei a passar cinco horas na academia. A endorfina se torna um vício necessário para quem malha. Além dos exercícios físicos, comecei a trabalhar aos catorze anos, e desde que entrei na escolinha, aos três anos de idade quase, nunca parei de estudar. Da faculdade para a pós, da pós para outra graduação, especializações, enfim, uma vida intensa. Até que um dia, acordei em outro país, com meu marido expatriado, eu sem visto para trabalho e minha filha com três anos de idade, a qual eu só cuidava aos finais de semana.
 
Esta mudança radical na minha vida fez com que em um ano eu ganhasse sessenta quilos. Sem que eu me desse conta e só soube disto dois anos depois, quando entrei no consultório do meu GO e ele me explicou o porquê de há um ano eu estar tentando engravidar e não conseguir: a gordura era tanta, que parei de ovular. Desde então, comecei uma saga em busca de emagrecimento. Mesmo com sessenta quilos de obesidade mórbida, tinha exames clínicos inacreditáveis: colesterol e diabetes sempre perfeitos. Quinze dias após o diagnóstico de não conseguir engravidar, engravidei. Foi uma difícil gestação e quando meu filho nasceu, meu nível de esgotamento era tamanho, que eu pensava em me matar e matar o bebê. Até que encontrei uma solução: parei de amamentar, coloquei-o em um berçário, contratei uma personnal e passei a caminhar e a nadar, diariamente. Contudo, o que eu comia fazia com que continuasse sempre empatada.
 
Em 2007, encontrei um médico milagroso, que fazia qualquer pessoa emagrecer. Procurei-o muito esperançosa e o dr. Y.M. pediu-me alguns exames antes que começássemos o tratamento. Infelizmente, naquela semana, perdi meu pai repentinamente e demorei quase um ano para retornar com os exames. Com o organismo em ordem, comecei o tratamento a base de anfetaminas em altas doses, fora as demais substâncias usadas nas fórmulas. Em seis meses, eliminei os sessenta quilos e junto, minha saúde, meus cabelos, minhas unhas. A depressão veio imediatamente e associei que, se eu comesse e engordasse de volta, teria minha saúde, meus cabelos, minhas unhas. Não sei dizer se foi consciente ou inconsciente. Neste momento, estudava e cheguei a trabalhar por três anos, entre estágio e aulas de espanhol e inglês em escolas de Ensino Fundamental. Contudo, os fatos de: ter filhos pequenos, depender de empregada e ter um marido que trabalha sem parar, fizeram com que eu parasse tudo seis meses depois que terminei a Licenciatura. Era o ano de 2009 e eu tinha engordado quase trinta quilos.
 
Depois disto, vivi o maior pesadelo da minha vida. Havíamos comprado na planta um imóvel, dois anos antes, para que fosse um sonho realizado. Aquilo se tornou tudo de mais triste e terrível que vivi. Muita gente acompanhou minha saga por aqui, e ela teve fim há um ano e meio, quando vendi meu apartamento.
 
Desde que comecei meu tratamento com a Dra. L., consegui emagrecer e engordar vinte quilos. Num mês perdia dez, no outro aumentava cinco e assim foram mais de vinte meses. Cinco meses antes de conhecer a Dra. L., fui encaminhada de imediato para uma cardiologista do Sírio Libanês, Dra. A.M.B., que me detectou hipertensa e encaminhou-me para diversas especialidades, mas optei por trartar-me com medicina alternativa e ter uma única médica cuidando da minha saúde.
 
Todo este histórico de emagrece-engorda-emagrece-engorda foram afetando meu organismo de forma cruel. A priori, parei de produzir algumas substâncias essenciais e comecei a tomar suplementação. Nem assim conseguíamos aumentar a produção de nada. Até que neste check up, a coisa que mais alarmou minha médica foi o que veio escrito em um dos mais de cinquenta exames: “alto risco cardíaco”. Nos eletros, tanto em atividade como em repouso, a confirmação: meu coração está fraquinho e precisa se restabelecer. E o que faz meu corpo não produzir vitamina A, D, cortisol, dopamina (que afeta a adrenalina e todo o sistema nervoso) e outros hormônios? O estresse. Além da falta de nutrientes e do coração fraco, também apareceram seis nódulos na tireoide, seguido de um quadro de hipotireoidismo e a doutora foi clara: acabou a brincadeira. Ou você faz tudo que te disser agora, ou o resultado está aqui: “alto risco de doença cardíaca”.
 
Assim, foi-me passado um tratamento que em nenhum momento consiste em emagrecer, mas sim, em desestressar. A médica aumentou meus medicamentos para Transtorno de Ansiedade, no intuito de me ajudar a relaxar. Ordenou que diariamente eu faça caminhada. Caminhadas leves, respirando fundo e deixando o oxigênio entrar em meu organismo. Que eu sinta o barulho dos pássaros, observe a natureza e desfrute deste benefício que tenho, de morar ao lado de uma das maiores reservas florestais do Brasil. Também me passou suplementos diversos e em altas doses, para tentar repor de vez tudo que faltava. A alimentação deve ser seguida a risca: alimentação ortomolecular. Tenho que diariamente preparar minha refeição, o que fez com que a família inteira se tornasse saudável. Todos os alimentos são orgânicos, frescos, verduras, frutas, legumes, arroz integral, feijão azuki e peixes (salmão, atum, sardinha, pescada). Nem pensar em carne vermelha e o único lácteo permitido é uma colher de queijo cotagge passado no pão integral de 12 grãos no café da manhã. Tomo também dois litros de chá verde por dia e um copo de setecentos mililitros quando retono da caminhada. Com tudo isto, meu tempo tornou-se voltado a mim. Minhas consultas estão sendo quinzenais para monitorar tudo, o terapeuta tem ajudado muito no processo, mas o medo tomou conta de mim, e tenho tido crises de pânico. Na última semana, contudo, passei quatro dias em crise e foram as piores desde que fui diagnosticada há dez anos. A certeza de que vamos morrer porque não conseguimos respirar só pode ser descrita por quem já teve uma crise.
 
O fato é que ainda estou estressada. Melhorei muito. Faço alongamento todos os dias, coloco meu iPod no meu iPanda e relaxo na bola de Yoga. Desintoxiquei meu organismo, a pele está linda, os cabelos brilhantes e o único problema é que um dos remédios pode dar problema de pele. Estou com uma mancha ao lado do nariz, mas nada que não se resolva futuramente.
 
A coisa mais importante que existe neste momento na minha vida sou eu. Tudo é secundário. Tenho a vantagem de ter criado meus filhos sempre muito independentes. E eles têm curtido participar deste processo todo. Foi gratificante hoje ouvir minha filha pedindo para fritar um ovo e sentindo nojo com o cheiro. Acostumou-se com a comida saudável.
 
Tenho ingerido também muitas nozes, castanhas e termogênicos: pimenta, canela e gengibre.
 
Ainda não sei se houve mudança no meu quadro clínico. No primeiro dia, caminhei da minha casa até o parque: um quarteirão. Mal conseguia sair do condomínio. Voltei molhada e bufando.  Hoje, um mês depois, dou cinco mil e quinhentos passos no parque, fazendo subidas e descidas o tempo todo e volto sem suar, sem aquela transpiração excessiva. A falta de ar só existe se alguma crise de pânico está para surgir.
 
E se você chegou até aqui, parabéns. Merece todo o meu amor e carinho. Mesmo estando com saudades dos amigos, dos familiares, do contato virtual que me fazia rir muito o tempo todo, preciso, por ora, continuar afastada e focada no tratamento alimentar, medicamentoso, físico e mental (que envolve muita literatura especializada).
 
Não consigo responder aos emails que tenho recebido, nem as mensagens inbox no Facebook, porque graças a Deus são muitas. É bom sentir-se tão querida, e só tenho a certeza de que faço o certo, porque se eu fosse uma pessoa má, não teria tanta gente boa preocupada comigo. Agradeço imensamente o carinho de todos e prometo continuar dando notícias, mesmo que daqui a um mês, quando refarei toda a bateria de exames, para saber se avançamos em algo. E eu creio que sim! Porque não quero mais tratamentos paliativos, como acupuntura ou terapias que resolvem momentaneamente. Quero me curar de tudo e para sempre.
 
Quem quiser me ajudar, peço que coloquem meu nome em suas preces, pedidos, desejos, orações. Mesmo os ateus acreditam em alguma coisa, que o Universo pode conspirar a favor de quem está em busca de cura.
 
Deixo um beijo com muito amor e carinho para todos.
Úrsula - Pandinha

sábado, 28 de setembro de 2013

Sobre a exclusão ou sobre ser excluído (a)

Se há uma coisa boa que chega em nossas vidas juntamente com a idade, é a maturidade. Ela é algo pelo qual agradeço diariamente.
 
Porque a maturidade nos traz malicia e jogo de cintura para viver determinadas situações. Porque a maturidade nos ensina a passar por elas com menos dor. Infelizmente, a maturidade não anula a dor em nossas vidas.
 
Tenho um histórico que, na maturidade dos quase quarenta, comecei a refletir e a achar que é algo cármico. Não vejo outra explicação.
 
Sei que a vida é cíclica e não podemos perpetuar o ontem e o hoje. Entretanto, na minha visão de vida, as amizades podem, sim, ser eterna, basta regar como uma planta, matar as ervas-daninhas que permeiam as relações, e leva-las para a vida eterna.
 
Minha casa sempre foi uma espécie de quartel general. Na minha casa que a turma de amigos sempre se reunia. Descobri isto catorze anos atrás, quando me separei e estava grávida. Passei a não servir mais para muitos amigos, afinal, mulher grávida é mulher inútil. Vi por diversas vezes a turma de amigos se reunir agora em bares, restaurantes, e eu fui me descobrindo na solidão.
 
Na vida, acredito que todo mundo, no início da vida adulta, tenha admiração por alguém e passe a querer segui os passos desta pessoa. Comigo não foi diferente. Tive uma chefe, a qual também era minha amiga, com quem fiz minha primeira viagem internacional, com quem fui a primeira vez ao famoso restaurante "Leopolldo", também ao Gallery e ao Bourbon Street. Foi ela quem me ensinou a falar e a escrever várias coisas, e talvez por causa dela, anos depois de não termos mais notícias uma da outa, me formei na mesma profissão que ela. Eu estava participando de um processo seletivo para a extinta Arthur Andersen, minha filha com alguns meses de vida, e eu ligava para ela a cada vez que o processo seletivo avançava. Até que fiquei finalista com mais uma pessoa, e perdi pelo fato de a pessoa ser formada em uma instituição educacional de primeira linha. Mesmo com todo este contato, ela, minha amiga, não conhecia minha filha.
 
Algumas amizades se foram entre este fato e o nascimento do meu filho, quando perdi outra grande amiga. Todos os encontros familiares, almoços, jantares, aconteciam em minha casa. Nunca na dela. Certo dia, marido Toruboi me cantou esta bola e resolvi tirar a prova dos dez. Ela disse que estava com saudades de nós, e ofereci-me para ir com a família até sua casa. Nunca mais recebi notícias dela, e isto faz quase oito anos.
 
Dentre as piores "traições", vejo a da pessoa a qual entreguei minha filha para o batismo, por quem passei um ano ligando diariamente de outro país e gastando cartão telefônico de uma hora, para consolá-la pelo abandono em uma relação de mais de década. Inclusive, cortei relações com o padrinho da minha filha em defesa dela. Um dia, meu pai se foi. E ela, minha amiga e comadre, mandou um email algumas semanas depois perguntando se eu precisava de algo. Não respondi. Minha filha já procurou por ela por diversas vezes, e ela nunca retornou. Até o dia em que minha filha se deitou no meu colo e chorou por horas, perguntando o que ela havia feito de errado. E eu, como sempre, sem respostas.
 
Tenho "amigos" de infância, pessoas com as quais convivi uma vida. Já acolhi "amiga" fugindo de marido, já entrei em motel para levar amiga com homem casado, dentro do meu carro, para que eles não fossem descobertos. Serviço de táxi mesmo. E o que ganhei deles? Uma grande traição, a segunda maior da minha vida.
 
Dos casos mais recentes que me ocorrem, tenho uma amiga a qual era minha fiel escudeira. Mesmo com toda a minha fobia em falar ao telefone, falava com ela diariamente. Dávamos boas risadas nos encontros na minha casa. Mais uma vez, marido Toruboi perguntou-me: "por que sempre na nossa casa?". Convidei-me, então, para um encontro na casa dela. Ela disse que jamais, pois trabalhava muito e vivia cansada. Fim.
 
Minha casa e minha vida são livros de páginas escancaradas. Sempre gostei de receber, mas é chegado o momento em que cansamos de só dar para certas pessoas, mesmo que a vida nos traga de outras. Desisti de investir em relações unilaterais. Sempre mantive as portas da minha casa aberta aos amigos, aos filhos dos amigos nas férias. Foram incontáveis as vezes em que mães precisavam trabalhar, se divertir e inclusive parir, e eu cuidava dos filhos com amor e carinho.
 
Logo, com todo este histórico, eu deveria estar mais reservada já e cada dia falando menos. Não consegui.
 
Nos últimos tempos, contudo, há fatos ocorrendo que me deixam bastante reflexiva, e definitivamente decidi dar um basta. Decidi que eu me basto, e isto não é uma afirmativa de arrogância. É uma afirmativa de maturidade. Aqueles que não me acrescentam e que segregam relações, deixando-me sempre do lado de fora.
 
Hoje, decidi fazer um faxina na minha vida. E não por vingança, por rancor. Por evolução, por acreditar que não tenho o direito de deixar com que as pessoas me magoem. Como disse lá em cima, a vida é cíclica, e ao contrário do que se diz que "vão se os anéis, ficam-se os dedos", no meu caso vai-se embora anel e dedo. Fica-se a felicidade!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sobre o uso de produtos de soja

Quando era criança, morava em plena avenida Rebouças, em um edifício que hoje dá lugar a um posto de gasolina. Ao lado, funcionava um restaurante macrobiótico. Perguntava pra minha mãe o que era aquela comida e ela me explicava que era comida feita de soja e eu, filha de açougueiro, morria de nojo de carne de soja.

Este "bicho estranho" chamado soja entrou na minha vida há quase doze anos, quando marido resolveu fazer uma "carne" de soja refogada. Não me lembro se era bom ou não, mas começo de relação a gente come até buchada de bode com calda de morango pra agradar o parceiro. Contudo, o nojo continuou.

Há muitos anos que o mercado produz compostos de soja e fruta, o qual chamamos de suco (e quem disse que não é?). Não temos em casa o hábito de consumi-los, salvo menino Peteleco que leva para escola diariamente sucos para a escola, e algumas vezes, a opção é o composto de soja.

Minha médica ortomolecular me passou uma dieta. Estou com alguns problemas de produção de hormônios vitais (existe algum que não seja?) e vitaminas e minerais com alto grau de deficiência. A dieta precisa ser seguida à risca, uma vez que o intuito dela é repor tudo que está faltando no meu organismo. 

Da última vez que precisei fazer isto, ela me deu "leite" de arroz. Paguei 18 dinheiros no litro. Ia fazer um ano agora e o negócio venceu, fechado dentro da geladeira. Não tive coragem sequer de experimentar. Morro de nojo de vomitar e de experimentar coisas diferentes. Confesso que não sou a pessoa das mais difíceis de comer. Como (contra a minha vontade) quase todos os tipos de verdura, como jiló, quiabo, fígado de galinha, de boi, moela e até língua de boi. Entretanto, "leite" de arroz? Não tive coragem.

Desta vez, a dieta veio com "leite" de soja. Fui ao mercado munida da lista de tudo que precisava comprar. Quase todos os produtos encontrados em uma única seção do mercado, a de produtos orgânicos e saudáveis, diferente das minhas seções preferidas: as de coisas que não prestam.

Chegou a vez do "leite". A variedade era grande, mas na versão light, só achei de uma marca. Olhava a caixinha, ela me olhava. E estou sem muita escolha. É quase tomar ou morrer. Como optei pela vida, comprei a caixinha. Fui corajosa na verdade, trouxe duas.

No primeiro dia, driblei o "leite". No segundo também. Hoje, terceiro dia, não tinha escapatória. Muni-me de toda a coragem que alguém precisa para enfrentar a montanha russa, coloquei no mixer uma pêra picada, alguns cubos de gelo e meticulosamente 200ml do meu inimigo. Bati, bati, bati, bati....infinitamente, até fazer muita espuma e ficar com bastante cara de milkshake. 

Diante do meu inimigo, preparei minha fatia de pão 12 grãos com queijo cottage e geleia sem açúcar e adoçante, sentei-me a mesa, joguei uma partida de bingo on-line e "voilá", direcionei minha boca para o copo, mas o nariz chegou antes, para antecipar o que eu sentiria adiante. E não é que o cheiro era bom? Tinha cheiro de baunilha. Fui munindo-me de mais e mais coragem até que levei o copo a boca e? SURPRESA! Era gostoso. Tão gostoso, que não vejo a hora de chegar amanhã para eu experimentar com outra fruta. Tão gostoso, que fiquei aliviada por ter uma opção agora para tomar shakes, já que tenho intolerância aos lácteos. 

Moral da história: mesmo aos trinta e nove anos de idade, é preciso experimentar. E se não gostarmos, experimentamos de novo. Até dez vezes, como fazemos com as crianças. Para que nosso paladar aprenda a gostar daquele novo sabor.

E o medo da soja? Foi embora. Em breve, acredito que usarei proteína de soja texturizada para complementar a alimentação da família. Por hoje, fico com o salmão que está na geladeira marinando!

domingo, 22 de setembro de 2013

Sobre o 4o. Encontro de Blogueiras

Gente, ontem foi um dia pra lá de especial. Na verdade, o dia de ontem começou há alguns meses, em um grupo fechado no Facebook, denominado "Encontro das Blogueiras". Fui convidada pela menina Sheronh para entrar no grupo e, aos poucos, fui conhecendo mais meninas e ficando ansiosa para o grande dia!

Na véspera, Sheronh e Crys vieram passar o dia comigo, e foi um dia maravilhoso, cheio de alegria e amor. Trocamos presentes, palavras, conhecimento e amor!

Ontem fui a primeira a chegar no lugar do Encontro. Em seguida chegaram Sheronh (que é de Santa Catarina e veio só para o Encontro) e Elaine Biason, depois veio Ana Faniquito (direto de Santos), Chris Ferreira (do aeroporto direto para o Encontro, vinda do RJ), uma fofucha vinda de São Caetano, a Cintia Xagas, depois a Crys Leite e assim foram chegando: três gaúchas, uma carioca linda com um marido fofo, uma gaúcha moradora do RJ que chegou parecendo mãe de três e um marido pra ajudar. E neste momento eu já nem me lembro mais porque era muita gente, vindas de muitos lugares do Sul e Sudeste!

Quer saber mais a fundo o que rolou? Vai lá no blog do Encontro, criado e alimentado pela santista Vera Moraes com muito amor e carinho para todas nós! Um registro inesquecível!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Sobre o moço dos Correios

O moço dos Correios surgiu em nossas vidas há uma década, quando fomos morar fora do Brasil. Bibizoca tinha três anos e a forma de contato que ela tinha com as famílias no Brasil era através daquele moço dos Correios, que passava no flat sempre deixando cartinhas e caixinhas pra ela. 

O tempo passou, ela cresceu, voltamos para casa e o moço dos Correios passou a frequentar nossa casa de forma não gratuita: comprando-se pela internet.

Sou blogueira há uma década e nestes anos todos, tive o prazer e a oportunidade de fazer amizades pela rede, pelo mundo. Recebi mimos de amigas, enviei outros, e sempre estive presente em blogs internacionais, fazendo, assim, amizade por este mundo afora.

Por quase dois anos, deixei este meu cantinho abandonado e há alguns meses retomei. Assim, através dele e do Facebook, fui fazendo novas amizades, conhecendo pessoas especiais e eis que um dia, o homem dos Correios me surpreende com uma caixa. Dentro dela, uma cuia de chimarrão.

Sempre tive sonho em ter uma cuia de chimarrão. Trabalhei em tantos projetos em POA e não sei o porquê de nunca ter comprado uma. Mas lá estava a minha cuia, enviada pela amiga Fernanda Costa, juntamente com uma cartinha.

Não sou muito de ganhar presentes, porque sou bem chatinha. Sou chatinha porque sou simples, e as pessoas me acham sofisticadas. Assim, acabo sempre ganhando coisas que não me agradam, já que o que me agrada é a simplicidade. Deste modo, o que mais me agrada em um presente é a cartinha que vem junto. Tenho uma caixa que equivale ao tamanho de duas caixas de sapato. E nela, guardo não apenas meus cadernos de recordações da adolescência, como toda e qualquer manifestação de amizade escrita que colecionei ao longo da vida.

Semana passada, eis que o moço dos Correios deu de novo as caras por aqui. Desta vez, vindo de Niterói, através da amiga Jô. Não vou revelar o que é, pois como sou encarregada de levar dois pacotes que ela também mandou para o Encontro das Blogueiras, posso vir a estragar a surpresa. Mas a cartinha carinhosa já foi pra minha caixa da felicidade!

Hoje, estou saindo para ir à médica: tensa, nervosa, ansiosa. E ao descer as escadas, vi um envelope azul por debaixo da porta. Peguei-o e logo vi que foi a amiga Deza que enviou, de lá dos EUA. Um envelope delicado, com selos personalizados e só aquilo já me encantou. Escrito em inglês e português: "não dobrar", me fez aguçar mais ainda a curiosidade. Estava atrasada, sabia que pegaria alguns faróis paralisados no caminho, entrei no carro e em menos de dois minutos, abro o envelope e começo a chorar. Além de um lindo cartão de agradecimento*, recebi junto este tesouro, que enquadrarei e levarei para sempre! Lágrimas caíram, fui para a consulta, voltei para casa.

O interessante é que depois de umas três semanas sem conseguir, hoje, finalmente, seguiu minha lembrança para Belo Horizonte, para a amiga Lúcia. A gente dá para uns, recebe de outros, mas o importante de tudo isto é o carinho com que pensamos nas pessoas e com o qual elas pensam na gente.

E querem saber o que não podia ser dobrado no envelope de hoje? Vejam só:



Esta sou eu, aos olhos da Deza. Segundo minha médica, as pessoas me veem assim: feliz, alegre, de bem com a vida. É esta a imagem que eu passo e é esta pessoa que ela quer que eu seja. Então, dois brindes: à amizade e à felicidade!

Meus mais sinceros agradecimentos às amigas queridas e ao moço dos Correios que traz a felicidade em minhas mãos!

*para mim, não há maior prêmio por qualquer coisa que se faça na vida, que a gratidão. Obrigada, Deza! Você me emocionou.